segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Quirguistão parabeniza Karpov!

 


"A Federação de Xadrez da República do Quirguistão parabeniza o 12º campeão mundial, Anatoly Evguenievitch Karpov, pelo seu aniversário!

Prezado Anatoly Evguenievitch!

Receba nossas mais calorosas e sinceras felicitações por ocasião de seu aniversário!

Sua ampla atuação construtiva, seu trabalho abnegado em prol do desenvolvimento do xadrez, sua enorme contribuição para o fortalecimento da paz e da amizade entre os povos e sua frutífera atuação internacional e social conquistaram o merecido respeito tanto em sua pátria quanto muito além de suas fronteiras.

Permita-nos expressar nossa especial gratidão e nosso reconhecimento pelo apoio e pela ajuda que o senhor oferece à Federação de Xadrez da República do Quirguistão!

Desejamos, de todo o coração, muita saúde, felicidade, energia inesgotável e sucesso em tudo!"

A cássia que aprendeu a rezar

 

Na Praça Governador Portela, em Bom Jesus do Itabapoana, há uma oração que floresce.

Diante do Santuário do Senhor Bom Jesus, a cássia amarela ergue seus ramos em direção ao céu. Suas flores acompanham o movimento das torres e parecem buscar, lá no alto, a proximidade de Cristo. Sob o céu nublado, aquele amarelo guarda uma claridade que alcança os olhos de quem passa.

As torres sobem pela vontade dos homens que as construíram. A árvore cresce no ritmo silencioso da natureza. Entre elas, há uma delicada harmonia: a arquitetura e os galhos, os sinos e as pétalas, tudo voltado para o alto. Quem contempla a cena sente o próprio olhar subir, deixando por um instante as pedras da calçada, as grades, as urgências do dia.

Lá em cima, a imagem de Cristo permanece sobre a cidade. Aos seus pés, a cácia oferece o que tem: flores pequenas, reunidas em cachos luminosos. Um vento leve atravessa os ramos, e a oferenda se move. Algumas pétalas se desprendem e descem devagar, levando ao chão um pouco daquele encontro.

Pensamos nas pessoas que atravessam a praça com suas preocupações. Nas que chegam ao Santuário trazendo um pedido que mal conseguem dizer. Pode ser que alguma delas encontre, nessa árvore florida, motivo para deter o passo. Talvez olhe para os ramos, depois para as torres, depois para Cristo, e respire com um pouco mais de calma.

Existem dias em que a esperança começa assim: no inesperado amarelo de uma flor.

A cássia continuará ali, entregue ao sol, à chuva e ao tempo de perder suas pétalas. Hoje, porém, está florida. Hoje, na Praça Governador Portela, seus ramos se levantam junto ao Santuário do Senhor Bom Jesus, e a cidade recebe essa beleza simples, aberta a todos.

Ao partir, levamos a impressão de que a árvore ainda procura alcançar o céu.

E de que o céu, por um instante, veio florescer em Bom Jesus.



Sindarov enfrenta Nakamura, Caruana e Praggnanandhaa no Clutch Chess 2026



O torneio Clutch Chess: Champions Showdown 2026 será realizado de 27 a 29 de outubro, no Saint Louis Chess Club.

Participarão da competição Javokhir Sindarov, Hikaru Nakamura, Fabiano Caruana e Praggnanandhaa.

O torneio reunirá quatro enxadristas. Cada participante enfrentará os outros três adversários duas vezes, com as peças brancas e pretas. Assim, cada jogador disputará seis partidas por dia, totalizando 18 partidas durante o torneio.

Todas as partidas terão controle de tempo de 10 minutos, com acréscimo de 5 segundos por lance.

Uma das particularidades do torneio é que a pontuação por vitória varia a cada dia:

27 de outubro: vitória - 1 ponto e US$ 1.000; empate -  ½ ponto.

28 de outubro: vitória - 2 pontos e US$ 2.000; empate - 1 ponto.

29 de outubro: vitória - 3 pontos e US$ 3.000; empate - 1 ponto.

A premiação total será de US$ 425 mil, com a seguinte distribuição por colocação:

1º lugar: US$ 125 mil.

2º lugar: US$ 94 mil.

3º lugar: US$ 72 mil.

4º lugar: US$ 62 mil.

As primeiras partidas começarão em 27 de outubro, às 22h. 

Esta competição tem importância especial para Javokhir Sindarov, pois será seu último torneio antes do confronto pelo Campeonato Mundial contra Gukesh D.



domingo, 25 de outubro de 2026

Ensinamentos..., por Rogério Loureiro Xavier

 


*"Olá 🖐 pessoa amiga e do bem."*


*Ensinamentos...*


*"A vida me ensinou a não lutar contra as decepções, mas sim, a enfrentá-las com fé, calma, coragem e uma gota de ousadia..."*


*"Deixa ir embora tudo o que torna a vida pesada. Abre espaço para o novo, para as oportunidades e se dê a chance de ser feliz todos os dias."*


 *✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

Maria Apparecida Dutra: uma vida que ensina o tempo a lembrar


Existem  pessoas cuja presença nos ajuda a compreender o lugar onde vivemos. Ao ouvi-las, uma rua recupera seus antigos passos, uma escola abre novamente as janelas, uma voz distante volta a ser escutada. Maria Apparecida Dutra possui esse dom: em suas lembranças, Bom Jesus do Itabapoana reencontra parte de si.

