segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Mantovani


 

 

Violão Acústico


 

Música Instrumental


 

Caetano Veloso cita leitura da obra Parditude de Beatriz Bueno

 

Quando um livro encontra outro olhar



Na fotografia, há uma delicada coincidência de tempos: de um lado, Caetano Veloso, recolhido à intimidade da leitura; de outro, Beatriz Bueno, jovem autora de Partitude, segurando o próprio livro como quem segura não apenas uma obra, mas uma parte de si mesma.

E esse é o milagre da literatura: o instante em que aquilo que nasceu dentro de alguém encontra abrigo dentro de outro.

Caetano, que tantas vezes transformou palavras em música e música em pensamento, aparece agora diante de um livro que também procura compreender o Brasil por dentro, esse país mestiço, contraditório, feito de encontros, apagamentos, heranças, dores e reinvenções. Ao escolher Partitude entre suas leituras recentes, o artista estabelece uma ponte silenciosa entre gerações: a experiência de quem há décadas pensa o Brasil e a voz de quem chega agora para interrogá-lo com outros olhos.

Há algo de profundamente simbólico nessa imagem.

O livro repousa nas mãos de Caetano, mas parece atravessar a fotografia como uma pergunta. O jaguar desenhado na capa nos observa. Animal de força e de memória, ele parece representar também a coragem necessária para penetrar nas florestas profundas da identidade brasileira, onde nem tudo é evidente, onde muitas histórias foram escondidas e onde ainda procuramos compreender quem somos.

Beatriz Bueno escreve a partir de uma experiência que não pretende caber em fórmulas prontas. Ao se declarar parda e defender uma abordagem brasileira para pensar raça e mestiçagem, ela se coloca diante de um dos temas mais complexos da nossa formação. Não para oferecer respostas definitivas, mas para abrir caminhos.

É justamente aí que a literatura se torna indispensável.

Um livro não precisa encerrar uma discussão. Às vezes, sua maior grandeza está em começar uma conversa.

A fotografia de Caetano lendo Partitude é, portanto, mais do que uma recomendação de leitura. É um encontro entre a consagração e o nascimento, entre a voz que já atravessou gerações e aquela que começa a construir seu próprio lugar no mundo das palavras.

Há uma beleza especial quando um escritor é lido por alguém que também aprendeu a transformar o mundo em linguagem.

No fundo, livros são isso: encontros que acontecem longe dos olhos de quem os escreveu.

Beatriz escreveu.

Caetano leu.

E, no meio das mãos de um e das palavras da outra, o Brasil ganhou mais uma oportunidade de olhar para si mesmo.

Essa é a verdadeira irresistibilidade de certos livros: eles não terminam quando fechamos a última página.

Continuam vivendo em nós.

Vem aí o XXIIII Congresso Brasileiro de Poetas Trovadores



 

17 de Agosto: Dia do Patrimônio Histórico


 

As irmãs que a miséria não perdoou

 

Existem irmãs que, mesmo dividindo o mesmo sangue, já não conseguem reconhecer no rosto da outra a própria infância

A miséria material pode ser vencida. A moral, entretanto, é mais silenciosa



Em Os Miseráveis, Victor Hugo conhecia profundamente uma espécie de miséria que lentamente, vai também empobrecendo os afetos, até que o sangue, que deveria ser abrigo, se transforma em distância

Não apenas a miséria que deixa os bolsos vazios, mas a que invade a alma, modifica os gestos, endurece as palavras e, algumas vezes, transforma irmãos em estranhos.

Em muitas famílias, a pobreza despoja de quase tudo, menos das lembranças. Em outras a miséria, lentamente, vai também empobrecendo os afetos, até que o sangue, que deveria ser abrigo, se transforma em distância

As irmãs que aparecem à margem da grande narrativa de Hugo não precisam ocupar o centro da cena para nos ensinar alguma coisa. Elas pertencem a esse vasto coro de personagens que carregam consigo as marcas de uma sociedade desigual, onde nascer pobre significava, muitas vezes, começar a vida já devendo ao destino.

