Na grande vitrine das cidades capixabas, onde cada município levou suas cores, sabores e memórias para a Feira dos Municípios do Espírito Santo, um detalhe chamou a atenção de quem observa os rastros deixados depois da festa.
Enquanto as luzes se apagavam lentamente nos corredores da feira e os estandes se transformavam em lembranças, foi Apiacá quem decidiu guardar o instante. No meio de fotografias, registros e publicações, o município fez questão de marcar sua presença, como quem escreve o próprio nome na areia antes que a maré do tempo avance.
Não se trata apenas de divulgar um evento. Há, nesse gesto simples, algo de simbólico. Registrar é afirmar que se esteve presente. É transformar a passagem em memória. É dizer aos moradores, aos visitantes e às futuras gerações: “Nós estivemos aqui.”
Bom Jesus do Norte e São José do Calçado certamente também fizeram parte da celebração das identidades capixabas, contribuindo com suas histórias, tradições e riquezas culturais. Mas, no universo veloz das redes sociais, onde a lembrança muitas vezes depende de um clique, foi Apiacá quem escolheu conservar a imagem da própria participação.
Talvez porque as cidades, assim como as pessoas, necessitem contar suas histórias para não serem esquecidas. E toda cidade que aprende a narrar a si mesma descobre que sua maior riqueza não está apenas nas obras, nas festas ou nos números, mas na capacidade de transformar acontecimentos em memória coletiva.
Naquela feira, entre tantos encontros e celebrações, Apiacá parece ter compreendido isso: participar é importante; registrar é permanecer.