quinta-feira, 30 de abril de 2026

Nada impede que o herói de ontem seja o canalha de hoje

 


Há algo desconcertante na forma como o tempo reposiciona as pessoas. O herói de ontem, aquele que arrancava aplausos, que inspirava confiança, que parecia feito de uma matéria mais nobre, às vezes acorda, num dia qualquer, ocupando um lugar bem menos digno na memória coletiva. E não há anúncio, nem cerimônia de troca. Apenas acontece.

Talvez porque o heroísmo, quase sempre, seja um instante congelado. Um recorte bonito demais de uma história que ainda estava sendo escrita. A gente vê o gesto, a coragem, a entrega, mas não vê o que vem depois. Não vê as escolhas miúdas, os atalhos, os silêncios convenientes. E são justamente essas pequenas decisões, repetidas com descuido, que vão esculpindo outra versão da mesma pessoa.

Também há a nossa pressa em transformar gente em símbolo. Elevamos alguém ao posto de herói como se isso fosse definitivo, como se o caráter fosse uma fotografia e não um filme em movimento. Só que ninguém permanece no auge o tempo inteiro. E alguns, quando descem, não encontram o mesmo caminho de volta, ou simplesmente não querem encontrá-lo.

O mais inquietante é perceber que essa transição não exige grandes escândalos. Às vezes basta um desvio ético aqui, uma omissão ali, uma justificativa confortável acolá. Quando se percebe, o brilho virou sombra, e o que antes era admiração passa a ser um incômodo difícil de nomear.

Nada impede, de fato, que o herói de ontem seja o canalha de hoje. Mas talvez a crônica não seja sobre a queda dele, e sim sobre o cuidado que precisamos ter ao subir alguém alto demais. Porque quanto mais alto colocamos, maior é o estrondo quando a verdade resolve aparecer.

Bom Jesus do Norte: xeque à cultura, mate à memória!

Para a prefeitura, o brilho dos outros não conta. Interessa apenas aquilo que pode lhe conferir mérito imediato, visibilidade rápida, votos contáveis



Como se a história só tivesse valor quando rende fotografia, voto ou palco.

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O que leva uma prefeitura a ignorar a própria história? Talvez seja o receio do que não controla. Talvez a incapacidade de reconhecer grandeza onde não há holofotes. Uma cidade não se mede apenas por obras visíveis, mas pelas narrativas que escolhe preservar.

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A prefeitura, essa grande mestra das prioridades seletivas, parece ter preferido aplicar o xeque-mate do esquecimento.

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A caneta oficial decide o que merece memória.

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Ignorar um aniversário como esse não é apenas um descuido administrativo, é uma escolha simbólica. É dizer, ainda que em silêncio, que há histórias que não importam.

Há cidades que celebram fogos; outras, silenciosamente, celebram esquecimentos. Em Bom Jesus do Norte, ao que parece, a memória oficial tem prazo de validade, e curiosamente vence quando completa 30 anos.

Três décadas não são acaso. São períodos com silêncio concentrados, relógios suspensos sobre tabuleiros, jovens aprendendo que estratégia vale mais que pressa. São vitórias discretas, derrotas elegantes e um tipo raro de orgulho: aquele que não faz barulho, mas atravessa fronteiras. 

Em 1996, houve um lance eterno. O Clube de Xadrez, fundado em 30 de abril de 1996, nunca pediu desfile, banda ou palanque. Bastava um gesto simples: o reconhecimento de que ali, no meio de peças pretas e brancas, também se constrói a história da cidade.

Mas a prefeitura, essa grande mestra das prioridades seletivas, parece ter preferido aplicar o xeque-mate do esquecimento.

É curioso. O mesmo clube que leva o nome do município para além de suas ruas, que ecoa em competições e conversas pelo país, que já recebeu figuras cuja presença por si só legitima qualquer iniciativa cultural, torna-se invisível quando a caneta oficial decide o que merece memória. Como se a história só tivesse valor quando rende fotografia, voto ou palco.

Nesses trinta anos de existência do Clube de Xadrez de Bom Jesus do Norte, centenas de crianças e jovens puderam se desenvolver culturalmente, contribuindo para que a sociedade norte-bonjesuense se tornasse mais humana, mais sensível, mais consciente. Ainda assim, esse brilho parece passar despercebido pela prefeitura, que o ignora como se não fosse relevante. 

