quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O Cine Monte Líbano renasce: a memória que volta a iluminar Bom Jesus

 


Depois de 37 anos de silêncio, o histórico cinema construído pelo imigrante libanês Merhige Hanna Saad volta a alimentar o sonho de uma cidade. O prédio será transformado em um grande centro cultural pela UniFAMESC.

Há notícias que simplesmente chegam. E há notícias que fazem uma cidade inteira voltar a sonhar.

Foi assim que Bom Jesus do Itabapoana recebeu, com emoção e euforia, o anúncio feito pelo prefeito Paulo Sérgio Cyrillo, por ocasião da abertura da Exposição do Parque de Exposição da CAVIL: o histórico Cine Monte Líbano, símbolo de uma época de esplendor cultural e arquitetônico do município, será retomado.

Construído pelo libanês Merhige Hanna Saad, o imponente edifício, com capacidade para cerca de mil pessoas, marcou profundamente a paisagem e a vida cultural de Bom Jesus. Agora, depois de décadas de silêncio, suas portas poderão voltar a se abrir para a arte, para a música, para o teatro, para a literatura e para os encontros que fazem uma comunidade reconhecer a própria alma.

A UniFAMESC, que adquiriu o prédio, pretende transformar o espaço em um grande centro cultural. A notícia representa muito mais do que a recuperação de uma construção histórica: significa a possibilidade de devolver à cidade um de seus mais preciosos lugares de memória.

Inaugurado em 14 de agosto de 1950, o Cine Monte Líbano foi, à época, uma obra extraordinária. Sua arquitetura impressionava pela beleza e pela grandiosidade. Com aproximadamente mil lugares, nada devia aos melhores teatros da então capital da República. Foi um verdadeiro templo da cultura no coração do Vale do Itabapoana.

Ali passaram grandes nomes do teatro e da música brasileira. Ali gerações se encontraram diante das luzes do palco, das telas do cinema e da emoção compartilhada de uma plateia. Durante décadas, o Monte Líbano não foi apenas um prédio: foi cenário de sonhos.

Sua construção teria representado, à época, um investimento estimado em CR$ 3 milhões, uma cifra que revela a dimensão da ousadia de seu idealizador e a importância que a cultura e a arquitetura assumiam naquele momento da história de Bom Jesus.

Mas o tempo, implacável, também escreveu capítulos de silêncio.

Em 1989, o cinema encerrou suas atividades. Desde então, o imenso espaço permaneceu mergulhado em uma espécie de espera. Foram 37 anos de portas fechadas, enquanto a memória de quem viveu seus dias gloriosos permanecia viva no coração dos bonjesuenses.

Em 2002, foi protocolado junto à Secretaria Estadual de Cultura o pedido de tombamento do Cine Monte Líbano e, em 19 de novembro daquele ano, o tombamento provisório foi publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro pelo INEPAC - Instituto Estadual do Patrimônio Cultural.

Agora, o velho cinema parece finalmente ouvir novamente o rumor da vida.

A retomada do Monte Líbano chega em um momento especialmente simbólico. Bom Jesus atravessa um período de crescente valorização de sua memória, de sua história e de seu patrimônio cultural. Museus, memoriais, exposições, festivais, projetos literários e iniciativas de preservação vêm ajudando a reconstruir os fios de uma identidade que jamais deixou de existir.

E o Monte Líbano chega para ampliar esse movimento.

Mais do que restaurar paredes, janelas, corredores e o grande espaço destinado ao público, será preciso restaurar uma emoção coletiva.

Patrimônio não é somente aquilo que sobrevive ao tempo. Patrimônio é aquilo que consegue fazer o tempo sobreviver dentro de nós.

E o Cine Monte Líbano guarda muito tempo.

Guarda os passos daqueles que chegaram para assistir a um espetáculo. Guarda o brilho nos olhos de crianças diante da tela. Guarda os aplausos, os encontros, os namoros, as conversas na saída, os artistas que passaram por seu palco e as famílias que fizeram daquele lugar parte de suas próprias histórias.

Por isso, quando suas luzes voltarem a se acender, não será apenas um prédio histórico que estará iluminado.

Será a memória de Bom Jesus.

Será o legado libanês que ajudou a construir a cidade. Será a arquitetura encontrando novamente a arte. Será o passado oferecendo suas mãos ao futuro.

