quinta-feira, 2 de julho de 2026

Viva a Lira 14 de Julho!

 

​O tempo, esse mestre invisível, costuma passar apressado pelas esquinas do mundo. Mas há lugares onde ele decide desacelerar, sentar-se no banco da praça e escutar. Em Rosal, quando o calendário marca o dia 11 de julho, o tempo não apenas para; ele se transforma em melodia.

​Cento e quatro anos não são feitos de dias, mas de acordes. São mais de dez décadas costurando gerações através do metal polido dos trompetes, do som aveludado das tubas e do canto madrugador dos clarinetes. A Lira 14 de Julho carrega em sua bagagem uma história que pertence a todos e a ninguém em específico, é a trilha sonora coletiva de uma comunidade.

​Olhar para o coreto em um dia de Encontro de Bandas é testemunhar um milagre secular. Rostos jovens, cheios de frescor, dividem a mesma partitura com veteranos cujas mãos calejadas guardam a memória de incontáveis retretas. Quando os convidados chegam, as liras irmãs de Varre-Sai, Guaçuí, Alto Jequitibá e São Francisco do Glória, o ar ganha um peso festivo. Não há competição, há comunhão. É o abraço da música que une geografias distantes pelo mesmo sopro de amizade.

​A partir das 15 horas, o silêncio da tarde cede lugar à explosão da harmonia. O som que ecoa não é apenas técnico; é afetivo. É a persistência da tradição que se recusa a morrer em um mundo que tudo digitaliza. Viva a Lira 14 de Julho, que há mais de um século prova que o coração humano ainda bate no ritmo compassado de uma grande banda de música.


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