A psicanálise revela que uma das forças mais poderosas que emergem do coração humano nasce do sentimento de injustiça.
Diz-se que uma injustiça cometida contra um único homem representa uma ameaça à própria sociedade. Quando alguém age deliberadamente no erro, a justiça que sobre ele recai costuma encontrar, ainda que parcialmente, algum acolhimento em sua consciência. Em algum lugar de seu íntimo, permanece a percepção de que a consequência guarda relação com a escolha praticada.
Outra é a situação daquele que caminha em extrema boa-fé e, ainda assim, se vê alvo de ações destrutivas. Nesse instante, desperta-se a indignação, não a cólera cega que obscurece a razão, mas a força moral que se recusa a aceitar a degradação da dignidade humana.
É o que antigos pensadores chamariam de iracúndia justa: o impulso que não busca vingança, pois a vingança aprisiona o coração e estreita os horizontes da mente. O que se impõe é uma resposta diferente, uma resposta de reparação, de firmeza e de afirmação da própria dignidade.
A verdadeira potência humana não se manifesta no desejo de rebaixar quem feriu, mas na capacidade de permanecer erguido. É olhar para o horizonte sem perder a serenidade, consciente de que alguns escolhem rastejar pelo chão enquanto outros persistem na difícil arte de caminhar de pé.

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