segunda-feira, 11 de maio de 2026

DESAPEGO, por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


*DESAPEGO*

Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza:

"Só possuímos na vida o que dela pudermos levar ao partir”. 

É melhor refletir e começar a trabalhar o DESAPEGO JÁ!

Não são as coisas que possuímos ou compramos que representam riqueza, plenitude e felicidade.

São os momentos especiais que não tem preço, as pessoas que estão próximas da gente e que nos amam, a saúde, os amigos que escolhemos, a nossa paz de espírito.

*✍️ ..  Rogerio Loureiro Xavier*

Xande de Pilares e Bom Jesus: Quando o Samba Volta às Suas Raízes

 


Há cidades que permanecem apenas nos mapas.

Outras permanecem na alma.

Bom Jesus do Itabapoana é dessas cidades que não se explicam apenas por ruas, praças ou rios.

Ela vive na memória das famílias, nos silêncios das casas antigas, nas histórias passadas de geração em geração, e sobretudo na emoção daqueles que um dia partem, mas jamais deixam verdadeiramente sua terra.

Foi assim a chegada de Xande de Pilares a Bom Jesus do Itabapoana no Dia das Mães.

Não foi apenas a visita de um artista consagrado.

Foi o reencontro de uma história consigo mesma.

Nascido no Rio de Janeiro, criado entre as dificuldades da vida simples e os acordes do samba popular, Xande aprendeu cedo que a verdadeira grandeza nasce da humildade. Antes da fama, trabalhou como feirante, vendedor ambulante e enfrentou as batalhas anônimas que moldam os homens de verdade. Talvez por isso sua voz carregue tanta verdade: porque vem da vida.

Ao lado do Grupo Revelação, transformou o samba em oração popular. Canções como Tá Escrito, Deixa Acontecer e Coração Radiante atravessaram gerações, becos, rádios, quintais e corações brasileiros. Sua voz não canta apenas melodias, canta resistência, esperança e dignidade.

Mas naquele Dia das Mães, em Bom Jesus, havia algo maior que o palco, maior que a fama, maior que os aplausos.

Havia origem.

Hospedado no Hotel Pitucão, acompanhado de sua mãe e de sua avó, Xande caminhava pela cidade não como celebridade distante, mas como neto que retorna à terra onde nasceu parte de sua própria história. Porque foi em Bom Jesus que nasceu sua avó. E voltar à terra natal de uma avó é tocar as raízes invisíveis da existência.

E o próprio Xande resumiu esse sentimento em uma postagem com palavras que soam como poema:


Bom Jesus do Itabapoana, terra natal da minha vó...

E eu tive o privilégio de voltar aqui ao lado da minha mãe e da minha vó, revivendo nossas raízes e tantas histórias. 🙏🏾

Momentos assim ficam pra sempre no coração.

Duas mulheres que me ensinaram amor, força e vida.

Feliz Dia das Mães! ❤️”


Há gestos que valem mais do que discursos.

E essa visita foi um deles.

Num tempo em que muitos renegam o passado, Xande escolheu honrá-lo.

Ao trazer sua mãe e sua avó para rever a terra de suas origens, o cantor realizou um ato silencioso de grandeza: reconheceu que ninguém se constrói sozinho. Todo homem carrega dentro de si os passos daqueles que vieram antes. E quem reverencia seus ancestrais aprende a respeitar também a memória dos povos.

Por isso, sua presença em Bom Jesus teve algo de simbólico e profundamente humano.

Era o samba reencontrando suas raízes.

Era a memória abraçando o presente.

Era a cultura negra brasileira sendo celebrada não apenas nos palcos, mas na vivência familiar, na ancestralidade, na simplicidade do afeto.

Xande de Pilares tornou-se um dos maiores nomes da música brasileira porque nunca abandonou aquilo que o fez nascer artisticamente: o povo, a verdade e a emoção. Sua trajetória solo, iniciada em 2014, apenas confirmou aquilo que o Brasil já sabia, sua arte não depende de modismos, porque nasce da autenticidade.

E talvez seja justamente isso que mais aproxima Xande de Bom Jesus do Itabapoana: ambos preservam identidade. Ambos valorizam memória. Ambos sabem que tradição não é passado morto, mas herança viva.

