Jornal fundado por Ésio Martins Bastos em 25 de dezembro de 1946 e dirigido por Luciano Augusto Bastos no período 2003-2011. E-mail: onortefluminense@hotmail.com
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
terça-feira, 22 de setembro de 2026
Pão dos Açores ganha um toque bonjesuense na Padaria DN
Entre o aroma do azeite e o sabor marcante do queijo parmesão, nasceu uma iguaria que aproxima terras e afetos: o Pão dos Açores com toque bonjesuense.
Há dois meses, essa criação artesanal vem sendo oferecida aos clientes da Padaria DN, localizada no bairro Lia Márcia, em Bom Jesus do Itabapoana. De aparência rústica e dourada, o pão evoca a simplicidade acolhedora das cozinhas açorianas, nas quais cada receita parece guardar a memória das famílias, a força das ilhas e o perfume do mar.
O azeite estabelece uma ponte com a tradição portuguesa, enquanto o parmesão acrescenta uma nota especial, revelando a criatividade e o sabor bonjesuenses. Não se trata da reprodução literal de uma receita tradicional dos Açores, mas de uma releitura afetuosa: um encontro entre a herança açoriana e a inventividade de Bom Jesus.
Em cada fornada, o alimento se transforma também em viagem simbólica através do Atlântico. Na Padaria DN, as mãos que amassam e o forno que aquece ajudam a aproximar povos, histórias e culturas. Quando o pão é repartido, as distâncias diminuem, os laços se fortalecem e a memória permanece viva.
Sarau Literário revela o talento de Hagatha sob a gestão de Nathyara Teixeira no Padre Mello
O voo literário de Hagatha no Colégio Estadual Padre Mello
No dia 29 de setembro de 2026, às 8h40 e às 14h10, o educandário realizará o Sarau Literário “Potência da Mulher”, em homenagem a Clarice Lispector, uma das vozes mais profundas e luminosas da literatura brasileira. O encontro reunirá literatura, sensibilidade e protagonismo feminino, sob a responsabilidade das professoras Ediane Alexandre, Gislaine Boechat e Aline Pedrosa.
Em meio às homenagens a Clarice, outra escritora também começará a escrever o próprio nome na história: Hagatha Louise Teixeira dos Santos, aluna do 7º ano do Ensino Fundamental, turma 701. Durante o sarau, será lançado seu livro Borboleta Atíria e a Lagarta Lola, trabalho desenvolvido sob a orientação cuidadosa da professora Ediane Alexandre.
O livro de Hagatha traz dentro de si um bosque inteiro. Em suas páginas, a jovem autora abre as portas de dois reinos encantados, separados por um riacho, mas unidos por uma ponte, assim como estavam unidas, antes do conflito, as vidas da borboleta Atíria e da lagarta Lola.
Tudo começa com o desaparecimento das plantas encantadas de Atíria. A amizade, que parecia tão firme, é abalada pelo orgulho, pela mágoa e por uma mentira cuidadosamente semeada. Os dois reinos se preparam para a guerra. Casulos se fecham, soldados treinam, túneis são abertos e armas são empunhadas. Sobre o bosque, antes tranquilo, paira a sombra de um combate que jamais deveria ter começado.
Entretanto, Hagatha nos recorda que, mesmo no coração de uma batalha, a ternura pode sobreviver. Ao ouvir o choro de Lola, Atíria interrompe a fúria para fazer uma pergunta. Naquele instante, a palavra torna-se mais poderosa do que qualquer arma. A verdade finalmente aparece: movida pela inveja da amizade entre as duas, a cobra Górgona havia lançado sua poção e plantado a discórdia. A guerra nascera de uma mentira.
Por trás da fantasia, vive uma lição profundamente atual. Quantas amizades, famílias e comunidades são divididas por palavras falsas, intrigas e julgamentos precipitados? Antes de transformar o outro em inimigo, é necessário atravessar a ponte do diálogo. Atíria poderia continuar lutando, mas preferiu escutar. Lola poderia ocultar seu erro, mas encontrou coragem para pedir desculpas. Ambas descobriram que perdoar também é uma forma de vencer.
Há uma bela simbologia na escolha das personagens. A lagarta e a borboleta representam momentos distintos de uma mesma transformação. A estudante que hoje escreve suas primeiras histórias poderá, amanhã, abrir asas sobre o vasto céu da literatura. Cada frase é um pequeno casulo; cada página, uma asa que começa a se formar.
Esse voo não acontece sozinho. Ao lado da jovem autora está a professora Ediane Alexandre, cuja orientação demonstra a grandeza do verdadeiro educador: aquele que não entrega apenas respostas, mas ajuda o aluno a reconhecer as próprias perguntas, a organizar a imaginação e a acreditar no valor de sua voz. Quando uma professora acolhe o talento de uma estudante, a sala de aula deixa de ter paredes e se transforma em horizonte.
