terça-feira, 16 de junho de 2026

A Doce Herança da Barra do Pirapetinga

   O Gosto que Bom Jesus Não Esquece



Há doces que alimentam o corpo, mas há outros que sustentam a memória. Na delicada arquitetura de um canudinho, cabe muito mais do que o recheio cremoso que espreita pelas bordas douradas; cabe uma linhagem inteira de afetos. Quando Sonia Maria e sua irmã, Silvia Maria, repetem o gesto preciso de moldar a massa, elas não estão apenas cozinhando. Estão folheando, com as mãos enfarinhadas, as páginas de uma história que começou há sete décadas, sob o olhar atento da matriarca Maria José Borges.

​Tudo evoca a Barra do Pirapetinga, esse berço de águas e ramificações familiares onde o sobrenome Borges fincou raízes ainda no século XIX, pelas mãos de Francisco José. O canudinho ali nascido carrega a força do interior, o ritmo de um Brasil que se moldava entre a tradição da terra e a promessa do progresso. Imaginar a mãe, Dona Maria José Borges, vendendo esses mesmos doces na Usina Franca Amaral, aquele projeto piloto que trazia nos olhos do governador Roberto Silveira o sonho de uma Bom Jesus industrial, é compreender que a doçura também caminha junto com a história. Enquanto as turbinas e as promessas de Rosal desenhavam o futuro da região, era o aroma da massa frita e do doce apurado que acalentava o cotidiano dos trabalhadores.

​O tempo passou, o tabuleiro de doces de Sonia reduziu-se em variedade, mas agigantou-se em essência. Ao optar exclusivamente pelos canudinhos, ela escolheu guardar o que há de mais sagrado na memória afetiva de sua clientela. Não se trata de comércio; trata-se de um pacto de fidelidade. Quem busca esses canudinhos na tradicional Lanchonete Guariza, no coração da cidade, não procura apenas um lanche para o final da tarde. Procura a infância perdida em um domingo de festa, o estalar crocante que ecoa em batizados e casamentos de outrora, o sabor exato daquilo que não muda em um mundo que gira depressa demais.

​Olhar para o pote transparente, cheio desses pequenos cilindros perfeitos e polvilhados de açúcar, é ver a Europa dos cannoli sicilianos e dos conventos portugueses desaguando no interior fluminense. Mas, acima de tudo, é ver a vitória da persistência. Setenta anos depois, a maior riqueza da Barra do Pirapetinga não se mede em indústrias, mas sim na doçura perene que Sonia e Silvia teimam em preservar, canudinho por canudinho, mantendo viva a chama de Dona Maria José.


Sonia Maria da Costa Azevedo 

Amor... Amigos... Amizades, por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


Bom dia !

Acordou ?

Está com saúde ? 

Sua família está bem ? 

Então o seu dia não poderia começar melhor! 


*Amor... Amigos... Amizades*


Amor de amigo é coisa engraçada! É diferente de amor de pai, de mãe, de irmão, de namorado. Amor de amigo é amor que completa a gente. Um amigo não precisa estar com a gente o tempo todo, porque amor de amigo vence a distância. Amigo que é amigo mesmo pode até ter outros amigos, porque amor de amigo nunca acaba. Ele se multiplica. Tem amigo de tudo quanto é jeito: de infância, da escola, de bairro, de igreja, de faculdade, de internet, amigo de amigo.Tem amigo até que a gente nem lembra de onde veio. E cada um deles tem um espaço guardado na memória e no coração. Amigo é amigo porque está presente nos momentos mais importantes da vida da gente. 


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*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

Placa da Memória do ECLB Tem Vida Curta e Some em Menos de Uma Semana

 


A tão celebrada inauguração da placa com QR Code, instalada no dia 3 de março na área externa do prédio histórico que abriga o Espaço Cultural Luciano Bastos, parecia destinada a aproximar a população da história local. Resultado de um projeto acadêmico da professora Amanda de Fátima Delfino, com participação dos alunos do Colégio Estadual Padre Mello, a iniciativa prometia valorizar a memória, a cultura e a acessibilidade, permitindo que qualquer pessoa conhecesse mais sobre o patrimônio histórico de Bom Jesus do Itabapoana por meio de um simples celular.

