domingo, 24 de maio de 2026

Oitis: as Árvores que Guardam Histórias de Bom Jesus



Em Bom Jesus do Itabapoana houve um tempo em que mãos anônimas plantaram pequenas mudas de oiti ao longo das calçadas, talvez sem imaginar a eternidade silenciosa que estavam semeando. Eram frágeis hastes verdes diante do sol forte, quase invisíveis na pressa dos dias. Hoje, porém, essas árvores erguem copas largas sobre as ruas, oferecendo sombra, frescor e memória.

Os oitis, árvores nativas do Brasil, cresceram junto com a cidade. Viram crianças correndo para a escola, namoros nas esquinas, procissões, bicicletas antigas, tardes de verão e o lento caminhar dos idosos que ainda se lembram de quando aquelas árvores cabiam na palma da mão. Cada tronco guarda uma história que não foi escrita em livros, mas permanece viva na paisagem cotidiana.

Ao passarmos por certas ruas, reconhecemos não apenas árvores, mas testemunhas do tempo. Suas sombras desenham o passado sobre o chão quente das calçadas, como se a cidade conversasse consigo mesma através das folhas que balançam ao vento.

O oiti tornou-se mais do que árvore: virou referência afetiva, abrigo de memórias e sinal de permanência. Em cada copa que se desponta, existe um elo invisível entre quem plantou ontem e quem caminha hoje. E talvez seja essa a mais bela vocação das árvores antigas: ensinar que o tempo também floresce.

209ª festa do Divino Espírito Santo em Viana: Hino Alva Pomba é tocado pela 1⁰ vez na procissão do Divino Espírito Santo

 Por Dr Nino Moreira Seródio





Ao som da Lira Operária Bonjesuense, ocorreu, pela manhã, a alvorada nas imediações da Matriz Nossa Senhora da Conceição, fundada pelos açorianos. A obra da igreja foi iniciada em 1815 e concluída em 1817, período em que também teve início a primeira Festa do Divino Espírito Santo.

A celebração contou com a presença do bispo Dom Ângelo, que presidiu a missa. Na oportunidade, foi realizada a leitura da mensagem encaminhada pelo Governo dos Açores, enaltecendo o projeto de lei que instituiu o Dia Municipal do Imigrante Açoriano e a valorização da cultura açoriana, aprovado pela Câmara Municipal e sancionado pelo prefeito.

A Casa dos Açores esteve presente com uma comitiva formada por Nino Seródio, Samira Seródio, Maria Dolores Pimentel, Antônia Aparecida Abreu, Luciana Abreu da Fonseca e o Maestro Pedro Poubel.

A diretoria da CAES doou um monumento do Divino Espírito Santo e uma placa alusiva à celebração do Hino “Alva Pomba”. Na ocasião, o pároco Zaelton da Costa afirmou que o monumento do Divino Espírito Santo passará a integrar o acervo da Matriz Nossa Senhora da Conceição e fará parte das relíquias conduzidas na procissão do próximo ano, durante as comemorações dos 210 anos da Festa do Divino.

Após a missa, a Lira Operária Bonjesuense se apresentou no palco montado para o evento, sob a regência do maestro Nilo.




 






















Título de Cidadão Bonjesuense ao açoriano Francisco Amaro Borba Gonçalves celebra seu legado à Cultura

Francisco Amaro Borba Gonçalves entra para a história de Bom Jesus do Itabapoana 


O açoriano Francisco Amaro ao lado do busto do também açoriano Padre Antônio Francisco de Mello, em frente à Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus: um encontro simbólico entre histórias, fé e raízes que unem cultura e tradição


Dizem que quem nasce cercado por mar carrega o infinito nos olhos e uma saudade que antecede a própria partida. Quando o açoriano traz na bagagem o dom da palavra e o compasso do canto, a sua sina não é apenas cruzar oceanos, mas semear o seu cais interior onde quer que a vida decida ancorá-lo.

​Francisco Amaro Borba Gonçalves sabe bem disso. Há uma linha invisível, mas profundamente sentida, que une os caminhos da alma. Ao devotar seu amor e seu talento a Bom Jesus do Itabapoana, ele não caminha sozinho; segue os passos luminosos de outro ilustre Francisco, também filho das ilhas de bruma, que no passado fez desta terra o seu altar de fé e poesia. É o mistério do nome e da origem que se repete, como se o Vale do Itabapoana tivesse um magnetismo secreto para os corações açorianos.

​Mas Francisco Amaro não é apenas um herdeiro dessa tradição; ele é um criador de pontes. Multiplica-se em muitas vozes para cantar uma única paixão.