E, por trás desse belo movimento cultural, encontra-se o trabalho magnífico e muitas vezes silencioso da diretora Nathyara Teixeira da Silva. Com uma concepção libertadora e humanizada da educação, ela vem fazendo do Colégio Estadual Padre Mello um território de possibilidades. Sua gestão compreende que educar não é somente transmitir conhecimentos: é despertar sensibilidades, revelar talentos, fortalecer a autoestima e preparar seres humanos para participarem da construção de um mundo melhor.
O Sarau Literário “Potência da Mulher” é fruto dessa visão. Ao homenagear Clarice Lispector e, simultaneamente, abrir espaço para o lançamento da obra de uma jovem estudante, o colégio une gerações de mulheres por meio da palavra. De um lado, Clarice, que mergulhou nos mistérios da existência humana; do outro, Hagatha, que começa a descobrir a força de sua própria imaginação. Entre elas, professoras que orientam, incentivam e mantêm acesa a chama da literatura.
Quem acompanha a vida das escolas sabe que um novo mundo está sendo silenciosamente gestado nas salas de aula do interior. Ele nasce quando uma professora acredita no talento de uma aluna; quando uma diretora transforma a cultura em prioridade; quando um colégio promove um sarau e permite que uma jovem escritora apresente sua criação à comunidade.
Com sua imaginação, Hagatha fez muito mais do que narrar uma aventura. Mostrou que a inveja separa, que a mentira destrói, mas que a verdade, o diálogo e o perdão podem reconstruir pontes. No bosque criado por ela, as plantas encantadas representam a própria amizade: quando regadas com confiança e carinho, florescem novamente, mesmo depois da tempestade.
Ao concluir a leitura, percebemos que Atíria não foi a única borboleta a levantar voo. Hagatha também abriu suas primeiras asas. E, levando consigo o nome do Colégio Estadual Padre Mello, a dedicação da professora Ediane Alexandre e o incentivo da diretora Nathyara Teixeira da Silva, iniciou sua caminhada pelo céu luminoso da literatura.
Nesse dia, cada livro aberto será também uma janela. Cada palavra pronunciada será uma semente. E cada estudante compreenderá que, quando a escola acredita em seus sonhos, até os casulos mais tímidos podem se transformar em asas.
Paz, Apenas Paz!, por Rogério Loureiro Xavier
Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.
*Paz, Apenas Paz!*
É inevitável, quanto mais amadurecemos e evoluímos, mas sentimos necessidade de ter paz, apenas paz! Preferimos estar sozinhos do que cercados de pessoas que não acrescentam sentimentos em nossa vida. Não nos importamos em vencer discussões ou provar que estamos certos. Aprendemos a não dar satisfações ou explicar o que quer que seja, para quem já decidiu não entender nossos motivos. Temos essa percepção porque quanto mais nos conhecemos e respeitamos nossas falhas e limitações, mais aprendemos a respeitar os motivos alheios. Passamos a fazer parte do time do deixa pra lá, e seguimos nossa caminhada, nos preocupando apenas com o que importa: ser feliz, de um jeito simples e leve, por isso tudo que pesa, vai ficando para trás.
*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*
Rick: quando a voz se cala, a saudade começa a cantar
Rick cantava, compunha e, sobretudo, acreditava que a música precisava nascer de algum lugar verdadeiro da alma
O que ele combatia não era o novo, mas o vazio; não era a transformação, mas a substituição da verdade artística por fórmulas destinadas apenas ao consumo imediato.
Rick partiu, mas ficou aquilo que havia de verdadeiro em sua arte: a voz, as composições, a coragem de defender a qualidade e o respeito pela música sertaneja
Ela é demais
A morte de Rick Sollo, aos 59 anos, não silencia apenas uma das vozes mais conhecidas da música sertaneja. Interrompe também a caminhada de um artista que jamais teve medo de dizer o que pensava sobre os rumos da arte que amava. Rick cantava, compunha e, sobretudo, acreditava que a música precisava nascer de algum lugar verdadeiro da alma.
Sua partida repentina deixa o espanto de uma canção interrompida antes do último acorde. No entanto, permanecem as melodias, as palavras e a lembrança daquele timbre que, ao lado de Renner, atravessou décadas e embalou histórias de amor, despedidas e reencontros. A voz de Rick sobrevive ao seu tempo, já encontrou morada na memória afetiva do Brasil.
