domingo, 14 de junho de 2026

Santo Antônio: uma devoção que atravessa gerações em Varre-Sai




Santo Antônio é um dos santos mais amados pelos varre-saienses. Essa devoção foi trazida pelos imigrantes italianos que colonizaram nossa região e permanece viva até os dias de hoje.

No município existe uma igreja dedicada a esse grande taumaturgo, localizada na comunidade de Jacutinga. Sua construção está ligada a um milagre atribuído à intercessão de Santo Antônio, e a imagem que ocupa o altar principal veio diretamente da Itália, fortalecendo ainda mais os laços entre a fé dos colonizadores e a história local.

Nos primeiros anos do ministério do padre Antônio Alves de Siqueira em Varre-Sai, a atual Rua Santo Antônio era conhecida como "Buraco Quente". A região era afastada do centro da cidade e bastante isolada. Sensível à realidade daqueles moradores, o sacerdote procurou estreitar os laços entre a comunidade e a paróquia, especialmente na festa de Santo Antônio.

Todos os anos, após celebrar a Santa Missa na Matriz e benzer os tradicionais pães de Santo Antônio, padre Antônio convidava os fiéis para uma procissão até a Rua Santo Antônio. Crianças, jovens, adultos e idosos percorriam as ruas escuras da cidade, rezando o Terço de Nossa Senhora e entoando cânticos em honra ao santo.

Entre os hinos mais conhecidos estava este refrão:

"Graças mil sejam dadas na terra

a Jesus, nosso amado Senhor.

Se o demônio nos faz atroz guerra,

Santo Antônio é da paz o penhor.

Invocai com fervor Santo Antônio,

se milagres na terra esperais;

ele vence o furor do demônio

e defende do mal os mortais."

Ao chegarem à Rua Santo Antônio, os fiéis distribuíam os pães bentos e todos recebiam a bênção do sacerdote, transformando aquele momento em uma verdadeira manifestação de fé, fraternidade e solidariedade.

Outra tradição muito difundida em Varre-Sai era a recitação do Responsório de Santo Antônio, especialmente para ajudar a encontrar objetos perdidos. Algumas pessoas eram conhecidas por essa prática, como dona Maria, esposa do senhor Zé Vico. Quando alguém perdia algo de valor, procurava-a e pedia que ela "responsasse", isto é, que rezasse o Responsório de Santo Antônio por aquela intenção.

Muitas pessoas testemunhavam que, após a oração, os objetos desaparecidos eram encontrados. O responsório era tão respeitado pela religiosidade popular que nem todos se consideravam aptos a rezá-lo. Essa crença, porém, fazia parte da tradição popular e não de um ensinamento oficial da Igreja, que sempre ensina que qualquer pessoa pode recorrer com fé à intercessão dos santos.

A devoção a Santo Antônio também faz parte da história da minha própria família. A família de meu pai era profundamente devota do santo. Tenho uma tia, já falecida, que se chamava Maria Antônia, e um tio também falecido, chamado Antônio, nomes que testemunham o carinho e a confiança depositados na proteção do santo.

Guardo comigo, com muito carinho, um antigo livro sobre Santo Antônio, publicado no início do século passado, que pertenceu à minha tia Maria Antônia. Mais do que um livro, ele representa um elo precioso entre gerações unidas pela mesma fé. 

Este ano fiz um livro infantil da coleção Curiosidades dos Santos de maior devoção em Varre-Sai, com curiosidades sobre Santo Antônio e ficou muito bom para crianças e adultos que gostam de ler e colorir.

Recordo-me  que, todos os anos, meu pai levava pães para serem benzidos na igreja e depois distribuídos aos fiéis, mantendo viva uma tradição que atravessou décadas. Hoje, com emoção e gratidão, continuo fazendo o mesmo, perpetuando um gesto simples, mas carregado de significado e devoção.

Hoje fiquei muito feliz ao receber também uma foto de meu irmão Pe. José Ronaldo, benzendo pães em Campos onde exerce seu ministério sacerdotal e a foto está inserida também desta postagem.

Eis o início do  tradicional Responsório de Santo Antônio, conhecido por gerações de católicos:

"Se milagres desejais,

recorrei a Santo Antônio;

vereis fugir o demônio

e as tentações infernais.

Recupera-se o perdido,

rompe-se a dura prisão,

e no auge do furacão

cede o mar embravecido."

A devoção a Santo Antônio continua viva no coração do povo de Varre-Sai, especialmente em Jacutinga, onde sua história se confunde com a própria história da comunidade. Ela permanece presente nas procissões, nos pães bentos, nas orações, nas famílias e nas lembranças transmitidas de pais para filhos.

Viva Santo Antônio de Lisboa!

Viva Santo Antônio de Pádua!

Viva Santo Antônio de Varre-Sai!

Viva Santo Antônio de Jacutinga!

(Isabel Menezes é professora e historiadora)

FOTOS: Bênção dos pães e Varre- Sai pelo pe. José Carlos, bênção dos pães em Campos pelo pe. José Ronaldo, capa do livrinho infantil Curiosidades sobre Santo Antônio e igreja de Santo Antônio em Jacutinga/Varre-Sai.





Studio TM Reescreve a Aristides Figueiredo: Um Farol de Saúde e Respeito

 


Há esquinas que carregam o peso do tempo, como páginas rasgadas de um livro que a cidade preferia esquecer. Na rua Aristides Figueiredo, um antigo endereço já foi o epicentro de noites densas. Ali, onde o som alto tentava abafar os vazios da alma e as algazarras traduziam os conflitos de quem buscava esquecimento no fundo de um copo, morava a desordem. O eco daquele velho bar era o manifesto de uma humanidade que se desencontrava de si mesma entre paredes gastas.

