Por Gino Martins Borges Bastos
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| Elcio Xavier, o Príncipe dos Poetas, e seu filho Rogério Loureiro Xavier |
Em tempos em que tanto se fala em legado, poucos exemplos se mostram tão vivos e contínuos quanto o de Elcio Xavier, o eterno “Príncipe dos Poetas” de Bom Jesus do Itabapoana. Em nossas longas conversas telefônicas, Elcio nunca deixava de mencionar sua terra natal. Falava de Bom Jesus com um amor sereno, mas profundamente comprometido, daqueles que não se limitam à saudade, mas se transformam em ação.
Preocupava-se com o desenvolvimento cultural da cidade e não apenas idealizava: realizava. Projetou e concretizou a qualificação da biblioteca do Espaço Cultural Luciano Bastos, doando seu acervo pessoal. Seu gesto inspirou outros, como o do Tenente Brigadeiro Sérgio Xavier Ferolla, seu primo. Também contribuiu com a doação do primeiro mapa de Bom Jesus, elaborado pelo Padre Mello, além de participar da reedição de obras de sua autoria, como O Véu da Manhã e Rosaquarium, reafirmando seu compromisso com a memória e a cultura locais.
Com sua partida, o silêncio poderia ter ocupado esse espaço. Mas não foi o que aconteceu.
Passei, então, a manter contato com seu filho, Rogério Loureiro Xavier, residente no Rio de Janeiro. E há algo de singular nesses diálogos: a sensação de continuidade. Em suas palavras, reconhece-se o mesmo afeto, a mesma inquietação e o mesmo desejo de fazer mais por Bom Jesus.
“Amo Bom Jesus”, diz ele.
“Quero fazer muito por Bom Jesus.”
E não são apenas palavras. Rogério tem contribuído ativamente: doou um busto de seu pai ao Espaço Cultural Luciano Bastos, incentivou iniciativas como os “Cafés com Elcio Xavier” e compôs um hino em homenagem à cidade e à Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus. Trouxe livros de sua saudosa irmã Raquel e mantém uma presença constante, difundindo mensagens de fé, esperança e pertencimento.
Hoje, uma de suas mensagens chamou atenção pela atualidade e pelo tom de alerta. Após presenciar um incêndio, Rogério refletiu sobre a realidade de Bom Jesus: estaria a cidade preparada para enfrentar situações semelhantes? Há equipamentos suficientes? Os profissionais estão bem treinados? Existem brigadas de incêndio, ações preventivas, capacitação em primeiros socorros nas escolas?
São perguntas que ecoam não como crítica, mas como cuidado.
Num país onde, muitas vezes, a prevenção cede espaço à urgência, refletir sobre segurança, estrutura e responsabilidade coletiva é um ato de cidadania. E talvez seja esse o ponto mais significativo dessa herança: a capacidade de transformar amor em vigilância, memória em compromisso, saudade em ação.
Elcio Xavier partiu, mas não se ausentou. Permanece vivo naquilo que construiu, e, sobretudo, naquilo que inspirou.
Porque há legados que não se encerram com a vida.
Eles continuam, como a luz, atravessando gerações.







