quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Caminhando contornando as pedras do caminho, por Rogério Loureiro Xavier

 


*Olá 🖐 pessoa amiga e do bem."*


*"Caminhando contornando as pedras do caminho."*


*Que a força do bem nos proteja e nos guie. É com Fé, Paz, Amor e Gratidão, que a Vida vai dando certo.*


*Pensamento diplomático:*


*"Deixa as coisas acontecerem naturalmente na sua vida… Sem programação, sem ansiedade, sem expectativa. Lembre-se que os melhores momentos acontecem sem aviso prévio e hora marcada. E não é no seu tempo e nem no meu, mas no tempo de Deus!"*


*"✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

Casa dos Açores do Espírito Santo recebe professores da rede municipal de Apiacá



A Casa dos Açores do Espírito Santo, dirigida pelo dr Nino Moreira Seródio, recebeu, nesta quinta-feira, 22 de outubro, um grupo de professores da rede municipal de Apiacá que participam da formação em Leitura e Escrita na Educação Infantil (LEEI).

A visita integrou o Encontro Cultural da Formação, aproximando os educadores de um espaço dedicado à preservação e à valorização da cultura açoriana. A 1⁰ secretaria da CAES, Profª Maria Cristina Borges, recebeu os professores.

O encontro constitui uma oportunidade de ampliar as experiências culturais dos professores e inspirar práticas pedagógicas que aproximem as crianças da leitura, da escrita e das diferentes manifestações da cultura.





A felicidade nos pequenos cuidados

 

O jardim que desperta conosco ("Dormi e sonhei que a vida era bela; acordei e descobri que a vida era um dever" - Confúcio)



Naquela manhã, ele demorou alguns instantes a sair da cama. Ainda havia um jardim dentro dos olhos. No sonho, os caminhos eram claros, as pessoas amadas estavam próximas e o tempo passava devagar, sem levar ninguém.

Então, um ruído da rua o trouxe de volta. Sobre a cadeira, a roupa do trabalho. Na mesa, os papéis à espera. No telefone, uma mensagem que precisava de resposta. O dia já havia começado a chamá-lo pelo nome.

Por um momento, quis fechar os olhos novamente.

Quem nunca desejou permanecer um pouco mais naquele lugar onde os encontros dispensam despedidas? Há sonhos dos quais despertamos com saudade, como se tivéssemos visitado uma casa onde fomos felizes e deixado alguma coisa na varanda.

Levantou-se. Na cozinha, pôs a água no fogo e abriu a janela. A claridade alcançou primeiro a borda da mesa, depois uma xícara, depois suas mãos. Eram as mesmas mãos que, dali a pouco, carregariam documentos, segurariam o volante, cumprimentariam pessoas. Naquela hora, porém, bastava-lhes preparar o café.

Lembrou-se de que precisava telefonar para a mãe.

Havia adiado a ligação na véspera, vencido pelo cansaço. Agora, enquanto esperava a água ferver, imaginou a voz dela do outro lado, a pergunta de sempre, o cuidado escondido nas recomendações mais simples. Pegou o telefone.

Conversaram poucos minutos. Ela contou uma pequena novidade da casa. Ele disse que estava bem. Antes de desligar, ouviu um “Deus te acompanhe” e permaneceu um instante com o aparelho junto ao ouvido, mesmo depois de terminada a chamada.

O jardim do sonho já parecia distante. Mas alguma coisa dele havia chegado à cozinha.

Saiu para trabalhar. Pelo caminho, encontrou o homem que varria a calçada, a mulher que erguia a porta de uma loja, um pai ajeitando a mochila nas costas do filho. Cada qual trazia suas preocupações; alguns ainda carregavam o sono no rosto. Ainda assim, a rua ia se tornando habitável pelo esforço de todos.

Pensou nas tarefas que o aguardavam. Algumas seriam difíceis. Outras passariam despercebidas, embora lhe custassem horas. Haveria também aquilo que não conseguiria resolver, apesar da boa vontade. Conhecia o peso desses dias e sabia que precisaria, em algum momento, repousar.

Ao chegar, encontrou alguém esperando por ele. A pessoa se levantou, estendeu a mão e disse:

- Que bom que o senhor veio.

Foi uma frase breve. Bastou para que ele compreendesse algo que, deitado, não conseguira perceber.

A vida bela com que sonhara também tinha compromissos. Tinha a voz da mãe à espera de uma ligação, uma criança precisando atravessar a rua, alguém sentado diante de uma porta, confiando que ela se abrisse.

Guardou suas coisas e convidou a pessoa a entrar.

Lá fora, a manhã continuava. E ele, agora inteiramente desperto, começava a reconhecer o jardim.

Cristiana Ana Lima: um livro aberto para o mundo

 


Existe um modo de vestir o amarelo como quem leva consigo uma manhã. No cartaz de Cristiana Ana Lima, a cor ilumina o retrato, enquanto as medalhas repousam sobre o peito. O olhar, porém, convida a permanecer um pouco mais: há um sorriso discreto, uma presença que se oferece ao encontro.

Ao redor, linhas coloridas se entrelaçam e um livro aberto parece ganhar movimento. A imagem sugere caminhos que partem da página e alcançam a vida. É nesse espaço que se encontram as três palavras que acompanham seu nome: escritora, educadora, gestora cultural.

