Jornal fundado por Ésio Martins Bastos em 25 de dezembro de 1946 e dirigido por Luciano Augusto Bastos no período 2003-2011. E-mail: onortefluminense@hotmail.com
sábado, 14 de junho de 2014
POR QUE SILENCIA A DIREÇÃO DO ORDEM E PROGRESSO F.C.?
No dia 15 de maio passado, por ocasião da abertura da Exposição Memórias do Nosso Futebo: 100 anos do Olympico F.C. e Ordem e Progresso F.C., no ECLB, seus presidentes Jonildo Belizário e João Carlos Catharina, respectivamente, foram suscitados a recuperarem a tradição de rivalidade entre as agremiações, através de duas partidas por ocasião da próxima Festa de Agosto.
Com efeito, o confronto entre Olympico FC e Ordem e Progresso FC (ou do Ordem e Progresso F.C e do Olympico FC) constitui uma das grandes tradições de nossa região que, com o declínio dos clubes, acabou restrita apenas na memória dos que a vivenciaram no passado.
Jonildo Belizário aceitou imediatamente a proposta e afirmou que o clube possui as categorias de 11, 13, 15 e 17 anos à disposição para as partidas, enquanto João Carlos Catharina afirmou que a decisão caberia ao diretor de futebol da agremiação.
Posteriormente, um associado do Ordem e Progresso procurou O Norte Fluminense informando que os jogos não ocorreriam, porque haveria "pessoas da direção que têm medo do Olympico".
Passados quase dois meses da mencionada suscitação, esperava-se que a direção do Ordem e Progresso F.C. viesse a público dar uma definição sobre seu posicionamento, mesmo que a resposta fosse negativa.
Afinal, a suscitação para o confronto foi feita publicamente, filmada e registrada, assim como a manifestação de João Carlos Catharina de que a definição caberia ao diretor de futebol.
A opção pelo silêncio por parte da diretoria do Ordem e Progresso FC não é a melhor alternativa, até porque se trata de dar uma resposta a uma questão singela: sim ou não.
Ou seremos levados a crer que um mero "sim" ou um mero"não" para um questionamento tão simples poderia ser perigoso para o Ordem e Progresso FC (ou para sua diretoria)?
sexta-feira, 13 de junho de 2014
PEZÃO E BRANCA MOTTA SOMAM FORÇAS MILIONÁRIAS VISANDO O VOTO BONJESUENSE
*Justiça suspende licitação da Prefeitura
*Morte e revolta popular em Rosal

Mais uma vez, com licitações de última hora, a Prefeitura Municipal de Bom Jesus do Itabapoana aliou-se ao Governo do Estado para fazer valer o lema deste último: "SOMANDO FORÇAS", só que, neste caso, com o objetivo de tentarem cooptar os votos dos bonjesuenses.
Atos de convênio com o Governo do Estado, assinados nos dias 20 e 21 de maio foram publicados em edição especial do dia 23 de maio, alcançando a cifra de mais de 4 milhões e 900 mil em obras no município em período pré-eleitoral.
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| R$2.896.361,18 só para execução de meio-fio, pavimentação em paralelepípedos e drenagem pluvial |
Vejam os valores relativos aos convênios publicados pelo órgão oficial do Município, O Bonjesuense.
R$ 2.896.361,18 para execução de meio-fio, pavimentação em paralelepípedos e drenagem pluvial;
R$ 651.116,25 para a construção de Mirante e Praça Pública no Monte Calvário;
R$ 277.498,90 para a construção de 04 pontes em concreto armado sobre o Valão Soledade;
R$ 576.295,83 para a implantação da Praça Pública no Lago da Cidade;
R$ 74.943,27 para a construção de quadra de areia no Loteamento Liberdade, em Carabuçu
R$ 255.209,89 para a reforma da quadra poliesportiva na Praça Maria Lúcia Teixeira da Fonseca, no Bairro bela Vista;
R$ 242.520,00 para a aquisição de equipamentos de sinalização vertical semafórica.