E essa será a mais bonita imagem desta retomada: um cinema que ficou 37 anos em silêncio preparando-se para voltar a ouvir os aplausos de uma nova geração.

Bom Jesus está eufórica, e tem motivos para estar.

Algumas cidades preservam seus monumentos.

Bom Jesus tem agora a oportunidade de fazer algo ainda maior: devolver vida ao seu monumento.

Que o Monte Líbano renasça.

Que suas portas se abram novamente.

Que a luz volte à tela.

Que a música volte ao palco.

Que a cultura volte a ocupar cada canto daquele templo.

E que, na noite de sua reabertura, quando as primeiras luzes se acenderem e a primeira plateia voltar a ocupar seus lugares, Bom Jesus possa olhar para aquele edifício e dizer, com orgulho e emoção:

“O nosso Monte Líbano voltou.”


O prefeito Paulo Sérgio Cyrillo anunciou a retomada do Cine Monte Líbano, um dos mais belos e emblemáticos símbolos da história cultural de nossa cidade



Memorial: A esperança que nasce quando a memória encontra a juventude


Se a maior alegria de um pai é testemunhar o crescimento humano de um filho, talvez também exista uma alegria semelhante para uma geração que, depois de sonhar com um país diferente, começa a perceber que o tempo lentamente a conduz ao ocaso: ver surgir uma nova geração disposta a pensar no país para além de seus próprios interesses.

Foi sob esse signo de esperança que Daniel Albuquerque Abramo, coordenador estadual do Centro de Memória Trabalhista no Rio de Janeiro, esteve em Bom Jesus do Itabapoana. Jovem e dedicado à preservação da memória política brasileira, Daniel veio conhecer o Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira e mergulhar nas páginas da história de uma das grandes lideranças populares do Rio de Janeiro.

Mais do que uma visita, sua presença representou um encontro entre gerações.

De um lado, a memória daqueles que acreditaram que a política poderia ser instrumento de transformação social, justiça e esperança. Do outro, uma juventude que, em meio ao ruído de um mundo cada vez mais consumista, individualista e veloz, começa a descobrir que o passado não é uma paisagem morta, mas uma espécie de bússola para o futuro.

Daniel colaborou de maneira significativa com a pesquisa e a confecção da publicação dedicada a Roberto Silveira, realizando levantamentos, recolhendo informações históricas e contribuindo para que documentos, lembranças e episódios da trajetória do inesquecível governador pudessem atravessar o tempo e alcançar novas gerações.

E foi justamente no dia 7 de agosto de 2026, durante a celebração dos dez anos do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira, no Sítio Benedito dos Santos, em Calheiros, que esse reconhecimento ganhou forma.

A Associação dos Amigos do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira, por meio de seu presidente, André Luiz de Oliveira, entregou a Daniel um Certificado de Reconhecimento pela sua contribuição à preservação da memória do trabalhismo brasileiro e, especialmente, pelo seu envolvimento na publicação dedicada a Roberto Silveira.

O gesto, aparentemente simples, carregava um significado maior.

Era como se Bom Jesus do Itabapoana, terra natal de Roberto Silveira, dissesse a um jovem: obrigado por ajudar a contar a nossa história.

No certificado, a Associação destacou o compromisso permanente de Daniel com a preservação da memória do trabalhismo brasileiro, sua atuação no resgate da história de grandes lideranças populares e sua contribuição para manter viva a trajetória de Roberto Silveira.

Memória não é apenas aquilo que ficou para trás.

Memória é aquilo que o passado consegue acender no presente.

Há uma razão especial para acreditar no futuro quando jovens deixam de olhar a história apenas como um conjunto de datas, nomes e fotografias antigas e passam a compreendê-la como uma responsabilidade. Quando descobrem que a construção de um país melhor exige mais do que conquistas individuais; exige participação, solidariedade, compromisso e capacidade de sonhar coletivamente.

Em tempos em que a indústria cultural frequentemente transforma cidadãos em consumidores e estimula a celebração do individualismo, encontrar jovens interessados em história, política, cultura e memória pública é uma pequena, mas poderosa forma de resistência à alienação.

Não se trata de idealizar uma geração nem de condenar outra. Trata-se de reconhecer que cada geração tem o dever de entregar à seguinte aquilo que recebeu de melhor - e também de ajudá-la a superar os erros que o tempo revelou.

Roberto Silveira pertence à história. Mas os seus ideais não precisam pertencer apenas ao passado.

