domingo, 2 de agosto de 2026

Envelhecer, por Rogério Loureiro Xavier

 



Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


*Envelhecer*


Estou envelhecendo e quero envelhecer. Porém,  não quero envelhecer sem sorriso, achando a vida simplesmente uma "coisa normal".

Não quero envelhecer achando que tenho razão em tudo, que posso tudo e que sou melhor que tudo. 

Não quero envelhecer amargurando cada dia. Não quero envelhecer primeiro por dentro, destruindo meus sentimentos mais puros. 

Quero amar, valorizar, sorrir, me conhecer, observar, dar gargalhadas...


Simplesmente VIVER!


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

V FLIPir transforma Pirapetinga na Capital da Esperança Literária

 

Pirapetinga Abriu um Livro para o Mundo




Pirapetinga de Bom Jesus despertou, no primeiro dia de agosto de 2026, ao suave rumor das páginas sendo abertas. Logo nas primeiras horas da manhã, percebia-se que algo extraordinário estava em curso. 

A praça deixava de ser apenas um espaço urbano para transformar-se em uma grande sala de aula a céu aberto. Crianças corriam entre os estandes, estudantes carregavam livros como quem leva sementes, professores sorriam discretamente ao ver a curiosidade vencer a timidez, enquanto escritores, poetas e artistas chegavam trazendo na bagagem aquilo que nenhuma mala consegue conter: histórias, memórias e sonhos.

Assim teve início a V Feira Literária de Pirapetinga, FLIPIR, com o tema LER PARA PERTENCER: HISTÓRIAS QUE INSPIRAM FUTURO. Mais do que um evento cultural, a feira revelou-se um verdadeiro estado de espírito. Durante todo o dia, a pequena vila permitiu que a literatura ocupasse as ruas e a praça, dialogasse com a música, abraçasse a educação e encontrasse na poesia uma forma delicada de recordar que os povos permanecem vivos enquanto preservam sua memória e cultivam a força das palavras.

A manhã da juventude e do conhecimento 

A manhã pertenceu à juventude. Três escolas reuniram-se em uma animada gincana cultural que transformou o conhecimento em espetáculo e a convivência em vitória coletiva. Equipes dos alunos das Escolas Municipais João Catarina e Iracema Seródio Boechat participaram da competição com os do CIEP Marlene Abib de Oliveira Fabro, de  Varre-Sai, que trouxeram entusiasmo e alegria, liderados pela renomada escritora, historiadora e professora Isabel Menezes.

Na sequência, a consagrada trovadora Lúcia Spadarotto conduziu uma oficina de trovas que transformou adolescentes em verdadeiros artesãos da palavra. O tema proposto, Gentileza, parecia simples apenas à primeira vista. Cada equipe escreveu seus versos, apresentou-os ao público e compartilhou, de improviso, as emoções despertadas pela experiência. Naquele instante, constatou-se que ensinar literatura vai muito além de transmitir técnicas: significa despertar sensibilidades e revelar novos olhares sobre o mundo.

A participação da União Brasileira de Trovadores - Seção Itaperuna foi um dos pontos altos da programação. Era como se uma verdadeira seleção da trova brasileira tivesse escolhido Pirapetinga para celebrar a poesia. Lúcia Spadarotto, Jane Bauer, Mariana Nogueira Lombardi, Gogó Pacheco, Luciana Pessanha Pires, Abia Dias, Gorete Demétrio, Cremilce de Souza Fernandes Nunes, Vanderleia Pacheco e Gabriela reuniram décadas de dedicação à arte trovadoresca, enriquecendo a programação com talento, experiência e sensibilidade. Jane Bauer e Mariana Nogueira Lombardi integraram também o corpo de jurados da gincana, conferindo à avaliação o olhar criterioso de quem conhece profundamente a poesia.

No meio de provas, desafios e descobertas, a equipe amarela, representando Varre-Sai, conquistou o primeiro lugar. Ao final, porém, todos pareciam vencedores. Afinal, quando o conhecimento é celebrado, não existem derrotados.

A literatura brasileira esteve representada por nomes de grande expressão. Prestigiou a feira Sol Figueiredo, presidente da Academia de Letras do Brasil (ALB), que apresentou publicações da entidade e reafirmou a importância nacional da FLIPir. Também marcou presença a escritora Cristiana Ana, premiada internacionalmente e integrante da ACLAPTCTC, ampliando o diálogo entre diferentes expressões da literatura contemporânea. A Editora O Norte Fluminense participou com a exposição de obras de seu catálogo editorial.

A voz dos Açores ecoou em Pirapetinga

Mas havia um visitante que parecia ter atravessado muito mais do que o Oceano Atlântico. O poeta açoriano Francisco Amaro Borba Gonçalves trouxe consigo o perfume das ilhas, a memória dos navegantes e a emoção dos ancestrais que, séculos atrás, partiram rumo ao Brasil. Seus poemas e canções encontraram eco imediato entre o público.

