quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Memorialista Açordescendente Maria da Conceição Vargas descobre registro de casamento celebrado por Padre Mello em Varre-Sai no ano de 1902

 



A memória, quando bem cuidada, é ponte. E foi justamente uma ponte documental que a memorialista varre-saiense, açordescendente, Maria da Conceição Vargas, lançou sobre o passado - graças à eficiente pesquisa do dr. José Luiz Teixeira, hemeroteca BN - precioso registro histórico localizado no jornal A Capital, de Niterói, edição de 11 de outubro de 1902,  envolvendo o açoriano  Padre Antônio Francisco de Mello.

A notícia descreve o casamento do “distincto moço José Moreira” com “a Exma. Sra. D. Amelia Valladão”, cerimônia celebrada em Varre-Sahe, grafia da época,  pelo Revdmo. Padre Mello, que, segundo o texto, discursou “com a eloquencia que lhe é propria, sobre os deveres da vida conjugal”. A solenidade foi seguida por jantar sumptuoso, mesa de doces “ornada de acordo com o stylo moderno” e animada soirée que atravessou a madrugada ao som da banda regida pelo maestro Ramos Baeta.

O registro vai além da crônica social. Ele confirma a atuação de Padre Mello não apenas em Bom Jesus do Itabapoana, onde sua presença é marcante, mas também em Varre-Sai, numa ação pastoral conjunta que se estendeu até 1924, conforme as pesquisas de Maria da Conceição.

O documento reforça um dado essencial: os laços culturais e religiosos entre Bom Jesus e Varre-Sai não são circunstanciais, são fundadores. Desde os primórdios da formação dos municípios, a fé, as celebrações e as famílias entrelaçaram destinos.

Há, ainda, um aspecto identitário de grande relevância: a confluência das culturas açoriana e italiana, que moldaram o tecido social das duas cidades. A tradicional Festa do Divino Espírito Santo, trazida por açordescendentes a Bom Jesus no século XIX, integra hoje o calendário religioso e cultural de Varre-Sai, sinal inequívoco dessa herança compartilhada.

O passado, portanto, respira no presente.

E esse sopro histórico ganhará novo fôlego no Encontro Intermunicipal entre Varre-Sai e Bom Jesus, marcado para o dia 16 de abril, dentro das comemorações do Mês de Padre Mello. O evento se projeta como palco simbólico de reafirmação das raízes comuns, religiosas, culturais e afetivas.

Mais que um casamento noticiado em 1902, o que se descortina é a celebração de uma identidade compartilhada. No meio de sinos, bandas e doces finamente ornados, o que permanece é o elo invisível que une dois municípios vizinhos pela fé, pela história e pela memória.

Segue a transcrição do conteúdo visível na imagem, que é um recorte do jornal "A CAPITAL", de Niterói,  de 11 de Outubro de 1902. O texto está em português antigo (ortografia da época).

A CAPITAL — Sabbado, 11 de Outubro de 1902

​Coluna 2

 - Em Varre-Sahe realisou-se o consorcio do distincto moço José Moreira, com a Exma. Sra. D. Amelia Valladão, dilette filha do meu amigo Norberto Valladão.

Após o acto religioso, falou com a eloquencia que lhe é propria, sobre os deveres da vida conjugal, o Revdmo. Padre Mello.

Sumptuoso jantar foi gentilmente servido aos convivas pelo Sr. Valladão, que se manifestou francamente jovial e atencioso para com todos.

A mesa de doces achava-se perfeitamente ornada de acordo com o stylo moderno. Doces de diversas qualidades e caprichosamente preparados achavam-se esparsos pela mesa.

Tocou durante as cerimonias civil e religiosa e por occasião do jantar, a banda de musica local, sob a regencia do applaudido maestro Ramos Baeta.

Após a refeição começou animadissima soirée, que prolongou-se imperturbavel até ás 9 horas da manhã do dia seguinte.




A Família Silveira Sob o Céu de Bom Jesus

Por Gino Martins Borges Bastos

Boanerges Borges da Silveira, Maria do Carmo Teixeira da Silveira e os filhos Badger, Roberto, José Teixeira, o Zequinha, e Dinah, em 1925

Há cidades que guardam histórias.