É justamente aí que a memória encontra a juventude.

E essa é a mais bonita homenagem que se pode fazer a um homem público: perceber que, décadas depois de sua passagem, ainda existem jovens dispostos a pesquisar sua trajetória, compreender suas ideias e contar sua história.

No 7 de agosto, entre os que celebravam a memória de Roberto e Badger Silveira, o certificado entregue a Daniel Albuquerque Abramo tornou-se mais do que uma distinção.

Foi um gesto de confiança no futuro.

Como se uma geração que está se despedindo dissesse àquela que chega:

“Nós sonhamos. Agora, cabe a vocês continuar sonhando - e, sobretudo, transformar o sonho em caminho.”

Quando uma sociedade consegue transmitir aos seus jovens não apenas a lembrança de seus grandes homens, mas também os valores que os fizeram grandes, há motivos para acreditar que a história ainda não terminou.

Há motivos para esperança.

Enquanto houver jovens dispostos a conhecer o passado para compreender o presente e transformar o futuro, a memória continuará sendo uma chama  - e nenhuma chama verdadeiramente compartilhada se apaga.

O CERTIFICADO DE RECONHECIMENTO

A Associação dos Amigos do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira confere o presente Certificado de Reconhecimento a Daniel Albuquerque Abramo, Coordenador Estadual do Centro de Memória Trabalhista no Rio de Janeiro, em reconhecimento ao seu compromisso com a preservação da memória do trabalhismo brasileiro e à sua dedicação ao resgate da história de grandes lideranças populares, especialmente do legado do inesquecível Governador Roberto Silveira.

Sua presença em Bom Jesus do Itabapoana, os levantamentos realizados, o recolhimento de informações históricas e sua visita ao Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira reafirmam seu respeito pela memória pública e pelos valores que moldaram a identidade política e social do nosso Estado.

Sua participação na confecção da publicação dedicada a Roberto Silveira, por meio de pesquisa, reflexão e contribuição intelectual, representa importante colaboração para que essa história continue sendo contada com fidelidade, respeito e emoção.

A memória não é apenas registro do passado: é força viva que inspira o presente e orienta o futuro. Este reconhecimento traduz a gratidão de Bom Jesus do Itabapoana e de todos aqueles que acreditam que a história, quando preservada, atravessa o tempo e continua a iluminar as novas gerações.

Sítio Benedito dos Santos - Calheiros
Bom Jesus do Itabapoana (RJ), 7 de agosto de 2026.

André Luiz de Oliveira
Presidente da Associação dos Amigos do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira

















A Voz que Ecoa em Bom Jesus: A Jornada de Marcelo Ribeiro ​



Em Bom Jesus do Itabapoana, onde o Rio Itabapoana canta suas histórias e as árvores centenárias guardam segredos, uma voz se destaca, tecendo memórias e unindo a comunidade. É a voz de Marcelo Ribeiro.

​Crescendo nas ruas de Bom Jesus, Marcelo alimentava um sonho em seu peito: ser a voz que leva informação e alegria a todos. Desde cedo, ele observava com fascinação os comunicadores da rádio, a magia de suas palavras e o poder de suas vozes em alcançar corações distantes.

​Seus primeiros passos na comunicação foram modestos, mas cheios de entusiasmo. Com um microfone emprestado e um sistema de som improvisado, ele percorria as ruas da cidade, anunciando promoções, eventos comunitários e tocando as músicas que animavam o dia a dia dos moradores. Sua voz, com um timbre marcante e uma energia contagiante, logo se tornou familiar, um convite à alegria e à participação.

​Com o passar dos anos, o talento de Marcelo foi reconhecido e ele conquistou seu espaço na Rádio Sertaneja. Na emissora, ele se tornou uma das vozes mais queridas da região, comandando programas que celebram a música sertaneja e a cultura local. Sua voz, agora amplificada pelas ondas do rádio, alcançava lares em todo o Vale do Itabapoana, levando alegria, informação e esperança.

​Mas a voz de Marcelo Ribeiro não se limita ao rádio. Ele também se destaca como cerimonialista, emprestando sua eloqüência e seu carisma a eventos importantes da cidade. Sua capacidade de conectar com o público, de transmitir emoção e de criar um ambiente acolhedor o torna um comunicador versátil e admirado.

