sábado, 4 de julho de 2026

FLICBonjê e FLIPir: As Feiras Literárias de Bom Jesus e Pirapetinga

 


Diz a nota ao rodapé do cartaz que “entre livros, vozes e encontros, a cultura faz nossa história florescer”. E há, de fato, um perfume de primavera antecipada que teima em brotar no inverno de Bom Jesus do Itabapoana quando o calendário marca o fim de julho. Entre os dias 30 de julho e 2 de agosto, a cidade deixa de ser apenas geografia para se fazer poesia viva, transformando-se no palco da IV FLICBonjê e da V FLIPIR.

​Olhar para essa programação é como folhear um caderno de memórias que ainda não aconteceram, mas que já se adivinham doces.

​O Despertar da Quinta-Feira

​Tudo recomeça numa quinta-feira bem cedo. Às oito da manhã, as portas da Praça Governador Portela se abrem não apenas para o transeunte apressado, mas para a reconfiguração do mundo através das palavras. O vento da manhã traz o eco de histórias contadas com dinâmicas, o riso cristalino das crianças no Show de Talentos e o dedilhar tímido dos alunos da MusicArt. Quando a noite cai, trazendo a doçura musical de Sarah e o burburinho lúdico do bingo, a praça já não é mais a mesma; ela já foi batizada pelo afeto literário.

​A Sexta-Feira de Encantos e Sabores

​Na sexta-feira, o tempo parece esticar-se como uma linha de costura dourada. Das oito às vinte e duas horas, os livros repousam nas bancadas esperando por mãos curiosas. Há um aroma de capuchinho e pastel que emana da feira de artesanato e gastronomia ao entardecer. É a tradição que abraça a juventude da festa.

​O Sábado da Outra Margem

​No sábado, a poesia cruza caminhos e acorda Pirapetinga na Praça João Catarina. A FLIPir abre suas asas sob a batuta da professora Lúcia Spadarotto e das crianças das escolas municipais. Há oficinas onde as palavras ganham formas novas e rodas de conversa onde os escritores desnudam a alma. Na praça de lá e na praça de cá, a dança de Dilma Yara fecha o dia sob o luar de agosto, provando que o corpo também é um livro que se lê com os olhos do sentimento.

​O Domingo de Acordes e Despedidas

​E então, o domingo chega manso, com gosto de saudade antecipada. O dia é dos acadêmicos, dos monólogos poéticos e do Sarau da ACLAPTCTC, Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores, onde trovas e poesias ganham o peso sagrado da voz alta. Às 15h, a Sociedade Musical Usina Santa Maria toca aquela marcha que faz o peito vibrar e os olhos marejarem, preparando o espírito para o Café Literário.

​Quando o relógio marcar dezoito horas e o encerramento oficial for anunciado, as luzes das praças começarão a se apagar lentamente. Mas não haverá escuridão. Ficará, em cada morador e em cada visitante, a certeza lírica de que os livros lidos, as vozes ouvidas e os encontros vividos cumpriram seu papel: fizeram a alma de Bom Jesus do Itabapoana florescer mais uma vez.


Rachmaninoff


 

No Rio de Janeiro também houve uma sagração episcopal sem mandato pontifício: a querela campista e sua ligação com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X

 

In Rio de Janeiro there was also an episcopal consecration without pontifical mandate: the Campos quarrel and its connection with the Society of Saint Pius X

À Rio de Janeiro il y a eu également une consécration épiscopale sans mandat pontifical : la querelle de Campos et son lien avec la Fraternité Sacerdotale Saint-Pie X

Flumine Ianuarii in Brasilia quoque consecratio episcopalis sine mandato pontificio facta est: querela campensis eiusque coniunctio cum Fraternitate Sacerdotali Sancti Pii Decimi


Por PhD. Márcio de Lima Pacheco

E-mail: drmpach@gmail.com

http://lattes.cnpq.br/3757823723460546



As notícias vindas de Écône, na Suíça, sobre a sagração de novos bispos pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) sem autorização do Papa, e a subsequente excomunhão decretada pelo Vaticano, têm circulado com intensidade também fora dos círculos católicos mais especializados. Para o leitor do norte fluminense, porém, esse tipo de episódio não é propriamente uma novidade distante. Há mais de três décadas, um capítulo muito semelhante e com desfecho digno de nota se passou aqui mesmo, na região de Campos dos Goytacazes, mais precisamente em São Fidélis-RJ.

