Hoje, 13 de agosto, Bom Jesus do Itabapoana, sob o sol dourado do inverno brasileiro, se veste de luto e de celebração. O vento morno, que sopra do vale, parece carregar consigo o lamento das folhas da árvore chorona, cujos galhos finos e compridos beijam o monumento de granito. Esta árvore, testemunha silenciosa da história, é o ponto de encontro, o marco sagrado onde o passado e o presente se entrelaçam.
O monumento ergue-se humilde sob a sombra acolhedora. Não é imponente, nem grandioso, mas carrega em suas inscrições o peso de uma saga. A coroa, a pomba, a placa de bronze, polida pelo tempo, relatam a história da imigração açoriana, uma odisseia de coragem e saudade. É a saga de homens e mulheres que, no século XIX, trocaram o solo vulcânico das ilhas do Atlântico por estas terras férteis e desconhecidas. Eles trouxeram consigo o sotaque peculiar, as tradições religiosas, a fé inabalável e a resiliência do povo das brumas.
A árvore chorona, com seu aspecto melancólico, parece chorar não apenas a perda, mas também a distância. Seus galhos pendentes formam uma espécie de altar natural, onde os descendentes se reúnem para prestar homenagem. Hoje, 13 de agosto, a atmosfera é solene. A data marca o falecimento do grande Padre Mello, figura lendária que, com seu espírito missionário e amor ao povo, guiou e confortou os primeiros imigrantes. Sua presença, embora ausente fisicamente, é palpável no ar, na fé que move os presentes, na memória coletiva da comunidade.
Membros da Casa dos Açores do Espírito Santo presentes, vindos de Bom Jesus e terras vizinhas, se uniram à comemoração. Seus rostos refletem a diversidade e a unidade da comunidade açoriana no Brasil. Estiveram juntos, numa cerimônia que une, através do Atlântico, os corações batem no mesmo compasso.
Esta celebração ganha um significado ainda mais profundo com a honrosa lembrança enviada do outro lado do oceano. O Dr. José Andrade, Diretor Regional das Comunidades do Governo dos Açores, fez questão de se fazer presente, enviando uma mensagem que ecoa como um abraço fraterno entre a ilha que nos deu origem e o solo que nos acolheu. Suas palavras, reproduzidas abaixo, reforçam os laços indestrutíveis que a distância física jamais conseguiu romper.
A árvore chorona, em seu pranto silencioso, continua a nos lembrar da importância de preservar a memória. Ela abriga em seus galhos a saudade e a esperança de um povo que, mesmo longe de sua terra natal, soube construir um novo lar, mantendo viva a chama de sua cultura.
Programação Solene
O encontro harmonizaou a solenidade cívica com a delicadeza da poesia e da música tradicional:
- Hino Nacional
- Hino dos Açores, interpretado pela voz e alma do Grupo Musical Amantes da Arte.
- Mensagem do Governo dos Açores, estreitando os laços indissolúveis entre o passado e o presente.
- Homenagem ao Imigrante Açoriano, embalada pelos acordes da música Ilhas de Bruma, dedilhada ao violão pelo açoriano Francisco Borba Gonçalves.
- Mostra das Bandeiras, exibindo com orgulho os 19 Concelhos do Arquipélago dos Açores.
Mensagem do Dr. José Andrade
(Diretor Regional das Comunidades do Governo dos Açores)
REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES
SECRETARIA REGIONAL DOS ASSUNTOS PARLAMENTARES E COMUNIDADES
Direção Regional das Comunidades
A Açorianidade, que ajudou a construir o Vale do Itabapoana através de uma secular emigração do Arquipélago dos Açores, tem sido reconhecida e valorizada por diferentes municípios da região fronteiriça dos estados brasileiros do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.
Por exemplo, através da Lei nº 1.242, de 10 de dezembro de 2025, a Câmara Municipal de Apiacá instituiu o dia 18 de junho como sendo o “Dia Municipal do Imigrante Açoriano”.
Outro exemplo, através da Lei nº 3.521, de 10 de abril de 2026, a Câmara Municipal de Viana instituiu o “Dia Municipal do Imigrante Açoriano e de Valorização da Cultura Açoriana” a ser anualmente comemorado por ocasião da Festa do Divino Espírito Santo.
Mas Bom Jesus chegou primeiro.
Através da Lei nº 1.867, de 6 de fevereiro de 2025, a Câmara Municipal de Bom Jesus do Itabapoana instituiu o “Dia Municipal do Imigrante Açoriano”, proposto pelo vereador Clerinho da Soledade e sancionado pelo vice-presidente José Luiz do Carmo, para ser anualmente comemorado por ocasião do dia 13 de agosto.
Evocamos assim a data de 13 de agosto de 1947, em que faleceu o ilustre e saudoso Padre António Francisco de Mello, natural da ilha de São Miguel, nos Açores, que foi o histórico e inesquecível pároco da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, criando a tradicional Festa de Agosto, inspirada no culto açoriano do Divino Espírito Santo.
A primeira comemoração do “Dia Municipal do Imigrante Açoriano” ocorreu há um ano, a 13 de agosto de 2025, com a inauguração do Monumento à Imigração Açoriana no Vale do Itabapoana, em pleno coração da cidade de Bom Jesus, partilhando agora a Praça Governador Portela com quatro bustos, todos eles ligados ao Arquipélago dos Açores: um do açoriano Padre Mello e três de açordescendentes – os irmãos e ex-governadores do Estado do Rio, Roberto e Badger Silveira, e o médico humanista José Vieira Seródio.
REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES
SECRETARIA REGIONAL DOS ASSUNTOS PARLAMENTARES E COMUNIDADES
Direção Regional das Comunidades
Um ano depois, aqui estamos, pela segunda vez, comemorando o "Dia Municipal do Imigrante Açoriano", graças à boa vontade de diferentes entidades, como seja a Câmara Municipal de Bom Jesus do Itabapoana, e à persistente dedicação de diversas personalidades, como seja o médico açordescendente Nino Moreira Seródio, presidente da Casa dos Açores do Espírito Santo.
De cada vez que comemora o "Dia Municipal do Imigrante Açoriano", a cidade de Bom Jesus celebra uma parte importante da sua história, simbolizada no hasteamento da Bandeira dos Açores, na execução do Hino dos Açores ou na interpretação das Ilhas de Bruma.
Sentimo-nos todos mais próximos, vencendo a distância do mar que construiu pontes de cumplicidade entre nós.
Neste mesmo dia de 2027 estaremos comemorando os 80 anos do falecimento do Padre Mello, certamente com a solenidade merecida, de forma coincidente com os 600 anos da descoberta e início do povoamento do Arquipélago dos Açores.
Em nome da Direção Regional das Comunidades do Governo dos Açores, agradeço ao Município de Bom Jesus do Itabapoana a instituição deste "Dia Municipal do Imigrante Açoriano", desejando que a sua celebração se repita por muitos e bons anos.
Bem hajam!
José Andrade
Diretor Regional das Comunidades do Governo dos Açores
Ponta Delgada, 7 de agosto de 2026

















































