sábado, 7 de fevereiro de 2026

Aprovado em medicina em 1º lugar, jovem recusa vaga e escolhe cursar música na USP


Num país acostumado a aplaudir apenas certos destinos, há algo profundamente revolucionário em escolher viver à altura do próprio som.




Paulo Arnaldo não virou as costas para um futuro promissor; virou-se de frente para si mesmo.


Aos dezoito anos, quando o mundo costuma gritar caminhos prontos, Paulo Arnaldo escutou outra coisa. Não foi o coro seguro da medicina, nem o aplauso previsível da aprovação em primeiro lugar. Foi um som mais íntimo, quase tímido, o mesmo que o acompanhava desde antes de saber nomear o futuro. Um piano, talvez. Ou o silêncio que existe entre duas notas bem escolhidas.

Recusar a vaga em medicina na Universidade Federal de São Carlos parecia, para muitos, um gesto de ousadia; para outros, um erro elegante. Mas para Paulo, era apenas fidelidade. Não à lógica do vestibular brasileiro, que mede talentos com réguas estreitas, mas ao centro invisível de seus planos acadêmicos. A música não era um desvio: era o caminho original, aquele que sempre soube para onde levava, mesmo sem prometer estabilidade ou jalecos brancos.

Ao escolher o bacharelado em música, com habilitação em piano, na Universidade de São Paulo, Paulo contrariou a aritmética social que transforma vocação em estatística. Preferiu o risco afinado ao conforto desafinado. Enquanto muitos colecionam escolhas que rendem status, ele escolheu o que rende sentido, esse bem raro, que não cabe em rankings.

Há decisões que parecem renúncias, mas são, na verdade, atos de coragem silenciosa. Paulo Arnaldo não virou as costas para um futuro promissor; virou-se de frente para si mesmo. E, num país acostumado a aplaudir apenas certos destinos, há algo profundamente revolucionário em escolher viver à altura do próprio som.

"Sofremos mais na imaginação do que na realidade"

 

 
Costumamos sofrer antes do problema existir 


O sofrimento imaginário 

 


"Sofremos mais na imaginação do que na realidade", dizia Sêneca.

O homem é o único animal que tropeça em pedras que ainda não existem.

Construímos catedrais de ansiedade com tijolos feitos de vento, e o pior de tudo é que moramos nelas, pagando um aluguel caríssimo em moeda de paz e saúde.

​O Teatro do Absurdo Interno

​Abrir os olhos pela manhã, às vezes, não é um despertar, mas o início de uma peça de teatro onde somos o diretor, o roteirista e a única vítima. A mente é um palco de conflitos fictícios.

​Gastamos uma energia preciosa, aquela que deveria nutrir nossos sonhos e nossa produtividade, alimentando monstros que morrem de fome assim que a luz do presente os toca. 

É um ciclo de estresse que nubla o vidro da janela; o mundo lá fora está ensolarado, mas nós só conseguimos ver a tempestade que desenhamos no lado de dentro do vidro.

​A Liberdade no Olhar Real

​A verdadeira sabedoria não reside em ignorar o perigo, mas em recusar-se a criá-lo onde ele não existe. Ter disciplina mental é o ato de rebeldia mais poético da vida adulta: é olhar para o caos ilusório do cotidiano e dizer: "Hoje não".

Coragem: Não é a ausência de medo, mas a decisão de que a realidade, por mais dura que seja, é sempre mais manejável que o labirinto da suposição.

Harmonia: Quando dissolvemos o sofrimento antecipado, o corpo agradece. O coração bate no ritmo do agora, e a biologia se alinha à vida, transformando o peso do mundo em algo suportável, talvez até leve.

​Viver é o exercício constante de desarmar as armadilhas que nós mesmos espalhamos pelo caminho. 

Ao encararmos os fatos com clareza, percebemos que a maioria das nossas "tragédias" nunca saiu do papel

E, no fim das contas, a vida real é muito mais gentil do que o carrasco que levamos entre as orelhas.


Saxophone & Violin

 



Guitar Arabic




Futebol Arte Esperado, por Rogério Loureiro Xavier


 Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.


*"Saudade que transborda em alegrias dentro do peito, no meu coração 💖"*

Eternas manhãs de domingo. Sorrisos, reencontros, belas jogadas, normais atritos. Sempre encerrávamos, nossos encontros esportivos, com celebrações entre os jogadores, amigos e familiares presentes. 

*"Futebol Arte Esperado :"*

Lances Inesquecíveis...

Eternos perna de pau...

Reclamações, elogios.

Prazer real, inabalável.

Bons papos furados...

Eternas lembranças...

Aprendizados mil...

Recordações...

Belos dias!

Aqueles maravilhosos churrascos dominicais, banhados com bebidas geladas: Cervejas / Refrigerantes /  Águas Minerais, etc... para todos os gostos.

Os torneios internos eram sempre esperados, marcados com muitas  alegrias e emoções.... e no final, todos saiam vencedores.