Essa é a grandeza de Victor Hugo: ele não olha apenas para os grandes personagens. Olha para os esquecidos. Para aqueles que atravessam a história quase sem deixar nome, como se a vida lhes tivesse negado até o direito de serem lembrados.

Nas relações entre irmãos, Hugo parece nos perguntar: o que acontece com o amor quando a necessidade fala mais alto? Até onde pode resistir o afeto quando a fome, a humilhação, o abandono e o ressentimento ocupam a mesma casa?

Algumas irmãs envelhecem juntas e permanecem distantes. Outras se afastam por uma palavra, por uma herança, por uma mágoa antiga. E existem as que, mesmo dividindo o mesmo sangue, já não conseguem reconhecer no rosto da outra a própria infância.

A miséria material pode ser vencida. A moral, entretanto, é mais silenciosa. Ela não se anuncia pela falta de pão, mas pela falta de compaixão.

Por isso, ao pensar nas personagens de Victor Hugo, devemos ampliar o significado da palavra miserável. Miserável não é somente quem nada possui. Miserável pode ser também aquele que possui muito e nada consegue oferecer ao outro; aquele que guarda dinheiro, orgulho ou ressentimento, mas já não guarda ternura.

As irmãs de Hugo pertencem a esse grande espelho humano de Os Miseráveis. Nele, reconhecemos não apenas a França do século XIX, mas a nossa própria humanidade.

No fim, a verdadeira tragédia não é nascer pobre.

É perder, por dentro, a capacidade de amar.


A poesia silenciosa do Mestre Daniel de Lima

 


No coração de Casimiro de Abreu, onde o rio e a cultura dançam um ritmo antigo, a Casa Beira-Rio prepara-se para um novo capítulo. O pó dourado das margens flutua, misturando-se com a promessa de criação que paira no ar. Um artesão, de mãos calejadas e olhar sonhador, observa a estátua de barro que esculpiu - uma Maria serena, envolta em vestes ondulantes. Não é apenas barro; é a memória viva da sua terra.

​O sol da manhã filtra-se pelas janelas, desenhando padrões de luz e sombra sobre a mesa de trabalho. Daniel de Lima, mestre na arte de dar alma à matéria, convida a comunidade a partilhar o seu santuário. "Transforme ideias em arte!" - o lema brilha na parede, um convite silencioso para um mergulho no seu mundo.

​Duas portas se abrem na Casa Beira-Rio, cada uma guiando para um universo distinto de criação. À esquerda, a Oficina de Escultura em Barro. Aqui, o barro úmido aguarda, como um artista à espera do toque. Sob a orientação de Daniel, o barro molda-se, curva-se, transforma-se. A escultura de Maria é o pináculo, mas a imaginação não tem limites. A terça-feira, das 9h às 12h, é o palco desta dança entre as mãos e a terra, um diálogo silencioso onde cada amassadinho conta uma história.

​À direita, a Oficina de Papitagem e Papel Marchê. Uma explosão de cor e criatividade, onde o papel se torna escultórico e vibrante. Máscaras venezianas, pássaros fantásticos, figuras do folclore brasileiro... Tudo ganha vida com a magia do papel. A terça-feira, das 13h30 às 16h30, é o horário para este atelier de fantasia, um convite para colorir o mundo com a própria imaginação.

​A Casa Beira-Rio, com o seu charme rústico, torna-se o epicentro desta celebração da cultura local. O aroma do café fresco mistura-se com o cheiro da tinta e do barro. O riso dos participantes ressoa nas paredes, misturando-se com o som da música popular que flutua de longe. A Fundação Cultural Casimiro de Abreu e a Prefeitura apoiam este projeto, conscientes da importância de preservar e promover a identidade cultural da cidade.

​"Vagas limitadas!" - o aviso destaca-se, um lembrete da raridade e do valor desta oportunidade. Não se trata apenas de aprender técnicas; é uma experiência de imersão, um despertar da criatividade adormecida, um tributo ao talento local. As inscrições estão abertas, um chamado para todos os que desejam deixar a sua marca, partilhar a sua visão, e contribuir para a tapeçaria rica e vibrante da cultura de Casimiro de Abreu.