​Como intelectual e memorialista, ele resgata o "tesouro histórico", debruçando-se sobre o passado para que o presente não se perca na poeira do tempo. Ele sabe que a identidade de um povo é um estandarte belo que precisa ser visto e compreendido. Como escritor e poeta, maneja o soneto com a precisão de quem lapida um cristal, invocando Camões e as navegações não para falar de distâncias geométricas, mas da vastidão do espírito humano.

​E então, onde a palavra escrita parece alcançar o seu limite, brota o compositor e o cantor. A crônica da história se transforma em melodia. Quando ele canta que "no Brasil, terra sul-Americana / s’apaixonou por Bom Jesus do Itabapoana", a música deixa de ser apenas uma sucessão de notas e passa a ser um ato de transplante vital. As tradições açorianas, o culto aos Dons do Divino, o fervor da missão paroquiana que ecoou por Bom Jesus e Varre-Sai, tudo isso cria raízes profundas no solo fluminense.

​Esse amor devotado e essa entrega profunda não passaram despercebidos pela terra que o acolheu. Em um gesto de merecido reconhecimento ao seu impacto cultural, intelectual e espiritual, o município de Bom Jesus do Itabapoana outorgou-lhe, com todas as honras e mérito, o título de Cidadão Bonjesuense. Uma honraria que apenas oficializou o que o seu coração já havia decretado: Francisco Amaro agora pertence, por direito e afeto, a este chão.

​A paixão de Francisco Amaro Borba Gonçalves por Bom Jesus é de uma beleza lírica rara. Ele olha para o Vale com os mesmos olhos com que se olha para a terra lusitana natal. Não há ruptura em sua alma, há continuidade. O sotaque das ilhas harmoniza-se perfeitamente com o murmúrio das águas do Itabapoana.

​Seu gênio é vitorioso justamente por isso: porque venceu a distância, venceu o esquecimento e transformou a própria vida em uma partitura de amor a uma terra que hoje o abraça orgulhosamente como um de seus filhos mais ilustres.

Segue sua poesia musicada em homenagem ao Mês de Padre Mello.


Vitorioso Gênio

Francisco Amaro Borba Gonçalves 

"Soneto a um tesouro histórico"

​Depois que bons cidadãos o pesquisaram,

Espalharam o seu nome e a grande arte;

Legado que em Bom Jesus, belo estandarte,

Fascínio de um “tesouro” que descobriram.

​Depois de o sabê-lo, o admiraram

A quem de tão longe veio a esta parte

Que a Camões há um um pouco comparar-te;

Gênio de muitos que se civilizaram

​Sem os tais acidentes da taprobana,

Por mares, por Cabral, ora navegados

Emigrou de sua terra açoriana

​Com os Dons do Divino sempre lembrados;

Páraco de uma Fé que em Deus se emana

Muito fez em Bom Jesus do Itabapoana.

​“No Brasil, terra sul-Americana

S’apaixonou por Bom Jesus do Itabapoana.

​Como se fosse em sua terra Lusitana

Se dedicou ao Vale do Itabapoana.

​Tradições de sua terra Açoriana

Enraizou na Região do Itabapoana.

​S’empenhou em sua Missão Paroquiana

Em Varre-Sai e em Bom Jesus do Itabapoana..”

Letra e música de autoria de Francisco Amaro Borba Gonçalves

Concluído em 14/04/2026

Acontece hoje a FESTA DO DIVINO EM VARRE- SAI: tradição, fé e alegria reunindo o povo em uma celebração que atravessa gerações

 

A tradicional Festa do Divino em Varre-Sai segue emocionando fiéis e mantendo viva uma das mais belas manifestações de fé e cultura popular da nossa região.

Hoje, às 8 horas da manhã, em frente à igreja de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, aconteceu a coroação do Imperador do Divino 2026, João Lucas Langer, ao lado da Imperatriz Camila.

À frente, os cavaleiros abriram caminho para o cortejo imperial que percorreu as ruas de Varre-Sai em clima de devoção e beleza. Ao centro da procissão, após a cruz processional, seguiram daminhas e cavalheiros, acompanhados de sete jovens representando os dons do Espírito Santo. Logo atrás, os crismandos, a tradicional Lira Santa Cecília, o pároco e os coroinhas deram ainda mais solenidade à celebração.

Encerrando o cortejo, o belo ostensório do Divino, entalhado em madeira, emocionou os presentes, seguido pelos alferes com suas bandeiras, que durante os 40 dias após a Páscoa percorreram os lares levando fé, bênçãos e tradição.

Que o Divino Espírito Santo ilumine hoje e sempre a cidade de Varre-Sai com sua luz e suas graças. As tradições seguem vivas no coração do povo varre-saiense, fortalecendo a fé, a cultura e a união de gerações.

(Isabel Menezes - Professora e historiadora)