A Feira Literária de Pirapetinga foi muito mais do que um evento cultural. Para a equipe do CIEP Marlene Abib de Oliveira Fabri, de Varre-Sai, ela entrou para a coleção das aventuras que a escola nos proporciona.
Saímos às oito horas da manhã. Assim que entramos na kombi, Mazinho, nosso motorista, perguntou:
— Não poderíamos ir pelo asfalto?
Respondi com toda a certeza do mundo:
— Não. O caminho é por Arraial Novo.
Na verdade, na correria da véspera, nem tive tempo de conferir outra rota. O GPS indicava aquele caminho e eu já o conhecia de outras viagens para feiras literárias. Então seguimos confiantes.
Na kombi estávamos eu, como professora responsável, Carminha Nacif, nossa Orientadora Educacional, e as normalistas do 2º CN, a animada equipe amarela da FliPir/2026.
A estrada de chão era uma verdadeira costela de vaca e a kombi sacudia sem dó, mas as meninas nem percebiam. Cantavam, conversavam e riam nos bancos de trás, completamente envolvidas pela expectativa da gincana.
O desafio maior veio depois de Arraial Novo, quando começamos a descer a Serra da Vista Alegre. Carminha ficou tensa. Segurava a porta da kombi como quem se agarrava à própria tábua de salvação.
— Nossa! Olha o precipício lá embaixo!
Tentando distraí-la, eu dizia:
— Carminha, daqui dá até para ver Itaperuna, sua cidade!
Ela nem ligava para a paisagem. Continuava firme, segurando a porta.
Enquanto isso, as meninas permaneciam alheias ao perigo. Só pensavam na gincana. Mazinho, com a calma que lhe é característica, sorria discretamente e conduzia a kombi serra abaixo, sempre devagar, sem perder a tranquilidade.
Para distrair nossa pedagoga, eu puxava conversa:
— Como Varre-Sai é alto, não é? A gente só desce... desce... desce...
E realmente parecia que nunca mais chegaríamos. A estrada insistia em continuar morro abaixo. Até que, finalmente, avistamos Pirapetinga, distrito de Bom Jesus do Itabapoana. Foi um alívio coletivo.
A Feira Literária já estava montada e cheia de vida. Alunos, professores, escritores e amantes da leitura circulavam pelos estandes. Estavam presentes as equipes da E. M. Profª Iracema Seródio Boechat e da Escola M. João Catarina. A organização, impecável, ficou por conta da professora Anízia Pimentel e do Dr. Lauro Amaral.
Também encontramos escritores de toda a região, entre eles Lúcia Spadarotto, Sol Figueiredo, Cristiana Lima, Altair e Catiana. O vice-prefeito de Bom Jesus do Itabapoana, Sávio Almeida, deu as boas-vindas aos participantes com palavras carinhosas, ressaltando a importância da leitura como instrumento de transformação.
A gincana foi bastante disputada. Cada equipe deu o melhor de si e ao final, veio a surpresa: Varre-Sai conquistou o primeiro lugar.
As meninas receberam as medalhas de honra ao mérito e comemoraram com uma alegria contagiante. Em nome da equipe, Maria Fernanda fez um agradecimento que emocionou a todos. Disse que elas nunca viajaram pensando em vencer. O objetivo era participar, aprender, conhecer pessoas e viver aquela experiência. A vitória foi um presente inesperado, recebido com muita gratidão aos organizadores da FliPir e ao CIEP Marlene Abib de Oliveira Fabri, escola onde estudam.
Depois da emoção, veio um almoço delicioso, e para completar a festa, ainda teve bolo da FliPir. Mas nosso horário já estava apertado. Era hora de voltar. Desta vez seguimos por outro caminho: Barra de Pirapetinga, Calheiros, Rosal e Cruz da Ana.
Só que a aventura ainda não havia terminado. No caminho de volta, a kombi resolveu demonstrar seu cansaço. Nos morros ela quase parava. Subia bufando, fazendo um barulho danado, como se estivesse soltando fogos em homenagem à vitória das meninas. Quando chegamos ao morro do Monte Belo, ela foi naquele "vai... não vai..." até desistir de vez. Parou. Descemos todas e subimos o morro a pé. Carminha, já bastante cansada da aventura, teve sua salvação quando passou um carro de passeio. Pedi uma carona para ela até o cruzamento da Cruz da Ana. Enquanto isso, a kombi, agora mais leve, conseguiu vencer a subida. Entramos novamente e seguimos viagem. O motorista que levou Carminha não nos abandonou. Foi escoltando nossa kombi até Varre-Sai, pronto para ajudar caso surgisse qualquer outro imprevisto. Graças a Deus, tudo terminou bem.
Voltamos para casa cansadas, felizes, medalhadas e com mais uma história para contar. Porque, no fim das contas, ensinar também é isso. É atravessar estradas de chão, enfrentar serras, rir dos imprevistos, celebrar as vitórias e descobrir que, muitas vezes, as melhores páginas da educação são escritas fora da sala de aula. Mais uma aventura literária registrada no grande livro das nossas caminhadas pela Educação.
Isabel Menezes, professora e historiadora de Varre-Sai.
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Onde mora o conhecimento, a ignorância não resiste 📕📚
ResponderExcluir*Parabéns Bom Jesus do Itabapoana / RJ pelos maravilhosos eventos:*
ResponderExcluir*"V Fli de Pirapetinga 2026"*
*"Em se tratando de "Artes Culturais" a poesia transluz horizontes palpáveis de sabedorias eternas."* RLX