sábado, 14 de fevereiro de 2026

COISAS QUE APRENDEMOS TARDE DEMAIS NA VIDA, por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


*"COISAS QUE APRENDEMOS TARDE DEMAIS NA VIDA."*


. Que silêncio também é resposta. 

. Que não precisamos agradar todo mundo. 

. Que descanso não precisa ser merecido, precisa ser permitido. 

. Que paz vale mais do que estar em evidência. 

. Que recomeçar não é fracasso, é sabedoria. 

. Que comparação só rouba energia. 

. Que amor-próprio não é egoísmo. 

. Que menos é, de fato, mais. 

. Que não precisamos dar explicações para quem não nos entende. 

Que felicidade mora em coisas simples. 

. Que a vida não se mede pelo que temos, mas pelo que sentimos. 

. Que o comum pode ser extraordinário, se olhado com calma. 


*"✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*

Memória: A Rivalidade Saudável entre o Colégio Zélia Gisner e o Colégio Rio Branco na Festa de Agosto

 Com informações de Ana Carolina Boechat 


Arquivo do Espaço Cultural Luciano Bastos 

Esta é uma bela recordação de um tempo em que o asfalto de Bom Jesus do Itabapoana se transformava em um palco de sonhos e rivalidade sadia. Com base no relato fascinante e na memória de Ana Carolina Boechat, foi possível capturar essa atmosfera de sol, orgulho e nostalgia. 

​Ouro sobre Branco: O Agosto Infinito de Bom Jesus

​Houve um tempo em que o sol de 14 de agosto não apenas queimava; ele iluminava o que Bom Jesus tinha de mais precioso. Naquela época, o civismo era apenas o pretexto, a moldura para algo muito maior: o espetáculo. Era o dia em que a poeira da rotina dava lugar ao brilho das alegorias, e a cidade inteira se debruçava sobre a calçada para ver a vida passar em forma de desfile.

​No Colégio Zélia Gisner, a mágica tinha nome e sobrenome: Dr. Hélio Bastos Borges. Com mãos de artista e olhar de mestre, ele transformava o ordinário em fantástico. Disciplina acadêmica e sensibilidade artistuca. Sob sua regência, Jeeps emprestados, humildes veículos do dia a dia, perdiam sua natureza bruta para se tornarem pedestais de luxo. Cada carro alegórico era um triunfo da criatividade sobre o recurso, montado pelo suor e pelo entusiasmo dos alunos que, sob o olhar zeloso e orgulhoso do Dr. Hélio, davam forma às ideias do mestre.

​Quem não se lembra do pelotão de elite? Não eram soldados, eram as mentes brilhantes da escola. Cruzar a rua com a faixa azul e dourado era carregar o peso do primeiro lugar; o rosa e o branco, igualmente entrelaçados no ouro, ostentavam o mérito de quem sabia que estudar era, também, um ato de gala.

​Mas a festa só era completa porque havia o outro lado da moeda. O Colégio Rio Branco surgia no horizonte da rua como o espelho necessário. A rivalidade entre o Zélia e o Rio Branco não era de guerra, era de beleza. Disputada ponto a ponto, nota a nota das bandas que faziam o chão tremer sob os pés das balizas e porta-bandeiras. O bonjesuense, expectador fiel, era o único e verdadeiro juiz que vencia sempre, banhado por aquela explosão de cores.

​E nos bastidores, antes do primeiro toque do tambor, havia a guerra silenciosa e amorosa das mães. O uniforme não podia ser apenas limpo; tinha que ser impecavelmente branco. Era um rito de passagem: os tênis, clareados com Alfaiate, reluziam sob o sol causticante, desafiando qualquer grão de poeira a pousar ali.

​Hoje, os desfiles mudaram de tom, mas na memória de quem viveu, o 14 de agosto permanece congelado naquela imagem: o som da banda se aproximando, o cheiro de tênis novo e o orgulho de ver Dr. Hélio sorrindo para suas criações. Bom Jesus era, por algumas horas, o centro do universo. E nós, vestidos de branco e dourado, éramos os donos do mundo.





sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Quando o fascismo voltar, não dirá ‘sou o fascismo’. Dirá: ‘sou a liberdade.’

 



Um encontro para ficar na memória: Simpósio Intermunicipal Varre-Sai & Bom Jesus do Itabapoana

 

No dia 16 de abril, entre 8h e 15h, o histórico Seminário de Varre-Sai abrirá suas portas com um silêncio bonito, com cheiro de café passado em casa antiga. Não reunirá apenas pessoas: mas histórias. O Simpósio Intermunicipal Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana, celebrado no Mês de Padre Mello, será ponte entre gerações.

