sexta-feira, 8 de maio de 2026

Dia da Poesia Bonjesuense: o legado de Elcio Xavier

 



O Dia da Poesia Bonjesuense, celebrado em 3 de maio, no Espaço Cultural Luciano Bastos, foi mais do que uma homenagem. Foi um reencontro entre o passado e o futuro das letras de Bom Jesus. Uma tarde em que a poesia caminhou entre as pessoas como quem retorna ao seu lugar de origem, trazendo nos olhos a memória e no peito a eternidade.

Para o Dia da Poesia Bonjesuense vieram especialmente do Rio de Janeiro Rogério Loureiro Xavier, filho e guardião da memória de Elcio Xavier, acompanhado de sua esposa, Eloisa, e da filha, Elaine. Rogerio foi um dos homenageados com o Certificado de Honra e Louvor.

E sobre todos os versos pairava o nome de Elcio Xavier, o eterno Príncipe dos Poetas. Homem de palavras iluminadas, que fez da delicadeza um estilo e da sensibilidade um reino. Seu legado não repousa apenas nos livros ou nas lembranças: permanece vivo nas novas gerações de escritores e poetas que continuam transformando Bom Jesus numa terra de inspiração.

Elcio jamais deixou para trás a Serra do Tardin, as paisagens da infância, o cavalo Ventania. Levava consigo a simplicidade das montanhas, o silêncio dos rios e a grandeza invisível das coisas humildes. E talvez seja exatamente por isso que sua poesia continue tão humana e tão eterna.

A poetisa e escritora Jandira Xavier Moreira, uma das homenageadas do dia, trouxe para o Espaço Cultural Luciano Bastos o soneto “O Voo do Pioneiro”, em que transforma Elcio em ave de luz e permanência. Seus versos fizeram do poeta uma presença suspensa entre o céu e a memória, como alguém que não partiu, apenas atravessou o horizonte.

Também veio de Laje do Muriaé, RJ, a voz sensível da poetisa Maria Beatriz Silva, trazendo palavras de profunda ternura em homenagem ao “Poeta Maior”. Seu texto lembrou que a poesia desconhece distâncias e que há homens cuja existência continua ecoando muito além do tempo. Em cada linha, Maria Beatriz fez da saudade um jardim iluminado pela gratidão.

E havia ainda os filhos da velha Pirapetinga de Bom Jesus igualmente homenageados: Lauro Amaral, Adalto Boechat Jr. e a própria Jandira Xavier Moreira. Todos carregando consigo as lembranças do torrão natal, os encantos da infância e o orgulho silencioso de pertencer àquela geografia afetiva onde a palavra nasce junto com o vento das montanhas.

A ABIJAL, Academia Bonjesuense Infantojuvenil  de Letras,  foi uma das grandes protagonistas do evento, ao lado do jornal O Norte Fluminense. A juventude literária mostrou que a chama acesa por Elcio Xavier continua viva e ardente. A jovem Beatriz Magalhães, filha de Giselle Magalhães, uma das homenageadas da tarde, brilhou durante toda a celebração, conduzindo homenagens ao lado de Rogério Loureiro Xavier, filho do Príncipe dos Poetas. Com ela estiveram os jovens Ana Alice Sátolo, Matheus Pimentel e Felipe. Suas presenças simbolizavam a continuidade da memória e da cultura.

A Tuna Luso Bonjesuense levou música e emoção ao encontro, enquanto o açoriano Francisco Amaro Borba Gonçalves trouxe palavras comoventes sobre Elcio Xavier, atravessando oceanos para participar daquele instante de comunhão poética. Também emocionou a presença de Lenice Xavier, com sua filha Renata. Lenice é prima de Elcio e sua trajetória literária igualmente honra a tradição das letras bonjesuenses. E no meio de acordes e memórias, destacou-se ainda Marise Figueiredo Xavier, fundadora da Escola de Música Cristo Rei, responsável pela formação musical de centenas de alunos ao longo dos anos. Sua presença iluminou a celebração, e sua delicada apresentação ao piano transformou o ambiente num instante de rara sensibilidade, como se a própria música dialogasse com a poesia e conduzisse, em notas suaves, a memória de Elcio Xavier através do tempo.

