terça-feira, 20 de outubro de 2026

Homenagem ao Dia do Poeta, por Rogério Loureiro Xavier


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.


*“Homenagem ao Dia do Poeta”*


No dia 20 de outubro é comemorado o dia do poeta, no Brasil. A data tem como propósito incentivar a leitura, a escrita, a produção e a publicação de obras poéticas nacionais.

Parabenizo esses artífices da palavra, que criam a realidade para todos nós! Esta data celebra o profissional, que pode (e deve) ser reconhecido como um artista escritor, que usa de sua criatividade, imaginação e sensibilidade para escrever, em versos, poesias que faz.


“Fatos, ideias e sentimentos reais ou imaginários, coisas vividas ou inventadas... tudo é fonte de inspiração para os poetas. Você já tentou escrever seu próprio poema? Escolha um assunto interessante e crie sua poesia: pode ser a amizade, o amor impossível, a violência, a esperança, o primeiro beijo. Tente explorar a linguagem figurada, a sonoridade e o ritmo das palavras. Não esqueça de usar um dicionário.”


*“A imaginação é o começo da criação. Você imagina o que deseja, você deseja o que imagina, e por fim você cria o que deseja.”*


Obrigado a você poeta, que nos empresta teus sentimentos em forma de versos, despertando assim, em cada um de nós o que sequer imaginávamos ser capazes de sentir.


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*


Foto: Élcio Xavier, ícone da nossa literatura. *"O Principe dos Poetas Bonjesuense."*

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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

França, Bélgica, Portugal, Espanha, Albânia e Servia: a insatisfação ganha as ruas

 


Há um rumor atravessando a Europa. Ele nasce nas salas de aula, acompanha os trabalhadores no caminho de casa e encontra, diante de uma porta que o salário já não permite abrir, a voz de quem procura um lugar para viver. Em diferentes idiomas, as ruas formulam perguntas semelhantes: quanto custa existir? Que futuro espera os jovens? Até onde uma sociedade consegue suportar a distância entre suas necessidades e as respostas de seus governantes?

Na FRANÇA, a insatisfação com as condições das escolas ganhou companhia nas reivindicações contra o custo de vida e a deterioração dos serviços públicos. Estudantes e trabalhadores passaram a dividir o espaço das manifestações. Em algumas cidades, a mobilização foi acompanhada por confrontos, incêndios e saques, acrescentando à crise social uma grave questão de segurança pública. 

A França oferece uma imagem inquietante deste momento: uma sociedade que exige ser ouvida e um poder político pressionado a responder. Quando a violência ocupa a cena, porém, as reivindicações correm o risco de desaparecer atrás da fumaça. Preservar a legitimidade do protesto exige também distinguir a multidão que reclama direitos daqueles que praticam crimes.

Na BÉLGICA, estudantes e sindicatos contestam cortes orçamentários e mudanças na educação. O governo apresenta a contenção de despesas como necessária; os manifestantes questionam sobre quais ombros recairá esse esforço. A discussão sobre as contas públicas chega, assim, à vida cotidiana: ao ensino, ao trabalho e à proteção social. 

Em PORTUGAL, a moradia ocupa o centro da aflição. As manifestações contra o custo de vida e a crise habitacional levaram milhares de pessoas às ruas de Lisboa. Por trás das palavras de ordem, existe uma necessidade elementar: conseguir pagar por um teto sem comprometer toda a renda. 

Uma casa contém mais que paredes. Nela cabem a mesa, o descanso, os filhos que poderão nascer, a intimidade de uma vida. Quando a habitação se torna inacessível, também os projetos pessoais ficam à espera.

Na ESPANHA, os protestos contra despejos e a dificuldade de acesso à moradia colocaram a habitação no centro do debate eleitoral. A angústia doméstica ganhou dimensão pública: aquilo que parecia problema de cada família passou a ser cobrado como responsabilidade política.

Na ITÁLIA, manifestações contra a inflação e por melhores salários e serviços públicos expressam outra face dessa inquietação. Também ali houve confrontos. A pressão das despesas sobre a renda aproxima pessoas que, embora tenham trajetórias distintas, reconhecem a mesma dificuldade ao fazer as contas do mês. 

Na ALBÂNIA, a contestação a um empreendimento em área ambiental protegida se ampliou para críticas à corrupção e aos serviços públicos. O movimento passou a desafiar o governo, mostrando como uma disputa sobre o destino de um território pode revelar desconfianças mais profundas sobre o exercício do poder. 

Já na SÉRVIA, os protestos estudantis contra a corrupção carregam a memória das vítimas do desastre da estação ferroviária de Novi Sad. A mobilização prolongada alcançou a disputa eleitoral, procurando converter a indignação em representação política. A exigência de responsabilização mantém o luto ligado à esperança de mudança. 

França, Bélgica, Portugal, Espanha, Itália, Albânia e Sérvia vivem circunstâncias próprias. Seria precipitado reunir todas essas manifestações sob uma única bandeira. Há, contudo, uma aproximação perceptível entre elas: a cobrança por governos capazes de compreender como suas decisões chegam à escola, à mesa e à porta de casa.

O desafio europeu está em dar consequência democrática a essa cobrança. Ouvir, negociar e apresentar respostas verificáveis exige mais que discursos pronunciados depois dos confrontos.

Ao fim de cada manifestação, quando as praças esvaziam e os cartazes são recolhidos, as pessoas retornam às mesmas despesas, às mesmas escolas, às mesmas incertezas. É nesse cotidiano, longe das câmeras, que a resposta dos governos será julgada.

A árvore que florescerá depois de nós

 

Pensamos nas árvores das nossas praças. Quantas vezes nos abrigamos debaixo delas sem perguntar quem as plantou?