​Um dos momentos mais marcantes da carreira de Marcelo foi sua participação na celebração dos 10 anos de fundação do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira, em Bom Jesus do Itabapoana. Com sua voz firme e serena, ele guiou a cerimônia, celebrando a história e a importância desses dois grandes líderes para o desenvolvimento da região.

​No Sítio Benedito Santos, em Calheiros, Marcelo também brilhou, comandando o lançamento da publicação sobre Roberto Silveira. Com sua paixão pela história local e sua habilidade em contar histórias, ele envolveu o público, resgatando a memória de Roberto Silveira e sua contribuição para o estado do Rio de Janeiro.

​Marcelo Ribeiro é muito mais que um locutor ou cerimonialista. Ele é um comunicador nato, um contador de histórias e um elo entre as pessoas de Bom Jesus do Itabapoana. Sua voz, cheia de emoção e energia, ecoa pelas ruas da cidade, levando alegria, informação e esperança a todos. Ele é a voz que une a comunidade, que celebra a cultura local e que inspira as novas gerações a sonhar e a fazer a diferença.

​Sua jornada é um exemplo de perseverança, talento e dedicação. Ele é uma inspiração para todos aqueles que acreditam no poder da comunicação para transformar vidas e construir um futuro melhor. Bom Jesus do Itabapoana tem orgulho de ter Marcelo Ribeiro como sua voz, uma voz que ecoa com força e brilho, levando o nome da cidade para além das fronteiras do Vale do Itabapoana.



terça-feira, 11 de agosto de 2026

Desejo, por Rogério Loureiro Xavier

 


*Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.*


*Desejo*


*Que Deus nos abençoe nesse dia, e nos faça vencê-lo com força, fé, coragem e gratidão.*

*Que nada nos falte, que nada nos atrapalhe, que nada nos desvie daquilo que é pra ser em nossa vida.*

*Que a gente saiba ser Paz em meio as batalhas da Vida.*


*"Se tudo na vida fosse só alegria, as pessoas não dariam valor a felicidade. Ás vezes é preciso chorar para sabermos o quanto é bom sorrir, é preciso sentir saudade para saber o quanto gostamos de alguém, quando temos tudo nada parece ter valor. A vida é um antes, um durante e um depois. Por isso, viva hoje, esqueça o ontem e deixe Deus decidir o amanhã!!!"*


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

CAVIL: 78 anos semeando desenvolvimento no Vale do Itabapoana

 

Em um encontro de gigantes, Adeildo Gomes de Rezende, Anderson Gomes Godinho  e Dr. Nino Moreira Seródio representam duas forças que ajudam a construir a região: o desenvolvimento econômico e o resgate da memória cultural.



Há homens que, pela dedicação à sua terra e à sua gente, acabam se tornando parte da própria história que ajudam a construir.

Foi assim o encontro entre Adeildo Gomes de Rezende, Diretor-Superintendente da CAVIL; Anderson Gomes Godinho, do Conselho de Administração da cooperativa; e Dr. Nino Moreira Seródio, presidente da Casa dos Açores do Espírito Santo. Três homens, três trajetórias, três formas de servir à comunidade, reunidos no Empório da CAVIL, instalado na área externa do Parque de Exposições de Bom Jesus do Itabapoana.

Um encontro de gigantes.

De um lado, Dr. Nino, capitaneando o resgate da memória e da presença da colonização açoriana no Espírito Santo, fazendo da história uma ponte entre o passado e o futuro. De outro, Adeildo e Anderson à frente de uma instituição que há décadas participa da construção econômica do Vale do Itabapoana, transformando o trabalho do homem do campo em riqueza, produção e prosperidade.

A CAVIL, Cooperativa Agrária do Vale do Itabapoana, carrega uma história que se confunde com a própria trajetória econômica da região. Fundada por Eurico Moreira de Faria e outros idealistas, teve lançada a pedra fundamental de sua sede em 15 de agosto de 1948. Desde então, atravessou gerações, mudanças econômicas e transformações sociais, mantendo viva a vocação cooperativista de unir forças para produzir desenvolvimento.

São 78 anos de funcionamento, construídos com o trabalho de centenas de cooperados e com uma presença que ultrapassa os limites de um município ou de um Estado.

Hoje, a CAVIL reúne aproximadamente 550 cooperados e contribui para a geração de cerca de 110 empregos diretos e indiretos. Mantém dois Empórios e dois postos veterinários, instalados em Bom Jesus do Itabapoana, no Rio de Janeiro, e Bom Jesus do Norte, no Espírito Santo.