Ele observava com inquietação as transformações do mercado musical. Recordava uma época em que, para alcançar o público, era necessário ter uma boa canção e saber cantá-la. Via, porém, o dinheiro e a promoção ocuparem o espaço antes reservado ao talento, à sensibilidade e ao trabalho paciente. Sua frase, “Ninguém mais precisa cantar bem”, não era somente uma crítica à nova geração, mas o desabafo de quem conhecia o preço de construir uma carreira com a própria voz.
Rick lamentava que refrões repetitivos fossem, muitas vezes, suficientes para transformar uma música em sucesso passageiro. Também sabia que a tecnologia podia corrigir imperfeições no estúdio, afinar vozes e fabricar desempenhos. Mas nenhuma máquina consegue criar emoção verdadeira. Pode ajustar a nota, jamais o sentimento. Pode aperfeiçoar o som, mas não inventar a alma.
Apesar da firmeza de suas palavras, Rick não era um inimigo das mudanças. Reconhecia que havia novos artistas realizando trabalhos de qualidade e compreendia que toda geração necessita encontrar a própria linguagem. O que ele combatia não era o novo, mas o vazio; não era a transformação, mas a substituição da verdade artística por fórmulas destinadas apenas ao consumo imediato.
Talvez sua reflexão mais profunda tenha sido também a mais simples: “Aquilo que é verdade fica, o que é mentira vai embora.” Nessa frase, Rick parecia anunciar o julgamento inexorável do tempo. As músicas fabricadas para durar uma estação desaparecem quando passa a moda. As que nascem do coração atravessam os anos, visitam outras gerações e continuam sendo cantadas mesmo quando seus intérpretes já não estão entre nós.
Agora, diante de sua ausência, suas próprias palavras assumem a força de um testamento musical. Rick partiu, mas ficou aquilo que havia de verdadeiro em sua arte: a voz, as composições, a coragem de defender a qualidade e o respeito pela música sertaneja.
O homem se foi inesperadamente; o cantor, entretanto, continuará chegando aonde houver alguém disposto a ouvir. O tempo pode interromper uma vida, mas jamais consegue apagar uma canção que nasceu verdadeira.
Nathyara Teixeira: um farol conduzindo os alunos pelos caminhos da cultura
Na próxima quinta-feira, 24 de setembro, os alunos do turno da tarde do Colégio Estadual Padre Mello deixarão, por algumas horas, as salas de aula para ingressar em outra escola: a escola luminosa da arte. Conduzidos pela diretora Nathyara Teixeira dos Santos, seguirão para o Teatro Firjan SESI, em Itaperuna, onde assistirão ao espetáculo “Griot, o Conto e a Mágica”, uma celebração da cultura negra por meio de histórias, encantamento e ilusionismo.
Para alguns daqueles jovens será a primeira vez que estarão diante de um palco profissional, quando as luzes se apagam, o silêncio toma conta da plateia e uma realidade inteiramente nova começa a nascer sob os refletores. E há experiências que, embora durem apenas uma tarde, permanecem acesas dentro de nós por toda a vida. Um gesto, uma narrativa ou um instante de magia pode despertar vocações, ampliar horizontes e revelar mundos que até então existiam apenas do outro lado da imaginação.
Nathyara Teixeira não estará proporcionando aos seus alunos somente um passeio. Estará oferecendo um encontro com a beleza, com a ancestralidade, com a criatividade e com a alegria de aprender fora dos limites convencionais da escola. Na confraternização da viagem, nos sorrisos compartilhados e no assombro diante do espetáculo, cada estudante crescerá um pouco mais em cultura, sensibilidade e humanidade.
Educar é também abrir portas pelas quais os jovens possam enxergar a imensidão do mundo. É mostrar-lhes que os livros, os palcos, a música, a memória e a arte também são caminhos de conhecimento. Quando uma escola encontra uma diretora verdadeiramente comprometida com o desenvolvimento humano de seus alunos, é como se um potente farol fosse aceso em meio à noite.
Nathyara é esse farol. E, na próxima quinta-feira, sua luz seguirá pela estrada até Itaperuna, conduzindo os estudantes do Colégio Estadual Padre Mello rumo à magia do teatro e, sobretudo, rumo a um futuro mais amplo, sensível e iluminado.
A glória e a desolação em um único lance de xadrez
A imagem eterniza o instante exato em que o enxadrista, vencido pela própria dor, permanece sentado diante de um silêncio devastador, profundamente só em meio a um salão repleto de pessoas
Na fotografia de Michal Walusza, da FIDE, o silêncio parece pesar mais do que todas as peças reunidas sobre o tabuleiro. De um lado, Nodirbek Yakubboev permanece sentado, ainda diante do campo onde travou a batalha decisiva. Do outro, Nihal Sarin inclina a cabeça e esconde o rosto entre os braços, como se procurasse abrigo contra a dor de um instante que jamais poderá ser recolhido.