Ao vir conhecer a cidade onde nasceu sua avó, Xande demonstrou mais do que carinho familiar. Demonstrou respeito por sua história, por seus ancestrais e pelos heróis anônimos que constroem as famílias brasileiras. Confirmou, na prática, que o homem é aquilo que faz, não apenas aquilo que diz.

Ele vive o que sonha e sonha o que vive.

No dizer de Bertolt Brecht, há homens que lutam um dia, outros um ano, outros muitos anos. Mas existem os imprescindíveis.

Xande pertence a essa categoria rara: a dos que carregam consigo a força da arte e a dignidade da memória.

E Bom Jesus do Itabapoana sente-se honrada por sua presença.

Honrada por acolher o neto de uma filha de sua terra.

Honrada por perceber que, em algum lugar do coração de um dos maiores sambistas do país, também palpita um pouco da alma bonjesuense.
















Helton Almeida: 97 Anos de História, Memória e Legado

 

Helton de Oliveira Almeida 

Hoje o tempo se curva diante da memória viva, e as páginas da história respiram gratidão.

Aos 97 anos, ergue-se sereno Helton de Oliveira Almeida, homem de letras, de trabalho e de raízes profundas, nascido sob o céu de Bom Jesus do Itabapoana, em 11 de maio de 1929, como quem veio ao mundo destinado a eternizar nomes, famílias e afetos.

“Hojе papai faz 97 anos. Oh Glória! Que o Senhor o conceda esse final de vida com paz e saúde”, exprimiu com amor sua filha Gleice, numa prece que ecoa em cada coração agradecido.

Filho de José Tarouquela de Almeida e Benedita Tarouquela, Heltinho nasceu em meio às lutas e aos recomeços. Seu pai, homem simples, apaixonado pelas máquinas e pelo trabalho, deixou São Domingos em busca de novos horizontes, levando consigo o sonho de construir futuro em Bom Jesus.

Ali, no meio de madeira, engrenagens e tinta de impressão, nasceu uma trajetória que se confundiria com a própria história da cidade. José Tarouquela enxergava poesia nas máquinas. Encantava-se com o telégrafo da estação ferroviária, com o som metálico das oficinas, com o movimento vivo das tipografias.

E foi movido por essa paixão que adquiriu uma antiga máquina francesa Alauzet, trazida de São José do Calçado, reconstituída pelas mãos curiosas do ferreiro italiano Vitório Cassamali.

Daquela máquina renasceu não apenas uma gráfica, mas uma semente de cultura e comunicação.

Assim surgiram a Tipografia Almeida e o jornal A Voz do Povo, marcos de uma época em que o papel guardava a alma das cidades.

Mais tarde, a tradição continuaria através da firma Irmãos Almeida, com Dalton e Hélvio, e sob a dedicação incansável de Heltinho.

Seu Heltinho não escreveu apenas livros, escreveu pertencimento.

Na obra Famílias Tradicionais, ao lado de Joãozinho Borges, preservou rostos, sobrenomes e memórias, guardando para as futuras gerações a essência de um povo, a dignidade das famílias e o florescimento cultural e econômico de nossa terra.

Na gráfica, transformou tinta em esperança.

Fabricou cadernos que chegaram a dezenas de prefeituras, imprimiu sonhos para milhares de estudantes, viu sua empresa alcançar 48 empregados, e fez do trabalho um ato de dignidade coletiva.

As máquinas rodavam como se cantassem, e cada folha impressa levava consigo um pouco da alma bonjesuense.

Mas a vida também lhe escreveu capítulos de dor.

Casado com a saudosa Gláucia Figueiredo Almeida, com quem construiu família e amor duradouro, teve os filhos Glicia, José Guilherme, Gleise e Helcia. São 10 netos e 15 bisnetos.

E foi justamente no coração de pai que o destino deixou suas marcas mais profundas.

Ao recordar a partida de José Guilherme e Hélcia, Heltinho confessou, emocionado:

“Não há como descrever a dor da perda de um filho. É como se eu estivesse vivendo um filme em preto e branco, e não mais colorido.”

Da dor nasceu poesia. E da saudade, eternidade.