Nem sempre saberemos o destino do que fazemos. O aluno seguirá caminhos que o professor não conhecerá. Um livro encontrará leitores distantes. Uma árvore crescerá sobre um quintal onde outras vozes chamarão pela hora do almoço


Por um instante, na tranquilidade daquela tarde, o cuidado de uma vida distante continuará chegando até uma criança


O velho abriu uma pequena cova no quintal. Ajoelhou-se com algum esforço, acomodou a muda e trouxe a terra para junto das raízes. Depois, regou devagar, atento à água que desaparecia no chão.

Quem o visse da rua talvez estranhasse: por que plantar uma árvore que levaria tantos anos para crescer?

Ele mesmo já caminhava lentamente. Conhecia o peso das tardes, as ausências à mesa, os limites que o corpo lhe anunciava ao subir os degraus. Ainda assim, todas as manhãs, ia verificar se a terra precisava de água.

Talvez pensasse nos netos. Talvez em alguém que ainda nem tivesse nascido. Ou simplesmente se lembrasse de como era bom encontrar uma sombra no caminho.

Eciste uma forma de amor que aceita trabalhar sem assistir à colheita. Está nas mãos de quem planta, de quem ensina uma criança a ler, de quem salva do abandono uma casa antiga. Gente que entrega ao futuro alguma coisa de que o futuro precisará, embora ainda não saiba pedir.

Pensamos nas árvores das nossas praças. Quantas vezes nos abrigamos debaixo delas sem perguntar quem as plantou? Encostamos uma bicicleta no tronco, esperamos um amigo, descansamos da caminhada. Acima de nós, as folhas se movem. Debaixo dos nossos pés, raízes sustentam aquele pequeno alívio que recebemos com tanta naturalidade.

Houve, porém, um dia em que tudo aquilo coube nas mãos de alguém.

Uma muda frágil. Um pouco de terra. A decisão de cuidar.

Também a memória precisa desses cuidados. Um jornal antigo pode se perder na umidade; uma fotografia pode ficar sem nomes; um prédio pode desaparecer antes que alguém escute as histórias guardadas em suas paredes. Preservar exige tempo, trabalho e uma delicada confiança em quem virá depois.

Nem sempre saberemos o destino do que fazemos. O aluno seguirá caminhos que o professor não conhecerá. Um livro encontrará leitores distantes. Uma árvore crescerá sobre um quintal onde outras vozes chamarão pela hora do almoço.

Essa incerteza acompanha o gesto e lhe dá uma beleza comovente: mesmo sem garantias, alguém se dispõe a começar.

Anos depois, uma criança talvez se sente sob aquela copa. Terá corrido muito, estará com calor, abrirá um livro ou ficará apenas olhando os desenhos da luz no chão. Não saberá do velho, da dificuldade dos joelhos, do regador levado a cada manhã.

Mas estará fresca a terra ao seu redor.

E, por um instante, na tranquilidade daquela tarde, o cuidado de uma vida distante continuará chegando até ela.


Visitar as cicatrizes do passado com ternura

 

Há uma tristeza serena em saber que certos dias não voltarão. Há também uma alegria discreta por termos estado neles




Existem lembranças que visitamos com a ponta dos dedos. Aproximamo-nos devagar, reconhecendo suas bordas, como quem percorre uma cicatriz antiga e encontra, sob a pele, um trecho da própria vida.

Durante muito tempo, evitamos aquele lugar. Uma canção, um nome ou o cheiro de café numa tarde de chuva bastavam para devolver ao peito o peso de uma ausência. Havia coisas que precisávamos guardar no fundo da gaveta para conseguir atravessar o dia.

Até que, numa noite qualquer, um piano começa a tocar.

As notas chegam espaçadas, deixando entre si o silêncio necessário para que alguma coisa desperte. Logo o violino se aproxima, com sua voz de madeira e despedida, e uma porta que julgávamos fechada cede suavemente.

Do outro lado, alguém ainda sorri.

A memória tem dessas delicadezas: conserva um gesto que o tempo não soube levar. Uma mão pousada sobre a mesa. A maneira de pronunciar nosso nome. O pequeno movimento de uma cortina na casa onde fomos felizes. Esquecemos tantas datas, tantos compromissos, tantas palavras necessárias, mas guardamos a luz de uma tarde sobre um rosto.

Escutamos. E percebemos que já conseguimos permanecer ali um pouco mais.

A saudade ainda aperta, mas agora deixa espaço para a gratidão. Podemos recordar a partida e também a chegada; o último abraço e todos os outros, aqueles que recebemos distraídos, sem imaginar que um dia seriam tão preciosos.

Amadurecer é aprender a acolher essa mistura. Há uma tristeza serena em saber que certos dias não voltarão. Há também uma alegria discreta por termos estado neles, por termos aberto a porta, sentado à mesa, amado com os recursos imperfeitos que tínhamos.

O piano continua. O violino sustenta uma nota, e nela parece caber o que deixamos por dizer.

Por um instante, não exigimos nada do passado. Permitimos que exista em nós com suas tardes claras, seus desencontros, suas promessas interrompidas. Olhamos com mais bondade para quem fomos. Naquele tempo, também estávamos aprendendo.

Quando a música termina, a casa recupera seus pequenos ruídos. Um carro passa na rua. A água corre numa torneira distante. A noite segue.

Ficamos mais alguns segundos em silêncio, com a mão repousada sobre uma antiga marca.

E, dessa vez, o primeiro rosto que a lembrança nos traz vem acompanhado de um sorriso.

Enlly Blue


 

Música Italiana