segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Monique Pinheiro Santos e Mestre Daniel de Lima: Quando Corpo e Barro se Tornam Caminho de Cura




Sob o céu amplo do Planalto Central, Brasília foi palco de uma experiência que uniu arte, natureza e autoconhecimento. O Workshop Filhos do Barro transformou o encontro entre mãos e argila em um rito de presença, onde corpo, terra e sensibilidade dialogaram em silêncio profundo.

A proposta foi simples e, ao mesmo tempo, ancestral: tocar o barro para tocar a si mesmo. Por meio da vivência com a argila, práticas somáticas e alimentação viva e biogênica, os quatro elementos, terra, água, ar e fogo, foram ativados como caminhos de escuta, expressão e transformação. Um convite ao enraizamento, à criatividade e ao cuidado integral em tempos em que a sociedade exige enquadramentos rígidos para a sobrevivência.

À frente da condução corporal esteve Monique Pinheiro Santos, terapeuta corporal e apaixonada pelo movimento como instrumento de saúde. Com formação em Ioga, Biodança e pós-graduação em Práticas Somáticas da Dança, Monique desenvolve um trabalho que integra o corpo físico ao corpo espiritual, emocional e social. “Somos a soma desses corpos, a totalidade deles. É o objetivo do meu trabalho. Amo o que faço”, afirmou.

Seu propósito é reconectar as pessoas ao próprio corpo, promovendo autoconhecimento e libertação. No workshop, após um profundo relaxamento guiado, os participantes foram convidados a acessar a argila de olhos fechados, um gesto simbólico de confiança e entrega. A proposta era permitir que a expressão interna conduzisse as mãos. O resultado revelou peças surpreendentemente belas, carregadas de identidade e emoção.

A experiência contou ainda com a parceria do Mestre Artesão Daniel de Lima, que integrou o artesanato em barro às práticas terapêuticas. Para ele, a arte é também um caminho de cura. Representando a Região dos Lagos do Rio de Janeiro no evento realizado em Brasília, Daniel levou sua tradição e sensibilidade ao encontro da proposta somática, transformando o barro em instrumento de arte-terapia.

A integração entre práticas corporais e argila mostrou que criar é mais do que produzir objetos, é moldar percepções, dissolver tensões e redescobrir a própria essência. O Workshop Filhos do Barro reafirmou que, ao tocar a terra, o ser humano recorda suas raízes e encontra novas possibilidades de florescer.

A expectativa de Monique é expandir o projeto, alcançando um público cada vez maior e fortalecendo caminhos para uma vida mais saudável, autêntica e consciente. Afinal, quando corpo e natureza se reconhecem como parte da mesma matéria, nasce uma transformação que vai além das mãos, e permanece na alma.










Envelhecer, por Rogério Loureiro Xavier


 Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


*"Envelhecer:"*

Não é para os fracos. 

Um dia você acorda e percebe que a juventude ficou pra trás... Mas com ela também se vão as inseguranças, a pressa, a necessidade de agradar.

Você aprende andar mais devagar, mas com mas com mais certeza. 

Despedir-se sem medo, dar valor a quem fica.

Envelhecer é soltar, é aceitar, é descobrir que a beleza nunca esteve na pele, mas na história que carregamos dentro de nós. 


*"✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Mestre Daniel de Lima, Patrícia Vianna de Mello Vianna e Monique Pinheiro Santos - Filhos do Barro: Uma Experiência de Criação, Presença e Ancestralidade

 


Há um silêncio antigo que habita o barro.

Um silêncio úmido, morno, que respira sob as mãos e espera o toque certo para se tornar forma.

No workshop Filhos do Barro, esse silêncio é convite, não para moldar apenas a argila, mas para ser moldado por ela.

O barro encontra o corpo.

O corpo encontra a terra.

E, nesse encontro, os quatro elementos despertam.

A água amolece as durezas invisíveis.

A terra sustenta o gesto que nasce do centro.

O ar atravessa o peito e sopra intenção às mãos.
O fogo, ainda latente, anuncia a transformação que virá.

Ali, a criação não é pressa: é presença.

Os pés reconhecem o chão, as mãos reconhecem a memória.

O barro carrega histórias ancestrais e, ao tocá-lo, tocamos algo de nós que sempre soube.