Quem escreve conhece a delicada espera de uma frase. Às vezes, é preciso escutar demoradamente uma lembrança até que ela encontre sua forma. Uma voz ouvida na infância, uma rua, um gesto quase esquecido podem voltar ao papel e ali conquistar uma segunda existência. A literatura guarda essas pequenas coisas que o tempo, sozinho, não saberia conservar.

Quem educa também trabalha com o que ainda está por acontecer. Diante de um livro, alguém descobre uma pergunta; diante de uma pergunta, começa a perceber o mundo de outra maneira. Há uma beleza silenciosa nesse instante em que a leitura deixa de ser exercício e se torna descoberta.

E a cultura precisa de quem lhe prepare a casa. Alguém que aproxime pessoas, abra espaços, cuide dos encontros e ajude uma voz a chegar até outra. Antes do aplauso, existem os dias de preparação; antes da sala cheia, o trabalho de tornar possível a reunião.

No cartaz, essas tarefas se encontram no nome de Cristiana Ana Lima.

Anunciada para o dia 25 de outubro de 2026, no Rio de Janeiro, a FIBAC oferece um horizonte a esse encontro. Na sede da Produtora de Filmes Latinidade, a arte e a cultura terão ocasião de reunir linguagens, experiências e sensibilidades. Cada participante levará consigo algo que um programa impresso não consegue conter: as pessoas que conheceu, os lugares que o formaram, as palavras que ainda deseja repartir.

É emocionante imaginar Cristiana nesse movimento. A escritora levando a escuta; a educadora, a disposição de aprender e ensinar; a gestora cultural, o cuidado com os caminhos por onde a arte pode circular.

As medalhas do retrato registram reconhecimentos. A palavra, entretanto, continua sua viagem para além deles. Pode alcançar alguém numa sala de aula, acompanhar uma noite de leitura, despertar a coragem de escrever a primeira linha.

Essa é a imagem que permanece depois de olharmos o cartaz: o livro aberto, cercado de cores, perto de uma mulher que sorri.

Certas páginas parecem esperar pelo mundo.

E há pessoas que dedicam sua vida a aproximá-los.


Casa do Produtor: uma fachada, tantas memórias

 


Existem prédios que oferecem à cidade um lugar para comprar, vender, trabalhar. Outros, além disso, oferecem uma pequena porção de beleza a quem passa. O edifício da Casa do Produtor, com sua fachada azul e branca, parece conservar essa antiga delicadeza: a vontade de que mesmo os dias comuns tenham um ornamento.

Basta levantar os olhos. Acima das portas, da identificação comercial e da cobertura que acompanha a calçada, a construção desenha seu encontro com o céu. A platibanda, o prolongamento da fachada que esconde o telhado, ergue um coroamento de curvas, relevos e pequenos arremates. No centro, o desenho ganha altura, como se a velha casa ainda quisesse dizer alguma coisa por cima da pressa da rua.

Pela fotografia, esses elementos sugerem uma arquitetura de feição eclética, em expressão singela, reconhecível sobretudo na ornamentação do alto da fachada e nas molduras que a percorrem. É uma linguagem que encontrou espaço tanto em construções imponentes quanto em casas e estabelecimentos comerciais, levando às ruas o gosto por compor, adornar e conferir personalidade às paredes.

Uma hipótese visual prudente situaria a execução dessa fachada nas primeiras décadas do século XX, aproximadamente entre 1900 e 1930. A imagem, porém, não permite estabelecer um ano: o prédio pode ser anterior ao seu coroamento decorativo, assim como pode ter recebido alterações ao longo da existência. A data precisa permanece à espera de documentos, fotografias antigas ou lembranças que possam ser confirmadas.

Enquanto os arquivos não falam, a fachada oferece sua própria poesia.

O azul reúne suas curvas sob a claridade do dia. Os relevos, discretos e um pouco apagados pela distância, guardam o gesto de quem os moldou. Houve mãos trabalhando ali, medindo proporções, preparando argamassa, acompanhando uma linha até que ela encontrasse a outra. Alguém julgou necessário acrescentar beleza à utilidade daquele edifício. E esse cuidado atravessou os anos.

Hoje, os fios cortam o céu, o poste ocupa parte da vista, as portas atendem às necessidades do comércio. A vida continua passando e deixando suas adaptações. Ainda assim, no alto, sobrevive aquele desenho que nos convida a diminuir o passo.

A inscrição “Casa do Produtor” acrescenta outra ternura à cena. Há, nessa palavra, a lembrança do trabalho que começa longe das vitrines: a terra preparada, a espera pela chuva, o alimento que chega à cidade. Sob uma fachada ornamentada, encontram-se as necessidades concretas de quem produz e a antiga aspiração humana de construir algo que também agrade aos olhos.

Preservar esse prédio pede atenção ao conjunto e aos detalhes: às curvas da platibanda, às molduras, às proporções que ainda permitem reconhecer sua expressão. Cada elemento conservado mantém aberta uma possibilidade de leitura da cidade.

Uma rua também se lembra pelo contorno de suas casas.

E, sempre que aquela fachada azul permanecer erguida, haverá um pouco de outro tempo olhando para nós, à espera de que levantemos os olhos.


Someone Someone

 



Don Juan