O NORTE FLUMINENSE, Bom Jesus do Itabapoana (RJ)
Jornal fundado por Ésio Martins Bastos em 25 de dezembro de 1946 e dirigido por Luciano Augusto Bastos no período 2003-2011. E-mail: onortefluminense@hotmail.com
domingo, 10 de maio de 2026
Dr. Silvestre José Gorini: Memória Viva da História de Varre-Sai
Aloísio Borges Alvarenga: Eterno em Nossa Melodia
Meu caro José Antônio,
Há silêncios que pesam mais do que qualquer palavra, e hoje o silêncio deixado pela voz de Aloísio Borges Alvarenga ecoa com uma saudade profunda.
Mas, ao pensarmos nele, é impossível não recordar o som da alegria que ele espalhava.
Aloísio não apenas cantava; ele transformava qualquer lugar em um palco de celebração. Com seu aparelho de karaokê a tiracolo, ele tinha o dom raro de acender a luz nos ambientes e nos corações.
Para ele, a cantoria era um abraço coletivo, uma forma de dizer que a vida, apesar de tudo, merece ser celebrada em voz alta.
Perder um irmão é ver uma parte da nossa própria história tornar-se memória.
Mas que memória vibrante ele nos deixa!
Ficará para sempre a imagem dele, microfone em mãos, regendo sorrisos e unindo amigos através de suas músicas favoritas.
Ele fez da sua paixão um presente para todos nós.
O tempo guardará os 70 anos de sua jornada como uma melodia inesquecível.
Que você, José Antônio, e toda a família, encontrem conforto nas lembranças desses momentos de festa e na certeza de que a alegria que ele plantou continuará a ressoar em cada um de nós.
"A morte não cala quem viveu para espalhar harmonia; Aloísio agora é a música que toca suave dentro de nossa saudade."
Meus mais sinceros sentimentos e um abraço fraterno em seu coração.
Gino
O Dia da Poesia Bonjesuense e a Missão de Rogério Loureiro Xavier: Elcio Xavier Vive!
Num domingo de maio, quando o relógio ainda caminhava mansamente rumo às duas da tarde, Bom Jesus do Itabapoana parecia respirar diferente. Havia no ar um rumor de esperança, um perfume antigo de reencontro, como se as ruas, as janelas e os sinos da cidade soubessem que alguém muito amado estava para chegar. E estava.
Quando Rogério Loureiro Xavier anunciou que viria do Rio de Janeiro para celebrar o nascimento de seu pai, Elcio Xavier, o eterno Príncipe dos Poetas, Bom Jesus vestiu-se de memória e de gratidão. Não era apenas a visita de um filho. Era a continuidade de uma linhagem de homens que compreenderam que amar uma cidade também é cuidar de sua alma.
O Espaço Cultural Luciano Bastos, antigo Colégio Rio Branco, tornou-se naquele dia uma espécie de catedral da cultura bonjesuense. As manifestações populares e clássicas chegaram como rios que deságuam no mesmo mar da identidade coletiva. Vieram Folias de Reis, capoeiristas, bonecos gigantes, músicos, escritores, acadêmicos, crianças, jovens e velhos guardiões da memória. Cada passo do cortejo parecia dizer silenciosamente: “os heróis da cultura jamais morrem”.
E no centro daquela procissão de afetos estava Rogério Loureiro Xavier.
Havia algo de profundamente simbólico em sua presença. Caminhava sereno, acompanhado da esposa Eloisa e da filha Elaine, como quem transporta não apenas o sobrenome Xavier, mas uma chama acesa através do tempo. Rogério não veio apenas recordar o pai; veio continuar sua obra invisível, essa arquitetura delicada construída com palavras, livros, gestos e amor pela terra natal.
Sua figura lembrava aquelas árvores antigas cujas raízes atravessam gerações. Porque há filhos que herdam bens, mas há filhos raros que herdam missões.
Rogério herdou de Elcio Xavier o compromisso com Bom Jesus.
Nas conversas, nos projetos, nas doações, nos hinos compostos para a cidade e para a Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, percebe-se a mesma inquietação luminosa do pai. O mesmo desejo de proteger a cultura como quem protege uma nascente. O mesmo entendimento de que uma cidade sem memória torna-se órfã de si mesma.
Ao doar o busto de Elcio Xavier ao Espaço Cultural Luciano Bastos, ao incentivar os “Cafés com Elcio Xavier”, ao trazer livros da saudosa Raquel Xavier, Rogério não realizou apenas homenagens. Ele construiu pontes entre o passado e o futuro. Fez da saudade uma forma de serviço.
Por isso, quando recebeu o Certificado de Honra e Louvor, não se homenageava somente um homem, mas uma permanência. Celebrava-se a fidelidade de um filho àquilo que o pai lhe ensinou sem precisar escrever: que o verdadeiro legado não é o que se deixa para trás, mas o que continua florescendo depois da partida.