Sob a condução de Daniel de Lima, mestre artesão nascido em Tracunhaém, terra onde o barro é tradição e destino, a argila deixa de ser matéria e torna-se ensinamento. Há mais de três décadas dedicando-se à cerâmica e fundador do Ateliê Filhos do Barro no Rio de Janeiro, Daniel transmite o saber como quem oferece água fresca: com generosidade e respeito às raízes. Em suas mãos, a técnica é ancestralidade viva.

Ao lado dele, Patrícia Vianna de Mello tece palavras, músicas e histórias como quem costura mundos. Arte-educadora e pesquisadora da biogenia, ela integra alimento vivo, literatura e cuidado em experiências que nutrem por dentro e por fora. Seu gesto lembra que criar também é alimentar, o corpo, a imaginação e o espírito.

E quando o corpo pede movimento, Monique Pinheiro Santos abre o espaço da dança sensível. Facilitadora formada pela International Biocentric Foundation, instrutora de Yoga e terapeuta corporal, conduz vivências onde o ritmo desperta a escuta e o toque devolve pertencimento. Cada passo é reconexão. Cada gesto, reencontro.

No Filhos do Barro, não se aprende apenas a moldar,  aprende-se a enraizar.

A escutar o que palpita sob a pele.

A reconhecer no alimento vivo o ciclo da terra.

A permitir que o fogo da transformação atravesse medos antigos.

O barro suja as mãos, mas limpa os excessos.

A dança move o que estava rígido.

A palavra semeia sentido.

O alimento regenera.

E, ao final, o que se leva não é apenas uma peça de cerâmica,  é a lembrança de que somos também argila viva, filhos da terra, capazes de criar, cuidar e renascer.

Um convite ao enraizamento.

À criatividade que brota do simples.

Ao cuidado integral que nasce quando corpo e natureza voltam a conversar.



















 



"Pirapetinga: Um Pedacinho de Eternidade", por Adalto Boechat Júnior


Foto histórica: Dona Iracema Seródio Boechat com seus alunos!!

Flâneur é uma palavra francesa que significa, literalmente, “aquele que vagueia”.

No século XIX, passou a nomear quem caminha pela cidade sem pressa, observando a vida urbana, as pessoas, as vitrines, os detalhes do cotidiano, mais como um atento contemplador do que alguém com destino definido. O poeta francês Charles Baudelaire viu nele o artista da vida moderna: aquele que transforma o simples em poesia.

Pois eu sou um flâneur de Pirapetinga de Bom Jesus.

Agrada-me passear por meu amado distrito. Caminho por sua história como quem folheia um álbum antigo. Detenho-me diante da fotografia histórica da Profª Iracema Seródio Boechat, ali com seus pequenos alunos, semeando as gerações do amanhã. Há ternura naquela imagem, é quase possível ouvir o burburinho das crianças e o chamado doce da professora.

Admiro os prédios históricos, guardiões silenciosos de nossa memória. Percorro a praça, observo as caixas de livros oferecidas ao público, como convites generosos ao saber. Sigo pelas vias tranquilas de Pirapetinga, apreciando flores, cogumelos e árvores, tendo como pano de fundo o céu azul bordado de nuvens exuberantes.

Vejo frutas em compotas reluzindo ao sol, uma taça de vinho repousando serena, um carro de boi que parece trazer ecos de outros tempos. Um violão dedilha melodias na rua; um cãozinho atravessa o mato distraído. As imagens sagradas acompanham meu percurso como bênçãos discretas.

Adentro o patrimônio histórico do Centro Espírita Novo Oriente, ligado às origens do distrito. Ali estão quadros, memórias, inclusive o nosso peixe pintado, símbolo que palpita identidade. Vejo bebezinhos bem vestidos, cuidados com esmero, pequenos sonhos embalados para construir um novo amanhã.

Então paro por um instante.

Respiro.

Reflito sobre tudo o que vi.

Meu espírito se exalta e quase sussurra ao vento:

- Ahhh… esse Pirapetinga é lindo!

Pirapetinga é um pedacinho da história de um povo que vive, ama, sofre -  e ainda assim ergue os olhos aos céus e diz:

“Graças a Deus!”