quinta-feira, 27 de agosto de 2026

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16 de novembro: a Matriz de torna Santuário


16 de novembro de 2026 será uma das datas destinadas à eternidade. Às 19 horas, os sinos da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus não anunciarão apenas o início de uma celebração: anunciarão que uma página nova e luminosa estará sendo escrita na história religiosa de Bom Jesus do Itabapoana.

Nessa noite, a igreja que tantas gerações aprenderam a chamar simplesmente de Matriz será solenemente elevada e instalada como Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus e Santa Rita de Cássia. A Santa Missa Solene será presidida por Dom Roberto Francisco Ferrería Paz, Bispo Diocesano de Campos, transformando aquele momento em marco espiritual para toda a comunidade.

E haverá algo profundamente comovente nessa transformação: o templo será o mesmo, mas sua missão será ainda maior.

Continuarão ali as paredes que ouviram incontáveis Ave-Marias; o altar diante do qual famílias agradeceram e suplicaram; os bancos que acolheram gerações; as torres que aprenderam a conversar com o céu de Bom Jesus. Contudo, a partir daquela noite, aquele espaço de fé assumirá também, oficialmente, a vocação de Santuário, casa de peregrinação, acolhimento, oração e encontro com Deus.

Há nisso uma belíssima continuidade histórica. A majestosa igreja carrega em sua arquitetura e em sua memória a presença de gerações que construíram não somente paredes, torres e altares, mas uma identidade espiritual. Entre essas figuras resplandece o inesquecível Padre Antônio Francisco de Mello, sacerdote açoriano cuja trajetória se confundiu profundamente com a própria história bonjesuense. A ele está ligada uma parte fundamental da transformação arquitetônica da Matriz que atravessou o tempo e chegou até nossos dias.

Nessa noite de novembro, a História estará invisivelmente sentada nos primeiros bancos.

Ali estarão, na memória, os sacerdotes que passaram pela paróquia; os homens e mulheres que ajudaram a construir e conservar o templo; as mães que levaram seus filhos para o batismo; os noivos que caminharam até o altar; aqueles que acenderam velas em momentos de aflição; aqueles que chegaram chorando e partiram fortalecidos; aqueles que já não estão entre nós, mas deixaram suas preces impregnadas na alma daquela igreja.

E estarão presentes, sobretudo, Senhor Bom Jesus e Santa Rita de Cássia, devoções que agora se unem também no nome oficial do Santuário.

É bonito imaginar que, enquanto os sinos ecoarem pela cidade nessa noite, haverá algo maior acontecendo. Cada badalada parecerá atravessar décadas e chamar os antigos bonjesuenses para participarem, espiritualmente, da solenidade. Será como se passado e presente se encontrassem diante do mesmo altar para entregar o futuro nas mãos de Deus.

A Matriz não deixará de ser a casa afetiva dos bonjesuenses. Ao contrário: tornar-se Santuário será ampliar essa casa. Suas portas estarão ainda mais simbolicamente abertas ao peregrino que chega cansado, ao enfermo que procura esperança, à mãe que pede pelo filho, ao filho que agradece pela mãe, ao homem que busca respostas e àquele que deseja apenas alguns minutos de silêncio diante do sagrado.

Nessa noite, Bom Jesus do Itabapoana poderá olhar para suas torres com um sentimento diferente.

Uma cidade também é feita de seus lugares sagrados.

Lugares onde os homens constroem paredes, mas onde a fé constrói eternidades.

16 de novembro de 2026, às 19 horas.

Quando os sinos começarem a tocar, não estarão anunciando apenas uma Missa.

Estarão anunciando à cidade e às gerações futuras que a velha e amada Matriz atravessou mais uma porta da História, e tornou-se Santuário.

Minha Cidade

 

Wilma Martins Teixeira Coutinho 


São Sebastião do Alto

Minha cidade natal

Escondidinha entre 

montanhas 

É uma  cidade floral 


Vi a luz através da serra

Onde o pôr do sol se põe 

Por isso amo a natureza 

No crepúsculo ela compõe 


Uma canção de ninar

No dia trinta e um de maio

Nascia Wilma Martins

Causando até um desmaio 


Nasci no meio da Serra

Porisso amo a altura

Ver a lua se pondo linda

Da janela a vista segura 


São Sebastião do Alto

Minha cidade natal 

Não esqueço de você 

Foi um nascimento legal 


Meus pais deixaram a cidade

Porque ele foi transferido 

Representante da justiça

Araruama foi o destino deferido 


Depois de seis anos 

Foi para a Comarca do além

Deixando essa filha sofrendo 

A saudade que o coração retém 

REFLEXÂO E/OU LIÇÃO, por Rogério Loureiro Xavier


 Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.


*REFLEXÂO E/OU LIÇÃO*


Lutamos para conquistar tantas coisas nesta vida, mas, no fim da caminhada nada de material segue conosco.


O que levamos é a paz na consciência, o amor que espalhamos, a fé que nos sustentou e o bem que fizemos pelo caminho.


Valorize mais as pessoas do que as coisas, pois é isso que verdadeiramente tem valor.


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

O dia em que Yelmo Papa posou com a História

 

Magnus Carlsen e Yelmo Papa: um encontro eternizado pelo xadrez  



Foi em 2014, durante a Festa da Uva, em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, que o enxadrista Yelmo Papa esteve ao lado de Magnus Carlsen, então já campeão mundial de xadrez. Os dois aparecem próximos, descontraídos, sorridentes, como se aquela fosse apenas mais uma fotografia entre amigos do tabuleiro. Mas o tempo passou, e tratou de conferir à imagem uma dimensão muito maior. A fotografia registrou a História.

