quinta-feira, 13 de agosto de 2026

O Dia do Imigrante Açoriano, o Pranto da Árvore e a Memória do Padre Mello

 


​Hoje, 13 de agosto, Bom Jesus do Itabapoana, sob o sol dourado do inverno brasileiro, se veste de luto e de celebração. O vento morno, que sopra do vale, parece carregar consigo o lamento das folhas da árvore chorona, cujos galhos finos e compridos beijam o monumento de granito. Esta árvore, testemunha silenciosa da história, é o ponto de encontro, o marco sagrado onde o passado e o presente se entrelaçam.

​O monumento ergue-se humilde sob a sombra acolhedora. Não é imponente, nem grandioso, mas carrega em suas inscrições o peso de uma saga. A coroa, a pomba, a placa de bronze, polida pelo tempo, relatam a história da imigração açoriana, uma odisseia de coragem e saudade. É a saga de homens e mulheres que, no século XIX, trocaram o solo vulcânico das ilhas do Atlântico por estas terras férteis e desconhecidas. Eles trouxeram consigo o sotaque peculiar, as tradições religiosas, a fé inabalável e a resiliência do povo das brumas.

​A árvore chorona, com seu aspecto melancólico, parece chorar não apenas a perda, mas também a distância. Seus galhos pendentes formam uma espécie de altar natural, onde os descendentes se reúnem para prestar homenagem. Hoje, 13 de agosto, a atmosfera é solene. A data marca o falecimento do grande Padre Mello, figura lendária que, com seu espírito missionário e amor ao povo, guiou e confortou os primeiros imigrantes. Sua presença, embora ausente fisicamente, é palpável no ar, na fé que move os presentes, na memória coletiva da comunidade.

​Membros da Casa dos Açores do Espírito Santo  presentes, vindos de Bom Jesus e terras vizinhas, se uniram à comemoração. Seus rostos refletem a diversidade e a unidade da comunidade açoriana no Brasil. Estiveram juntos, numa cerimônia que une, através do Atlântico, os corações batem no mesmo compasso.

​Esta celebração ganha um significado ainda mais profundo com a honrosa lembrança enviada do outro lado do oceano. O Dr. José Andrade, Diretor Regional das Comunidades do Governo dos Açores, fez questão de se fazer presente, enviando uma mensagem que ecoa como um abraço fraterno entre a ilha que nos deu origem e o solo que nos acolheu. Suas palavras, reproduzidas abaixo, reforçam os laços indestrutíveis que a distância física jamais conseguiu romper.

​A árvore chorona, em seu pranto silencioso, continua a nos lembrar da importância de preservar a memória. Ela abriga em seus galhos a saudade e a esperança de um povo que, mesmo longe de sua terra natal, soube construir um novo lar, mantendo viva a chama de sua cultura.

Programação Solene

​O encontro harmonizaou a solenidade cívica com a delicadeza da poesia e da música tradicional:

  1. Hino Nacional
  2. Hino dos Açores, interpretado pela voz e alma do Grupo Musical Amantes da Arte.
  3. Mensagem do Governo dos Açores, estreitando os laços indissolúveis entre o passado e o presente.
  4. Homenagem ao Imigrante Açoriano, embalada pelos acordes da música Ilhas de Bruma, dedilhada ao violão pelo açoriano Francisco Borba Gonçalves.
  5. Mostra das Bandeiras, exibindo com orgulho os 19 Concelhos do Arquipélago dos Açores.


​Mensagem do Dr. José Andrade

(Diretor Regional das Comunidades do Governo dos Açores)


REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES

SECRETARIA REGIONAL DOS ASSUNTOS PARLAMENTARES E COMUNIDADES

Direção Regional das Comunidades

​A Açorianidade, que ajudou a construir o Vale do Itabapoana através de uma secular emigração do Arquipélago dos Açores, tem sido reconhecida e valorizada por diferentes municípios da região fronteiriça dos estados brasileiros do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.

​Por exemplo, através da Lei nº 1.242, de 10 de dezembro de 2025, a Câmara Municipal de Apiacá instituiu o dia 18 de junho como sendo o “Dia Municipal do Imigrante Açoriano”.

​Outro exemplo, através da Lei nº 3.521, de 10 de abril de 2026, a Câmara Municipal de Viana instituiu o “Dia Municipal do Imigrante Açoriano e de Valorização da Cultura Açoriana” a ser anualmente comemorado por ocasião da Festa do Divino Espírito Santo.

