Quando a memória do trabalhismo se transforma em emoção
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| Dario Geraldelli, o açoriano Francisco Amaro Borba Gonçalves e o reconhecimento do Memorial: dois homens unidos pela memória, pela história e pela defesa de um legado que o tempo não conseguiu apagar |
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| Água da fonte, folha de inhame rosa e muita história. Dario revive o gesto marcante de Roberto Silveira no Sítio Benedito Santos, unindo passado e presente em um só gole |
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| Dario de Souza Geraldelli |
Há momentos em que uma festa deixa de ser apenas uma festa. Torna-se encontro, memória, reconhecimento e, sobretudo, um instante em que o passado parece voltar para conversar com o presente.
Foi assim para Dario de Souza Geraldelli, histórico defensor do trabalhismo, que deixou o Rio de Janeiro e veio ao Sítio Benedito dos Santos, em Calheiros, Bom Jesus do Itabapoana, para participar da celebração dos 10 anos de fundação do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira e do lançamento da publicação dedicada à trajetória de Roberto Silveira, promovido pelo Centro de Memória Trabalhista.
No meio de abraços, discursos, lembranças e histórias, Dario viveu uma emoção que traduziu em poucas palavras, mas de enorme significado:
“Foi o maior evento de que participei em minha vida.”
A frase, pronunciada por alguém que traz consigo uma longa vivência ligada à história e à tradição trabalhista, ganhou uma dimensão ainda mais especial naquele cenário de reencontro com a memória.
Dario emocionou-se durante todo o evento. Em três ocasiões, não conseguiu conter as lágrimas. E, em meio à solenidade, algo particularmente bonito aconteceu: crianças aproximaram-se dele, e Dario tornou-se, espontaneamente, professor de história e de afetos.
Contou-lhes como preparar a folha do inhame-rosa para transformá-la numa espécie de copo improvisado, utilizado para beber a água da bica, um costume que lembrava Roberto Silveira quando visitava o Sítio Benedito dos Santos. Dario também havia vivido essa experiência quando jovem. Naquele momento, uma simples folha, uma bica e um gesto do passado transformaram-se em uma pequena aula sobre memória.
Dario é também testemunha privilegiada porque conheceu pessoalmente Roberto Silveira. Pode, portanto, falar não apenas do homem público, mas do ser humano cuja grandeza deixou marcas em quem teve a oportunidade de conviver com ele.
Roberto Silveira, açordescendente, cujo bisavô, Manoel Ignácio da Silveira, veio da ilha do Pico, nos Açores, possuía um projeto de desenvolvimento econômico e social para Bom Jesus do Itabapoana e para o Estado do Rio de Janeiro. Em Bom Jesus, construiu a Usina Piloto Franca Amaral, concebida como etapa para a implantação de um empreendimento de maior dimensão: a Usina de Rosal, que poderia transformar a região em um importante polo de desenvolvimento industrial.
Era um projeto que ultrapassava os limites de Bom Jesus e se inseria numa visão mais ampla de desenvolvimento para o país. A morte prematura de Roberto Silveira, em circunstâncias trágicas, interrompeu uma trajetória política que ainda tinha muito a realizar.
Durante a celebração, Dario recebeu do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira um Certificado de Reconhecimento pelo apoio à publicação da revista dedicada a Roberto Silveira pelo Centro de Memória Trabalhista.
No Sítio Benedito dos Santos, onde a paisagem se encontra com a memória, não se celebrava apenas uma década de existência de um memorial. Celebrava-se a permanência de uma história.
A história de homens públicos que fizeram da política um instrumento de transformação e que deixaram marcas profundas na vida do povo fluminense.
Roberto Silveira, com sua trajetória, e Badger Silveira, com sua presença na história política do Estado, voltaram, naquele dia, a reunir pessoas em torno de uma mesma mesa, de uma mesma lembrança e de um mesmo sentimento de pertencimento.
E talvez esteja justamente aí uma das maiores forças da memória: ela não permite que aqueles que fizeram história desapareçam completamente no tempo.
Dario veio do Rio de Janeiro trazendo consigo a experiência de quem conhece os caminhos do trabalhismo e reconhece o valor de preservar suas raízes. Encontrou, em Bom Jesus do Itabapoana, uma celebração que ultrapassou as fronteiras de uma simples solenidade.
Ali, no meio do verde do sítio, as vozes dos presentes e as lembranças de um tempo que insiste em permanecer vivo, o passado ganhou novamente rosto, palavra e emoção.
E a emoção de Dario transformou-se também em testemunho. “Foi o maior evento de que participei em minha vida.”
E quando a tarde começou a recolher seus últimos raios, ficou no ar a certeza de que aquela celebração não terminaria ali. Porque há acontecimentos que não acabam: apenas passam a morar na memória.
Nesse encontro, o passado não foi apenas lembrado. Ele voltou a caminhar entre nós, trazendo os nomes, os ideais e os sonhos de homens que fizeram da vida pública uma forma de servir. Roberto e Badger Silveira voltaram a estar presentes não apenas nas fotografias, nos discursos ou nas páginas da revista lançada pelo Centro de Memória Trabalhista, mas, sobretudo, na emoção daqueles que compreenderam que preservar a história é também preservar a alma de um povo.
Dez anos do Memorial são dez anos de resistência da memória contra o esquecimento. São dez anos dizendo às novas gerações que uma cidade também se constrói com lembranças, com exemplos e com gratidão.
E é por isso que, ao final da festa, a melhor palavra não tenha sido despedida, mas celebração.
Viva o Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira!
Viva a memória de Roberto Silveira!
E, acima de tudo, viva Bom Jesus do Itabapoana, esta terra que sabe transformar seus filhos em memória, sua memória em identidade e sua identidade em esperança.
Que os próximos dez anos encontrem o Memorial ainda de portas abertas, guardando histórias, acolhendo gerações e iluminando o futuro.
Uma cidade que honra sua memória nunca caminha sozinha.
Viva o Memorial! Viva Roberto e Badger! Viva Bom Jesus!
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A Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, erguida em 1931 pelo açoriano Francisco Antônio de Mello, se tornou identidade do município. Um marco arquitetônico onde a história e a eternidade se abraçam |


















































































Os que ousam, ficam para sempre na memória!
ResponderExcluirO legado dos Silveira semeiamse pelos anais da história, fruto do trabalho e da luta incansável na busca do bem social, exemplo de cidadania.
ResponderExcluirSaudações Bom-Jesuenses.