sábado, 10 de outubro de 2026

Sou pelo amor e pela justiça, por Rogério Loureiro Xavier


 

*Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.*


*Sou pelo amor e pela justiça.*


*Às vezes, finjo-me de burro que é para não ser incomodado pelos que fingem ser inteligente!*


*Não vim a este mundo para competir com ninguém. Quem quer competir comigo perde o seu tempo. Estou nesse mundo para competir comigo  mesmo. Ultrapassar meus limites, vencer meus medos, lutar contra os meus defeitos, superar dificuldades, correr em busca dos meus objetivos...*


*...E tudo isso já me ocupa bastante tempo.*


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*






Trabalhismo vivo, de Roberto Silveira às vozes do amanhã; PDT premiado: o trabalhismo ganha a tela e celebra suas raízes

 

Roberto Silveira é referência ao Trabalhismo 


Existem palavras que carregam o rumor de uma fábrica, os passos de quem sai cedo para trabalhar, o caderno de uma criança aberto sobre a mesa. “Trabalhismo” é uma dessas palavras. Em suas sílabas, cabem o esforço cotidiano e a esperança de que uma vida inteira de trabalho possa encontrar dignidade, reconhecimento e descanso.

Ao conquistar a categoria inédita de Melhor Spot Institucional/Partido do Napolitan Victory Awards, sediado nos EUA, em Washington, D.C. com o filme Trabalhismo Vivo, o PDT viu uma mensagem ligada à sua história ganhar reconhecimento internacional. Produzida pela Duozz, a obra tornou o partido o primeiro vencedor da categoria, uma estreia em que a memória encontrou espaço na linguagem audiovisual.

O próprio título guarda uma exigência. Para permanecer vivo, um ideal precisa respirar o ar de seu tempo. Precisa sair dos retratos, atravessar as páginas dos livros e chegar às perguntas que as pessoas fazem hoje: como sustentar a família, como educar os filhos, como envelhecer com segurança, como participar da construção do país.

Para Bom Jesus do Itabapoana, essa memória tem um nome que desperta orgulho e pertencimento: Roberto Silveira. O bonjesuense é uma referência do trabalhismo no Brasil, e sua trajetória liga a história de nossa terra às esperanças de um país mais justo. Evocar seu nome é lembrar que os grandes ideais também nascem perto de nós, entre ruas conhecidas, paisagens familiares e sonhos que encontram coragem para atravessar fronteiras.

Segundo as informações divulgadas pela agência, a campanha nasceu de pesquisas qualitativas com eleitores de centro e centro-esquerda. Antes das imagens, houve escuta. E há algo de profundamente humano nesse começo: procurar compreender o que inquieta o outro antes de lhe dirigir a palavra.

Com a participação da Baselab no desenvolvimento das estratégias de comunicação, o trabalho buscou aproximar as bandeiras históricas do trabalhismo das discussões atuais. Como quem abre as janelas de uma casa antiga, deixando entrar a claridade da manhã sem apagar as marcas de quem viveu ali.

Na 15ª edição da premiação, que reconheceu trabalhos de 18 países em aproximadamente cem categorias, o Brasil conquistou 19 prêmios. Entre eles, o concedido ao PDT acrescentou uma nova página à trajetória de sua comunicação institucional.

Mas uma mensagem continua seu caminho depois que a cerimônia termina. O brilho do prêmio pode iluminar o filme; são as pessoas, com suas necessidades e esperanças, que dão sentido às palavras que ele apresenta.

É essa a imagem mais bonita sugerida por Trabalhismo Vivo: uma memória que se levanta, abre a porta e vai ao encontro da rua. Ali, onde alguém espera o ônibus, uma professora prepara a aula e um trabalhador retorna para casa, a história encontra novas vozes.

E, para nós, bonjesuenses, há nessa caminhada uma presença que o tempo não apaga: Roberto Silveira, lembrando que uma cidade também pode oferecer ao Brasil sementes de futuro.






O rio que abraça dois nomes

 


Vista do alto, a paisagem parece ter sido desenhada por uma mão que conhecia a delicadeza das curvas. No meio da casas, ruas e morros, o Itabapoana segue seu caminho sem pressa aparente, como quem tem muitas histórias para contar e sabe que nenhuma delas cabe numa linha reta.

De um lado, Bom Jesus do Itabapoana, no Rio de Janeiro. Do outro, Bom Jesus do Norte, no Espírito Santo. Dois nomes inscritos nos mapas, duas cidades que aprenderam a reconhecer, na margem vizinha, uma extensão de seus afetos.

Há quem atravesse a ponte para trabalhar. Há quem a atravesse para visitar a família, encontrar um amigo, comprar o pão ou simplesmente voltar para casa. Nesses passos cotidianos, a distância entre dois estados ganha a medida de uma conversa, de um abraço, de uma saudade que pode ser vencida a pé.

O rio acompanha tudo.

Sob as pontes, passam águas que já viram outros rostos inclinados sobre suas margens. Gente que cresceu, partiu, envelheceu. Crianças que descobriram ali o espanto de uma correnteza; namorados que guardaram uma tarde; moradores que aprenderam a observar o céu quando a chuva se prolongava. Existe um encanto nessas águas, mas há também respeito, aquele que nasce de conhecer suas cheias e compreender a força que carregam.

