quinta-feira, 18 de março de 2021

Dia 18 de março: data natalícia do libanês Merhige Hanna Saad

 




Merhige Hanna Saad e Alzira Sauma Saad





Do livro "RESGATANDO O PASSADO, IMPORTANTE DOCUMENTÁRIO DE BOM JESUS - LEMBRANÇAS E RECORDAÇÕES", de Heliton de Oliveira Almeida e João Batista Ferreira Borges, Almeida Artes Gráficas, 2000.

 Merhige Hanna Saad vive!

18 de março de 1964: Presidente João Goulart e governador Badger Silveira assinam, em Bom Jesus do Itabapoana, convênio para a construção da Usina de Rosal





terça-feira, 16 de março de 2021

OS 107 ANOS DE FUNDAÇÃO DO OLYMPICO F.C.

 

Do www.espacoculturallucianobastos.blogspot.com

                 
Olympico F. C., primeiro clube de futebol de Bom Jesus e região.
          
          Hoje o Olympico F. C. completa 107 anos. A histórica reunião no bar de Manoel Belido, na Praça Governador Portela, foi realizada em 23 de março de 1914, dando origem à primeira agremiação a ser fundada nesta região.

             
Foto: Acervo Espaço Cultural Luciano Bastos



          Em 1972, Luciano Bastos publica, em O Norte Fluminense, relatos da gravação de uma entrevista com o sr. Abílio Pires de Castro sobre a fundação do Olympico F. C., que reproduzimos abaixo:

COMO FOI FUNDADO

          Diz o sr. Abílio Castro: “Numa noite do dia 23 de março de 1914 eu e o então 2º Tem. Do Exército, Fernando Lopes da Costa, acabávamos de jogar uma partida de bilhar francês, no bar do nosso amigo Manoel da Silva Belido (era mais ou menos cerca das 10 horas da noite) quando após a partida, ficamos conversando e trocando idéias.
          O Tte. Fernando perguntou porque não criávamos um clube recreativo em Bom Jesus. Isso foi numa segunda-feira, me lembro bem. Lembrei então de fundarmos um clube recreativo de danças, porém o Tte. Fernando achou que deveríamos fundar um clube de futebol que era mais interessante, pois no Rio tem vários clubes, disse ele, como o Flamengo, Fluminense, Andaraí, S. C. Brasil, América e outros. 
          Decidimos, então, organizar um clube. Nesse momento chegou o Dr. Walter Franklin, dentista e amigo, aparentado da família Carlos Firmo, que apoiou a ideia. Vamos fundar o futebol mesmo, disse. Passamos a escolher o nome para o clube. O Tte. Fernando lembrou que o futebol tinha sido criado pelos olímpicos, dando a ideia de colocar o nome de Olympico. Eu apoiei a ideia, pois não entendia muito disso. Apoiava porque era um engrandecimento para o lugar."

A PRIMEIRA DIRETORIA

          “No dia seguinte reunimos para tratar de aclamar uma Diretoria, eu, ele e o Walter. Ficou, então, assim constituída a primeira diretoria: Presidente, Coronel Pedro Gonçalves da Silva Jr.; Vice-Presidente, Horácio de Carvalho; Secretários, Abílio Pires de Castro e João de Azevedo Mattos; 1º Tesoureiro, Francisco Teixeira de Oliveira; 2º Tesoureiro, Carlos Rodrigues Figueiredo Firmo; Procurador, Dr. Walter Franklin; Captain, José de Souza Firmo; Vice Captain, Otis Menezes. Os Captains e vices eram cargos eletivos naquela época.”
...
O PRIMEIRO UNIFORME

          "Feito na casa de. Da. Ernestina e Da. Sinhá.

      As cores do Olympico foram escolhidas após prolongada meditação para não ficarem iguais às do futebol carioca. Escolhemos as cores vermelho-amarelo, por ideia do Tte. Fernando Lopes da Costa. A camisa primeira era da seguinte forma: a metade da frente era vermelha e a outra metade amarela. Nas costas o inverso. O uniforme foi feito aqui mesmo em Bom Jesus. Quem se incumbiu de faze-lo foram amigos torcedores do clube. Foi feito na casa de Da. Ernestina, que era a mãe do nosso amigo Gil Xavier e na casa de da. Sinhá de Moraes, irmã de nosso beque Horácio de Moraes, de saudosa memória, pois foi um grande jogador, mas que infelizmente morreu muito cedo."