E há cidades que geram destinos.

Bom Jesus do Itabapoana, entre o verde das montanhas e o murmúrio do rio, viu nascer uma família que transformaria o espaço doméstico em semente de vida pública. No centro dessa constelação estavam Boanerges Borges da Silveira e Maria do Carmo Teixeira da Silveira, a doce e firme Biluca.

Boanerges tinha o porte dos homens que entendem o peso da palavra. Açordescendente, seu nome atravessou o tempo como quem atravessa pontes: com passo seguro e visão adiante. Era homem de convicções, de compromisso com a terra e com sua gente. Ao seu lado, Biluca era o coração da casa, presença de serenidade, fé e estrutura invisível. Se ele representava o rumo, ela era o alicerce.

Da união dos dois nasceu mais que uma família: nasceu um capítulo da história fluminense.

Roberto Silveira e Badger Silveira, governadores, levaram para além das divisas de Bom Jesus o eco das primeiras lições aprendidas no lar. Governar, para eles, não era apenas exercer poder, era honrar uma origem. Em seus gestos públicos, havia sempre algo da educação doméstica: o senso de dever, a escuta, o compromisso com o coletivo.

Zequinha Silveira, deputado federal pelo Paraná, seguiu a trilha da representação política, voz que atravessa plenários mas que tem raiz no quintal da infância. A política, ali, parecia extensão natural da mesa da família, onde se aprendia a dialogar, ponderar e decidir.

E as filhas, Dinah Silveira e Maria da Penha Silveira, completavam o círculo com a mesma dignidade herdada. Em tempos em que a presença feminina na vida pública era menos comum, carregaram consigo a elegância do nome e a força silenciosa de Biluca.

Tudo começou ali, na cidade pequena que ensinou grandeza.

Imagino a casa dos Silveira, no Sítio Rio Preto e na Fazenda São Tomé, como um lugar onde as conversas iam além das paredes, onde o futuro era discutido à luz de lamparinas e sonhos. O pai falando de responsabilidade; a mãe ensinando que firmeza pode caminhar com ternura. E as crianças, ainda sem saber, ensaiando seus próprios papéis na história.

Bom Jesus não lhes deu apenas o berço, deu-lhes horizonte. E eles devolveram à cidade reconhecimento, memória e identidade.

Hoje, quando se pronunciam os nomes Roberto, Badger, Zequinha, Dinah ou Maria da Penha, há sempre um eco que nos leva de volta a Boanerges e Biluca. Porque antes dos cargos vieram os valores. Antes da tribuna, a educação. Antes da história pública, a história íntima.

Algumas famílias constroem casas.

Outras constroem legado.

E sob o céu de Bom Jesus do Itabapoana, o nome Silveira permanece como árvore antiga: raízes profundas na terra natal, ramos que tocaram o Estado inteiro, e sombra que ainda hoje abriga a memória de um tempo em que política era, antes de tudo, vocação.


No dia 7 de agosto, celebraremos os 10 anos do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira, uma década preservando a memória, a história e o legado de homens públicos que marcaram o Rio de Janeiro.

Será também dia de homenagear a grande família Silveira, carinhosamente conhecida como a Silveirada: raízes firmes em Bom Jesus do Itabapoana, galhos que se estenderam pela vida pública e frutos que continuam a inspirar gerações.

Uma celebração de memória, gratidão e pertencimento. 


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Convite da CAES: os 213 anos da chegada dos imigrantes açorianos ao Espírito Santo




 

Exclusivo da TV Alcance,: a entrevista histórica com Antônio Carlos Pereira Pinto, em 26/08/2023

 



"Nessa Vida", por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


*"Nessa Vida"*

Não somos donos de nada. Nem da alma, nem do coração, nem da própria vida.

Tudo é passageiro, tudo é empréstimo do tempo. 

Somos donos apenas dos momentos que escolhemos viver, das escolhas que fazemos enquanto estamos aqui, dos sentimentos que cultivamos e do amor que deixamos pelo caminho. 

