domingo, 24 de maio de 2026

Título de Cidadão Bonjesuense ao açoriano Francisco Amaro Borba Gonçalves celebra seu legado à Cultura

Francisco Amaro Borba Gonçalves entra para a história de Bom Jesus do Itabapoana 


O açoriano Francisco Amaro ao lado do busto do também açoriano Padre Antônio Francisco de Mello, em frente à Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus: um encontro simbólico entre histórias, fé e raízes que unem cultura e tradição


Dizem que quem nasce cercado por mar carrega o infinito nos olhos e uma saudade que antecede a própria partida. Quando o açoriano traz na bagagem o dom da palavra e o compasso do canto, a sua sina não é apenas cruzar oceanos, mas semear o seu cais interior onde quer que a vida decida ancorá-lo.

​Francisco Amaro Borba Gonçalves sabe bem disso. Há uma linha invisível, mas profundamente sentida, que une os caminhos da alma. Ao devotar seu amor e seu talento a Bom Jesus do Itabapoana, ele não caminha sozinho; segue os passos luminosos de outro ilustre Francisco, também filho das ilhas de bruma, que no passado fez desta terra o seu altar de fé e poesia. É o mistério do nome e da origem que se repete, como se o Vale do Itabapoana tivesse um magnetismo secreto para os corações açorianos.

​Mas Francisco Amaro não é apenas um herdeiro dessa tradição; ele é um criador de pontes. Multiplica-se em muitas vozes para cantar uma única paixão.

​Como intelectual e memorialista, ele resgata o "tesouro histórico", debruçando-se sobre o passado para que o presente não se perca na poeira do tempo. Ele sabe que a identidade de um povo é um estandarte belo que precisa ser visto e compreendido. Como escritor e poeta, maneja o soneto com a precisão de quem lapida um cristal, invocando Camões e as navegações não para falar de distâncias geométricas, mas da vastidão do espírito humano.

​E então, onde a palavra escrita parece alcançar o seu limite, brota o compositor e o cantor. A crônica da história se transforma em melodia. Quando ele canta que "no Brasil, terra sul-Americana / s’apaixonou por Bom Jesus do Itabapoana", a música deixa de ser apenas uma sucessão de notas e passa a ser um ato de transplante vital. As tradições açorianas, o culto aos Dons do Divino, o fervor da missão paroquiana que ecoou por Bom Jesus e Varre-Sai, tudo isso cria raízes profundas no solo fluminense.

​Esse amor devotado e essa entrega profunda não passaram despercebidos pela terra que o acolheu. Em um gesto de merecido reconhecimento ao seu impacto cultural, intelectual e espiritual, o município de Bom Jesus do Itabapoana outorgou-lhe, com todas as honras e mérito, o título de Cidadão Bonjesuense. Uma honraria que apenas oficializou o que o seu coração já havia decretado: Francisco Amaro agora pertence, por direito e afeto, a este chão.

​A paixão de Francisco Amaro Borba Gonçalves por Bom Jesus é de uma beleza lírica rara. Ele olha para o Vale com os mesmos olhos com que se olha para a terra lusitana natal. Não há ruptura em sua alma, há continuidade. O sotaque das ilhas harmoniza-se perfeitamente com o murmúrio das águas do Itabapoana.

​Seu gênio é vitorioso justamente por isso: porque venceu a distância, venceu o esquecimento e transformou a própria vida em uma partitura de amor a uma terra que hoje o abraça orgulhosamente como um de seus filhos mais ilustres.

Segue sua poesia musicada em homenagem ao Mês de Padre Mello.


Vitorioso Gênio

Francisco Amaro Borba Gonçalves 

"Soneto a um tesouro histórico"

​Depois que bons cidadãos o pesquisaram,

Espalharam o seu nome e a grande arte;

Legado que em Bom Jesus, belo estandarte,

Fascínio de um “tesouro” que descobriram.

​Depois de o sabê-lo, o admiraram

A quem de tão longe veio a esta parte

Que a Camões há um um pouco comparar-te;

Gênio de muitos que se civilizaram

​Sem os tais acidentes da taprobana,

Por mares, por Cabral, ora navegados

Emigrou de sua terra açoriana

​Com os Dons do Divino sempre lembrados;

Páraco de uma Fé que em Deus se emana

Muito fez em Bom Jesus do Itabapoana.

​“No Brasil, terra sul-Americana

S’apaixonou por Bom Jesus do Itabapoana.

​Como se fosse em sua terra Lusitana

Se dedicou ao Vale do Itabapoana.

​Tradições de sua terra Açoriana

Enraizou na Região do Itabapoana.

​S’empenhou em sua Missão Paroquiana

Em Varre-Sai e em Bom Jesus do Itabapoana..”

Letra e música de autoria de Francisco Amaro Borba Gonçalves

Concluído em 14/04/2026

Acontece hoje a FESTA DO DIVINO EM VARRE- SAI: tradição, fé e alegria reunindo o povo em uma celebração que atravessa gerações

 

A tradicional Festa do Divino em Varre-Sai segue emocionando fiéis e mantendo viva uma das mais belas manifestações de fé e cultura popular da nossa região.

Hoje, às 8 horas da manhã, em frente à igreja de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, aconteceu a coroação do Imperador do Divino 2026, João Lucas Langer, ao lado da Imperatriz Camila.

À frente, os cavaleiros abriram caminho para o cortejo imperial que percorreu as ruas de Varre-Sai em clima de devoção e beleza. Ao centro da procissão, após a cruz processional, seguiram daminhas e cavalheiros, acompanhados de sete jovens representando os dons do Espírito Santo. Logo atrás, os crismandos, a tradicional Lira Santa Cecília, o pároco e os coroinhas deram ainda mais solenidade à celebração.

Encerrando o cortejo, o belo ostensório do Divino, entalhado em madeira, emocionou os presentes, seguido pelos alferes com suas bandeiras, que durante os 40 dias após a Páscoa percorreram os lares levando fé, bênçãos e tradição.

Que o Divino Espírito Santo ilumine hoje e sempre a cidade de Varre-Sai com sua luz e suas graças. As tradições seguem vivas no coração do povo varre-saiense, fortalecendo a fé, a cultura e a união de gerações.

(Isabel Menezes - Professora e historiadora)



















































 


 


 


 


 


 


 


 




 


sábado, 23 de maio de 2026

A Passagem do Império em Varre-Sai, sob as bençãos do Divino


 Com informações da historiadora, escritora e professora Isabel Menezes 




Sob o manto festivo do Divino Espírito Santo, realizou-se na Paróquia Pessoal de Nossa Senhora das Graças e São Sebastiao, em Varre-Sai, a solene cerimônia de passagem do Império, rito que atravessa gerações levando consigo devoção, esperança e memória comunitária. 

No meio de cânticos e orações, a nova Imperatriz do Divino para o período 2026/2027, Camila Pelegrini, e o novo Imperador, João Lucas Fernandes Langer, receberam  simbolicamente a missão de guardar e representar a chama espiritual desta celebração tão profundamente enraizada na alma do povo.

Varre-Sai renova, assim, mais uma vez o antigo pacto entre o céu e a terra, perpetuando a beleza da Festa do Divino Espírito Santo.