O NORTE FLUMINENSE, Bom Jesus do Itabapoana (RJ)
Jornal fundado por Ésio Martins Bastos em 25 de dezembro de 1946 e dirigido por Luciano Augusto Bastos no período 2003-2011. E-mail: onortefluminense@hotmail.com
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Café Cesarino une Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana em símbolo de identidade regional
VÍDEO: Um piano em Roma, um coração em Bom Jesus
Anderson Nunes: um bonjesuense, um piano e o mundo
(Com informações de Alba Travassos)
O aeroporto estava vazio. Anderson Nunes aguardava o voo para o Rio de Janeiro quando encontrou, diante de um piano, uma maneira de encurtar a distância de casa.
Sentou-se e tocou Carinhoso, de Pixinguinha.
As primeiras notas se espalharam pelo espaço silencioso, dando àquela espera uma delicadeza inesperada. No meio de partidas e chegadas, onde tantas pessoas costumam passar apressadas, um bonjesuense oferecia à noite romana um pouco da alma brasileira.
Anderson Nunes, irmão de Anselmo Nunes, rosalense da Lira 14 de Julho, neto dos saudosos Francisco Nunes e Amélia Rezende Nunes, dava seu recado com a eloquência das mãos. O talento encontrava nas teclas seu caminho, e a música parecia saber, melhor que qualquer mapa, como nos levar de volta aos lugares que amamos.
Era como se Bom Jesus do Itabapoana e Rosal estivessem ali.
Podíamos imaginar nossas ruas chegando devagar àquele aeroporto, as montanhas de Rosal se desenhando além das vidraças, as lembranças das bandas e de suas melodias ocupando o silêncio. A cada frase musical, a terra natal parecia ganhar presença. Roma ficava mais perto de Bom Jesus; o Brasil inteiro cabia ao redor daquele piano.
Existem melodias que nos acompanham como pessoas queridas. Basta ouvi-las para reconhecer alguma coisa de nós: uma saudade antiga, um rosto amado, a ternura que nem sempre conseguimos dizer. Carinhoso tem esse dom. Sua beleza atravessa os anos e continua encontrando, em cada coração, um lugar onde pousar.
Nas mãos de Anderson, a canção ganhava a emoção daquele instante: um brasileiro longe de casa, um voo ainda por chegar, um piano disponível e tanto sentimento para repartir.
Mesmo num aeroporto vazio, havia companhia. Estavam ali, na memória de quem tocava e na emoção de quem o ouvisse, os afetos que nenhuma viagem deixa para trás.
Tinha que ser bonjesuense, com todo esse talento!
A exclamação nasce desse orgulho bom de reconhecer alguém da nossa terra levando beleza ao mundo. Anderson tocava, e nós, daqui, podíamos sentir que também participávamos daquele momento. Um pouco de nossa história vibrava nas cordas do piano; um pouco de nossa saudade encontrava voz.
Depois, chegaria a hora do embarque. Anderson seguiria para o Rio de Janeiro. Mas é bonito imaginar que alguma coisa ficou naquele aeroporto: a última nota demorando no silêncio, o eco de uma melodia brasileira, a delicadeza de um encontro que ninguém havia marcado.
Por alguns minutos, enquanto as mãos de Anderson percorriam as teclas, Bom Jesus e Rosal estiveram em Roma.
E o caminho de volta para casa começou antes mesmo de o avião levantar voo.
Mestre Daniel de Lima e André, do Kafé Kintal: um encontro entre arte e sabor
Existe um modo de segurar uma xícara que já anuncia o acolhimento. Um gesto pequeno, delicado, capaz de nos convidar a ficar, conversar e descobrir a beleza de um encontro.
Na quarta-feira passada, a Casa da Cultura de Rio das Ostras viveu um desses momentos que merecem permanecer na memória. Era o encerramento do primeiro mês de aulas de cerâmica com o Mestre Artesão Daniel de Lima, que conduz duas turmas, uma pela manhã e outra à tarde.
