quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

A homenagem a Florbela Espanca, Sublime Voz da Literatura Portuguesa

"Tenho em mim todos os sonhos do mundo” (Florbela Espanca)


No silêncio delicado da tarde, quando a luz parece pousar como rendilha sobre os ombros da cidade, ergue-se a memória viva de Florbela Espanca, uma das mais elevadas vozes da Literatura Portuguesa, chama intensa que ardeu em verso e fez da palavra um espelho da alma.

Florbela não escreveu apenas poemas; escreveu confidências. Deu voz à alma feminina quando o mundo ainda lhe pedia silêncio. Transformou dor em beleza, saudade em música, desejo em eternidade. Nos seus sonetos, o amor é febre e vertigem; a solidão, um jardim crepuscular; e o sentir, sempre profundo, transbordante, quase indomável.

É sob essa atmosfera lírica que o Grupo Florbeliano, dedicado ao estudo e à divulgação de sua obra, convida todos os amantes da poesia para um encontro especial, um tributo à poeta que eternizou sentimentos em verso e fez do coração matéria literária.

O encontro realizar-se-á no Consulado Geral de Portugal, no Rio de Janeiro, espaço de cultura e identidade, onde a palavra portuguesa encontra abrigo e ressonância.

📜 26 de fevereiro

🕰 Das 14h30 às 17h

Que seja uma tarde de partilha, de leitura e de redescoberta,  como se, por instantes, a própria Florbela nos sussurrasse ao ouvido seus versos inquietos e eternos.

Porque há poetas que passam.

E há aquelas que permanecem, vivas, intensas, necessárias.


Os 213 Anos da Chegada dos Açorianos ao Espírito Santo e a Nomeação dos Embaixadores da Açorianidade pela CAES







Sob o céu morno e chuvoso de fevereiro, a memória atravessou o Atlântico e ancorou novamente em solo capixaba. No dia 24 de fevereiro de 2026, a Casa dos Açores do Espírito Santo celebrou os 213 anos da chegada dos imigrantes açorianos em Viana, no Espírito Santo, e não foi apenas uma data, mas um reencontro com as próprias raízes.

Era terça-feira, às 19 horas, quando o salão se encheu de vozes, cumprimentos e sobrenomes que carregam mares no som. A homenagem aos açordescendentes concedeu o título de Embaixadores da Açorianidade ao Dr. Pedro Antônio de Souza, a Eraldo Salotto de Rezende e ao Dr. Gino M. Borges Bastos, nomes que agora se entrelaçam oficialmente à história que ajudam a preservar.

A saudação aos novos Embaixadores, conduzida por Maria Dolores Pimentel, foi magnífica. Não apenas pelas palavras escolhidas, mas pelo sentimento que percorreu o ambiente. Escritora de São José do Calçado, terra de montanhas e tradições no sul capixaba, Maria Dolores levou ao púlpito mais que protocolo: levou literatura viva. Poetisa, escritora e historiadora, tem o dom de enxergar história onde muitos veem apenas datas. Sua saudação foi página aberta e verso falado, ponte entre São José do Calçado e as ilhas açorianas, unidas pelo fio invisível da cultura e da palavra.

Os novos Embaixadores agradeceram a homenagem e assumiram o compromisso de serem guardiões da açorianidade. Em momento de grande emoção, o Dr. Pedro Antônio de Souza tomou a palavra e, com a voz embargada, abriu uma janela para a própria infância. Recordou que, ainda menino, ouvira de sua mãe a revelação singela e decisiva: suas origens eram açorianas. A informação, então, foi como semente lançada ao solo da inocência. Jamais imaginaria que, na maturidade, integraria uma entidade dedicada justamente à preservação dessa herança.

E completou, com simplicidade profunda:

— É em memória de minha mãe que também estou aqui.

A frase pairou no ambiente como prece. Não era apenas declaração; era reencontro. Como se o passado tivesse atravessado o tempo para ocupar uma cadeira no salão. Compreendeu-se, então, que a açorianidade vive sobretudo na memória afetiva que une mães e filhos, gerações e destinos. Em seguida, declamou uma linda poesia da poetisa são-pedrense Maria Antonieta Tatagiba.