​Venha fazer parte desta experiência que valoriza a nossa cultura, nossa arte e o talento da nossa gente! A Casa Beira-Rio aguarda, com portas abertas, para lhe dar as boas-vindas a um mundo de criação e descoberta. Deixe-se levar pela magia do barro e pela leveza do papel marché, e descubra o prazer de dar vida às suas ideias.


O mineiro Aristides, a carta, a renovação da assinatura e o gesto de amor à memória


Assinar um Jornal é Também Assinar a História



O jornal O Norte Fluminense recebe também cartas que chegam trazendo mais do que palavras. Chegam carregadas de tempo, de lembranças e de uma espécie de amizade silenciosa que se constrói página após página, mês após mês. A carta de Aristídes de Azevedo Raggi, enviada de Ipanema, em Minas Gerais, é uma dessas pequenas preciosidades que o correio entrega ao coração.

Junto dela, um cheque para renovar a assinatura de O Norte Fluminense. Um gesto aparentemente simples, mas que, para um jornal que atravessou oito décadas contando a história de sua gente, possui um significado imenso. Aristídes não está apenas renovando uma assinatura: está reafirmando uma fidelidade.

Ele próprio se define como um apaixonado por História. E é justamente por isso que encontra nas páginas do jornal algo que vai além da notícia. Encontra a memória.

Quando escreve que O Norte Fluminense lhe proporciona, todos os meses, um “banho de nostalgia”, ele traduz, com rara delicadeza, uma das missões mais bonitas de um jornal regional: impedir que o passado desapareça:

"E... já lhes disse; "eu sou um apaixonado por 'História'". E "O Norte Fluminense", todo mês, nos dá um "banho" de nostalgia, falando e contando histórias sobre os grandes homens de Bom Jesus, no passado, e focalizando numerosas famílias que habitaram por aí, no Vale do Itabapoana e adjacências. Portanto, é com muito gosto que recebo por aqui, todo mês, o nosso "O Norte Fluminense". Continuem, sempre, nesta linha, e eu serei sempre um leitor fiel de vocês".

Nas páginas de um jornal, os nomes dos antigos moradores deixam de ser apenas nomes. As famílias ressurgem, as ruas recuperam suas vozes, os homens públicos voltam a caminhar pelas praças, os clubes reabrem suas portas e as histórias que pareciam condenadas ao esquecimento encontram novamente seus leitores.

É bonito perceber que essa memória atravessa fronteiras. De Bom Jesus do Itabapoana ao interior de Minas Gerais, o jornal continua chegando às mãos de quem reconhece naquele papel impresso um pedaço de sua própria história.

E Aristídes ainda nos lança um desafio: contar a história do futebol antigo de Bom Jesus, especialmente a rivalidade entre o Olympico e o Ordem e Progresso. É uma sugestão que carrega outra forma de memória, aquela feita de domingos, arquibancadas, camisas, gols, craques e paixões.

Uma cidade também se escreve pelos seus times. Há uma história que não está nos livros, mas permanece na lembrança daqueles que viram um drible, comemoraram um gol ou atravessaram a cidade para assistir ao grande clássico.

“Bom Jesus já teve ouro, grandes craques, hein?”, pergunta Aristídes, como quem abre uma janela para o passado.

Sim, Aristídes. E é justamente essa a beleza de tudo: ainda há muito a contar.

Sua carta nos lembra que um jornal não vive apenas de notícias. Vive também de memória, de pertencimento e, sobretudo, de leitores.

Leitores como o senhor, que renovam a assinatura e, ao mesmo tempo, renovam um pacto com a história.

De Ipanema, Minas Gerais, veio um cheque.

Mas o que chegou à redação foi muito maior: um gesto de confiança, uma declaração de amor à memória e a certeza de que, quando há leitores assim, a história continuará encontrando quem a escute.





1° Encontro da Família Xavier em Bom Jesus do Itabapoana RJj - ano 2000., por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


Nada melhor do que recordar momentos especiais...


1° Encontro da Família Xavier em Bom Jesus do Itabapoana RJj - ano 2000.

 

Esse encontro deixou saudades. 

Foi o primeiro encontro de famílias em Bom Jesus.

Entrou para história. 