Em 28 de julho de 1991, na cidade de São Fidélis, o padre Licínio Rangel foi sagrado bispo sem mandato do Papa. A cerimônia foi presidida por Dom Bernard Tissier de Mallerais, com a assistência de outros dois bispos, Alfonso de Galarreta e Richard Williamson, todos eles integrantes do colégio de quatro bispos que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X havia consagrado em 1988, em Écône, também sem autorização pontifícia, por iniciativa de seu fundador, o arcebispo francês Dom Marcel Lefebvre. Não é, portanto, um exagero afirmar que os mesmos protagonistas institucionais daquele episódio de 1988 tiveram participação direta no caso brasileiro três anos depois, o mesmo movimento eclesial, a mesma controvérsia sobre a autoridade papal em matéria de sagrações episcopais, agora ressonando em solo fluminense.

O pano de fundo campista remonta a Dom Antônio de Castro Mayer, bispo diocesano de Campos entre 1949 e 1981, que se tornou uma das figuras mais conhecidas da resistência católica às reformas litúrgicas seguidas ao Concílio Vaticano II. Já emérito, Dom Castro Mayer fundou a União Sacerdotal São João Maria Vianney, reunindo um grupo de sacerdotes algo em torno de vinte padres, segundo documentos da própria União à época que mantinha a celebração da liturgia anterior a 1969 e a postura crítica em relação às determinadas reformas conciliares. O próprio Dom Castro Mayer esteve presente, ao lado de Dom Lefebvre, nas sagrações de Écône em 1988, o que lhe rendeu, tal como aos demais participantes, a pena de excomunhão automática prevista pelo Direito Canônico então em vigor.

Com a morte de Dom Castro Mayer, em abril de 1991, os padres de Campos, temendo ficar sem sucessão episcopal para dar continuidade a seu trabalho pastoral, solicitaram aos bispos da Fraternidade uma nova sagração a de Licínio Rangel, realizada meses depois, em São Fidélis, com a leitura, do que nomeio, “Mandato Apostólico da Necessidade” já que não saiu das mãos do Santo Padre, mas da necessidade de Salvação das Almas. Segundo o Código de Direito Canônico vigente à época (o de 1983), a consagração de um bispo sem a devida autorização papal configura delito específico, ao qual se soma, quando presentes certas circunstâncias, o próprio delito de cisma. Por essa razão, tanto os bispos sagrantes quanto o próprio Dom Licínio Rangel incorreram, automaticamente, nas sanções canônicas previstas para esse tipo de ato a chamada excomunhão latae sententiae, que não depende de sentença formal para produzir efeito, mas decorre diretamente da prática do ato proibido.

Entre os cerca de vinte sacerdotes que compunham a União Sacerdotal São João Maria Vianney encontrava-se um jovem padre campista chamado Fernando Arêas Rifan, ordenado em 1974 pelo próprio Dom Castro Mayer. Rifan acompanhou de perto os anos de tensão com Roma havia inclusive assistido, como padre, à cerimônia de 1988 em Écône e tornou-se, com o tempo, uma das vozes mais atuantes do grupo de Campos. É esse mesmo Fernando Rifan que, hoje, ocupa a posição de bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, sediada em Campos dos Goytacazes: um dado que, por si só, sugere que aquela história teve um desfecho bem diferente do que a palavra excomunhão costuma evocar.