Presente ao memorável evento esteve Francisco Amaro, açoriano da Ilha Terceira, poeta, escritor, memorialista, cantor e compositor, apaixonado por tudo o que vem dos Açores. Pediu licença para ler palavras em homenagem aos 213 anos da chegada dos açorianos em Viana, no Espírito Santo, emocionando dois importantes nomes da cultura açoriana: João Vieira Jerônimo, reconhecido na Ilha de São Miguel como grande incentivador dos valores culturais daquela ilha onde nasceu o Padre Antônio Francisco de Mello; e a poetisa Maria Francisca Bettencourt, fundadora do Grupo da Canção Regional Terceirense, na Ilha Terceira.

Cumprimentou ainda os novos Embaixadores da Açorianidade e reconheceu a atuação do Dr. Nino Moreira Seródio, presidente da Casa dos Açores do Espírito Santo, e de sua esposa, Dra. Samira, pelo esforço e dedicação na condução da instituição.

Em seguida, apresentou uma canção. A música chegou como bruma suave. Ao violão, interpretou “Ilhas de Bruma”, e cada acorde pareceu redesenhar paisagens açorianas na imaginação dos presentes, falésias, vento salgado e o infinito azul que separa e une continentes. Em seu olhar percebia-se que a música não era apenas som, mas território. Cada nota encontrava eco em sua travessia interior, como se as ilhas fossem destino inscrito na alma.

A noite também foi de conhecimento. Foi lembrada a professora Fabiene Passamani, que apresentou sua tese de doutorado em História Social pela Universidade Federal do Espírito Santo, intitulada Dos Açores ao povoamento da Colônia de Santo Agostinho  - Viana/ES. A pesquisa revelou nuances políticas e sociais da presença açoriana na formação de Viana, reafirmando que identidade não é apenas herança: é construção contínua.

Em seguida, a “Viagem Musical” foi conduzida por José Antônio Borges Alvarenga, vice-presidente da Casa e cantor consagrado. Generoso em sua arte, possui repertório vasto, como oceano onde cada canção é ilha e cada verso, porto seguro. Sua origem açoriana transparece nos gestos: numa das mãos, a taça de vinho português erguida em brinde à memória dos antepassados; na outra, o microfone firme, transformando lembrança em canto. Sua voz, naquela noite, não apenas ecoou - navegou.

Na dedicada função de secretária, Maria Cristina Borges exerce papel essencial na engrenagem silenciosa que sustenta a instituição. Com organização e sensibilidade, transforma rotinas administrativas em alicerces firmes para que a cultura açoriana floresça.

À frente da Casa está o Dr. Nino Moreira Seródio, cuja presença serena traduz compromisso com a preservação da memória açoriana em terras capixabas. Sob sua presidência, a instituição é porto de identidade, espaço onde tradições encontram continuidade e onde o passado dialoga com o presente.

O evento reuniu diversas personalidades, entre elas o consagrado historiador capixaba Gerson França, presente a convite do Dr. Antônio Pedro de Souza. 

Na ocasião, também foram comemorados os quatro anos de fundação da Casa dos Açores do Espírito Santo, com o tradicional bolo e o canto de “Parabéns”.

TV Alcance, sob a direção de Isac Nascimento, realizou mais uma expressiva cobertura do evento, registrando os principais momentos da solenidade e contribuindo para a divulgação da cultura açoriana no Espírito Santo.

No meio de cumprimentos e memórias compartilhadas, percebia-se que aquela celebração não era apenas institucional, mas profundamente afetiva. A açorianidade ali celebrada não é apenas lembrança do que foi, é permanência, é identidade, é mar que continua a tocar a terra capixaba.
 








 










































 









terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Os 66 anos de falecimento de GAUTHIER PONTES FIGUEIREDO


No dia 25 de fevereiro de 1960, falecia tragicamente  o inesquecível prefeito Gauthier Figueiredo em acidente aéreo.
(Do livro "Resgatando o Passado", de Helton de Oliveira Almeida e João Batista Ferreira Borges)

Dr José Andrade e O Norte Fluminense: uma ponte viva entre os Açores e Bom Jesus

Dr José Andrade receberá a voz impressa de O Norte Fluminense



Em breve, o Dr. José Andrade, Diretor Regional das Comunidades do Governo dos Açores, receberá, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, a edição física do jornal O Norte Fluminense, enviada de nosso município como quem envia uma carta escrita à mão, selada de memória e pertencimento.

O jornal deixará o vale do Rio Itabapoana, em Bom Jesus do Itabapoana, e cruzará o Atlântico, levando consigo o cheiro da terra quente e a voz de um povo que aprendeu a viver entre montanhas e rio. Partirá das margens serenas do interior fluminense para alcançar a ilha do basalto e da névoa, onde o verde se debruça sobre falésias e o oceano dita o ritmo do tempo.