Belos dias...


*"As recordações me dão a certeza que esse encontro valeu!"*


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

17 de agosto — Dia Nacional do Patrimônio Histórico e Cultural

 


O nome Varre-Sai já é, por si só, parte da nossa história e do nosso patrimônio cultural! Um nome cheio de significado, ligado à história de um rancho que acolhia os viajantes, mas também ensinava o valor do cuidado e da hospitalidade.

Nosso município possui um rico patrimônio, formado por bens materiais e imateriais que ajudam a contar a história de um povo e a preservar sua identidade.

Como exemplo de patrimônio histórico material, temos o Casarão da Cultura, localizado no Largo São Sebastião. O imóvel, datado do século XVIII, foi edificado por Felicíssimo Faria Salgado, considerado o primeiro fazendeiro da região. Hoje, o espaço abriga um pequeno museu dedicado à imigração italiana, à cultura do café e a outros aspectos da nossa história, além da Sala Baden Powell, uma homenagem ao nosso ilustre músico.

Já como exemplo de patrimônio histórico e cultural imaterial, temos a Associação da Pia União das Filhas de Maria, uma tradicional associação religiosa e cultural de mulheres, quase centenária, que há décadas contribui para a preservação da fé, das tradições e da memória comunitária de Varre-Sai.

Tive a alegria de contribuir para o registro da história desse Patrimônio Imaterial, por meio do livro de minha autoria, “As Filhas de Maria na Colônia Italiana de Varre-Sai”. Somou-se a esse trabalho a atuação do vereador Cláudio Paulanti, e, como resultado, a Câmara Municipal de Varre-Sai aprovou a Lei Municipal nº 1.068, que confere à Associação o título de Patrimônio Imaterial do Município.

Preservar o patrimônio é preservar a nossa identidade. É reconhecer que os lugares, os nomes, as pessoas, as tradições, a fé e as histórias que recebemos de nossos antepassados são parte daquilo que somos. 

Através deste texto cumprimento o nosso prefeito Lauro Fabri, nosso ex prefeito  dr. Silvestre Jose Gorini, o memorialista Gonzaga Gonga Abib Menezes , a nossa cientista social Nazirinha Vargas, memorialista professora Edilma Fontes, memorialista Miguel Paulanti( in memoriam), o vereador Cláudio Paulanti , pela lei 1068, à secretária de Educação e Cultura Gioconda Fabri , à Secretária estadual de cultura Danielle Barros, à  Pia União das Filhas de Maria de Varre-Sai e a todos os que preservam o nosso patrimônio histórico varre-saiense. 

Varre-Sai tem história. Varre-Sai tem memória. Varre-Sai tem patrimônio!

E cabe a cada um de nós ajudar a preservar e transmitir essa riqueza às próximas gerações.

Isabel Menezes - Professora e historiadora















domingo, 16 de agosto de 2026

História não é matéria-prima para conveniências do presente

 

15 de agosto: fé, tradição e o verdadeiro marco histórico de Bom Jesus



Em Bom Jesus do Itabapoana, 15 de agosto é uma data cuja importância histórica não nasceu de um aniversário municipal. Nasceu da fé.

O saudoso historiador bonjesuense Antônio de Souza Dutra, em seu importante texto A Origem da Festa de Agosto (ver ao final), registra que a devoção ao Divino Espírito Santo foi instituída em Bom Jesus por Antônio Teixeira de Siqueira e Francisco José Borges, por volta de 1860 a 1862. Dessa tradição religiosa nasceu a Festa de Agosto, uma das manifestações mais queridas e antigas da comunidade.

Dutra é ainda mais preciso ao explicar a escolha do dia 15 de agosto: a data teria sido fixada pelo Padre Antônio Francisco de Mello, de comum acordo com os lavradores, por corresponder a um período de maior folga nos trabalhos da lavoura e também de melhores condições financeiras.

Eis, portanto, a origem do 15 de agosto.

Religiosa. Comunitária. Agrícola. Cultural.

Não há, nesse registro histórico, qualquer indicação de que o dia 15 tenha sido escolhido para comemorar o aniversário de emancipação do município.

A distinção é fundamental.