​Mas o tempo, esse mestre sutil, guarda seus próprios mistérios. Onde antes se cultivava a estagnação mascarada de ruído, operou-se uma espécie de alquimia urbana. Pelas mãos de Thiago Moreno Ribeiro e de sua esposa Cristiane, o caos pediu licença à ordem. Nascia ali o Studio TM Fitness.

​Não se trata de erguer paredes ou enfileirar esteiras e pesos reluzentes. Trata-se de uma transmutação sagrada: o lugar que outrora acolhia a dispersão do ser humano, hoje recolhe os seus pedaços para fundar a vida.

​Olhar para as paredes do Studio, onde cartazes em vermelho vivo gritam "Acredite", "Suporte as dores, aprecie os ganhos" e "Só você pode mudar a sua vida",  é compreender que o corpo ali esculpido é apenas o reflexo de uma arquitetura interna muito mais profunda. Thiago e Cristiane não criaram uma academia convencional, dessas onde as pessoas se tornam apenas números em busca de métricas frias. Construíram um templo. Um espaço de resgate onde a singularidade de cada um é recebida com a dignidade litúrgica que o mundo lá fora teima em negar.

​Quem cruza aquele portal em busca de suor, encontra, na verdade, um porto. Em pouco tempo, os olhares já mudaram. Há uma altivez nova no caminhar dos que ali frequentam, um respeito próprio que floresce no silêncio concentrado entre uma repetição e outra. É o milagre cotidiano de ver o cansaço físico transformar-se em repouso para o espírito.

​O Studio TM Fitness surge, assim, como um farol revolucionário. Ele não apenas acompanha o palpitar de desenvolvimento econômico que redesenha Bom Jesus do Itabapoana, mas antecipa e molda a sua evolução espiritual. Mostra que a verdadeira força não reside na explosão do conflito, mas na constância silenciosa do autocuidado. Onde o barulho da noite findou, hoje ecoa o hino vitorioso da superação.








A velhice não aceita despreparo, por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


*A velhice não aceita despreparo.*


Quem chega a ela sem autonomia sente o peso da dependência. Prepara-se.Tenha segurança, um teto seu e recursos para viver com dignidade. Seja leve: menos poses, mas paz.


Quanto mais coisas acumulamos, mais elas exigem de nós. A arte de viver está nas coisas simples: dormir bem, comer com prazer, rir com liberdade e não se deixar dominar pelas preocupações. 


Lembre-se: nada neste mundo é realmente nosso. E quanto menos nos apegamos às coisas, mais livres nos tornamos. A verdadeira prisão é o apego. A liberdade começa quando aprendemos viver com o essencial. 


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

sábado, 13 de junho de 2026

Histórico: Dona Nina e o Grupo Musical Amantes da Arte emocionam em Cantata de Natal

 

Arquivo: Júlio César de Paula Ribeiro, 2013



A História Viva de Varre-Sai com o Dr Silvestre Gorini

 


Copa do Mundo 2026, por Rogério Loureiro Xavier


 *Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.*


*Copa do Mundo 2026*


*O futebol ⚽️ nos lembra de algo que não devemos esquecer:*


*A vida não é uma competição para brilhar sozinho, mas um caminho que aprendemos a percorrer juntos.* 


*Quem não sabe passar a bola, mesmo que tenha talento, ainda não entendeu o jogo.*


*E quem não sabe com os outros é pelos outros, ainda não entendeu a vida.*


*Hoje começa a Copa do Mundo de 2026, a maior de todas as histórias. Três países sede ( Canadá, Estados Unidos e México principalmente para acomodar a inédita expansão do torneio para 48 seleções. Esse aumento exige uma logística muito maior e a Fifa optou por dividir a infraestrutura e os custos.), o maior número de seleções é um mundo inteiro de olho.*


*A partir de agora, o meu papel é o mesmo de cada um de vocês torcedores apaixonado.*


*Pra cima deles, Brasil! O Hexa é o nosso objetivo.*


🇧🇷⚽️🇧🇷⚽️🇧🇷⚽️🇧🇷⚽️


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

A Poesia que Cabe Num Café e Num Pedaço de Bolo




O tempo, nas clareiras da manhá, parece desacelerar de propósito. Há um acordo tácito entre o sol filtrado pelas folhas e a madeira rústica da mesa: nenhum dos dois tem pressa. Sob o céu aberto do Garden Café, o mundo barulhento lá fora se reduz ao tilintar discreto de uma colher.

​Na mesa, a simplicidade se veste de poesia. Um pedaço de bolo de cenoura, com sua cor viva de sol poente, repousa sob uma generosa e densa cobertura de chocolate. É o gosto exato da infância, aquela nostalgia doce que a gente mastiga devagar, querendo prender o sabor no paladar e o momento na memória. Ao lado, o café no copo escuro exala um calor acolhedor, o par perfeito para equilibrar a doçura da vida.

​No meio do café e do prato, a modernidade espreita num cartão impresso: um QR code que promete um "cardápio digital". Mas quem precisa ler o futuro ou escolher o próximo prato quando o presente já se basta? O verdadeiro cardápio desta manhã não está na tela de um celular; está no vento leve que balança as plantas ao fundo, na textura áspera da madeira sob os dedos e na pausa sagrada que nos damos o direito de viver.

​No silêncio preenchido pelo aroma de café fresco, a pressa descansa. E a vida, por alguns minutos, é apenas um bolo compartilhado com a própria alma.