JUSTIÇA SUSPENDE LICITAÇÃO DA PREFEITURA
Atendendo a uma ação popular impetrada pelo vereador Ricardo Soares de Aguiar, que embasou-se na matéria publicada em O NORTE FLUMINENSE, sob o título "LICITAÇÕES VELOZES AO APAGAR DAS LUZES", o Poder Judiciário da Comarca de Bom Jesus do Itabapoana suspendeu licitação marcada para o dia 28 de maio.
Segundo o edil, o mesmo tomou conhecimento, através do jornal, das licitações "céleres" da prefeitura, prática esta que "se tornou rotina na Administração Pública Municipal". A partir daí, solicitou o cancelamento do leilão para a venda de veículos da prefeitura, levando-se em conta, ainda, que a Câmara Municipal criou uma comissão estabelecida para apurar eventuais irregularidades na referida licitação e não recebeu qualquer informação por parte da prefeitura.
Além disso, assentou que "os valores atribuídos a determinados veículos no edital em tela, quando comparados ao valor de mercado atribuído pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), foi possível constatar uma abominável discrepância entre os valores, chegando a um déficit de R$117.822,00".
Leia, em http://onortefluminense.blogspot.com.br/2014/05/jujstica-suspende-licitacao-da.html a decisão que suspendeu a licitação.
MORTE E REVOLTA POPULAR EM ROSAL
| Desabamento em obra matou funcionário |
Dizem que quando o filho é bonito, todo mundo quer ser pai, mas quando o mesmo é feio, a paternidade é negada por todos.
Quando, há cerca de seis meses atrás, duas pessoas morreram com a queda da estrada em decorrência das águas das chuvas, a empresa que construiu a rodovia foi responsabilizada pelos óbitos.
O Governo do Estado, reconhecendo que seriam necessárias "obras emergenciais", apressou-se para anunciar, posteriormente, o imediato reparo da via danificada.
Vários meses se passaram, contudo, sem ter sido concluída a ponte, até que um desabamento ocasionou a morte de um funcionário e a obra foi embargada por tempo indeterminado.
A comunidade de Rosal, praticamente isolada durante todo este período, acabou se rebelando, destruindo a guarita e uma placa do Governo do Estado que anunciava a construção de "obras emergenciais".
| Revolta popular destruiu a guarita... |
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| ...e a placa do Governo do Rio de Janeiro... |
| ... que anunciava "obras emergenciais" |
Em seguida, construiu, em poucas horas, por si própria, um caminho provisório que passou a permitir a passagem de veículos, minorando os graves problemas levados ao moradores do distrito.
Com isso, mostrou ao mundo, neste caso, que a ação da população organizada foi mais eficaz que o governo do Estado e a prefeitura, indicando que ambos, em muitas ocasiões, são desnecessários e, muitas vezes, prejudiciais aos interesses da coletividade.
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| Rosalenses uniram-se... |
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| ... e construiram ... |
| ... um caminho provisório até o distrito |
O ineditismo aqui é se tratou de um protesto combinado com uma ação construtiva: edificou-se um caminho provisório que permitiu a passagem de veículos, o que não ocorria há cerca de seis meses.
O que fez, especialmente em favor da comunidade de Rosal, durante esses seis meses, a prefeitura de Bom Jesus do Itabapoana?
Não é essa mesma prefeitura que se gaba de um suposto prestígio com o governo do Estado, apontando para as parcerias, especificamente as de última hora, no programa que se intitula "Somando Forças"?
O que fez o governo do Estado durante esses seis meses para que fossem entregues à população as obras reconhecidas como "emergenciais", com o mínimo de prejuízo?