De fato, ao longo da década de 1990 e sobretudo a partir do Jubileu do ano 2000, os padres de Campos passaram a manter contatos cada vez mais próximos com a Santa Sé, num processo que se distinguiu do rumo seguido pela própria Fraternidade Sacerdotal São Pio X, mais reticente quanto a uma solução negociada. Em agosto de 2001, Dom Licínio Rangel e o grupo campista dirigiram-se formalmente ao Papa João Paulo II, reafirmando sua fé católica e pedindo para ser plenamente reconciliados com Roma. A resposta veio ainda naquele ano: em carta autógrafa datada do Natal de 2001, o Papa anunciou que criaria uma estrutura eclesial própria para acolher o grupo, preservando sua identidade litúrgica. Em 18 de janeiro de 2002, em cerimônia realizada na Catedral de Campos, foi formalmente erigida a Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney uma circunscrição eclesial de caráter pessoal, ligada diretamente a Santa Sé, com direito a celebração exclusiva segundo os livros litúrgicos de 1962. Dom Licínio Rangel, com as censuras canônicas remidas, tornou-se seu primeiro administrador apostólico, falecendo poucos meses depois, em dezembro daquele ano, e sendo sucedido por Dom Fernando Rifan, que segue à frente da instituição até hoje.

O episódio, à época, não passou despercebido: tanto a sagração de 1991 quanto a reconciliação de 2002 foram noticiadas por importantes jornais brasileiros e acompanhadas também pela imprensa católica internacional, justamente por envolverem um grupo que, durante duas décadas, manifestara fortes reservas às reformas posteriores ao Concílio Vaticano II e, ainda assim, encontrou um caminho de volta à plena comunhão com Roma. Ou seja, aceitando plenamente o Concílio Vaticano II e suas reformas.

É esse o aspecto que talvez mais mereça reflexão, agora que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X atravessa novamente um momento de ruptura formal com a Santa Sé. A experiência campista não permite prever o que ocorrerá com a Fraternidade em nível internacional - as duas situações têm contextos e atores distintos, e nada garante desfechos semelhantes. Mas ela demonstra algo que vale a pena lembrar: um conflito canônico, por mais grave que pareça em determinado momento e a excomunhão é, no vocabulário da Igreja Católica, a pena mais grave que existe -, não é necessariamente uma situação irreversível. Padres excomungados podem, décadas depois, tornar-se bispos em plena comunhão com Roma; comunidades inteiras podem reencontrar seu lugar dentro da estrutura da Igreja sem que precisem, para isso, abandonar aquilo que consideram sua identidade espiritual mais profunda. Fica, no norte fluminense, essa lembrança concreta e bem próxima: a de que o diálogo paciente, mesmo depois de anos de distanciamento, ainda pode produzir caminhos de reconciliação.



sexta-feira, 3 de julho de 2026

Que..., por Rogério Loureiro Xavier


 Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.


*Que...*


Que estajamos presentes nas memórias dos outros.

Que alguém distante lembre do nosso sorriso e se sinta acolhido.

Que o nosso bem traga bem aos outros.

Que sejamos a saudade que aperta no peito de uma velha amizade.

Que sejamos o amor que alguém nunca esqueceu.

Que sejamos aquele sorriso na rua que encantou alguém.

Que sejamos hoje e sempre uma lembrança boa que vive dentro de cada pessoa que cruzou o nosso caminho!


*Existem momentos que nunca serão apagados... Pessoas que nunca serão esquecidas... Pois a vida não vale um momento, mas há momentos que vale uma vida toda."*


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

"A literatura é o desejo de alterar a vida": Lídia Jorge, Prêmio Camões 2026

 

O Prêmio Camões é considerado a mais importante distinção literária da língua portuguesa


Lídia Jorge 

Lídia Jorge, nascida no Algarve,  Portugal, pertence ao grupo de pessoas que atravessam o tempo escrevendo. Em cada livro, transforma lembranças em histórias, silêncios em voz e emoções em páginas que tocam quem as lê.

Escrever, para ela, parece ser uma forma de guardar a vida antes que o vento a leve. As palavras tornam-se abrigo, ponte entre o passado e o presente, revelando que a literatura também é uma maneira de compreender o mundo e de cuidar da memória.

Ao longo dos anos, seus romances, contos, ensaios e poemas mostraram que a sensibilidade pode iluminar até os momentos mais difíceis. Cada obra é como uma janela aberta para sentimentos que, muitas vezes, permanecem escondidos dentro de nós.