CASTELO NA AREIA

Ao saudoso filho José Guilherme

Nossa vida é um castelo

Nas areias modelada

Para a nossa vista tão belo!

Em nossas mãos foi formado!

Não previmos que num lance

As ondas do mar avançassem

Na dura realidade

Este castelo erguido

Foi assim destruído

Restando só a saudade.

Mesmo depois do encerramento da gráfica, Heltinho não abandonou as máquinas.

Guardou em um cômodo de sua casa uma prensa, uma guilhotina manual e a velha máquina de cortar papel, como quem preserva relíquias sagradas de uma existência inteira.

Ali, no meio de papéis e lembranças, passou a produzir pequenos blocos que distribui às pessoas, num gesto simples que revela sua essência: a de quem nunca deixou de servir.

Heltinho revive, a cada dia, a trajetória iniciada por seu pai, continuada por seus irmãos, abraçada por seu filho Guilherme, e eternizada nos jornais e nas memórias de Bom Jesus.

Hoje, o Jornal O Norte Fluminense une sua voz às homenagens, celebrando não apenas um aniversário, mas uma vida inteira dedicada ao trabalho, à cultura e à preservação da memória.

Parabéns, seu Heltinho.

Que Deus lhe conceda serenidade nos dias, paz no coração e saúde no caminho.

E que jamais lhe falte a certeza de que sua história já pertence à eternidade daqueles que ajudaram a iluminar o destino de um povo.


Helton Almeida e a saudosa Gláucia Figueiredo Almeida 



Uma mensagem do neto Hugo Almeida Seródio em 2014




Onze de maio é um dia muito importante para a história da humanidade. Nesse dia foi registrada a invenção da primeira geladeira, assim como a inauguração do telégrafo no Brasil. Nesse dia também tivemos o prazer de ter canonização do 1º santo brasileiro, Frei Galvão. Nasceram grandes gênios como o pintor surrealista espanhol Salvador Dali, o cantor e compositor brasileiro Carlos Lyra e o futebolista do Barcelona e da seleção espanhola Andrés Iniesta.

Diante de todos esses fatos importantes e nascimentos de grandes astros mundiais, um outro acontecimento apequena-os e torna esse dia especial para mim. Ocorreu há exatos 85 anos, mais exatamente no ano de 1929. Nesse ano nascia meu querido avô, Helton de Oliveira Almeida.

Semelhantemente aos aniversariantes desse dia, meu avô também tem talentos de sobra. Um espírito trabalhador que nasceu dentro dele e que graças a isso conseguiu vencer na vida com muito suor e estrela, que os bons têm, pois  a sorte só vem para os competentes. 

Uma fé em Deus que é o que o sustenta diariamente das rasteiras que a vida está sujeita a nos dar. Um amor incondicional que não adianta falar, só quem está sob a proteção do maravilhoso casal formado por ele e vovó Gláucia sabe como é bom se sentir seguro. Aliás, não podia mesmo deixar de falar nela, a sua companheira de mais de seis décadas, a mãe de seus filhos e avó de seus netos, a pessoa que com ele mais briga, mas que também mais ama nesse mundo e não sabe o que é viver sem ela.

Pois é, meu avô Heltinho, quis aqui contar um pouco de sua vida de mostrar-lhe o quanto o senhor é importante para mim. Oito décadas e meia de vida não é para qualquer um, meu avô, e o senhor deve sempre ter muito orgulho de ser o homem que é, um verdadeiro pai de família que sente um amor incondicional por sua esposa e seus descendentes. Durante muito tempo fiquei afastado mas, felizmente, notei a tempo o quanto é bom estar em sua companhia, conversando, ouvindo suas belas histórias de vida, para mim isso não tem preço.

Depois de tudo o que passamos juntos desde a doença da minha mãe, passei a notar que podia explorar algo que nunca tinha dado tanta importância: o amor dos meus avós. E acabei notando que ganhei muito mais que isso. Perdi uma mãe, mas ganhei um pai e uma mãe e, acima de tudo, dois amigos fiéis que se preocupam comigo, que querem sempre o meu bem. Cheguei a achar que eu estaria sozinho no mundo, mas vocês fizeram eu notar que não ficaria só.