Porque no fim, não levamos posses... levamos histórias, memórias e tudo aquilo que sentimos de verdade. 

*"✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*

Quem Controla Seus Pensamentos Controla Seu Destino

 


A felicidade de sua vida depende da qualidade de seus pensamentos”, Marco Aurélio

Vivemos em um tempo em que a mente raramente repousa. As notificações cintilam como pequenos relâmpagos incessantes, e o ano de 2026 parece sussurrar urgências a cada segundo. Há uma exaustão que não grita,  infiltra-se. Silenciosa, ela consome a vitalidade cotidiana e nos distancia de nós mesmos.

Entretanto, a saída não está em calar o mundo, mas em educar o diálogo interior. Não é o ruído externo que governa nossa paz, mas a narrativa que construímos a partir dele. Marco Aurélio, imperador e filósofo, compreendeu que o verdadeiro império a ser conquistado é o da própria mente. Dominar os pensamentos não é negar a realidade, é escolher a forma como a atravessamos.

Muitas vezes, não são os fatos que nos ferem, mas a interpretação apressada que fazemos deles. A mente indisciplinada fabrica tempestades antes mesmo que as nuvens se formem. E assim, reagindo a cada estímulo, criamos labirintos imaginários que elevam o estresse e obscurecem a serenidade. Como ensinava o imperador estoico, a vida assume a cor dos pensamentos que a pintam.

O filtro com que olhamos o mundo decide se veremos ameaça ou aprendizado, perda ou transformação. Exercitar a observação consciente do próprio fluxo mental é como abrir as janelas de um quarto fechado há muito tempo. Aos poucos, identificamos padrões, suavizamos julgamentos, substituímos impulsos por lucidez. Essa higiene da alma nos devolve o comando, e com ele, a liberdade.

E então emerge a virtude, não como rigidez, mas como eixo.

Virtude como bem maior: priorizar a integridade e a razão acima do prazer imediato ou da aprovação social é construir alicerces que o tempo não corrói. É escolher ser inteiro em vez de apenas aceito. É compreender que a verdadeira felicidade não é euforia passageira, mas coerência entre pensamento, palavra e ação.

No fim, talvez a grande revolução silenciosa seja esta: cultivar pensamentos que nos elevem. Porque, se a felicidade depende deles, então cada instante é também uma oportunidade de semear clareza, equilíbrio e grandeza interior.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Como ‘Noites brancas’, de Dostoiévski, viralizou entre jovens

 

Ludmilla Rios

09 de fevereiro de 2026(atualizado 10/02/2026 às 20h32)



Obra do escritor russo se tornou popular entre a geração Z graças às redes sociais. Fama alavancou procura pelo livro, que figurou entre os mais vendidos de 2025.

 "Noites brancas”, do escritor russo Fiódor Dostoiévski, ganhou uma grande repercussão nas redes sociais entre 2024 e 2025. Publicado em 1848, o livro de cerca de 80 páginas coloca em cena uma narrativa de amor e decepção intensos, contada com uma linguagem lírica. 

O impacto da viralização fez com que as vendas do livro no Brasil crescessem de forma exponencial. A Editora 34, que é conhecida por publicar livros de escritores russos na sua Coleção Leste, viu as vendas irem de cerca de 1.000 exemplares por ano para 1.000 por semana.

A obra figurou na Lista Nielsen-PublishNews de Mais Vendidos de 2025 entre os vinte títulos de ficção mais populares, ao lado apenas de dois outros livros escritos nos séculos 19 e 20: “A hora da estrela”, de Clarice Lispector, e “A metamorfose”, de Franz Kafka.

Neste texto, o Nexo mostra o fenômeno que se espalhou pela internet em torno da história e analisa por que o livro clássico chama tanto a atenção dos mais jovens. 


Link para matéria:

https://share.google/HvXW6Q8cZjtl5yaLE

 https://www.nexojornal.com.br/expresso/2026/02/09/noites-brancas-fiodor-dostoievski-livros-classicos-viralizam