No palco da Casa dos Açores do Rio de Janeiro, as cordas da Tuna Açoriana entoaram um hino de pertença que ecoou até às terras de Bom Jesus. Pelas lentes da TV Alcance e pelas letras do Jornal O Norte Fluminense, a nossa história cruzou fronteiras, unindo a tradição açoriana ao coração fluminense.
Sob a batuta do ensaiador Carlos Alves, o novo agrupamento musical reviveu tradições quase esquecidas, ecoando o legado da antiga Tuna Terceirense dos anos 1970, e projetou-se como ponte viva entre as ilhas dos Açores, Portugal e o Brasil multicultural.
A apresentação, realizada na própria sede da Casa dos Açores, conjugou em harmonia o repertório tradicional açoriano com toques portugueses e brasileiros, tecendo um tapete sonoro de saudades e pertencimento.
Canções como Charamba, dança inaugural que pulsa ritmos de festa insular; Ave Maria, prece cantada à Senhora de Fátima com verso próprio; Olhos Negros, lamento de amor não correspondido; O Peregrino, homenagem brasileira à padroeira Aparecida; Sangue Latino, grito de resistência cultural; Vinho Verde, nostalgia da terra distante; Ilhas de Bruma, hino à identidade nevoenta do arquipélago; e a original Divino Virá, inspirada no terço do Espírito Santo, desfilaram pelo palco, embaladas por viola da terra, mandolim, guitarra portuguesa, violino e vozes entrelaçadas de gerações.
O evento, que reuniu jantar regional, discursos emocionados e testemunhos de ex-integrantes, vice-presidente Álvaro Mendonça (nascido nos Açores), presidente Leonardo Soares e até mensagem em vídeo da direção regional das comunidades açorianas, foi coberto pela TV Alcance e pelo Jornal O Norte Fluminense, veículos do grupo de mídia fundado e gerido por descendentes de açorianos no estado do Rio. A transmissão ao vivo permanece disponível no YouTube da Casa dos Açores, capturando os aplausos, as lágrimas contidas e o anúncio de um sonho maior: levar esses acordes até o solo açoriano, meta declarada como o horizonte supremo do grupo.
Carlos Alves, em tom de gratidão que ressoa como cantiga de embalar, agradeceu o apoio recebido, das divulgações às mensagens, vinhetas e vídeos, que fizeram da estreia não apenas um concerto, mas um recomeço coletivo. “Melhor do que ouvir de mim, é constatar vocês mesmos”, convidou, apontando os links da gravação integral e da reportagem jornalística.
Com banner tremulando orgulhoso e laços a se estreitarem, a Tuna Açoriana surge como chama renovada da açorianidade no Rio: raiz que não se apaga, mas floresce em terra brasileira, sonhando atravessar o Atlântico para cantar nas ilhas de onde tudo veio. O grupo permanece aberto a parcerias, convicto de que a música, como o mar, une distâncias e guarda memórias.
Assim, em meio ao burburinho carioca, ecoa uma melodia antiga e nova: a dos ilhéus que, mesmo longe, nunca deixam de ouvir o rumor das ondas e o chamado da bruma.

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