E talvez seja esta a mais bela lição dos Xavier: transformar amor em responsabilidade.
Enquanto muitos apenas atravessam o tempo, há pessoas que iluminam o caminho dos outros. Elcio foi uma dessas luzes. Rogério também o é. Em suas reflexões sobre segurança, prevenção, cidadania e cuidado coletivo, percebe-se que seu amor por Bom Jesus não é retórico nem nostálgico. É um amor vigilante, comprometido, ativo.
Há homens que escrevem poemas. Há homens que se tornam poemas.
Rogério Loureiro Xavier pertence a essa rara categoria dos que vivem como continuação de uma obra maior do que eles mesmos. Sua presença em Bom Jesus, naquele domingo de maio, não foi apenas uma visita. Foi um testemunho de que os grandes legados permanecem caminhando entre nós.
Porque existem famílias que transmitem sobrenomes. Outras transmitem fortunas. Mas algumas, muito raras, transmitem luz.
E enquanto houver filhos que honrem seus pais com dignidade e amor, enquanto houver cidades capazes de reverenciar seus poetas, esvritores, músicos, mestres e sonhadores, ainda haverá esperança de um mundo mais humano.
Bom Jesus compreendeu isso naquela tarde.
E por isso se engalanou. Porque sabia que não estava apenas recebendo Rogério Loureiro Xavier.
Estava recebendo a continuidade viva da poesia.
sábado, 9 de maio de 2026
O Dia da Poesia Bonjesuense e Isac Nascimento: Guardião da Memória Bonjesuense
No Dia da Poesia Bonjesuense, em 3 de maio, quando as palavras floresciam no Espaço Cultural Luciano Bastos como rosas antigas renascendo na memória da cidade, houve um homem que não se sentou para receber aplausos. Enquanto os poetas eram celebrados, enquanto a lembrança de Elcio Xavier, o eterno Príncipe dos Poetas, iluminava os corredores da sensibilidade, Isac Nascimento permanecia de pé, atrás de sua câmera, recolhendo instantes para entregá-los ao tempo.
Seu ofício era invisível e, justamente por isso, grandioso. Enquanto muitos brilhavam diante das luzes, ele transformava luz em permanência. Não podia permitir que os telespectadores da TV Alcance ficassem sem testemunhar a beleza daquela tarde. Havia em seus gestos silenciosos a nobreza dos que compreendem que registrar a cultura também é construir eternidade.
Isac não apenas filma. Ele salva emoções do esquecimento. Sua câmera não captura somente imagens; recolhe suspiros, lágrimas discretas, aplausos, esperanças e aquilo que nenhuma lente comum alcança: a alma de um povo. Em cada enquadramento, há o compromisso de quem ama profundamente Bom Jesus e entende que a memória é um patrimônio sagrado.
Por isso, quando Rogério Loureiro Xavier, filho de Elcio, e a jovem Beatriz Magalhães, presidente da ABIJAL, Academia Bonjesuense Infantojuvenil de Artes e Letras lhe entregaram a honraria, o gesto ultrapassou a formalidade. Era o passado e o futuro apertando as mãos do presente. Duas gerações reconhecendo naquele homem a continuidade da chama cultural que nunca deve se apagar.
Há pessoas que ocupam palcos. Há outras que sustentam os palcos para que a arte não desabe. Isac pertence a essa linhagem rara. Sua trajetória na Rádio Nova Cultura, na TV Alcance e no Alcancy Áudio Estúdio tornou-se mais do que trabalho: converteu-se em missão. Ele abre caminhos, revela talentos, ilumina vozes esquecidas e faz do som uma ponte entre as pessoas e suas raízes.
Como Elcio Xavier fez com a poesia, Isac faz com a imagem e a palavra falada: semeia permanência. Onde muitos enxergam apenas rotina, ele percebe histórias. Onde outros veem ruínas, ele encontra memória palpitando. Sua arte é feita de resistência delicada, dessa coragem silenciosa de preservar o que o tempo insiste em levar.
O Certificado de Honra e Louvor recebido naquela noite não foi apenas um reconhecimento institucional. Foi um abraço coletivo da cidade em um de seus guardiões mais sensíveis. Porque Isac Nascimento pertence à categoria dos homens que compreendem que cultura não é ornamento, é identidade, é abrigo, é esperança anunciando um novo amanhã.
E talvez seja esta sua maior grandeza: enquanto filma os sonhos dos outros, ele próprio se transforma em parte eterna do sonho de Bom Jesus do Itabapoana.
sexta-feira, 8 de maio de 2026
Pedras que Guardam, Portões que Abrem: O Sol que Aquece o Varal no Novo Oriente, por Adalto Boechat Jr.