Por que o governo do Estado e a prefeitura municipal de Bom Jesus do Itabapoana foram tão céleres no envio de milhões de reais para o programa "Somando Forças", neste período pré-eleitoral, e não agiram assim no caso da ponte em questão que, como ressaltado, era obra "emergencial"?
As tragédias relacionadas com a pista que liga Calheiros a Rosal são filhos pavorosos e nenhum dos entes públicos assumirá qualquer espécie de responsabilidade, principalmente neste período eleitoral.
Nestas horas críticas, tanto a prefeitura municipal de Bom Jesus do Itabapoana como o Governo do Estado preferiram utilizar o programa "Desaparecendo forças", justificando, assim, que a comunidade rosalense aplicasse o projeto emergencial "Somando forças populares" e fizesse valer seus sonegados direitos.
Elpídio Rodrigo do Canto e Ivolmar, moradores de Calheiros, mostraram-se solidários às reivindicações dos rosalenses: "falaram que a ponte seria construída em 90 dias e vão completar 6 meses com as obras paralisadas", salientou Elpídio. Ivolmar Pereira, por sua vez, registrou que " este problema poderia ter sido resolvido há bastante tempo".
| Elpídio Rodrigo do Canto e Ivomar Pereira: "anunciaram a entrega das obras em três meses" |
"EM
ROSAL EU SOU FELIZ!"
Fabiana Morais
Sendo Rosalense de alma e coração, venho aqui expor toda minha indignação com o descaso absoluto de nossas autoridades com a estrada. Estamos vivendo um verdadeiro calvário! Pessoas (seres humanos) que pagam impostos, que necessitam trafegar seja para ir ao médico, trabalho, colégio ou simplesmente fazer compras, estão correndo um sério risco ao atravessarem aquela PINGUELA, que no mínimo, está precisando de alguns reparos e iluminação!
Alguns fornecedores de nosso comércio estão cobrando mais caro e outros não mais fazem entregas, pois o acesso que temos pela estrada de terra é perigoso com estradas estreitas e quando chove ficam intransitáveis!
Estamos vivendo este caos há mais de 5 meses e continuamos de braços cruzados!
Não podemos esperar pelas autoridades que, estão demonstrando a cada dia que, não são merecedores de nossos votos e nem de nossa confiança.
Hoje, em NOSSA TERRA AMADA, não há um líder! Então chegou a hora de UNIRMOS FORÇAS e LUTARMOS por nossos direitos!
Como havia dito
ontem, sou Rosalense de verdade, de alma e coração! Algumas pessoas
interpretaram minha indignação como oposição política! Na verdade não tive esta
intenção. Só quis expressar minha indignação com as autoridades e com nosso
povo também, pois só estamos reclamando ao invés de agirmos!
Não gostei de ver meu nome citado em um debate onde está escrito SANFONA E CHORINHO x ACESSO A ROSAL.
Não gostei de ver meu nome citado em um debate onde está escrito SANFONA E CHORINHO x ACESSO A ROSAL.
Não sou contra o FESTIVAL, pelo contrário, AMO O FESTIVAL, sou fã de boa música, e a minha proposta não é de DIVIDIR e sim UNIR FORÇAS.
Não é hora de ficarmos tentando saber quem é posição ou oposição!
NÃO SOU POLÍTICA, apenas AMO MINHA TERRA!
Vamos continuar lutando por nossos direitos!
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PÉROLA ARQUITETÔNICA EM BOM JESUS DO ITABAPOANA É OBRA DE MAGISTRADO DE NITERÓI (RJ)
| Prédio construído pelo magistrado Emmanuel Pereira das Neves foi preservado pelo libanês Merhige Saad |
A pérola arquitetônica localizada na Praça Governador Portela, em Bom Jesus do Itabapoana, é obra do magistrado Emmanuel Pereira das Neves que veio exercer suas funções em nosso município e casou-se com Maria Borges Pereira das Neves.
