sexta-feira, 10 de abril de 2026

"Bom Jesus do Itabapoana", por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


*"Bom Jesus do Itabapoana"*


Te quero sempre bela...

Repleta de bons momentos vividos... E, aqueles doces sonhos, palpáveis, a serem alcançados...

Legados angelicais de um povo feliz, repleto de luz, elegância e sabedoria.

Eternas paixões trocadas, nas noites de luar, na praça principal,

A exuberante Igreja matriz que a todos encantam, 

A suavidade das águas silênciosas do Rio Itabapoana com suas lindas cascatas.

Fenômenos lindos e raros, na palma da mão, dos bonjesuenses.

Pessoas maravilhosas, progressistas e hospitaleiras.

Bom Jesus é futuro presente, com suas gentis magias e pitadas de encantos mil.

*"É prazeroso conviver com os filhos da terra, bons patriotas, amáveis companheiros, sábios escritores, memorialistas, poetas românticos e sonhadores. Exemplos da "Cultura Limpa e Saudável". Protetores da cultura e dos eternos legados deixados, nas sementinhas do bem, para que todos possam colher um futuro atualizado e promissor. Destaco os legados deixados pelo meu querido "Elcio Xavier" - O Príncipe dos Poetas Bonjesuense."*


*"✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*



Padre Mello e Sapucaia: Berço de um Soneto e de uma Ausência

 

"Saudade. Ao povo de Sapucaia, em mudança para Bom Jesus do Itabapoana, ao avistar o Paraíba...no trem"



Há partidas que não terminam no instante em que o trem se afasta. Elas continuam vivendo, silenciosas,  dentro de quem fica e de quem parte.

No dia 17 de junho de 1899, Padre Mello deixou Sapucaia. O trem seguia seu destino rumo a Bom Jesus do Itabapoana, mas seu olhar ficou preso por um instante às águas do Paraíba. 

Foi ali, no meio do movimento dos trilhos e o fluxo do rio, que a saudade o alcançou primeiro. Não como lembrança distante, mas como presença viva. E, para não perdê-la, ele a escreveu. Nasceu, assim, um soneto, não apenas poema, mas testemunho de um coração em travessia.O tempo seguiu seu curso, como o próprio rio. 

Décadas se passaram, e aquelas palavras, junto a tantas outras, desapareceram no silêncio das coisas que se julgam perdidas. Até que, por um desses acasos que parecem desenhados por mãos invisíveis, reapareceram em um alfarrábio de Lisboa. O Prof. Dr. Márcio Pacheco, atraído pela beleza da caligrafia, recolheu os manuscritos sem imaginar que levava consigo não apenas páginas antigas, mas fragmentos de uma vida inteira.

Somente mais tarde veio a revelação: eram escritos de Padre Mello. E, com eles, retornava também aquela saudade, intacta, como se o tempo não tivesse ousado tocá-la.

Há, nisso tudo, um delicado espelho. A saudade que Padre Mello sentiu ao deixar Sapucaia é a mesma que, anos depois, haveríamos de sentir por ele, quando partiu de Bom Jesus do Itabapoana, em 13 de agosto de 1947. Como se o sentimento, uma vez lançado ao mundo, encontrasse sempre um caminho de volta.

E assim, no meio de partidas e reencontros, o que permanece não é apenas a história, mas o afeto que a sustenta, essa saudade contínua, que atravessa gerações e, como um rio, nunca deixa de correr.











quinta-feira, 9 de abril de 2026

A vida é como um livro, por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.


*"A vida é como um livro."*


Cada dia que amanhece assemelha-se a uma página em branco, na qual gravamos os nossos pensamentos, ações e atitudes. Na essência, cada dia é a preparação de nosso próprio amanhã.


"Se existe amor, há também esperança de existirem verdadeiras famílias, verdadeira fraternidade, verdadeira igualdade e verdadeira paz. Insultar ou maltratar os outros é algo sem propósito. O fundamento de toda prática espiritual é o amor. Que você o pratique muito bem e sempre".


*"A vida é como um livro 📖, não pule nenhum capítulo e continue a virar as páginas. Cedo ou tarde você entenderá  porque cada capítulo era necessário..."*


*"✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*

Oficina Une Cultura e Meio Ambiente: O Legado do Mês de Padre Mello

 



Uma tarde de aprendizado, sensibilidade e compromisso com o futuro marcou a realização da oficina “Literatura e Meio Ambiente”, fruto de uma parceria entre o Colégio Estadual Padre Mello, o Jornal O Norte Fluminense, a ABIJAL, a Academia Bonjesuense de Artes e Letras e o professor e escritor Adriano Moura. O encontro integrou a programação do Mês de Padre Mello, iniciativa dedicada à promoção da cultura e ao desenvolvimento humano, especialmente entre os jovens.