O entusiasmo, porém, durou menos do que uma semana. A placa que ensinava sobre a importância da preservação da memória acabou se tornando vítima de mais um capítulo do esquecimento coletivo: foi furtada. Assim, quem passar pela Rua XV de Novembro não poderá mais acessar o QR Code para conhecer a história do prédio, mas terá a oportunidade de refletir sobre uma nova lição, não prevista no projeto original: a dificuldade de preservar o patrimônio quando nem mesmo a placa que fala sobre preservação consegue ser preservada.




Os 36 Anos do Grupo Musical Amantes da Arte



Há mais de três décadas, o silêncio das noites de Bom Jesus do Itabapoana encontrou o seu mais belo contraponto. Neste dia 16 de junho, o calendário musical da cidade celebra o aniversário de fundação do GMAA (Grupo Musical Amantes da Arte), a instituição que se tornou, por direito e afeto, a verdadeira "Alma Bonjesuense".

​Nascido em 16 de junho de 1990, sob a sensibilidade e o olhar visionário da musicista Ana Maria Teixeira Baptista, o grupo emitiu seus primeiros acordes públicos durante a icônica 1ª Noite de Cultura e Arte, organizada pela professora Maria José Martins. Naquela noite, nascia não apenas um conjunto musical, mas um guardião da identidade fluminense. Desde então, o GMAA vem ecoando a beleza e a harmonia da música bonjesuense e nacional, transformando pautas e partituras em pontes de alegria e inspiração para todos os públicos.

​O Particular que se Faz Universal

​O escritor russo Leon Tolstói profetizou outrora: "Se queres ser universal, começa por pintar tua própria aldeia". O GMAA cumpre essa máxima com a maestria de quem compreende o peso de suas raízes. O grupo é universal justamente porque canta a sua aldeia. Ao traduzir em melodia o sentir de sua gente, ultrapassa os limites físicos da música e nos convida a um mergulho profundo em nossa própria autenticidade.

​O reconhecimento do particular é o que nos aproxima do entendimento do todo; a conexão humana com o cosmos se estabelece quando valorizamos o chão onde pisamos.

"Cantar a própria terra não é isolar-se do mundo, é oferecer ao mundo a sua contribuição mais sincera e original."

​Em tempos de forças totalitárias que tentam impor uma descaracterização global das culturas, buscando apagar as cores locais para subjugar os povos e desfazendo suas soberanias, o canto do GMAA se ergue como um manifesto de liberdade. Cada nota executada pelo grupo é um ato de resistência, um hino de esperança e uma profissão de fé na perenidade das tradições.

​A Força da Alma Bonjesuense

​O GMAA é a prova viva de que um povo é plenamente capaz de afirmar a sua cultura e de se fazer gigante pelas suas próprias mãos. O grupo não apenas preserva o passado, mas molda o presente através do voluntariado e do amor à arte.

​Ao celebrar mais um ano de existência, o Grupo Musical Amantes da Arte reafirma que, enquanto houver uma voz para cantar e um instrumento para dedilhar em Bom Jesus do Itabapoana, a beleza, a soberania e a identidade de seu povo jamais serão esquecidas. Que continuem a ecoar os acordes da nossa própria aldeia!


segunda-feira, 15 de junho de 2026

Saudades, por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.


*Saudades*


Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida. Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades da minha infância, do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro, do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo,

lembrando do passado e apostando no futuro...

Sinto saudades do futuro, que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei! De quem disse que viria e nem apareceu; de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito! Daqueles que não tiveram como me dizer adeus; de gente que passou na calçada contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive e de outras que não tive mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de experiências...

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que... não sei onde... para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades. Em japonês, em russo, em italiano, em inglês... mas que minha saudade, por eu ter nascido no Brasil, só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente quando estamos desesperados... para contar dinheiro... fazer amor... declarar sentimentos fortes... seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples "I miss you" ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua, nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha. Talvez não exprima corretamente a imensa falta que sentimos de coisas

ou pessoas queridas.