Parabéns pelo seu dia, meu querido avô, e espero que eu tenha conseguido lhe mostrar um pouco do quanto o senhor é especial para mim. O que eu posso oferecer ao senhor é a minha eterna lealdade e fidelidade, morro por vocês...

Espero um dia poder chegar à sua idade e me lembrar sempre dos seus ensinamentos e ser pelo menos um pouco, com meus netos, como o senhor é conosco. 

Tenho você como espelho.

Com carinho, seu neto

Hugo Almeida Seródio

domingo, 10 de maio de 2026

Dr. Silvestre José Gorini: Memória Viva da História de Varre-Sai

 



No sábado, 9 de maio, Varre-Sai viveu um encontro raro entre memória, história e emoção. Em sua residência, o médico, ex-prefeito e uma das figuras mais emblemáticas da cidade, Silvestre José Gorini recebeu a visita de Gino Martins Borges Bastos e da historiadora, escritora e professora varre-saiense Isabel Menezes para uma entrevista marcada pela lembrança de fatos que ajudaram a construir a identidade do município.

A equipe da TV Alcance, de Bom Jesus, sob direção de Isac Nascimento, esteve presente registrando cada momento desse encontro histórico, cuja exibição acontecerá em breve, revelando relatos preciosos sobre a trajetória política, social e cultural de Varre-Sai.

Dr. Silvestre José Gorini permanece como um nome profundamente ligado ao desenvolvimento do município. Médico dedicado, gestor público e homem de espírito comunitário, construiu uma trajetória marcada pelo serviço à população e pela valorização das raízes italianas que moldam a cidade.

Ao assumir a prefeitura pela primeira vez, encontrou um cenário de dificuldades administrativas, com salários atrasados e limitações financeiras. Com firmeza e compromisso público, reorganizou as contas municipais, regularizou pagamentos e devolveu estabilidade à administração. Sua gestão foi marcada por importantes avanços sociais e estruturais, incluindo a implantação de programas federais, melhorias na educação municipal e fortalecimento da administração pública.

Entre os marcos mais lembrados de sua trajetória está a realização do primeiro Encontro das Famílias Italianas de Varre-Sai, promovido durante as celebrações do centenário da imigração italiana no município. O evento reuniu famílias descendentes de imigrantes, reforçou os laços culturais da cidade e contou com a presença de representante diplomático da Itália no Brasil, eternizando-se na memória coletiva varre-saiense.

Sua atuação ultrapassou os limites da política. Durante décadas, esteve à frente do Hospital São Sebastião, colaborou com projetos sociais e recreativos do município e integrou a comissão pela emancipação política de Varre-Sai.

Homem de múltiplos talentos e paixões, também deixou sua marca na cultura e no esporte local, participando da tradicional Lira Santa Cecília, de Varre-Sai, e defendendo as cores do Serrano Esporte Clube.

Com três mandatos como prefeito, Dr. Silvestre consolidou uma trajetória rara de longevidade política e respeito popular. Reeleito em 2020, tornou-se reconhecido nacionalmente como o prefeito mais idoso do Brasil em atividade, encerrando seu último mandato em 2024. Em 2025, recebeu a aprovação da Medalha Tiradentes pela ALERJ, homenagem que reconhece sua extensa contribuição social e política para a região.

Hoje, aos 94 anos, continua sendo símbolo de memória viva, dedicação pública e amor por Varre-Sai, uma personalidade cuja história se confunde com a própria história do município.



Aloísio Borges Alvarenga: Eterno em Nossa Melodia

 


Meu caro José Antônio,

​Há silêncios que pesam mais do que qualquer palavra, e hoje o silêncio deixado pela voz de Aloísio Borges Alvarenga ecoa com uma saudade profunda.

Mas, ao pensarmos nele, é impossível não recordar o som da alegria que ele espalhava.

​Aloísio não apenas cantava; ele transformava qualquer lugar em um palco de celebração. Com seu aparelho de karaokê a tiracolo, ele tinha o dom raro de acender a luz nos ambientes e nos corações. 

Para ele, a cantoria era um abraço coletivo, uma forma de dizer que a vida, apesar de tudo, merece ser celebrada em voz alta.

