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As cidades também têm gratidão. Nem sempre a expressam em palavras, mas ela permanece escondida nas praças, nos velhos casarões e nas fachadas que resistem ao tempo. Há prédios que parecem feitos de pedra e cal; na verdade, são feitos de lembranças.
Em Bom Jesus do Itabapoana, dois dos mais belos edifícios que hoje integram o Centro Cultural continuam a contar, em silêncio, a história do açoriano Manoel Vieira Seródio. Cada parede parece guardar um gesto de seu tempo; cada janela ainda se abre para um passado que insiste em conversar com o presente. Não são apenas construções: são fragmentos da alma da cidade.
Talvez tenha chegado o momento de a memória dar mais um passo. Um monumento a Manoel Vieira Seródio, na Praça Governador Portela, não seria apenas uma homenagem a um homem, mas um gesto de reconhecimento à presença açoriana que ajudou a erguer Bom Jesus, pedra sobre pedra, sonho sobre sonho.
A praça passaria a reunir dois filhos dos Açores, Padre Antônio Francisco de Mello e Manoel Vieira Seródio, ao lado de seus ilustres açordescendentes, Roberto e Badger Silveira, além de José Vieira Seródio. Seria como se a cidade desenhasse, em bronze e afeto, uma constelação de nomes que continuam iluminando sua história.
Há pessoas que não desaparecem. Permanecem de pé nas obras que deixaram, no patrimônio que construíram e na memória agradecida de um povo. E, quando esses velhos prédios continuarem desafiando os anos, sempre haverá um pouco de Manoel Vieira Seródio caminhando, discretamente, pelas ruas de Bom Jesus do Itabapoana.






