quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Felicidade, por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


*Felicidade*


A felicidade é uma escolha. Você não precisa esperar que tudo esteja perfeito em sua vida, nem adiar a felicidade para quando perder peso, abandonar um vício ou atingir seus objetivos.

Você pode escolher ser feliz e aproveitar a vida! Quando isso acontece, você não apenas se sentirá melhor, mas sua fé fará com que Deus esteja sempre presente e faça maravilhas por você.

Para isso, você precisa aprender a viver o dia de hoje, um dia de cada vez. Deus nos dá a graça de viver o dia de hoje. Ele ainda não nos deu a graça do amanhã.

Aprenda a viver um dia de cada vez. Escolha desfrutar de uma vida melhor já. Aprecie sua família, seus amigos, sua saúde e seu trabalho.

A felicidade é uma decisão que se toma, não uma emoção que se sente. Deus nos dá sua paz interior, mas depende de nós obtermos a paz de Deus. A felicidade é uma escolha sua.


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

Dr. Nino Moreira Seródio: o gigante que transformou sonhos em eternidade

 

A obra de Dr. Nino Moreira Seródio já pertence ao tempo, e, por isso mesmo, perpetuar-se-á pela eternidade


 A obra dos gigantes não termina quando cessa o caminhar. Ela prossegue nos caminhos que abriram, nos sonhos que despertaram e na memória daqueles que aprenderam a contemplar o passado sem deixar de construir o futuro


Os Açores vivem dentro do Dr Nino



O Dr. Nino Moreira Seródio pertence à gama de homens que fazem o tempo se curvar diante da grandeza de seus sonhos. Ele não se limita a contemplar o horizonte, mas constrói caminhos sobre o mar para alcançar aquilo em que acredita.

Celebremos, portanto, o privilégio de tê-lo entre nós, conduzindo com altivez, dedicação e extraordinária disponibilidade os destinos da Casa dos Açores do Espírito Santo. Muitos apenas sonham, mas o Dr. Nino sonha e realiza. Seus projetos não permanecem na delicada região das intenções: ganham paredes, monumentos, documentos, encontros e raízes.

Recentemente, esteve em Santa Catarina para participar do IX Encontro Açore Brasil, onde ocorreu a fundação de uma nova sede da Casa dos Açores. Na ocasião, foi deliberada a criação da Rede Nacional das Casas dos Açores do Brasil, iniciativa destinada a unir, em uma só corrente de fraternidade, as instituições açorianas espalhadas pelo Brasil. Também atravessou o Atlântico para representar a CAES no próprio Arquipélago. Poucos teriam tamanha disposição para vencer distâncias, enfrentar compromissos e oferecer o próprio tempo em favor de uma causa coletiva.

Dr Nino carrega no peito o mapa invisível de um arquipélago. Não é um mapa desenhado em papel, mas tecido com memórias, nomes, datas e vozes que atravessaram o oceano. É paixão antiga, herança de sangue e chamado ancestral: são os Açores vivendo dentro dele.

Por diversas vezes, seus passos o conduziram às ilhas, como quem atende a uma convocação vinda das profundezas do tempo. Em São Miguel, encontrou o mar com sua cor de eternidade. Em Ponta Delgada, aproximou-se das lembranças do Padre Mello. Na histórica Povoação, terra ligada aos seus antepassados, encontrou muito mais que paisagens: reencontrou o fio invisível que unia sua existência presente às gerações passadas. Foi ali que obteve, com justo orgulho, a certidão de casamento de seu tetravô, resgatada das páginas amareladas da história.

Com a paciência dos que amam e o fervor próprio dos açorianos, Dr. Nino reconstruiu a árvore genealógica de sua família, folha por folha, nome por nome, alcançando o século XVIII. Cada documento encontrado era como uma luz acesa sobre um rosto esquecido; cada descoberta, uma vitória contra o silêncio do tempo.

Durante mais de dez anos, com recursos próprios, ergueu um sonho feito de pedra e memória. Mais tarde, com o apoio de diversos açordescendentes, aquele sonho tornou-se a sede da Casa dos Açores do Espírito Santo, inaugurada em 25 de julho de 2022, no distrito de José Carlos, em Apiacá. Mais que um edifício, nasceu ali um porto: um lugar onde os descendentes podem ancorar suas lembranças e reconhecer a própria identidade.

