Há datas em que o calendário parece abrir um portal para o impossível. No dia 3 de maio, o Espaço Cultural Luciano Bastos não foi apenas um prédio; foi um casulo onde a memória bonjesuense rompeu o silêncio para cantar. Celebrava-se o nascimento de Elcio Xavier, o Príncipe dos Poetas, mas a poesia ali presente não estava apenas escrita em papéis amarelados, ela respirava, soprava metais e palpitava no coração de uma comunidade que se recusou a esquecer.
O que se viu foi a tradução lírica da resiliência. A Sociedade Musical da Usina Santa Maria, que por anos dormiu o sono profundo da inatividade, despertou. Sob o olhar zeloso de Maria de Lourdes de Sá e a sensível e precisa batuta do Maestro Alessandro Azevedo, cuja maestria conduz a arte com elegância, rigor e profunda inspiração, a música fluiu novamente. Ver as mãos pequenas de crianças e a energia dos jovens empunhando instrumentos é a prova de que a esperança é uma partitura que se escreve em conjunto. Quando uma sociedade se une, o silêncio se retira, envergonhado, dando lugar a uma harmonia que nenhum tempo pode apagar.
Entre os presentes, a figura de Jorge Roberto de Almeida, o Betinho Milão, erguia-se como um monumento à fé. Ele, que olhou para os escombros do Teatro Cinema Conchita de Moraes em 2016 e não viu o fim, mas um recomeço. Enquanto muitos sentenciaram a morte do teatro sob o peso do teto desabado, Betinho acreditou no "impossível". E o impossível, intimidado por tamanha liderança e união, rendeu-se. O teatro hoje é pedra sobre pedra, sonho sobre sonho.
Ao lado deles, Eva Rosângela da Silva, com a força silenciosa de quem caminha junto a Paulo César Vitorino de Sá, presidente da Associação de Moradores, personificava o resgate da identidade da Usina Santa Maria. Ali, a Associação não é apenas um registro burocrático; é um guardião de histórias, um operário da cultura que não deixa o passado se perder na poeira dos engenhos.
A homenagem de Honra e Louvor entregue naquela noite foi, em verdade, um reconhecimento da "Poesia Viva". Pois se Elcio Xavier imortalizou Bom Jesus com palavras, esses homens e mulheres a imortalizam com gestos.
O Dia da Poesia Bonjesuense provou que a arte mais refinada é aquela que nasce do esforço coletivo. A música da Usina Santa Maria voltou a tocar, o teatro voltou a de pé, e o povo bonjesuense mostrou que, quando o amor pela terra rege a orquestra, até o que estava quebrado volta a brilhar com o esplendor da primeira vez.




















Parabéns. Grande evento.
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