Mais do que um evento, a oficina se revelou um espaço de escuta, reflexão e encantamento. No ambiente acolhedor do colégio, instituição reconhecida pela seriedade de seu trabalho pedagógico, estiveram presentes profissionais que representam o compromisso com a educação de qualidade: Nathyara Teixeira, diretora; Dr. Marcos Mendonça, coordenador pedagógico; além dos professores Marcela Borges e Rondinelli Kamp. Cada presença reafirmava, de forma silenciosa e firme, o cuidado com a formação integral dos estudantes, uma notícia alvissareira para toda a comunidade.

Conduzindo a atividade, Adriano Moura apresentou aos alunos uma leitura sensível do trecho “Gargaú”, de seu livro Telêmaco. A narrativa da “Moça Bonita”, com sua beleza trágica e sua transformação em guardiã do manguezal, ecoou na sala como um sopro de poesia e alerta. No meio de raízes, marés e silêncios, a história revelou não apenas um mito, mas uma metáfora viva sobre o amor, a perda e a urgência de preservar a natureza.

Enquanto as palavras percorriam o imaginário dos estudantes, era possível perceber que algo germinava ali, uma consciência, talvez, ou um novo modo de olhar o mundo. A literatura, naquele instante, deixava de ser apenas texto para se tornar experiência.

Ao final, em um gesto simples e carregado de significado, o autor declarou: “Adorei as crianças”. E foi nesse clima de afeto e troca que o estudante Guilherme Borges se destacou, sendo contemplado com um exemplar da obra após se voluntariar para a leitura compartilhada.

Embora eventos como esse muitas vezes passem ao largo dos grandes noticiários, sua grandeza reside justamente no impacto silencioso que produzem. Como ensinou Liev Tolstói, para alcançar o universal é preciso começar pela própria aldeia. E é isso que se viu: uma comunidade que acredita no poder transformador da educação, da arte e da palavra.

A cobertura realizada pela TV Alcance, sob a condução de Isac Nascimento, assegura que esse momento não se perderá no tempo. Fica, agora, o convite, quase uma esperança, de acompanhar a trajetória desses jovens. Pois é nas pequenas sementes, plantadas com cuidado, que se anuncia a possibilidade de uma sociedade mais culta, sensível e verdadeiramente humanizada.


Nathyara Teixeira, diretora do C.E. Padre Mello


Dr Marcos Mendonça, Coordenador Pedagógico


Marcela Borges, Profª de Língua Inglesa


Rondinelli Kamp, Professor de Matematica


Guilherme Borges, ganhador do livro por se voluntariar a ler junto com o autor 


Adriano Moura










Colégio Estadual Padre Mello




GARGAÚ, TRECHO DO LIVRO “TELÊMACO”, DE ADRIANO MOURA

​Amanhecia em Gargaú quando chegamos. Passamos o dia andando pela orla e vila de pescadores atrás de uma pista. Até no mangue nos aventuramos, ainda que sabendo dos perigos representados pela Moça Bonita, que poderia pensar que queríamos fazer mal aos animais ou plantas do manguezal.

​- Você conhece essa história, Telêmaco?

​- Meu pai me contou quando era criança. Dizia que uma moça muito bonita, de olhos claros e cabelos ruivos e rica se apaixonou por um rapaz pobre que ela conheceu na beira do Rio Paraíba enquanto ele pescava. Como os pais dela não permitiram o namoro, ela combinou de se encontrar com ele na beira do rio para fugirem. Na noite da fuga, saiu escondida pela janela do quarto. Porém, por causa da escuridão, errou o caminho. Em vez de seguir em direção ao rio, acabou entrando sozinha no manguezal e se perdeu. Com a subida da maré e o lamaçal, ela não conseguiu sair, e suas pernas ficaram presas nas raízes do manguezal. Sua família e os amigos se reuniram para procurar. Encontraram ela sem vida. Dizem que seu espírito se tornou guardião das plantas e animais do lugar, principalmente dos caranguejos. Por isso são tão grandes. Sabia que as garras de um guaiamum podem medir até trinta centímetros? Quase perdi as mãos tentando segurar um.

​- Mas nós não representamos perigo para o mangue. Não precisamos temer a Moça Bonita — disse confiante meu companheiro de viagem.

​Nos embrenhamos nas entrâncias e reentrâncias do mangue. O solo lodoso dificultava a caminhada e o cheiro forte nos obrigava a tapar o nariz em alguns trechos.

