terça-feira, 8 de setembro de 2026

Chuva com Trovões Leves Para Dormir


 

Rádio Instrumental


 

VÍDEOS: Chorinho Nova Geração e Maestro Mauro consagraram Rosal como capital da boa música


Rosal: uma verdadeira pátria da arte, da confraternização e da beleza compartilhada


 O Chorinho Nova Geração, junto ao público, transformou o Festival de Chorinho e Sanfona de Rosal em um encontro de ritmos, afetos e alegria compartilhada.


Maestro Mauro e seus talentosos músicos no palco do Festival de Chorinho e Sanfona, transformando acordes em emoção e fazendo de Rosal território de arte, encanto e sensibilidade.

O Chorinho Nova Geração e o Maestro Mauro protagonizaram apresentações memoráveis no Festival de Chorinho e Sanfona de Rosal. Em perfeita comunhão com o público, transformaram cada acorde em emoção, cada melodia em afeto e cada instante em uma celebração da música brasileira.

Com talento, sensibilidade e admirável qualidade artística, os músicos fizeram do palco um território de encantamento. O chorinho percorreu a tenda como uma brisa de alegria, aproximando gerações e revelando a força de uma música que preserva suas raízes enquanto renasce em novas interpretações.

Assim, Rosal voltou a ocupar lugar de destaque no cenário cultural, consolidando-se como referência nacional de música qualificada. Nesse encontro entre artistas e público, o pequeno distrito tornou-se imenso: uma verdadeira pátria da arte, da confraternização e da beleza compartilhada.










Ademir de Souza: a consagração do menino que partiu de Bom Jardim, em Bom Jesus do Itabapoana

 

Ademir de Souza, no Alcancy Áudio Estúdio, de Isac Nascimento 



No dia 5 de agosto de 2026, durante a IV Feira Literária e Cultural de Bom Jesus do Itabapoana, sua terra natal, Ademir de Souza foi agraciado com o título de Comendador e recebeu a Comenda Mestre do Saber e da Cultura Popular, conferida pela ACLAPTCTC, Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas e Trovadores. A homenagem representou o reconhecimento público de uma trajetória construída com talento, perseverança e profundo amor pela cultura popular.

Ademir Francisco de Souza, artisticamente conhecido como Ademir de Souza, é um homem cuja vida parece ter começado com uma melodia guardada no peito. Antes mesmo de conhecer os acordes, já escutava a música secreta dos encontros familiares, das conversas ao redor da mesa, dos risos que percorriam a casa e das vozes que se uniam para celebrar a existência.

Assim começou a história do artista nascido em Bom Jardim, distrito de Bom Jesus do Itabapoana, de onde partiu ainda menino, aos três anos de idade, em direção a São Gonçalo. Embora fosse muito pequeno quando deixou sua terra natal, levou consigo raízes que distância alguma conseguiria arrancar.

Nos encontros familiares dos fins de semana, a música era uma espécie de idioma comum. Uns cantavam, outros tocavam instrumentos; alguns dançavam e, na cozinha, entre pastéis, quitutes, aperitivos e a tradicional batida de limão, preparava-se também o alimento da memória. Naquelas reuniões simples e afetuosas, sem que ninguém percebesse inteiramente, despertava em Ademir o amor pela música, pela arte e pela poesia.

Aos 12 anos, porém, a vida alterou bruscamente o compasso. Sem condições de manter Ademir e seu irmão na escola, sua mãe precisou permitir que os filhos seguissem para o internato do Aprendizado Agrícola de Sacra Família, no município de Paulo de Frontin. Ali, Ademir permaneceu até os 18 anos. Era ainda um menino, mas já aprendia uma das lições mais duras da existência: às vezes, crescer não é uma escolha, mas uma exigência imposta pelas circunstâncias.

Ao deixar o internato, precisou cuidar da própria vida e ajudar a família. Sua primeira oportunidade de trabalho foi como servente de pedreiro. As mãos que, mais tarde, fariam brotar acordes do violão e do cavaquinho aprenderam primeiro a suportar o peso das ferramentas, a aspereza dos materiais e o cansaço dos dias longos.