Durante aquele mês, mãos se aproximaram do barro para aprender uma linguagem antiga. No meio de tentativas, descobertas e formas que surgiam aos poucos, os alunos puderam experimentar a alegria de criar. Cada peça começava com um movimento, uma escolha, um cuidado. E aquilo que antes era apenas uma porção de argila passava a guardar a marca de alguém.
O barro ensina a respeitar o tempo.
É preciso tocá-lo, perceber sua resistência, compreender seus limites. Há momentos de insistir e momentos de suavizar as mãos. Nesse aprendizado, também vamos descobrindo algo sobre nós: a paciência que ainda podemos cultivar, a coragem de recomeçar, a satisfação de ver uma ideia adquirir forma.
Para celebrar esse primeiro mês, esteve presente André Gonzaga de Oliveira, proprietário do Kafé Kintal, que levou seus produtos para os alunos, numa parceria com o Mestre Daniel de Lima. Kafé Kintal é um projeto que une a excelência do café artesanal com a arte do barro, a cultura local e vivências terapêuticas. O encontro ganhou, assim, o encanto de uma mesa preparada com atenção.
Na fotografia que ilustra a abertura da matéria, André segura uma pequena xícara branca e dirige a ela um olhar cuidadoso. Ao redor, outras xícaras aguardam sobre seus pires. Os pacotes de café, os pequenos copos e a toalha com desenhos de folhas e frutos compõem um convite silencioso à convivência.
Diante daquela cena, é bonito pensar na proximidade entre a cerâmica e o café.
A terra participa de ambos. De um lado, oferece o barro que as mãos transformam; de outro, sustenta a planta que dará seus frutos. Há trabalho, espera e conhecimento em cada caminho. Até que, sobre uma mesa, esses caminhos se encontram: uma xícara recebe o café, e alguém a oferece a outra pessoa.
Quantas histórias podem começar assim!
O aroma do café tem o dom de abrir portas dentro da memória. Faz voltar uma cozinha antiga, a água aquecendo no fogão, uma voz querida perguntando se queremos mais um pouco. Lembra o pão repartido, a cadeira puxada para perto, a conversa que se prolongava porque ninguém desejava ir embora.
Na Casa da Cultura, esse sentimento de acolhimento acompanhou a celebração do aprendizado. Podemos imaginar a alegria de conversar sobre as primeiras experiências com a argila, recordar uma dificuldade vencida, compartilhar a expectativa pela próxima peça. O café oferecia uma pausa para saborear também o que havia sido construído juntos.
Há uma beleza particular nesses encontros: o trabalho de um artesão se aproxima do trabalho de outro, e a comunidade recebe os frutos dessa parceria. Daniel de Lima partilha seu saber. André leva seus produtos. Os alunos trazem curiosidade, dedicação e a disposição de aprender. Cada presença acrescenta alguma coisa à mesa.
E essa história já prepara seus próximos capítulos. As inscrições para as novas turmas estão abertas, com grande procura. Outras mãos chegarão ao barro, outras ideias começarão a nascer, outras pessoas descobrirão a alegria de criar na Casa da Cultura de Rio das Ostras.
Talvez algumas cheguem acreditando que vão aprender apenas a modelar uma peça. E encontrem, ao longo das aulas, uma amizade, uma confiança renovada, um tempo precioso para si mesmas.
Enquanto isso, fica a lembrança daquela quarta-feira: o primeiro mês celebrado, o cuidado do mestre, a presença generosa de André e as xícaras reunidas sobre a mesa.
No meio do barro e do café, o carinho ganhou forma. E havia lugar para todos.