O muro de pedras irregulares, encaixadas como um quebra-cabeça de silêncios, guarda mais do que a estrutura de uma casa; guarda a memória de quem sabe que a vida se constrói no detalhe. Naquela manhã de domingo, o céu decidiu vestir-se de um azul tão limpo que parecia lavado à mão, com nuvens brancas estendidas ao sol como lençóis prontos para o uso.
O letreiro sobre a imagem anuncia: "Varal Solidário". É um convite que subverte a lógica da posse. No dia dez de maio, um dia tradicionalmente voltado para o seio da família, o Centro Espírita A Novo Oriente decide abrir seus portões para que a família seja o outro. O varal, que costuma exibir a intimidade de uma casa, ali se torna o palco da dignidade.
Imagine as mãos que chegam. Há a mão que pendura, com o cuidado de quem oferece um abraço em forma de tecido, garantindo que o agasalho esteja alinhado, que o botão esteja firme. E há a mão que retira, uma mão que muitas vezes hesita entre a necessidade e o pudor, mas que encontra, no toque do algodão, o calor de uma promessa cumprida.
O Sagrado no Cotidiano
A arquitetura da casa, com seu telhado simples e as grades que desenham sombras geométricas no asfalto molhado, sugere um refúgio. A vassoura encostada ao muro é o rastro da prontidão; a calçada foi limpa para receber os passos de quem vem buscar o que lhe falta.
No Dia das Mães, a solidariedade ganha um contorno materno. Não se trata apenas de dar o que sobra, mas de oferecer o que acolhe. O "Varal Solidário" é uma metáfora visual da proteção:
As pedras são a base sólida da fé e do trabalho comunitário.
O céu aberto é a esperança que não conhece teto.
O portão aberto é a certeza de que, naquele dia, ninguém é estrangeiro.
Ficar aberto "o dia todo" é um gesto de paciência. É dizer ao tempo que ele pode correr devagar, que a caridade não tem pressa e que o sol de maio é suficiente para aquecer todos os que passarem por ali.
Ao olhar para essa imagem, percebemos que a verdadeira beleza não está no brilho das pedras ou na nitidez do dia, mas na linha invisível que une quem doa a quem recebe. No "Novo Oriente", o sol nasce para todos, mas brilha mais forte no varal onde a roupa estendida é, na verdade, um pedaço de amor secando ao vento para ser vestido por quem mais precisa.
Dia da Poesia Bonjesuense: o legado de Elcio Xavier
O Voo do Pioneiro
Jandira Xavier Moreira
Um século de luz em cada traço,
Rasgando “O véu da manhã, cortando o silêncio,
Quem conhece da alma, o seu imenso,
Não teme a curva, o tempo ou o cansaço.
Elcio, pioneiro da terra e desses espaços,
Colheu das palavras o brilho mais intenso,
Deixando o rastro de um olhar suspenso,
No rio que corre e acalma o nosso passo.
Agora é voz que o vento transmigra,
Poeta solto em céu itinerante,
Onde a saudade, em gratidão, se abriga.
Não é partida, é voo de diamante:
A carne finda, mas a rima intriga,
Fazendo o ontem ser o hoje: adiante.
(Olhares de Branca.Jandira)
ONDE A PALAVRA PERMANECE!
Maria Beatriz da Silva
Hoje não caminho entre vocês,
mas envio minha voz em forma de verso
porque a poesia não conhece distâncias
ela atravessa o tempo, o silêncio
e encontra morada no coração.
Dizem que há dias que passam
mas há outros que permanecem
e este não é um dia qualquer:
é daqueles que florescem dentro da gente,
onde a poesia respira
e a memória se faz presente.
Homenagear um poeta
é mais do que lembrar seu nome
é reconhecer que ele ainda fala
em cada verso que nos atravessa
em cada emoção que não conseguimos dizer
até que a poesia fale por nós.
Hoje, ecoa entre nós
o nome de Elcio Xavier,
meu poeta maior,
aquele que fez da palavra abrigo
e do sentimento eternidade.
Há almas que não partem,
apenas se transformam em luz
espalhada nas entrelinhas do mundo.
E hoje, entre vozes, encontros e lembranças,
Elcio Xavier vive
no sopro de cada verso dito com amor.
Que cada poesia aqui declamada
carregue um pouco dessa eternidade.
Que cada verso seja ponte,
semente, abrigo e emoção.
E que, mesmo eu estando ausente
eu esteja presente naquilo que mais importa:
no sentir que nos une,
na poesia que nos guarda,
e no silêncio bonito
onde o Poeta Maior continua vivo entre nós.

































































