quinta-feira, 23 de julho de 2026

O Café Colonial que Despertou a Memória da Silveirada

 

O Café de Biluca e Boanerges: O Gosto do Passado na Mesa da Silveirada



​Há cheiros que têm a espessura do tempo. Não habitam apenas o ar; moram nas dobras da alma, esperando o fôlego brando de uma lembrança para despertar. 

Foi esse o aroma que desceu pelas encostas do Sítio Benedito Santos naquela manhã de agosto de 2019, quando a comitiva da Silveirada se encontrou sob a bênção matutina do Memorial dos Governadores Roberto e Badger Silveira. Mais do que uma refeição, o café colonial servido ali, na clausura verde e farta da zona rural, foi o elo invisível que costurou o passado e o presente, resgatando a essência mais íntima de uma estirpe.

​Naquela mesa farta, a terra devolveu em sabores o que a história guardava em retratos e pergaminhos. O eco da roça, dos tempos em que Boanerges Borges da Silveira e Biluca regavam a lida diária com o suor generoso e a simplicidade altaneira, voltou a palpitar. 

Cada iguaria posta à mesa trazia a assinatura indelével daquela matriarca e daquele patriarca que viram crescer, entre o verde dos vales e a força do trabalho, os passos firmes de Roberto, de Badger, de Zequinha, de Dinah e de Maria da Penha. Era como se, a cada xícara fumaceira e a cada pão rústico partido, os antepassados sentassem-se novamente à cabeceira, sorrindo diante da prole reunida.

​À volta do banquete, a ilustre comitiva, unindo nomes como José Roberto, Arthur Felippe, Ana Maria, Maria Cristina, José Luiz, Maria Lucia, Maria Felisberta, Wilma Martins, Giuseppe, Marilu, Caio, Ana Caroline, Badger Teixeira, Carmem Lúcia, Liara, Lilia, Mária José com suas filhas Andrea e Rosane, o pequeno Gael, André Felipe, Maria Luiza e Lucas,  não apenas partilhava o pão, mas comungava de uma mesma raiz. Havia nos sorrisos e nos brindes a consciência silenciosa de que pertencer àquela família é carregar no peito o fardo leve da história.

​O café rural naqueles domínios do Sítio Benedito Santos funcionou como o abraço morno da terra natal. Era a zona rural de outrora renascendo no capricho dos pratos caseiros, no cantar dos pássaros que pareciam saudosos e na conversa mansa que corria livre entre primos, agregados e amigos. Ali, no meio da simplicidade do campo e da grandeza dos afetos, o tempo aceitou parar por instantes.

​Quando a manhã deu lugar aos passos que seguiriam rumo à Praça Três Irmãos em Calheiros e à imponente Cachoeira da Fumaça, o gosto daquele café permaneceu na boca e na memória. Ficou a certeza sussurrada pelo vento do Itabapoana de que a lembrança dos velhos tempos que honraram o chão pisado por Boanerges e Biluca e a epopeia da Silveirada continuarão vivas, eternas e palpitantes.

​Viva a Silveirada!



Os 64 anos da Lira 26 de Julho de Apiacá

 




A Lira Santa Cecília no Coração de Varre-Sai

 


​Em Varre-Sai há uma essência que não se deixa medir apenas pelo tempo dos relógios, mas pela cadência dos corações e pela persistência da memória. Quando a Lira Santa Cecília erguer seus instrumentos para abrir o desfile das famílias italianas no Festival do Vinho, o que ecoará pelas ruas não será apenas música: será a própria respiração de um povo que gravou na terra e no pentagrama a sua herança.

​No sábado do dia 25 de julho, a partir das dezesseis horas, o cenário se revestirá de um lirismo ancestral. Sob o céu que começará a abrigar as primeiras sombras da noitinha, os metais reluzirão como se guardassem o ouro das jabuticabeiras e o suor de gerações que desbravaram o Noroeste Fluminense. Cada piston, cada clarineta e cada sopro carregarão o peso terno da tradição. Será o encontro do passado que caminha de mãos dadas com a juventude, unindo músicos veteranos e jovens talentos sob a batuta de uma história comum.

​O som da Lira avançará pelas ruas e parecerá desenhar no horizonte as colinas verdejantes, as jabuticabeiras carregados de promessas e o calor humano que acolherá a todos. Será um rito de pertencimento. As famílias italianas desfilarão não apenas com suas vestes, mas com a alma embalada por notas que contarão de onde vieram e para onde continuam a marchar.