...

OS PRIMEIROS JOGADORES

          "Se não me falha a memória, os primeiros "teams" organizados para treinar, não para jogar, pois não haviam adversários ainda aqui, eram: Chico Fragoso no gol; beques Horácio Moraes e Juquinha Firmo; linha de "halfs" Duente, um alfaiate que existia aqui, João Fraga, sapateiro do Zé Padrenosso e o Tte. Fernando, que estava em férias. Na ponta direita Otis Menezes; na meia direita Candico Peralva; de centro avante Walter Franklin; na meia esquerda Nilo Cunha e na extrema esquerda Purcino. Este foi o primeiro onze, mais ou menos, se não me falha a memória".

          Participando da 12ª Semana Nacional de Museus, o Espaço Cultural Luciano Bastos irá realizar no dia 15 de Maio de 2014, em parceria com o Centro de Memórias do Instituto Federal Fluminense, a exposição “Memórias do Nosso Futebol: 100 anos de Olímpico F.C. e Ordem e Progresso F. C.!”, fundamentada na coleção temática de Luciano Bastos.
          
          Nossa homenagem pelos 100 anos do "Glorioso"!
          Parabéns, Olympico F. C.!
        
         

   



sábado, 13 de março de 2021

FALECE NOSSA ETERNA PRIMEIRA DAMA!




                  Música "Simplesmente Ismélia", interpretada pela Escola de Música JEMAJ, homenageia a nossa Eterna Primeira Dama



Nascida em 1930, Ismélia Silveira, conhecida como a nossa Eterna Primeira Dama, expressão cunhada pelo gênio de Raul Travassos,  faleceu no dia 14 de março, um dia após seu aniversário. 

Ismélia Saad (E), viúva de Roberto SIlveira, e a irmã Marian Saad (Acervo de Eliane Chalhoub)

Natural de Bom Jesus do Itabapoana e filha de Merhige Hanna Saad e Alzira Saad, estudou no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora em Campos dos Goytacazes (RJ). Neste educandário, teve a companhia de várias bonjesuenses, entre as quais Irma e Vera Ribeiro.




Retornando à sua cidade natal, matriculou-se no Curso do Comércio, no antigo Colégio Rio Branco, onde concluiu o 2º grau. Pretendia fazer o vestibular, opção que abandonou após conhecer e casar-se com Roberto Silveira.





   COMO ISMÉLIA CONHECEU ROBERTO SILVEIRA


Ismélia e Roberto se conheceram no baile da Rainha da Festa de Agosto, no salão do Grupo Escolar Pereira Passos, atualmente, Colégio Estadual Governador Roberto Silveira


O livro " ROBERTO SILVEIRA, A PEDRA E O FOGO", (Casa Jorge Editorial), do jornalista José Sérgio Rocha, relata como foi o encontro de Ismélia com Roberto Silveira:

 "Aos 17 anos, Ismélia, que passava o tempo sonhando com os príncipes de papel das revistas de Hollywood, bateu o pé para não competir. Entre outras desculpas, alegava que Didinha fora a rainha de 1946. Mas houve apelos para que ela concorresse e, assim, ajudasse a arrecadar fundos para o Hospital São Vicente de Paulo. Tanta insistência que, a contra gosto, a morena de rosto redondo e pernas bem torneadas teve o nome incluído pelos jurados entre as candidatas. Dessa vez, deu graças a Deus por ter pai durão: em julho, quando as outras moças abriam mão de passar férias fora da cidade para poder vender seus bônus, Merhige enviou-a, como todos os anos, para a casa dos parentes em Tombos do Carangola, Minas Gerais. Ismélia voltou quase em cima da hora, certa de que sua participação naquela "idiotice de concurso" caíra no esquecimento. Para sua surpresa, mesmo assim foi escolhida, não para ganhar o cetro de rainha, mas a faixa de princesa. Às pressas, a mãe encomendou o vestido. Não dava mais para escapar.
Enfim, a grande noite chegou e caiu num sábado. Ao entrar com a família no salão, ela logo notou que todas as famílias importantes e tradicionais ali estavam: Borges, Teixeira, Ferolla, Figueiredo, Travassos, Seródio, Silveira...  A colônia árabe, seus primos e primas compareceram em peso — a turcalhada toda apareceu. Ninguém ousava discriminar aqueles bonjesuenses morenos, narigudos e ricos que, de acordo com a central de fofocas municipais, 'eram os únicos que trabalhavam na cidade, além dos médicos'.