É o que nos informa João Baptista Ferreira Borges, conhecido como Joãozinho Borges, filho de Zezé Borges, o primeiro prefeito de Bom Jesus do Itabapoana, após sua segunda emancipação, e irmão de Maria Borges.
Em entrevista de Ismélia Silveira, viúva do ex-governador Roberto Silveira, ao O NORTE FLUMINENSE, a mesma esclareceu que seu pai, o libanês Merhige Saad, adquiriu o prédio de Pereira das Neves.
| Joãozinho Borges, filho de Zezé Borges, o primeiro prefeito de Bom Jesus do Itabapoana, após sua segunda emancipação |
Segundo Joãozinho Borges, na época da nomeação do dr. Emmanuel, foi nomeado, também, como Promotor de Justiça para atuar no município, o dr. Benjamin Aman: "Dr. Emmanuel e minha irmã tiveram oito filhos: José Augusto Pereira das Neves, Emmanuel Pereira das Neves Filho, Maria Elizabeth, George, Tadeu, Fernando, Maria Cristina e Maria Elizabete. Todos os filhos se formaram em engenharia. Um deles, Tadeu, contudo, se formou também em medicina. Emmanuel Filho faleceu com 40 anos de idade e deixou 15 edifícios construídos em Niterói", salienta.
Dentre os filhos de dr. Emmanuel, José Augusto Pereira das Neves, nascido no dia de março de 1943, destacou-se como deputado estadual e, de acordo com Joãozinho Borges, "se não fosse o golpe militar, teria sido eleito deputado federal".
No dizer do mimosense Cleber Coimbra, "nossa região é repleta de grandes histórias". Esta é mais uma que será objeto, futuramente, de matéria por O NORTE FLUMINENSE.
quinta-feira, 12 de junho de 2014
“ROBERTO SILVEIRA FOI VÍTIMA DE UM ATENTADO” AFIRMA SOBRINHA DO EX-GOVERNADOR
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| O governador Roberto Silveira, que nasceu no distrito de Calheiros, percorreu a réplica da Usina Franco Amaral, na Praça Governador Portela, em 1960 |
Após ler as duas matérias publicadas pelo nosso jornal: “GOLPE MILITAR TROUXE PERDA IRREPARÁVEL A BOM JESUS DO ITABAPOANA” e “ASSASSINATO DE ROBERTO SILVEIRA DEVERIA SER INVESTIGADO PELA COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE”, Ana afirmou que ficou comovida após ler a primeira reportagem e impressionada quanto à segunda, “pela coincidência” de pontos de vista. Em seguida, assevera: “ Afirmo, sem a menor dúvida, que Roberto foi vítima de um atentado”.
Ana afirmou que já encaminhou, inclusive, solicitação à Comissão Nacional da Verdade peticionando a investigação do caso.
Segue o depoimento exclusivo encaminhado a O Norte Fluminense:
Segue o depoimento exclusivo encaminhado a O Norte Fluminense:
"Tenho escrito para a Comissão Nacional da Verdade solicitando exatamente isso: que revejam também os crimes cometidos anteriores ao golpe-sujo militar.
Afirmo, sem a menor dúvida, que Roberto foi vítima de uma atentado. Segundo o deputado Marcos Freire, cometido pela CIA americana juntamente com a marinha brasileira. Este fato ele me disse que soube quando esteve em Moscou, por amigos da KGB e que seriam facilmente comprovados pelo governo estadunidense, já que eles abrem seus arquivos vinte anos depois.
Marcos Freire, alguns anos depois, já Ministro da Reforma Agrária do governo Sarney também foi vítima de atentado, juntamente com toda a sua equipe. Nessa época conheci sua irmã, na casa da amiga comum Amélia Império Hamburger. Ela se dizia muito preocupada com as ameaças que ele vinha sofrendo, que acabaram se concretizando.
Mas vamos falar do atentado ao Roberto.