Ao homenagear a poetisa Iracema Seródio Boechat, descendente de açorianos, uniu simbolicamente dois continentes separados pela geografia, mas profundamente ligados pela cultura, pela língua e pela memória. Seu poema, reproduzido ao final desta reportagem, tornou-se um dos momentos mais delicados da feira. Ao falar de Pirapetinga e de Bom Jesus do Itabapoana, mostrou que a literatura possui um privilégio raro: construir pontes onde os mapas mostram distâncias.

Uma tarde de homenagens, memória e emoção 

A tarde foi igualmente generosa. Houve sorteios, apresentações culturais, rodas de conversa, o espetáculo musical EmocionalMente, exposições e manifestações artísticas que revelaram o talento das escolas participantes. Cada atividade confirmava que a literatura nunca caminha sozinha; ela sempre traz consigo a música, o teatro, a memória, a amizade e a esperança.

Entre tantos momentos marcantes, alguns permanecerão gravados na história da comunidade. O médico e escritor Lauro Amaral foi homenageado pela Escola Municipal João Catarina, enquanto a Escola Municipal Professora Iracema Seródio Boechat prestou homenagem ao vice-prefeito Sávio de Almeida Borges.

A Escola Municipal João Catarina também homenageou o maestro Oseas José Severino, reconhecendo sua dedicação, paciência e incentivo permanente na formação da fanfarra escolar e nas inúmeras conquistas culturais alcançadas por Pirapetinga.

Outro instante de grande emoção foi a homenagem póstuma ao médico e escritor Norberto Seródio Boechat, promovida pelo Pirapetinga Futebol Clube. Os filhos Filipe e Miguel  receberam a homenagem, idealizada pelo dr Nino Moreira Seródio. A solenidade reconheceu aquele que pertence à rara linhagem dos homens que vencem o tempo: médico por vocação, escritor por inspiração e guardião da memória de seu povo por amor.

Em um dos atos mais simbólicos da programação, a fanfarra da Escola Municipal João Catarina passou a denominar-se Fanfarra Cecy Brandão, eternizando a memória de uma mulher que dedicou sua vida à formação humana e à educação. A partir de agora, cada apresentação musical levará consigo a lembrança de Cecy Brandão, mãe do desembargador Cláudio Brandão, exemplo de dedicação à comunidade.

A gastronomia regional também encontrou espaço na feira. Um dos estandes mais visitados foi o do Café Jacó, tradicional café bonjesuense premiado pela excelência de sua produção.

Quando a noite chegou, Pirapetinga não diminuiu seu ritmo; apenas mudou de melodia. As luzes da praça iluminaram o artesanato, o tradicional bingo comunitário e, por fim, o show do músico Josias Carlos, que encerrou o primeiro dia da feira transformando cultura em confraternização.

Nada disso, porém, teria acontecido sem o trabalho silencioso daqueles que acreditaram no projeto muito antes de ele ganhar forma. Merecem reconhecimento Lauro Amaral, Lia Márcia Amaral, Lielma Amaral, Adalto Boechat e Anízia Maria Pimentel, com apoio inestimável de Alessandra Abreu. A dedicação, idealismo e amor à terra natal demonstraram que grandes eventos culturais nascem da soma entre competência, sensibilidade e espírito público. Organizaram muito mais do que uma feira: ofereceram à vila um encontro consigo mesma.

Muito além de uma feira literária 

Ao final do dia, constatou-se que Pirapetinga havia vivido algo maior do que uma programação cultural.

Por algumas horas, os livros respiraram junto com a vila. A praça converteu-se em biblioteca, escola, palco, sala de concerto e espaço de convivência. As crianças descobriram novos mundos, os jovens perceberam que a poesia ainda lhes pertence, os escritores encontraram novos leitores e os mais velhos reencontraram memórias que julgavam adormecidas.

Esse é o verdadeiro sentido de uma feira literária: lembrar que uma comunidade cresce quando aprende a contar a própria história.

Pirapetinga não realizou apenas a quinta edição da FLIPIR. Escreveu mais um capítulo de sua própria história cultural, confirmando que as vilas também possuem alma, e que essa alma se fortalece sempre que um livro é aberto, um poema é declamado e uma criança descobre o encanto infinito da leitura.


Poema do açoriano Francisco Amaro Borba Gonçalves em homenagem a Pirapetinga de Bom Jesus 


Por entre vales e montanhas, andei

Me senti como os nobres admiradores;

Itinerário percorrido, ali cheguei:

Pirapetinga, cidade logo encontrei


Descendentes respeitosos dos Açores.

​Dona Lucinha, com apreço e afeição

Me revela de forma surpreendente

E repleta de orgulho e consideração


Me faz despertar enorme admiração:

Alto grau de açoriano sentimento.

​De sua mãe, Iracema, versos leio,


Abrindo, a esmo, aquela página cinco,

Em "Paisagens e Perfis" versos relevo

"Descendente da terra que seu pai veio"

Demonstrando orgulho e muito afinco.


​01/08/2026



























































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