E os eventos nas celebrações das festas do final de ano... Que saudade, eram sempre esperados pelas famílias, amigos e do grupo de jogadores do GAFC.

*"Que Tempo Bom... Ótimos Dias, Belas Recordações... Valeu!"*


*"Amigos Para Sempre!"*


*"GAFC - Grupo de Amigos Futebol e Cerveja"*


*"✍️ Rogerio Loureiro Xavier"*

Marian Sauma Saad: das raízes libanesas à eternidade da memória








Bom Jesus do Itabapoana amanheceu mais silenciosa com sua partida no dia 5, como se fevereiro tivesse perdido um de seus primeiros clarões. O velório ocorrerá hoje.

Marian era filha do libanês Merhige Hanna Saad e Alzira Sauma Saad, era irmã de Cristina e dos saudosos Ismélia Saad Silveira, casada com o ex-governador Roberto Silveira, José Antônio, casado com Olga Borges Saad,  Antônio Merhige, o "Pico", casado com Maura Mury Saad e Geraldo, falecido ainda criança.

Marian fez história ao ser a primeira Rainha da Festa de Agosto, em 1947, quando juventude, esperança e celebração se encontraram sob o mesmo estandarte. Seu nome permanece bordado na memória coletiva, como símbolo de elegância, pioneirismo e alegria de um tempo que ainda floresce nas lembranças.

Que Deus conforte o coração de seus familiares e amigos, e que o afeto vivido siga como luz serena, atravessando gerações.

Marian parte, mas seu legado permanece, doce, digno e eterno.


As irmãs Ismélia (E) e Marian



No dia 18 de setembro de 2015, Marian e familiares estiveram na praça Governador Portela para a homenagem que Raul Travassos organizou em memória de seu pai Merhige Hanna Saad

Por ocasião da homenagem a seu pai, Merhige Hanna Saad, Marian concedeu entrevista ao jornal O Norte Fluminense. De acordo com Marian Saad,  "meu pai era um homem idealista e sonhador, que lutava pelo desenvolvimento de Bom Jesus do Itabapoana. Por isso, sempre luto para que o prédio do edifício Monte Líbano seja destinado a um fim útil para a comunidade. Recordo-me que minha mãe recusou a proposta de uma igreja que desejava comprar o prédio, pois ela também desejava que o imóvel tivesse uma finalidade pública, conforme o desejo de meu pai".

Prossegue Marian: "Recentemente, ao desfazer-me de livros para um sebo, observei um que me chamou a atenção: tratava-se de uma obra sobre  'Stonehenge', que é uma estrutura de pedras gigantes dispostas em círculos concêntricos e que foram encontradas nas Ilhas Britânicas. Estas pedras são, até hoje, alvo de estudos sobre sua origem. Este livro chamou-me atenção e decidi lê-lo. Ao folheá-lo, contudo, encontrei, para minha surpresa, um papel contendo uma "Prece Árabe", que eu desconhecia. Ao lê-la, observei que ela retratava tudo o que meu pai foi em vida. E me emocionei muito.

Prece Árabe


"Deus, não consintas que eu seja o carrasco que sangra as ovelhas, nem uma ovelha nas mãos dos algozes.

Ajuda-me a dizer sempre a verdade na presença dos fortes, e jamais dizer mentiras para ganhar os aplausos dos fracos.

Meu Deus, se me deres a fortuna, não me tires a felicidade; se me deres a força, não me tires a sensatez; se me for dado prosperar, não permita que eu perca a modéstia, conservando apenas o orgulho da dignidade.

Ajuda-me a apreciar o outro lado das coisas, para não acusar meus adversários com mais severidade do que a mim mesmo.

Não me deixes ser atingido pela ilusão da glória, quando bem sucedido, e nem pelo desespero, quando derrotado. Lembra-me que a experiência de uma queda poderá proporcionar uma visão diferente do mundo.

Ó Deus! Faça-me sentir que o perdão demonstra força, e que a vingança é prova de fraqueza.

Se me tirares a fortuna, deixe-me a esperança. Se me faltar a saúde, conforta-me com a graça da fé. E, quando me ferirem a ingratidão e a incompreensão dos meus semelhantes, cria em minha alma a força da desculpa e do perdão.

Finalmente Senhor, se eu Te esquecer,  Te rogo que nunca Te esqueças de mim". 


Sonho de Marian era que o prédio do Monte Líbano tivesse uma finalidade pública 

Sonho de Marian era que o prédio Monte Líbano tivesse uma finalidade pública, inclusive o Cinema, com capacidade para mil lugares 


No dia 4 de agosto de 2019, ocorreu mais um momento de emoção: o histórico Sarau Libanês organizado pela família Sauma Saad, no palacete do saudoso casal Merhige Hanna Saad e Alzira Sauma. Na oportunidade, foi apresentado ao público o piano alemão F.L. Neumann, construído no ano de 1890, e que foi tocado pela primeira vez após 50 anos. A restauração foi custeada pelo jornal O Norte Fluminense, como mais uma contribuição para o resgate de nossa história e cultura.

