quinta-feira, 2 de julho de 2026

Casa dos Açores: 74 Anos e o Canto da Tuna Açoriana

 

O Acorde dos Mares na Tijuca



Há um pedaço de mar antigo que teima em desaguar no asfalto quente da Tijuca. Não o mar de Copa ou de Ipanema, mas aquele Atlântico profundo, salpicado por nove ilhas de névoa e pedra vulcânica. A Casa dos Açores do Rio de Janeiro abre suas portas no dia 18 de julho para celebrar mais do que uma data: festeja 74 anos de saudade transformada em abraço, de herança que se fez lar em terras brasileiras.

​O convite sussurra uma promessa de noite especial. Imagine o salão na Avenida Melo Matos ganhando vida a partir das 19h. O burburinho inicial logo dará lugar aos acordes vibrantes da Tuna Açoriana, cujas vozes e instrumentos de corda têm o poder mágico de erguer pontes invisíveis sobre o oceano. É a música estudantil e tradicional portuguesa que canta a terra, o amor e o tempo, ecoando entre os balões azuis e brancos que enfeitam a memória coletiva da comunidade.

​Um Banquete de Duas Pátrias

​A celebração se faz também pelo paladar, nessa comunhão perfeita onde o sotaque açoriano dança com a malandragem carioca:

O Calor da Tradição. O aroma reconfortante do Caldo Verde e o travo salgado e perfeito do Bolinho de Bacalhau evocam as cozinhas das avós que cruzaram o mar.

A Doçura do Além-Mar. Os Doces Portugueses trazem o açúcar conventual, carregado de gema e história.

O Brinde Tropical. No balcão, a alma carioca se liberta onde as Caipirinhas e Caipivodkas quebram a solenidade e convidam à celebração descontraída.

​Portas Abertas à Saudade e ao Futuro

​Com entrada franca, a festa não escolhe rostos: acolhe sócios e não-sócios, unindo velhos amigos que compartilham histórias de barcos e partidas a jovens que descobrem, no batuque ou no fado, um pedaço de suas próprias raízes.

​O aviso lembra uma urgência poética: "Vagas limitadas". É preciso garantir um lugar à mesa, seja pelo telefone ou pelo WhatsApp, porque o tempo voa e a saudade tem pressa de virar festa. Nessa noite de sábado, a Tijuca não será apenas um bairro carioca; será o décimo topo do arquipélago, flutuando feliz sobre as águas da fraternidade.


Viva a Lira 14 de Julho!

 

​O tempo, esse mestre invisível, costuma passar apressado pelas esquinas do mundo. Mas há lugares onde ele decide desacelerar, sentar-se no banco da praça e escutar. Em Rosal, quando o calendário marca o dia 11 de julho, o tempo não apenas para; ele se transforma em melodia.

​Cento e quatro anos não são feitos de dias, mas de acordes. São mais de dez décadas costurando gerações através do metal polido dos trompetes, do som aveludado das tubas e do canto madrugador dos clarinetes. A Lira 14 de Julho carrega em sua bagagem uma história que pertence a todos e a ninguém em específico, é a trilha sonora coletiva de uma comunidade.

​Olhar para o coreto em um dia de Encontro de Bandas é testemunhar um milagre secular. Rostos jovens, cheios de frescor, dividem a mesma partitura com veteranos cujas mãos calejadas guardam a memória de incontáveis retretas. Quando os convidados chegam, as liras irmãs de Varre-Sai, Guaçuí, Alto Jequitibá e São Francisco do Glória, o ar ganha um peso festivo. Não há competição, há comunhão. É o abraço da música que une geografias distantes pelo mesmo sopro de amizade.

​A partir das 15 horas, o silêncio da tarde cede lugar à explosão da harmonia. O som que ecoa não é apenas técnico; é afetivo. É a persistência da tradição que se recusa a morrer em um mundo que tudo digitaliza. Viva a Lira 14 de Julho, que há mais de um século prova que o coração humano ainda bate no ritmo compassado de uma grande banda de música.


Assim Sou Eu, por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 👋 pessoa amiga e do bem. 


*"Assim Sou Eu"*


Forte porque eu me reinvento todos os dias.

Intenso por sempre colocar demais de mim.

Inquieto em procurar sempre mais.

Instável porque vagueei entre dias cinzentos e de pleno sol.

Rebelde porque não gosto de regras.

Sonhador para que a realidade não me mate.

Afiado quando me ferem.

Amoroso quando sou amado.

Louco por decisão.

Às vezes frio por opção.

Em pleno crescimento, embora eu tenha uma certa idade.

Corajoso por dignidade.


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

A Infância Espiritual Que O Mundo Moderno Precisa Resgatar, por Rogério Loureiro Xavier

 


*Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.*


*A Infância Espiritual Que O Mundo Moderno Precisa Resgatar.*


*Entre a pressa do mundo e a simplicidade de uma criança, talvez tenhamos esquecido como contemplar, confiar e agradecer pelo que existe.*


*Ter um espírito infantil não é uma fase passageira de imaturidade, mas sim uma forma de estar no mundo. Aqueles que têm esse espírito infantil não vivem com pressa nem ansiosos para ir além do que está bem à sua frente. Eles se demoram.*


*Uma criança, com todas as suas boas qualidades, que são muitas, também tem muito espaço para aprimoramento. Daí o papel da educação, o dever primordial dos pais, que muitas vezes contam com instituições para cumprir uma tarefa tão monumental*


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

Apiacá e Bom Jesus: As Liras que Unem Cidades e Tempos

 


Há uma poesia silenciosa que habita o metal dos instrumentos antes mesmo que a primeira nota ganhe o ar. A música não é feita apenas de som; ela é moldada pelo tempo, pelo afeto e pela costura invisível das gerações.

​Quando a Lira 26 de Julho de Apiacá se prepara para homenagear a Lira Operária Bonjesuense, o que se ensaia não é apenas um repertório. É um abraço entre passados e presentes. Os anos de uma lira operária evocam o calo nas mãos do trabalhador que, ao cair da tarde, transformava o cansaço em melodia. Evocam praças iluminadas por lampiões, o flertar tímido ao redor do coreto e o orgulho de uma comunidade que encontrou na cadência dos sopros a sua própria identidade.

​O azul profundo do fundo e os detalhes dourados parecem emoldurar a verdadeira riqueza da noite: os rostos daqueles que carregam a tradição. A música é um rio que corre por idades distintas. Há o olhar experiente de quem já gastou anos de fôlego cruzando ruas em procissões e desfiles, e há o brilho focado do menino, o jovem músico segurando seu instrumento com a solenidade de quem guarda um tesouro antigo. É dele o amanhã. É nele que os anos da velha Lira Operária encontram um novo sopro de vida.

​No dia 28 de julho, sob o teto da Casa dos Açores, as paredes testemunharão um encontro de almas. O tilintar dos pistões, o eco grave do bombardino e a precisão dos trombones vão reescrever, no vento, uma certeza que o próprio cartaz traduz com sensibilidade: a de que existem tradições que emocionam justamente porque recusam o esquecimento.

​Quando os maestros erguerem suas batutas, o tempo por um instante vai parar. E quem estiver ali saberá que a música das liras é a trilha sonora de uma história que recusa silenciar, celebrando um legado que, com qualidade e emoção, continua a tocar o coração das gerações.