segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Lloyd Price


 

Fabio e Jorge: Árbitros de Xadrez e Mestres da Justiça e do Silêncio


A Nobre Missão dos Árbitros de Xadrez



Quando acompanhamos um torneio de xadrez, nossos olhos procuram naturalmente as partidas. Queremos conhecer os lances, admirar as combinações, acompanhar os resultados e descobrir quem ocupará o lugar mais alto do pódio.

Para quem participa da competição, o universo muitas vezes se torna ainda mais estreito: existe o próprio tabuleiro, o adversário diante de nós, o relógio contando o tempo e aquela posição que exige toda a nossa atenção.

Entretanto, ao redor dessas 64 casas, há uma margem imensa e quase invisível, cuidando para que as águas do torneio corram tranquilamente. Nela estão os árbitros de xadrez.

Eles raramente aparecem nas fotografias principais, mas são os alicerces sobre os quais as estrelas poderão brilhar. Não disputam troféus, porém ajudam a construir todos os pódios. Não movimentam as peças, mas garantem que cada movimento seja realizado dentro das regras, com equilíbrio, respeito e justiça.

O trabalho começa muito antes do primeiro lance. Há a reunião técnica, na qual são transmitidas as orientações aos participantes; a preparação do espaço de disputa; a organização das peças sobre os tabuleiros; a disposição dos relógios, das planilhas e das canetas. Tudo precisa estar em seu devido lugar para que, quando o silêncio finalmente tome conta do salão, o xadrez possa falar.

Iniciadas as partidas, os árbitros permanecem atentos. Caminham entre os tabuleiros, observam posições, esclarecem dúvidas e acompanham cada confronto até o último aperto de mão. Depois, recolhem os resultados, conferem as assinaturas dos competidores e cuidam para que os lances sejam transmitidos e incorporados aos registros oficiais. Ao final, anunciam a classificação e participam da entrega dos troféus e das medalhas.

Quando também assumem a condição de organizadores, seu trabalho se torna ainda maior. É preciso buscar patrocínio, adquirir a premiação, preparar o espaço e providenciar café, biscoitos, sucos e lanches. São pequenos gestos que não aparecem na tabela de classificação, mas alimentam o corpo e o espírito de quem atravessa horas de concentração.

No Torneio Bom Jesus Xadrez Clássico realizado na Saia de Xadrez Dr Gino Bastos, realizado no Colégio Estadual Padre Mello, em Bom Jesus do Itabapoana, essa missão foi desempenhada por Fabio Sousa Vargas e Jorge Wilson Rocha. Com conhecimento, sabedoria e elevada visão enxadrística, eles estiveram entre os grandes responsáveis pelo êxito do verdadeiro Festival de Xadrez ocorrido nos dias 19 e 20 de setembro.

Ao lado deles, suas esposas ofereceram uma bela demonstração de apoio. E essa presença nos faz recordar outra dimensão igualmente comovente dos torneios: a dedicação silenciosa dos familiares e amigos. São esposas, mães, pais, namoradas e companheiros que permanecem pacientemente sentados nas cadeiras reservadas aos espectadores. Esperam durante horas, respeitam o silêncio e compartilham, à distância, cada esperança, cada tensão e cada alegria.

Existem vitórias que começam fora do tabuleiro.

Esta crônica deseja, portanto, prestar homenagem aos árbitros de xadrez de todo o mundo e, de maneira muito especial, a Fabio Sousa Vargas e Jorge Wilson Rocha. Se os enxadristas são os navegantes que conduzem suas peças pelas águas imprevisíveis da competição, os árbitros são os faróis que permanecem acesos durante toda a travessia.

Seus nomes não aparecem no alto das classificações. Contudo, em cada partida disputada com organização, serenidade e justiça, permanece a marca de seu trabalho.

Por trás de todo grande torneio, existem pessoas que quase não são vistas, mas sem as quais nenhuma estrela poderia brilhar.





The Seachers


 

Brasil empata com a Bélgica e brasileiras dão espetáculo contra o Paraguai, na Olimpíada



Neste 21 de setembro, enquanto o sol descia sobre as cúpulas azuis de Samarcanda, o Brasil voltou a mover suas peças na 46ª Olimpíada de Xadrez. No coração do Uzbequistão, onde antigas caravanas atravessavam a Rota da Seda, nossos enxadristas percorrem agora outros caminhos: os silenciosos e imprevisíveis caminhos das 64 casas do tabuleiro.

Na competição absoluta, o Brasil enfrentou a Bélgica em um duelo marcado pelo equilíbrio. Luís Paulo Supi abriu uma clareira de esperança ao derrotar Sim Maerevoet, demonstrando precisão e firmeza. Alexandr Fier, contudo, foi superado por Elias Ruzhansky, e os empates de Diego Di Berardino e Roberto Molina completaram o placar de 2 a 2.

Após seis rodadas, a equipe brasileira soma 8 pontos de match, resultado de três vitórias, dois empates e uma derrota, ocupando a 54ª colocação. A campanha tem sido feita de avanços, tropeços e reconstruções, como ocorre em toda grande partida, na qual nenhuma posição é definitiva enquanto ainda houver coragem para procurar o melhor lance.

Mas foi a equipe feminina que iluminou de verde e amarelo a jornada desta segunda-feira. Diante do Paraguai, as brasileiras conquistaram uma vitória perfeita por 4 a 0. Clara Dias, Juliana Terao, Julia Alboredo e Kathie Librelato venceram suas partidas e fizeram das quatro mesas um só território brasileiro.

Não houve brecha, hesitação ou ponto perdido. Em cada tabuleiro, uma vitória; em cada vitória, a afirmação da força e do talento das enxadristas brasileiras. Foi uma apresentação coletiva que uniu concentração, técnica e espírito de equipe.