Marian Sauma Saad, emocionada, deu início ao Sarau, saudando a todos os presentes, sendo seguida por sua sobrinha Dora Silveira, filha de Ismélia Silveira, nossa Eterna e Única Primeira Dama, e do saudoso Roberto Silveira, que deu as boas-vindas aos convidados.

Posteriormente, pianistas das três escolas de música de nosso município, JEMAJ, Cristo Rei e Musicarte se apresentaram, seguidos das pianistas Martha Salim, Ana Maria Baptista e Regina Bastos, que encantaram o público presente. Serviram-se, na oportunidade, diversos itens da culinária libanesa, incluindo a famosa bebida Arak.

Foram momentos marcantes que assinalaram de modo notável o início do resgate da história da imigração libanesa em nosso município.


Segundo pesquisa do saudoso Desembargador Antônio Izaías da Costa Abreu, no seu livro "A colonização do Sudeste", vieram para nosso município as seguintes famílias libanesas: Abdalah, Adib, Alli, Antonio, Aride, Assad, Bomeny, Bussad, Chaloub, Chebe, Chicle, Couze, Crissaff, Curi, Cury, Daruich, Aud, Eid, Elias, Elkik, Faial, Farid, Felício, Felippe, Felix, Feres, Gazem, Habib, Hette, Hobaica, Jabour, João, Jorge, Kalil, Karim, Kastor, Lahud, Mansur, Maron, Melhim, Miguel, Mouzi, Naciff, Nagib, Namen, Nassar, Ourique, Paulo, Kiffer, Quirino, Rachid, Saad, Said, Saleme, Salim, Salomão, Tabet, Tannus, Tebet, Tuffi, Turques e Ximenes.

 
O histórico Sarau Libanês no Palacete de Merhige Hanna Saad

O público conheceu o piano alemão F.L. Neumann, construído no ano de 1890, tocado após 50 anos de inatividade 

 

































Marian apoiou o Memorial Goveenadores Roberto e Badger Silveira fundado em 07/08/2016

Marian foi uma das apoiadoras do Memorial Goveenadores Roberto e Badger Silveira fundado em 07/08/2016


Marian Sauma Saad foi a 1ª Rainha da Festa de Agosto, em 1947


Marian Sauma Saad foi a 1ª Rainha da Festa de Agosto, em 1947


Os famosos concursos para eleger a Rainha da Festa de Agosto de Bom Jesus do Itabapoana não tinham como parâmetro a beleza das candidatas, mas a arrecadação de cada uma, que era revertida para o Hospital São Vicente de Paulo.

É o que informoi Marian Sauma Saad, a 1ª Rainha da Festa de Agosto, em 1947, em entrevista ao jornal O Norte Fluminense, no palacete onde residiram seus saudosos pais Merhige Hanna Saad e Alzira Sauma Saad.

Segundo ela, seus cabos eleitorais, na época, foram Luizinho Teixeira e Alípio Garcia de Campos. "Os cabos eleitorais eram verdadeiros espiões. Quando eles percebiam que Dilah Ferola, a concorrente, estava com mais votos, passavam a informação para meu pai, que acabava comprando os votos suficientes para superar a adversária. O resultado do concurso possibilitou que o Hospital São Vicente de Paulo adquirisse o Raio X. As Festas de Agosto eram maravilhosas", assinalou.

No ano seguinte, em 1948, Dinah Ferolla recebeu o título de Rainha da Festa, conforme notícias do jornal O Norte Fluminense.

Marian  Saad foi a 1ª Rainha da Festa de Agosto, em 1947

Dinah Firmo Ferolla foi a Rainha da Festa de Agosto de 1948
 
Palacete da família do libanês  Merhige Hanna Saad


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana: Um Encontro para Fazer História

 


O histórico Seminário de Varre-Sai sediará o Encontro Cultural Intermunicipal entre Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana


No dia 16 de abril, mês dedicado à memória do Padre Mello, Varre-Sai abrirá as portas de seu passado para pensar o presente e o futuro da cultura regional. 

No histórico Seminário de Varre-Sai, realizar-se-á o Encontro Cultural Intermunicipal entre Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana, reunindo agentes culturais, pesquisadores, artistas e amantes da história.

Mais do que um encontro formal, o evento será um gesto de escuta e partilha entre dois municípios ligados por laços de memória, fé e criação. Em cada fala, ecoará a importância de preservar as narrativas locais e de fortalecer o diálogo entre territórios que constroem, juntos, a identidade cultural do Noroeste Fluminense.

A organização está a cargo de uma equipe multidisciplinar das duas cidades.

Sob as paredes centenárias do edifício, passado e presente se encontrarão não como lembrança distante, mas como força ativa.

Assim, o Encontro Cultural Intermunicipal reafirmará que cultura e história não são arquivos imóveis: são sementes lançadas no tempo, cultivadas por quem acredita que o futuro nasce do cuidado com a memória.