 |
| Helton de Oliveira Almeida |
Hoje o tempo se curva diante da memória viva, e as páginas da história respiram gratidão.
Aos 97 anos, ergue-se sereno Helton de Oliveira Almeida, homem de letras, de trabalho e de raízes profundas, nascido sob o céu de Bom Jesus do Itabapoana, em 11 de maio de 1929, como quem veio ao mundo destinado a eternizar nomes, famílias e afetos.
“Hojе papai faz 97 anos. Oh Glória! Que o Senhor o conceda esse final de vida com paz e saúde”, exprimiu com amor sua filha Gleice, numa prece que ecoa em cada coração agradecido.
Filho de José Tarouquela de Almeida e Benedita Tarouquela, Heltinho nasceu em meio às lutas e aos recomeços. Seu pai, homem simples, apaixonado pelas máquinas e pelo trabalho, deixou São Domingos em busca de novos horizontes, levando consigo o sonho de construir futuro em Bom Jesus.
Ali, no meio de madeira, engrenagens e tinta de impressão, nasceu uma trajetória que se confundiria com a própria história da cidade. José Tarouquela enxergava poesia nas máquinas. Encantava-se com o telégrafo da estação ferroviária, com o som metálico das oficinas, com o movimento vivo das tipografias.
E foi movido por essa paixão que adquiriu uma antiga máquina francesa Alauzet, trazida de São José do Calçado, reconstituída pelas mãos curiosas do ferreiro italiano Vitório Cassamali.
Daquela máquina renasceu não apenas uma gráfica, mas uma semente de cultura e comunicação.
Assim surgiram a Tipografia Almeida e o jornal A Voz do Povo, marcos de uma época em que o papel guardava a alma das cidades.
Mais tarde, a tradição continuaria através da firma Irmãos Almeida, com Dalton e Hélvio, e sob a dedicação incansável de Heltinho.
Seu Heltinho não escreveu apenas livros, escreveu pertencimento.
Na obra Famílias Tradicionais, ao lado de Joãozinho Borges, preservou rostos, sobrenomes e memórias, guardando para as futuras gerações a essência de um povo, a dignidade das famílias e o florescimento cultural e econômico de nossa terra.
Na gráfica, transformou tinta em esperança.
Fabricou cadernos que chegaram a dezenas de prefeituras, imprimiu sonhos para milhares de estudantes, viu sua empresa alcançar 48 empregados, e fez do trabalho um ato de dignidade coletiva.
As máquinas rodavam como se cantassem, e cada folha impressa levava consigo um pouco da alma bonjesuense.
Mas a vida também lhe escreveu capítulos de dor.
Casado com a saudosa Gláucia Figueiredo Almeida, com quem construiu família e amor duradouro, teve os filhos Glicia, José Guilherme, Gleise e Helcia. São 10 netos e 15 bisnetos.
E foi justamente no coração de pai que o destino deixou suas marcas mais profundas.
Ao recordar a partida de José Guilherme e Hélcia, Heltinho confessou, emocionado:
“Não há como descrever a dor da perda de um filho. É como se eu estivesse vivendo um filme em preto e branco, e não mais colorido.”
Da dor nasceu poesia. E da saudade, eternidade.
CASTELO NA AREIA
Ao saudoso filho José Guilherme
Nossa vida é um castelo
Nas areias modelada
Para a nossa vista tão belo!
Em nossas mãos foi formado!
Não previmos que num lance
As ondas do mar avançassem
Na dura realidade
Este castelo erguido
Foi assim destruído
Restando só a saudade.
Mesmo depois do encerramento da gráfica, Heltinho não abandonou as máquinas.
Guardou em um cômodo de sua casa uma prensa, uma guilhotina manual e a velha máquina de cortar papel, como quem preserva relíquias sagradas de uma existência inteira.
Ali, no meio de papéis e lembranças, passou a produzir pequenos blocos que distribui às pessoas, num gesto simples que revela sua essência: a de quem nunca deixou de servir.