Assim, Lídia Jorge nos ensina que a verdadeira grandeza de um escritor não está apenas nos prêmios recebidos, mas na capacidade de fazer o leitor sentir, refletir e acreditar que, enquanto existirem palavras, sempre haverá esperança.


O tempo nas mãos de Vicente Padrão

 

A família reunida de Vicente Padrão traduz o maior patrimônio construído ao longo de sua vida: um legado de trabalho, dedicação e união que já começa a ser perpetuado por filhos, netos e bisnetos. Na Relojoaria Padrão, a tradição atravessa gerações e mantém viva uma profissão que resiste ao tempo


Há profissões que medem o tempo. Outras, porém, dedicam a vida inteira a consertá-lo. Há 47 anos, o relojoeiro Vicente Filgueiras Padrão faz exatamente isso em Bom Jesus do Itabapoana: devolve movimento aos ponteiros, restaura lembranças e preserva histórias que cabem dentro de uma pequena caixa metálica presa ao pulso.

A trajetória começou em 16 de abril de 1977, quando, ao lado do irmão Ronaldo, fundou a Relojoaria Califórnia, na Rua 15 de Novembro, em frente ao antigo Supermercado Norte Sul. Anos depois, a loja foi transferida para a Rua Tenente José Teixeira, ao lado do Laboratório Itabapoana. Com o crescimento dos serviços, Vicente decidiu abrir seu próprio estabelecimento, a Relojoaria Padrão, que leva seu sobrenome e está instalada há cerca de 30 anos na Rua Expedicionário Paulo Moreira. Em qualquer um desses endereços, o tic-tac dos relógios sempre pareceu conversar com o passado.

Ao longo das décadas, as duas relojoarias atravessaram gerações e se tornaram referência para quem acredita que certos objetos carregam muito mais do que horas: carregam afetos.

Vicente chegou à profissão por necessidade. Uma deficiência física limitava suas possibilidades de trabalho em outras atividades, mas nunca sua disposição para aprender. Autodidata, encontrou na relojoaria um caminho de autonomia e dignidade. Mais tarde, aperfeiçoou os conhecimentos em Muriaé, onde estudou durante um ano com o cunhado, Sebastião Ayres da Silva, proprietário de uma ótica e relojoaria.

A história da família começou bem antes. Vicente nasceu na localidade de Califórnia, em Mata da Cruz, então 18º distrito de Campos dos Goytacazes. Filho de Joaquim Padrão, agricultor e pecuarista natural de Santa Bárbara, em Campos, e de Maria Filgueiras Padrão, natural de Miraí, cresceu em uma família numerosa de doze irmãos, dos quais nove estão vivos. Entre eles está Ronaldo, companheiro de trabalho na relojoaria, que chegou do Rio de Janeiro desempregado e encontrou ao lado do irmão uma nova oportunidade.

As raízes familiares atravessam fronteiras. Os avós paternos, José Padrão e Antonieta Gil Padrão, vieram das Ilhas Canárias, na Espanha, mais precisamente de Tenerife. Já os avós maternos, Leopoldo Gonçalves Figueira e Conceição Gonçalves Figueira, eram de Miraí, em Minas Gerais. Um bisavô participou da construção da antiga estrada de ferro que ajudou a impulsionar o desenvolvimento de Santo Eduardo.

Antes de se firmar em Bom Jesus do Itabapoana, Vicente morou em Belo Horizonte e em Ponte de Itabapoana. Veio estudar na cidade graças a uma bolsa obtida por intermédio de Luciano Bastos para cursar o tradicional Colégio Rio Branco. O aprendizado escolar abriu caminho para a profissão que abraçaria pelo resto da vida.

Durante décadas, Bom Jesus chegou a contar com quatro relojoarias. Hoje, restaram praticamente apenas a sua e a de seu irmão. Para Vicente, o ofício vive um lento desaparecimento. Faltam jovens interessados e mão de obra especializada. "É uma profissão que está acabando por aqui", lamenta. Em outros grandes centros, entretanto, a atividade ainda encontra espaço.

