terça-feira, 18 de agosto de 2026

A Sinfonia da Revolução Silenciosa de Bom Jesus

 


Há uma revolução silenciosa acontecendo em Bom Jesus do Itabapoana.

Ela não chega com estrondos, não ocupa manchetes nem precisa de holofotes. Chega de mansinho, pelas mãos de crianças e jovens que descobrem, nos instrumentos musicais, uma nova maneira de enxergar o mundo.

Na Lira 14 de Julho, na Lira Operária Bonjesuense, na Sociedade Musical da Usina Santa Maria, nas escolas de música JEMAJ e MusicArt, na Tuna Luso-Bonjesuense, na Orquestra Sinfônica do Vale do Itabapoana, OSVI, e em tantas outras iniciativas, jovens estão aprendendo que uma cidade também pode ser transformada por acordes, melodias, disciplina e sonhos.

O cenário já começa a mudar.

Podemos caminhar pelas ruas de Bom Jesus e, de repente, ouvir o som de um saxofone, o brilho de um trompete, o compasso de uma percussão, a delicadeza de uma melodia. Instrumentos que antes talvez estivessem silenciosos agora encontram mãos jovens para fazê-los cantar.

E não é apenas a paisagem sonora da cidade que se transforma.

Transforma-se a sensibilidade. Transformam-se os sonhos. Transformam-se os lares.

Quando um jovem aprende música, aprende também a ouvir o outro, a respeitar o tempo, a compreender a harmonia, a persistir diante da dificuldade e a descobrir que, para que uma grande música exista, cada nota precisa encontrar o seu lugar.

É uma revolução de humanidade.

Essa notícia jamais chegará aos grandes meios de comunicação. Não será considerada suficientemente grandiosa para ocupar as manchetes dos jornais ou as telas da televisão.

Mas isso pouco importa.

Há coisas que não fazemos para as manchetes.

Fazemos porque acreditamos.

Fazemos porque o coração nos diz que uma criança com um instrumento nas mãos é uma criança diante de possibilidades; que um jovem aprendendo música é um jovem aprendendo a construir o próprio futuro; e que uma cidade que ensina seus filhos a fazer música está, silenciosamente, ensinando-os também a sonhar.

E é justamente assim que as grandes transformações começam: sem barulho, sem discursos, sem aplausos, apenas com uma nota.

Depois outra.

E mais outra.

Até que, um dia, percebemos que a cidade inteira está tocando uma nova canção.

Bom Jesus do Itabapoana está aprendendo a ouvi-la.

E essa canção se chama esperança.

CUIDE DE VOCÊ, por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiha e do bem.


*"CUIDE DE VOCÊ"*


A vida é cheia de altos e baixos e uma hora a gente tropeça, mas não quer dizer que o chão é o fim, se levante, erga a cabeça e continue.


A vida é um treinamento onde só se vence a guerra quem vence seus próprios medos Cuide do seu coração, cuide da sua vida.


*" SEJA FELIZ"*


*"✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Mantovani


 

 

Violão Acústico


 

Música Instrumental


 

Caetano Veloso cita leitura da obra Parditude de Beatriz Bueno

 

Quando um livro encontra outro olhar



Na fotografia, há uma delicada coincidência de tempos: de um lado, Caetano Veloso, recolhido à intimidade da leitura; de outro, Beatriz Bueno, jovem autora de Partitude, segurando o próprio livro como quem segura não apenas uma obra, mas uma parte de si mesma.

E esse é o milagre da literatura: o instante em que aquilo que nasceu dentro de alguém encontra abrigo dentro de outro.

Caetano, que tantas vezes transformou palavras em música e música em pensamento, aparece agora diante de um livro que também procura compreender o Brasil por dentro, esse país mestiço, contraditório, feito de encontros, apagamentos, heranças, dores e reinvenções. Ao escolher Partitude entre suas leituras recentes, o artista estabelece uma ponte silenciosa entre gerações: a experiência de quem há décadas pensa o Brasil e a voz de quem chega agora para interrogá-lo com outros olhos.

Há algo de profundamente simbólico nessa imagem.

O livro repousa nas mãos de Caetano, mas parece atravessar a fotografia como uma pergunta. O jaguar desenhado na capa nos observa. Animal de força e de memória, ele parece representar também a coragem necessária para penetrar nas florestas profundas da identidade brasileira, onde nem tudo é evidente, onde muitas histórias foram escondidas e onde ainda procuramos compreender quem somos.

Beatriz Bueno escreve a partir de uma experiência que não pretende caber em fórmulas prontas. Ao se declarar parda e defender uma abordagem brasileira para pensar raça e mestiçagem, ela se coloca diante de um dos temas mais complexos da nossa formação. Não para oferecer respostas definitivas, mas para abrir caminhos.

É justamente aí que a literatura se torna indispensável.

Um livro não precisa encerrar uma discussão. Às vezes, sua maior grandeza está em começar uma conversa.

A fotografia de Caetano lendo Partitude é, portanto, mais do que uma recomendação de leitura. É um encontro entre a consagração e o nascimento, entre a voz que já atravessou gerações e aquela que começa a construir seu próprio lugar no mundo das palavras.

Há uma beleza especial quando um escritor é lido por alguém que também aprendeu a transformar o mundo em linguagem.

No fundo, livros são isso: encontros que acontecem longe dos olhos de quem os escreveu.

Beatriz escreveu.

Caetano leu.

E, no meio das mãos de um e das palavras da outra, o Brasil ganhou mais uma oportunidade de olhar para si mesmo.

Essa é a verdadeira irresistibilidade de certos livros: eles não terminam quando fechamos a última página.

Continuam vivendo em nós.

Vem aí o XXIIII Congresso Brasileiro de Poetas Trovadores