O dia 7 de agosto de 2026 é daqueles que ficam para sempre na memória.
Nessa manhã, ao celebrarmos os dez anos de fundação do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira e o lançamento da publicação sobre Roberto Silveira pelo Centro de Memória Trabalhista, não estávamos apenas reunidos para recordar o passado. Estávamos, talvez sem perceber, diante de uma das mais bonitas manifestações de esperança que uma cidade pode oferecer: crianças aprendendo a amar e compreender a história do lugar onde nasceram.
E foi nesse encontro entre passado e futuro que aconteceu uma cena pequena, quase silenciosa, mas de uma grandeza capaz de emocionar qualquer coração.
Dora Silveira, filha de Roberto Silveira, conheceu o trabalho desenvolvido pela Escola Municipal Professora Ottília Vieira Campos. Conheceu a dedicação da direção, das professoras e, sobretudo, conheceu o olhar das crianças sobre a história de seu pai.
Por meio do projeto “Ler para Pertencer: Histórias que Inspiram o Futuro”, os alunos do 5º ano haviam descoberto Roberto Silveira não apenas como governador, mas como homem, como filho da terra, como alguém que nasceu no interior, cresceu ligado às suas raízes e conseguiu alcançar uma das mais altas posições da vida pública fluminense sem perder o vínculo com sua gente.
Aquelas crianças pesquisaram documentos, fotografias e jornais antigos. Visitaram o Memorial. Conversaram com pessoas que guardam lembranças de outros tempos. Descobriram pedaços da história de Bom Jesus do Itabapoana que talvez estivessem adormecidos em velhos papéis, fotografias amareladas e na memória dos mais velhos.
E fizeram algo ainda mais bonito.
Transformaram a História em imaginação.
Transformaram o açordescendente Roberto Silveira em personagem de um conto de fadas.
A infância tem esse poder extraordinário de retirar a poeira do tempo e devolver às histórias a capacidade de encantar.
Foi assim que nasceu “Roberto e a estrela brilhante, o conto do menino das montanhas que ganhou uma coroa invencível e se tornou guardião de sua gente”.
Que bela metáfora!
Um menino das montanhas.
Uma estrela brilhante.
Uma coroa.
Um guardião.
E, por trás da fantasia, uma verdade profundamente humana: grandes sonhos podem nascer em lugares pequenos.
Talvez Roberto Silveira jamais pudesse imaginar que, décadas depois, sua história seria contada por crianças de sua terra como quem conta uma história de encantamento.
Mas foi.
E nesse dia, diante de Dora, a História ganhou uma voz.
Uma das crianças soube que aquela senhora era filha de Roberto Silveira. Olhou para ela e, com a espontaneidade própria de quem ainda não aprendeu a medir as palavras, disse:
“Você é filha de um grande homem!”
Foi tudo.
Uma frase.
Poucas palavras.
Mas há frases que parecem pequenas apenas porque não conseguimos medir o tamanho da emoção que carregam.
Naquele instante, Dora recebeu muito mais do que um elogio.
Talvez tenha recebido de volta uma parte da história de seu pai.
Porque há uma espécie de eternidade que somente os filhos conhecem: aquela que começa quando alguém que amamos deixa de pertencer apenas à nossa memória e passa a pertencer também à memória dos outros.
Roberto Silveira, naquele instante, já não era somente o pai de Dora.
Era também o personagem descoberto por aquelas crianças.
Era o homem pesquisado nos documentos.
Era o rosto encontrado nas fotografias.
Era o nome preservado pelo Memorial.
Era a história contada pela professora.
Era a lembrança transmitida por quem ainda viveu aqueles tempos.
E, sobretudo, era aquele homem que uma criança, sem obrigação alguma de fazê-lo, chamou simplesmente de “grande homem”.
Talvez nenhum discurso pudesse ser mais bonito.
Talvez nenhuma solenidade pudesse produzir homenagem maior.
Porque uma criança não estava repetindo uma frase decorada.
Estava falando aquilo que havia aprendido e, principalmente, aquilo que havia sentido.
Foi então que se compreendeu mais uma vez, o verdadeiro significado de um Memorial.
Um Memorial não é um lugar onde o passado vai morrer.
É um lugar onde o passado aprende a conversar com o futuro.
Os documentos não são apenas documentos.
As fotografias não são apenas fotografias.
Os nomes não são apenas nomes gravados em placas.
Tudo aquilo é uma ponte.
Uma ponte entre aqueles que vieram antes e aqueles que ainda estão chegando.
E o Projeto “Ler para Pertencer” construiu uma dessas pontes.
A escola levou as crianças até Roberto Silveira.
