O Café de Biluca e Boanerges: O Gosto do Passado na Mesa da Silveirada
Há cheiros que têm a espessura do tempo. Não habitam apenas o ar; moram nas dobras da alma, esperando o fôlego brando de uma lembrança para despertar.
Foi esse o aroma que desceu pelas encostas do Sítio Benedito Santos naquela manhã de agosto de 2019, quando a comitiva da Silveirada se encontrou sob a bênção matutina do Memorial dos Governadores Roberto e Badger Silveira. Mais do que uma refeição, o café colonial servido ali, na clausura verde e farta da zona rural, foi o elo invisível que costurou o passado e o presente, resgatando a essência mais íntima de uma estirpe.
Naquela mesa farta, a terra devolveu em sabores o que a história guardava em retratos e pergaminhos. O eco da roça, dos tempos em que Boanerges Borges da Silveira e Biluca regavam a lida diária com o suor generoso e a simplicidade altaneira, voltou a palpitar.
Cada iguaria posta à mesa trazia a assinatura indelével daquela matriarca e daquele patriarca que viram crescer, entre o verde dos vales e a força do trabalho, os passos firmes de Roberto, de Badger, de Zequinha, de Dinah e de Maria da Penha. Era como se, a cada xícara fumaceira e a cada pão rústico partido, os antepassados sentassem-se novamente à cabeceira, sorrindo diante da prole reunida.
À volta do banquete, a ilustre comitiva, unindo nomes como José Roberto, Arthur Felippe, Ana Maria, Maria Cristina, José Luiz, Maria Lucia, Maria Felisberta, Wilma Martins, Giuseppe, Marilu, Caio, Ana Caroline, Badger Teixeira, Carmem Lúcia, Liara, Lilia, Mária José com suas filhas Andrea e Rosane, o pequeno Gael, André Felipe, Maria Luiza e Lucas, não apenas partilhava o pão, mas comungava de uma mesma raiz. Havia nos sorrisos e nos brindes a consciência silenciosa de que pertencer àquela família é carregar no peito o fardo leve da história.
O café rural naqueles domínios do Sítio Benedito Santos funcionou como o abraço morno da terra natal. Era a zona rural de outrora renascendo no capricho dos pratos caseiros, no cantar dos pássaros que pareciam saudosos e na conversa mansa que corria livre entre primos, agregados e amigos. Ali, no meio da simplicidade do campo e da grandeza dos afetos, o tempo aceitou parar por instantes.
Quando a manhã deu lugar aos passos que seguiriam rumo à Praça Três Irmãos em Calheiros e à imponente Cachoeira da Fumaça, o gosto daquele café permaneceu na boca e na memória. Ficou a certeza sussurrada pelo vento do Itabapoana de que a lembrança dos velhos tempos que honraram o chão pisado por Boanerges e Biluca e a epopeia da Silveirada continuarão vivas, eternas e palpitantes.
Viva a Silveirada!