O ATENTADO A ROBERTO SILVEIRA
Nesse dia eu estava no Palácio Itaboraí, em Petrópolis, onde a família se encontrava de férias.
Eu tinha 12 anos. Meus avós e tia também lá se encontravam, mais um tio e prima. Esse meu tio era João Brasil, de Bom Jesus.
Domingo tinha sido um dia mágico, dos poucos em que o tio Roberto ficou o tempo todo conosco.
À noite veio uma informação de que Santo Antônio de Pádua estava debaixo d’água devido a uma incomum enchente.
O tio ficou nervoso, andava para um lado e para o outro e, assim, atravessou a noite, tentando conseguir um helicóptero para ir verificar, ele próprio, a situação do município alagado.
Quase amanhecendo chegou a notícia de que a marinha havia disponibilizado um, que pousaria no palácio Rio Negro, cujo gramado serviria de heliporto.
Não me recordo que horas eram quando o tio Roberto nos chamou (as crianças) e nos disse, dirigindo-se principalmente ao Jorge, com seu jeito entusiasmado: “ Corram para as janelas que o pai vai passar já-já aqui de helicóptero e vou dar tchau para vocês!!!” O Jorge ainda perguntou: ‘Posso ir também, pai?!!!”
- Não, filho. Desta vez você vai ficar aí, tomando conta da sua mãe e das
suas irmãs.
Magnetizados, fomos seguindo-o até ao automóvel e ainda me lembro dele com aquele sorriso gostoso, acenando alegre para todos.
Tia Ismélia chegou bem perto dele, pelo lado de fora da janela (acredito que se sentindo roubada da presença dele em seu pouco tempo de férias) e lhe falou: - Ah, Roberto, fica mais com a gente! Tem tanto jornalista que pode ir e lhe mandar informação!...
- Ô Bela!!! Também já fui jornalista e sei que só para me agradar são capazes de dizer que está tudo bem! Além do mais, a presença do Governador vai dar mais segurança à população desabrigada...
A essa altura saímos correndo para tomar lugar nas janelas. De onde estávamos não avistávamos o prédio do palácio Rio Negro pela frente, de forma que não presenciamos a queda do helicóptero.
Mas aconteceu uma coisa que nunca saiu de minha memória: de repente, uma fumaça preta, densa, começou a subir, subir, subir, numa forma cilíndrica, indicando que não havia vento nenhum naquele momento de incêndio.
Havia um garçom muito engraçado, o Lima, que ainda comentou: - Olha lá!!! Tem um homem fumando um charuto!!!
E as crianças, numa barulheira só, não tiravam os olhos de onde viria Roberto voando...
Vou pular para o dia seguinte:
Havia uma agitação no ar que eu não estava compreendendo. Era muito cedo, talvez umas sete horas da manhã ou menos quando ia saindo um veículo do palácio e meu tio João Brasil pediu uma carona até o local do acidente, no palácio Rio Negro.
Sua filha Regina e eu pedimos para irmos junto. Quando chegamos em frente ao local do acidente, só havia um gramado chamuscado. Nem um parafuso ou traços da ferragem. Para espanto nosso, que não sabíamos do acidente, tio João começou a gritar descontrolado: - “Desgraçados!!! Miseráveis! Esses filhos disso e daquilo tentaram matar o Roberto!!! Desmancharam todas as provas!!!...’ E gritava, gritava... Aí que eu percebi a gravidade da situação. Esconderam-nos os fatos e também dos meus avós.
A partir desse momento, fiquei em alerta e escutando daqui e dali. Concordei, desde aquela ocasião com tio João Brasil: tentaram matar o Roberto!!
A perícia, segundo as notícias vindas pelo rádio, falava de uma ventania que atirou o veículo em uma árvore, quebrando uma hélice ou coisa parecida.
Que ventania, se todos que estávamos a postos, esperando o tio passar, vimos uma fumaça perfeitamente delineada?!!!