​Ouvimos então um choro atrás de uma raiz avermelhada. Seguimos na direção até encontrarmos uma jovem ruiva sentada, com vários peixes mortos numa cesta formada com a saia do próprio vestido. Só podia ser ela, a Moça Bonita.

​- É a poluição - disse ela. - Esse não é o cheiro natural do mangue. Olhe! — Apontou na direção onde se encontrava uma quantidade enorme de tudo quanto é tipo de lixo. — Isso está destruindo o berçário.

​ - Como assim berçário?

​- Peixes, crustáceos, moluscos. São muitas as vidas que nascem aqui. O solo do mangue quase não tem mais nutrientes para alimentar quem dele precisa. Estou chorando porque não consigo mais protegê-los.

​Dei a ela a descrição do meu pai e perguntei se não tinha visto ninguém parecido por ali. Respondeu que não, mas falou que quem se perde no mar pode aparecer em qualquer lugar que a ele esteja ligado: praia, ilha, mangue, rio ou céu. Achei tão bonito ela falar aquilo! Mas durante a conversa com a Moça, não notamos a cheia da maré.

​ - Precisamos sair daqui - falou Oswaldo apreensivo.

​ - Eu não consigo me mover. Meus pés estão presos na lama.

​Notamos que a água e a lama subiam rápido demais.

​ - É a Moça que está fazendo isso, Oswaldo? Será que ela está pensando que somos os culpados pelo envenenamento do mangue?

​A moça já tinha se desfeito dos peixes que estavam em seu colo e foi se aproximando de nós. Não tinha mais a aparência de moça, mas de um enorme caranguejo, um guaiamum grande e vermelho, quase do tamanho de um cavalo. Uma de suas puãs me agarrou pela cintura e me ergueu à altura da boca, como se fosse me devorar. Comecei a gritar. Não vi mais meu amigo. Pensei logo que pudesse ter afundado, mas já tinha subido no alto da carapaça do bicho, como se montasse um desses dragões de histórias de aventura.

​- Socorro, Oswaldo, ele vai me comer.

​ - Calma. Caranguejos não comem animais vivos.

​ - Piorou. Então ele vai me matar antes de comer.

​Para nossa surpresa, o guaiamum foi saindo do mangue, colocou a gente na areia firme e voltou a ser a Moça Bonita de cabelos ruivos e olhos claros.

-​ Pensei que fosse comer a gente?

- ​Como seu amigo mesmo disse, caranguejos não comem animais vivos. Eu não faria mal a vocês. Não é essa minha função aqui. Viram aqueles peixes mortos? Em breve não haverá mais vida no manguezal e não serão apenas os que lá vivem que morrerão. Quantas pessoas também dependem do mangue? Agora vão. Preciso voltar e tentar continuar meu trabalho. Espero que encontre seu pai, Telêmaco, e lembre-se: quem se perde no mar pode aparecer em qualquer lugar que a ele esteja ligado: praia, ilha, mangue, rio ou céu.







quarta-feira, 8 de abril de 2026

Herança de Luz: Elcio Xavier e Rogério Loureiro Xavier

 

 Por Gino Martins Borges Bastos


Elcio Xavier, o Príncipe dos Poetas, e seu filho Rogério Loureiro Xavier

Em tempos em que tanto se fala em legado, poucos exemplos se mostram tão vivos e contínuos quanto o de Elcio Xavier, o eterno “Príncipe dos Poetas” de Bom Jesus do Itabapoana. Em nossas longas conversas telefônicas, Elcio nunca deixava de mencionar sua terra natal. Falava de Bom Jesus com um amor sereno, mas profundamente comprometido,  daqueles que não se limitam à saudade, mas se transformam em ação.

Preocupava-se com o desenvolvimento cultural da cidade e não apenas idealizava: realizava. Projetou e concretizou a qualificação da biblioteca do Espaço Cultural Luciano Bastos, doando seu acervo pessoal. Seu gesto inspirou outros, como o do Tenente Brigadeiro Sérgio Xavier Ferolla, seu primo. Também contribuiu com a doação do primeiro mapa de Bom Jesus, elaborado pelo Padre Mello, além de participar da reedição de obras de sua autoria, como O Véu da Manhã e Rosaquarium, reafirmando seu compromisso com a memória e a cultura locais.

Com sua partida, o silêncio poderia ter ocupado esse espaço. Mas não foi o que aconteceu.

Passei, então, a manter contato com seu filho, Rogério Loureiro Xavier, residente no Rio de Janeiro. E há algo de singular nesses diálogos: a sensação de continuidade. Em suas palavras, reconhece-se o mesmo afeto, a mesma inquietação e o mesmo desejo de fazer mais por Bom Jesus.