Com o triunfo, a seleção feminina também chegou aos 8 pontos de match. São quatro vitórias e duas derrotas, campanha que coloca o Brasil na 33ª posição. Embora as duas equipes tenham a mesma pontuação, cada uma escreve sua história com movimentos próprios, enfrentando adversários e desafios diferentes.

A Olimpíada ainda guarda muitas partidas. Na 7ª rodada, após o dia de descanso, a equipe absoluta enfrentará o Tajiquistão, enquanto as brasileiras terão pela frente o forte time do Vietnã. Serão novos tabuleiros, novas estratégias e outras páginas dessa longa jornada oriental.

Em Samarcanda, cidade que durante séculos reuniu povos, culturas e sonhos, o xadrez volta a demonstrar sua linguagem universal. E o Brasil continua ali, no meio de torres e cavalos, vitórias e resistências, levando em cada lance não apenas as cores de sua bandeira, mas também a esperança de quem sabe que, no xadrez e na vida, sempre existe um novo caminho a ser encontrado.

The Roomates


 

1º Festival do Café celebra tradição e movimenta Varre-Sai

 

(Com informações enviadas por Isabel Menezes, professora e historiadora)


Entre os dias 18, 19 e 20 de setembro, Varre-Sai realizou o seu 1º Festival do Café. Promovido na Área de Eventos, o encontro celebrou a tradição das famílias que ajudaram a construir a história da cafeicultura local e reuniu grande público, especialmente durante as apresentações musicais noturnas.

A abertura oficial, na noite de 18 de setembro, foi marcada por um concurso inédito no município. A jovem Isabela Grilo, representante da Fazenda LG, localizada em Jacutinga, foi coroada a primeira Rainha do Café de Varre-Sai.

Sete candidatas, todas pertencentes a famílias diretamente ligadas à cafeicultura, participaram da disputa: Isabela Grilo, de Jacutinga; Isabelly Aguiar, de Água Doce; Laryssa Martins, de Santa Lúcia; Bernadete Fabri, de Arataca; Antonella Martins, de Vargem Alegre; Eliza Grilo Ribeiro, de Jacutinga; e Rafaela Degli Esposti, do Morro da Máquina.

Mais do que um concurso de beleza, a escolha da Rainha do Café representou uma homenagem às famílias produtoras e às novas gerações que preservam a vocação agrícola do município. Cada candidata levou à passarela não apenas a representação de sua comunidade, mas também uma história familiar ligada ao cultivo do café.

A avaliação geral do festival foi bastante positiva. Embora grande parte do público tenha chegado mais tarde para acompanhar as atrações musicais, as torrefações participantes registraram vendas expressivas. O resultado demonstra a qualidade e a excelente aceitação do café produzido em Varre-Sai.

Os shows constituíram uma das principais atrações da programação e garantiram grande presença de público durante o evento. Com a Área de Eventos lotada, o festival promoveu a integração entre cultura, entretenimento, atividade econômica e valorização dos produtores rurais.

Responsável por aproximadamente 40% da produção cafeeira do Estado do Rio de Janeiro, Varre-Sai ostenta oficialmente o título de Capital Estadual do Café. A realização do festival reforçou essa identidade e proporcionou maior visibilidade ao trabalho desenvolvido pelos cafeicultores do município.

O evento foi realizado pela Prefeitura Municipal de Varre-Sai, com a participação das secretarias municipais, dos produtores rurais, das torrefações e das famílias ligadas à tradição cafeeira local.

Já em sua primeira edição, o Festival do Café apresentou-se como uma importante vitrine para a produção do município e abriu caminho para integrar definitivamente o calendário turístico e cultural de Varre-Sai. Mais do que uma festa, o encontro reafirmou a identidade de uma comunidade cuja história, economia e memória estão profundamente ligadas ao café.

















Fé e gratidão marcam peregrinação ao Alto Santo Cristo em Varre-Sai

 


Aconteceu neste domingo a tradicional peregrinação dos fiéis da Paróquia Pessoal Nossa Senhora das Graças, de Varre-Sai, e da Paróquia São Judas Tadeu, de Santa Clara, ao Alto Santo Cristo, localizado na comunidade de Jacutinga, ponto mais alto do município, a 1.080 metros de altitude. Do local, os peregrinos puderam contemplar uma das mais belas paisagens da região.

Em uma caminhada de aproximadamente 16 quilômetros, os fiéis de Varre-Sai, seguiram em oração e devoção até o sopé do morro, onde encontraram com os fiéis de Santa Clara e subiram ao alto, rezando a Via Sacra. Durante o percurso, houve uma parada para o café da manhã, preparado com carinho pela Dra. Valéria Celebrini, da comunidade Córrego da Aurora, onde está localizada uma capela dedicada a Jesus Misericordioso.

No Alto Santo Cristo, foi celebrada uma missa campal pelo Reverendíssimo Padre Alfredo Gualandi, com a presença dos padres Fabrício Meira e José Henrique.

Neste ano, a peregrinação foi marcada pela gratidão. As chuvas que chegaram no período da florada do café trouxeram esperança aos produtores, depois de anos de pouca ocorrência de chuva nessa importante fase da lavoura. A água renovou as plantações e trouxe alegria às comunidades rurais, reforçando a tradição de fé e agradecimento dos cafeicultores de Varre-Sai.

Após a celebração, foi servido um almoço, seguido de um momento de confraternização entre os participantes, encerrando a peregrinação em clima de fé, amizade e gratidão 

Isabel Menezes - professora e historiadora de Varre-Sai