Por tradição, o diretor do clube e organizador do baile, doutor Oliveiros, escolhia o par da rainha para a hora da valsa e, naquele ano eleitoral, a honra seria reservada ao jovem filho de Boanerges,a quem a cidade acabava de acolher, advogado diplomado e deputado atuante. Surgiu um problema de última hora: Roberto não queria rodopiar pelo salão com a ex-namorada Dilah Ferolla e, discretamente, deu um jeito de convencer Oliveiros a valsar com a rainha, enquanto ele faria par com aquela princesa bonita e quieta que corava e abaixava a testa quando o descobrira devorandoa com os olhos. Foi uma dança após a outra.  E a paixão — fulminante para o arrebatado Roberto, tranquila para a doce Ismélia — foi imediata. 
 — Eu lhe conheço. Você é a filha do seu Merhige. Quantos anos você tem?

— Dezenove — mentiu a princesa.

— Você tem namorado?

— Não — mentiu só um pouco.

— Quer namorar comigo?

— Não quero, não (mentira da grossa).

 — Por quê?

— Porque não.

— Então, vamos fazer uma experiência.

— Só se for escondido, porque papai não pode saber (a princesa de agosto, enfim, jogava aberto com seu político encantado).

— Claro que pode, mas tudo bem. Amanhã posso te encontrar na praça? Roberto saiu do baile com uma certeza: aquela era a mulher com quem queria dividir o resto dos seus dias. Bem, talvez estivesse exagerando um pouco mas não custava fazer a tal experiência. No dia seguinte e na hora combinada , uma tarde fria de domingo, os dois apareceram na pracinha. Ela, sorrateiramente, usando como escudo a irmã. Ele, com o jeito de sempre, cumprimentando todo mundo que via pela frente.

 Ismélia entrou em pânico: a notícia logo chegaria na casa de dona Alzira, suas tias seriam as primeiras a espalhar. O medo logo passou. Não era só o político novato que se encantara por ela: a moça também estava fascinada rapaz de olhos e cabelos castanhos claros. No banquinho da praça, Roberto falou da vida que levava em Niterói, Ismélia contou-lhe sobre sua passagem pelo internato, trocaram confidências, o que uma e outro gostavam mais de fazer. Ah! ele gostava muito da Serenata de Schubert que ela tocava no piano! (Roberto gostava mesmo era de Jackson do Pandeiro, Ciro Monteiro e Jorge Veiga ). A conversa foi muito boa e demorada, mas no dia seguinte  era segunda-feira e o deputado de 24 anos precisava madrugar na estação ferroviária de Bom Jesus do Norte, na outra margem do Itabapoana, e voltar à capital.

 A partir daí, as viagens à terra natal ficaram menos espaçadas, mesmo com toda a trabalheira da Constituinte estadual e da construção partidária. Afinal de contas, um deputado precisa visitar suas bases! Numa das visitas, Roberto levou ninguém menos que o presidente do partido, comandante Abelardo dos Santos Mata, para emprestar um ar mais oficial e solene ao pedido de namoro. Para surpresa das filhas, Merhige Saad os recebeu muito bem, ofereceu o melhor café que produzia e deu sinal verde. Evidente que chegara a seus ouvidos o tal encontro na praça. Bom Jesus inteira ficou sabendo, minutos depois, o nome da musa eleita pelo galante deputado.

