Samarcanda, no Uzbequistão, acolhe nestes dias uma batalha diferente: silenciosa, inteligente e respeitosa, travada sobre tabuleiros onde dois exércitos se enfrentam sem derramar uma única gota de sangue.
É nesse cenário milenar, atravessado pelas antigas rotas da seda, que está sendo realizada a 46ª Olimpíada de Xadrez da FIDE. Até o dia 27 de setembro de 2026, o complexo Silk Road Samarkand será o coração do xadrez mundial, reunindo enxadristas de diferentes idiomas, culturas e tradições.
A edição já nasceu histórica. Com 398 equipes, 208 na categoria Open e 190 na Feminina, tornou-se a maior Olimpíada de Xadrez já realizada, superando o recorde estabelecido em Budapeste, em 2024. Em cada rodada, milhares de pensamentos se cruzam sobre as mesmas 64 casas, demonstrando que o xadrez possui uma linguagem universal.
O Uzbequistão não foi escolhido por acaso. O país vive uma fase extraordinária no esporte, impulsionada por uma geração de jovens talentos, entre os quais se destacam Nodirbek Abdusattorov e Javokhir Sindarov. A conquista do título absoluto na Olimpíada de Chennai, em 2022, revelou ao mundo uma nação que fez do tabuleiro uma escola de disciplina, coragem e esperança.
Além das 11 rodadas da competição principal, Samarcanda tornou-se o centro das grandes decisões do xadrez internacional. O complexo também recebeu a 3ª Paralimpíada de Xadrez e sedia o 97º Congresso da FIDE, incluindo as eleições presidenciais da entidade.
O Brasil está presente nas categorias Open e Feminina. Nossos representantes carregam consigo as cores nacionais e o sonho de milhões de brasileiros que reconhecem no xadrez muito mais do que um esporte: uma ferramenta de educação, inclusão e desenvolvimento humano.
A milhares de quilômetros de Samarcanda, Bom Jesus do Itabapoana acompanhará com especial interesse essa celebração histórica. Em nossa terra, onde o xadrez conquista novos espaços, reúne gerações e chega às escolas, cada partida disputada no Uzbequistão encontrará também olhares atentos e corações esperançosos.
A Olimpíada de Samarcanda mostra que não existem distâncias capazes de separar aqueles que compartilham a paixão pelo xadrez. Entre o Uzbequistão e Bom Jesus há continentes, oceanos e diferentes fusos horários. Mas basta colocar um tabuleiro sobre a mesa para que os dois lugares se encontrem.
Durante estes dias, Samarcanda será a capital mundial do xadrez. E Bom Jesus, acompanhando cada lance, também estará simbolicamente presente, porque, quando as peças começam a se mover, o mundo inteiro cabe dentro de 64 casas.