Para ela, o brilho dos outros não conta. Interessa apenas aquilo que pode lhe conferir mérito imediato, visibilidade rápida, votos contáveis.

Ignorar um aniversário como esse não é apenas um descuido administrativo, é uma escolha simbólica. É dizer, ainda que em silêncio, que há histórias que não importam. Que tradição não soma pontos. Que a cultura paciente, construída lance a lance, não compete com a urgência das agendas imediatas. E então fica a pergunta, pairando como um rei acuado no centro do tabuleiro: o que leva uma prefeitura a ignorar a própria história?

Talvez seja o receio do que não controla. Talvez a incapacidade de reconhecer grandeza onde não há holofotes. Ou talvez seja algo mais simples, e mais triste: a falta de visão para entender que uma cidade não se mede apenas por obras visíveis, mas pelas narrativas que escolhe preservar.

Enquanto isso, o Clube segue. Porque quem joga xadrez aprende cedo que nem todo movimento do adversário faz sentido, mas, ainda assim, o jogo continua.

E, ironicamente, continua vencendo.

Vida longa ao Clube de Xadrez de Bom Jesus do Norte. Três décadas de xeque, mate e, acima de tudo, vida!

O Olhar de Ricardo Soutto Mayor sobre a Usina Santa Maria

 

 Memórias da Santa Maria

​A imagem, tingida pelos tons sépia do tempo, não é apenas um registro geográfico; é um mapa afetivo de um mundo que palpitava ao ritmo das moendas. Olhar para a Usina Santa Maria dos anos 1960 é como ouvir o apito da fábrica ecoando pelo vale, chamando não apenas para o trabalho, mas para a vida que florescia em torno do açúcar e do suor.

​Ali, o progresso e a poesia caminhavam de mãos dadas.

A Geografia do Afeto

​No centro de tudo, a chaminé imponente, um dedo de concreto apontado para o céu, ditava o fôlego da vila. Mas o verdadeiro sangue da Santa Maria corria nas veias de suas ruas de terra:

O Sagrado e o Cotidiano: Entre o Cinema Antigo, onde os sonhos eram projetados em preto e branco, e a Padaria-Açougue, onde o cheiro do pão fresco se misturava ao aroma doce do melaço, a vida acontecia sem pressa.

O Alento Social: O Santa Maria Clube não era apenas um prédio; era o palco de bailes de gala e de encontros que definiram casamentos e amizades eternas. Ao lado, a Venda de Sr. Manoelzinho, com seu balcão de madeira, guardava o segredo das melhores prosas e o estalar das tesouras da barbearia.

O Futuro em Construção: No Jardim de Infância e no Grupo Escolar, as vozes infantis eram a promessa de que aquele império de cana-de-açúcar jamais feneceria.

Homens e Engrenagens

​A crônica da Santa Maria é escrita com nomes próprios. A foto nos lembra das casas de figuras como o Sr. Manoelzinho e o Sr. Zequinha. Eram mais que moradores; eram os pilares de uma comunidade onde todos se conheciam pelo sobrenome ou pelo ofício.

​Enquanto a Ponte Rolante transportava a cana pesada para o ventre das moendas e a Balança Ferroviária ditava o ritmo da exportação, nas Oficinas e Serrarias, o trabalho braçal transformava madeira e metal em sustento. Era um ecossistema perfeito: a usina alimentava a vila, e a vila, com seu amor e dedicação, mantinha a usina viva.

O Legado de Ricardo

​Graças à contribuição de Ricardo Souto Mayor, essa janela para o passado permanece aberta. Esta imagem não é apenas nostalgia; é um testemunho de uma era onde a "usina do meu tempo" era o centro do universo.

​Hoje, o melaço pode ter secado e o barulho das moendas silenciado, mas nas frestas desta fotografia, o tempo parou. Ainda podemos ouvir o riso das crianças no pátio e sentir o calor do sol de fim de tarde batendo nos telhados da Santa Maria.

A Usina Santa Maria não era feita de tijolos, mas de gentes. E enquanto houver memória, o seu apito continuará a soar em nossos corações.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

A vida é um eco, você recebe o que emite, por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


*A vida é um eco, você recebe o que emite.*


Somos condutores de energia. Se desejamos o bem, o bem vem. Se espalhamos amor, o amor fica. Se sorrimos, sorrisos recebemos. Pode demorar. Pode não ser sempre. Mas se tem uma coisa que a vida faz é ser grata, desde que sejamos com ela. Se tem uma coisa que o universo faz é ser justo, desde que sejamos com o nosso próximo. As coisas acontecem. A bondade existe. O amor vence. E toda positividade precisa circular. Espalhe. 


