Sob o céu amplo do Planalto Central, Brasília foi palco de uma experiência que uniu arte, natureza e autoconhecimento. O Workshop Filhos do Barro transformou o encontro entre mãos e argila em um rito de presença, onde corpo, terra e sensibilidade dialogaram em silêncio profundo.
A proposta foi simples e, ao mesmo tempo, ancestral: tocar o barro para tocar a si mesmo. Por meio da vivência com a argila, práticas somáticas e alimentação viva e biogênica, os quatro elementos, terra, água, ar e fogo, foram ativados como caminhos de escuta, expressão e transformação. Um convite ao enraizamento, à criatividade e ao cuidado integral em tempos em que a sociedade exige enquadramentos rígidos para a sobrevivência.
À frente da condução corporal esteve Monique Pinheiro Santos, terapeuta corporal e apaixonada pelo movimento como instrumento de saúde. Com formação em Ioga, Biodança e pós-graduação em Práticas Somáticas da Dança, Monique desenvolve um trabalho que integra o corpo físico ao corpo espiritual, emocional e social. “Somos a soma desses corpos, a totalidade deles. É o objetivo do meu trabalho. Amo o que faço”, afirmou.
Seu propósito é reconectar as pessoas ao próprio corpo, promovendo autoconhecimento e libertação. No workshop, após um profundo relaxamento guiado, os participantes foram convidados a acessar a argila de olhos fechados, um gesto simbólico de confiança e entrega. A proposta era permitir que a expressão interna conduzisse as mãos. O resultado revelou peças surpreendentemente belas, carregadas de identidade e emoção.
A experiência contou ainda com a parceria do Mestre Artesão Daniel de Lima, que integrou o artesanato em barro às práticas terapêuticas. Para ele, a arte é também um caminho de cura. Representando a Região dos Lagos do Rio de Janeiro no evento realizado em Brasília, Daniel levou sua tradição e sensibilidade ao encontro da proposta somática, transformando o barro em instrumento de arte-terapia.
A integração entre práticas corporais e argila mostrou que criar é mais do que produzir objetos, é moldar percepções, dissolver tensões e redescobrir a própria essência. O Workshop Filhos do Barro reafirmou que, ao tocar a terra, o ser humano recorda suas raízes e encontra novas possibilidades de florescer.
A expectativa de Monique é expandir o projeto, alcançando um público cada vez maior e fortalecendo caminhos para uma vida mais saudável, autêntica e consciente. Afinal, quando corpo e natureza se reconhecem como parte da mesma matéria, nasce uma transformação que vai além das mãos, e permanece na alma.
































