​Perder um irmão é ver uma parte da nossa própria história tornar-se memória. 

Mas que memória vibrante ele nos deixa! 

Ficará para sempre a imagem dele, microfone em mãos, regendo sorrisos e unindo amigos através de suas músicas favoritas.

Ele fez da sua paixão um presente para todos nós.

​O tempo guardará os 70 anos de sua jornada como uma melodia inesquecível. 

Que você, José Antônio, e toda a família, encontrem conforto nas lembranças desses momentos de festa e na certeza de que a alegria que ele plantou continuará a ressoar em cada um de nós.

​"A morte não cala quem viveu para espalhar harmonia; Aloísio agora é a música que toca suave dentro de nossa saudade."

​Meus mais sinceros sentimentos e um abraço fraterno em seu coração.

Gino

O Dia da Poesia Bonjesuense e a Missão de Rogério Loureiro Xavier: Elcio Xavier Vive!




Num domingo de maio, quando o relógio ainda caminhava mansamente rumo às duas da tarde, Bom Jesus do Itabapoana parecia respirar diferente. Havia no ar um rumor de esperança, um perfume antigo de reencontro, como se as ruas, as janelas e os sinos da cidade soubessem que alguém muito amado estava para chegar. E estava.

Quando Rogério Loureiro Xavier anunciou que viria do Rio de Janeiro para celebrar o nascimento de seu pai, Elcio Xavier, o eterno Príncipe dos Poetas, Bom Jesus vestiu-se de memória e de gratidão. Não era apenas a visita de um filho. Era a continuidade de uma linhagem de homens que compreenderam que amar uma cidade também é cuidar de sua alma.

O Espaço Cultural Luciano Bastos, antigo Colégio Rio Branco, tornou-se naquele dia uma espécie de catedral da cultura bonjesuense. As manifestações populares e clássicas chegaram como rios que deságuam no mesmo mar da identidade coletiva. Vieram Folias de Reis, capoeiristas, bonecos gigantes, músicos, escritores, acadêmicos, crianças, jovens e velhos guardiões da memória. Cada passo do cortejo parecia dizer silenciosamente: “os heróis da cultura jamais morrem”.

E no centro daquela procissão de afetos estava Rogério Loureiro Xavier.

Havia algo de profundamente simbólico em sua presença. Caminhava sereno, acompanhado da esposa Eloisa e da filha Elaine, como quem transporta não apenas o sobrenome Xavier, mas uma chama acesa através do tempo. Rogério não veio apenas recordar o pai; veio continuar sua obra invisível, essa arquitetura delicada construída com palavras, livros, gestos e amor pela terra natal.

Sua figura lembrava aquelas árvores antigas cujas raízes atravessam gerações. Porque há filhos que herdam bens, mas há filhos raros que herdam missões.

Rogério herdou de Elcio Xavier o compromisso com Bom Jesus.

Nas conversas, nos projetos, nas doações, nos hinos compostos para a cidade e para a Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, percebe-se a mesma inquietação luminosa do pai. O mesmo desejo de proteger a cultura como quem protege uma nascente. O mesmo entendimento de que uma cidade sem memória torna-se órfã de si mesma.

Ao doar o busto de Elcio Xavier ao Espaço Cultural Luciano Bastos, ao incentivar os “Cafés com Elcio Xavier”, ao trazer livros da saudosa Raquel Xavier, Rogério não realizou apenas homenagens. Ele construiu pontes entre o passado e o futuro. Fez da saudade uma forma de serviço.

Por isso, quando recebeu o Certificado de Honra e Louvor, não se homenageava somente um homem, mas uma permanência. Celebrava-se a fidelidade de um filho àquilo que o pai lhe ensinou sem precisar escrever: que o verdadeiro legado não é o que se deixa para trás, mas o que continua florescendo depois da partida.

E talvez seja esta a mais bela lição dos Xavier: transformar amor em responsabilidade.

Enquanto muitos apenas atravessam o tempo, há pessoas que iluminam o caminho dos outros. Elcio foi uma dessas luzes. Rogério também o é. Em suas reflexões sobre segurança, prevenção, cidadania e cuidado coletivo, percebe-se que seu amor por Bom Jesus não é retórico nem nostálgico. É um amor vigilante, comprometido, ativo.

