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| Asafe, 15 anos, ao lado de seu antigo mestre, o maestro Nilo Rodrigues |
Há cinco anos, os passos ainda eram pequenos, mas já seguiam o compasso da música. Asafe de Souza Aureliano era apenas uma criança quando encontrou, nas mãos firmes e generosas do maestro Nilo Rodrigues, os primeiros acordes de um caminho que viria a ecoar muito além das paredes da Lira Operária Bonjesuense.
Foi o olhar atento do pai, Luis Fernando Rodrigues Aureliano, que primeiro reconheceu na cultura uma semente de futuro. Levou Asafe e as filhas, Lavynnia Aureliano e Emily Aureliano, para onde a música não é apenas ensinada, mas vivida. Ali, no meio de partituras e sonhos, cada um encontrou sua voz: o saxofone para Asafe, a clarineta para as irmãs.
O tempo, silencioso maestro, tratou de amadurecer talentos. Hoje, os três irmãos integram a Orquestra Sinfônica do Vale do Itabapoana, levando consigo não apenas técnica, mas memória, a memória de onde tudo começou.
Recentemente, o saxofone de Asafe silenciou por necessidade: precisava de reparo. E, como se a própria história se encarregasse de manter seus laços, o instrumento encontrou as mãos certas: Eliton de Souza Polverini, conhecido como Eto e Muchacho. Filho de criação do maestro Nilo, herdeiro de sua dedicação e talento, e reconhecido como um dos grandes saxofonistas do país, o “Rei do Sax”. Não foi apenas um conserto; foi um gesto de cuidado, quase um reencontro entre gerações.
No dia 21 de março, Asafe retornou à Lira para buscar seu instrumento. E ali, no meio de paredes que guardam ecos de tantas histórias, reencontrou o mestre que lhe ensinou as primeiras notas. O maestro não o reconheceu de imediato, o tempo havia feito seu trabalho. Mas, ao saber quem era aquele jovem, deixou que a emoção falasse mais alto: lembrava-se de ter ensinado centenas de crianças e jovens, mas ali estava uma prova viva de que a música permanece.
O registro feito pelo jornal O Norte Fluminense eternizou o momento. Mas a fotografia capturou mais do que rostos, revelou histórias entrelaçadas: a de um pai que acreditou na cultura, a de filhos que aprenderam não apenas a tocar, mas a amar a música; a de um mestre que dedicou a vida ao ensino; a de um discípulo, Éliton, que se tornou referência; a de uma instituição que resiste no tempo.
E, entre todas elas, a história simples e profunda de um saxofone, que, mais uma vez, encontrou sua voz.




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