Com o aval do pai, o romance engrenou. E as cartas, até então enviadas por Roberto para uma funcionária dos correios que concordara em servir de ponte entre os dois, passaram a ser remetidas diretamente para a residência da moça.


Logo vieram o primeiro beijo, na varanda da casa dela; o primeiro presente de aniversário dado por ele, um par de canetas Parker 51 acompanhado de um bilhete: "Eu ganhei e estou te dando porque não tenho dinheiro para comprar um presente"; o primeiro filme, Carnaval no Fogo, com Anselmo Duarte, Eliana Macedo, Oscarito e Grande Otelo, que os dois assistiram juntos no Cine Monte Líbano; o primeiro presente dado por ela: uma cigarreira dourada parecida com a que o gângster em início de carreira José Lewgoy usa, na chanchada, para ser identificado pelos cúmplices no Copacabana Palace... " (páginas 180 a 182)

Roberto Silveira dedicou esta foto a Ismélia, em dezembro de 1947, com os seguintes dizeres: "À Ismélia, que conseguiu prender-me na cadeia de sua bondade e simpatia, ofereço esta fotografia, em que pareço mesmo um encarcerado"



Convite para o casamento de Ismélia com Roberto Silveira

Aos familiares e amigos manifestamos os nossos mais profundos sentimentos!

ISMÉLIA SILVEIRA VIVE!

sexta-feira, 12 de março de 2021

Os Lusíadas, de Camões

 


12 de Março de 1572. Foi há 449 anos que foi publicada a primeira edição d´Os Lusíadas. Obra escrita por Luís Vaz de Camões, provavelmente em 1556, só foi publicada três anos após o seu regresso das viagens que fez pelo Oriente, os Lusíadas estão divididos por dez cantos, com 1102 estrofes de oito versos. Têm como tema central a descoberta do caminho marítimo para a Índia, contando ainda as glórias dos portugueses nas suas aventuras pelo mundo. Aventuras que Luís de Camões vivenciara e tão bem conhecera. O papel dos Lusíadas para a afirmação da cultura nacional é essencial, sendo o maior poema épico da Língua Portuguesa.

Dos mais de 200 exemplares publicados no século XVI, restaram hoje apenas 30. Na imagem o exemplar existente na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.


Enviado por Antonio Soares Borges

segunda-feira, 8 de março de 2021

Minha homenagem no Dia Internacional das Mulheres

Lea Chaves dos Reis

 Sou filha e sobrinha de mulheres muito valentes, a minha mãe que já se foi, e a minha tia que nos presenteia com sua longa vida! Em seus próprios desafios das suas missões de vida, foram e continuam sendo meus mananciais de força! 

Em situações difíceis que enfrento e, quando eu não sei o que fazer, absorta, penso sempre numa resposta que minha mãe certa vez pronunciou: "Faça o que o seu coração manda"...

Mas fazer o que o coração manda já aprendi na marra que tem consequências que exigem uma força nova que ainda não tenho e que preciso buscar na razão... Agir com o coração, não é negar a razão, pois entender bem e saber bem o que é preciso vivenciar ao decidir agir com o coração é intrinsecamente racional, e é também, sim, afirmar que a nossa racionalidade não pode negar e abstrair nossos sentimentos.

E para brotar a força nova  é preciso pensar... 

E eu penso (com muita saudade) no jeito risonho da minha mãe, na amabilidade espontânea da minha mãe, no olhar de bondade da minha mãe, na simplicidade da minha mãe nos seus enfrentamentos.

E eu penso no jeito compenetrado da minha tia, na firmeza da minha tia, no olhar decidido da minha tia, na elegância discreta da minha tia nas suas lutas.

Delas absorvo um pouquinho de tudo e quando alguém diz pra mim "que não sabe de onde eu tiro tanta força", eu sei que minhas fontes são interna-emocionalmente elas: Nilda e Zilda!

Minha homenagem hoje no dia Internacional das Mulheres é em especial pra elas! ❤️❤️



segunda-feira, 1 de março de 2021

27 de março de 1933: a Leopoldina Railway assume a Cia Ferroviária Itabapoana




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Estação da Cia Ferroviária Itabapoana em Bom Jesus do Norte (ES)







Dentre os temas históricos que foram esquecidos em nossa comunidade, está o da Cia Ferroviária Itabapoana.

