quinta-feira, 11 de novembro de 2021

30 de novembro: os 93 anos de Michel Saad


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Michel Saad: uma vida dedicada à educação

Michel Saad completa, no dia 30 de novembro, 93 anos. O Norte Fluminense o saúda e o parabeniza pela feliz data! Tenha muitos anos de vida!

Michel Salim Saad é proprietário do jornal A Voz do Povo, e teve destaque na atuação como líder dos professores do Estado do Rio de Janeiro, na década de 1960. Realizou um trabalho extraordinário, intenso e pioneiro objetivando a valorização dos professores.

Sob sua liderança, o Sindicato dos Professores do Estado  promoveu importante  greve em busca de melhoria das condições  de trabalho para o magistério, além de remuneração condigna da classe dos professores. 

Depois de importante atuação como deputado estadual, foi reeleito como deputado mais votado do PTB, e líder do partido no Governo de Badger Silveira. 

Como deputado, sua atuação foi marcada pela priorização  da educação de base, tendo sido autor de vários projetos de lei que criavam condições de melhoria na formação dos professores e na sua valorização profissional. Teve atuação de destaque na implantação do Colégio Estadual Padre Mello.

Parabenizamos Michel Salim Saad, desejando muitos anos de vida!


Michel Saad foi paraninfo de concludentes da 1a. turma de ginasianos do Ginásio Zélia Gisner. Na foto, sentado no sofá com a diretora Adélia Bifano


POR QUE MICHEL TORNOU-SE DEPUTADO ?
                                  (Extraído do livro de autoria do professor e poeta Hermes Santos)  






       

   Exercendo a Presidência da União  Fluminense do Estudantes,  ROBERTO (então candidato a Vice Governador) insistia em fazê-lo  deputado, prometendo-lhe, inclusive, por acréscimo, o Diretório do PTB de Macaé. A recusa foi  imediata, explicando a Roberto que havia um compromisso com a classe, no sentido de lutar com todo o empenho, em   favor da criação da UNIVERSIDADE FEDERAL  no antigo Estado o Rio e instalação da Casa do Estudante do Interior.

 Seu compromisso era com a classe, Não se dispôs  a fazer da Presidência  (UFE- União Fluminense dos Estudantes) um trampolim para a política  elegendo-se Deputado.
Aliás, nunca fez parte de seus planos concorrer a qualquer cargo eletivo A rigor, queria apenas estudar. Não alimentava projetos de vida. Sonhava apenas com uma vida melhor.Tudo o que aconteceu em sua vida foi apenas um  conjunto de acontecimentos – nada mais que isso-   que  o conduziu  a cargos jamais almejados.

Roberto,  a princípio mostrou-se ressentido  com o amigo. Depois ele compreendeu as razões da recusa. Exercendo a Presidência da União  Fluminense dos Estudantes (UFE), entidade máxima representativa dos  universitários não poderia fugir aos compromissos com a classe, firmados em torno da luta pela criação da UNIVERSIDADE FEDERAL.

                              O candidato a Vice- Governador compreendeu a importância da luta, somando seus valiosos esforços pela causa,  juntamente com os demais Diretórios Acadêmicos
                             De fato, a  criação da UNIVERSIDADE estaria sempre em primeiro lugar, dentre as metas da sua Diretoria. Roberto lutou pela criação da  Universidade, ao lado do Senador Vasconcelos Torres. Por  ocasião da comemoração de 50 anos de sua criação,  Michel e  Roberto Silveira receberam a Medalha de ouro, este,  post mortem, representado na solenidade  por  suas  filhas Marcia e Auxiliadora Silveira.  


IRONIA DO DESTINO


Todavia, por ironia do destino, mais tarde, após a morte do então GOVERNADOR ROBERTO, assumindo o Governo Celso Peçanha, determinou a demissão de Michel do Cargo de Advogado do DER.
Para evitar o ato, seu amigo e chefe, Diretor da Divisão Judicial do DER,   muito se empenhou em  evitar o cumprimento da  ordem, aconselhando a pedi licença  e candidatar-se a Deputado. Relutou de início, mas um expressivo grupo de servidores levaram-no uma lita com contribuições de centenas de servidores , além do oferecimento de uma Rural Willis usada para  ser utilizada na campanha.  Assim contornou a situação  seu chefe Carlos Helio Vogas. Com a licença para concorrer, evitaria o cumprimento da ordem de demissão dada pelo então Governador Celso,  movido  pela antiga ligação de Michel  a Roberto.