E as crianças, por sua vez, levaram Roberto Silveira de volta ao futuro.
Que responsabilidade extraordinária têm os professores!
Eles não ensinam somente datas, nomes e acontecimentos.
Eles podem ensinar uma criança a descobrir que ela pertence a algum lugar.
Que sua cidade tem uma história.
Que seus antepassados tiveram sonhos.
Que pessoas simples podem realizar coisas extraordinárias.
Que a grandeza não depende necessariamente do tamanho da cidade onde alguém nasce.
E que o futuro não é uma página em branco: ele começa a ser escrito quando aprendemos a ler as páginas que vieram antes de nós.
Foi isso que Dora viu.
E foi isso que a emocionou.
Ela viu que o nome de seu pai não estava preso ao passado.
Estava vivo.
Estava nas mãos de crianças.
Estava nos olhos de professoras.
Estava na imaginação daqueles quatorze alunos.
Estava dentro de uma escola pública.
Estava dentro de uma cidade que ainda se reconhece naqueles que ajudaram a construí-la.
E, naquele instante, ficou claro para todos nós que a memória não é apenas uma homenagem aos mortos ou aos que já passaram.
Memória é uma forma de esperança.
Quando uma criança conhece a história de sua cidade, ela começa a compreender que também pode fazer parte dela.
Quando aprende que alguém de sua própria terra sonhou grande, começa a acreditar que também pode sonhar.
Quando descobre que um menino das montanhas chegou ao governo do Estado, talvez passe a olhar para suas próprias montanhas com outros olhos.
E é assim que uma sociedade começa a se transformar.
Não apenas pelas grandes decisões dos homens públicos.
Mas pelas pequenas sementes plantadas diariamente nas escolas.
Uma professora contando uma história.
Uma criança fazendo uma pergunta.
Um livro sendo aberto.
Uma fotografia sendo observada.
Um Memorial recebendo visitantes.
Um pai sendo lembrado pela filha.
E, no meio de tudo isso, uma frase infantil atravessando décadas:
“Você é filha de um grande homem!”
Naquele momento, se teve a impressão de que o tempo fez uma pausa.
Por um breve instante, o menino Roberto Silveira pareceu voltar às montanhas.
Talvez tenha caminhado novamente pelas paisagens de sua infância.
Talvez tenha reencontrado a terra de onde partiu.
Talvez tenha olhado para Bom Jesus do Itabapoana.
E, vendo aquelas crianças reunidas em torno de sua história, tenha compreendido que uma vida verdadeiramente grande não termina quando termina.
Ela continua quando encontra quem a conte.
Continua quando encontra quem a escute.
Continua quando encontra quem dela aprenda.
Continua quando uma criança olha para a filha daquele homem e diz, com a mais pura das convicções:
“Voce é filha de um grande homem!”
E então se percebeu que os dez anos do Memorial não eram apenas dez anos de passado preservado.
Eram dez anos de futuro construído.
Ali, naquele encontro, Roberto Silveira não estava apenas sendo lembrado.
Estava sendo semeado.
Semeado na memória de uma nova geração.
Semeado nas escolas.
Semeado nos livros.
Semeado nas fotografias.
Semeado nas palavras.
Semeado no coração de cada criança que descobriu que a história de Bom Jesus também é parte da sua própria história.
E esse é o maior legado que um Memorial pode deixar:
não fazer com que olhemos eternamente para trás,
mas fazer com que, ao olhar para trás, tenhamos coragem de caminhar para a frente.
Que o Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira continue sendo essa casa onde o tempo não envelhece, porque cada nova geração lhe oferece um novo olhar.
Que continue sendo ponte, escola, memória e esperança.
E que, daqui a muitos anos, quando outras crianças entrarem por suas portas, possam ouvir as histórias daqueles que fizeram de Bom Jesus uma cidade de homens e mulheres de coragem, de sonhos e de trabalho.
Talvez uma dessas crianças pergunte quem foi Roberto Silveira.
E talvez outra responda:
- Foi um homem que veio das montanhas, sonhou grande e nunca esqueceu sua gente.
Então, em algum lugar, no meio de uma fotografia antiga e de uma página de livro, a memória sorrirá.
Porque terá cumprido sua missão.
O passado terá encontrado o futuro.
E Bom Jesus terá descoberto, mais uma vez, que uma cidade só permanece viva quando suas crianças aprendem a amar a sua própria história.
Foi isso que Dora Silveira levou consigo naquele 7 de agosto.
Não apenas a emoção de ouvir falar de seu pai.
Levou a certeza de que sua memória continua viva.