Acompanhando o rio Itabapoana, existia uma via férrea de 33 km entre as localidades de Bom Jesus do Norte (hoje, município, na época distrito de São José do Calçado/ES) e Ponte de Itabapoana (distrito de Mimoso do Sul/ES), onde interligava-se com a Leopoldina.

Das poucas informações que conseguimos encontrar sobre a Itabapoana, a maior parte acha-se nos arquivos do jornal O Norte Fluminense de Bom Jesus  do Itabapoana, que circula desde 1946, graças à atuação de Esio Bastos, fundador de nosso jornal. Outras informações foram conseguidas na publicação "Pino e Manilha", de 1995, editada pela Associação Brasileira da Preservação Rodoviária, de Cachoeiro de Itapemirim (ES), no Guia Levi (edição de novembro de 1938) e do suplemento da Revista Ferroviária Estradas de Ferro do Brasil, edição de 1952-1953.



O Cel. João Ferreira Soares fundou a Companhia Ferroviária Itabapoana

A Itabapoana era uma companhia particular fundada pelo industrial e fazendeiro João Ferreira Soares no princípio deste século, sendo que os trilhos chegaram a Apiacá/ES (antiga Antonio Caetano) em 1914 e Bom Jesus em 1916, faltando capital para o prolongamento até São José do Calçado.


Manoel Mangaravite trabalhou na Usina de Força e Luz Itabapoana, de João Ferreira Soares


Segundo Manoel Mangaravite, que trabalhou na Usina de Força e Luz Itabapoana, de João Ferreira Soares, este era proprietário também da Usina de Força e Luz Itabapoana e da Usina Santa Isabel.

Segundo Manoel, "foi João Ferreira Soares quem estabeleceu a Usina Hidrelétrica Mangaravite na década de 1930. O nome foi dado em homenagem ao meu avô Fortunato Mangaravite, que era o proprietário das terras da região. Meu avô era italiano e veio para o Brasil com a esposa Maria Gualhano. A Usina cedia energia para o Estado do Rio de Janeiro e para o Estado do Espírito Santo. João Ferreira Soares foi também proprietário da Cia. de Estrada de Ferro Itabapoana. Era, portanto, um empreendedor e visionário".

Em entrevista para o jornal O Norte Fluminense, em 2013, o empresário João Bousquet Jr informou que passou a trabalhar na Usina de Força e Luz Itabapoana em 1934, substituindo Joaquim Ferreira Ramos. "João Ferreira Soares era sobrinho de Carlos Firmo. Recordo-me que João Soares costumava dizer: 'quando quero ver um homem honesto, vou ao espelho'".



Joãozinho Bousquet trabalhou para João Soares a partir de 1934


A Itabapoana funcionava como um ramal da Leopoldina, sendo que os horários do trem de passageiros (misto) era sincronizado com os daquela ferrovia (veja quadro de quilometragens e horários). Devido a um empréstimo de Cr$ 2.700.000,00 lavrado pelas escrituras de 27/03/33 entre a Leopoldina Railway e a Itabapoana, esta ficou sob a administração daquela, para garantia do pagamento do mesmo (O Norte Fluminense, 31/07/49), embora continuasse como propriedade do "coronel" João Soares. Segundo esta mesma edição do Jornal, pelas escrituras de 06/09/46, o empréstimo atingia ainda o valor de Cr$ 2. 398.042,00 nesta data, quando foi reformulado.

A encampação da Leopoldina Railway pelo governo federal motivou exaltados discursos de parlamentares fluminenses e capixabas, pela inclusão da Itabapoana à rede da Leopoldina. O senador Atílio Viváqua (ES) chegou a apresentar a emenda de 25 milhões de cruzeiros ao plano SALTS (Saúde, Alimentação, Trasporte e Energia) para estudos visando a encampação da Itabapoana e seu prolongamento até Calçado, num trecho de 20km, "de cujo leito 14 km já se acham concluídos", segundo palavras do próprio senador (O Norte Fluminense, 12/06/1949).

