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| Ana Maria Silveira |
Roberto era um jovem de 24 anos, terminando o curso de Direito. Já era muito conhecido no ambiente estudantil pela liderança nata em movimentos desde secundarista, pela simpatia que irradiava, pelo enorme espírito de solidariedade.
Pelo PTB de Getúlio Vargas, conseguiu uma vaga para se candidatar a Deputado Federal. Imediatamente os estudantes lhe dispensaram apoio, mas era pouco para Roberto conseguir se eleger dentro de um partido incipiente, tendo à frente os já solidificados PSD do Amaral Peixoto ou a UDN do Brigadeiro Eduardo Gomes.
O candidato não se intimidou e abraçou o desafio com alegria e seriedade, características que nunca o abandonaram.
Dalton Gonçalves na época começava sua carreira de professor. Contava-nos, que certo dia estava lecionando numa sala em frente ao Jardim São João, no centro de Niterói. Percebeu pela janela um jovem, magrinho como um graveto, aparentando ter uns 18 anos, colocando no meio da praça um caixote que pediu para um desocupado e subindo em cima.
De repente, um vozeirão vindo da praça: - Meu nome é Roberto Silveira...sou candidato a deputado e vou precisar de todos vocês ao meu lado...
Um aluno deu um salto da cadeira e disse, afobado:- Professor, é o Roberto! Peço licença...
Saiu e, atrás dele, mais da metade da turma. Dalton logo conclamou os demais para assistirem ao discurso desse fenômeno que o intrigou. Narrava o fato com a mesma emoção que nos narrou desde a primeira vez. Disse que enquanto o candidato discursava a praça foi acolhendo os transeuntes curiosos, mas que, uma vez ouvindo Roberto, permaneciam magnetizados pelas suas palavras e não arredavam mais o pé de perto do futuro deputado. No final, uma multidão empolgada o aplaudia e gritava seu nome, como se fossem velhos amigos!
Roberto sabia que a luta seria árdua. Ligou para, Boanerges, que se encontrava em Bom Jesus, dizendo:
-Papai, precisamos alavancar minha candidatura!
Para tal, Boanerges reuniu familiares e amigos e Roberto foi à cidade natal se fazer conhecido como candidato. Apesar da aparência franzina, tinha 23 anos.
Contando com parentes e amigos, Roberto foi alavancando sua candidatura pelo Estado do Rio afora. O evento foi tomando esse nome.
-Vamos alavancar a candidatura do Roberto em Duque de Caxias! Logo os familiares e amigos do primo Moacyr do Carmo, se fizeram cabos eleitorais.
De Paracambi, a turma do querido primo Tuneca, o Antônio Botelho.
O irmão Zequinha partiu de São José de Ubá e redondezas. Badger contou com muitos amigos em Resende, onde era delegado e já estava movimentando a criação do PTB, e nas vizinhas Barra Mansa e Volta Redonda.
Essa alavancada terminou como uma bola de neve: Roberto eleito a despeito dos políticos tradicionais e largamente conhecidos.
Como a carreira política do Roberto não terminou por aí, “outras alavancadas” aconteceram.
As campanhas políticas se faziam por comícios em praças públicas, com os candidatos discursando. Era comum uma banda de música para chamar a atenção e atrair curiosos. Aquilo incomodava o Roberto: músicas tristes, hinos pesados, um fomforonfom muito desagradável. Apenas homens se aglomeravam em volta dos palanques.
Rapidamente Roberto decidiu que comício deveria ser uma coisa empolgante para atrair também mulheres e crianças. Principalmente as eleitoras. Um eleitor comprometido com o Amaral Peixoto era difícil demover, mas ao conseguir o voto feminino, concorria de igual para igual!
Chamou o compositor Vicente Amar e juntos compuseram as primeiras músicas alegres para campanhas eleitorais, que logo cairiam no gosto das crianças e das eleitoras dos votos cobiçados.
O tempo se passou. Sobreveio a tragédia da morte do Roberto, tão amado.
Na eleição seguinte para governador, Badger foi eleito por aclamação dentro do Partido, para dar continuidade ao reconhecido trabalho político que Roberto não pôde terminar.
A alavancada, tocada por Boanerges, foi em Jurujuba, bairro de Niterói, na casa de Elizabete Silveira, perfilhada, já adolescente, por Biluca e Boanerges. Este fez um belíssimo e emocionado discurso, dizendo que só poderíamos homenagear o Roberto com alegria, que era a sua marca, embora os corações estivessem destroçados pela saudade. Garantiu que as políticas públicas do filho não poderiam cessar e que o esforço de Roberto para fazer um grande governo iria continuar com Badger , “com o apoio do povo e a proteção de Deus!”.
Comandou a festa, deixou todos à vontade com as marchinhas da campanha compostas pelo Rutinaldo e Vicente.
Anos mais tarde foi a vez de “alavancar” a primeira campanha do nosso Jorge Roberto Silveira, filho de Roberto e Ismélia, igualmente amado.
Saiu candidato a Deputado Estadual quando Badger logo bradou: - Junta a Silveirada! Vamos alavancar a candidatura do Jorge!
Foi a volta da alegria de se fazer uma campanha!
A Silveirada abrangia os amigos, vizinhos, estudantes, correligionários, amigos dos amigos e todos os primos e tios e os Silveiras, claro, que não eram poucos.
O Jorge nos proporcionou muitas e alegres Silveiradas!
Até que, em uma delas, tia Dinah observando a animação da festa, comentou entusiasmada: -Quando juntamos a Silveirada, é só política e gargalhada!Assim Surgiram as “Silveiradas”.
Ana Maria Silveira é filha do ex-governador Badger Silveira