​A música cessará por um instante na curva da rua, mas o eco permanecerá na alma de quem escutar. A Lira Santa Cecília continuará a ser o ritmo que mantém vivo o coração palpitante de nossa gente.


Mantovani


 

A Música Instrumental de Mantovani 

A música instrumental de Mantovani distingue-se pela elegância de seus arranjos, pela riqueza melódica e pela sonoridade envolvente que conquistou ouvintes em todo o mundo. Sob a direção do maestro ítalo-britânico Annunzio Paolo Mantovani, sua orquestra desenvolveu o célebre efeito das cordas em cascata (cascading strings), criando interpretações de rara beleza, marcadas por suavidade, emoção e refinamento. Suas gravações demonstram como a música instrumental, mesmo sem o auxílio das palavras, é capaz de despertar sentimentos profundos, estimular a imaginação, favorecer a concentração e elevar o espírito, constituindo um patrimônio artístico de valor permanente.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Tenda Cultural: um palco que se tornou patrimônio da Festa de Agosto de Bom Jesus do Itabapoana

 



Arquivo 

Ao longo das últimas décadas, a Tenda Cultural consolidou-se como um dos maiores símbolos da Festa de Agosto de Bom Jesus do Itabapoana. Instalada na Praça Governador Portela, ela nasceu da necessidade de ampliar os espaços dedicados à cultura dentro das comemorações do padroeiro Senhor Bom Jesus, transformando a festa religiosa e popular em um grande encontro de manifestações artísticas e culturais. 

Sua trajetória tornou-se indissociável da história contemporânea do município.

Desde suas primeiras edições, a Tenda Cultural foi concebida como um espaço democrático, destinado a valorizar os artistas da terra ao lado de atrações regionais e nacionais. Danças folclóricas, apresentações de balé, fanfarras, corais, teatro, música popular, artesanato e gastronomia passaram a dividir o mesmo palco, permitindo que a população tivesse acesso gratuito a uma programação diversificada e de elevada qualidade cultural. Com o passar dos anos, o evento também passou a homenagear personalidades que contribuíram para a formação cultural de Bom Jesus do Itabapoana, fortalecendo o sentimento de pertencimento da comunidade.

A partir da parceria entre a Prefeitura Municipal e o Sesc RJ, a programação ganhou projeção estadual. Grandes nomes da música brasileira passaram a integrar a agenda da Tenda Sesc Cultural, sem que se perdesse a tradição de abrir espaço para músicos, bandas e grupos artísticos do Vale do Itabapoana. Nas edições mais recentes, artistas como Toni Garrido, Barão Vermelho, Frejat, Biquini, Monobloco, The Fevers e Detonautas estiveram entre as atrações, reafirmando a importância do evento no calendário cultural fluminense.

Hoje, a Tenda Cultural representa muito mais do que uma sequência de espetáculos. Ela constitui um espaço de convivência, memória e valorização da identidade bonjesuense, reunindo cultura, turismo, economia criativa e tradição popular. Integrada à Festa de Agosto, tornou-se um patrimônio afetivo da população, contribuindo para preservar a história local e projetar Bom Jesus do Itabapoana como um dos mais importantes polos culturais do Noroeste Fluminense.

O Voo da Palavra: Uma Crônica para Cris

 


Na quietude da sala, o celular desperta com uma luz suave, trazendo o mundo para perto. Não é uma notificação comum; é o eco de um destino. Ali, na tela, sob a rubrica de um prêmio que ressoa com a eternidade - "Virtus Academica" - a imagem de Cristiana Ana Lima se desenha. Ela não está sozinha. Está envolta em um manto carmesim, a cor do coração, da paixão que incendeia as páginas em branco.

​Ao pescoço, pende a medalha dourada. Não é apenas metal; é a substância tangível de noites silenciosas, de café frio, de mundos inteiros construídos na solidão criativa. É o peso da história, da Academia de Belas Artes do Rio Grande do Sul, que agora pousa sobre seus ombros, confirmando a beleza que suas mãos teceram. E no centro, o escudo - as canetas cruzadas, o pinheiro, símbolos de um legado que ela, com sua escrita, ajuda a perpetuar.

​Ao lado, paira a insígnia da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Um logo palpitante , como um livro aberto que se desdobra em cores e sorrisos, um convite ao diálogo. Lá, no meio da efervescência da maior festa literária da América Latina, entre o sussurro das páginas e o rumor da multidão, o nome de Cris brilhará. Não como uma mera espectadora, mas como uma protagonista, uma presença confirmada na constelação de autores.

