sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Do Líbano aos Açores: Bom Jesus celebra seus filhos de coração

 

O açoriano Francisco Amaro Borba Gonçalves 

Dr. Márcio Pacheco, estudioso da vida e da obra do açoriano Padre Antônio Francisco de Mello, prepara o lançamento de um livro dedicado à trajetória e ao legado do ilustre sacerdote, em breve.



A açordescendente Alessandra Abreu

O libanês Merhige Hanna Saad e a esposa Alzira

Bom Jesus do Itabapoana pertence à categoria de cidades que aprenderam a agradecer. 

Nesta sexta-feira, 14 de agosto, às 17 horas, no auditório do Colégio Estadual Padre Mello, a Câmara Municipal de Bom Jesus do Itabapoana realiza uma sessão solene em comemoração à tradicional Festa de Agosto. A cerimônia reunirá memória, cultura e reconhecimento, com a outorga de Títulos de Cidadania, Diplomas de Honra ao Mérito e Medalhas Honoríficas a personalidades que, por suas trajetórias, ajudaram a escrever páginas importantes da história do município.

Entre as homenagens, há um traço especialmente bonito: a presença marcante da açorianidade.

Receberão o Título de Cidadão Bonjesuense o açoriano Francisco Amaro Borba Gonçalves, a açordescendente Alessandra Abreu e o Dr. Márcio de Lima Pacheco, estudioso da vida e da obra de Padre Antônio Francisco de Mello, o sacerdote açoriano cuja atuação se confunde com importantes capítulos do desenvolvimento de Bom Jesus.

Márcio Pacheco acrescentará, em breve, outra página a essa história ao lançar um livro dedicados a Padre Mello, resgatando a trajetória, o pensamento e a contribuição daquele pároco que deixou marcas profundas na formação cultural e social da cidade.

A solenidade, entretanto, ganha uma dimensão histórica ainda mais especial por uma coincidência que parece cuidadosamente desenhada pelo tempo.

Foi também em um 14 de agosto, há 76 anos, em 1950, que o libanês Merhige Hanna Saad recebeu o Título de Cidadão Bonjesuense.

A homenagem ocorreu durante o banquete de inauguração do Cine-Teatro Monte Líbano, empreendimento construído por Merhige e que se tornou um dos símbolos da vida cultural e econômica de Bom Jesus.

Naquele 14 de agosto de 1950, a cidade reconhecia como filho um homem nascido nas montanhas do Líbano que escolhera Bom Jesus como terra de trabalho, de sonhos e de construção. Hoje, em outro 14 de agosto, a cidade volta a repetir o gesto de gratidão, acolhendo como filhos de coração homens e mulheres ligados à cultura, à memória e às raízes açorianas.

A coincidência não é apenas uma data no calendário.

É como se a história estivesse dizendo que Bom Jesus sabe reconhecer aqueles que chegam de outras terras e, ao se integrarem à sua vida, passam também a construir a sua própria identidade.

Um título de cidadão não altera o mapa nem modifica as fronteiras do município. O que ele transforma é algo muito mais profundo: amplia o território da alma.

Faz nascer um vínculo que não depende do berço, mas do afeto; não da certidão de nascimento, mas da história construída com dedicação, trabalho e amor.

Quando uma comunidade acolhe como filho quem escolheu servi-la, ela escreve uma das mais belas páginas de sua própria biografia. É a gratidão vencendo o tempo. É a memória abraçando o mérito.

A sessão desta tarde será, portanto, mais do que uma cerimônia protocolar. Será um encontro entre passado e presente. Entre a memória de Padre Mello e a cultura que continua se fortalecendo. Entre a herança açoriana e a capacidade de Bom Jesus de acolher diferentes povos e trajetórias. Entre o Líbano de Merhige Hanna Saad e os Açores de Francisco Amaro Borba Gonçalves, Alessandra Abreu e Padre Mello.

Também merece reconhecimento o olhar sensível do vereador Clerinho da Soledade, que soube perceber que as cidades se engrandecem quando reverenciam aqueles que as engrandecem. Homenagear é um gesto de justiça. É dizer às novas gerações que o mérito existe, que o exemplo inspira e que a dedicação não passa despercebida.

A cidadania honorária não é apenas uma honraria. É um abraço oficial que a cidade oferece a quem, muito antes do diploma, já havia conquistado um lugar definitivo no coração de seu povo.

Essa é a maior beleza da Festa de Agosto deste ano: Bom Jesus não estará apenas celebrando sua tradição.

Estará celebrando aqueles que fizeram da tradição uma ponte para o futuro.

Uma cidade que aprende a agradecer não apenas preserva sua história.

Uma cidade que aprende a agradecer torna-se digna de ter uma história.

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