domingo, 1 de novembro de 2026

Uma porta aberta na noite: a primeira padaria 24 horas de Bom Jesus


 Por Fernando Azevedo 


De padaria em padaria, uma cidade desperta



Há quem viva de bar em bar. Eu, por uma inclinação que mistura apetite, curiosidade e afeto pela nossa terra, vivo de padaria em padaria. Cada balcão guarda alguma descoberta: um pão de que ainda não conhecia o sabor, uma conversa inesperada, o entusiasmo de alguém que começa a trabalhar antes de o sol aparecer.

Desta vez, o caminho me levou à padaria da Loja de Conveniência do Lia Márcia, junto ao posto de gasolina Cavil. Fui conhecer seus produtos e encontrei uma novidade que merece lugar na vida bonjesuense: a possibilidade de comprar pão a qualquer hora.

Sendo a primeira loja de conveniência de Bom Jesus do Itabapoana a funcionar durante as vinte e quatro horas do dia, o estabelecimento traz consigo outro pioneirismo: o de uma padaria cujas portas permanecem abertas quando a cidade atravessa a madrugada.

Há uma beleza particular nessa luz que fica acesa.

Penso em quem retorna tarde de uma viagem, em quem encerra uma jornada de trabalho quando os demais já repousam, em quem precisa sair de casa antes do amanhecer. Quando todas as outras padarias fecharam, encontrar um lugar onde se possa comprar pão é uma facilidade que ganha importância justamente na hora da necessidade. Para cada pessoa, aquela porta aberta terá um significado.

O pão participa de nossa intimidade. Está na mesa do café, repartido entre os familiares; acompanha a manteiga, a conversa e os planos para o dia. Poder encontrá-lo fora dos horários habituais aproxima o comércio dos diferentes ritmos da vida. A cidade dorme, mas há sempre alguém chegando, partindo ou preparando o amanhã.

Na visita, os produtos de qualidade, o bom atendimento e a beleza do ambiente tornaram a experiência agradável. São cuidados que convidam a entrar e dão vontade de voltar. O espaço passa a ser uma referência para o município, mostrando como uma iniciativa comercial pode oferecer conforto e responder a uma necessidade concreta da população.

Também por essas portas se percebe o desenvolvimento econômico de Bom Jesus. Ele se revela no investimento, no trabalho e na disposição de ampliar os serviços disponíveis. Aos poucos, a cidade incorpora novas possibilidades ao cotidiano, sem perder o gosto tão nosso de uma parada para o café.

O jornal O Norte Fluminense continuará, portanto, fiel ao seu princípio de viver de “padaria em padaria”. Há muito a descobrir nesses lugares: histórias de esforço, gestos de gentileza, sonhos que ganharam balcão, forno e endereço.

Desta vez, encontrei também uma luz que atravessa a noite. E saí pensando que é bom saber que, em Bom Jesus, mesmo de madrugada, haverá uma porta aberta para quem for buscar o pão.















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