Gente chegando devagar, cumprimentos demorados, mãos que não se conheciam. Cada rosto carregará um pedaço de cidade, um pedaço de memória. Haverá professores, estudantes, artistas, curiosos e autoridades, todos com a mesma sensação: a de que aprender também é uma forma de abraçar.

As falas não serão apenas discursos. Serão  testemunhos. Palavras que atravessarão gerações como quem atravessa uma estrada de terra: com cuidado, respeito e afeto. E quando a Academia Bonjesuense Infantojuvenil de Artes e Letras marcar presença, o tempo parecerá rejuvenescer. Juventude e tradição dividirão o mesmo banco, o mesmo ar, a mesma escuta.

No meio de uma reflexão e outra, surgirão risos espontâneos, quase infantis, lembrando que cultura não é peso: é encontro. E encontro será sempre casa provisória onde todos cabem.

Ao final da tarde, ninguém sairá igual ao que entrou. Levarão consigo algo invisível: uma lembrança recém-criada. Dessas que não cabem em fotografia, mas permanecerão no jeito de falar do dia, no brilho do olhar ao contar para alguém:

- Eu estive lá.

Porque certos acontecimentos não terminarão às 15h.

Eles continuarão dentro da gente.




"Carnaval em Pleno Vapor!", por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


*" Carnaval em Pleno Vapor! "*


Neste Carnaval:


Quem é de samba, samba.

Quem é de viajar, viaja. 

Quem é de descansar, descansa.

Importante é não interferir no desejo do outro. 


*" CARNAVAL "*


"Carnaval é um festival do cristianismo ocidental que ocorre antes da estação litúrgica da Quaresma.  Os principais eventos ocorrem tipicamente durante fevereiro ou início de março, durante o período historicamente conhecido como Tempo da Septuagésima (ou pré-quaresma). O Carnaval normalmente envolve uma festa pública e/ou desfile, combinando alguns elementos circenses, máscaras e uma festa pública de rua. As pessoas usam trajes durante muitas dessas celebrações, permitindo-lhes perder a sua individualidade cotidiana e experimentar um sentido elevado de unidade social."


*"No "Carnaval", a previsão do tempo é: chuva de confete, sol de alegria e 100% de chances de diversão."*


*"✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier "*

As Sentinelas de Rio Preto: Dinah, Maria da Penha e o Resgate de Ana Maria Silveira


​O Riso e o Verso: As Guardiãs da Silveirada

Dinah Silveira 

Maria da Penha Silveira 

Esta crônica celebra o olhar da memorialista da família Silveira, Ana Maria Silveira, que, ao resgatar a história de suas tias, permite que o Memorial do Sítio Rio Preto palpite com a vida daquelas que foram o alicerce afetivo da "Silveirada".

​No Sítio Rio Preto, onde o vento ainda sopra histórias entre os cafezais de Calheiros, a memória não é feita apenas de decretos e palanques. Graças ao fio condutor de Ana Maria Silveira, a história da família ganha contornos de seda e vozes femininas. Se os homens Silveira ocuparam o mapa político do Brasil, foram as mulheres, como Dinah e Maria da Penha,  que desenharam o mapa do coração dessa estirpe.

​Dinah: A Poesia em Movimento

​Nascida sob o olhar de Boanerges e da amada Biluca, Dinah carregava o Sítio Rio Preto na alma, mesmo quando a vida a levou para os balcões dos Correios em Niterói ou para o rigor da vida ao lado de um General. Mas em Dinah, o uniforme cedia lugar ao verso.

​Ela era a mestre de cerimônias da alma. Quando a família se reunia, aquele coletivo barulhento e vibrante que ela batizou de "Silveirada",  Dinah subia ao palco do afeto. Declamava a vida como quem reza, sabendo que a política passa, mas a rima permanece. Era dela a sentença que virou hino:

"Quando junta a Silveirada, há política e gargalhada."

​Maria da Penha: O Mensageiro da Estrela

​Também vinda do solo sagrado de Bom Jesus do Itabapoana, Maria da Penha trilhou caminhos semelhantes. Do colégio de freiras em Campos à labuta nos Correios, sua vida foi uma entrega ao outro. Casada com Geraldo Medina Rangel, ela multiplicou o sobrenome Silveira em novos ramos, Altamiro, Antônio e Geraldo Jr.,  garantindo que a árvore continuasse a dar frutos e netos.