Haverá, nesse gesto, uma travessia que é mais do que geográfica, é histórica. Assim como o açoriano Padre Antônio Francisco de Mello deixou os Açores e aportou em Bom Jesus do Itabapoana em 18 de junho de 1899, trazendo consigo textos, poesias e dignidade, agora, 126 anos depois, é Bom Jesus quem devolve aos Açores palavras impressas. Palavras que narram a realidade da nossa açorianidade, preservada no sotaque, na fé, nas tradições e na memória afetiva de um povo.

Nas páginas que o Dr. José Andrade abrirá estarão a notícia da posse da nova diretoria da Casa dos Açores do Espírito Santo, o nascimento da Tuna Açoriana da Casa dos Açores do Rio de Janeiro, e o registro da presença do jornal O Norte Fluminense e da TV Alcance no Rio de Janeiro, cobrindo aquele que já se inscreve como um momento histórico da cultura luso-brasileira.

Ali também estará a história de um e-mail enviado pelo carioca José Dativo Marques Moutinho, que passou a conhecer o jornal por meio da tradicional Banca do Rodolfo, ponto de encontro de leitores no bairro da Tijuca. Foi graças ao olhar atento do amigo açoriano Francisco Amaro Borba Gonçalves, que identificou traços de açorianidade nas páginas do periódico, que exemplares começaram a circular na banca. Desde então, ergueram-se pontes invisíveis entre Bom Jesus e o Rio de Janeiro, pontes feitas de papel, tinta e identidade.

O Diretor Regional também percorrerá a trajetória dos 79 anos de O Norte Fluminense, jornal que resgata a história de nossa açorianidade e registra a vida da comunidade bonjesuense e regional com a responsabilidade de quem sabe que cada edição é um fragmento de memória coletiva.

O exemplar que segue para os Açores viaja como uma carta antiga, enviada ao querido Padre Mello, não apenas ao homem que um dia atravessou o oceano, mas ao símbolo de uma herança que permanece viva. 

Se ele trouxe palavras que ajudaram a edificar dignidade de Bom Jesus e do Brasil, agora devolvemos palavras que testemunham que suas sementes floresceram.








Patrícia Mello e o Ateliê Criactum: onde a arte floresce em jardim criativo

 


O Ponto de Cultura Criactum, em Brasília, é mais do que um espaço: é território de acolhimento. Um lugar onde a saúde mental e emocional encontra abrigo na arte, na escuta e na delicadeza dos processos humanos. Ali, cada pessoa é respeitada em seu tempo e ritmo próprios, como criatura viva em permanente construção.

No meio de tintas, tecidos, palavras e melodias, o Criactum valoriza as artes e as produções artesanais não apenas como expressão estética, mas como instrumentos terapêuticos, caminhos de equilíbrio e transformação. É um território onde a afetividade é linguagem e a criatividade, cura.

À frente dessa proposta está Patrícia Mello, artista, escritora, educadora, contadora de histórias, musicista e artesã. Defensora do poder da arte como ferramenta de escuta e reconexão interior, Patrícia construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a sensibilidade e a formação humana.

Sua jornada começou ainda jovem, em Brasília, onde foi aluna de Hugo Rodas no curso de artes cênicas, em 1980. Estudou ballet clássico com Lúcia Toller e piano com Neusa França, ampliando desde cedo seu repertório artístico.

Ao longo dos anos, desenvolveu atividades teatrais em unidades do CEU, em São Paulo, aprofundou-se no estudo da flauta transversal em Nova Friburgo e dedicou-se à arte da contação de histórias com bonecos, experiência que a conduziu naturalmente à literatura infantojuvenil.

Patrícia trabalhou com crianças e jovens em comunidades e escolas, sempre guiada pela convicção de que a arte é ponte para o autoconhecimento e para a construção de vínculos.

Em 2020, retornou à sua cidade natal, Brasília, assumindo a condução do ateliê Vivo Criactum. Desde então, escreve livros, cria jogos educativos, desenvolve oficinas criativas e promove experiências poéticas em escolas e eventos culturais. Atua também como professora de musicalização infantil em escola montessoriana, mantendo viva a integração entre educação e sensibilidade.

Autora de cinco livros infantis, Patrícia Mello segue semeando histórias, sons e afetos,  fazendo do Criactum um espaço onde a arte respira, acolhe e transforma.