O xadrez pode ser cruel justamente porque não conhece o esquecimento. Cada lance fica gravado na memória; cada oportunidade perdida retorna, insistente, perguntando o que teria acontecido se outra peça tivesse sido movida, se alguns segundos tivessem sido usados de maneira diferente, se a mão houvesse encontrado o caminho que a razão não conseguiu enxergar.
Nihal tinha vantagem na posição. Tinha também vantagem no relógio. Parecia conduzir a partida para um desfecho favorável, enquanto milhões de olhos acompanhavam o duelo decisivo entre Índia e Uzbequistão. Mas, no xadrez, nenhuma vantagem é uma promessa. Basta um lance impreciso para que o chão se abra sob as 64 casas e a vitória, até então tão próxima, se transforme em miragem.
Quando a partida terminou, não foi apenas um rei que caiu. Sobre os ombros do jovem indiano desabaram a expectativa de sua equipe, o peso de uma nação apaixonada pelo xadrez e a amarga consciência de que a história estivera por alguns instantes em suas mãos. A imagem registra esse momento exato em que o enxadrista permanece sentado diante do próprio silêncio, sozinho em meio a um salão repleto de pessoas.
Do outro lado estava Yakubboev, que soube resistir, esperar e acreditar. Sua vitória garantiu o triunfo do Uzbequistão sobre a poderosa Índia e levou a seleção da casa à liderança isolada da Olimpíada de Xadrez realizada em Samarcanda. Para o público uzbeque, foi uma explosão de alegria; para Nihal, o mundo pareceu reduzir-se à pequena escuridão formada por seus braços sobre a mesa.
A fotografia mostra as duas faces eternas do esporte: a glória e a desolação separadas por um único lance. Enquanto uma nação celebrava, um jovem enxadrista tentava compreender como a vitória lhe escapara entre os dedos.
Mas o xadrez, embora implacável, também ensina a recomeçar. Amanhã, Nihal voltará a levantar a cabeça, reorganizará as peças dentro de si e retornará ao tabuleiro. Os grandes jogadores não são apenas aqueles que vencem partidas decisivas. São também aqueles que, depois de atravessarem a noite mais silenciosa de uma derrota, encontram forças para mover novamente a primeira peça.
Uzbequistão derrota a Índia no confronto decisivo e reina absoluto na Olimpíada de Xadrez
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| O lance tático do uzbeque que decidiu a partida |
Em Samarcanda, antiga cidade atravessada por caravanas, impérios e sonhos, uma nova história foi escrita sobre as 64 casas do tabuleiro. Não houve o rumor das antigas batalhas nem o galope de cavalos pelas rotas da seda. Houve apenas o silêncio, o correr implacável dos relógios e dois jovens enxadristas diante de um destino que ainda não escolhera seu vencedor.
De um lado, Nihal Sarin, representante da poderosa Índia, trazia no tabuleiro uma posição superior e, no relógio, a tranquilidade de quem possuía quase meia hora de vantagem. Do outro, Nodirbek Yakubboev lutava contra as peças, contra o tempo e contra a sombra da derrota. Restavam-lhe poucos minutos, enquanto o adversário parecia conduzir serenamente a partida para o triunfo.
Mas o xadrez é um reino em que nenhuma vitória existe antes do último gesto.
Na pressa de transformar a vantagem em ponto, Nihal jogou 37...Cf5??. Foi um pequeno movimento, quase imperceptível para quem observa o tabuleiro como simples paisagem, mas suficiente para abrir um abismo. A dama indiana, até então senhora de seus caminhos, ficou presa à fatalidade de uma combinação inesperada.
Yakubboev enxergou, então, aquilo que somente os grandes jogadores conseguem ver quando o relógio aperta e o coração se agita. Jogou 38.Ce6!!. O cavalo saltou como se atravessasse não apenas algumas casas, mas toda a distância entre a derrota anunciada e a vitória inesquecível. Era um golpe belo, preciso e inevitável. A Índia perdia a dama; o Uzbequistão conquistava o confronto.
Nos outros três tabuleiros, as partidas haviam terminado empatadas. Toda a responsabilidade permanecia, portanto, sobre aqueles dois homens e aquele cavalo colocado em e6. Quando a vitória se confirmou, o capitão Rustam Kasimdzhanov celebrou ao lado de Yakubboev. Não era apenas a alegria por um ponto conquistado. Era a emoção de um país inteiro que, jogando diante de sua gente, assumia isoladamente a liderança da 46ª Olimpíada de Xadrez.
