segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Onde o Itabapoana Guarda o Tempo: A Festa de Agosto e a 63ª Expocavil

 


Há no ar de agosto uma seiva mansa que desce pelas encostas do Noroeste Fluminense e desperta a alma de Bom Jesus do Itabapoana. É o vento que traz o cheiro da terra revolvida, o eco distante de passos apressados na praça e a certeza irrevogável de que a cidade se veste, outra vez, com os fios dourados da própria história. Ao fundo, altaneira e guardiã, desenha-se a silhueta da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, testemunha silenciosa das eras que se sucedem e dos corações que aqui aportam.

​Na cadência mansa dos dias, o mês de agosto avança trazendo consigo o palpitar da 63ª Expocavil, aninhada na tradicional Festa de Agosto de 2026. É o tempo em que o Parque de Exposições da Cavil se transforma no ponto de encontro de memórias e esperanças. Ali, entre o rufar de tambores invisíveis e o sorriso cúmplice de quem reconhece o vizinho de infância, a cidade celebra a sua lavoura, o seu gado, o suor de sua gente e a persistência de suas raízes.

​O convite que corre de mão em mão, assinado pelas autoridades municipais mas subscrito pela própria tradição, anuncia para a quarta-feira, 12 de agosto, às 18h, o ritual de abertura oficial. Mas quem habita o território da poesia sabe que a festa começa muito antes: ela habita a expectativa dos corações, o preparo dos pratos que resgatam o sabor da terra e o calor das conversas que desafiam o esquecimento.

​É um lirismo rústico e terno. Nele, o passado e o presente dão as mãos sob o céu clarinho de agosto, enquanto o Itabapoana segue correndo, levando consigo as histórias de um povo que sabe, como ninguém, transformar a lida diária em celebração e afeto.


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