​Mas Bom Jesus chegou primeiro.

​Através da Lei nº 1.867, de 6 de fevereiro de 2025, a Câmara Municipal de Bom Jesus do Itabapoana instituiu o “Dia Municipal do Imigrante Açoriano”, proposto pelo vereador Clerinho da Soledade e sancionado pelo vice-presidente José Luiz do Carmo, para ser anualmente comemorado por ocasião do dia 13 de agosto.

​Evocamos assim a data de 13 de agosto de 1947, em que faleceu o ilustre e saudoso Padre António Francisco de Mello, natural da ilha de São Miguel, nos Açores, que foi o histórico e inesquecível pároco da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, criando a tradicional Festa de Agosto, inspirada no culto açoriano do Divino Espírito Santo.

​A primeira comemoração do “Dia Municipal do Imigrante Açoriano” ocorreu há um ano, a 13 de agosto de 2025, com a inauguração do Monumento à Imigração Açoriana no Vale do Itabapoana, em pleno coração da cidade de Bom Jesus, partilhando agora a Praça Governador Portela com quatro bustos, todos eles ligados ao Arquipélago dos Açores: um do açoriano Padre Mello e três de açordescendentes – os irmãos e ex-governadores do Estado do Rio, Roberto e Badger Silveira, e o médico humanista José Vieira Seródio.

​REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES

SECRETARIA REGIONAL DOS ASSUNTOS PARLAMENTARES E COMUNIDADES

Direção Regional das Comunidades

​Um ano depois, aqui estamos, pela segunda vez, comemorando o "Dia Municipal do Imigrante Açoriano", graças à boa vontade de diferentes entidades, como seja a Câmara Municipal de Bom Jesus do Itabapoana, e à persistente dedicação de diversas personalidades, como seja o médico açordescendente Nino Moreira Seródio, presidente da Casa dos Açores do Espírito Santo.

​De cada vez que comemora o "Dia Municipal do Imigrante Açoriano", a cidade de Bom Jesus celebra uma parte importante da sua história, simbolizada no hasteamento da Bandeira dos Açores, na execução do Hino dos Açores ou na interpretação das Ilhas de Bruma.

​Sentimo-nos todos mais próximos, vencendo a distância do mar que construiu pontes de cumplicidade entre nós.

​Neste mesmo dia de 2027 estaremos comemorando os 80 anos do falecimento do Padre Mello, certamente com a solenidade merecida, de forma coincidente com os 600 anos da descoberta e início do povoamento do Arquipélago dos Açores.

​Em nome da Direção Regional das Comunidades do Governo dos Açores, agradeço ao Município de Bom Jesus do Itabapoana a instituição deste "Dia Municipal do Imigrante Açoriano", desejando que a sua celebração se repita por muitos e bons anos.

​Bem hajam!

José Andrade

Diretor Regional das Comunidades do Governo dos Açores

​Ponta Delgada, 7 de agosto de 2026













































quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O Cine Monte Líbano renasce: a memória que volta a iluminar Bom Jesus

 


Depois de 37 anos de silêncio, o histórico cinema construído pelo imigrante libanês Merhige Hanna Saad volta a alimentar o sonho de uma cidade. O prédio será transformado em um grande centro cultural pela UniFAMESC.

Há notícias que simplesmente chegam. E há notícias que fazem uma cidade inteira voltar a sonhar.

Foi assim que Bom Jesus do Itabapoana recebeu, com emoção e euforia, o anúncio feito pelo prefeito Paulo Sérgio Cyrillo, por ocasião da abertura da Exposição do Parque de Exposição da CAVIL: o histórico Cine Monte Líbano, símbolo de uma época de esplendor cultural e arquitetônico do município, será retomado.

Construído pelo libanês Merhige Hanna Saad, o imponente edifício, com capacidade para cerca de mil pessoas, marcou profundamente a paisagem e a vida cultural de Bom Jesus. Agora, depois de décadas de silêncio, suas portas poderão voltar a se abrir para a arte, para a música, para o teatro, para a literatura e para os encontros que fazem uma comunidade reconhecer a própria alma.

A UniFAMESC, que adquiriu o prédio, pretende transformar o espaço em um grande centro cultural. A notícia representa muito mais do que a recuperação de uma construção histórica: significa a possibilidade de devolver à cidade um de seus mais preciosos lugares de memória.