Após seis rodadas, o Uzbequistão alcançava 12 pontos, com aproveitamento perfeito. China e Armênia vinham logo atrás, com 11. A Alemanha, que também iniciara a rodada sem tropeços, caiu diante da China por 3 a 1. No primeiro tabuleiro, Ding Liren derrotou Vincent Keymer; no quarto, Xu Xiangyu venceu Alexander Donchenko. A competição mostrava, mais uma vez, que até os favoritos precisam caminhar com cuidado: no tabuleiro, toda certeza pode desaparecer entre dois lances.
Na disputa feminina, China e Cazaquistão permaneceram soberanos, ambos com 12 pontos. A China venceu a Polônia por expressivos 3,5 a 0,5, enquanto o Cazaquistão superou o Azerbaijão por 2,5 a 1,5. A Índia, ferida pela derrota da rodada anterior, reencontrou sua força ao derrotar os Estados Unidos por 3 a 1. Savitha Shri e Vantika Agrawal foram as estrelas de uma reação que recolocou as indianas no caminho do pódio.
Contudo, a imagem que ficará guardada na memória da sexta rodada será a de Yakubboev diante de Nihal. Um jogador quase vencido, com pouco tempo no relógio, encontrando no instante mais difícil a claridade de um lance extraordinário. Porque o xadrez também é isso: a arte de permanecer de pé quando a posição parece desabar; a coragem de procurar uma saída onde todos enxergam apenas muros.
Em Samarcanda, por alguns segundos, o mundo coube em um tabuleiro. Um cavalo saltou para e6, uma dama caiu e uma nação inteira se levantou. O Uzbequistão assumiu a liderança isolada, mas conquistou algo ainda mais duradouro: uma dessas partidas que deixam de pertencer somente ao torneio e passam a habitar, para sempre, a memória do xadrez.
Xadrez, um esporte único: 73 anos separam a jogadora mais jovem da mais idosa na Olimpíada do Uzbequistão
Nessa partida em Samarcanda, Jessica e Julia mostraram ao mundo que jamais será cedo demais para começar, nem tarde demais para continuar sonhando
Na Olimpíada de Xadrez de 2026, realizada em Samarcanda, no Uzbequistão, uma partida tornou-se símbolo dessa universalidade. De um lado estava Jessica Kobeissey, do Líbano, com apenas 9 anos. Do outro, a Mestra Internacional Feminina Julia Lebel-Arias, nascida na Argentina e representante de Mônaco, aos 82 anos. Entre ambas, 73 anos de diferença. Sobre o tabuleiro, contudo, havia somente duas enxadristas e o mesmo infinito de possibilidades.
Jessica chegou carregando a alvorada da vida. Talvez ainda precise ficar na ponta dos pés para alcançar alguns sonhos, mas já se senta diante do tabuleiro com a coragem de quem deseja conquistá-los. Julia trouxe consigo a serenidade do entardecer, décadas de partidas, vitórias, derrotas, viagens e ensinamentos gravados na memória.
Quando os relógios foram acionados, o tempo pareceu brincar consigo mesmo. De um lado, a menina que começa a escrever sua história; do outro, a mestra que carrega uma verdadeira biblioteca de experiências. A juventude encontrou a longevidade. A pressa dos primeiros passos dialogou com a paciência adquirida ao longo de uma vida.
Julia venceu a partida, mas o resultado foi apenas um detalhe diante da grandeza daquele encontro. Jessica recebeu uma lição que nenhum livro poderia oferecer; Julia, por sua vez, contemplou diante de si a continuidade do esporte ao qual dedicou tantos anos. Uma representava a semente; a outra, a árvore carregada de histórias. Ambas pertenciam à mesma floresta encantada do xadrez.
Talvez nenhum outro esporte pudesse produzir uma imagem tão bela: uma criança de 9 anos e uma mestra de 82 separadas por 73 anos, mas aproximadas pelas mesmas 64 casas. Ali não existiam fronteiras entre o Líbano, a Argentina e Mônaco. Havia somente o idioma silencioso das peças, compreendido por todas as idades e por todos os povos.
O xadrez é assim: um esporte em que a infância pode desafiar a experiência, e a experiência pode acolher a infância. Um reino onde o tempo não afasta as pessoas, apenas acrescenta novas histórias ao tabuleiro.
Nessa partida em Samarcanda, Jessica e Julia mostraram ao mundo que jamais será cedo demais para começar, nem tarde demais para continuar sonhando.
