O Poder Anônimo por Trás das Ideias Globais
Trump assinou um memorando. Uma canetada seca, quase burocrática, e os Estados Unidos se afastam de dezenas de organizações internacionais que, segundo ele, já não respondem aos seus interesses. Saem fóruns, saem conselhos, saem mesas. Entre eles, organizações da ONU que falam em reparações globais pelo colonialismo e o Fórum Global sobre Migração e Desenvolvimento. O gesto político, ruidoso para alguns, silencioso para muitos, acaba revelando algo maior do que a manchete sugere.
Vem à tona uma realidade que a maioria das pessoas desconhece: há engrenagens invisíveis girando acima do nosso cotidiano, deliberando sobre ideias, conceitos e direções que, mais cedo ou mais tarde, escorrem até a vida comum. Nós, cá embaixo, seguimos acreditando que as novas ideias nascem espontâneas, como flores no asfalto, ou que surgem de um raciocínio lógico e inevitável. Mas raramente perguntamos: quem semeou o terreno?
Há dezenas de organizações internacionais e Fóruns Globais discutindo temas que moldam o presente e desenham o futuro. Migração, linguagem, justiça histórica, economia, clima, identidade. Deliberam em salas fechadas, com documentos extensos, resoluções elegantes e vocabulário cuidadosamente escolhido. No entanto, os nomes das pessoas, das fundações e das entidades que sustentam economicamente essas estruturas permanecem, em grande parte, fora do alcance do olhar popular.
Compreender as forças que agem ao nosso redor não é tarefa fácil. Elas não vestem uniforme, não marcham em fila, não anunciam seus passos em praça pública. Agem como vento: não se vê, mas se sente. E quando damos conta, algo já mudou, uma palavra foi abolida, outra se tornou obrigatória; uma ideia antes estranha agora soa óbvia.
É como o velho ditado reinventado: quando vemos um jabuti em cima da árvore, temos a certeza de que alguém o colocou lá. Jabutis não sobem sozinhos. Mas quase nunca sabemos quem foi o autor da façanha, quem carregou o peso, quem escolheu a árvore, nem por quê. Apenas nos resta o espanto diante do improvável que, de tanto permanecer, passa a parecer natural.
Talvez a crônica do nosso tempo seja essa: viver cercado por árvores cheias de jabutis e discutir o animal, a árvore ou a paisagem, sem jamais olhar para as mãos invisíveis que fizeram a escalada.

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