A esperança de continuidade está dentro da própria família. O neto Gabriel Nascimento dos Santos vem aprendendo o ofício, enquanto a neta Maria Betânia auxilia diariamente na loja, também interessada em preservar o legado do avô. Quatro bisnetos já alegram a família: três filhos de Betânia e um de Gabriel. O mais novo deles, Miguel Nascimento, tem apenas sete anos.

No balcão da relojoaria, o tempo também revela curiosidades. Muitos clientes deixam relógios para conserto e nunca mais voltam. Alguns permanecem esquecidos por cinco anos ou mais. Outros reaparecem convencidos de que deixaram o relógio na oficina, quando, na verdade, isso nunca aconteceu. São histórias que fazem parte da rotina de quem trabalha cercado pela memória.

Além dos consertos, a loja comercializa semijoias e peças em prata. O movimento oscila. Há meses de muito trabalho e outros mais tranquilos. Ainda assim, Vicente permanece atrás da bancada com a mesma serenidade de quem aprendeu que o tempo tem seus próprios ritmos.

Quando olha para trás, sente-se realizado. A limitação física que poderia ter interrompido sonhos acabou indicando um caminho. O que parecia um obstáculo transformou-se em profissão, sustento e identidade.

Hoje, aos 47 anos de relojoeiro e quase meio século dedicado ao ofício, Vicente Padrão não faz grandes planos. Diz que seu projeto de vida é simples: continuar vivendo, trabalhando enquanto houver disposição e aproveitando a existência.

Talvez esse seja o maior ensinamento de quem passou a vida inteira consertando relógios: o tempo nunca para, mas sempre pode ganhar uma nova chance de continuar caminhando.















quinta-feira, 2 de julho de 2026

Casa dos Açores: 74 Anos e o Canto da Tuna Açoriana

 

O Acorde dos Mares na Tijuca



Há um pedaço de mar antigo que teima em desaguar no asfalto quente da Tijuca. Não o mar de Copa ou de Ipanema, mas aquele Atlântico profundo, salpicado por nove ilhas de névoa e pedra vulcânica. A Casa dos Açores do Rio de Janeiro abre suas portas no dia 18 de julho para celebrar mais do que uma data: festeja 74 anos de saudade transformada em abraço, de herança que se fez lar em terras brasileiras.

​O convite sussurra uma promessa de noite especial. Imagine o salão na Avenida Melo Matos ganhando vida a partir das 19h. O burburinho inicial logo dará lugar aos acordes vibrantes da Tuna Açoriana, cujas vozes e instrumentos de corda têm o poder mágico de erguer pontes invisíveis sobre o oceano. É a música estudantil e tradicional portuguesa que canta a terra, o amor e o tempo, ecoando entre os balões azuis e brancos que enfeitam a memória coletiva da comunidade.

​Um Banquete de Duas Pátrias

​A celebração se faz também pelo paladar, nessa comunhão perfeita onde o sotaque açoriano dança com a malandragem carioca:

O Calor da Tradição. O aroma reconfortante do Caldo Verde e o travo salgado e perfeito do Bolinho de Bacalhau evocam as cozinhas das avós que cruzaram o mar.

A Doçura do Além-Mar. Os Doces Portugueses trazem o açúcar conventual, carregado de gema e história.

O Brinde Tropical. No balcão, a alma carioca se liberta onde as Caipirinhas e Caipivodkas quebram a solenidade e convidam à celebração descontraída.

​Portas Abertas à Saudade e ao Futuro

​Com entrada franca, a festa não escolhe rostos: acolhe sócios e não-sócios, unindo velhos amigos que compartilham histórias de barcos e partidas a jovens que descobrem, no batuque ou no fado, um pedaço de suas próprias raízes.

​O aviso lembra uma urgência poética: "Vagas limitadas". É preciso garantir um lugar à mesa, seja pelo telefone ou pelo WhatsApp, porque o tempo voa e a saudade tem pressa de virar festa. Nessa noite de sábado, a Tijuca não será apenas um bairro carioca; será o décimo topo do arquipélago, flutuando feliz sobre as águas da fraternidade.