Sou do bem sempre voltado para a paz, prosperidade e felicidade, por Rogério Loureiro Xavier
*Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.*
*Sou do bem sempre voltado para a paz, prosperidade e felicidade.*
*"Sou Arte e Alma de um Poeta Sonhador."*
*Boas Lembranças, Muitas Histórias!*
*"Se é prazeroso, tô dentro... Recordar lindos momentos é viver glorificado... Eu Adoro Viver!"*
*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*
UniFAMESC e Monte Líbano: um encontro entre memória e esperança
Cine Monte Líbano: as chaves do passado abrem as portas do amanhã
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| Gino Martins Borges Bastos, o prefeito Paulo Sérgio Cyrillo e o dr. Carlos Henrique, sócio-proprietário da UniFAMESC |
Quando o libanês Merhige Hanna Saad inaugurou o Cine Monte Líbano, em 14 de agosto de 1950, talvez não pudesse imaginar a extensão do sonho que entregava a Bom Jesus do Itabapoana.
Naquela noite inaugural, enquanto as luzes se apagavam e o clarão do projetor atravessava a sala escura, começava uma história de amor entre um povo e a cultura. Uma história feita de filmes, espetáculos, músicas, encontros, namoros, aplausos e sonhos.
Merhige talvez não imaginasse que, 76 anos depois, seu nome voltaria a iluminar uma conversa sobre o futuro do edifício que construiu. E que, no dia 30 de setembro de 2026, a esperança de devolver vida àquele espaço reuniria, no gabinete do prefeito, o sócio-proprietário da UniFAMESC, dr. Carlos Henrique Medeiros de Souza, o prefeito Paulo Sérgio Cyrillo e o memorialista Gino Martins Borges Bastos.
Nesse mesmo dia, o dr. Carlos Henrique havia recebido as chaves do antigo Cine Monte Líbano, marcando o início de um novo capítulo na história desse patrimônio cultural de Bom Jesus do Itabapoana. Não eram apenas chaves de metal. Eram chaves do tempo: de uma porta fechada havia 37 anos, mas que jamais se fechara inteiramente na memória dos bonjesuenses.
Ao recebê-las, ele acolhia também uma história feita de muitas gerações. Naquelas chaves parecia permanecer um pouco do rumor da antiga plateia, do brilho da tela, do movimento das cortinas, dos passos apressados antes das sessões e da emoção de quem, pela primeira vez, via o mundo chegar a Bom Jesus por meio da luz do cinema.
Gentilmente convidado pelo prefeito Paulo Sérgio Cyrillo, Gino Martins Borges Bastos foi apresentado ao dr. Carlos Henrique e ouviu, com profunda alegria, alguns dos projetos idealizados para o velho cinema.
A conversa foi pautada pela esperança, pela alegria e, sobretudo, pela fé no amanhã. Fé de que a cultura voltará a fazer morada no Cine Monte Líbano, de maneira ainda mais vibrante, transformando aquele histórico edifício em um farol para Bom Jesus do Itabapoana e toda a região.
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| Merhige Hanna Saad e Alzira Sauma |
Gino aproveitou a oportunidade para apresentar algumas sugestões. Propôs a instalação de uma galeria de arte, com uma exposição permanente especialmente dedicada à história do prédio, à trajetória de Merhige Hanna Saad e à contribuição da comunidade libanesa e da UniFAMESC para o desenvolvimento do município.
Sugeriu também um espaço destinado ao extraordinário acervo da saudosa musicista Dona Nina, onde pudessem ser realizados recitais de piano e apresentações de outros instrumentos. Assim, sua memória permaneceria viva tanto nos objetos preservados quanto na música que continuaria a emocionar novas gerações.
Outra proposta foi a cessão de um espaço para acolher o tradicional grupo Amantes da Arte, expressão tão querida da alma bonjesuense. Gino sugeriu, ainda, um calendário anual de festivais de música, teatro, cinema, dança, poesia e jazz, aberto também a outras manifestações artísticas que encontrassem ali um lugar para frutificar.
Enquanto os projetos e as sugestões eram apresentados, parecia possível enxergar, por alguns instantes, o futuro chegando: as portas novamente abertas, as cadeiras ocupadas, o palco iluminado e o silêncio interrompido pela música, pela palavra dos poetas, pelas vozes dos atores e pelos aplausos de uma cidade reencontrando uma parte preciosa de sua história.