O aniversário de um município deve estar relacionado ao marco reconhecido pela legislação e pela tradição oficial como referência de sua existência político-administrativa. No caso de Bom Jesus do Itabapoana, a emancipação político-administrativa ocorreu em 1º de janeiro de 1939.

Confundir as duas datas é mais do que uma simples imprecisão de calendário. É apagar o significado de cada uma delas.

15 de agosto pertence ao Divino.

1º de janeiro de 1939 pertence à emancipação municipal.

Uma data não precisa ser diminuída para que a outra seja respeitada. Ao contrário: Bom Jesus fica maior quando sua história é contada com todas as suas raízes.

O próprio texto de Antônio de Souza Dutra nos conduz a uma memória ainda mais profunda. Ele recorda que, desde os primeiros tempos, a devoção ao Divino não se restringia aos atos litúrgicos. Havia procissões, a coroa, a figura do menino representando o Imperador do Divino e a distribuição de esmolas aos pobres.

Mais tarde, Padre Mello acrescentaria a entronização da coroa e incorporaria à tradição local o belo hino “Alva Pomba”, atribuído por Dutra ao Padre Delgado, também natural da ilha de São Miguel, nos Açores.

A Festa de Agosto, portanto, não surgiu de uma decisão administrativa contemporânea. É fruto de uma história muito mais antiga, feita de fé, trabalho rural, devoção popular, solidariedade e herança açoriana.

É justamente por isso que a memória merece cuidado.

História não é matéria-prima para conveniências do presente. História é patrimônio coletivo.

O dia 15 de agosto continuará sendo grandioso, não porque seja aniversário do município, mas porque carrega consigo mais de um século de devoção, tradição e pertencimento.

E essa é a maior beleza da memória bonjesuense: há datas que não precisam de um título oficial para serem eternas.

O 15 de agosto já pertence ao coração de Bom Jesus.

Há datas que, de tanto serem vividas por gerações, tornam-se parte da própria alma de um povo.


Conferir A Origem da Festa de Agosto, de Antonio de Souza Dutra 

https://onortefluminense.blogspot.com/2023/07/a-origem-da-festa-de-agosto.html




Sleep Jazz


 

Qualquer um


 Crônica de O Norte Fluminense  



Os 80 anos chegaram junto com a solidão.

Ela ainda ouve vozes, balbucia outras, contempla o horizonte e se extasia diante do perfume das rosas no jardim. A vida continua lhe oferecendo sons, cores e aromas. Mas há uma ausência que nenhum deles consegue preencher: o toque.

Não se trata de vaidade. É algo mais profundo, quase primitivo, a necessidade de sentir que ainda existe um outro corpo no mundo capaz de dizer, sem palavras: você está aqui; eu estou aqui.

O desejo do corpo e da alma por um simples toque tornou-se permanente.

Então, ela decide ir à cabeleireira.

Não há vaidade. Há desejo de toque.

Enquanto alguém lhe toca os cabelos, penteia seus fios, ajeita-lhe a cabeça com delicadeza, por alguns instantes a solidão parece perder a sua força. Não é o espelho que importa. É a mão.

Ele vai ao barbeiro.

Não há vaidade. Há desejo de toque.

Enquanto a lâmina percorre o rosto, enquanto dedos ajeitam seus cabelos, enquanto uma mão repousa brevemente sobre sua nuca, também ele reencontra, por alguns minutos, uma antiga sensação de pertencimento.

A solidão, quando se prolonga, inventa necessidades que não são caprichos. Ela faz o corpo lembrar aquilo que a alma jamais esqueceu: fomos feitos para o encontro.

Um toque pode ser quase nada para quem o oferece.

Para quem espera, pode ser o mundo inteiro.

E essa é uma das mais silenciosas crueldades da velhice: continuar sentindo, desejando, contemplando a beleza das coisas, e perceber que, entre tantos horizontes, falta apenas uma mão.

Qualquer mão.

Um toque breve.

Um gesto sem importância para quem o faz.

Mas, para quem vive a solidão, qualquer um pode ser o toque que devolve, por um instante, a sensação de estar vivo.