Celebrar seus 96 anos, no dia 9 de setembro, é percorrer uma história de dedicação ao ensino, amor aos livros e cuidado com a memória. É agradecer à professora que, ao longo de quatro décadas, ajudou gerações a descobrir o mundo e a encontrar seu próprio caminho dentro dele.

“Minha vida se confunde com a História de Bom Jesus”, declarou em entrevista ao jornal O Norte Fluminense, em 2012. E acrescentou, com a humildade que torna suas palavras ainda mais belas: “Se tenho algum mérito, devo aos meus antepassados e a inúmeras pessoas desta terra.”

Neta de Pedro Gonçalves da Silva, primeiro intendente de Bom Jesus do Itabapoana, Maria Apparecida recebeu uma herança que soube transformar em serviço. Dos pais, Alice e Antonio de Sousa Dutra, guardou os ensinamentos de dignidade e dedicação ao próximo. Na convivência familiar, aprendeu também que um livro pode acompanhar uma criança por toda a vida.

Nas férias da infância, Monteiro Lobato e Malba Tahan lhe abriam caminhos. No meio de páginas e descobertas, crescia a menina que, aos treze anos, já escrevia para A Voz do Estudante, publicação dos alunos do antigo Ginásio Rio Branco. Podemos imaginá-la diante do papel, procurando a palavra precisa, enquanto a cidade seguia lá fora, ainda sem saber quantas de suas lembranças encontrariam abrigo naquela jovem leitora.

O amor à palavra também se revelava no cuidado de seu pai com os registros de nossa história. Antonio de Sousa Dutra preservou exemplares do Itabapoana, jornal de 1906. Seu filho Pedro deu continuidade a essa guarda e, posteriormente, doou as preciosidades a Luciano Bastos. Hoje, no Museu da Imprensa do Espaço Cultural Luciano Bastos, essas páginas permitem que outras mãos e outros olhos se aproximem da cidade de outrora.

Há algo profundamente emicionante nesse percurso. Um pai guarda. Um filho conserva. Outra família recebe e compartilha. E assim, através de sucessivos gestos de cuidado, o tempo chega até nós com suas letras ainda legíveis.

Maria Apparecida fez trabalho semelhante com suas recordações. Em depoimento ao O Norte Fluminense, em 2015, trouxe Padre Mello para perto de nossos olhos: o sacerdote que a batizou, que lhe deu a primeira Eucaristia, que frequentava as reuniões do Grêmio Estudantil e incentivava os alunos do Colégio Rio Branco.

Em suas palavras, ele reaparece também na Farmácia Normal, conversando com Antonio Dutra e os amigos. Dois bancos confortáveis acolhiam os frequentadores; política e literatura alimentavam os encontros. A farmácia tinha remédios nas prateleiras e, entre uma conversa e outra, oferecia à cidade o prazer de pensar em companhia.

Dona Apparecida guardou até a voz do sacerdote. Décadas depois, ainda podia ouvi-lo em suas pregações: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus...”. Ao repartir essa lembrança, permitiu que também nós nos aproximássemos daquela voz que o tempo já não nos deixava escutar.

Sua memória acolhe, ainda, as educadoras que marcaram sua formação. Ao recordar Adélia Bifano, conta a escolha de permanecer em Bom Jesus para amparar a irmã e o nascimento de uma escola com bancos feitos de tábuas cedidas pela família. É uma lembrança que revela também o olhar de quem a narra: Maria Apparecida reconhece a grandeza presente nos começos modestos, na renúncia silenciosa, no esforço de ensinar com aquilo que se tem.

Foi com essa sensibilidade que formou seus alunos. Sua bondade e sua mansidão deixaram marcas que os anos de escola não encerram. Há ensinamentos que reaparecem muito depois, quando um antigo aluno precisa agir com justiça, acolher alguém ou recomeçar. Nessas horas, uma professora continua presente, mesmo longe da sala de aula.

Neste aniversário, o Jornal O Norte Fluminense se une aos que receberam sua amizade, seus ensinamentos e suas preciosas contribuições à história bonjesuense.

Que a vida lhe ofereça o carinho que ajudou a espalhar. Que haja serenidade em seus dias, mãos afetuosas junto às suas e a alegria de saber que tanto do que ensinou continua florescendo.

Parabéns, Dona Apparecida! Bom Jesus tem muito a lhe agradecer. Ao abrir o livro de suas lembranças, a senhora nos oferece um lugar à sua mesa, e a cidade inteira se senta para ouvir.