Também era pedida a equiparação de salários entre os funcionários da Leopoldina (cerca de 14.000) e os da Itabapoana (75 famílias), segundo esta mesma edição de O Norte Fluminense, onde era lembrado que um guarda-chaves da Leopoldina recebia Cr$1.200,00, ao passo que um da Itabapoana apenas Cr$ 400,00. Por causa dos baixos salários, houve até greve de funcionários, como noticia o mesmo jornal em 23/01/49, ocasião em que o tráfego ficou paralisado entre 20 a 22 daquele mês.

Movimento de passageiros e cargas na Itabapoana em 1946 e 1950

Ano     passageiros     carga (ton)
1946    59.344               16.357
1950    38.422                 5.525

Fonte:  O Norte Fluminense, 04/05/52

Apesar de ser uma tributária da Leopoldina, a Itabapoana não foi incluída em sua encampação e, abandonada à própria sorte, entrou em declínio (vide quadro acima), acabando por suprimir o transporte de passageiros em março de 1951 e o de cargas em abril de 1952 (O Norte Fluminense, 04/05/1952).

Para o pagamento das dívidas, foi nomeado o liquidante Oscar Georg de Oliveira. Entretanto, uma pronta reação do povo (mais de mil pessoas) impediu a retirada dos trilhos, como noticia O Norte Fluminense em 05/06/1955. Amparado por uma alteração do artigo 15 das Disposições Transitórias da constituição do Espírito Santo, proposta pelo deputado Pedro Vieira Filho, o então governador Francisco Lacerda de Aguiar teve de cumprir uma promessa de campanha e comprou o espólio da Itabapoana em 21/10/55, por 5 milhões de cruzeiros (O Norte Fluminense, 06/11/55).

O acervo da Itabapoana, conforme o mesmo Jornal, em edição de de 19/07/1953, compreendia 33 km de trilhos, 4 boas estações, 3 paradas, 3 casas de turma de conserva, 3 desvios, além dos das estações, 4 locomotivas, 2 vagões de passageiros, 8 vagões de carga, 3 caixas d'água, 2 triângulos e uma bem montada oficina de reparos, sediada em Ponte do Itabapoana".

Segundo informações obtidas junto ao sr. Esio, as locomotivas eram 5, sendo que apenas 3 funcionavam. Não conseguimos fotos das mesmas, quando funcionavam e  suas respectivas rodagens. A úncia coisa que sobrou, que apodrece de fronte a Usina Santa Maria, em Santo Eduardo (Campos -RJ), aparece na capa desta edição.

A Itabapoana transportava, além dos passageiros, principalmnete café (de Bom Jesus para Itabapoana) e também de um armazém e máquina beneficiadora instalada em Santa Paz, onde havia um desvio, e açúcar. Antes da Estação São Manoel, existia um desvio que, atravessando o rio sobre uma ponte de cimento (ainda existente) servia a Usina Santa Isabel (hoje desativada), situada, portanto, no estado do Rio de Janeiro. Desta usina saía açúcar para exportação, via Leopoldina (com vagão) e chegava cana de açúcar, principalmente de Santa Paz. Das 5 locomotivas, duas foram transferidas para a Estrada de Ferro Itapemirim, juntamente com um carro de passageiros e um auto de linha, onde foram sucateados juntamente com todo o material da quela ferrovia.


Imagem relacionada
Estação de trem em Antonio Caetano, hoje Apiacá (ES)


Companhia Ferroviária Itabapoana

Estação        km    horários
Itabapoana    01          7:17    9:30     16:55      19:51
Santa Paz      08            -
Apiacá          18          6:37   10:06    17:38      19:11
São Manoel   23              -
Iuru                25          6:15   10:26    17:59      18:51
Bom Jesus     34          5:50   11:03    18:22       18:30

Fonte: Quilometragens em "Estradas de Ferro..." e horários do Guia Levi.
OBS: Segundo o Guia Levi, passavam por Ponte de Itabapoana o Noturno N1, procedente de Barão de Mauá, às 9:08 e outro de passageiros às 8:04, vindo de Cachoeiro (trem S4). O S3, que saía de Barão do Mauá às 5:36, passava em Ponte às 16:49. O N2 procedente de Vitória, passava em Ponte às 20:23.