E nós, que testemunhamos aquele momento, levamos uma certeza ainda maior:
enquanto houver uma criança capaz de dizer que um homem foi grande, haverá esperança de que a grandeza humana ainda possa nascer outra vez.
E nesse dia, diante do Memorial, no meio da memória de Roberto Silveira e dos olhos luminosos de uma criança, o passado não apenas foi lembrado: o futuro foi aceso.
Projeto Ler para Pertencer: Histórias que Inspiram o Futuro
E. M. Professora Ottília Vieira Campos
Histórias que formam, inspiram e transformam.
Alunos do 5º ano mergulham na história de Roberto Silveira e descobrem que grandes sonhos também podem nascer em uma pequena cidade.
Visão Geral do Projeto
Há histórias que precisam ser contadas para que não sejam esquecidas, que podem despertar sonhos nas crianças e fazê-las olhar para o lugar onde vivem com outros olhos. Desse encontro entre leitura, memória, identidade e pertencimento nasceu o Projeto “Ler para Pertencer: Histórias que Inspiram o Futuro”, desenvolvido na Escola Municipal Professora Ottília Vieira Campos a partir de uma proposta da rede municipal de ensino.
A escola trabalhou com sete trajetórias inspiradoras no total. A turma do 5º ano do Ensino Fundamental I, sob a orientação da professora Rozane Tavares de Souza Borges, escolheu conhecer e contar a história do governador Roberto Silveira, transformando uma proposta de leitura em uma verdadeira viagem pela história de Bom Jesus do Itabapoana.
Uma História que Poderia Ser de um Conto de Fadas
A trajetória de Roberto Silveira foi escolhida por trazer uma mensagem poderosa: um menino simples, ligado ao meio rural e às suas raízes, que nasceu no interior e chegou a um dos mais altos cargos do Estado do Rio de Janeiro sem esquecer sua gente e seu compromisso com o bem comum.
Para apresentar essa história às crianças, a equipe pedagógica decidiu transformá-la em um conto de fadas, produzindo o livro: "Roberto e a estrela brilhante, o conto do menino das montanhas que ganhou uma coroa invencível e se tornou guardião de sua gente". A fantasia serviu como porta de entrada para a realidade, mostrando que existem histórias extraordinárias bem perto das crianças.
Pesquisa e Descobertas
Para construir o projeto, os 14 alunos realizaram diversas ações práticas:
- Pesquisa documental: Buscaram informações em sites, registros históricos, reportagens de época, fotografias e materiais como o blog Espaço Cultural Luciano Bastos e O Norte Fluminense.
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Visitas e encontros: A turma visitou o Memorial Roberto Silveira e conversou com pessoas com lembranças do ex-governador, incluindo Dona Georgina dos Santos (em cujo sítio os estudantes foram recebidos) e André Luiz de Oliveira (presidente do Memorial).
- Estudo de fotografias históricas: Analisaram registros de Bom Jesus do Itabapoana, incluindo imagens de Roberto Silveira e a visita do então presidente João Goulart na inauguração da Rua República do Líbano.
- Produções artísticas: Escreveram biografias, poemas e textos, além de realizarem trabalhos manuais e artísticos, como desenhos com grafismo.
Alunos Participantes
O 5º ano responsável pelo projeto foi integrado pelos seguintes 14 alunos:
- Ana Allice dos Santos Souza
- Benício Machado de Assis
- Bernardo Pereira Fernandes
- Carlos Henrique de Anuncio da Conceição
- David Lucas Moreira Leite
- Hallan Waiverson Veiga da Silva
- Isabela Saly Borges de Sousa
- João Benício Oliveira Mendes
- Kayan Gabriel Rosa Palmares
- Luiz Henrique Souza de Oliveira Neves
- Maria Gabriela Dutra Dias
- Rillary Florencio Ponciano
- Sophya da Cruz Malaquias
- Theo Dias Santos da Silva
Equipe Escolar
O projeto contou com o acompanhamento da gestão e orientação da escola:
- Diretora Geral: Wiviane da Silva Amaral Teles
- Diretora Adjunta: Lucia Helena Rosa da Silva
- Orientadora Pedagógica: Izabel Cristina Dornellas da Silva Carneiro
Culminância do Projeto
No dia 10 de julho de 2026, a escola realizou a culminância do projeto com uma grande exposição das produções dos alunos para outras turmas, pais e comunidade. O evento contou com a apresentação de um poema em homenagem ao governador feita pelos alunos Benício Machado de Assis, Isabela Saly Borges de Sousa, Bernardo Pereira Fernandes, Theo Dias Santos da Silva e Luiz Henrique Souza de Oliveira Neves, além da presença especial de André Luiz de Oliveira.