Três ipês para florir o futuro na Casa dos Açores
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segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Pensando grande, por Rogério Loureiro Xavier
*Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.*
*Pensando grande.*
*A vida é uma fortaleza que vamos construindo a cada dia e nela colocamos nossos sentimentos e a nossa luta em favor de nossos sonhos!*
*"Mesmo que esteja ocupado, você deve sempre arranjar tempo para fazer alguém se sentir importante!"*
*A VIDA NÃO TEM REPLAY, ENTÃO APROVEITE CADA MOMEMTO!*
*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*
Sítio Estrelinha recebe a Arte do Agricultor com o Mestre Artesão Daniel de Lima
No Sítio Estrelinha, em Casimiro de Abreu, o barro voltou a despertar sob mãos que conhecem seus segredos. No ateliê de Dona Antonieta, a Arte do Agricultor retomou hoje suas atividades, conduzida pelo talento e pela generosidade do Mestre Artesão Daniel de Lima, que regressou voluntariamente para compartilhar saberes, acender o forno e manter viva uma tradição construída com terra, fogo, paciência e afeto.
Foi um dia fecundo. Houve queima de peças, aula, troca de experiências e reunião para o planejamento das próximas atividades. Cada objeto levado ao forno parecia carregar não apenas a forma que lhe deram as mãos, mas também as histórias de quem aprendeu a transformar a matéria simples da terra em beleza, identidade e permanência.
Daniel de Lima estará no ateliê duas vezes por mês. Sua presença, porém, não se limita aos dias marcados no calendário. O verdadeiro mestre permanece nos gestos daqueles que ensina. Dona Antonieta, Cris, Vera, Dona Ivanilda e Rosângela são lideranças e multiplicadoras de suas lições. Em cada uma delas, o conhecimento recebido encontra novas mãos, outras vozes e caminhos para continuar.
A iniciativa busca também promover o ateliê de Dona Antonieta, esse espaço onde a criatividade rural ganha forma e dignidade. Ali, o artesanato não é apenas produção: é encontro, aprendizado, oportunidade e resistência cultural. Cada peça nasce da terra, mas leva consigo um pedaço da alma de quem a criou.
A ação de Daniel conta ainda com o apoio de Natcha Dias, incentivadora do artesanato como instrumento de desenvolvimento. Suas palavras traduzem com precisão o sentido desse trabalho: “O artesanato carrega história, talento, identidade e muito trabalho”.
E foi exatamente isso que se viu no Sítio Estrelinha: a história aquecida pelo fogo, o talento modelado pelas mãos, a identidade preservada em cada peça e o trabalho transformado em esperança. Quando um mestre como Daniel de Lima divide aquilo que sabe, ele não ensina apenas a modelar o barro. Ensina uma comunidade a reconhecer o próprio valor e a compreender que, algumas vezes, a eternidade também pode nascer de um punhado de terra.
Fabio e Jorge: Árbitros de Xadrez e Mestres da Justiça e do Silêncio
A Nobre Missão dos Árbitros de Xadrez
Quando acompanhamos um torneio de xadrez, nossos olhos procuram naturalmente as partidas. Queremos conhecer os lances, admirar as combinações, acompanhar os resultados e descobrir quem ocupará o lugar mais alto do pódio.
Para quem participa da competição, o universo muitas vezes se torna ainda mais estreito: existe o próprio tabuleiro, o adversário diante de nós, o relógio contando o tempo e aquela posição que exige toda a nossa atenção.
Entretanto, ao redor dessas 64 casas, há uma margem imensa e quase invisível, cuidando para que as águas do torneio corram tranquilamente. Nela estão os árbitros de xadrez.
Eles raramente aparecem nas fotografias principais, mas são os alicerces sobre os quais as estrelas poderão brilhar. Não disputam troféus, porém ajudam a construir todos os pódios. Não movimentam as peças, mas garantem que cada movimento seja realizado dentro das regras, com equilíbrio, respeito e justiça.
O trabalho começa muito antes do primeiro lance. Há a reunião técnica, na qual são transmitidas as orientações aos participantes; a preparação do espaço de disputa; a organização das peças sobre os tabuleiros; a disposição dos relógios, das planilhas e das canetas. Tudo precisa estar em seu devido lugar para que, quando o silêncio finalmente tome conta do salão, o xadrez possa falar.
Iniciadas as partidas, os árbitros permanecem atentos. Caminham entre os tabuleiros, observam posições, esclarecem dúvidas e acompanham cada confronto até o último aperto de mão. Depois, recolhem os resultados, conferem as assinaturas dos competidores e cuidam para que os lances sejam transmitidos e incorporados aos registros oficiais. Ao final, anunciam a classificação e participam da entrega dos troféus e das medalhas.
Quando também assumem a condição de organizadores, seu trabalho se torna ainda maior. É preciso buscar patrocínio, adquirir a premiação, preparar o espaço e providenciar café, biscoitos, sucos e lanches. São pequenos gestos que não aparecem na tabela de classificação, mas alimentam o corpo e o espírito de quem atravessa horas de concentração.