​Maria da Penha era a antítese do conflito. Se os irmãos debatiam o destino do Rio de Janeiro ou do Paraná, ela geria o destino da harmonia. Era a portadora das boas novas, a ponte que ligava os parentes distantes, o abraço que esperava na porta. Uma presença agregadora que lembrava a todos que, no fim do dia, o que sustenta um sobrenome é a doçura com que ele é pronunciado.

​O Altar de Rio Preto

​No próximo dia 7 de agosto, quando o Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira completar dez anos, as paredes daquela casa não falarão apenas de grandes homens. Elas ecoarão o riso de Dinah e a suavidade de Maria da Penha.

​Pelas mãos de Ana Maria, a memorialista que se recusa a deixar o tempo apagar o brilho dos olhos de suas antepassadas, Dinah e Maria da Penha voltam para casa. Elas retornam ao Sítio Rio Preto para lembrar que a "Silveirada" é, antes de tudo, uma celebração da vida, onde a política e a gargalhada caminham, finalmente, de mãos dadas.

Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira, Sítio Rio Preto, Calheiros, Bom Jesus do Itabapoana  


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

A guardiã das cinzas e das brasas da família Silveira


Onde a Saudade Vira História


A essência de Ana Maria Silveira no exercício de sua missão

Há quem diga que o tempo é um rio que tudo apaga, mas para Ana Maria Silveira, o tempo é um solo de semeadura. Ao assumir o papel de memorialista da família, Ana não apenas organiza datas ou nomes em uma árvore genealógica; ela sopra o pó dos retratos e devolve o pulso a quem já partiu. É através de seu olhar que a história dos Silveira deixa de ser um registro frio de poder e política para se tornar um abraço de continuidade.

​A Menina que Observava o Vento

​Nas entrelinhas de suas memórias, Ana Maria nos conduz de volta a Resende e, depois, à efervescência da Rua Lopes Trovão. Ela escreve com a precisão de quem herdou a clareza da mãe, Renée, e a sensibilidade do pai, Badger. Ser a memorialista desse clã é ser a ponte. É lembrar que, antes do Governador, existia o homem que fazia trovas de amor; que, antes da Primeira-Dama, existia a jovem que, sozinha, enfrentou uma multidão para salvar desconhecidos.

​O Inventário do Afeto

​Ana Maria não guarda apenas os grandes feitos. Seu talento como memorialista reside nos detalhes que humanizam o mito:

1.​ A presença silenciosa e fundamental de Vó Preta, a ama-de-leite que era o alicerce da casa;

2. ​O burburinho das madrugadas onde se decidia o destino do Estado entre um café e outro;

3. ​A risada de Renée e Badger, que faziam da vida uma dança constante, mesmo sob as nuvens cinzentas dos tempos difíceis.

​Ao narrar a trajetória de seus sete irmãos José Roberto Ferraiolo Silveira, Maria Luíza Ferraiolo Silveira, José Luiz Ferraiolo Silveira, Maria Cristina Silveira da Rocha, Badger Teixeira da Silveira Filho, José Fernando Ferraiolo Silveira e Maria Teresa Ferraiolo Silveira e a chegada dos netos e bisnetos, Ana Maria transformou a genealogia em poesia. Ela entende que a verdadeira herança da família Silveira não são os cargos ocupados ou os títulos recebidos, mas o "coração onde couberam todos".

​A Sentinela da Memória

​Escrever sobre os seus é, para Ana, um ato de justiça e de amor. Ela sabe que, enquanto houver alguém para contar a história daquela lancha no Ministério da Marinha ou das festas juninas casamenteiras no sítio, a essência de Badger e Renée permanecerá viva.

​Como memorialista, Ana Maria Silveira faz mais do que relatar o passado: ela garante que as futuras gerações, de Giuliana, Vitinho e Laura, de Matheus a Arthur e Flora, saibam de onde vêm. Ela lhes entrega uma bússola feita de coragem e doçura. Pois, no fim das contas, a memória é o único lugar onde o "para sempre" realmente existe.

Renée Braile Ferraiolo

Renée e Badger Silveira




Badger Silveira, Renés Ferraiolo Silveira e os filhos José Roberto, Ana Maria, Maria Luiza e José Luis (gêmeos), Maria Cristina, Badger, José Fernando e Maria Tereza. Foto de 1962

Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira em Bom Jesus do Itabapoana: um espaço de memória e história, inaugurado em 07/08/2016