Inaugurado em 14 de agosto de 1950, o Cine Monte Líbano foi, à época, uma obra extraordinária. Sua arquitetura impressionava pela beleza e pela grandiosidade. Com aproximadamente mil lugares, nada devia aos melhores teatros da então capital da República. Foi um verdadeiro templo da cultura no coração do Vale do Itabapoana.

Ali passaram grandes nomes do teatro e da música brasileira. Ali gerações se encontraram diante das luzes do palco, das telas do cinema e da emoção compartilhada de uma plateia. Durante décadas, o Monte Líbano não foi apenas um prédio: foi cenário de sonhos.

Sua construção teria representado, à época, um investimento estimado em CR$ 3 milhões, uma cifra que revela a dimensão da ousadia de seu idealizador e a importância que a cultura e a arquitetura assumiam naquele momento da história de Bom Jesus.

Mas o tempo, implacável, também escreveu capítulos de silêncio.

Em 1989, o cinema encerrou suas atividades. Desde então, o imenso espaço permaneceu mergulhado em uma espécie de espera. Foram 37 anos de portas fechadas, enquanto a memória de quem viveu seus dias gloriosos permanecia viva no coração dos bonjesuenses.

Em 2002, foi protocolado junto à Secretaria Estadual de Cultura o pedido de tombamento do Cine Monte Líbano e, em 19 de novembro daquele ano, o tombamento provisório foi publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro pelo INEPAC - Instituto Estadual do Patrimônio Cultural.

Agora, o velho cinema parece finalmente ouvir novamente o rumor da vida.

A retomada do Monte Líbano chega em um momento especialmente simbólico. Bom Jesus atravessa um período de crescente valorização de sua memória, de sua história e de seu patrimônio cultural. Museus, memoriais, exposições, festivais, projetos literários e iniciativas de preservação vêm ajudando a reconstruir os fios de uma identidade que jamais deixou de existir.

E o Monte Líbano chega para ampliar esse movimento.

Mais do que restaurar paredes, janelas, corredores e o grande espaço destinado ao público, será preciso restaurar uma emoção coletiva.

Patrimônio não é somente aquilo que sobrevive ao tempo. Patrimônio é aquilo que consegue fazer o tempo sobreviver dentro de nós.

E o Cine Monte Líbano guarda muito tempo.

Guarda os passos daqueles que chegaram para assistir a um espetáculo. Guarda o brilho nos olhos de crianças diante da tela. Guarda os aplausos, os encontros, os namoros, as conversas na saída, os artistas que passaram por seu palco e as famílias que fizeram daquele lugar parte de suas próprias histórias.

Por isso, quando suas luzes voltarem a se acender, não será apenas um prédio histórico que estará iluminado.

Será a memória de Bom Jesus.

Será o legado libanês que ajudou a construir a cidade. Será a arquitetura encontrando novamente a arte. Será o passado oferecendo suas mãos ao futuro.

E essa será a mais bonita imagem desta retomada: um cinema que ficou 37 anos em silêncio preparando-se para voltar a ouvir os aplausos de uma nova geração.

Bom Jesus está eufórica, e tem motivos para estar.

Algumas cidades preservam seus monumentos.

Bom Jesus tem agora a oportunidade de fazer algo ainda maior: devolver vida ao seu monumento.

Que o Monte Líbano renasça.

Que suas portas se abram novamente.

Que a luz volte à tela.

Que a música volte ao palco.

Que a cultura volte a ocupar cada canto daquele templo.

E que, na noite de sua reabertura, quando as primeiras luzes se acenderem e a primeira plateia voltar a ocupar seus lugares, Bom Jesus possa olhar para aquele edifício e dizer, com orgulho e emoção:

“O nosso Monte Líbano voltou.”


O prefeito Paulo Sérgio Cyrillo anunciou a retomada do Cine Monte Líbano, um dos mais belos e emblemáticos símbolos da história cultural de nossa cidade



Memorial: A esperança que nasce quando a memória encontra a juventude


Se a maior alegria de um pai é testemunhar o crescimento humano de um filho, talvez também exista uma alegria semelhante para uma geração que, depois de sonhar com um país diferente, começa a perceber que o tempo lentamente a conduz ao ocaso: ver surgir uma nova geração disposta a pensar no país para além de seus próprios interesses.