No Torneio Bom Jesus Xadrez Clássico realizado na Saia de Xadrez Dr Gino Bastos, realizado no Colégio Estadual Padre Mello, em Bom Jesus do Itabapoana, essa missão foi desempenhada por Fabio Sousa Vargas e Jorge Wilson Rocha. Com conhecimento, sabedoria e elevada visão enxadrística, eles estiveram entre os grandes responsáveis pelo êxito do verdadeiro Festival de Xadrez ocorrido nos dias 19 e 20 de setembro.
Ao lado deles, suas esposas ofereceram uma bela demonstração de apoio. E essa presença nos faz recordar outra dimensão igualmente comovente dos torneios: a dedicação silenciosa dos familiares e amigos. São esposas, mães, pais, namoradas e companheiros que permanecem pacientemente sentados nas cadeiras reservadas aos espectadores. Esperam durante horas, respeitam o silêncio e compartilham, à distância, cada esperança, cada tensão e cada alegria.
Existem vitórias que começam fora do tabuleiro.
Esta crônica deseja, portanto, prestar homenagem aos árbitros de xadrez de todo o mundo e, de maneira muito especial, a Fabio Sousa Vargas e Jorge Wilson Rocha. Se os enxadristas são os navegantes que conduzem suas peças pelas águas imprevisíveis da competição, os árbitros são os faróis que permanecem acesos durante toda a travessia.
Seus nomes não aparecem no alto das classificações. Contudo, em cada partida disputada com organização, serenidade e justiça, permanece a marca de seu trabalho.
Por trás de todo grande torneio, existem pessoas que quase não são vistas, mas sem as quais nenhuma estrela poderia brilhar.
Brasil empata com a Bélgica e brasileiras dão espetáculo contra o Paraguai, na Olimpíada
Neste 21 de setembro, enquanto o sol descia sobre as cúpulas azuis de Samarcanda, o Brasil voltou a mover suas peças na 46ª Olimpíada de Xadrez. No coração do Uzbequistão, onde antigas caravanas atravessavam a Rota da Seda, nossos enxadristas percorrem agora outros caminhos: os silenciosos e imprevisíveis caminhos das 64 casas do tabuleiro.
Na competição absoluta, o Brasil enfrentou a Bélgica em um duelo marcado pelo equilíbrio. Luís Paulo Supi abriu uma clareira de esperança ao derrotar Sim Maerevoet, demonstrando precisão e firmeza. Alexandr Fier, contudo, foi superado por Elias Ruzhansky, e os empates de Diego Di Berardino e Roberto Molina completaram o placar de 2 a 2.
Após seis rodadas, a equipe brasileira soma 8 pontos de match, resultado de três vitórias, dois empates e uma derrota, ocupando a 54ª colocação. A campanha tem sido feita de avanços, tropeços e reconstruções, como ocorre em toda grande partida, na qual nenhuma posição é definitiva enquanto ainda houver coragem para procurar o melhor lance.
Mas foi a equipe feminina que iluminou de verde e amarelo a jornada desta segunda-feira. Diante do Paraguai, as brasileiras conquistaram uma vitória perfeita por 4 a 0. Clara Dias, Juliana Terao, Julia Alboredo e Kathie Librelato venceram suas partidas e fizeram das quatro mesas um só território brasileiro.
Não houve brecha, hesitação ou ponto perdido. Em cada tabuleiro, uma vitória; em cada vitória, a afirmação da força e do talento das enxadristas brasileiras. Foi uma apresentação coletiva que uniu concentração, técnica e espírito de equipe.
Com o triunfo, a seleção feminina também chegou aos 8 pontos de match. São quatro vitórias e duas derrotas, campanha que coloca o Brasil na 33ª posição. Embora as duas equipes tenham a mesma pontuação, cada uma escreve sua história com movimentos próprios, enfrentando adversários e desafios diferentes.
A Olimpíada ainda guarda muitas partidas. Na 7ª rodada, após o dia de descanso, a equipe absoluta enfrentará o Tajiquistão, enquanto as brasileiras terão pela frente o forte time do Vietnã. Serão novos tabuleiros, novas estratégias e outras páginas dessa longa jornada oriental.
Em Samarcanda, cidade que durante séculos reuniu povos, culturas e sonhos, o xadrez volta a demonstrar sua linguagem universal. E o Brasil continua ali, no meio de torres e cavalos, vitórias e resistências, levando em cada lance não apenas as cores de sua bandeira, mas também a esperança de quem sabe que, no xadrez e na vida, sempre existe um novo caminho a ser encontrado.
