domingo, 16 de agosto de 2026

Assinatura de Nove Anos Celebra a Longevidade do Jornal O Norte Fluminense


 Nove anos de confiança, oitenta anos de história




Neste ano em que O Norte Fluminense completa 80 anos de existência, nossa publicação recebeu um presente que transcende qualquer valor material: um assinante renovou sua assinatura por nove anos.

O gesto, por si só, emociona. Mas seu significado vai muito além da dimensão econômica,  embora as assinaturas sejam, desde a fundação, um dos alicerces que permitem ao jornal continuar de pé. 

Há, nesse ato de confiança, uma declaração silenciosa e poderosa de apoio à nossa linha editorial e, sobretudo, um desejo concreto de que O Norte Fluminense siga vivo, firme e atuante, caminhando em direção ao seu centenário.

Há 80 anos, o jornal nasceu com a missão de registrar aquilo que muitas vezes passa despercebido aos grandes meios de comunicação. Somos, também, guardiões de memórias, histórias, personagens, tradições e manifestações culturais que ajudam a construir a identidade do nosso povo.

Acreditamos que registrar os grandes e pequenos acontecimentos que não encontram espaço na grande imprensa é também uma forma de resistência. Resistir ao esquecimento. Resistir à indiferença. E, sobretudo, manter acesa a chama da esperança. Por isso, os nove anos de assinatura representam muito mais que nove anos de jornal. Representam nove anos de confiança no futuro.

A esse assinante, nossa gratidão mais profunda. Seu gesto nos alcança como abraço e nos fortalece como compromisso. Ele nos diz que vale a pena continuar escrevendo, pesquisando, preservando e contando histórias.

Que venham os próximos anos. Que venham novas páginas, novas memórias e novos leitores. E que, quando O Norte Fluminense completar 100 anos, possamos olhar para trás e reconhecer, em gestos como este, algumas das sementes que ajudaram o jornal a atravessar o tempo.

Um jornal não vive apenas de tinta e papel.

Vive da confiança de seus leitores, da memória de seu povo e da esperança de um mundo mais culto, mais humano e mais consciente.

"Café com a Banda – Lira Operária Bonjesuense", por Maria Dolores Pimentel de Rezende

 


"Há tradições que transcendem o tempo e se transformam em preciosas páginas da nossa história. O Café com a Banda - Lira Operária Bonjesuense, oferecido pela querida Família Borges, é uma dessas celebrações que, com dignidade e beleza, completa 49 anos de tradição.

Na alvorada deste 15 de agosto, a emoção prossegue ao som do belíssimo Dobrado dos Borges, renovando memórias, fortalecendo laços e celebrando a cultura que nos identifica.

Minha profunda gratidão a Cristina Borges, suas irmãs e seus irmãos, por proporcionarem momentos tão singulares de encontros e reencontros, nos quais vivemos e revivemos emoções que permanecem para sempre em nossos corações.

Que essa admirável tradição continue a ecoar, geração após geração, como expressão de amor, união, cultura e pertencimento.

Muito obrigada por nos permitirem, mais uma vez, vivenciar essa emoção inigualável!"




























Uma história de vida

 

Maria Izabel Monteiro 

Uma noite, inda menina, acordei com o bailar costumeiro das Musas do Parnaso, em nossa casa  onde se respirava poesia.

Todos ainda dormiam, só eu, inquieta como sempre, estava bem acordada, esperando o dia amanhecer para levantar.

As Musas, meio loucas, iam de um lado a outro, enchendo de versos as paredes, os cantos e eu tentando aprender o que as Musas queriam ensinar.

Nesta noite, compreendi que eu estava sempre enredada no brilho dos versos. Jamais escaparia desta necessidade de criar, de cantar o meu canto, mesmo que eu fosse pobre de poetizar, porque jamais aprendi contar um verso. Ali estava selado o meu destino. Eu haveria de escrever, criaria muitos personagens (com que facilidade eles surgiam!!!), criaria histórias e histórias e versaria sempre.

Nesta casa rica de poemas, a menina pobre e serelepe, sabia que seu destino estava traçado e de nada adiantaria tentar fugir, como também não conseguiu a outra menina, linda e criadora de versos mais lindos e ricos...

Aí, ainda estou por aqui, rabiscando versos, criando histórias, contando casos, inventando personagens. Uma hora, uma estrela, noutra uma bruxinha bem brasileira, um fantasminha levado da breca, um indiozinho goitacá, uma gota d'água e outros e outros e ainda uns versos de perna quebrada, que fariam tremer o pai, esse poeta-mor, o poeta Athos Fernandes, com versos e rimas tão ricas...

E assim vivo eu, a menina, a moça, a jovem, a mulher do interior de uma cidade tão rica, Bom Jesus do Itabapoana, e cujos muitos filhos estão aí, brilhando vitoriosos em vários áreas do saber!!!

Dizem que cavaco não cai longe do pau ou quem sai aos seus não degeneram.

Acho essas frases muito feias, mas trazem uma verdade que não se pode negar. 

Eu e minha irmã Neumar saímos ao nosso pai. 

Minhas filhas Lenise e Bárbara são autoras de livros. Minha neta Luiza toca várias instrumentos e tem até uma banda que toca rock e tudo nos Estados Unidos. O João Vitor, neto da Neumar, toca vários instrumentos e é um show. Paulo de Tarso também toca violão e o filho dele, Daniel, canta e encanta. O Diogo faz lindas esculturas. Outros virão por aí, certamente.

