segunda-feira, 27 de julho de 2026

Quem nunca mudou com o tempo?, por Rogério Loureiro Xavier

 



Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.


*Quem nunca mudou com o tempo?*


Aos poucos você vai deixando de escutar certas musicas, de usar certas roupas, de falar com certas pessoas. Mudar faz parte do ciclo da vida, embora a essência seja sempre a mesma. Quando encontrar um obstáculo grande na vida, não desanime ao passar, pois com o tempo ele se tornará pequeno. Não porque diminuiu, mas porque você cresceu.

Existem coisas reservadas para a gente que fogem do nosso entendimento, mas que lá na frente, vão fazer todo o sentido. Por isso: "NUNCA PERCA A FÉ"

*"Atenção: É obrigatório consumir a vida antes do prazo de validade."*


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

Quinze anos celebrados com o sabor da roça

 



Há festas que impressionam pelo luxo, outras pela quantidade de convidados, mas existem aquelas que permanecem na memória pela simplicidade, pelo carinho e pelo sentimento de pertencimento. Foi exatamente assim a comemoração dos quinze anos da querida Maria Clara, realizada no último sábado, na comunidade de Água Limpa, zona rural de Bom Jesus do Itabapoana.

Filha do produtor rural Hígor Magalhães e da professora Filomena Degli Esposti, Maria Clara chega aos seus quinze anos trazendo consigo a beleza da juventude e a sensibilidade de quem já encontrou na música uma forma de servir à comunidade. Saxofonista da Lira 14 de Julho de Rosal, ela representa essa nova geração que preserva as tradições sem deixar de sonhar com o futuro.

A residência da família transformou-se em um grande espaço de acolhimento. Mesas montadas sobre o gramado, muita conversa, risadas e aquele ambiente que só a roça consegue proporcionar. O tira-gosto de torresmo com aipim fazia sucesso entre os convidados. Havia até jiló, cujo amargor limpa o paladar e combina perfeitamente com uma cerveja bem gelada. No almoço, o tradicional pernil de porco acompanhado de uma farofa saborosa lembrava que as melhores receitas continuam sendo aquelas preparadas com tempo e afeto.

A festa na roça tem um sabor diferente. É o sabor da amizade sincera, dos reencontros e da simplicidade. Ali ninguém tem pressa de ir embora, tudo parece bonito, até mesmo quando um dos amigos, já bastante alegre, continua saboreando a cerveja e o tira-gosto que estavam no prato do companheiro de mesa, arrancando boas gargalhadas de todos.

Entre os presentes estavam familiares, vizinhos e amigos de longa data, inclusive os tios proprietários da Pousada Boa Vista, Luís e Rosane. O representante do Exército, acompanhado de sua simpática esposa, conversava animadamente com os demais convidados. O ex-prefeito Jarbas Borges e sua esposa, Noelina, participavam das rodas de conversa, onde os assuntos transitavam naturalmente entre lembranças, histórias da região e as novidades do cotidiano. Inclusive, manifestou o desejo de escrever o prefácio de um livro que ainda pretendo publicar. Atenderei, com alegria a esse pedido, para lhe proporcionar o prazer e a satisfação de deixar também sua marca nos meios literários.

Os avós maternos da aniversariante, o produtor rural José Ronaldo Degli Esposti e sua esposa Ernestina, exibiam aquele brilho nos olhos que só os avós conhecem ao ver a neta primogênita completar quinze anos. Pareciam rejuvenescidos pela alegria da ocasião. A avó paterna Siléia Magalhães e seus irmãos , estavam radiantes pela jovem debutante da família. O garçom principal era o Vá, que ia e vinha sem descanso, enquanto todos chamavam: - Vá! Vá! E ele ia a todas as mesas. Até as cozinheiras deixavam, vez ou outra, as panelas para conversar com os convidados, reforçando o clima de harmonia que envolvia toda a propriedade.

Porém, como bem observou o ex-prefeito Jarbas Borges, até mesmo durante uma festa o campo continua pulsando. Os pecuaristas de leite já pensavam na ordenha da tarde; os cafeicultores ainda precisariam recolher o café espalhado nos terreiros; o produtor de alface comemorava a chuva da noite anterior, que trouxe alívio para a lavoura. E, como não poderia deixar de ser, a política também encontrou espaço nas conversas descontraídas. Teve gente que se lançou pré candidato a prefeitura e também à vereança. Tanto Lula como os Bolsonaro foram criticados, mas a maioria rural de direita, vota em Bolsonaro pela bandeira que eleva pelos produtores, por Deus e pela família."Não tem outro! Estamos sem escolha."

No momento mais esperado da tarde, a professora Filomena Degli Esposti emocionou a todos ao destacar as virtudes da filha primogênita. Recordou sua infância, sua inteligência, determinação e firmeza de caráter. Em seguida, o pai, Hígor Magalhães, entregou-lhe um delicado buquê de flores e a envolveu num abraço carregado de emoção. Depois do tradicional "Parabéns a Você", a família entoou um hino de agradecimento a Deus pelo dom da vida de Maria Clara e pela união que fortalece aquele lar.

O tempo passou depressa. O ambiente era tão agradável que dava vontade de permanecer ali até o cair da tarde. Mas os compromissos chamavam cada um de volta à sua rotina.