É uma estrutura que revela, em números, aquilo que a história já demonstrou: uma cooperativa pode ser muito mais do que uma instituição econômica. Pode ser uma força de integração regional.

Uma exposição que celebra o campo

E é justamente no Parque de Exposições de Bom Jesus do Itabapoana que essa vocação ganha ainda mais visibilidade.

Segundo Adeildo, amanhã terá início mais uma Exposição, reunindo 63 expositores, número expressivo também para o tradicional concurso leiteiro. Uma celebração que se soma a uma história de 85 anos de exposições, nas quais o campo, o produtor rural e a pecuária regional encontram espaço para mostrar sua força.

Ali, o leite não é apenas produto.

É trabalho.

É madrugada.

É tradição familiar.

É o homem do campo acordando antes do sol para cumprir uma tarefa que atravessa gerações.

Um novo horizonte para a CAVIL

Mas o encontro trouxe também uma notícia que pode abrir um novo capítulo na história da cooperativa.

Adeildo revelou a existência de uma forte expectativa de que a CAVIL receba uma área de um alqueire em Bom Jesus do Norte para a construção de uma nova indústria, iniciativa que conta com a perspectiva de apoio do Governo do Estado do Espírito Santo e da Prefeitura de Bom Jesus do Norte.

Se concretizado, o projeto poderá representar um importante passo para o fortalecimento da atividade econômica regional, agregando valor à produção, criando novas oportunidades e ampliando a capacidade de geração de emprego e renda.

É uma notícia que merece ser recebida com esperança, porque desenvolvimento verdadeiro não se constrói apenas com grandes obras, mas com a capacidade de uma região acreditar no próprio potencial.

E o Vale do Itabapoana tem potencial de sobra.

Quando o passado encontra o futuro

Talvez por isso o encontro entre Adeildo, Anderson e Nino tenha sido tão simbólico.

Ali estavam a economia, a cultura, a memória e o sentimento de pertencimento encontrando-se em torno de uma mesma mesa.

Dr. Nino trabalha para que a história dos açorianos não seja esquecida.

Adeildo trabalha para que o produtor rural tenha futuro.

Anderson participa da construção das decisões que conduzem uma cooperativa que já atravessou quase oito décadas.

E todos, cada qual à sua maneira, ajudam a demonstrar que uma região se torna grande quando aprende a reconhecer suas raízes sem deixar de plantar o amanhã.

A CAVIL nasceu de um grupo de idealistas que, em 1948, lançou uma pedra fundamental.

Setenta e oito anos depois, aquela pedra parece continuar sendo lançada, agora não mais apenas para erguer uma sede, mas para construir novos caminhos.

Algumas instituições envelhecem. Outras amadurecem. E há aquelas que, como a CAVIL, continuam semeando futuro.

No Vale do Itabapoana, onde o rio atravessa fronteiras e aproxima pessoas, a história ensina uma lição singela: quando o trabalho encontra o idealismo, a terra deixa de ser apenas território e passa a ser destino coletivo.

E esse é o maior legado de uma cooperativa que nasceu há 78 anos: provar que a prosperidade de uma região começa quando seus homens acreditam que vale a pena construí-la juntos.



Repercute no Rio de Janeiro o Memorial e a publicação sobre Roberto Silveira


 

A Escola Otília Vieira Campos no Memorial: Quando uma criança devolveu Roberto Silveira à História


 




























O passado não apenas foi lembrado: o futuro foi aceso


O dia 7 de agosto de 2026 é daqueles que ficam para sempre na memória. 

Nessa manhã, ao celebrarmos os dez anos de fundação do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira e o lançamento da publicação sobre Roberto Silveira pelo Centro de Memória Trabalhista, não estávamos apenas reunidos para recordar o passado. Estávamos, talvez sem perceber, diante de uma das mais bonitas manifestações de esperança que uma cidade pode oferecer: crianças aprendendo a amar e compreender a história do lugar onde nasceram.

E foi nesse encontro entre passado e futuro que aconteceu uma cena pequena, quase silenciosa, mas de uma grandeza capaz de emocionar qualquer coração.

Dora Silveira, filha de Roberto Silveira, conheceu o trabalho desenvolvido pela Escola Municipal Professora Ottília Vieira Campos. Conheceu a dedicação da direção, das professoras e, sobretudo, conheceu o olhar das crianças sobre a história de seu pai.

