O Mendigo de Aplausos
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| Lao Tzu questionou a dependência da opinião alheia |
"Preocupe-se com o que os outros pensam e você sempre será um deles”, nos alertava Lao Tzu há milênios.
Dizem que o homem é um animal social, mas raramente confessamos que somos, antes de tudo, animais famintos.
Temos fome de um alimento invisível: o aceno de cabeça do outro, o sorriso de aprovação do vizinho, o aplauso que confirma que existimos.
Há uma melancolia silenciosa nessa frase. Ela descreve uma morte que ocorre sem velório, onde o "eu" é lentamente substituído por uma colagem de expectativas alheias. Quando vivemos sob a ditadura da opinião externa, tornamo-nos reféns de um tribunal que nunca dorme e que, pior ainda, não nos conhece.
Muitas vezes, cedemos às pressões sociais como quem bebe uma água salobra para aplacar a sede; sabemos que não sacia, mas não conseguimos parar. É a tensão eterna entre o desejo de ser autêntico e o medo pavoroso da exclusão.
Freud nos ensinou que no luto sofremos pela perda de alguém; na melancolia da alma moderna, sofremos pela perda de nós mesmos.
Ao buscarmos o aplauso a qualquer custo, o "objeto amado" passa a ser a aprovação externa, e quando ela nos falta, caímos no abismo da insuficiência.
A verdadeira liberdade, contudo, tem um som muito específico: o som da nossa própria voz ecoando num quarto vazio. Não se trata de arrogância, mas de autonomia.
Agir de acordo com padrões internos é como construir uma casa sobre a rocha; as tempestades do julgamento alheio podem até molhar as janelas, mas não abalam os alicerces.
Saber o que é realmente importante exige um silêncio que o mundo moderno raramente permite. Exige a coragem de ser "estranho" para os outros para não ser um "estranho" para si mesmo. Afinal, a aprovação alheia é um deus caprichoso e volúvel. Quem vive para o aplauso morre no primeiro silêncio da plateia.
Talvez o segredo de uma vida autêntica não seja ignorar o mundo, mas entender que o mundo não possui a nossa bússola.
Ao desenvolvermos nossa própria voz, descobrimos que a liberdade não depende de ser compreendido por todos, mas de não precisar de tradutor para conversar com o próprio espelho. No fim, como bem sugeriu o sábio chinês, a única forma de não ser "um deles" é ter a santa audácia de ser, plena e conscientemente, apenas um.