Bonito é Amizade, por Rogério Loureiro Xavier

 


*Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.*


*"Bonito é Amizade"*


*Bonito são as coisas vindas do interior, as palavras simples, sinceras e significativas. Bonito é o sorriso que vem de dentro, o brilho dos olhos... Bonito é o dia de sol depois da noite chuvosa. Bonito é gostar da vida e viver do sonho. Bonito é o valor de uma amizade! Bonito é você ser você. Bonito é ter a sua Amizade!*


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

Kafé Kintal: onde o café encontra a arte, o barro e os saberes



Inaugurado em 18 de julho, no bairro Serramar, em Rio das Ostras, o Kafé Kintal começa a desenhar uma trajetória que vai muito além da xícara de café. Com identidade autêntica e acolhedora, o espaço nasceu para aproximar arte, leitura, convivência, cafés especiais e saberes que ganham forma pelas mãos.

Desde a abertura, o público vem sendo convidado a experimentar essa proposta. Na primeira vivência, o torno de oleiro foi o centro das atenções, conduzido pelo mestre artesão Daniel de Lima, do Ateliê Filhos do Barro. Com 37 anos dedicados à arte da cerâmica, Daniel transformou a demonstração em uma verdadeira aula sobre a delicadeza e a força escondidas em um simples pedaço de argila.

A segunda edição aprofundou essa experiência. Em uma vivência prática de cerâmica idealizada e realizada por Raysa Beiro, cinco participantes colocaram as mãos no barro e deram os primeiros contornos às próprias criações. Advogada e empreendedora social, Raysa atua como produtora cultural do Kafé Kintal e, simultaneamente, percorre seu próprio caminho de aprendizado como aluna do mestre Daniel.

O encontro ganhou ainda uma dimensão sensorial ao unir o fazer artesanal ao universo dos cafés especiais. Em parceria com a Love Dre Café, o barista e fundador da marca, André Gonzaga de Oliveira, preparou uma mesa especialmente para os participantes. A seleção de grãos e a degustação conduziram o grupo por uma experiência em que aromas, sabores, texturas e descobertas dialogaram com o ritmo paciente do trabalho manual.

É nessa confluência que reside a singularidade do Kafé Kintal: diferentes saberes se encontram para criar uma experiência única. De um lado, a tradição e a técnica de Daniel de Lima; de outro, o conhecimento de André Gonzaga sobre os cafés de excelência; entre ambos, a visão de Raysa Beiro, que aproxima arte, impacto social, cultura local e a própria descoberta do fazer artesanal.

O resultado das primeiras experiências foi tão expressivo que o Kafé Kintal decidiu transformar as oficinas em programação permanente. A casa passa, assim, a oferecer novas turmas de Cerâmica em Barro, Papel Machê e Formações em Cafés Especiais, consolidando-se como um espaço de convivência, criação e aprendizagem em Rio das Ostras.

As vagas são limitadas, justamente para preservar a atenção individualizada e a qualidade de cada experiência. As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas pelo WhatsApp (22) 98155-0209. A programação, os bastidores dos processos artísticos e as novidades do espaço podem ser acompanhados pelo Instagram @kafe_kintal, além dos perfis parceiros @filhosdobarro, @lovedrecafe, @raysabeiro e @souldregonzaga.

No Kafé Kintal, o café deixa de ser apenas bebida, o barro deixa de ser apenas matéria e o encontro deixa de ser apenas circunstância. Tudo se transforma em experiência, e, entre uma xícara, uma palavra e um punhado de argila, novas histórias começam a tomar forma.










Música Instrumental


 

15 de agosto: Empresas e Escolha do Rei e Rainha da Festa de Agosto Fazem Nascer uma Nova Emancipação em Bom Jesus

 


O lema tão importante da Secretaria de Educação, “Ler para Pertencer: Memórias que Inspiram o Futuro",  deveria ser estendido urgentemente a toda a sociedade bonjesuense. Afinal, antes de ler para pertencer, é preciso ler para aprender, inclusive a nossa própria História.

O que se viu em propagandas de empresas e até por ocasião da escolha do Rei e da Rainha da Festa de Agosto, foi a divulgação de uma informação rigorosamente falsa: a de que a emancipação política de Bom Jesus do Itabapoana teria ocorrido em 15 de agosto.