Por que retiraram os destroços com tanta eficiência?!
É simples: Roberto atrapalharia tremendamente o golpe-sujo militar.
Era muito mais fácil eliminá-lo como Governador que como futuro Presidente da República, que certamente seria. Apoiaria o Juscelino Kubitscheck como vice-presidente deste. Na gestão seguinte Roberto viria candidato à Presidência com o apoio do Juscelino.
Eles já haviam firmado esse acordo, segundo Badger.
Além do Roberto, a CNV também deveria apurar a morte de outros jovens líderes assassinados na mesma época".
A FUNDAÇÃO DO MEMORIAL GOVERNADORES ROBERTO E BADGER SILVEIRA
No dia 07 de junho passado, ocorreu a histórica reunião em que foi decidida a fundação da Associação de Amigos do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira. A entidade ficará responsável por arrecadar recursos para a construção do prédio e administrar o Memorial.
A reunião ocorreu no antigo Sítio Rio Preto, em Calheiros, 2o. Distrito de Bom Jesus do Itabapoana, onde nasceram Roberto e Badger Silveira. Participaram da reunião Gino Martins Borges Bastos, Edesio Machado de Souza, André Luiz de Oliveira, Edimo Saluto Rezende, Alessandro Santos Nunes, Cintia Oliveira Nunes, José Alves Moreira, Eraldo Saluto de Rezende, Gizelia Ferreira Ribeiro Tenório e Georgina de Oliveira Santos.
A área para a construção do prédio foi gentilmente cedida por Georgina de Oliveira Santos, viúva de Neneco, o amigo de infância de Roberto e Badger, e por sua filha Cíntia Oliveira Nunes.
| Área do antigo Sítio Rio Preto, onde nasceram os ex-governadores Roberto e Badger Silveira, cedida por Georgina de Oliveira Santos e sua filha Cíntia Oliveira Nunes para a construção do Memorial |
O LOGOTIPO DO MEMORIAL
O logotipo do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira, cuja pedra fundamental será lançada no dia 10 de agosto, às 14h, no antigo Sítio Rio Preto, em Calheiros, 2o. Distrito de Bom Jesus do Itabapoana (RJ), foi idealizado pelo artista plástico cubano Francisco Rivero. Vejam a explicação do autor sobre sua criação:
"El concepto de este simbolo parte de los siguientes elementos:
- La grafia de la letra inicial de los nombres la R y B, he retenido el trazo superior curvo de cada una de las letras.
- La curva en horizontal de esta grafia representa la trayectoria de la vida publica de estos dos personalidades que sirvieron con lealta a las instituciones de la Republica del Brasil".
ROBERTO E BADGER SILVEIRA VIVEM!
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O silêncio e a amnésia social que pairaram, há décadas, sobre ambos começam a ser rompidos.
O exemplo de vida e de luta de Roberto e Badger Silveira hão de acompanhar seus conterrâneos, doravante, estimulando-os a seguir defendendo seus legados.
A história e as tradições não constituem algo que esteja circunscrito a uma instância que nos seja distante e alheia, mas consubstanciam algo definidor da especificidade de nosso povo e de nossa gente.
Exsurge, portanto, como um imperativo, trazer à consciência social a história de Roberto e Badger Silveira, a história de nossa gente.
Seus pais, Boanerges Borges Silveira e Biluca, assim como seus avós Antonio Ignácio da Silveira e Maria Borges da Silveira, trazendo consigo os sonhos oriundos do Arquipélago dos Açores, construiram rico legado em nossa terra.
Roberto Silveira é um mártir e o testemunho de sua sobrinha Ana Silveira é eloquente quanto a isso. Badger Silveira, seu irmão, por sua vez, foi deposto de forma inescrupulosa por forças golpistas que retiraram do poder um governador legitimamente eleito pelo povo fluminense.
Ambos estavam prestes a conferir à sua terra natal e ao povo fluminense um período de grande desenvolvimento.