​A data é 13 de setembro de 2026. Uma promessa no horizonte, uma estrela guia. O palco é São Paulo, a cidade que nunca dorme, que respira cultura e devora histórias. E o formato, claro, é presencial. A palavra, outrora contida na pena, agora se fará carne e voz, um encontro real e tangível entre a escritora e seu leitor.

​Abaixo da fotografia, em traços de pincel dourado sobre um fundo índigo, a assinatura. "Cristiana Ana Lima". É um selo, uma garantia de autenticidade, o reflexo de uma alma que se derrama em prosa e verso.

​E como um tapete de boas-vindas, uma sequência de ícones coloridos: a flor da inspiração, a árvore da sabedoria, o mar revolto das emoções, o livro aberto, a pilha de conhecimento, o joystick da imaginação, o balão do diálogo, a coroa do reconhecimento, o acordeão da melodia que a escrita produz.

​O horizonte não é um ano distante, mas uma meta, um destino certo. E enquanto o relógio avança, a caneta de Cris continua a dançar, tecendo fios de história, emoção e beleza, preparando-se para o grande encontro. A verdadeira literatura não é apenas o que se lê, mas o que se vive. E a vida de Cris, agora, é um livro aberto, repleto de promessas e glórias.


​A Princesa dos Cafezais: A Poesia que Imortaliza a História de Isabel Menezes

 


​Na literatura, existem encontros que transcendem a simples escrita e se transformam em tributo perene. É exatamente isso o que revela a sensibilidade do poeta João Roberto Vasco Gonçalves, renomado escritor, historiador, poeta e ativista cultural capixaba, membro da ACLAPTCTC , Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores, ao eternizar a trajetória de Isabel Cristina Menezes Degli Esposti nas páginas do livro Prata da Casa.

Por meio dos versos da poesia intitulada "Princesa dos Cafezais", o autor traduz em ritmo e rima a alma de uma mulher cuja existência palpita em sintonia com a cultura, a educação e as tradições do interior fluminense.

“Isabel, princesa dos cafezais,

musa guardiã da memorável luta,

deflagrada pelos seus ancestrais,

povo incansável na dura labuta.”

A Guardiã das Tradições de Varre-Sai

​Natural de Varre-Sai, RJ, Maria Isabel carrega em sua essência o título poético que lhe foi conferido com tanta justiça. Professora, historiadora e escritora de fôlego incansável, sua biografia confunde-se com a própria preservação do patrimônio histórico e imaterial da região.

​Como bem pontua a poesia de Roberto Vasco, ela é a “mestra de uma história, mulher astuta” que faz vencer o intelecto e resgata as raízes de um povo. Sua vasta produção literária,  que passeia por obras marcantes como A Cruz da Ana - Não é conto, é verdade, As Filhas de Maria na Colônia Italiana de Varre-Sai, Arábica - Um conto da terra do café, além de preciosidades em cordel e causos de tropeiros - consolida seu papel de guardiã da memória coletiva.

​A Poesia como Monumento ao Tempo

​O lirismo do poema ganha contornos ainda mais profundos ao dialogar com a missão de Isabel de combater o esquecimento. Enquanto o tempo corre voraz e impiedoso, a literatura ergue muralhas de afetos e registros:

“Protege as origens, inexorável,

arraigando-as nas páginas da história,

registrando-as na indelével memória.”


​Mais do que escrever, Isabel atua como artífice de eventos literários, mentora de novos talentos e defensora intransigente da identidade histórica local. A homenagem prestada por João Roberto Vasco Gonçalves no livro Prata da Casa coroa essa caminhada palpitante, transformando a "musa de Varre-Sai" em personagem viva da grande poesia brasileira.

​Os verdadeiros heróis da cultura jamais se apagam: eles florescem, eternamente, nas páginas que ajudaram a escrever.


PRINCESA DOS CAFEZAIS

João Roberto Vasco Gonçalves


​Isabel, princesa dos cafezais,

musa guardiã da memorável luta,

deflagrada pelos seus ancestrais,

povo incansável na dura labuta.


​Mestra de uma história, mulher astuta,

na luta, não arrefece jamais,

vence o intelecto sobre a força bruta,

resgata os valores dos nobres pais.


​Protege as origens, inexorável,

arraigando-as nas páginas da história,

registrando-as na indelével memória.


​Tempo voraz, impiedoso e indomável,

efêmero que rápido se esvai,

mas, pródiga é a musa de “varre-sai”.


​Roberto Vasco