História também é cultura. E cultura merece um pouquinho mais de pesquisa e um pouquinho menos de improviso.

Para quem ainda não recebeu essa curiosa “nova versão” da nossa História: Bom Jesus teve sua primeira emancipação em 24 de dezembro de 1890 e a segunda em 1º de janeiro de 1939. Portanto, 15 de agosto pode ser muita coisa, dia de festa, devoção e celebração, mas não é a data da emancipação política do município.

E tem mais: a tradicional Festa de Agosto está ligada à tradição da Festa do Divino Espírito Santo, e não nasceu de uma emancipação política ocorrida, por algum passe de mágica, no dia 15 de agosto.

Bom Jesus merece todas as festas do mundo. Mas, pelo amor à nossa história, seria bom que, antes de inventarmos novas datas, consultássemos as antigas.

Uma coisa é comemorar; outra, bem diferente, é comemorar o que nunca aconteceu!

Assinatura de Nove Anos Celebra a Longevidade do Jornal O Norte Fluminense


 Nove anos de confiança, oitenta anos de história




Neste ano em que O Norte Fluminense completa 80 anos de existência, nossa publicação recebeu um presente que transcende qualquer valor material: um assinante bonjesuense que reside na Bahia renovou sua assinatura por nove anos.

O gesto, por si só, emociona. Mas seu significado vai muito além da dimensão econômica,  embora as assinaturas sejam, desde a fundação, um dos alicerces que permitem ao jornal continuar de pé. 

Há, nesse ato de confiança, uma declaração silenciosa e poderosa de apoio à nossa linha editorial e, sobretudo, um desejo concreto de que O Norte Fluminense siga vivo, firme e atuante, caminhando em direção ao seu centenário.

Há 80 anos, o jornal nasceu com a missão de registrar aquilo que muitas vezes passa despercebido aos grandes meios de comunicação. Somos, também, guardiões de memórias, histórias, personagens, tradições e manifestações culturais que ajudam a construir a identidade do nosso povo.

Acreditamos que registrar os grandes e pequenos acontecimentos que não encontram espaço na grande imprensa é também uma forma de resistência. Resistir ao esquecimento. Resistir à indiferença. E, sobretudo, manter acesa a chama da esperança. Por isso, os nove anos de assinatura representam muito mais que nove anos de jornal. Representam nove anos de confiança no futuro.

A esse assinante, nossa gratidão mais profunda. Seu gesto nos alcança como abraço e nos fortalece como compromisso. Ele nos diz que vale a pena continuar escrevendo, pesquisando, preservando e contando histórias.

Que venham os próximos anos. Que venham novas páginas, novas memórias e novos leitores. E que, quando O Norte Fluminense completar 100 anos, possamos olhar para trás e reconhecer, em gestos como este, algumas das sementes que ajudaram o jornal a atravessar o tempo.

Um jornal não vive apenas de tinta e papel.

Vive da confiança de seus leitores, da memória de seu povo e da esperança de um mundo mais culto, mais humano e mais consciente.

"Café com a Banda – Lira Operária Bonjesuense", por Maria Dolores Pimentel de Rezende

 


"Há tradições que transcendem o tempo e se transformam em preciosas páginas da nossa história. O Café com a Banda - Lira Operária Bonjesuense, oferecido pela querida Família Borges, é uma dessas celebrações que, com dignidade e beleza, completa 49 anos de tradição.

Na alvorada deste 15 de agosto, a emoção prossegue ao som do belíssimo Dobrado dos Borges, renovando memórias, fortalecendo laços e celebrando a cultura que nos identifica.

Minha profunda gratidão a Cristina Borges, suas irmãs e seus irmãos, por proporcionarem momentos tão singulares de encontros e reencontros, nos quais vivemos e revivemos emoções que permanecem para sempre em nossos corações.

Que essa admirável tradição continue a ecoar, geração após geração, como expressão de amor, união, cultura e pertencimento.

Muito obrigada por nos permitirem, mais uma vez, vivenciar essa emoção inigualável!"