Quem passa pelos caminhos discretos que emolduram o Sítio Açoriano, em Bom Jesus do Itabapoana, há de notar que a estrada não é apenas poeira, asfalto ou o verde que teima em abraçar as cercas de arame. Há ali um diálogo silencioso, escrito em metal, madeira e memórias, guardado sob o céu do interior fluminense. Como podemos ver, a história se faz presente na calmaria da paisagem.
À margem do caminho, uma das placas se levanta para saudar o viajante. "Bem-vindo a Bom Jesus do Itabapoana", diz ela, com a hospitalidade típica de quem tem a alma moldada pela partilha. Mas não é um convite comum. A placa traz consigo o peso nobre e orgulhoso de uma identidade: "Terra de Dois Governadores: Roberto e Badger Silveira Vivem!". Na fotografia em preto e branco contida no painel, o tempo parece congelar no sorriso cúmplice dos dois irmãos que saíram destas terras para desenhar os rumos do Estado do Rio de Janeiro.
Logo abaixo, a inscrição discreta revela que aquele pedaço de chão é mais que uma propriedade; é um santuário de lembranças: Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira, fundado em 7 de agosto de 2016. Há também o registro de uma herança antiga e transatlântica na presença mansa do açoriano Francisco Amaro Borba Gonçalves, cujo rosto em uma das imagens conecta esse recanto fluminense às ilhas distantes de além-mar. A frase gravada na base ecoa como um canto de pertencimento: "Não escolhi ser açoriano, foi a honra das minhas origens que me escolheu".
A jornada continua, as rodas giram e, poucos metros adiante, a paisagem se despede. A outra placa cumpre o papel inverso, aquele nó na garganta de quem vai embora. Ela avisa que você está deixando Bom Jesus do Itabapoana, deixando para trás a brisa do rio, as histórias de poder e de afeto, e o eco desses homens que se transformaram em monumentos da própria terra.
Essas duas placas, hoje fixadas no Sítio Açoriano em decorrência da proximidade das comemorações dos 10 anos de fundação do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira, funcionam como os dois batimentos de um mesmo coração:
O primeiro batimento é a chegada, o abraço da história, o convite para entender que cada palmo desse chão gerou liderança e manteve vivas as raízes açorianas.
O segundo batimento é a partida, a saudade que já começa a se desenhar no retrovisor, levando o viajante a refletir sobre a força de um lugar que sabe exatamente de onde veio e quem o construiu.
No meio do "bem-vindo" e o "até breve", o Sítio Açoriano permanece ali, estático e eterno, como um guardião de ferro e poesia na beira da estrada.




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