Bom Jesus desfila sua história, sua memória e sua identidade

 

Bom Jesus: O Sambódromo da Alma e da Memória


Não houve o barulho frenético dos tamborins cariocas, nem o brilho ofuscante dos paetês da Sapucaí. Mas, sob a batuta da Secretaria de Educação, comandada por Monica Amil, e com o apoio visionário de Pedro Salim, a Praça Governador Portela transformou-se, no dia 15 de agosto, em um autêntico sambódromo da alma. Ali, a avenida não foi feita de asfalto, mas de memória, identidade e uma emoção coletiva que transbordou dos corações.

Com o tema “Ler para Pertencer: Histórias que Inspiram o Futuro”, que percorreu os distritos como uma chama viva, o desfile cívico-militar culminou em uma apoteose de autoafirmação. A locução inconfundível de Isac Nascimento conduziu a nossa história, dando voz e ritmo a cada ala, que desfilava como um verdadeiro carro alegórico feito de afeto e legado. Danielly e Pedrinho comandaram a apresentação artística.

A avenida vibrava a cada símbolo que passava: a honra do Tiro de Guerra 01-001, dos Ex-Atiradores, da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e da Guarda Municipal, abrindo caminho; a energia da Ordem DeMolay; o capricho da EM Sebastião Pimentel; e a emoção contagiante da APAE (EM Dr. Cid Bastos), com sua banda.

O espetáculo seguia revelando tesouros da terra: o carro sobre o Egito, do CMEI Nair Fassbender; os marinheiros e as âncoras da EM Dr. Francisco, exaltando a sabedoria viva do ex-prefeito Álvaro Moreira, aos 99 anos.

O piano e o carro da música do CMEI Amélia Seródio celebraram o aclamado Thadeu Almeida. Em Thadeu de Moraes Almeida, Bom Jesus do Itabapoana reconhece um de seus mais luminosos filhos da música: pianista, organista, cravista, regente e musicólogo, que começou a estudar piano aos 12 anos, na JEMAJ Musical. Bacharel em Piano e mestre em Música pela UFRJ, sua mais bela sinfonia é aquela que retorna à terra natal: fundador da Escola de Música MusicArt, ensinando aos novos talentos que a música, quando nasce do coração de uma cidade, nunca termina, apenas muda de mãos, de vozes e de sonhos.

O desfile continuou com a velocidade de “The Flash”, com o atleta Wilson, na EM José Bonifácio; e com a ternura do carro do coelho, no CMEI Tia Detinha, reverenciando o querido comerciante Pedro Braga. A narrativa continuava costurando a alma da comunidade: os anjos com velas da EM Olívio Bastos, conduzidos pela aplaudida enfermeira Maria das Dores; e o imponente carro do leão, no CMEI João Pires, com Ângelo Felipe.

A apresentação prosseguiu com a palpitante ala do Café do Jacó, de Estanislao Kotska, cujo cultivo centenário e a conquista do primeiro lugar na categoria via seca do V Concurso de Cafés Especiais do Estado do Rio de Janeiro, em 2021, foram celebrados pela EM Otília Vieira. Vieram, depois, o Jubileu de Prata do Colégio Santa Rita, coroando o Padre Vicente; o delicado carro da abelha, no CMEI Criança Feliz, com Carla Viceconte; a grandiosa ala dos romanos, do Colégio Batista, com Ademir Paulo Pimentel; e a magia de Walt Disney, na EM Anacleto, com o renomado fotógrafo Humberto Boniolo.

Em seguida, veio o desfile de “Terra Nostra”, do CMEI Tia Ângela, reverenciando o consagrado cenógrafo Raul Travassos, da TV Globo. Travassos ajudou a dar forma visual à teledramaturgia brasileira, com 28 novelas em sua trajetória. O carro alegórico  sobre Terra Nostra levou às telas a saga da imigração italiana. A cenografia de Travassos construiu uma verdadeira arquitetura de sonhos, marcada pela beleza e pela memória. Agora, essa história voltou às ruas, como um fragmento luminoso da história da televisão brasileira desfilando, assim, diante do público.

Vieram, então, os ares pioneiros de Santos Dumont, na EM Mariquinha Batista, com Sandra Bulhões; e o encanto do carro do Japão, no CMEI Tia Belinha, com Willy Moreira. A festa ainda abraçou a vitalidade da UNAPI 60+ (UNIFAMESC); a cadência contagiante da Banda Fanfarra Cecy Brandão, de Pirapetinga; o civismo da SALT e do Rotary; a força musical da Banda Charles Maia; e o desfecho impecável da Equipe da  Secretaria Municipal de Educação.

Nem mesmo a chuva, que se atreveu a cair por instantes, como se quisesse abençoar a passagem do povo, foi capaz de esmorecer a multidão. E, quando a imponente Banda Marcial Charles Maia, de São Fidélis, encerrou o desfile de modo magistral, sua cadência soou como um abraço sinfônico, fazendo a cidade inteira se levantar sob intensos aplausos.

Não foi apenas um desfile cívico-militar. Foi o encontro soberano de Bom Jesus do Itabapoana com o seu próprio espelho, uma cidade que, nessa tarde, brilhou mais forte do que qualquer passarela do mundo.