Heltinho revive, a cada dia, a trajetória iniciada por seu pai, continuada por seus irmãos, abraçada por seu filho Guilherme, e eternizada nos jornais e nas memórias de Bom Jesus.
Hoje, o Jornal O Norte Fluminense une sua voz às homenagens, celebrando não apenas um aniversário, mas uma vida inteira dedicada ao trabalho, à cultura e à preservação da memória.
Parabéns, seu Heltinho.
Que Deus lhe conceda serenidade nos dias, paz no coração e saúde no caminho.
E que jamais lhe falte a certeza de que sua história já pertence à eternidade daqueles que ajudaram a iluminar o destino de um povo.
 |
| Helton Almeida e a saudosa Gláucia Figueiredo Almeida |
Uma mensagem do neto Hugo Almeida Seródio em 2014
Onze de maio é um dia muito importante para a história da humanidade. Nesse dia foi registrada a invenção da primeira geladeira, assim como a inauguração do telégrafo no Brasil. Nesse dia também tivemos o prazer de ter canonização do 1º santo brasileiro, Frei Galvão. Nasceram grandes gênios como o pintor surrealista espanhol Salvador Dali, o cantor e compositor brasileiro Carlos Lyra e o futebolista do Barcelona e da seleção espanhola Andrés Iniesta.
Diante de todos esses fatos importantes e nascimentos de grandes astros mundiais, um outro acontecimento apequena-os e torna esse dia especial para mim. Ocorreu há exatos 85 anos, mais exatamente no ano de 1929. Nesse ano nascia meu querido avô, Helton de Oliveira Almeida.
Semelhantemente aos aniversariantes desse dia, meu avô também tem talentos de sobra. Um espírito trabalhador que nasceu dentro dele e que graças a isso conseguiu vencer na vida com muito suor e estrela, que os bons têm, pois a sorte só vem para os competentes.
Uma fé em Deus que é o que o sustenta diariamente das rasteiras que a vida está sujeita a nos dar. Um amor incondicional que não adianta falar, só quem está sob a proteção do maravilhoso casal formado por ele e vovó Gláucia sabe como é bom se sentir seguro. Aliás, não podia mesmo deixar de falar nela, a sua companheira de mais de seis décadas, a mãe de seus filhos e avó de seus netos, a pessoa que com ele mais briga, mas que também mais ama nesse mundo e não sabe o que é viver sem ela.
Pois é, meu avô Heltinho, quis aqui contar um pouco de sua vida de mostrar-lhe o quanto o senhor é importante para mim. Oito décadas e meia de vida não é para qualquer um, meu avô, e o senhor deve sempre ter muito orgulho de ser o homem que é, um verdadeiro pai de família que sente um amor incondicional por sua esposa e seus descendentes. Durante muito tempo fiquei afastado mas, felizmente, notei a tempo o quanto é bom estar em sua companhia, conversando, ouvindo suas belas histórias de vida, para mim isso não tem preço.
Depois de tudo o que passamos juntos desde a doença da minha mãe, passei a notar que podia explorar algo que nunca tinha dado tanta importância: o amor dos meus avós. E acabei notando que ganhei muito mais que isso. Perdi uma mãe, mas ganhei um pai e uma mãe e, acima de tudo, dois amigos fiéis que se preocupam comigo, que querem sempre o meu bem. Cheguei a achar que eu estaria sozinho no mundo, mas vocês fizeram eu notar que não ficaria só.
Parabéns pelo seu dia, meu querido avô, e espero que eu tenha conseguido lhe mostrar um pouco do quanto o senhor é especial para mim. O que eu posso oferecer ao senhor é a minha eterna lealdade e fidelidade, morro por vocês...
Espero um dia poder chegar à sua idade e me lembrar sempre dos seus ensinamentos e ser pelo menos um pouco, com meus netos, como o senhor é conosco.
Tenho você como espelho.
Com carinho, seu neto
Hugo Almeida Seródio