Ao assinar a carta dirigida ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Maria Silvia não escreveu apenas o próprio nome. Inscreveu, mais uma vez, o nome de Bom Jesus do Itabapoana no cenário nacional
![]() |
| Maria Silvia Bastos Marques nasceu em Bom Jesus do Itabapoana no dia 27 de dezembro de 1956. Com mestrado e doutorado em Economia, foi presidente do BNDES e da Companhia Siderúrgica Nacional |
Certas assinaturas vão além do gesto de escrever um nome. Elas carregam histórias, valores, responsabilidades e raízes. Entre as personalidades que subscreveram a carta em apoio às medidas adotadas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, encontra-se a consagrada economista bonjesuense Maria Silvia Bastos Marques.
Sua assinatura confere ao documento também um traço da presença de Bom Jesus do Itabapoana nos grandes debates nacionais. Maria Silvia é neta de Ésio Martins Bastos, fundador do jornal O Norte Fluminense, criado em 25 de dezembro de 1946. Nela, a memória de uma família comprometida com a informação, a vida pública e o desenvolvimento do país atravessa gerações e continua a se manifestar.
A carta, divulgada no domingo, dia 13, reúne ex-ministros de Estado, economistas, empresários, juristas, jornalistas e representantes da sociedade civil. Entre seus signatários estão Pedro Malan, Armínio Fraga, Miguel Reale Júnior, José Eduardo Cardozo, Pérsio Arida e Eugênio Bucci. O documento defende uma apuração “rigorosa e imparcial” das acusações recentemente divulgadas, sempre sob a proteção do devido processo legal.
Os signatários manifestam apoio às providências adotadas por Fachin com o propósito de preservar a autoridade do Supremo Tribunal Federal. Sustentam, ainda, que a sessão plenária marcada para terça-feira, dia 15, deve ser pública, em respeito ao princípio constitucional da transparência.
A mensagem central da carta é clara: instituições não se fortalecem ocultando dúvidas, mas enfrentando-as com serenidade, independência e respeito à lei. Para o grupo, a apuração dos fatos e a responsabilização de quem eventualmente tenha violado a legislação ou a dignidade do cargo são indispensáveis à recuperação da confiança pública e à preservação da democracia.
O documento vai além do episódio imediato. Propõe reformas institucionais destinadas a fortalecer a colegialidade, assegurar a imparcialidade dos julgamentos, prevenir conflitos de interesse, estabelecer padrões de conduta e ampliar a transparência e o controle social sobre a Corte e seus integrantes. Adverte, sobretudo, que a jurisdição do Supremo jamais poderá ser capturada por interesses pessoais, políticos ou econômicos.
Em meio a tantos nomes de projeção nacional, a assinatura de Maria Silvia Bastos Marques possui, para os bonjesuenses, um brilho singular. É como se, entre as linhas do documento, também estivesse presente a história de Ésio Bastos, que fez da palavra impressa um instrumento de participação na vida coletiva.
Da tipografia de O Norte Fluminense aos grandes debates da República, permanece o mesmo fio invisível: a convicção de que a democracia necessita de luz, responsabilidade e coragem. Ao assinar a carta, Maria Silvia não escreveu apenas o próprio nome. Inscreveu, mais uma vez, o nome de Bom Jesus do Itabapoana no cenário nacional.
Leia abaixo a carta na íntegra:
A S. Ex.ª o Ministro Edson Fachin
Presidente do Supremo Tribunal Federal
Brasília, 13 de setembro de 2026
Senhor Ministro Presidente,
Os cidadãos e representantes da sociedade civil abaixo assinados vêm manifestar seu integral apoio às medidas adotadas por V. Ex.ª, com o objetivo de preservar a autoridade do Supremo Tribunal Federal e promover, sob a estrita observância do devido processo legal, a mais rigorosa e imparcial apuração dos fatos e das gravíssimas acusações que vieram a público nas últimas semanas.
Para isso, é fundamental assegurar ampla transparência às investigações e à sessão plenária marcada para o próximo dia 15 de setembro, que deve ocorrer de forma pública, nos termos do artigo 93, IX, da Constituição Federal.
Estamos vivendo a mais grave crise da história do Supremo Tribunal Federal e certamente uma das mais graves de nossa acidentada história republicana. A apuração dos fatos e a responsabilização daqueles que eventualmente violaram a lei e a dignidade de seus cargos são indispensáveis para que possamos recobrar a confiança nas instituições e preservar nossa democracia.
Entendemos, ainda, que a superação dessa crise exigirá reformas institucionais urgentes, capazes de fortalecer a colegialidade, assegurar a imparcialidade dos julgamentos, prevenir conflitos de interesse, estabelecer padrões rigorosos de conduta e ampliar a transparência e o controle social sobre a Corte e seus integrantes.
O Supremo Tribunal Federal não pode deixar que sua jurisdição seja capturada por interesses escusos, de natureza pessoal, política ou econômica, que atentem contra nossa democracia constitucional.

Nenhum comentário:
Postar um comentário