Livros circularam como sementes. “O Véu da Manhã”, “Rosaquarium”, e "Lembranças", de Elcio Xavier, além de “Saudades”, de Gedália Loureiro Xavier, foram distribuídos ao público, juntamente com "A Saudade que Não Passa", de Rogério Loureiro Xavier e "Alma Inquieta", da saudosa Raquel Loureiro Xavier Soares. Mais do que páginas impressas, eram fragmentos de memória entregues às mãos do povo.

Se fizeram presentes também os jovens da Sociedade Musical da Usina Santa Maria, os tradicionais bonecos gigantes do Tupy, comandados pelo icônico Toninho do Tupy, a Folia de Reis Irmandade da Estrela Guia e o Grupo de Capoeira Escola de Capoeiragem.

Naquela tarde, Bom Jesus pareceu compreender algo raro: um povo sem poesia empobrece a alma; um povo que reverencia seus poetas constrói eternidade.

E assim, no Dia da Poesia Bonjesuense, Elcio Xavier foi elevado à condição de rei, não um rei de coroas e palácios, mas daquilo que realmente permanece: a palavra, a beleza, a cultura e a esperança.

Porque enquanto houver alguém declamando um verso às margens do Itabapoana, enquanto houver um jovem descobrindo a força de um poema, enquanto a memória da Serra do Tardin sobreviver no coração de seus filhos, Elcio Xavier continuará vivo.

Não apenas como poeta.

Mas como destino literário de Bom Jesus.


O Voo do Pioneiro

Jandira Xavier Moreira


Um século de luz em cada traço,

Rasgando “O véu da manhã, cortando o silêncio,

Quem conhece da alma, o seu imenso,

Não teme a curva, o tempo ou o cansaço.


Elcio, pioneiro da terra e desses espaços,

Colheu das palavras o brilho mais intenso,

Deixando o rastro de um olhar suspenso,

No rio que corre e acalma o nosso passo.


Agora é voz que o vento transmigra,

Poeta solto em céu itinerante,

Onde a saudade, em gratidão, se abriga.


Não é partida, é voo de diamante:

A carne finda, mas a rima intriga,

Fazendo o ontem ser o hoje: adiante.

(Olhares de Branca.Jandira)



ONDE A PALAVRA PERMANECE!

Maria Beatriz da Silva 


Hoje não caminho entre vocês,

mas envio minha voz em forma de verso

porque a poesia não conhece distâncias

 ela atravessa o tempo, o silêncio

e encontra morada no coração.


Dizem que há dias que passam

mas há outros que permanecem

e este não é um dia qualquer:

é daqueles que florescem dentro da gente,

onde a poesia respira

e a memória se faz presente.


Homenagear um poeta

é mais do que lembrar seu nome 

é reconhecer que ele ainda fala

em cada verso que nos atravessa

em cada emoção que não conseguimos dizer

até que a poesia fale por nós.


Hoje, ecoa entre nós

o nome de Elcio Xavier,

meu poeta maior,

aquele que fez da palavra abrigo

e do sentimento eternidade.


Há almas que não partem,

apenas se transformam em luz

espalhada nas entrelinhas do mundo.

E hoje, entre vozes, encontros e lembranças,

Elcio Xavier vive 

no sopro de cada verso dito com amor.


Que cada poesia aqui declamada

carregue um pouco dessa eternidade.

Que cada verso seja ponte,

semente, abrigo e emoção.


E que, mesmo eu estando ausente 

eu esteja presente naquilo que mais importa:

no sentir que nos une,

na poesia que nos guarda,

e no silêncio bonito

onde o Poeta Maior continua vivo entre nós.











































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