            A PERSEGUIÇÃO  O  FEZ DEPUTADO

                     A perseguição do Governador CELSO, - que sucedeu ROBERTO SILVEIRA - lhe valeram dois mandatos de Deputado Estadual. Inicialmente ofereceu resistência a concorrer, por não acreditar que pudesse granjear voos suficientes.  Na ocasião antigos colegas do DER mobilizaram-se,  juntando-se na campanha, o magistério, tendo sido eleito em 1963, Deputado Estadual, e reeleito  em 1966.

                     Escolhido por seus pares Líder da bancada do Partido Trabalhista Brasileiro,logrou sua recondução por toda a legislatura.

                   A imprensa especializada,  à época, conferiu-lhe os títulos de “Melhor Líder de Bancada “ e “Autor dos 5 Melhores Projetos”.

                    No segundo mandato ocupou a Vice-Presidência da Assembleia Legislativa, tendo sido também  Presidente da Comissão de Constituição e Justiça. 
                      Nas denúncias que fizera, tanto com relação às Bolsas de Estudos, como apontando a corrupção, se de um lado esperara o restabelecimento da decência nos negócios públicos, acabou  sendo  vítima da violência dos mais fortes, contra  inocentes, obrigados a engolir, calados, tantos anos de perseguição. 

 Único parlamentar que recusou o  recebimento de seus vencimentos de Procurador do Estado, durante todo o período dos mandatos, entendendo tratar-se de uma Resolução inconstitucional e imoral.

       *    Como Deputado  lutou e conseguiu a construção de inúmeras obras e escolas,  notadamente o Colégio Padre  Mello, em Bom Jesus, um dos maiores do Estado.
                    Por sua iniciativa, no exercício do mandato, lutou e conseguiu a construção de inúmeras escolas, valendo lembrar a construção do Grupo Escolar “Francisco Couto”, no bairro Lia  Márcia, além de Escolas Sesmaria, Bom  e várias outras em locais de difícil acesso (radicadas).
              * Tornou-se o defensor dos direitos dos  professores e e do funcionalismo de categoria mais modesta . Dentre várias leis de sua autoria é de sua iniciativa a que passou a permitir que as professoras casadas ( até então, prerrogativa de professoras casadas com funcionários  públicos) .

                   Com a nova Lei no. 5.427, de 29/10/64, ainda que casada com não funcionário, a esposa passou a ter o direito de  acompanhar seu marido, independentemente de suas lotações, quando estes viessem a ser transferidos para outras localidades.  Tal medida veio ajustar dezenas de casais.

 São também de sua autoria:  

                    *  Emenda ao Projeto no 133/65, restabelecendo do o processo de radicação (criação de escola em locais de difícil acesso).
                       *Aposentadoria às professoras, que completassem 25 anos de serviços prestados ao magistério, através da Emenda Constitucional, dando nova redação ao artigo 116 e seus parágrafos  A lei ordinária  existente, não era aceita pelo Tribunal de Contas. Foi um passo importante. A atual Constituição passou a permitir a aposentadoria com 25  anos prestados ao Magistério.
                      * Art. 3º da Lei 5307 de 07/02/64 determinando a  lotação da professora estagiária casada, no município onde  residisse o casal.               
                    *   Emenda  aos projetos  133/65, restabelecendo  o processo de radicação (criação de escolas em locais de difícil acesso)  que o Governo propôs suprimir em Mensagem enviada à Assembleia
                     * Projeto 297 propondo a efetivação  das professoras estagiárias quer haviam prestado concurso público. Foram efetivadas.
                      *  Emenda  à Lei 5.377, abrindo crédito de 200 milhões de cruzeiros destinados ao pagamento  de bolsas de estudos para alunos pobres.
                      * Lei 5307 de 7/02/64 determinado a lotação da professora da professora estagiária  casada, no município  onde residir o casal.
                      * Lei aumentando de 35 para 40 anos a idade permitida para o Concurso de Ingresso ao Magistério. 
                       * Emenda ao Projeto oriundo do Poder Executivo que criou o Fundo Nacional de Educação, proporcionando  a ampliação de recursos financeiros ao mesmo destinado. Aprovada.
                        * Projeto no. 183/;66 propondo que o Concurso para o Ensino Médio  obedecesse ao critério de classificação.
                        * Indicação no 95/63 sugerindo a liberação urgente do plano de aplicação de recursos das Campanha Nacional d Educandários Gratuitos.
                         * Projeto objetivando a concessão de salário família  aos filhos de qualquer condição ( enteados, adotivos, menores sob sustento de servidor)
                         * Projeto 441/63 que estabelece a garantia de penhor rural e industrial para financiamentos em favor de  ocupantes  de terras de propriedade do Estado.
                         *    Emendas ao Projeto  no 92/64, permitindo a isenção de imposto de vendas e consignações na  primeira operação efetuada por pequeno produtor, inclusive meeiro, cuja produção agropastoril não fosse industrializada..
                         * Projeto estendendo benefícios  vigentes a empregados ou servidores do Estado que operam com cloro, em solução  ou gasoso.
                         *  Indicação  no 468/63 solicitando  levantamento , pesquisas  sobre o problema de água nas favelas s e morros de Niterói e adjacências.
                          * Emendas ao Orçamento  Estadual consignando auxílios  a vários Hospitais , Casas de Caridade e  entidades  de assistência, Prefeituras, no valor  total de aproximadamente de 100 milhões de cruzeiros e liberação  de mais de 200 milhões de cruzeiros em favor  de várias entidades beneficentes do Estado.
                         *Indicações solicitado retificações de estradas, pavimentações, serviços e terraplanagem, extensão de rede de águas, rede elétrica, construções de Grupos Escolares, principalmente para os Municípios de Bom Jesus do Itabapoana, Santa Maria Madalena, Conceição de Macabú, Trajano de Moraes,  Itaperuna, Duas Barras.  ( Indicações  215/64,131/64, 365/63, 665/63, 664/63, 46/63, 175/65, 174/65, 77/63, 131/64, 263/64, 132/63, 133/63).