Na imagem, as casas parecem pequenas. Dentro delas, porém, a vida tem sua imensidão: uma mesa posta, uma ausência sentida, alguém esperando notícias, uma janela aberta para o fim da tarde. O olhar que contempla a paisagem de longe não alcança cada história, mas pode pressentir quantas existem.

E então as curvas do Itabapoana adquirem outro sentido. Parecem braços acomodando a terra, contornando os bairros, aproximando lugares que a linguagem dos documentos distingue.

Os morros, ao fundo, permanecem como velhos guardiões. Nas ruas, a vida continua: uma porta se abre, alguém chama pelo nome de alguém, um encontro acontece. Entre uma margem e outra, as pontes sustentam essa familiaridade construída dia após dia.

Esse é o encanto mais profundo das duas Bom Jesus: poder olhar para o outro lado e reconhecer uma parte da própria vida.

O Itabapoana segue. Leva nas águas o reflexo passageiro das casas e do céu. Nas margens, ficam as lembranças, e essa maneira tão nossa de pertencer a dois lugares quando o coração aprende o caminho da ponte.

Vistas do céu, as duas Bom Jesus se tornam uma

 

Bom Jesus do Itabapoana e Bom Jesus do Norte: unidas pelas águas e pelo afeto

Duas margens, um só coração


Vista do alto, Bom Jesus parece repousar no colo das montanhas. As casas se aproximam, as ruas se entrelaçam, os bairros avançam pelas encostas, e o rio Itabapoana desenha suas curvas como quem escreve, devagar, uma longa declaração de amor à terra.

Diante dessa imagem, uma pergunta nasce quase espontaneamente: o rio separa Bom Jesus do Itabapoana e Bom Jesus do Norte ou mantém as duas cidades unidas?

Os mapas assinalam limites. De um lado, o Rio de Janeiro; do outro, o Espírito Santo. Mas a fotografia aérea nos convida a demorar os olhos sobre aquilo que as linhas administrativas não conseguem explicar. Os telhados parecem pertencer à mesma conversa. As montanhas acolhem as duas cidades no mesmo horizonte. E o rio, entre elas, recebe a luz de um único céu.

Há uma ternura nessa geografia.

O Itabapoana faz curvas, aproxima-se das casas, contorna a terra, prossegue. Visto assim, lembra uma fita antiga envolvendo um presente precioso: a vida de um povo que aprendeu a se reconhecer nas duas margens. Suas águas levam adiante o tempo, enquanto nas pontes passam os pequenos acontecimentos de cada dia, o trabalho, a visita, o encontro, a volta para casa.

Quem atravessa leva consigo alguma coisa de uma margem para a outra. Uma notícia, uma preocupação, uma promessa, uma saudade. E, nesse movimento cotidiano, as duas cidades renovam uma união que se realiza nos passos de seus moradores.

O açoriano Padre Mello, que chegou a Bom Jesus em 1899, alimentou a ideia de promover a união geográfica dos municípios. Há algo profundamente comovente nesse sonho: perceber, diante de uma divisão territorial, a possibilidade de uma terra reunida.

Talvez o sacerdote enxergasse, à altura dos olhos, aquilo que esta imagem nos permite contemplar do céu. Talvez percebesse que havia uma continuidade humana acompanhando as curvas do rio, uma identidade crescendo entre as casas, uma fraternidade que merecia encontrar expressão também na geografia.

Seu sonho nos alcança hoje como uma pergunta deixada à posteridade.

Olhamos a imagem e imaginamos quanto lhe teria tocado o coração essa visão ampla: as duas cidades tão próximas, os bairros compondo um tecido de ruas e telhados, as pontes costurando as margens. Do alto, os nomes permanecem, mas é difícil determinar onde termina o sentimento de pertencer a uma Bom Jesus e começa o de pertencer à outra.

A paisagem parece respirar inteira.

E o rio continua ali, guardando em suas águas o reflexo das duas cidades. Quando a noite chega, luzes de ambas as margens se debruçam sobre ele. O Itabapoana recebe todas, mistura seus brilhos, oferece-lhes a mesma correnteza.

Existem sonhos que permanecem vivos porque cada geração encontra uma maneira de retomá-los. A ideia de Padre Mello pode ser lembrada também nas aproximações que cultivamos, nos projetos que compartilhamos, no cuidado com esse rio que pertence à vida de todos.

Contemplar Bom Jesus do Itabapoana e Bom Jesus do Norte do alto é sentir que a paisagem nos pede esse cuidado.

No meio de montanhas, casas e caminhos, o Itabapoana segue escrevendo sua história. E, em cada curva, parece deixar uma delicada certeza: existem duas margens para que o abraço tenha onde pousar.