Por meio do projeto “Ler para Pertencer: Histórias que Inspiram o Futuro”, os alunos do 5º ano haviam descoberto Roberto Silveira não apenas como governador, mas como homem, como filho da terra, como alguém que nasceu no interior, cresceu ligado às suas raízes e conseguiu alcançar uma das mais altas posições da vida pública fluminense sem perder o vínculo com sua gente.

Aquelas crianças pesquisaram documentos, fotografias e jornais antigos. Visitaram o Memorial. Conversaram com pessoas que guardam lembranças de outros tempos. Descobriram pedaços da história de Bom Jesus do Itabapoana que talvez estivessem adormecidos em velhos papéis, fotografias amareladas e na memória dos mais velhos.

E fizeram algo ainda mais bonito.

Transformaram a História em imaginação.

Transformaram o açordescendente Roberto Silveira em personagem de um conto de fadas.

A infância tem esse poder extraordinário de retirar a poeira do tempo e devolver às histórias a capacidade de encantar.

Foi assim que nasceu “Roberto e a estrela brilhante, o conto do menino das montanhas que ganhou uma coroa invencível e se tornou guardião de sua gente”.

Que bela metáfora!

Um menino das montanhas.

Uma estrela brilhante.

Uma coroa.

Um guardião.

E, por trás da fantasia, uma verdade profundamente humana: grandes sonhos podem nascer em lugares pequenos.

Talvez Roberto Silveira jamais pudesse imaginar que, décadas depois, sua história seria contada por crianças de sua terra como quem conta uma história de encantamento.

Mas foi.

E nesse dia, diante de Dora, a História ganhou uma voz.

Uma das crianças soube que aquela senhora era filha de Roberto Silveira. Olhou para ela e, com a espontaneidade própria de quem ainda não aprendeu a medir as palavras, disse:

“Você é filha de um grande homem!”

Foi tudo.

Uma frase.

Poucas palavras.

Mas há frases que parecem pequenas apenas porque não conseguimos medir o tamanho da emoção que carregam.

Naquele instante, Dora recebeu muito mais do que um elogio.

Talvez tenha recebido de volta uma parte da história de seu pai.

Porque há uma espécie de eternidade que somente os filhos conhecem: aquela que começa quando alguém que amamos deixa de pertencer apenas à nossa memória e passa a pertencer também à memória dos outros.

Roberto Silveira, naquele instante, já não era somente o pai de Dora.

Era também o personagem descoberto por aquelas crianças.

Era o homem pesquisado nos documentos.

Era o rosto encontrado nas fotografias.

Era o nome preservado pelo Memorial.

Era a história contada pela professora.

Era a lembrança transmitida por quem ainda viveu aqueles tempos.

E, sobretudo, era aquele homem que uma criança, sem obrigação alguma de fazê-lo, chamou simplesmente de “grande homem”.

Talvez nenhum discurso pudesse ser mais bonito.

Talvez nenhuma solenidade pudesse produzir homenagem maior.

Porque uma criança não estava repetindo uma frase decorada.

Estava falando aquilo que havia aprendido e, principalmente, aquilo que havia sentido.

Foi então que se compreendeu mais uma vez, o verdadeiro significado de um Memorial.

Um Memorial não é um lugar onde o passado vai morrer.

É um lugar onde o passado aprende a conversar com o futuro.

Os documentos não são apenas documentos.

As fotografias não são apenas fotografias.

Os nomes não são apenas nomes gravados em placas.

Tudo aquilo é uma ponte.

Uma ponte entre aqueles que vieram antes e aqueles que ainda estão chegando.

E o Projeto “Ler para Pertencer” construiu uma dessas pontes.

A escola levou as crianças até Roberto Silveira.

E as crianças, por sua vez, levaram Roberto Silveira de volta ao futuro.

Que responsabilidade extraordinária têm os professores!

Eles não ensinam somente datas, nomes e acontecimentos.

Eles podem ensinar uma criança a descobrir que ela pertence a algum lugar.

Que sua cidade tem uma história.

Que seus antepassados tiveram sonhos.

Que pessoas simples podem realizar coisas extraordinárias.

Que a grandeza não depende necessariamente do tamanho da cidade onde alguém nasce.

E que o futuro não é uma página em branco: ele começa a ser escrito quando aprendemos a ler as páginas que vieram antes de nós.

Foi isso que Dora viu.