1º Festival do Café celebra tradição e movimenta Varre-Sai
(Com informações enviadas por Isabel Menezes, professora e historiadora)
Entre os dias 18, 19 e 20 de setembro, Varre-Sai realizou o seu 1º Festival do Café. Promovido na Área de Eventos, o encontro celebrou a tradição das famílias que ajudaram a construir a história da cafeicultura local e reuniu grande público, especialmente durante as apresentações musicais noturnas.
A abertura oficial, na noite de 18 de setembro, foi marcada por um concurso inédito no município. A jovem Isabela Grilo, representante da Fazenda LG, localizada em Jacutinga, foi coroada a primeira Rainha do Café de Varre-Sai.
Sete candidatas, todas pertencentes a famílias diretamente ligadas à cafeicultura, participaram da disputa: Isabela Grilo, de Jacutinga; Isabelly Aguiar, de Água Doce; Laryssa Martins, de Santa Lúcia; Bernadete Fabri, de Arataca; Antonella Martins, de Vargem Alegre; Eliza Grilo Ribeiro, de Jacutinga; e Rafaela Degli Esposti, do Morro da Máquina.
Mais do que um concurso de beleza, a escolha da Rainha do Café representou uma homenagem às famílias produtoras e às novas gerações que preservam a vocação agrícola do município. Cada candidata levou à passarela não apenas a representação de sua comunidade, mas também uma história familiar ligada ao cultivo do café.
A avaliação geral do festival foi bastante positiva. Embora grande parte do público tenha chegado mais tarde para acompanhar as atrações musicais, as torrefações participantes registraram vendas expressivas. O resultado demonstra a qualidade e a excelente aceitação do café produzido em Varre-Sai.
Os shows constituíram uma das principais atrações da programação e garantiram grande presença de público durante o evento. Com a Área de Eventos lotada, o festival promoveu a integração entre cultura, entretenimento, atividade econômica e valorização dos produtores rurais.
Responsável por aproximadamente 40% da produção cafeeira do Estado do Rio de Janeiro, Varre-Sai ostenta oficialmente o título de Capital Estadual do Café. A realização do festival reforçou essa identidade e proporcionou maior visibilidade ao trabalho desenvolvido pelos cafeicultores do município.
O evento foi realizado pela Prefeitura Municipal de Varre-Sai, com a participação das secretarias municipais, dos produtores rurais, das torrefações e das famílias ligadas à tradição cafeeira local.
Já em sua primeira edição, o Festival do Café apresentou-se como uma importante vitrine para a produção do município e abriu caminho para integrar definitivamente o calendário turístico e cultural de Varre-Sai. Mais do que uma festa, o encontro reafirmou a identidade de uma comunidade cuja história, economia e memória estão profundamente ligadas ao café.
Fé e gratidão marcam peregrinação ao Alto Santo Cristo em Varre-Sai
Aconteceu neste domingo a tradicional peregrinação dos fiéis da Paróquia Pessoal Nossa Senhora das Graças, de Varre-Sai, e da Paróquia São Judas Tadeu, de Santa Clara, ao Alto Santo Cristo, localizado na comunidade de Jacutinga, ponto mais alto do município, a 1.080 metros de altitude. Do local, os peregrinos puderam contemplar uma das mais belas paisagens da região.
Em uma caminhada de aproximadamente 16 quilômetros, os fiéis de Varre-Sai, seguiram em oração e devoção até o sopé do morro, onde encontraram com os fiéis de Santa Clara e subiram ao alto, rezando a Via Sacra. Durante o percurso, houve uma parada para o café da manhã, preparado com carinho pela Dra. Valéria Celebrini, da comunidade Córrego da Aurora, onde está localizada uma capela dedicada a Jesus Misericordioso.
No Alto Santo Cristo, foi celebrada uma missa campal pelo Reverendíssimo Padre Alfredo Gualandi, com a presença dos padres Fabrício Meira e José Henrique.
Neste ano, a peregrinação foi marcada pela gratidão. As chuvas que chegaram no período da florada do café trouxeram esperança aos produtores, depois de anos de pouca ocorrência de chuva nessa importante fase da lavoura. A água renovou as plantações e trouxe alegria às comunidades rurais, reforçando a tradição de fé e agradecimento dos cafeicultores de Varre-Sai.
Após a celebração, foi servido um almoço, seguido de um momento de confraternização entre os participantes, encerrando a peregrinação em clima de fé, amizade e gratidão
Isabel Menezes - professora e historiadora de Varre-Sai
























