Magnus não era apenas um grande mestre em visita ao Brasil. Era o homem que, no ano anterior, havia conquistado a coroa mundial e que se consolidaria como um dos maiores enxadristas de todos os tempos. À sua volta já existia aquela atmosfera reservada às personalidades que ultrapassam as fronteiras de sua própria atividade. Carlsen transformava o xadrez em fenômeno mundial, aproximando gerações e levando o antigo jogo dos reis para uma nova era.

E ali estava Yelmo Papa.

Esse é o encanto da fotografia. Não há solenidade, palco ou protocolo. Há dois homens diante da câmera, unidos por uma linguagem silenciosa que atravessa países e gerações: o xadrez. Um tabuleiro não aparece na imagem, mas está simbolicamente em toda parte. Está na história de ambos, no encontro proporcionado pelo esporte e na memória que aquela tarde deixaria.

Há ainda uma curiosa cumplicidade brasileira na cena. Magnus veste a camisa do Real Madrid; Yelmo, a do Fluminense, com o escudo da Seleção Brasileira ao peito. Futebol e xadrez parecem se encontrar por alguns segundos, como se duas grandes paixões populares resolvessem posar juntas para a posteridade.

Hoje, olhar para essa fotografia é olhar para muito mais do que um encontro ocorrido na Festa da Uva de 2014. É contemplar um pequeno documento da história do xadrez. Quanto mais os anos passam, maior parece ser o seu valor, porque algumas fotografias envelhecem enquanto outras amadurecem.

Esta amadureceu.

Para Yelmo, ela possui algo de troféu sem taça, de medalha sem metal, de diploma que não precisa de assinatura. É o testemunho silencioso de uma trajetória vivida perto do xadrez e de suas grandes personalidades.

Daqui a muitas décadas alguém encontrará novamente esta imagem e perguntará onde e quando ela foi feita. A resposta estará guardada na memória: Caxias do Sul, Rio Grande do Sul. Festa da Uva. 2014.

Mas haverá uma resposta ainda mais bonita, que nenhuma legenda conseguirá explicar completamente: nesse dia, por alguns segundos, Yelmo Papa esteve ao lado de Magnus Carlsen, e a fotografia transformou o instante em eternidade.

Pais São Arcos, Filhos São Flechas: a Antiga Sabedoria do poeta libanês Khalil Gibran

 


Há quase um século, Khalil Gibran escreveu palavras que continuam chegando ao presente como quem bate suavemente à porta de nossas certezas: “Seus filhos não são seus filhos. São os filhos e filhas da ânsia da Vida por si mesma.”

É uma dessas frases que o tempo não envelhece. Ao contrário: quanto mais os anos passam, mais ela parece encontrar novos significados. E talvez nunca tenha sido tão necessária quanto agora, numa época em que amar os filhos pode facilmente se confundir com vigiar cada passo, conhecer cada conversa, acompanhar cada localização e transformar o celular numa espécie de janela permanentemente aberta para uma vida que também precisa aprender a ter suas próprias cortinas.

Gibran escreveu sobre filhos em O Profeta, publicado em 1923. E sua imagem é belíssima: os pais são como arcos, e os filhos, flechas vivas lançadas em direção ao futuro. O arco sustenta, oferece força, dá direção inicial. Mas chega inevitavelmente o instante em que precisa permitir que a flecha voe.

Aí está uma das formas mais difíceis do amor.

Porque proteger é instintivo. Soltar exige coragem.

Os pais conhecem os perigos do mundo porque já caminharam por ele. Viram portas se fecharem, conheceram decepções, sofreram perdas, aprenderam que nem toda mão estendida traz amizade. Por isso desejam poupar os filhos das pedras nas quais um dia tropeçaram.

Mas há uma verdade delicada: ninguém aprende inteiramente a caminhar usando os passos de outra pessoa.

É preciso permitir pequenos erros. É necessário respeitar silêncios. Há conversas que pertencem aos filhos, amizades que precisam amadurecer longe dos olhos paternos, escolhas que somente ganharão significado quando forem feitas em liberdade.

Antes de abrir escondido o celular de um filho, talvez valha a pena abrir Gibran.

Não porque os pais devam abandonar o dever de orientar, proteger e estabelecer limites, sobretudo quando há riscos concretos. Cuidar continua sendo uma das mais profundas expressões do amor. Mas existe uma fronteira quase invisível entre proteção e invasão, entre acompanhar e controlar, entre estar presente e impedir que o outro construa seu próprio território.

Filhos precisam saber que existe uma casa para onde voltar. Precisam sentir que há braços capazes de acolhê-los quando o mundo doer. Mas também precisam descobrir que possuem asas.

A grande missão dos pais não é construir muros ao redor dos filhos, mas ensinar-lhes a reconhecer precipícios.

Não retirar todas as pedras do caminho, mas ajudá-los a aprender onde colocar os pés.

Não impedir todas as quedas, mas permanecer suficientemente perto para que saibam que poderão levantar.

Chega um momento em que o amor precisa trocar a mão que segura pela presença que acompanha.

E então compreendemos Gibran.

Os filhos passam por nós, recebem nosso nome, nossas histórias, nossos conselhos e parte de nossos sonhos. Sentam-se à nossa mesa, dormem sob nosso teto e durante algum tempo cabem inteiros dentro de nossos braços.

Até que crescem.

E o abraço que antes protegia precisa aprender a não aprisionar.

A mais bela vitória dos pais acontece naquele instante doloroso e sublime em que percebem que seus filhos já conseguem caminhar sozinhos.

Criamos raízes para que eles saibam de onde vieram.

E lhes damos asas para que descubram até onde podem chegar.