As injustiças sofridas por Roberto e Badger Silveira que abalaram profundamente nosso povo, contudo, não serão em vão!
Serão convertidas em força inesgotável para que os bonjesuenses continuem a lutar pelo sonho de ambos: uma Bom Jesus do Itabapoana desenvolvida, com cidadãos imbuídos do seu senso de missão e de dignidade, e que jamais se curvarão às forças sombrias da violência e da morte.
ROBERTO E BADGER SILVEIRA VIVEM!
Da Série Depoimentos sobre os Governadores Roberto e Badger SIlveira (I)
MARIA ÁUREA MEGRE HOBAICA
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| Maria Áurea Megre Hobaica homenageou Badger Silveira quando foi vereadora |
"Roberto era um grande político e se não tivesse falecido, seria o presidente da República.
Recordo-me que em um comício em Belo Horizonte, quando Roberto começou a ser pronunciar, a multidão se aglomerou para ouvi-lo. Ele tinha um grande carisma.
Bom Jesus deve a ele o asfalto que o ligava a Itaperuna.
Meu pai, Joaquim Moreira Megre, estudou com Badger Silveira, no Colégio Rio Branco.
Recordo-me que, certa vez, Roberto visitou meu pai, Joaquim Moreira Megre, conhecido como Coquinho, pedindo seu apoio. Meu pai apoiou Roberto em tudo o que pôde.
Bom Jesus chegou a eleger cinco deputados: dois federais, José Augusto Pereira das Neves e Antônio Carlos Pereira Pinto, e três estaduais, Michel Salim Saad, José Saad e Tito Nunes.
Quando Badger foi eleito governador e esteve em Bom Jesus, foi à minha casa visitar meu pai. No encontro com amigos de infância, neste dia, ele disse para todos: 'Agora estou sentindo o peso de ser governador'.
Quando eu fui vereadora, comandei uma homenagem a Badger, que esteve em Bom Jesus para recebê-la".
JOÃO JOSÉ ASSAD
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| João José Assad: lições de Direito com Roberto e Boanerges |
"Após ter estudado no Colégio Rio Branco e concluído o ginásio, fui estudar o 2o. ano científico no Liceu de Niterói.
Certa vez, fui de trem para Niterói em companhia de Roberto Silveira. Eu comentei com ele sobre meu interesse em estudar Direito, mas me preocupava com o fato de ter de defender criminosos. Roberto, que já era advogado, contudo, me esclareceu: 'Defender um criminoso não significa necessariamente lutar pela sua absolvição, mas lutar para que ele seja condenado na medida de sua culpabilidade, evitando que o réu seja condenado por pena maior do que a merecida'. Esse ensinamento de Roberto sempre ficou em minha mente e foi muito útil na minha decisão em estudar o Direito.
Boanerges, pai de Roberto e Badger, residia em frente à Igreja Matriz, onde hoje está situado parte do Supermercado Varejão. Boanerges era consultor jurídico e seu escritório estava localizado na sala da casa. Sua residência, propriamente dita, ficava na parte dos fundos do prédio. Boanerges era grande conhecedor da área jurídica e eu costumava frequentar sua casa para tirar dúvidas, uma vez que eu era estudante de direito. Ele me atendia com total disponibilidade. Recordo-me que, certa vez, idealizei conseguir a naturalização de meu pai, Alexandre José Assad, que era libanês. Boanerges analisou o caso e concluiu que essa seria tarefa difícil, devido à burocracia na capital federal. Por sorte, contudo, uma lei estabeleceu que, por ocasião da promulgação da Constituição Federal de 1936, quem fosse estrangeiro, tivesse propriedade e filho no Brasil, poderia obter a cidadania brasileira. Assim, através de medida judicial, consegui a naturalização de meu pai que, graças a isso, pôde votar, anos depois, em Roberto Silveira para governador".
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