Na noite da fundação, a emoção ganhou ainda maior significado com a presença do Dr. José Andrade, Diretor Regional das Comunidades do Governo dos Açores. O reconhecimento à obra de Dr. Nino atravessaria novamente o Atlântico. Em 20 de maio de 2024, na cidade da Horta, ele recebeu a Insígnia Honorífica da Região Autónoma dos Açores, tornando-se o primeiro a conquistar tão elevada distinção.

Entretanto, a verdadeira dimensão de um homem revela-se não apenas nas honrarias que recebe, mas no destino que lhes oferece. Em 13 de agosto daquele mesmo ano, Dr. Nino entregou a insígnia à Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, guardiã dos restos mortais do Padre Antônio Francisco de Mello. Ao fazê-lo, não diminuiu a homenagem recebida: engrandeceu-a. Colocou o reconhecimento pessoal coletivo acima da glória pessoal e transformou uma condecoração em oferenda à memória.

Padre Mello, filho de camponeses e nascido na Ilha de São Miguel, chegou a Bom Jesus do Itabapoana em 18 de junho de 1899. Aqui se tornou um dos grandes construtores de nossa civilização e de nossa cultura. Entre tantos açorianos e descendentes que ajudaram a formar o Vale do Itabapoana, ele permanece como figura maior, sacerdote, educador, agrimensor, líder e semeador de futuros.

E foi também pelas mãos perseverantes de Dr. Nino que outro sonho ganhou corpo: o Monumento ao Imigrante Açoriano do Vale do Itabapoana, inaugurado na Praça Governador Portela durante a tradicional Festa de Agosto. Na pedra daquele monumento não repousa apenas uma homenagem. Ali estão simbolicamente gravados os nomes, as saudades, os sacrifícios e as esperanças daqueles que deixaram nove ilhas para ajudar a construir uma nova pátria neste lado do Atlântico.

O Dr. José Andrade afirmou, certa vez, que “o passado tem futuro”. Dr. Nino Moreira Seródio provou que o passado também possui mãos, mãos capazes de pesquisar, preservar, construir e reunir. Graças à sua obra, aquilo que poderia desaparecer no esquecimento tornou-se presença viva, pulsante, erguida em pedra, documentos, fraternidade e mar.

Curtamos, pois, este sonho lindo de tê-lo entre nós. Os homens passam, como passam as embarcações no horizonte; mas alguns deixam faróis. Dr. Nino já construiu o seu. E sempre que houver um açordescendente procurando suas raízes, uma criança perguntando a história daquele monumento ou uma voz pronunciando o nome do Padre Mello, sua luz continuará acesa.

A obra dos gigantes não termina quando cessa o caminhar. Ela prossegue nos caminhos que abriram, nos sonhos que despertaram e na memória daqueles que aprenderam a contemplar o passado sem deixar de construir o futuro. A obra de Dr. Nino Moreira Seródio já pertence ao tempo, e, por isso mesmo, perpetuar-se-á pela eternidade.

Carl Doy - Garota de Ipanema


 

Donny & Marieta Osmond


 

Sócrates teria sido bloqueado nas redes sociais

 

Pensar antes de ter certeza



Sócrates teve sorte de viver no século V antes de Cristo.

Se tivesse nascido em nosso tempo, provavelmente já teria sido bloqueado por metade dos amigos, expulso de alguns grupos de WhatsApp e acusado de ser inconveniente por fazer perguntas justamente quando todos estavam confortavelmente instalados em suas certezas.

Sócrates possuía um defeito gravíssimo para os padrões contemporâneos:

perguntava demais.

E pior: perguntava exatamente aquilo que ninguém queria responder.

Imagine a cena.

Alguém escreve:

- Isso é um absurdo! Todo mundo sabe!

Sócrates aparece:

- Quem é todo mundo?

Silêncio.

- Bem... todo mundo!

- Você perguntou a todos?

- Claro que não!

- Então como sabe que todos sabem?

Pronto.

Bloqueado.

O problema de Sócrates nunca foi possuir respostas demais. Era justamente o contrário. Enquanto muita gente caminhava por Atenas carregando toneladas de certezas, ele circulava com uma humilde pergunta debaixo do braço.

Era a famosa ironia socrática.

Diante daquele que se apresentava como proprietário da verdade, Sócrates fazia-se de aprendiz:

- Que maravilha! Então você sabe o que é justiça? Ensine-me.

