domingo, 20 de setembro de 2026

André Luiz de Oliveira e a defesa do patrimônio educacional de Bom Jesus

 


A trajetória de André Luiz de Oliveira à frente das causas comunitárias de Bom Jesus do Itabapoana registra uma atuação marcada pela vigilância, pela transparência e pela defesa do patrimônio coletivo. Quando exercia a vice-presidência do Centro Popular Pró-Melhoramentos de Bom Jesus do Itabapoana, André demonstrou firmeza ao tomar conhecimento de que a área onde funcionavam as escolas municipais Anacleto José Borges e Mariquinha Batista, na Avenida Governador Roberto Silveira, estava anunciada para leilão.

O imóvel possuía expressiva importância material e social: eram 30 salas, pátio, quadra e almoxarifado, distribuídos em 1.053,06 metros quadrados de área construída, dentro de um terreno de 10.606 metros quadrados. Avaliado, à época, em R$ 4,9 milhões, teria lance mínimo de R$ 2,45 milhões.

Mais do que números, porém, aquela área abrigava uma parcela preciosa da história da educação bonjesuense. Ali funcionavam instituições responsáveis pela formação de sucessivas gerações de crianças. Por isso, diante da gravidade da situação, André Luiz de Oliveira não permaneceu em silêncio.

Na condição de vice-presidente do Centro Popular, dirigiu uma manifestação ao próprio Centro, ao Conselho Deliberativo do Hospital São Vicente de Paulo, à 6ª Vara de Execução Fiscal do Rio de Janeiro, ao Ministério Público Federal, à Câmara Municipal e ao prefeito de Bom Jesus do Itabapoana. No documento, informou que nem ele, nem os demais integrantes da entidade e do Conselho Deliberativo haviam sido comunicados pelo setor jurídico sobre o andamento do processo que resultara na designação do leilão.

André também questionou a falta de informações sobre a origem, o valor e a natureza da dívida que teria provocado a execução do imóvel. Reivindicou, ainda, o acesso dos associados aos documentos e balancetes da instituição, sustentando que a transparência não representa favor, mas obrigação de quem administra ou fiscaliza bens ligados aos interesses da comunidade.

Sua atitude revelou coragem cívica. Em vez de aceitar o silêncio, formulou perguntas; em vez de assistir passivamente aos acontecimentos, acionou as instituições competentes; em vez de tratar o assunto como questão interna, compreendeu que estava em jogo um patrimônio pertencente, moral e afetivamente, a toda a população bonjesuense.

A relevância de sua atuação torna-se ainda mais evidente quando se observa a história da Escola Municipal Anacleto José Borges. Em 19 de outubro de 2017, aproximadamente quinhentas pessoas, entre estudantes, familiares, educadores e autoridades, reuniram-se no auditório do Colégio Estadual Padre Mello para celebrar os cinquenta anos da instituição.

A solenidade, conduzida pela diretora Mônica Amil, contou com apresentações dos alunos da educação infantil e do ensino fundamental, homenagens aos ex-diretores e a presença da escritora Vera Viana Borges, que declamou o hino da escola, de sua autoria. Cada apresentação reafirmou o carinho da comunidade por uma instituição que, durante meio século, ajudou a educar gerações.

Esse expressivo encontro demonstrou que a Escola Anacleto José Borges nunca foi apenas um conjunto de salas, paredes e corredores. Ela representa lembranças, aprendizado, convivência e esperança. Proteger o espaço no qual uma escola desenvolve sua missão significa proteger a própria memória de um povo e assegurar às novas gerações o direito de construir ali o seu futuro.

Ao levantar publicamente aquelas questões, André Luiz de Oliveira honrou as responsabilidades inerentes ao cargo que ocupava. Sua intervenção permanece como exemplo de participação cidadã e de compromisso com Bom Jesus do Itabapoana. Afinal, quando alguém se dispõe a defender uma escola, não protege somente um imóvel: protege a infância, a educação, a história e o futuro de toda uma comunidade.




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