Não houve o barulho frenético dos tamborins cariocas, nem o brilho ofuscante dos paetês da Sapucaí. Mas, sob a batuta da Secretaria de Educação, comandada por Monica Amil, e com o apoio visionário de Pedro Salim, a Praça Governador Portela transformou-se, no dia 15 de agosto, em um autêntico sambódromo da alma. Ali, a avenida não foi feita de asfalto, mas de memória, identidade e uma emoção coletiva que transbordou dos corações.
Com o tema “Ler para Pertencer: Histórias que Inspiram o Futuro”, que percorreu os distritos como uma chama viva, o desfile cívico-militar culminou em uma apoteose de autoafirmação. A locução inconfundível de Isac Nascimento conduziu a nossa história, dando voz e ritmo a cada ala, que desfilava como um verdadeiro carro alegórico feito de afeto e legado. Danielly e Pedrinho comandaram a apresentação artística.
A avenida vibrava a cada símbolo que passava: a honra do Tiro de Guerra 01-001, dos Ex-Atiradores, da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e da Guarda Municipal, abrindo caminho; a energia da Ordem DeMolay; o capricho da EM Sebastião Pimentel; e a emoção contagiante da APAE (EM Dr. Cid Bastos), com sua banda.
O espetáculo seguia revelando tesouros da terra: o carro sobre o Egito, do CMEI Nair Fassbender; os marinheiros e as âncoras da EM Dr. Francisco, exaltando a sabedoria viva do ex-prefeito Álvaro Moreira, aos 99 anos.
O piano e o carro da música do CMEI Amélia Seródio celebraram o aclamado Thadeu Almeida. Em Thadeu de Moraes Almeida, Bom Jesus do Itabapoana reconhece um de seus mais luminosos filhos da música: pianista, organista, cravista, regente e musicólogo, que começou a estudar piano aos 12 anos, na JEMAJ Musical. Bacharel em Piano e mestre em Música pela UFRJ, sua mais bela sinfonia é aquela que retorna à terra natal: fundador da Escola de Música MusicArt, ensinando aos novos talentos que a música, quando nasce do coração de uma cidade, nunca termina, apenas muda de mãos, de vozes e de sonhos.
O desfile continuou com a velocidade de “The Flash”, com o atleta Wilson, na EM José Bonifácio; e com a ternura do carro do coelho, no CMEI Tia Detinha, reverenciando o querido comerciante Pedro Braga. A narrativa continuava costurando a alma da comunidade: os anjos com velas da EM Olívio Bastos, conduzidos pela aplaudida enfermeira Maria das Dores; e o imponente carro do leão, no CMEI João Pires, com Ângelo Felipe.
A apresentação prosseguiu com a palpitante ala do Café do Jacó, de Estanislao Kotska, cujo cultivo centenário e a conquista do primeiro lugar na categoria via seca do V Concurso de Cafés Especiais do Estado do Rio de Janeiro, em 2021, foram celebrados pela EM Otília Vieira. Vieram, depois, o Jubileu de Prata do Colégio Santa Rita, coroando o Padre Vicente; o delicado carro da abelha, no CMEI Criança Feliz, com Carla Viceconte; a grandiosa ala dos romanos, do Colégio Batista, com Ademir Paulo Pimentel; e a magia de Walt Disney, na EM Anacleto, com o renomado fotógrafo Humberto Boniolo.
Em seguida, veio o desfile de “Terra Nostra”, do CMEI Tia Ângela, reverenciando o consagrado cenógrafo Raul Travassos, da TV Globo. Travassos ajudou a dar forma visual à teledramaturgia brasileira, com 28 novelas em sua trajetória. O carro alegórico sobre Terra Nostra levou às telas a saga da imigração italiana. A cenografia de Travassos construiu uma verdadeira arquitetura de sonhos, marcada pela beleza e pela memória. Agora, essa história voltou às ruas, como um fragmento luminoso da história da televisão brasileira desfilando, assim, diante do público.
Vieram, então, os ares pioneiros de Santos Dumont, na EM Mariquinha Batista, com Sandra Bulhões; e o encanto do carro do Japão, no CMEI Tia Belinha, com Willy Moreira. A festa ainda abraçou a vitalidade da UNAPI 60+ (UNIFAMESC); a cadência contagiante da Banda Fanfarra Cecy Brandão, de Pirapetinga; o civismo da SALT e do Rotary; a força musical da Banda Charles Maia; e o desfecho impecável da Equipe da Secretaria Municipal de Educação.
Nem mesmo a chuva, que se atreveu a cair por instantes, como se quisesse abençoar a passagem do povo, foi capaz de esmorecer a multidão. E, quando a imponente Banda Marcial Charles Maia, de São Fidélis, encerrou o desfile de modo magistral, sua cadência soou como um abraço sinfônico, fazendo a cidade inteira se levantar sob intensos aplausos.
Não foi apenas um desfile cívico-militar. Foi o encontro soberano de Bom Jesus do Itabapoana com o seu próprio espelho, uma cidade que, nessa tarde, brilhou mais forte do que qualquer passarela do mundo.
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