E foi isso que a emocionou.

Ela viu que o nome de seu pai não estava preso ao passado.

Estava vivo.

Estava nas mãos de crianças.

Estava nos olhos de professoras.

Estava na imaginação daqueles quatorze alunos.

Estava dentro de uma escola pública.

Estava dentro de uma cidade que ainda se reconhece naqueles que ajudaram a construí-la.

E, naquele instante, ficou claro para todos nós que a memória não é apenas uma homenagem aos mortos ou aos que já passaram.

Memória é uma forma de esperança.

Quando uma criança conhece a história de sua cidade, ela começa a compreender que também pode fazer parte dela.

Quando aprende que alguém de sua própria terra sonhou grande, começa a acreditar que também pode sonhar.

Quando descobre que um menino das montanhas chegou ao governo do Estado, talvez passe a olhar para suas próprias montanhas com outros olhos.

E é assim que uma sociedade começa a se transformar.

Não apenas pelas grandes decisões dos homens públicos.

Mas pelas pequenas sementes plantadas diariamente nas escolas.

Uma professora contando uma história.

Uma criança fazendo uma pergunta.

Um livro sendo aberto.

Uma fotografia sendo observada.

Um Memorial recebendo visitantes.

Um pai sendo lembrado pela filha.

E, no meio de tudo isso, uma frase infantil atravessando décadas:

“Você é filha de um grande homem!”

Naquele momento, se teve a impressão de que o tempo fez uma pausa.

Por um breve instante, o menino Roberto Silveira pareceu voltar às montanhas.

Talvez tenha caminhado novamente pelas paisagens de sua infância.

Talvez tenha reencontrado a terra de onde partiu.

Talvez tenha olhado para Bom Jesus do Itabapoana.

E, vendo aquelas crianças reunidas em torno de sua história, tenha compreendido que uma vida verdadeiramente grande não termina quando termina.

Ela continua quando encontra quem a conte.

Continua quando encontra quem a escute.

Continua quando encontra quem dela aprenda.

Continua quando uma criança olha para a filha daquele homem e diz, com a mais pura das convicções:

“Voce é filha de um grande homem!”

E então se percebeu que os dez anos do Memorial não eram apenas dez anos de passado preservado.

Eram dez anos de futuro construído.

Ali, naquele encontro, Roberto Silveira não estava apenas sendo lembrado.

Estava sendo semeado.

Semeado na memória de uma nova geração.

Semeado nas escolas.

Semeado nos livros.

Semeado nas fotografias.

Semeado nas palavras.

Semeado no coração de cada criança que descobriu que a história de Bom Jesus também é parte da sua própria história.

E esse é o maior legado que um Memorial pode deixar:

não fazer com que olhemos eternamente para trás,

mas fazer com que, ao olhar para trás, tenhamos coragem de caminhar para a frente.

Que o Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira continue sendo essa casa onde o tempo não envelhece, porque cada nova geração lhe oferece um novo olhar.

Que continue sendo ponte, escola, memória e esperança.

E que, daqui a muitos anos, quando outras crianças entrarem por suas portas, possam ouvir as histórias daqueles que fizeram de Bom Jesus uma cidade de homens e mulheres de coragem, de sonhos e de trabalho.

Talvez uma dessas crianças pergunte quem foi Roberto Silveira.

E talvez outra responda:

 - Foi um homem que veio das montanhas, sonhou grande e nunca esqueceu sua gente.

Então, em algum lugar, no meio de uma fotografia antiga e de uma página de livro, a memória sorrirá.

Porque terá cumprido sua missão.

O passado terá encontrado o futuro.

E Bom Jesus terá descoberto, mais uma vez, que uma cidade só permanece viva quando suas crianças aprendem a amar a sua própria história.

Foi isso que Dora Silveira levou consigo naquele 7 de agosto.

Não apenas a emoção de ouvir falar de seu pai.

Levou a certeza de que sua memória continua viva.

E nós, que testemunhamos aquele momento, levamos uma certeza ainda maior:

enquanto houver uma criança capaz de dizer que um homem foi grande, haverá esperança de que a grandeza humana ainda possa nascer outra vez.

E nesse dia, diante do Memorial, no meio da memória de Roberto Silveira e dos olhos luminosos de uma criança, o passado não apenas foi lembrado: o futuro foi aceso.