                            *Luta pela supressão  das exigências  de lavratura de apostilas, em face das dificuldades  para o servidor residente no interior do Estado. (Indicação no 500)
                              * Nova redação  ao artigo 1º. da Lei 1.661, concedendo  aos extranumerários diaristas o direitos de perceberem gratificação, quando no exercício de qualquer chefia.



·       No município de Bom Jesus do Itabapoana: construção  do Grupo Escolar Francisco Campos Couto no Bairro Lia Marcia;
·       Instalação da DIVISÃO DE ASSISTÊNCIA RODOVIÁRIA AOS MUNCÍPIOS (DARM)  e construção da nova Sede;
·       Construção de Escolas  Sesmaria, Bom Jardim, Bonfim, e várias escolas radicadas;
·       Construção da rede de abastecimento d´agua  do Bairro Lia Marica;
·         Construção da rede de energia elétrica para São Sebastião e Bom Jardim, estado na fase de conclusão;
·       Construção da rede de energia elétrica para Pirapetinga, em fase de conclusão;
·       Auxílio para a construção  do Abrigo dos  Velhos, (500 sacos de cimento, material hidráulico e material elétrico);
·       Liberação de aproximadamente de 60 milhões para o Hospital;
·       Liberação de 8 milhões para calçamento do distrito de   Rosal;
·       Liberação de  auxilio de 6 milhões  para  a construção da sede do Ginásio de Carabuçu;
·       Auxílio de 32 milhões  para a PREFEITURA;
·       Liberação de auxílio de 6 milhões para o Ginásio de Carabuçu além de 8 milhões e liberação de aproximadamente  60 milhões para obras na município;
·       Construção de diversas pontes na zona rural;
·       Construção de redes elétricas, inclusive na localidade de Bom Jardim;
·       Auxílio constante do Orçamento Estadual,  na construção do Abrigo dos Velhos, através de material elétrico e hidráulico;
·       Construção de das obras e aparelhamento  do moderno Centro de Saúde;
·       Construção de diversas pontes na zona rural do município, a começar  pela ponte do Adilio;
·       Construção da rede de  abastecimento d´água do Bairro Lia Marcia;
·       Construção da majestosa ESTAÇÃO RODOVIÁRIA, juntamente com o Prefeito Oliveiro Teixeira. atualmente abrigando a sede da CÂMARA MUNICIPAL;
·        Construção do GINÁSIO PADRE MELO   em sua 1ª. fase e do novo prédio do atual COLÉGIO, e na 2ª fase, contando com a efetiva participação do Deputado Federal Eduardo Galil e do Prefeito Carlos Garcia;

