O NORTE FLUMINENSE, Bom Jesus do Itabapoana (RJ)
Jornal fundado por Ésio Martins Bastos em 25 de dezembro de 1946 e dirigido por Luciano Augusto Bastos no período 2003-2011. E-mail: onortefluminense@hotmail.com
domingo, 1 de novembro de 2026
Uma porta aberta na noite: a primeira padaria 24 horas de Bom Jesus
Por Fernando Azevedo
De padaria em padaria, uma cidade desperta
Há quem viva de bar em bar. Eu, por uma inclinação que mistura apetite, curiosidade e afeto pela nossa terra, vivo de padaria em padaria. Cada balcão guarda alguma descoberta: um pão de que ainda não conhecia o sabor, uma conversa inesperada, o entusiasmo de alguém que começa a trabalhar antes de o sol aparecer.
Desta vez, o caminho me levou à padaria da Loja de Conveniência do Lia Márcia, junto ao posto de gasolina Cavil. Fui conhecer seus produtos e encontrei uma novidade que merece lugar na vida bonjesuense: a possibilidade de comprar pão a qualquer hora.
Sendo a primeira loja de conveniência de Bom Jesus do Itabapoana a funcionar durante as vinte e quatro horas do dia, o estabelecimento traz consigo outro pioneirismo: o de uma padaria cujas portas permanecem abertas quando a cidade atravessa a madrugada.
Há uma beleza particular nessa luz que fica acesa.
Penso em quem retorna tarde de uma viagem, em quem encerra uma jornada de trabalho quando os demais já repousam, em quem precisa sair de casa antes do amanhecer. Quando todas as outras padarias fecharam, encontrar um lugar onde se possa comprar pão é uma facilidade que ganha importância justamente na hora da necessidade. Para cada pessoa, aquela porta aberta terá um significado.
O pão participa de nossa intimidade. Está na mesa do café, repartido entre os familiares; acompanha a manteiga, a conversa e os planos para o dia. Poder encontrá-lo fora dos horários habituais aproxima o comércio dos diferentes ritmos da vida. A cidade dorme, mas há sempre alguém chegando, partindo ou preparando o amanhã.
Na visita, os produtos de qualidade, o bom atendimento e a beleza do ambiente tornaram a experiência agradável. São cuidados que convidam a entrar e dão vontade de voltar. O espaço passa a ser uma referência para o município, mostrando como uma iniciativa comercial pode oferecer conforto e responder a uma necessidade concreta da população.
Também por essas portas se percebe o desenvolvimento econômico de Bom Jesus. Ele se revela no investimento, no trabalho e na disposição de ampliar os serviços disponíveis. Aos poucos, a cidade incorpora novas possibilidades ao cotidiano, sem perder o gosto tão nosso de uma parada para o café.
O jornal O Norte Fluminense continuará, portanto, fiel ao seu princípio de viver de “padaria em padaria”. Há muito a descobrir nesses lugares: histórias de esforço, gestos de gentileza, sonhos que ganharam balcão, forno e endereço.
Desta vez, encontrei também uma luz que atravessa a noite. E saí pensando que é bom saber que, em Bom Jesus, mesmo de madrugada, haverá uma porta aberta para quem for buscar o pão.
Espaço Michelle Motta: onde o cuidado faz florescer a esperança
Existem endereços que passam a fazer parte da vida de uma cidade pelo que oferecem de mais humano: a possibilidade de acolher alguém em suas dificuldades e ajudá-lo a seguir. Em Bom Jesus do Itabapoana, o Espaço Michelle Motta, situado à rua Licolina Teixeira Lengruber, Bairro Jardim Valeria, nº 126, representa essa presença dedicada ao cuidado, reunindo serviços que aproximam conhecimento profissional e atenção às pessoas.
Sua fachada verde parece guardar uma sugestão de esperança. À noite, o nome iluminado e o coração que o acompanha ganham uma delicada expressão: lembram que, por trás de cada atendimento, existe uma vida inteira. Quem chega traz sua história, seus receios, suas expectativas, e, muitas vezes, uma família que também precisa encontrar orientação e confiança.
A fisioterapia neurológica para adultos e crianças, o método Bobath, a psicologia e a fonoaudiologia compõem os serviços apresentados pelo espaço. São áreas que exigem estudo, responsabilidade e sensibilidade para reconhecer as necessidades de cada pessoa. Nesse encontro entre qualificação e escuta, o cuidado encontra condições para respeitar o tempo de cada trajetória.
Há uma poesia discreta no trabalho de acompanhar. Ela pode estar na repetição paciente de um exercício, na atenção a uma tentativa de comunicação, no acolhimento de uma angústia. Pequenos acontecimentos, quase invisíveis para quem passa pela rua, podem ter um significado imenso para quem os vive. Cada conquista merece ser percebida em sua dimensão particular, sem pressa e sem comparações.
Para uma família, contar com serviços qualificados em sua própria cidade tem um valor profundo. É encontrar apoio mais perto de casa, incorporar o atendimento à rotina e saber que há profissionais a quem recorrer. Assim, o Espaço Michelle Motta acrescenta à vida bonjesuense uma contribuição que alcança o cotidiano: o cuidado com o movimento, a comunicação e a saúde emocional.
Bom Jesus do Itabapoana cresce também por meio dessas iniciativas. Seu desenvolvimento ganha sentido quando oferece às pessoas oportunidades de serem atendidas com dignidade, conhecimento e respeito. Cada porta aberta ao cuidado ajuda a construir uma cidade mais atenta aos seus habitantes.
Que o Espaço Michelle Motta siga fortalecendo essa missão. E que o coração desenhado em sua fachada continue a lembrar, a quem chega, a beleza de um compromisso: receber cada pessoa com atenção e trabalhar para que ela encontre, em seu próprio tempo, novas possibilidades de viver.