A esperança daquela reunião lembrava os antigos canhões de luz que iluminavam o céu durante a Festa de Agosto, no tempo em que Roberto Silveira governava o Estado do Rio de Janeiro. Seus poderosos feixes rompiam a escuridão e alcançavam grandes distâncias, como se anunciassem aos moradores das cidades vizinhas que Bom Jesus estava em festa.
Assim também poderá ser o novo Cine Monte Líbano: um facho luminoso atravessando a noite, chamando para perto aqueles que acreditam na força transformadora da cultura.
Existem luzes que iluminam o espaço. Outras iluminam também o tempo.
A luz daquele antigo projetor continua acesa na memória.
Um templo construído para os sonhos
Inaugurado com capacidade para cerca de mil pessoas, o Cine Monte Líbano constituiu um extraordinário marco arquitetônico para Bom Jesus do Itabapoana. À época, estimou-se que sua construção exigira o expressivo investimento de três milhões de cruzeiros.
Era uma obra de rara imponência para uma cidade do interior, comparável, em beleza e qualidade, aos grandes espaços culturais dos centros urbanos.
Por seu palco passaram importantes nomes do teatro e da música brasileira. Por sua plateia passaram sucessivas gerações de bonjesuenses.
Ali houve encontros e despedidas. Houve mãos que se tocaram discretamente no escuro, amores que começaram diante da tela, crianças que descobriram novos mundos e adultos que, durante algumas horas, puderam esquecer as dificuldades da vida.
Ali houve aplausos. Ali houve sonhos.
Por trás daquele majestoso edifício, havia também uma história de trabalho e pertencimento: a presença libanesa na construção de Bom Jesus do Itabapoana.
Ao erguer o Monte Líbano, Merhige Hanna Saad inscreveu na paisagem urbana uma página da imigração libanesa e de sua contribuição para o desenvolvimento econômico, social e cultural do município.
O próprio nome escolhido para o cinema atravessou as décadas como uma declaração de afeto à terra de origem: Monte Líbano.
Era como se, no coração do Vale do Itabapoana, uma montanha distante do Oriente tivesse encontrado uma nova pátria sem precisar esquecer a primeira.
Essa talvez seja uma das características mais belas da imigração. O imigrante pode amar profundamente a terra que o recebe e conservar, com igual ternura, a terra de onde veio. À nova pátria, oferece aquilo que trouxe na memória e nas mãos: costumes, coragem, perseverança, capacidade de trabalho e esperança.
O Cine Monte Líbano fechou suas portas em 1989. Desde então, transcorreram 37 anos.
Durante esse longo período, o velho cinema permaneceu como um gigante silencioso no centro da cidade. Quem passava diante dele talvez enxergasse somente um prédio fechado. A memória, porém, enxergava muito mais.
Enxergava Merhige Hanna Saad e os imigrantes libaneses que chegaram trazendo sotaques, costumes e sonhos. Enxergava comerciantes, famílias e descendentes cujas trajetórias se misturaram à formação do povo bonjesuense.
Enxergava as multidões que atravessaram aquelas portas, os artistas que pisaram naquele palco, os casais que ali se conheceram e as crianças que, com os olhos maravilhados, descobriram que a imaginação podia levá-las para muito além das montanhas que cercam Bom Jesus.
O cinema permaneceu fechado, mas nunca esteve verdadeiramente vazio. Dentro dele continuaram habitando todas essas lembranças.
As chaves de um novo tempo
Por isso, a chegada da UniFAMESC ao Cine Monte Líbano possui um significado que ultrapassa a recuperação física do imóvel. Representa um encontro entre o desenvolvimento e a memória.
Uma cidade cresce também quando reconhece o valor de suas raízes e encontra meios de preservá-las na vida cotidiana de seus habitantes. Recuperar um espaço como esse é permitir que a história continue a participar do presente.
É motivo de imenso regozijo perceber que o desenvolvimento educacional e econômico proporcionado pela UniFAMESC poderá caminhar, agora, ao lado da preservação histórica e do fortalecimento cultural.
