domingo, 10 de maio de 2026

O Dia da Poesia Bonjesuense e a Missão de Rogério Loureiro Xavier: Elcio Xavier Vive!




Num domingo de maio, quando o relógio ainda caminhava mansamente rumo às duas da tarde, Bom Jesus do Itabapoana parecia respirar diferente. Havia no ar um rumor de esperança, um perfume antigo de reencontro, como se as ruas, as janelas e os sinos da cidade soubessem que alguém muito amado estava para chegar. E estava.

Quando Rogério Loureiro Xavier anunciou que viria do Rio de Janeiro para celebrar o nascimento de seu pai, Elcio Xavier, o eterno Príncipe dos Poetas, Bom Jesus vestiu-se de memória e de gratidão. Não era apenas a visita de um filho. Era a continuidade de uma linhagem de homens que compreenderam que amar uma cidade também é cuidar de sua alma.

O Espaço Cultural Luciano Bastos, antigo Colégio Rio Branco, tornou-se naquele dia uma espécie de catedral da cultura bonjesuense. As manifestações populares e clássicas chegaram como rios que deságuam no mesmo mar da identidade coletiva. Vieram Folias de Reis, capoeiristas, bonecos gigantes, músicos, escritores, acadêmicos, crianças, jovens e velhos guardiões da memória. Cada passo do cortejo parecia dizer silenciosamente: “os heróis da cultura jamais morrem”.

E no centro daquela procissão de afetos estava Rogério Loureiro Xavier.

Havia algo de profundamente simbólico em sua presença. Caminhava sereno, acompanhado da esposa Eloisa e da filha Elaine, como quem transporta não apenas o sobrenome Xavier, mas uma chama acesa através do tempo. Rogério não veio apenas recordar o pai; veio continuar sua obra invisível, essa arquitetura delicada construída com palavras, livros, gestos e amor pela terra natal.

Sua figura lembrava aquelas árvores antigas cujas raízes atravessam gerações. Porque há filhos que herdam bens, mas há filhos raros que herdam missões.

Rogério herdou de Elcio Xavier o compromisso com Bom Jesus.

Nas conversas, nos projetos, nas doações, nos hinos compostos para a cidade e para a Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, percebe-se a mesma inquietação luminosa do pai. O mesmo desejo de proteger a cultura como quem protege uma nascente. O mesmo entendimento de que uma cidade sem memória torna-se órfã de si mesma.

Ao doar o busto de Elcio Xavier ao Espaço Cultural Luciano Bastos, ao incentivar os “Cafés com Elcio Xavier”, ao trazer livros da saudosa Raquel Xavier, Rogério não realizou apenas homenagens. Ele construiu pontes entre o passado e o futuro. Fez da saudade uma forma de serviço.

Por isso, quando recebeu o Certificado de Honra e Louvor, não se homenageava somente um homem, mas uma permanência. Celebrava-se a fidelidade de um filho àquilo que o pai lhe ensinou sem precisar escrever: que o verdadeiro legado não é o que se deixa para trás, mas o que continua florescendo depois da partida.

E talvez seja esta a mais bela lição dos Xavier: transformar amor em responsabilidade.

Enquanto muitos apenas atravessam o tempo, há pessoas que iluminam o caminho dos outros. Elcio foi uma dessas luzes. Rogério também o é. Em suas reflexões sobre segurança, prevenção, cidadania e cuidado coletivo, percebe-se que seu amor por Bom Jesus não é retórico nem nostálgico. É um amor vigilante, comprometido, ativo.

Há homens que escrevem poemas. Há homens que se tornam poemas.

Rogério Loureiro Xavier pertence a essa rara categoria dos que vivem como continuação de uma obra maior do que eles mesmos. Sua presença em Bom Jesus, naquele domingo de maio, não foi apenas uma visita. Foi um testemunho de que os grandes legados permanecem caminhando entre nós.

Porque existem famílias que transmitem sobrenomes. Outras transmitem fortunas. Mas algumas, muito raras, transmitem luz.

E enquanto houver filhos que honrem seus pais com dignidade e amor, enquanto houver cidades capazes de reverenciar seus poetas, esvritores, músicos, mestres e sonhadores, ainda haverá esperança de um mundo mais humano.

Bom Jesus compreendeu isso naquela tarde.

E por isso se engalanou. Porque sabia que não estava apenas recebendo Rogério Loureiro Xavier.

Estava recebendo a continuidade viva da poesia.
























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