Sua inteligência prática e sua disposição para aprender, entretanto, fizeram com que rapidamente dominasse o ofício. Aos 23 anos, já trabalhava por conta própria, erguendo paredes para sobreviver enquanto, dentro de si, construía silenciosamente os alicerces de um sonho.

A música jamais o abandonou. Ainda menino, com pouco acesso ao rádio e às revistas, Ademir guardava na memória as melodias das canções de sucesso e criava novas letras, misturando-as às originais. Não sabia, naquele tempo, que já estava compondo. A poesia chegara antes mesmo que ele pudesse dar nome ao próprio talento.

Depois, ao aprender os primeiros acordes no violão, compreendeu que aquelas palavras desejavam caminhar de mãos dadas com a música. E começou, verdadeiramente, a compor.

Das rodas de samba às casas noturnas, o caminho foi intenso, mas nunca fácil. Do violão passou ao cavaquinho; dos encontros informais, aos grupos de pagode. Na década de 1980, ao lado do amigo Dodinha, assumiu o Grupo Magia, conquistando reconhecimento nas reuniões de fundo de quintal, nos clubes e nas casas noturnas de São Gonçalo e Niterói.
Itaúna, Trindade, Alcântara, Mutondo, Barreto e tantos outros bairros testemunharam o crescimento daquele homem que aprendera a transformar luta em ritmo, saudade em canção e esperança em permanência.

Nos anos 1990, novos horizontes se abriram. Ao conhecer Chiquinho do Pandeiro, talentoso cantor de forró, Ademir foi convidado a integrar seu grupo como contrabaixista. Aprendeu outro estilo, ampliou sua experiência e descobriu novas possibilidades musicais. Também ingressou no universo do samba-enredo, participando do Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos do Valéria, no bairro de Itaúna. Cada experiência acrescentava uma nova nota à grande composição de sua vida.

Ademir soube ainda reconhecer e incentivar o talento dentro da própria casa. Ao perceber a vocação musical do filho Fabiano e de seu amigo e parceiro Leonardo, apoiou a gravação de um CD demonstrativo. Dessa iniciativa nasceu o trabalho da dupla Lene & Léo, com o álbum Universo de Prazer. Ao acompanhá-los na divulgação, aproximou-se profissionalmente das rádios, televisões e jornais, adquirindo conhecimentos que fortaleceriam sua própria caminhada artística.

Foi então que surgiu o CD Meus Caminhos. O título não poderia ser mais apropriado: cada faixa parecia guardar um pouco da estrada percorrida, dos obstáculos enfrentados e dos sonhos que resistiram ao tempo. O projeto, inicialmente sem grandes pretensões, cresceu graças ao incentivo dos amigos, à colaboração de músicos e parceiros e, sobretudo, à união com João Rodrigues Romão, natural do Crato, no Ceará.

Dessa parceria nasceu a empresa Eventos Musicais Amantes do Samba, que conferiu dimensão profissional a um sonho cultivado durante décadas.
Hoje, suas composições, gravações e produções encontram abrigo na AS Shows e Produções Artísticas. Nenhuma estrutura empresarial, contudo, seria capaz de resumir a grandeza de sua trajetória. A verdadeira obra de Ademir também está na perseverança daquele menino afastado precocemente do convívio familiar; no trabalhador que aprendeu um ofício para sustentar os seus; no pai que incentivou o talento do filho; e no artista que jamais permitiu que as dificuldades silenciassem a música que trazia na alma.

A história de Ademir de Souza é feita de partidas, aprendizados, trabalho, resistência e reencontros. É a história de alguém que saiu muito cedo de Bom Jardim, mas conservou consigo a musicalidade das reuniões familiares e a sensibilidade de sua terra natal. Sua vida ensina que as raízes não servem apenas para nos ligar ao lugar de origem: elas também nos alimentam quando precisamos atravessar longas distâncias.

