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| O açoriano Francisco Amaro Borba Gonçalves |
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| Dr. Márcio Pacheco, estudioso da vida e da obra do açoriano Padre Antônio Francisco de Mello, prepara o lançamento de um livro dedicado à trajetória e ao legado do ilustre sacerdote, em breve. |
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| A açordescendente Alessandra Abreu |
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| O libanês Merhige Hanna Saad e a esposa Alzira |
Bom Jesus do Itabapoana pertence à categoria de cidades que aprenderam a agradecer.
Nesta sexta-feira, 14 de agosto, às 17 horas, no auditório do Colégio Estadual Padre Mello, a Câmara Municipal de Bom Jesus do Itabapoana realiza uma sessão solene em comemoração à tradicional Festa de Agosto. A cerimônia reunirá memória, cultura e reconhecimento, com a outorga de Títulos de Cidadania, Diplomas de Honra ao Mérito e Medalhas Honoríficas a personalidades que, por suas trajetórias, ajudaram a escrever páginas importantes da história do município.
Entre as homenagens, há um traço especialmente bonito: a presença marcante da açorianidade.
Receberão o Título de Cidadão Bonjesuense o açoriano Francisco Amaro Borba Gonçalves, a açordescendente Alessandra Abreu e o Dr. Márcio de Lima Pacheco, estudioso da vida e da obra de Padre Antônio Francisco de Mello, o sacerdote açoriano cuja atuação se confunde com importantes capítulos do desenvolvimento de Bom Jesus.
Márcio Pacheco acrescentará, em breve, outra página a essa história ao lançar um livro dedicados a Padre Mello, resgatando a trajetória, o pensamento e a contribuição daquele pároco que deixou marcas profundas na formação cultural e social da cidade.
A solenidade, entretanto, ganha uma dimensão histórica ainda mais especial por uma coincidência que parece cuidadosamente desenhada pelo tempo.
Foi também em um 14 de agosto, há 76 anos, em 1950, que o libanês Merhige Hanna Saad recebeu o Título de Cidadão Bonjesuense.
A homenagem ocorreu durante o banquete de inauguração do Cine-Teatro Monte Líbano, empreendimento construído por Merhige e que se tornou um dos símbolos da vida cultural e econômica de Bom Jesus.
Naquele 14 de agosto de 1950, a cidade reconhecia como filho um homem nascido nas montanhas do Líbano que escolhera Bom Jesus como terra de trabalho, de sonhos e de construção. Hoje, em outro 14 de agosto, a cidade volta a repetir o gesto de gratidão, acolhendo como filhos de coração homens e mulheres ligados à cultura, à memória e às raízes açorianas.
A coincidência não é apenas uma data no calendário.
É como se a história estivesse dizendo que Bom Jesus sabe reconhecer aqueles que chegam de outras terras e, ao se integrarem à sua vida, passam também a construir a sua própria identidade.
Um título de cidadão não altera o mapa nem modifica as fronteiras do município. O que ele transforma é algo muito mais profundo: amplia o território da alma.
Faz nascer um vínculo que não depende do berço, mas do afeto; não da certidão de nascimento, mas da história construída com dedicação, trabalho e amor.
Quando uma comunidade acolhe como filho quem escolheu servi-la, ela escreve uma das mais belas páginas de sua própria biografia. É a gratidão vencendo o tempo. É a memória abraçando o mérito.
A sessão desta tarde será, portanto, mais do que uma cerimônia protocolar. Será um encontro entre passado e presente. Entre a memória de Padre Mello e a cultura que continua se fortalecendo. Entre a herança açoriana e a capacidade de Bom Jesus de acolher diferentes povos e trajetórias. Entre o Líbano de Merhige Hanna Saad e os Açores de Francisco Amaro Borba Gonçalves, Alessandra Abreu e Padre Mello.
Também merece reconhecimento o olhar sensível do vereador Clerinho da Soledade, que soube perceber que as cidades se engrandecem quando reverenciam aqueles que as engrandecem. Homenagear é um gesto de justiça. É dizer às novas gerações que o mérito existe, que o exemplo inspira e que a dedicação não passa despercebida.
A cidadania honorária não é apenas uma honraria. É um abraço oficial que a cidade oferece a quem, muito antes do diploma, já havia conquistado um lugar definitivo no coração de seu povo.
Essa é a maior beleza da Festa de Agosto deste ano: Bom Jesus não estará apenas celebrando sua tradição.
Estará celebrando aqueles que fizeram da tradição uma ponte para o futuro.
Uma cidade que aprende a agradecer não apenas preserva sua história.
Uma cidade que aprende a agradecer torna-se digna de ter uma história.




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