O sujeito estufava o peito.

Explicava.

Sócrates perguntava.

Ele respondia.

Sócrates perguntava novamente.

Ele começava a gaguejar.

Mais uma pergunta.

E, depois de algum tempo, aquela verdade absoluta que chegara montada num cavalo terminava procurando discretamente um táxi para voltar para casa.

Era uma tragédia para os vaidosos.

Sócrates possuía o inconveniente hábito de obrigar as pessoas a pensar antes de continuar falando.

Hoje seria considerado radical demais.

Desenvolvemos métodos muito mais modernos de discussão.

Quando alguém discorda de nós, não perguntamos:

- Por que você pensa assim?

Perguntamos:

- De que lado você está?

É muito mais eficiente.

Depois colocamos uma etiqueta no adversário, escolhemos uma gaveta ideológica, fechamos a gaveta e pronto: economizamos o terrível trabalho de pensar.

Sócrates certamente estragaria tudo.

Perguntaria:

-  Mas o argumento dele é verdadeiro ou falso?

- Não importa, Sócrates! Veja quem falou!

- Mas quem falou altera a verdade daquilo que foi dito?

Pronto.

Expulso do grupo outra vez.

Depois da ironia vinha a maiêutica, palavra relacionada ao ofício das parteiras.

A mãe de Sócrates era parteira. Ajudava mulheres a dar à luz crianças.

Sócrates resolveu dedicar-se a parto mais complicado:

fazer certas pessoas darem à luz uma ideia.

Convenhamos: algumas gestações intelectuais podem durar décadas.

O filósofo não colocava o conhecimento dentro da cabeça do interlocutor. Fazia perguntas para que ele próprio descobrisse as contradições de seu pensamento e construísse uma compreensão mais consistente.

Era uma espécie de obstetrícia filosófica.

Primeiro vinham as contrações:

- Tem certeza?

Depois aumentavam:

- Como você sabe?

Começava o sofrimento:

- Qual é a prova?

E finalmente chegava a pergunta quase insuportável:

- E se você estiver errado?

Nesse momento, muitos prefeririam cancelar o parto.

Admitir que podemos estar errados tornou-se uma das experiências mais dolorosas da civilização contemporânea.

Estamos vivendo a extraordinária época dos especialistas universais.

Há especialistas em política internacional que nunca abriram um livro de relações internacionais.

Especialistas em economia que confundem inflação com aumento de preço no supermercado.

Especialistas em direito que concedem habeas corpus no grupo da família.

Especialistas em história que aprenderam o século XX num vídeo de quarenta segundos.

E todos absolutamente seguros.

Sócrates, coitado, dizia:

- Só sei que nada sei.

Hoje perderia imediatamente para alguém que declarasse:

- Eu sei tudo. Vi ontem na internet.

Por isso a filosofia socrática permanece tão necessária.

A ironia derruba a arrogância.

A maiêutica reconstrói o pensamento.

Uma destrói a falsa certeza; a outra ajuda a nascer uma compreensão.

Sócrates descobriu que, antes de ensinar alguma coisa a alguém, às vezes é necessário libertá-lo daquilo que ele acredita já saber.

E aí está sua atualidade.

Se aparecesse hoje entre nós, provavelmente não escreveria longos discursos.

Sentaria calmamente diante das nossas certezas políticas, religiosas, morais e ideológicas.

Esperaria terminarmos aquela exposição maravilhosa em que demonstramos, com absoluta segurança, que estamos certos e todos os outros são idiotas.

Então sorriria.

E perguntaria:

- Como você chegou a essa conclusão?

Explicaríamos.

Ele faria outra pergunta.

Responderíamos um pouco menos confiantes.

Viria a terceira.

Começaríamos a consultar o celular.

Na quarta, talvez mudássemos de assunto.

Na quinta, atacaríamos Sócrates pessoalmente.

Na sexta, bloquearíamos o filósofo.

E sairíamos satisfeitos.

Afinal, preservaríamos intacta a nossa certeza.

E Sócrates continuaria caminhando tranquilamente por Atenas, ou pelas redes sociais, procurando alguém disposto a cometer uma das maiores ousadias intelectuais de todos os tempos:

pensar antes de ter certeza.


The Cascades


 

The Everly Brothers