O reencontro do Mestre Artesão Daniel de Lima com Dona Elena, depois de aproximadamente vinte anos sem se verem, pareceu carregar dentro dele todos os anos que ficaram no meio do caminho. Duas décadas passaram, mas bastou que os olhares se reconhecessem para que o tempo, esse artesão invisível da vida, juntasse novamente as pontas de uma antiga história de amizade.
Dona Helena conheceu Daniel quando ele tinha apenas 18 anos. Era um jovem que começava a percorrer os caminhos da arte, descobrindo nas mãos a capacidade de transformar matéria em sentimento. Ao lado dela estava o esposo, Waldir, de quem Daniel guarda uma lembrança especialmente afetiva:
- Seu esposo Waldir me ensinava a fazer instrumento de barro.
Uma frase pequena para uma memória imensa.
Os verdadeiros mestres permanecem um pouco nas mãos daqueles a quem ensinaram. Cada técnica transmitida, cada segredo do ofício, cada conselho dado diante do barro que tomava forma era também uma maneira de perpetuar conhecimento.
Daniel e Dona Elena participaram juntos de feiras e também deram aulas. Dividiram espaços, experiências e aquele universo singular dos artesãos, no qual ensinar e aprender muitas vezes acontecem ao mesmo tempo.
E então a vida cumpriu seu movimento inevitável. Os caminhos se afastaram. Vieram outros trabalhos, outros lugares, outros dias. Daniel prosseguiu sua trajetória. Dona Elena seguiu a sua.
Até que, vinte anos depois, aconteceu o reencontro.
O cenário também fala de arte e continuidade. A história passa pelo Duarte Ateliê, em Rocha Leão, Rio das Ostras, e por Rio Dourado, distrito de Casimiro de Abreu, onde existe uma extensão do ateliê de Rocha Leão. A neta Aline, ligada ao Duarte Ateliê, representa ainda uma nova geração nessa bonita corrente em que a arte parece passar de mãos em mãos.
E foi justamente um objeto simples que acrescentou poesia ao reencontro.
Daniel foi presenteado com um pano de prato.
Para quem observa de fora, talvez seja apenas tecido. Para quem conhece o universo do artesanato, porém, sabe-se que uma peça feita ou escolhida com afeto jamais é apenas uma peça. Nela permanecem mãos, lembranças, histórias e sentimentos.
Daniel resumiu tudo em poucas palavras:
- Felicidade esse encontro!
E talvez nenhuma outra frase fosse necessária.
Depois de vinte anos, não eram apenas Daniel e Dona Elena que se reencontravam. Reencontravam-se as antigas feiras, as aulas compartilhadas, o barro moldado pelas mãos, os ensinamentos de Valdir, a juventude de um Daniel de 18 anos e todos aqueles dias que pareciam desaparecidos no calendário.
Descobrimos, então, que certas amizades não terminam quando as pessoas deixam de se encontrar.
Elas apenas ficam guardadas.
E, quando a vida resolve aproximá-las novamente, vinte anos podem desaparecer na duração de um abraço.


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