Por isso, a homenagem recebida em Bom Jesus do Itabapoana possui um significado ainda mais profundo. Ao conceder-lhe a Comenda, sua terra natal não apenas reconheceu o artista consagrado, mas também acolheu simbolicamente o menino que dela partiu aos três anos, levando na alma uma música que o tempo jamais conseguiu apagar.

No meio de tijolos e acordes, entre a dureza da sobrevivência e a delicadeza da poesia, Ademir construiu os próprios caminhos. E cada uma de suas canções parece proclamar que nenhuma luta é capaz de vencer definitivamente aquele que continua ouvindo, no íntimo do coração, a primeira e inesquecível música de sua infância.







Uma beleza única: os canarinhos no abacateiro do Sítio Açoriano

 

No Sítio Açoriano, em Bom Jesus do Itabapoana, o pé de abacate transformou-se, por alguns instantes, num verdadeiro canteiro de pássaros. No meio da folhagem abundante, dezenas de pequenas aves pousaram delicadamente, como se houvessem escolhido aquela árvore para celebrar, em silêncio e canto, a beleza da vida.

Eram, em sua maioria, canarinhos-da-terra. Com suas penas amarelas, confundiam-se com as folhas douradas pelo tempo, criando uma imagem de rara beleza. Entre eles, algumas rolinhas repousavam com sua habitual serenidade, compondo um cenário de harmonia e ternura. À primeira vista, era difícil distinguir o que era folha, pássaro ou fruto: tudo parecia fazer parte de uma única obra desenhada pela natureza.

Havia naquele encontro uma beleza única, dessas que não se repetem e que surgem apenas para quem sabe contemplar. O abacateiro já não era apenas árvore: tornara-se abrigo, canteiro vivo, palco de asas e cantos. Cada passarinho parecia um pequeno enfeite criado pela própria natureza, dando movimento, cor e poesia aos galhos.

Por alguns instantes, o tempo pareceu repousar junto com as aves. O Sítio Açoriano ficou mais belo, e o cotidiano ganhou a dimensão de um milagre. Os canarinhos e as rolinhas logo voariam, levando consigo seus cantos e sua graça, mas deixariam na memória a imagem inesquecível de uma árvore que, naquele momento singular, floresceu em pássaros.







Professor Adilson Figueiredo participa de curso internacional de Arte e Imaginação em Lisboa

 


O artista plástico e professor Adilson Figueiredo participou, na condição de aluno especial, da Escola de Verão da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa — NOVA FCSH, em Portugal. Durante sua permanência de um mês na capital portuguesa, o professor integrou o curso “Arte e Imaginação: Perspectivas Transdisciplinares”, realizado presencialmente entre os dias 13 e 24 de julho de 2026.

O curso reuniu artistas, professores e pesquisadores de diferentes campos das Artes e das Humanidades. Sob a responsabilidade acadêmica da professora Margarida Brito Alves, a formação propôs uma análise transdisciplinar das relações entre arte e imaginação, aproximando áreas como arte contemporânea, música, ópera, cinema, literatura, artes cênicas, performance e estudos sobre os rituais.

A participação ativa e o envolvimento de Adilson Figueiredo nas discussões fizeram com que o professor se destacasse durante a formação, especialmente por sua capacidade de relacionar os conteúdos teóricos à experiência prática como artista plástico e educador.

Além das atividades acadêmicas, o professor aproveitou sua permanência de um mês em Lisboa para desenvolver pesquisas, realizar visitas técnicas e  revisitar  espaços culturais e artísticos da cidade. O intercâmbio possibilitou contato direto com diferentes acervos, instituições e manifestações da cultura portuguesa, ampliando seu repertório estético e investigativo.

O retorno à cena internacional representa uma etapa significativa na trajetória de Adilson Figueiredo, fortalecendo o diálogo entre sua produção artística, a atividade docente e a pesquisa. Os conhecimentos adquiridos em Lisboa deverão contribuir para futuros trabalhos, projetos culturais e ações educativas desenvolvidas pelo professor, no "Espaço Cultural Cafézin". E em 2027, o professor retornará ao velho mundo, para mais uma edição do curso.