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

UM AÇORIANO DE CORAÇÃO BONJESUENSE



A Programação do Sarau da Emoção:: A Chama da Cultura

 

Lá no Sarau da Emoção, 

vá, confirme de uma vez!

Terá teatro, canção 

e torneio de xadrez!


A praça será abrigo

para poesia e dança, 

trazendo, com cada amigo,

na bagagem, esperança. 

(Lúcia Spadarotto)




A Praça Governador Portela prepara-se para ser, mais do que um espaço geográfico, um território de afetos. No dia 16 de maio de 2026, o asfalto e as árvores darão lugar ao Sarau da Emoção, um convite para que a alma descanse os olhos nas belezas do espírito.

​A programação é um mosaico tecido com a delicadeza de quem entende que a cultura é o fio que une o passado ao presente.

O Despertar da Tarde

​Tudo começa às 15:00, quando a abertura oficial rompe o silêncio cotidiano, abrindo alas para o musical EmocionalMente. É a música, em sua forma mais pura, preparando o terreno para a literatura que segue logo depois. Às 17:00, as páginas de "As Aventuras de Guga e Bê", da escritora Lúcia Spadarotto, ganham o mundo, lembrando-nos que a infância é o lugar onde a imaginação nunca envelhece.

​A Palavra e o Pensamento

​Quando as sombras começarem a se alongar, às 17:30, as vozes se encontrarão na Roda de Conversa. Sob o tema "Emoção e Saúde", o microfone aberto será o canal para que o íntimo se torne coletivo, em um exercício necessário de cuidado e escuta.

​O Movimento das Horas

​A noite chega trazendo diferentes ritmos:

19:00: O silêncio estratégico do Torneio de Xadrez, onde a mente dança sobre o tabuleiro.

20:00: As luzes da cena na peça teatral "A Chama".

20:15: O reconhecimento carinhoso na homenagem "Cuidando de quem cuida", pelo Grupo MAR.

​O Ápice da Celebração

​A noite culmina na celebração da palavra escrita com a Premiação do Concurso Literário às 20:30. Para fechar as cortinas com a alma plena, o músico Válber Meireles e o cordelista Gogó Pacheco trazem a melodia e a rima que ecoam as raízes da nossa terra.

​No meio de oficinas e exposições o Sarau não é apenas um evento; é um abraço coletivo em Bom Jesus do Itabapoana. É a prova de que, quando a arte se encontra com a comunidade, a emoção deixa de ser um sentimento individual para se tornar o patrimônio de todos nós.


 


Varre-Sai no Degrau Mais Alto

 


Ouro no Pasto, Glória no Coração

​Há conquistas que não cabem apenas em troféus; elas transbordam pelos vales, ecoam pelas montanhas de Varre-Sai e se misturam ao cheiro do café e da terra úmida que tanto amamos. Hoje, o Brasil inteiro olha para o nosso pedaço de chão e descobre o que já sabíamos: aqui, a dedicação tem raízes profundas.

Alvaro José Pirozzi não apenas cria gado; ele cultiva uma linhagem de excelência. Ao ser coroado o 1º lugar no Ranking Nacional 2025 como o melhor criador de Guzerá Leiteiro, Alvaro transforma o suor do dia a dia em ouro líquido, em reconhecimento que atravessa fronteiras.

​"A pecuária é uma arte escrita no couro e no leite, um diálogo constante entre o homem e a natureza."

​Em Uberaba, sob o sol da EXPOZEBU, o nome de Varre-Sai será pronunciado com a reverência que merece. Ver um filho da nossa terra subir ao degrau mais alto do pódio nacional é sentir que cada pequeno produtor, cada sonhador dessas paragens, também recebe um pouco dessa medalha.

​É o triunfo da persistência. É a prova de que, quando o trabalho é feito com paixão e apoio, o destino não pode ser outro senão o topo.

Parabéns, Alvaro! Que seu rebanho continue sendo o espelho de um trabalho hercúleo e que o brilho dessa conquista ilumine ainda mais os caminhos do nosso querido Noroeste. Varre-Sai hoje não apenas caminha; ela galopa, orgulhosa, no topo do Brasil.