No dia 19 de setembro de 2026, durante o Encontro da Família Perciano de Oliveira, de Pedro Antônio de Souza voltou a exercer, com sabedoria e afeto, sua vocação de guardião da história. Radicada em São Pedro do Itabapoana desde 1860, a família conserva a informação de que seu primeiro imigrante, José Perciano de Oliveira, era um “português das Ilhas”. Pequena expressão, mas capaz de abrir um oceano de lembranças e conduzir o pensamento até o arquipélago dos Açores, de onde tantos homens e mulheres partiram levando na bagagem a coragem, a fé e a esperança.
O encontro começou na sede da Academia Maria Antonieta Tatagiba - Artes - História - Letras, instituição presidida pelo Dr. Pedro. Ali, ele acolheu os descendentes da família Perciano de Oliveira e lhes falou sobre a Casa dos Açores do Espírito Santo, CAES, ressaltando a importância do resgate da açordescendência. Vestido com traje típico, não representava apenas uma tradição: parecia trazer consigo a voz dos antepassados, o rumor distante do Atlântico e a memória daqueles que um dia deixaram as ilhas para plantar seus sonhos em terras brasileiras.
Depois, durante o almoço, três netas da organizadora do encontro, também usando roupas tradicionais, dançaram o Vira. E, por alguns instantes, Mimoso do Sul pareceu aproximar-se dos Açores. Nos passos das meninas, a herança cultural deixou de ser apenas uma recordação antiga para se tornar movimento, música e continuidade. As crianças dançavam no presente, mas eram acompanhadas, invisivelmente, pelas gerações que vieram antes delas.
O propósito de criar, quando possível, um Núcleo de Açordescendentes em Mimoso do Sul revela a grandeza da iniciativa. Não se trata somente de fundar mais uma entidade, mas de estabelecer uma casa simbólica para a memória, reunir documentos, histórias, costumes e afetos, permitindo que cada descendente reconheça as próprias raízes e compreenda melhor sua identidade.
Nesse trabalho, destaca-se a figura generosa do Dr. Pedro Antônio de Souza. Homem de cultura, historiador da sensibilidade e incansável construtor de pontes, ele sabe que uma comunidade somente permanece verdadeiramente viva quando conhece e honra sua origem. Ao acolher aquela família, acolheu também os sonhos, as travessias e as saudades de seus antepassados.
O Encontro da Família Perciano de Oliveira terminou, mas a semente permaneceu lançada. Sob os cuidados de homens como o Dr. Pedro, ela certamente florescerá. E cada nova flor dirá, silenciosamente, que nenhum povo perde suas raízes sempre que há alguém disposto a procurá-las, amá-las e devolvê-las à luz.

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