“Amo Bom Jesus”, diz ele.

“Quero fazer muito por Bom Jesus.”

E não são apenas palavras. Rogério tem contribuído ativamente: doou um busto de seu pai ao Espaço Cultural Luciano Bastos, incentivou iniciativas como os “Cafés com Elcio Xavier” e compôs um hino em homenagem à cidade e à Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus. Trouxe livros de sua saudosa irmã Raquel e mantém uma presença constante, difundindo mensagens de fé, esperança e pertencimento.

Hoje, uma de suas mensagens chamou atenção pela atualidade e pelo tom de alerta. Após presenciar um incêndio, Rogério refletiu sobre a realidade de Bom Jesus: estaria a cidade preparada para enfrentar situações semelhantes? Há equipamentos suficientes? Os profissionais estão bem treinados? Existem brigadas de incêndio, ações preventivas, capacitação em primeiros socorros nas escolas?

São perguntas que ecoam não como crítica, mas como cuidado.

Num país onde, muitas vezes, a prevenção cede espaço à urgência, refletir sobre segurança, estrutura e responsabilidade coletiva é um ato de cidadania. E talvez seja esse o ponto mais significativo dessa herança: a capacidade de transformar amor em vigilância, memória em compromisso, saudade em ação.

Elcio Xavier partiu, mas não se ausentou. Permanece vivo naquilo que construiu, e, sobretudo, naquilo que inspirou.

Porque há legados que não se encerram com a vida.

Eles continuam, como a luz, atravessando gerações.






SONETOS DE PADRE MELLO A UM MOÇO CEGO

 

Padre Mello (acervo do Espaço Cultural Luciano Bastos, antigo Colégio Rio Branco, onde foi Professor)


11/12/1932 – O Lar Catholico (MG)


I

Tu sentes, bem o sei, íntima amargura

por não teres acesso à luz nesses teus olhos;

vives na escuridão assim como em refolhos

a linda mariposa em crisálida escura.


Vendo, verias tu do mundo a formosura,

o sol, o prado, o inseto, a flor… e mil abrolhos;

mas também a tua alma encontraria escolhos

onde teu coração julgasse ver ventura.


Muitas vezes, porém, os que bons olhos temos,

desejamos, oh dor! não tê-los por momentos,

para não vermos bem o mal que não queremos.


Para todos a vida é um espinho agudo;

temos a mesma sorte, o mesmo sofrimento,

tu porque nada vês, nós porque vemos tudo.


II

Vives (disseste tu), na escuridão; mas creio

que há dentro de ti mesmo a claridade intensa

de ideias a girar numa amplidão imensa

em que a razão é o sol colocado no meio.


Que a anímica substância imaterial que veio

dar vida ao organismo é o ser que sente e pensa,

e se ela receber um dia a luz da crença,

por si mesma será de luz um mundo cheio.


Não te lamentes pois, vives na claridade;

teu sol não tem ocaso, é sempre no levante,

não sentes como nós da noite a escuridade.


Desta sorte não sei qual menos importante,

se esse mundo ideal - tudo realidade,

se este mundo real - nossa ilusão constante.


III

E se algum dia a luz teus olhos penetrasse

através da retina imagens conduzindo,

não suponhas que a luz te iria descobrindo

o íntimo do ser; ela só mostra a face.


Não há raio de luz que um átomo traspasse;

o mesmo raio xis os corpos invadindo

não invade a matéria; esta lhe vai fugindo

opondo a superfície à onda pertinácia.


Assim, quem pelo estudo alcança da ciência

os preciosos dons, ainda mais ignora

porque somente vê das coisas a aparência.


Pois se vemos somente o que se vê por fora

e olhos não tem ninguém que possa ver o fundo,

somos todos, amigo, uns cegos neste mundo.




terça-feira, 7 de abril de 2026

NÃO PERMITA INTERFERÊNCIA, por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


*"NÃO PERMITA INTERFERÊNCIA"*


"Não permita que ninguém limite o seu espaço, diminua o seu valor, roube os seus sonhos, atrapalhe o seu sorriso, estreite o seu caminho nem te impeça de caminhar."


"Não permita que o barulho ao seu redor seja mais alto que a voz de Deus ao seu coração. Os outros só acham, mas Deus tem certeza de quem você é, e isso já basta. Conserve o bem que você tem. Esqueça o que dói. Perdoe os que te feriram. Desfrute dos que te amam. Uma pessoa não tem tudo de melhor, ele torna tudo melhor."


*"Todos os dias podem ser especiais, quando temos a dose certa de esperança no coração."*


*"✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*