domingo, 16 de agosto de 2026

Uma história de vida

 

Maria Izabel Monteiro 

Uma noite, inda menina, acordei com o bailar costumeiro das Musas do Parnaso, em nossa casa  onde se respirava poesia.

Todos ainda dormiam, só eu, inquieta como sempre, estava bem acordada, esperando o dia amanhecer para levantar.

As Musas, meio loucas, iam de um lado a outro, enchendo de versos as paredes, os cantos e eu tentando aprender o que as Musas queriam ensinar.

Nesta noite, compreendi que eu estava sempre enredada no brilho dos versos. Jamais escaparia desta necessidade de criar, de cantar o meu canto, mesmo que eu fosse pobre de poetizar, porque jamais aprendi contar um verso. Ali estava selado o meu destino. Eu haveria de escrever, criaria muitos personagens (com que facilidade eles surgiam!!!), criaria histórias e histórias e versaria sempre.

Nesta casa rica de poemas, a menina pobre e serelepe, sabia que seu destino estava traçado e de nada adiantaria tentar fugir, como também não conseguiu a outra menina, linda e criadora de versos mais lindos e ricos...

Aí, ainda estou por aqui, rabiscando versos, criando histórias, contando casos, inventando personagens. Uma hora, uma estrela, noutra uma bruxinha bem brasileira, um fantasminha levado da breca, um indiozinho goitacá, uma gota d'água e outros e outros e ainda uns versos de perna quebrada, que fariam tremer o pai, esse poeta-mor, o poeta Athos Fernandes, com versos e rimas tão ricas...

E assim vivo eu, a menina, a moça, a jovem, a mulher do interior de uma cidade tão rica, Bom Jesus do Itabapoana, e cujos muitos filhos estão aí, brilhando vitoriosos em vários áreas do saber!!!

Dizem que cavaco não cai longe do pau ou quem sai aos seus não degeneram.

Acho essas frases muito feias, mas trazem uma verdade que não se pode negar. 

Eu e minha irmã Neumar saímos ao nosso pai. 

Minhas filhas Lenise e Bárbara são autoras de livros. Minha neta Luiza toca várias instrumentos e tem até uma banda que toca rock e tudo nos Estados Unidos. O João Vitor, neto da Neumar, toca vários instrumentos e é um show. Paulo de Tarso também toca violão e o filho dele, Daniel, canta e encanta. O Diogo faz lindas esculturas. Outros virão por aí, certamente.

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