sábado, 28 de março de 2026

Bom Jesus revive herança açoriana: O Pão do Padre



Em Bom Jesus do Itabapoana, onde a memória atravessa gerações e se mistura aos aromas da cozinha, uma tradição de raízes açorianas ressurge como elo entre passado e presente. Tudo começou em 18 de junho de 1899, com a chegada do Padre Antônio Francisco de Mello, trazendo consigo não apenas fé, mas também costumes que ajudariam a moldar a identidade local.

Ao lado dele, sua irmã, Maria Júlia de Mello, e a açoriana Dona Cândida transformavam farinha, água e afeto em um pão caseiro de sabor inesquecível. Preparado com dedicação, o alimento era vendido diariamente às três da tarde, e sua renda ajudava a erguer as paredes e os sonhos da Igreja Matriz. Assim nascia uma tradição simples, mas carregada de significado: o “Pão do Padre”.

Mais do que uma iguaria, o pão tornou-se símbolo de união e devoção, perpetuando-se na memória afetiva da cidade. A tradição será mantida no próximo dia 25 de abril, à tarde, na Casa dos Açores do Espírito Santo, em Apiacá, quando o Grupo Imperial Português de Conceição do Castelo visitará o município. O evento ocorre dentro da programação do Mês de Padre Mello.

A tradição açoriana, que um dia floresceu em Bom Jesus do Itabapoana, atravessa agora as margens do tempo e do rio para renascer na vizinha Apiacá, onde encontra novo chão, mas carrega a mesma alma.

INCLUSÃO: da norma jurídica à prática educacional

 



Convite: Reinauguração do C. E. Alcinda Lopes Pereira Pinto

 



O Açoriano Padre Mello e o Soneto Francês "Prière": Erudição em Versos



Em 1901, no meio do silêncio das rotinas paroquiais e o fervor da palavra escrita, o açoriano Padre Antônio Francisco de Mello, um gênio da civilização e da cultura, revela uma faceta rara de sua sensibilidade ao compor, em francês, o soneto “Prière”,  uma oração que transcende o rito e se transforma em poesia.

Mais do que um exercício de erudição, o texto é um gesto de afeto. Dedicado à jovem Maria Thérèse d’Azevedo Mattos, por ocasião de seu nascimento, o poema se inscreve no delicado território onde fé, linguagem e memória se entrelaçam.

A escolha do francês, idioma da elegância literária à época,  reforça o refinamento cultural do pároco açoriano, ao mesmo tempo em que eleva a homenagem a um plano quase atemporal.

Maria Teresa era filha de Manoel Antônio de Azevedo Mattos, português nascido na Ilha da Madeira, figura presente na história local ao integrar a primeira intendência de Bom Jesus em 25 de dezembro de 1890, data que marca a primeira emancipação do município. Assim, o poema não apenas celebra uma vida que se iniciava, mas também ecoa as raízes de uma família ligada à formação política e social da região.

O documento, hoje, ganha ainda mais relevância por sua natureza efêmera. Trata-se de um exemplar de ephemera, aqueles frágeis registros em papel, criados para momentos específicos e que, por sua própria condição transitória, raramente sobrevivem ao tempo. Justamente por isso, quando preservados, tornam-se relíquias.

No meio de versos e história, “Prière” resiste como uma peça singular: ao mesmo tempo expressão artística, testemunho afetivo e precioso fragmento genealógico. Um pequeno papel que atravessou o tempo para nos lembrar que, às vezes, a eternidade se esconde nas coisas mais delicadas.

Tradução 

Oração

À Srta. Maria Thérèse d’Azevedo Mattos, no dia de seu nascimento

Olha com teus belos olhos este anjinho tão belo,

contempla sua beleza e seu ar de inocência.

O que diz ele, ó minha filha, no dia do teu nascimento?


- Que o Autor da vida é Deus que está no Céu.

​É Deus quem dá o ser a toda a Natureza,

quem faz a borboleta, o lírio do campo,

o rio majestoso que corta a montanha

e o pequeno riacho que languesce, que murmura.


​É Deus quem no Céu, antes que a matéria,

criou para sempre os Anjos cheios de graça,

o mesmo que desde então criou nossa raça,

e a mulher é um Anjo, um Paraíso a terra.


​Mas é preciso que sempre sua alma se revista

da graça angelical e das nobres virtudes.

Eis o encantamento de Deus e dos eleitos,

e eis minha Oração em meio à Festa.


16 — 10 — 1901

Padre Mello




sexta-feira, 27 de março de 2026

Vídeo: Fios e memória: a homenagem de Rita Côgo, descendente de italianos, ao açoriano Padre Mello



Com fios e memórias, Rita de Cassia Côgo tece mais do que uma peça artesanal: constrói um elo sensível entre arte, história e pertencimento. Em suas mãos, o crochê ganha vida na delicada técnica do amigurumi personalizado, revelando traços que dialogam com o real,  inspirados em pessoas, animais e objetos, e, sobretudo, com a memória coletiva.

Desta vez, a criação ganha contornos de reverência. O boneco que representa o Padre Mello surge como símbolo de afeto e reconhecimento, uma caricatura feita com cuidado minucioso e intenção poética. Não se trata apenas de uma obra, mas de um gesto: uma homenagem silenciosa que fala alto sobre a importância de figura que moldou a identidade cultural de Bom Jesus do Itabapoana e Varre-Sai.

A peça será levada ao Simpósio Intermunicipal entre Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana como contribuição artística e memorial. É ali, no meio de debates e lembranças, que o pequeno boneco de 33 cm se torna grande, carregando consigo histórias, raízes e a permanência de um legado.

Artesã e escritora, Rita transforma linha em narrativa e ponto em memória. Sua criação, simples na forma e profunda no significado, reafirma o poder da arte como instrumento de homenagem e continuidade cultural.
@ateliepagilinhas

📞 28 99939-7406








Simpósio Literário entre Varre-Sai e Bom Jesus já alcança dimensão interestadual, por Isabel Menezes

 


“Tudo vale a pena se a alma não é pequena.”  (Fernando Pessoa)

Encerrando o mês da poesia, fica uma reflexão: a grandeza da alma é o que dá sentido às nossas conquistas. Para Fernando Pessoa, a alma se torna grande quando nos entregamos por inteiro aos nossos ideais e sonhos. Nessa entrega, até os sacrifícios mais difíceis se transformam em passos necessários do nosso caminho. Viver plenamente exige coragem para enfrentar o desconhecido com mente aberta e coração disposto.

Por isso embarquei nessa ideia do 1° Simpósio Literário Intermunicipal Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana, que já está ganhando proporções interestaduais. Um movimento que reúne pessoas, histórias e talentos de diferentes lugares, mostrando que a literatura continua sendo uma ponte capaz de unir, inspirar e transformar. 

Envelhecer, por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


*"Envelhecer"*


Às vezes, não são os anos que fazem alguém envelhecer, mas sim o peso das tristezas guardadas no coração...


São as decepções, as perdas, os silêncios não compreendidos que vão, pouco a pouco, roubando o brilho do olhar e cansando a alma antes do tempo. 


Porque envelhecer de verdade não está nas marcas do rosto, mas nas marcas que a vida deixa por dentro. 


*"✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*