Há homens que escrevem poemas. Há homens que se tornam poemas.

Rogério Loureiro Xavier pertence a essa rara categoria dos que vivem como continuação de uma obra maior do que eles mesmos. Sua presença em Bom Jesus, naquele domingo de maio, não foi apenas uma visita. Foi um testemunho de que os grandes legados permanecem caminhando entre nós.

Porque existem famílias que transmitem sobrenomes. Outras transmitem fortunas. Mas algumas, muito raras, transmitem luz.

E enquanto houver filhos que honrem seus pais com dignidade e amor, enquanto houver cidades capazes de reverenciar seus poetas, esvritores, músicos, mestres e sonhadores, ainda haverá esperança de um mundo mais humano.

Bom Jesus compreendeu isso naquela tarde.

E por isso se engalanou. Porque sabia que não estava apenas recebendo Rogério Loureiro Xavier.

Estava recebendo a continuidade viva da poesia.
























sábado, 9 de maio de 2026

O Dia da Poesia Bonjesuense e Isac Nascimento: Guardião da Memória Bonjesuense


No Dia da Poesia Bonjesuense, em 3 de maio, quando as palavras floresciam no Espaço Cultural Luciano Bastos como rosas antigas renascendo na memória da cidade, houve um homem que não se sentou para receber aplausos. Enquanto os poetas eram celebrados, enquanto a lembrança de Elcio Xavier, o eterno Príncipe dos Poetas, iluminava os corredores da sensibilidade, Isac Nascimento permanecia de pé, atrás de sua câmera, recolhendo instantes para entregá-los ao tempo.

Seu ofício era invisível e, justamente por isso, grandioso. Enquanto muitos brilhavam diante das luzes, ele transformava luz em permanência. Não podia permitir que os telespectadores da TV Alcance ficassem sem testemunhar a beleza daquela tarde. Havia em seus gestos silenciosos a nobreza dos que compreendem que registrar a cultura também é construir eternidade.

Isac não apenas filma. Ele salva emoções do esquecimento. Sua câmera não captura somente imagens; recolhe suspiros, lágrimas discretas, aplausos, esperanças e aquilo que nenhuma lente comum alcança: a alma de um povo. Em cada enquadramento, há o compromisso de quem ama profundamente Bom Jesus e entende que a memória é um patrimônio sagrado.

Por isso, quando Rogério Loureiro Xavier, filho de Elcio, e a jovem Beatriz Magalhães, presidente da ABIJAL, Academia Bonjesuense Infantojuvenil de Artes e Letras lhe entregaram a honraria, o gesto ultrapassou a formalidade. Era o passado e o futuro apertando as mãos do presente. Duas gerações reconhecendo naquele homem a continuidade da chama cultural que nunca deve se apagar.

Há pessoas que ocupam palcos. Há outras que sustentam os palcos para que a arte não desabe. Isac pertence a essa linhagem rara. Sua trajetória na Rádio Nova Cultura, na TV Alcance e no Alcancy Áudio Estúdio tornou-se mais do que trabalho: converteu-se em missão. Ele abre caminhos, revela talentos, ilumina vozes esquecidas e faz do som uma ponte entre as pessoas e suas raízes.

Como Elcio Xavier fez com a poesia, Isac faz com a imagem e a palavra falada: semeia permanência. Onde muitos enxergam apenas rotina, ele percebe histórias. Onde outros veem ruínas, ele encontra memória palpitando. Sua arte é feita de resistência delicada, dessa coragem silenciosa de preservar o que o tempo insiste em levar.

O Certificado de Honra e Louvor recebido naquela noite não foi apenas um reconhecimento institucional. Foi um abraço coletivo da cidade em um de seus guardiões mais sensíveis. Porque Isac Nascimento pertence à categoria dos homens que compreendem que cultura não é ornamento, é identidade, é abrigo, é esperança anunciando um novo amanhã.

E talvez seja esta sua maior grandeza: enquanto filma os sonhos dos outros, ele próprio se transforma em parte eterna do sonho de Bom Jesus do Itabapoana.