Maria Clara inicia agora uma nova etapa de sua vida. Que conserve a simplicidade aprendida no campo, o amor à música, o respeito à família e a fé que sustenta seus passos.

Que a Sagrada Família continue derramando abundantes bênçãos sobre a família Degli Esposti, sobre a família Magalhães e sobre todas as famílias do Altos Bom Jesus do Itabapoana/Varre-Sai, onde ainda florescem os valores que tornam a vida verdadeiramente bonita.

Isabel Menezes - Professora e historiadora de Varre-Sai/RJ














BOLEROS INSTRUMENTAIS


 

Música de Meditação Profunda


 

A pobreza da alma de duas irmãs em Rei Lear

 

O que falta é justamente aquilo que não pode ser comprado: a grandeza da alma

Não é a pobreza material que produz essa ruína. É a miséria da alma

Outro trecho, quando Lear percebe a verdadeira natureza das filhas: "Que o céu vos julgue! Não quero amaldiçoar-vos; mas sois criaturas desnaturadas(Adaptação do Ato II)

E é por isso que Rei Lear continua sendo uma tragédia eternamente contemporânea: porque nos recorda que o homem verdadeiramente rico não é aquele que acumula bens, mas aquele que jamais permite que a ambição empobreça o coração.



William Shakespeare, em Rei Lear, escreveu uma das mais dolorosas reflexões sobre a fragilidade da condição humana. A tragédia não nasce da escassez de riquezas, mas da escassez de virtudes. O reino é vasto, os palácios são grandiosos, as terras abundantes. Ainda assim, o que falta é justamente aquilo que não pode ser comprado: a grandeza da alma.

Quando Lear decide dividir seu reino entre as três filhas, acredita que o amor pode ser medido pelas palavras. Goneril e Regan, movidas pela ambição, constroem discursos exuberantes, repletos de uma ternura que nunca existiu. Cordélia, ao contrário, recusa o exagero. Ama o pai com a serenidade da verdade, sem adornos e sem interesses. Paradoxalmente, é justamente a sinceridade que lhe custa a herança.

A tragédia começa quando o velho rei confunde eloquência com afeto.

Goneril e Regan tornam-se o retrato da pobreza moral. Não lhes faltam castelos, servos, prestígio ou poder. Falta-lhes compaixão. São mulheres capazes de calcular o valor das terras, mas incapazes de reconhecer o valor da gratidão. Administram reinos com eficiência, porém desperdiçam o patrimônio invisível dos vínculos humanos. Shakespeare mostra que existe uma avareza muito mais devastadora do que a financeira: a avareza do coração.

É delas que nasce uma das mais pungentes lamentações da literatura:

"Mais cortante que o dente de uma serpente é ter um filho ingrato."

A frase atravessou os séculos porque continua verdadeira. A ingratidão possui uma violência silenciosa. Ela não deixa cicatrizes no corpo, mas fere profundamente a memória de quem um dia amou sem reservas.

Outro trecho, quando Lear percebe a verdadeira natureza das filhas: "Que o céu vos julgue! Não quero amaldiçoar-vos; mas sois criaturas desnaturadas"(Adaptação do Ato II)

Talvez seja por isso que a maior tragédia de Rei Lear não esteja na perda do trono. Reis já perderam coroas incontáveis vezes ao longo da História. O que realmente destrói Lear é perceber que foi enganado pelo brilho das palavras e não enxergou a luz discreta da verdade. Descobre, tarde demais, que o amor sincero raramente faz propaganda de si mesmo.

Essa é uma lição que ultrapassa o palco elisabetano e alcança tantas famílias de nosso tempo.

Existem irmãos que dividem heranças, mas repartem também ressentimentos. Casas transformam-se em tribunais; fotografias antigas tornam-se provas; lembranças convertem-se em argumentos jurídicos. O patrimônio permanece inteiro, mas a família se desfaz. Não é a pobreza material que produz essa ruína. É a miséria da alma.

Shakespeare parece advertir que quem mede tudo pelo interesse acaba perdendo justamente aquilo que não tem preço. A riqueza sem generosidade transforma-se em prisão. O poder sem ternura torna-se tirania. A inteligência sem compaixão converte-se em crueldade.

Em contraste, Cordélia permanece quase sem nada. Não possui o reino, não herda privilégios, não conquista poder. Entretanto, conserva aquilo que Goneril e Regan jamais conseguiram adquirir: a dignidade. Sua fidelidade vale mais do que qualquer coroa, porque nasce de um coração incapaz de negociar o afeto.

Talvez seja essa a mais bela herança deixada por Shakespeare. A verdadeira pobreza não é morar em uma casa humilde, vestir roupas simples ou possuir poucos bens. A pior pobreza é aquela que habita o espírito. É viver cercado de abundância e permanecer incapaz de oferecer um gesto de misericórdia, uma palavra de gratidão ou um ato de generosidade.

Ao final da vida, escrituras envelhecem, cofres mudam de donos e patrimônios se dispersam. O que permanece é apenas aquilo que fomos capazes de semear na alma dos outros.

E é por isso que Rei Lear continua sendo uma tragédia eternamente contemporânea: porque nos recorda que o homem verdadeiramente rico não é aquele que acumula bens, mas aquele que jamais permite que a ambição empobreça o coração.

Música para Silenciar os Pensamentos