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| Antônio Bendia |
Há momentos em que a história de uma cidade parece sair dos livros e voltar a caminhar entre nós. Foi assim no Sítio Benedito dos Santos, antigo Sítio Rio Preto, em Calheiros, no dia 7 de agosto, onde a memória dos governadores Roberto e Badger Silveira reuniu gerações para celebrar os dez anos de criação do Memorial dedicado aos dois irmãos que fizeram de Bom Jesus do Itabapoana um nome de dimensão histórica na política fluminense.
Foi nesse cenário, entre a emoção das lembranças e a sombra generosa da antiga mangueira, que uma afirmação de Antônio Bendia de Oliveira ganhou especial força e significado: Bom Jesus não deu dois governadores ao Estado do Rio de Janeiro. Deu três.
Criminalista e personagem histórico de nossa cidade, Antônio Bendia nasceu em 3 de janeiro de 1945, em Monte Azul, distrito de Rosal, filho de Mário Gomes de Oliveira, de Rosal, e de Alzira Bendia de Oliveira, de Varre-Sai. Testemunha de acontecimentos que hoje pertencem à memória política do país, Bendia resgatou uma passagem que permanece viva entre aqueles que a testemunharam.
Ele recordou que, em 1982, quando Leonel Brizola retornava ao cenário político brasileiro após quinze anos de exílio e se preparava para disputar o Governo do Estado do Rio de Janeiro, fez questão de vir a Bom Jesus do Itabapoana. Aqui, junto ao busto de seu amigo pessoal, o governador Roberto Silveira, depositou flores e pronunciou um discurso, lançando simbolicamente, em nossa cidade, sua vitoriosa caminhada rumo às eleições de 1982.
Bendia estava lá.
Foi um daqueles acontecimentos que o tempo não consegue apagar. Ao lado de Brizola, participaram daquele encontro figuras que marcariam a política brasileira, entre elas os então candidatos a deputado federal Caó e Mário Juruna. Para quem viveu aquele dia, a cena permanece como uma fotografia política de uma época em que a história parecia acontecer diante dos olhos.
E foi justamente ao recordar aquele episódio que Antônio Bendia lançou sua frase, simples na forma, mas monumental em significado:
“Bom Jesus não deu dois governadores ao Estado do Rio de Janeiro. Deu três.”
Roberto Silveira e Badger Silveira nasceram, brincaram e cresceram naquele chão. Brizola, embora não tenha nascido em Bom Jesus, teve sua trajetória política profundamente ligada à cidade e, sobretudo, à memória de Roberto Silveira, seu amigo e companheiro de lutas.
A frase de Bendia, portanto, não é apenas uma provocação histórica. É uma maneira de compreender a dimensão simbólica de Bom Jesus na trajetória política fluminense: uma terra que acolheu, inspirou e marcou profundamente três homens que chegaram ao mais alto posto do Governo do Estado do Rio de Janeiro.
A história, entretanto, também foi severa com os irmãos Silveira. Roberto morreu tragicamente em um acidente de helicóptero, em 1961, numa comoção que atingiu todo o país. Badger, anos mais tarde, teve sua trajetória política interrompida pela cassação imposta pela ditadura militar instaurada em 1964.
Hoje, o antigo sítio onde os dois irmãos viveram a infância guarda essa memória. O que um dia foi quintal de meninos tornou-se lugar de peregrinação histórica. Sob as árvores que testemunharam outras épocas, a cidade reencontra seus personagens e transforma lembrança em patrimônio.
A celebração dos dez anos do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira, iniciativa da Associação dos Amigos do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira, foi também uma celebração da própria memória bonjesuense. O evento contou com o lançamento da publicação sobre a trajetória política de Roberto Silveira, produzida pelo Centro de Memória Trabalhista (CMT), com trabalho de Daniel Abramo e edição de Henrique Mattiesen e Karina Krivellani.
O prefeito Paulo Sérgio Cyrillo prestigiou a solenidade, acompanhado pelo secretário municipal de Cultura e Turismo, José Geraldo. Representando as famílias dos governadores, estiveram presentes Dora Silveira, filha de Roberto, e Badger Silveira Filho, que também emocionaram o público com seus depoimentos.
Mas, entre tantas vozes, a de Antônio Bendia ficou ecoando como uma espécie de chave para compreender aquela manhã.
Bom Jesus deu três governadores ao Rio de Janeiro.
A frase precisa ser lida menos como uma simples afirmação política e mais como uma homenagem à força histórica desta pequena cidade. Há lugares que são grandes pelo tamanho de seus mapas; outros, pela grandeza das histórias que nasceram em seu chão.
E Bom Jesus é assim.
Sob a mesma mangueira, no meio da memória dos meninos Roberto e Badger e a lembrança de Brizola, a história voltou a falar. E, dessa vez, falou pela voz de Antônio Bendia.
Em Bom Jesus, Brizola transformou memória de Roberto Silveira em ponto de partida que o levaria ao Governo do Estado: matéria do jornal O Fluminense de 17/04/1982 (conferir ao final)
Brizola inicia campanha ao Governo
O ex-Governador Leonel Brizola iniciou ontem, pelo interior fluminense, a sua campanha para o Governo do Estado, apresentando como novidade a presença, em sua comitiva, do Senador Saturnino Braga, que deixara oficialmente o PMDB em maio e ingressara no PDT para concorrer à reeleição.
Brizola esteve ontem em Santo Antônio de Pádua, Miracema, Laje do Muriaé, Itaperuna, chegando à noite a Bom Jesus do Itabapoana, onde pernoitou para fazer, hoje, um grande comício na praça central da cidade, o primeiro de sua campanha. Com ele estavam, entre outros, os Deputados federais José Maurício e José Frejat.
Antes de partir para o circuito do Norte fluminense, na manhã de ontem, o ex-Governador Leonel Brizola disse que a escolha de Bom Jesus do Itabapoana para o lançamento de sua candidatura ao Governo do Estado se deve ao fato de aquela cidade ter sido um dos principais redutos do trabalhismo no antigo Estado do Rio de Janeiro, dali partindo as candidaturas vitoriosas dos verdadeiros trabalhistas.
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| Publicação de O Fluminense, de 1ºde abril de 1982, anunciava a vinda de Leonel Brizola a Bom Jesus do Itabapoana |
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| O Fluminense, de 17/04/1982 |
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| Publicação histórica do Centro de Memória Trabalhista |












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