Assinar um Jornal é Também Assinar a História
O jornal O Norte Fluminense recebe também cartas que chegam trazendo mais do que palavras. Chegam carregadas de tempo, de lembranças e de uma espécie de amizade silenciosa que se constrói página após página, mês após mês. A carta de Aristídes de Azevedo Raggi, enviada de Ipanema, em Minas Gerais, é uma dessas pequenas preciosidades que o correio entrega ao coração.
Junto dela, um cheque para renovar a assinatura de O Norte Fluminense. Um gesto aparentemente simples, mas que, para um jornal que atravessou oito décadas contando a história de sua gente, possui um significado imenso. Aristídes não está apenas renovando uma assinatura: está reafirmando uma fidelidade.
Ele próprio se define como um apaixonado por História. E é justamente por isso que encontra nas páginas do jornal algo que vai além da notícia. Encontra a memória.
Quando escreve que O Norte Fluminense lhe proporciona, todos os meses, um “banho de nostalgia”, ele traduz, com rara delicadeza, uma das missões mais bonitas de um jornal regional: impedir que o passado desapareça:
"E... já lhes disse; "eu sou um apaixonado por 'História'". E "O Norte Fluminense", todo mês, nos dá um "banho" de nostalgia, falando e contando histórias sobre os grandes homens de Bom Jesus, no passado, e focalizando numerosas famílias que habitaram por aí, no Vale do Itabapoana e adjacências. Portanto, é com muito gosto que recebo por aqui, todo mês, o nosso "O Norte Fluminense". Continuem, sempre, nesta linha, e eu serei sempre um leitor fiel de vocês".
Nas páginas de um jornal, os nomes dos antigos moradores deixam de ser apenas nomes. As famílias ressurgem, as ruas recuperam suas vozes, os homens públicos voltam a caminhar pelas praças, os clubes reabrem suas portas e as histórias que pareciam condenadas ao esquecimento encontram novamente seus leitores.
É bonito perceber que essa memória atravessa fronteiras. De Bom Jesus do Itabapoana ao interior de Minas Gerais, o jornal continua chegando às mãos de quem reconhece naquele papel impresso um pedaço de sua própria história.
E Aristídes ainda nos lança um desafio: contar a história do futebol antigo de Bom Jesus, especialmente a rivalidade entre o Olympico e o Ordem e Progresso. É uma sugestão que carrega outra forma de memória, aquela feita de domingos, arquibancadas, camisas, gols, craques e paixões.
Uma cidade também se escreve pelos seus times. Há uma história que não está nos livros, mas permanece na lembrança daqueles que viram um drible, comemoraram um gol ou atravessaram a cidade para assistir ao grande clássico.
“Bom Jesus já teve ouro, grandes craques, hein?”, pergunta Aristídes, como quem abre uma janela para o passado.
Sim, Aristídes. E é justamente essa a beleza de tudo: ainda há muito a contar.
Sua carta nos lembra que um jornal não vive apenas de notícias. Vive também de memória, de pertencimento e, sobretudo, de leitores.
Leitores como o senhor, que renovam a assinatura e, ao mesmo tempo, renovam um pacto com a história.
De Ipanema, Minas Gerais, veio um cheque.
Mas o que chegou à redação foi muito maior: um gesto de confiança, uma declaração de amor à memória e a certeza de que, quando há leitores assim, a história continuará encontrando quem a escute.

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