     OLÍVIO BASTOS E A CIA FERROVIÁRIA ITABAPOANA


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Olívio Bastos nasceu em Campos dos Goytacazes (RJ) aos 19 de outubro de 1889. Em 1933, veio com sua família para Bom Jesus, assumindo o cargo de Administrador da Cia. Ferroviária. Naquela época, a Estrada de Ferro, que ligava Bom Jesus do Norte ao distrito mimosense de Itabapoana, passava por grave crise econômica e financeira e o seu proprietário, João Soares, a entregou à Leopoldina Railway Ltda. para comandá-la. Esta, por sua vez, enviou  Olívio Bastos para administrá-la. 

Na Cia. Ferroviária Itabapoana, Olívio Bastos imprimiu uma grande administração, colocando as estações bem aparelhadas e reparando o leito da linha férrea. Além disso, repuxou locomotivas, remodelou o carro de passageiros e estabeleceu o tráfego mútuo com a Leopoldina, tendo criado a Caixa de Aposentadorias e Pensões para os empregados.

Imprimiu administração moderna para a época com venda de passagens diretas para o Rio, Vitória e Niterói, instalando linha telegráfica em tráfego mútuo com a Leopoldina para o transporte de café de Bom Jesus para a estação destinatária. Para se ter uma ideia, já em setembro de 1933 foram transportadas 32.936 sacas de café. 

Olívio Bastos assumiu também a Empresa Luz e Força ltabapoana, empreendendo ali uma radical transformação administrativa. Essa empresa, também sediada em Bom Jesus do Norte, passou a receber melhoramentos refletindo no benefício dos seus funcionários e da população, estendendo seus fios até Santo Eduardo, distrito de Campos dos Goytacazes (RJ). 
  

Foi um dos fundadores do Centro Popular Pró Melhoramentos de Bom Jesus e fez parte da sua primeira diretoria, na qualidade de tesoureiro, sendo, depois, seu Presidente. Com extraordinário tino administrativo, promoveu ampla reforma no Hospital São Vicente de Paulo, que estava fechado, advindo daí o crescente desenvolvimento dessa grande instituição. Também o Colégio Rio Branco recebeu de Olívio Bastos os benefícios de sua visão administrativa. Assumindo a direção em momento difícil para o educandário, coube a ele introduzir grande transformação no tradicional Colégio, ampliando e construindo salas novas, laboratório, e a quadra de esportes.



Olívio Bastos foi um dos fundadores do Rotary Clube de Bom Jesus e um dos fundadores do Aero Clube de Bom Jesus em 1942, tendo presidido esta sociedade. Participou ativamente das atividades em Bom Jesus, colaborando para o progresso da terra bonjesuense e de sua gente.



Casado com a professora Vivaldina Martins Bastos, de tradicional família campista, desse enlace nasceram os seus filhos Esio Martins Bastos, jornalista, comerciante e fundador do jornal "O Norte Fluminense", Luciano Augusto Bastos, advogado, educador e diretor do Colégio Rio Branco, por vários anos, e Maria Ruth Bastos Guerra, viúva de José Sebastião de Vasconcelos Guerra, funcionário aposentado do Banco do Brasil.

Olívio Bastos faleceu nesta cidade no dia 29 de novembro de 1957, aos 68 anos de idade. A vida de Olívio Bastos é um hino de trabalho e dedicação em prol desta terra. Trazendo o conhecimento administrativo que ele recebeu dos ingleses da Leopoldina Railway, empregou em Bom Jesus todo o seu vasto cabedal administrativo, sendo mesmo um pioneiro, à época em que éramos ainda distrito de Itaperuna. Era um administrador enérgico, porém justo e humano, além de pautar seus atos com dignidade e honradez.


Sua vida de grande administrador será sempre um espelho para a juventude bonjesuense. 

Olívio Bastos, 3º da esquerda para a direita, pai de Esio Bastos (último à direita), foi administrador da Cia Ferroviária Itabapoana em Bom Jesus do Norte (ES)