Há uma profunda beleza nesse encontro: uma instituição dedicada à educação assumindo o compromisso de devolver vida a um antigo templo da cultura.
Onde a luz do projetor atravessava a escuridão para iluminar a tela, poderão acender-se novamente as luzes do conhecimento, da música, do teatro, da literatura, das artes e da convivência.
Onde houve silêncio, haverá vozes
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| Um dos prédios da UniFAMESC recebeu o nome de Paulo Sérgio Cyrillo, pai, em homenagem ao apoio que prestou à instalação da instituição em Bom Jesus do Itabapoana |
Onde se depositou a poeira do tempo, haverá passos.
Onde a saudade permaneceu sentada, solitária, haverá novamente uma plateia inteira.
Nesse caminho, destaca-se também a atuação do prefeito Paulo Sérgio Cyrillo, que segue os passos de seu pai, Paulo Sérgio do Canto Cyrillo, levando a cultura aos diferentes cantos de Bom Jesus do Itabapoana. Existem heranças que se revelam na continuidade dos ideais, no cuidado com a história e na disposição de servir à comunidade.
Na reunião de 30 de setembro, a memória encontrou lugar à mesa e ajudou a orientar os sonhos para o futuro.
Será preciso tempo e trabalho para transformar os projetos em realidade. Haverá caminhos a percorrer, dificuldades a vencer e inúmeros detalhes a resolver. Mas muitas realizações começam assim: com pessoas reunidas, dispostas a dar forma a uma esperança compartilhada.
Naquela noite, essa esperança ganhou palavras, propostas e, sobretudo, mãos dispostas a conduzi-la.
E o coração de Bom Jesus começou a pressentir que o Cine Monte Líbano poderá despertar de seu longo silêncio.
O aplauso que atravessará as gerações
Quem sabe, quando suas portas se abrirem novamente, Merhige Hanna Saad esteja simbolicamente presente no saguão, no palco e na alegria da plateia.
Sua presença poderá ser reconhecida na continuidade de sua obra, no cuidado dedicado ao edifício e nas pessoas que voltarão a encontrar ali um lugar para a arte e o convívio.
Talvez, invisível aos olhos, ele caminhe pelo saguão, contemple as luzes acesas e perceba que seu sonho atravessou o tempo. Repousou durante muitos anos, guardado na memória da cidade, até encontrar novas mãos, novas vozes e novos corações.
A UniFAMESC estará ajudando Bom Jesus do Itabapoana a reencontrar uma parte preciosa de sua alma. Entre aquelas paredes, ainda parecem ecoar os passos de tantas gerações, o murmúrio das conversas antes da sessão, os risos, os aplausos e o silêncio emocionado de quem descobria, diante de uma tela, que a vida podia ser maior do que o horizonte conhecido.
Existem lugares que guardam a nossa juventude mesmo depois que envelhecemos. O Cine Monte Líbano é um deles. Em sua penumbra, ficaram encontros, sonhos e saudades que o tempo não conseguiu apagar. A esperança de vê-lo novamente acolher a cidade faz nascer uma alegria terna: imaginar que nossos filhos e netos também terão suas próprias lembranças para guardar ali.
Que os projetos encontrem caminhos. Que as portas se abram para a música, o teatro, o cinema, a literatura e os encontros que dão sentido à vida de uma cidade. Que o Monte Líbano volte a iluminar a região e a reunir, sob o mesmo teto, a emoção de quem recorda e o encantamento de quem chega pela primeira vez.
Quando suas luzes voltarem a acender, talvez alguém pare diante da entrada, recorde uma sessão da infância e sinta os olhos marejarem. Depois, verá uma criança atravessar a mesma porta, segurando a mão de quem a trouxe.
Nesse instante, a saudade terá encontrado companhia.
E Bom Jesus poderá reconhecer, no brilho daquele olhar novo, o amanhã que tanto esperou.



























