terça-feira, 29 de setembro de 2026

Johnny Tillotson


 

Chubby Chequer


 

Por aqui Por ali

 




Uzbequistão: onde o xadrez se tornou orgulho nacional

 

O xadrez como destino de uma nação



Em alguns países, seus heróis são reconhecidos  pelo som dos estádios. O Uzbequistão aprendeu a celebrá-los também no silêncio profundo dos tabuleiros, onde cada movimento guarda uma batalha, cada peça carrega uma esperança e cada vitória faz pulsar o coração de uma nação inteira.

A seleção uzbeque tornou-se uma das maiores potências do xadrez mundial. Seus jogadores, ainda jovens, revelaram ao mundo uma combinação admirável de talento, disciplina, coragem e união. Diante do tabuleiro, não são apenas cinco enxadristas disputando partidas: são representantes de um povo que descobriu no xadrez uma forma de expressar sua inteligência, sua identidade e seu orgulho.

Em 2022, na Índia, o Uzbequistão conquistou pela primeira vez a Olimpíada de Xadrez. Aquele triunfo não foi apenas uma medalha de ouro. Foi o nascimento de uma geração destinada a escrever seu nome entre as grandes escolas enxadrísticas do planeta.

Anos depois, jogando diante de sua própria gente, a jovem equipe voltou a transformar cálculo em poesia e estratégia em glória. O título conquistado em casa consagrou o bicampeonato e fez a emoção transbordar das 64 casas para as ruas. Uma multidão recebeu seus campeões como se cada xeque tivesse sido um gol e cada vitória, um abraço coletivo.

Não era futebol. Era xadrez.

E está ai a beleza dessa celebração: o Uzbequistão mostrou ao mundo que a inteligência também pode despertar multidões; que o silêncio de uma partida pode terminar em uma explosão de alegria; e que reis, damas, torres, bispos, cavalos e peões também são capazes de unir um país.

Hoje, milhares de crianças uzbeques aproximam-se dos tabuleiros inspiradas por esses campeões. Em cada pequeno enxadrista nasce um sonho; em cada primeiro lance, uma possibilidade. O sucesso da seleção nacional transformou o xadrez em caminho, esperança e futuro.

O Uzbequistão não conquistou somente duas Olimpíadas. Conquistou uma geração. E, sempre que seus heróis continuarem avançando pelo tabuleiro do mundo, haverá uma nação inteira caminhando com eles, lance após lance, sonho após sonho, vitória após vitória.





Isso não é futebol! É o xadrez que incendeia o coração do Uzbequistão


 

Uma multidão tomou os salões e ruas para celebrar os novos heróis nacionais. Não era uma final de futebol, mas a consagração do Uzbequistão na Olimpíada de Xadrez.

Em um país que transformou o tabuleiro em símbolo de orgulho e esperança, cada lance foi acompanhado como um gol; cada vitória, recebida como uma conquista de toda a nação. Reis, damas, torres e peões despertaram paixões e fizeram palpitar o coração do povo uzbeque.

O Uzbequistão ama seus enxadristas e festeja seus heróis. Veja a multidão celebrando uma vitória que ultrapassou as 64 casas do tabuleiro e ganhou as ruas!

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

NODIRBEK ABDUSATTOROV: O OURO CONQUISTADO NO SILÊNCIO

O jovem uzbeque disputou onze partidas e somou oito pontos e meio, alcançando a extraordinária performance de 2.869 pontos


Ele representa uma geração que transformou o Uzbequistão numa das grandes potências do xadrez mundial



Existem vitórias que nascem no mais profundo silêncio, entre o movimento delicado de uma peça e o olhar concentrado de quem consegue enxergar, no tabuleiro, caminhos ainda invisíveis aos demais.

Foi assim que Nodirbek Abdusattorov conquistou a medalha de ouro no primeiro tabuleiro da Olimpíada de Xadrez. Diante de grandes nomes do xadrez mundial, o jovem uzbeque disputou onze partidas e somou oito pontos e meio, alcançando a extraordinária performance de 2.869 pontos.

Mas os números, por mais impressionantes que sejam, não conseguem contar tudo.

Não revelam a tensão escondida atrás de cada lance. Não mostram as tempestades calculadas dentro da mente. Não registram os instantes em que o enxadrista precisa dominar o medo, conter a ansiedade e confiar na intuição construída por milhares de horas de estudo.

Nodirbek enfrentou mestres consagrados e representantes de diferentes escolas do xadrez. Venceu sete partidas, empatou três e sofreu apenas uma derrota. Superou, entre outros, Richard Rapport, Ding Liren, Fabiano Caruana e Haik Martirosyan. Cada vitória foi uma pequena joia esculpida sobre as 64 casas.

Na fotografia, entretanto, não há euforia.

Nodirbek permanece sentado, braços cruzados, semblante austero e olhos voltados para algum ponto distante. Diante dele, as peças parecem guardar os segredos de batalhas já encerradas. Em seu paletó, a bandeira do Uzbequistão repousa sobre o braço como se também contemplasse, orgulhosa, o caminho percorrido.

É o retrato de um campeão que não precisa gritar.

O ouro conquistado no primeiro tabuleiro ultrapassa o brilho individual. Ele representa uma geração que transformou o Uzbequistão numa das grandes potências do xadrez mundial. Em uma terra atravessada por antigas rotas, civilizações e saberes, jovens enxadristas passaram a desenhar novas estradas, desta vez feitas de diagonais, colunas, cavalos e torres.

Nodirbek Abdusattorov parece jogar carregando consigo a paciência das cidades históricas, a vastidão das estepes e o silêncio milenar de Samarcanda. Seu xadrez não se limita a mover peças: constrói paisagens, arma tempestades e transforma o tabuleiro num território de inteligência e coragem.

A medalha de ouro brilhou em seu peito, mas foi conquistada muito antes da cerimônia. Nasceu em cada madrugada de estudo, em cada derrota transformada em lição e em cada posição examinada até que o impossível começasse a revelar uma passagem.

No primeiro tabuleiro, diante dos maiores nomes do mundo, Nodirbek não encontrou apenas adversários.

Encontrou a História.

E, com a serenidade dos grandes campeões, escreveu nela o seu nome em letras de ouro.

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