E é por isso que eu tenho mais saudades... Porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes em que sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, mas que funciona melhor do que um sinal vital quando se quer falar de vida e de sentimentos.


Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis! De que amamos muito o que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos ao longo da nossa existência...


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

Literatura Consagra Maria Beatriz Silva

 

Há um silêncio sagrado que antecede o nascimento de um livro. É o mesmo silêncio que habita o olhar de quem passa noites em claro, costurando sentimentos em linhas invisíveis, transformando a dor, o amor e o tempo em herança escrita. Olhar para o anúncio de uma homenagem não é apenas ver um nome em letras douradas; é testemunhar a colheita de uma semeadura silenciosa.

​Maria Beatriz, da pequena Laje do Muriaé (RJ), traz no sorriso a leveza de quem sabe que a literatura é uma ponte sobre abismos. O ouro que emoldura seu nome no anúncio da Revelação Bienal 2026 não brilha mais do que a sua própria trajetória. É um reconhecimento justo, um eco que reverbera no coração de São Paulo, no coração da Bienal do Livro, mas que começou, na verdade, na solidão acolhedora de uma página em branco.

​Os livros antigos empilhados na imagem sustentam mais do que um prêmio; eles carregam o peso histórico de todos os contadores de histórias que vieram antes. Escrever é um ato de coragem, uma insistência em permanecer vivo na memória do outro. Quando um autor é homenageado como destaque no cenário literário, toda a poesia do mundo ganha um novo fôlego.

​Que setembro venha com o perfume do papel novo e o som dos aplausos merecidos. Afinal, a verdadeira revelação não acontece apenas no palco, mas cada vez que um leitor abre uma página e encontra, ali, um pedaço de si mesmo.


O Açoriano Padre Mello em Debate: Seminário Internacional Une Brasil e México em Reflexão Acadêmica

 Por que estudar Padre Mello na Academia?

Prof Dr Márcio Pacheco 

Seminário Internacional da Universidade Autónoma de Zacatecas discutirá a obra e a importância histórica do Padre Mello  Com o título: Literatura y Resistencia: Voces de las Márgenes en la Construcción de la Conciencia Social : um estudo sobre o Padre Mello

​A Universidad Autónoma de Zacatecas (UAZ), no México, realizará, como parte de sua Escuela Internacional de Verano 2026, um seminário internacional de grande relevância acadêmica. O evento será um espaço dedicado a discutir profundamente a figura e a obra do Padre António Francisco de Mello (1863–1947).  

​O seminário, intitulado "Literatura y Resistencia: Voces de las Márgenes en la Construcción de la Conciencia Social", será ministrado de forma online pelo Prof. Dr. Marcio de Lima Pacheco, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).  

​Por que estudar o Padre Mello na academia?

​A escolha da figura do Padre Mello como eixo historiográfico do seminário responde a um critério de rigor acadêmico. Padre, cronista e observador social, o Padre Mello deixou um legado de relatos, poemas e sonetos que funcionam como um testemunho documental de excepcional valor para a compreensão das transformações socioeconômicas, agrárias e humanas do Brasil na transição entre os séculos XIX e XX.  

​Estudar sua obra na academia é fundamental porque seus escritos atuam como uma ponte interpretativa entre a história rural brasileira e temas contemporâneos como a dignidade humana, a desigualdade estrutural e a resistência comunitária. Ao integrar a obra do Padre Mello ao debate, o seminário propõe contrastar esses documentos históricos primários com obras consagradas da literatura brasileira, como as de Carolina Maria de Jesus e Graciliano Ramos.  

​Inscrições abertas

​Este encontro México-Brasil é uma oportunidade para fortalecer redes de colaboração "Sul-Sul", permitindo que pesquisadores e estudantes superem fronteiras geográficas em um diálogo acadêmico horizontal.  

​O seminário possui carga horária de 12 horas e é voltado a todos os interessados em humanidades, estudos sociais e literatura comparada. As inscrições já podem ser realizadas através do site oficial:

https://uazverano26asistentes.web.app/