Ritchie Valens


 

A janela e a bandeira

 

Uma notícia precisa ser examinada: sua origem, suas evidências, o que ela afirma e o que apenas insinua. Pode ser falsa, injusta, incompleta. Contudo, se a rejeitamos antes dessa leitura, apenas porque desagrada à nossa preferência, entregamos à torcida uma tarefa que cabia à consciência



Certas pessoas abrem a janela pela manhã para receber o sol, mas se incomodam quando, pela mesma abertura, entra o vento. Gostaríamos de escolher tudo o que chega: a claridade, o perfume das flores, o canto dos pássaros. A vida, porém, nunca aceitou ser uma paisagem feita somente de nossas preferências.

Na política, às vezes, fazemos algo parecido.

Escolhemos um lado, abraçamos uma bandeira, depositamos esperanças em determinados nomes. Até aí, estamos exercendo o direito de acreditar. O problema começa quando a bandeira, antes erguida diante da janela, passa a cobri-la inteira.

Então, uma notícia chega. Traz alguma coisa que incomoda, uma pergunta que não desejávamos ouvir, um fato que perturba a tranquilidade de nossas certezas. E pedimos ao outro:

- Não me envie notícias desfavoráveis ao meu lado.

É uma frase pequena, mas capaz de revelar um grande receio: o de descobrir que aqueles em quem confiamos também precisam ser questionados.

Todos conhecemos, em alguma medida, esse desconforto. É mais agradável encontrar razões para continuar acreditando do que reconhecer um engano. Há um afeto investido nas nossas escolhas; revê-las pode doer como despedir-se de uma casa onde fomos felizes.

Mas a fidelidade a uma esperança não deveria exigir que fechássemos os olhos.

Uma notícia precisa ser examinada: sua origem, suas evidências, o que ela afirma e o que apenas insinua. Pode ser falsa, injusta, incompleta. Contudo, se a rejeitamos antes dessa leitura, apenas porque desagrada à nossa preferência, entregamos à torcida uma tarefa que cabia à consciência.

Também há quem peça silêncio porque está cansado. Quem deseja preservar uma amizade, tomar um café sem transformar a mesa em palanque, descansar das disputas que atravessam o dia. Esse pedido merece respeito. Ninguém é obrigado a viver cercado de debates. Outra coisa é reservar lugar à mesa somente para as notícias que nos dão razão.

O mundo se torna estreito quando só permitimos a entrada de nossas próprias certezas. Aos poucos, já não ouvimos o outro; ouvimos, na voz dele, apenas aquilo que autoriza a nossa concordância.

A maturidade começa num gesto discreto: ler até o fim aquilo que nos incomoda. Respirar antes de responder. Admitir que uma crítica possa conter justiça, mesmo quando alcança alguém que admiramos.

Uma amizade pode sobreviver a esse gesto. Uma convicção também. E, se precisar mudar, talvez encontre terreno mais firme.

Pensamos numa bandeira ao lado de uma janela aberta. O vento toca o tecido, move suas cores e continua entrando pela casa. Lá dentro, alguém lê uma notícia difícil, pousa o telefone e permanece por alguns instantes em silêncio.

Não perdeu o direito de acreditar.

Apenas deixou espaço para enxergar.

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

A rosa que o tempo não levou

 

Ela parou diante da parede como quem chega à porta de casa. Ergueu os olhos e, por um instante, a rua pareceu guardar silêncio para acolher aquele encontro.

No muro, um homem de cabelos brancos segurava uma rosa vermelha. A pintura conservava seu sorriso discreto, a elegância do paletó, as mãos marcadas pelo tempo. Diante dele, a senhora sorria também. Havia em seu olhar uma ternura tão serena que quase se podia ouvir uma conversa.

Talvez lhe contasse pequenas coisas do dia: o sol que aquecera a janela, uma visita inesperada, o café que passara um pouco mais forte. Talvez apenas permanecesse ali, desfrutando a companhia daquele rosto. Existem pessoas com quem aprendemos a conversar até em silêncio.

Os cabelos dela tinham a delicadeza da prata. No rosto, os anos haviam escrito suas linhas, mas os olhos ainda guardavam a luz de quem reconhece alguém querido entre todas as pessoas do mundo. O corpo encontrava apoio para seguir; o coração parecia conhecer sozinho o caminho.

A parede trazia rachaduras, tijolos à mostra, pedaços de reboco desprendido. Entre tantas marcas, a rosa permanecia aberta. Seu vermelho iluminava o velho paletó e parecia alcançar a senhora, como uma lembrança que, de repente, volta inteira: uma mão estendida, uma flor recebida, a alegria tímida de um primeiro encontro.

Era fácil imaginar que aquele sorriso lhe pertencesse havia muitos anos. Que ela o conhecesse à mesa, nas manhãs apressadas, nas tardes de descanso. Que tivesse visto aquele homem envelhecer enquanto ele também acompanhava, com carinho, a chegada dos fios brancos em seus cabelos.

Agora, diante da pintura, seu olhar dava movimento ao retrato. O homem parecia prestes a oferecer a flor. Ela parecia prestes a recebê-la.

E a rua, com suas janelas e pedras, tornava-se por um instante o cenário de um gesto simples, repetido através dos anos: alguém oferecendo amor; alguém reconhecendo-o.

A senhora demorou os olhos naquele rosto.

A rosa ainda era para ela.