Projeto Ler para Pertencer: Histórias que Inspiram o Futuro

 E. M. Professora Ottília Vieira Campos


Histórias que formam, inspiram e transformam.

​Alunos do 5º ano mergulham na história de Roberto Silveira e descobrem que grandes sonhos também podem nascer em uma pequena cidade.

​Visão Geral do Projeto

​Há histórias que precisam ser contadas para que não sejam esquecidas, que podem despertar sonhos nas crianças e fazê-las olhar para o lugar onde vivem com outros olhos. Desse encontro entre leitura, memória, identidade e pertencimento nasceu o Projeto “Ler para Pertencer: Histórias que Inspiram o Futuro”, desenvolvido na Escola Municipal Professora Ottília Vieira Campos a partir de uma proposta da rede municipal de ensino.

​A escola trabalhou com sete trajetórias inspiradoras no total. A turma do 5º ano do Ensino Fundamental I, sob a orientação da professora Rozane Tavares de Souza Borges, escolheu conhecer e contar a história do governador Roberto Silveira, transformando uma proposta de leitura em uma verdadeira viagem pela história de Bom Jesus do Itabapoana.

​Uma História que Poderia Ser de um Conto de Fadas

​A trajetória de Roberto Silveira foi escolhida por trazer uma mensagem poderosa: um menino simples, ligado ao meio rural e às suas raízes, que nasceu no interior e chegou a um dos mais altos cargos do Estado do Rio de Janeiro sem esquecer sua gente e seu compromisso com o bem comum.

​Para apresentar essa história às crianças, a equipe pedagógica decidiu transformá-la em um conto de fadas, produzindo o livro: "Roberto e a estrela brilhante, o conto do menino das montanhas que ganhou uma coroa invencível e se tornou guardião de sua gente". A fantasia serviu como porta de entrada para a realidade, mostrando que existem histórias extraordinárias bem perto das crianças.

​Pesquisa e Descobertas

​Para construir o projeto, os 14 alunos realizaram diversas ações práticas:

  • Pesquisa documental: Buscaram informações em sites, registros históricos, reportagens de época, fotografias e materiais como o blog Espaço Cultural Luciano Bastos e O Norte Fluminense.

  • Visitas e encontros: A turma visitou o Memorial Roberto Silveira e conversou com pessoas com lembranças do ex-governador, incluindo Dona Georgina dos Santos (em cujo sítio os estudantes foram recebidos) e André Luiz de Oliveira (presidente do Memorial).

  • Estudo de fotografias históricas: Analisaram registros de Bom Jesus do Itabapoana, incluindo imagens de Roberto Silveira e a visita do então presidente João Goulart na inauguração da Rua República do Líbano.

  • Produções artísticas: Escreveram biografias, poemas e textos, além de realizarem trabalhos manuais e artísticos, como desenhos com grafismo.

​Alunos Participantes

​O 5º ano responsável pelo projeto foi integrado pelos seguintes 14 alunos:

  • ​Ana Allice dos Santos Souza

  • ​Benício Machado de Assis

  • ​Bernardo Pereira Fernandes

  • ​Carlos Henrique de Anuncio da Conceição

  • ​David Lucas Moreira Leite

  • ​Hallan Waiverson Veiga da Silva

  • ​Isabela Saly Borges de Sousa

  • ​João Benício Oliveira Mendes

  • ​Kayan Gabriel Rosa Palmares

  • ​Luiz Henrique Souza de Oliveira Neves

  • ​Maria Gabriela Dutra Dias

  • ​Rillary Florencio Ponciano

  • ​Sophya da Cruz Malaquias

  • ​Theo Dias Santos da Silva

​Equipe Escolar

​O projeto contou com o acompanhamento da gestão e orientação da escola:

  • Diretora Geral: Wiviane da Silva Amaral Teles

  • Diretora Adjunta: Lucia Helena Rosa da Silva

  • Orientadora Pedagógica: Izabel Cristina Dornellas da Silva Carneiro

​Culminância do Projeto

​No dia 10 de julho de 2026, a escola realizou a culminância do projeto com uma grande exposição das produções dos alunos para outras turmas, pais e comunidade. O evento contou com a apresentação de um poema em homenagem ao governador feita pelos alunos Benício Machado de Assis, Isabela Saly Borges de Sousa, Bernardo Pereira Fernandes, Theo Dias Santos da Silva e Luiz Henrique Souza de Oliveira Neves, além da presença especial de André Luiz de Oliveira.