No papel do Padre Preto, André Luiz de Oliveira aproximou cinema e história de Calheiros
Jornal fundado por Ésio Martins Bastos em 25 de dezembro de 1946 e dirigido por Luciano Augusto Bastos no período 2003-2011. E-mail: onortefluminense@hotmail.com
No papel do Padre Preto, André Luiz de Oliveira aproximou cinema e história de Calheiros
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| Eliton Polverini, o Muchacho, filho do Maestro Nilo Rodrigues, que recebeu o Certificado de Embaixador da Acorianidade |
Realizado na sede da instituição, na estrada que liga Apiacá a Bom Jesus do Norte, o encontro contou com a apresentação da Lira Operária Bonjesuense e a presença de seu presidente de honra, Dr. Antônio Borges.
Em relato aos membros da CAES, o Dr. Pedro Antônio de Souza destacou o significado da celebração, que definiu como “um louvor à VIDA, expressada na sua longevidade”. Segundo ele, o encontro foi memorável e teve na homenagem ao maestro um de seus momentos especiais.
A identidade açoriana também ganhou destaque com a execução dos hinos do Divino Espírito Santo e dos Açores. Para Pedro Antônio, essas apresentações reforçaram os vínculos culturais cultivados pela instituição.
Outro destaque foi a participação do Coral Vozes do Tempo, de Apiacá, formado por idosos e conduzido pelo organista e regente Pedro Poubel. A apresentação integrou a proposta de celebrar a longevidade por meio da música e da convivência.
O encerramento ficou por conta da viagem musical com o consagrado cantor José Antônio Borges Alvarenga e a participação especial da cantora Beatriz Magalhães, cujas interpretações foram elogiadas por Pedro Antônio.
No meio das homenagens, cantos e lembranças, a Casa dos Açores reuniu diferentes gerações em uma celebração da cultura e das histórias que permanecem vivas pela música.
O tempo que deixamos para depois
Assim passam muitos dos nossos dias.
A reflexão de Sêneca sobre o tempo nos alcança nesse instante doméstico: quando percebemos que estivemos ocupados demais para acompanhar a luz descendo pela parede. E talvez nos lembremos de uma visita adiada, de uma conversa interrompida, de alguém a quem prometemos telefonar assim que a vida ficasse mais tranquila.
Guardamos tantas coisas para esse dia.
Um dia teremos tempo para sentar ao lado de nossa mãe e ouvi-la contar novamente uma história da infância. Um dia procuraremos o amigo de quem sentimos saudade. Um dia abriremos aquele livro, faremos aquela viagem, diremos com todas as letras o amor que supomos tão evidente.
Enquanto isso, os rostos mudam. As mãos ganham manchas. A voz que chamava da cozinha se torna mais baixa. E nós continuamos acreditando que haverá outra tarde, com o mesmo café, a mesma cadeira, a mesma pessoa esperando.
Até que uma ausência nos ensina o valor de uma porta que antes podíamos simplesmente abrir.
Então compreendemos quanto cabia naquilo que parecia pequeno: o ruído dos talheres no almoço de domingo, uma risada no corredor, os passos conhecidos chegando à casa. Gostaríamos de voltar por alguns minutos. Não para corrigir o rumo do mundo, mas para permanecer um pouco mais à mesa.
Há uma dor particular em descobrir que fomos felizes com pressa.
Nem todo tempo, porém, precisa ser preenchido. A vida também amadurece nas pausas. Há tardes em que descansar a cabeça no colo de alguém é tudo o que precisamos fazer. Há manhãs cujo melhor acontecimento é uma conversa demorada, sem utilidade alguma além da alegria de estarmos juntos.
Poderemos começar por aí: dando lugar, no dia de hoje, a alguma coisa que amamos.
O telefone está ao alcance da mão. Ainda podemos fazer aquela visita. Há alguém que receberia com alegria uma palavra nossa, alguém cujo rosto se iluminaria ao nos ver chegando sem pressa.
Na varanda, a cadeira continua vazia. Podemos nos sentar por um instante, chamar quem está dentro de casa e repartir o que resta da tarde.
O café pode ser feito outra vez.
A luz ainda está no jardim.