quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Atuação em “A Outra Margem” leva André Luiz de Oliveira à indicação para a ACLAPTCTC

 

No papel do Padre Preto, André Luiz de Oliveira aproximou cinema e história de Calheiros




Certas pessoas ajudam a contar uma história trabalhando nos bastidores. Outras lhe emprestam o rosto, os gestos e a emoção. No documentário bonjesuense A Outra Margem, André Luiz de Oliveira assumiu essas duas responsabilidades: foi assistente de produção e atuou na representação do Padre João Mendes Ribeiro, conhecido como Padre Preto, em Calheiros. Agora, sua participação na obra fundamenta a indicação para integrar, como membro correspondente, a ACLAPTCTC, Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores, de Vitória.

A indicação será avaliada pela comissão da entidade. Antes mesmo dessa apreciação, porém, ela lança luz sobre uma contribuição que merece ser conhecida: o trabalho de quem se dispôs a servir à memória regional tanto na construção do filme quanto diante das câmeras.

Representar uma personalidade ligada à história de uma comunidade exige sensibilidade. Ao interpretar o Padre Preto, André participou de um encontro entre o audiovisual e as lembranças de Calheiros, distrito onde ocorreram as filmagens. Emprestou sua presença à tarefa de aproximar o público de uma figura que pertence ao patrimônio humano do lugar.

O reconhecimento de sua atuação sucede outra distinção recebida pela obra. Em 2025, o 1º CineFest Rosal concedeu ao diretor Philip Arvid Johnston o Prêmio Especial de Reconhecimento Paulo Tardin, destacando sua dedicação à arte e à cultura audiovisual da região. Realizado nos dias 13 e 14 de junho, o festival apresentou A Outra Margem em seu encerramento.

Com direção de Philip Johnston, produção executiva de Rocio Salazar, do Rio de Janeiro, produção associada de Gino Martins Borges Bastos e assistência de produção de André Luiz de Oliveira, o documentário reuniu esforços em torno das histórias de Bom Jesus do Itabapoana, território ao qual Philip tem dedicado seu olhar de realizador.

Organizado pelo ativista cultural, ator, autor e ceramista Israel Sadias, o CineFest Rosal abriu espaço para obras capazes de estimular a reflexão e revelar a humanidade de seus personagens. O encontro contou com a presença dos atores Igor Cotrim e Dudu de Oliveira e do produtor Ricardo Resende Valle, fortalecendo a celebração do cinema na região.

Nesse percurso coletivo, a indicação de André ganha significado próprio. Evidencia o valor de uma participação que atravessou os bastidores e alcançou a interpretação, unindo disposição para o trabalho e compromisso com a história local.

Enquanto aguarda a avaliação da ACLAPTCTC, André Luiz de Oliveira já tem seu nome inscrito nessa realização do audiovisual bonjesuense. Em A Outra Margem, ajudou a construir uma ponte entre tempos: de um lado, a memória de Calheiros; do outro, os olhos de quem ainda terá a oportunidade de conhecê-la.





Casa dos Açores celebra os 93 anos do Maestro Nilo Rodrigues em encontro musical

 


Eliton Polverini, o Muchacho, filho do Maestro Nilo Rodrigues, que recebeu o Certificado de Embaixador da Acorianidade 

A Casa dos Açores do Espírito Santo (CAES), presidida pelo dr Nino Moreira Seródio, realizou ontem, terça-feira, 20 de outubro, um encontro musical em comemoração ao Mês dos Idosos. A programação reuniu apresentações instrumentais e vocais e homenageou os 93 anos do Maestro Nilo Rodrigues, em uma noite de valorização da vida, da memória e das tradições culturais.

Realizado na sede da instituição, na estrada que liga Apiacá a Bom Jesus do Norte, o encontro contou com a apresentação da Lira Operária Bonjesuense e a presença de seu presidente de honra, Dr. Antônio Borges.

Em relato aos membros da CAES, o Dr. Pedro Antônio de Souza destacou o significado da celebração, que definiu como “um louvor à VIDA, expressada na sua longevidade”. Segundo ele, o encontro foi memorável e teve na homenagem ao maestro um de seus momentos especiais.

A identidade açoriana também ganhou destaque com a execução dos hinos do Divino Espírito Santo e dos Açores. Para Pedro Antônio, essas apresentações reforçaram os vínculos culturais cultivados pela instituição.

Outro destaque foi a participação do Coral Vozes do Tempo, de Apiacá, formado por idosos e conduzido pelo organista e regente Pedro Poubel. A apresentação integrou a proposta de celebrar a longevidade por meio da música e da convivência.

O encerramento ficou por conta da viagem musical com o consagrado cantor José Antônio Borges Alvarenga e a participação especial da cantora Beatriz Magalhães, cujas interpretações foram elogiadas por Pedro Antônio.

No meio das homenagens, cantos e lembranças, a Casa dos Açores reuniu diferentes gerações em uma celebração da cultura e das histórias que permanecem vivas pela música.















Há uma tarde esperando por nós

 

O tempo que deixamos para depois



Há uma cadeira vazia na varanda. Sobre a mesa, o café esfria enquanto alguém termina uma tarefa, responde a uma mensagem, procura um papel. Do lado de fora, a tarde oferece seus últimos dourados. Quando finalmente erguemos os olhos, a sombra já alcançou o jardim.

Assim passam muitos dos nossos dias.

A reflexão de Sêneca sobre o tempo nos alcança nesse instante doméstico: quando percebemos que estivemos ocupados demais para acompanhar a luz descendo pela parede. E talvez nos lembremos de uma visita adiada, de uma conversa interrompida, de alguém a quem prometemos telefonar assim que a vida ficasse mais tranquila.

Guardamos tantas coisas para esse dia.

Um dia teremos tempo para sentar ao lado de nossa mãe e ouvi-la contar novamente uma história da infância. Um dia procuraremos o amigo de quem sentimos saudade. Um dia abriremos aquele livro, faremos aquela viagem, diremos com todas as letras o amor que supomos tão evidente.

Enquanto isso, os rostos mudam. As mãos ganham manchas. A voz que chamava da cozinha se torna mais baixa. E nós continuamos acreditando que haverá outra tarde, com o mesmo café, a mesma cadeira, a mesma pessoa esperando.

Até que uma ausência nos ensina o valor de uma porta que antes podíamos simplesmente abrir.

Então compreendemos quanto cabia naquilo que parecia pequeno: o ruído dos talheres no almoço de domingo, uma risada no corredor, os passos conhecidos chegando à casa. Gostaríamos de voltar por alguns minutos. Não para corrigir o rumo do mundo, mas para permanecer um pouco mais à mesa.

Há uma dor particular em descobrir que fomos felizes com pressa.

Nem todo tempo, porém, precisa ser preenchido. A vida também amadurece nas pausas. Há tardes em que descansar a cabeça no colo de alguém é tudo o que precisamos fazer. Há manhãs cujo melhor acontecimento é uma conversa demorada, sem utilidade alguma além da alegria de estarmos juntos.

Poderemos começar por aí: dando lugar, no dia de hoje, a alguma coisa que amamos.

O telefone está ao alcance da mão. Ainda podemos fazer aquela visita. Há alguém que receberia com alegria uma palavra nossa, alguém cujo rosto se iluminaria ao nos ver chegando sem pressa.

Na varanda, a cadeira continua vazia. Podemos nos sentar por um instante, chamar quem está dentro de casa e repartir o que resta da tarde.

O café pode ser feito outra vez.

A luz ainda está no jardim.

Sax & Violin


 

Remember The Light Back Home


 

Café Bleu


 

Scotitsh Folk