Foi sob esse signo de esperança que Daniel Albuquerque Abramo, coordenador estadual do Centro de Memória Trabalhista no Rio de Janeiro, esteve em Bom Jesus do Itabapoana. Jovem e dedicado à preservação da memória política brasileira, Daniel veio conhecer o Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira e mergulhar nas páginas da história de uma das grandes lideranças populares do Rio de Janeiro.

Mais do que uma visita, sua presença representou um encontro entre gerações.

De um lado, a memória daqueles que acreditaram que a política poderia ser instrumento de transformação social, justiça e esperança. Do outro, uma juventude que, em meio ao ruído de um mundo cada vez mais consumista, individualista e veloz, começa a descobrir que o passado não é uma paisagem morta, mas uma espécie de bússola para o futuro.

Daniel colaborou de maneira significativa com a pesquisa e a confecção da publicação dedicada a Roberto Silveira, realizando levantamentos, recolhendo informações históricas e contribuindo para que documentos, lembranças e episódios da trajetória do inesquecível governador pudessem atravessar o tempo e alcançar novas gerações.

E foi justamente no dia 7 de agosto de 2026, durante a celebração dos dez anos do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira, no Sítio Benedito dos Santos, em Calheiros, que esse reconhecimento ganhou forma.

A Associação dos Amigos do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira, por meio de seu presidente, André Luiz de Oliveira, entregou a Daniel um Certificado de Reconhecimento pela sua contribuição à preservação da memória do trabalhismo brasileiro e, especialmente, pelo seu envolvimento na publicação dedicada a Roberto Silveira.

O gesto, aparentemente simples, carregava um significado maior.

Era como se Bom Jesus do Itabapoana, terra natal de Roberto Silveira, dissesse a um jovem: obrigado por ajudar a contar a nossa história.

No certificado, a Associação destacou o compromisso permanente de Daniel com a preservação da memória do trabalhismo brasileiro, sua atuação no resgate da história de grandes lideranças populares e sua contribuição para manter viva a trajetória de Roberto Silveira.

Memória não é apenas aquilo que ficou para trás.

Memória é aquilo que o passado consegue acender no presente.

Há uma razão especial para acreditar no futuro quando jovens deixam de olhar a história apenas como um conjunto de datas, nomes e fotografias antigas e passam a compreendê-la como uma responsabilidade. Quando descobrem que a construção de um país melhor exige mais do que conquistas individuais; exige participação, solidariedade, compromisso e capacidade de sonhar coletivamente.

Em tempos em que a indústria cultural frequentemente transforma cidadãos em consumidores e estimula a celebração do individualismo, encontrar jovens interessados em história, política, cultura e memória pública é uma pequena, mas poderosa forma de resistência à alienação.

Não se trata de idealizar uma geração nem de condenar outra. Trata-se de reconhecer que cada geração tem o dever de entregar à seguinte aquilo que recebeu de melhor - e também de ajudá-la a superar os erros que o tempo revelou.

Roberto Silveira pertence à história. Mas os seus ideais não precisam pertencer apenas ao passado.

É justamente aí que a memória encontra a juventude.

E essa é a mais bonita homenagem que se pode fazer a um homem público: perceber que, décadas depois de sua passagem, ainda existem jovens dispostos a pesquisar sua trajetória, compreender suas ideias e contar sua história.

No 7 de agosto, entre os que celebravam a memória de Roberto e Badger Silveira, o certificado entregue a Daniel Albuquerque Abramo tornou-se mais do que uma distinção.

Foi um gesto de confiança no futuro.

Como se uma geração que está se despedindo dissesse àquela que chega:

“Nós sonhamos. Agora, cabe a vocês continuar sonhando - e, sobretudo, transformar o sonho em caminho.”

Quando uma sociedade consegue transmitir aos seus jovens não apenas a lembrança de seus grandes homens, mas também os valores que os fizeram grandes, há motivos para acreditar que a história ainda não terminou.

Há motivos para esperança.

Enquanto houver jovens dispostos a conhecer o passado para compreender o presente e transformar o futuro, a memória continuará sendo uma chama  - e nenhuma chama verdadeiramente compartilhada se apaga.

O CERTIFICADO DE RECONHECIMENTO

A Associação dos Amigos do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira confere o presente Certificado de Reconhecimento a Daniel Albuquerque Abramo, Coordenador Estadual do Centro de Memória Trabalhista no Rio de Janeiro, em reconhecimento ao seu compromisso com a preservação da memória do trabalhismo brasileiro e à sua dedicação ao resgate da história de grandes lideranças populares, especialmente do legado do inesquecível Governador Roberto Silveira.

Sua presença em Bom Jesus do Itabapoana, os levantamentos realizados, o recolhimento de informações históricas e sua visita ao Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira reafirmam seu respeito pela memória pública e pelos valores que moldaram a identidade política e social do nosso Estado.

Sua participação na confecção da publicação dedicada a Roberto Silveira, por meio de pesquisa, reflexão e contribuição intelectual, representa importante colaboração para que essa história continue sendo contada com fidelidade, respeito e emoção.

A memória não é apenas registro do passado: é força viva que inspira o presente e orienta o futuro. Este reconhecimento traduz a gratidão de Bom Jesus do Itabapoana e de todos aqueles que acreditam que a história, quando preservada, atravessa o tempo e continua a iluminar as novas gerações.

Sítio Benedito dos Santos - Calheiros
Bom Jesus do Itabapoana (RJ), 7 de agosto de 2026.

André Luiz de Oliveira
Presidente da Associação dos Amigos do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira

















A Voz que Ecoa em Bom Jesus: A Jornada de Marcelo Ribeiro ​



Em Bom Jesus do Itabapoana, onde o Rio Itabapoana canta suas histórias e as árvores centenárias guardam segredos, uma voz se destaca, tecendo memórias e unindo a comunidade. É a voz de Marcelo Ribeiro.

​Crescendo nas ruas de Bom Jesus, Marcelo alimentava um sonho em seu peito: ser a voz que leva informação e alegria a todos. Desde cedo, ele observava com fascinação os comunicadores da rádio, a magia de suas palavras e o poder de suas vozes em alcançar corações distantes.

​Seus primeiros passos na comunicação foram modestos, mas cheios de entusiasmo. Com um microfone emprestado e um sistema de som improvisado, ele percorria as ruas da cidade, anunciando promoções, eventos comunitários e tocando as músicas que animavam o dia a dia dos moradores. Sua voz, com um timbre marcante e uma energia contagiante, logo se tornou familiar, um convite à alegria e à participação.

​Com o passar dos anos, o talento de Marcelo foi reconhecido e ele conquistou seu espaço na Rádio Sertaneja. Na emissora, ele se tornou uma das vozes mais queridas da região, comandando programas que celebram a música sertaneja e a cultura local. Sua voz, agora amplificada pelas ondas do rádio, alcançava lares em todo o Vale do Itabapoana, levando alegria, informação e esperança.

​Mas a voz de Marcelo Ribeiro não se limita ao rádio. Ele também se destaca como cerimonialista, emprestando sua eloqüência e seu carisma a eventos importantes da cidade. Sua capacidade de conectar com o público, de transmitir emoção e de criar um ambiente acolhedor o torna um comunicador versátil e admirado.

​Um dos momentos mais marcantes da carreira de Marcelo foi sua participação na celebração dos 10 anos de fundação do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira, em Bom Jesus do Itabapoana. Com sua voz firme e serena, ele guiou a cerimônia, celebrando a história e a importância desses dois grandes líderes para o desenvolvimento da região.

​No Sítio Benedito Santos, em Calheiros, Marcelo também brilhou, comandando o lançamento da publicação sobre Roberto Silveira. Com sua paixão pela história local e sua habilidade em contar histórias, ele envolveu o público, resgatando a memória de Roberto Silveira e sua contribuição para o estado do Rio de Janeiro.

​Marcelo Ribeiro é muito mais que um locutor ou cerimonialista. Ele é um comunicador nato, um contador de histórias e um elo entre as pessoas de Bom Jesus do Itabapoana. Sua voz, cheia de emoção e energia, ecoa pelas ruas da cidade, levando alegria, informação e esperança a todos. Ele é a voz que une a comunidade, que celebra a cultura local e que inspira as novas gerações a sonhar e a fazer a diferença.

​Sua jornada é um exemplo de perseverança, talento e dedicação. Ele é uma inspiração para todos aqueles que acreditam no poder da comunicação para transformar vidas e construir um futuro melhor. Bom Jesus do Itabapoana tem orgulho de ter Marcelo Ribeiro como sua voz, uma voz que ecoa com força e brilho, levando o nome da cidade para além das fronteiras do Vale do Itabapoana.