·       Dentre outros Municípios, destacam-se as iniciativas  pleiteadas pelo Prefeito Roberto Felix, Armindo Verbicário e Francisco Fajardo, em favor do município de Sana Maria Madalena, através de um tralho conjunto junto ao Governo do Estado, incluindo, inclusive verbas no Orçamento para melhorias no município, com o novo serviço de abastecimento d’água; auxílio de 30 milhões à Prefeitura; conclusão do sanitário púbico; reforma das pontes Paraíso e construção de Ribeirão Santíssimo; reconstrução  do adro da Igreja Matriz;d restauração de toda a parte elétrica , com iluminação a mercúrio; criação do Núcleo de Conserva Estadual com sede em Madalena, para atendimento das estradas  locais; Lei  considerando de Utilidade Pública a Casa do Estudante de Madalena: abertura de novas estradas vicinais: retorno   da linha de ônibus  para Sto. Antonio do Imbé; construção e reconstrução de passeios públicos; aquisição de conjunto de iluminação pública para o 3º Distrito (Imbé); Luta para a nova rede  elétrica  Trajano- Madalena- Loreti;  retificação da estrada Santo Antonio do Imbé-Conceição de Macabu (trecho Cajeueiro-Barra); reconstrução do antigo Posto  de Saúde  para instalação  da Delegacia de Polícia; três canais de televisão para a cidade; Conserva no Plano Estadual, da estrada Sossego-Imbé; calçamento de mais de 800 metros  em ruas; ponto sobre o Rio São Domingos; construção da nova quadra de basquete e futebol de Salão; Construção de novas salas no G.E. de Triunfo; doação de 2.000 metros de tubos para abastecimento d’água em Triunfo; Melhoramentos no manancial  de Tamanduá; Indicação na Assembleia solicitando pavimentação  das Estradas Trajano-Madalena-Conceição; reconstrução de estradas municipais; reforma geral do Grupo Escolar  Barão de Santa Maria Madalena; reformas não Grupo Escolar de Sato Antonio do Imbé; inclusão  no Plano Estadual para construção  das Escolas  Manoel de Moraes e Dois Irmãos; construção  do trecho da Estrada Àgua Limpa-Ímbé;

·        O  mesmo ocorreu em Conceição de Macabu, com a efetiva colaboração de Cid Neves (Vice-Prefeito de Madalena);
  Auxílios a diversas entidades, contando com a colaboração do Jornal local e Comunidade de Jovens Cristãos. inclusive com a inauguração da Rádio Conceição, com a doação  dos equipamentos  e toda a fiação necessária, por parte do Governo do Estado.No município recebeu a maior votação entre os demais candidatos;                                                                                                                                                                                                                                                           

·       Notabilizou-se pela sua constante  luta em favor da  justiça social. Como parlamentar, recusou-se receber seus vencimentos de Procurador do Estado, durante todo o período de seus mandatos, entendendo tratar-se de uma Resolução inconstitucional e imoral.





Foto histórica de Michel Saad

(do jornal A Voz do Povo)




15 de novembro: 32 anos de saudades de Salim Darwich Tannus, autor do hino de Bom Jesus

  No dia 15 de novembro de 1989, falecia Salim Darwich Tannus, autor do hino de Bom Jesus. Segue matéria realizada por O Norte Fluminense, em 2021.



Salim Darwich Tannus

Dia 23 de maio, Salim Darwich Tannus, o autor da "Marcha a Bom Jesus", conhecida como o Hino de Bom Jesus, faria aniversário.

O Norte Fluminense publica, a seguir, texto originalmente publicado no livro BOM JESUS, LEMBRANÇAS E RECORDAÇÕES, de Helton de Oliveira Almeida e João Batista Ferreira Borges, editado pela Almeida Artes Gráficas em 2000.

Na sequência, publicamos entrevista exclusiva com Orlando Alves, conhecido como Orlando do Salim, falecido há 3 anos.  Ele relatou como Salim se inspirou para compor a canção clássica de nosso município.




ORLANDO DO SALIM: COMO SURGIU O HINO DE BOM JESUS


Orlando Alves, o Orlando do Salim



Orlando Alves nasceu no dia 8/6/1921, em Cordeiro (RJ). Completará, portanto, 95 anos de idade, no início do próximo mês.

É conhecido como Orlando do Salim, em decorrência da ligação que teve com Salim Tannus, filho do libanês Karin João, e autor da canção  "Marcha a Bom Jesus", conhecida como o Hino de Bom Jesus.

Orlando é filho de Sebastião Alves e Justina Alves, e teve  12 irmãos. Justino Alves, residente no Rio de Janeiro, é o único vivo.

Ele conta: "eu trabalhava na Fábrica de Tecidos Nossa Senhora da Piedade S.A. em Cordeiro, quando recebi a visita de minha cunhada Ana Pinto Alves, casada com seu irmão Holandês Alves. Estes moravam inicialmente em Porciúncula (RJ). Ocorre que Jorge Tannus, irmão de Salim Tannus, tinha contratado Holandês, que trabalhava em empresa estatal, para ser motorista de caminhão para transportar café em Bom Jesus do Itabapoana. Por este motivo, minha cunhada queria que eu fosse trabalhar com meu irmão.

Acabei acompanhando-o, após exercer um ano de trabalho na Fábrica de Tecidos.

Cheguei em Bom Jesus em 13/12/1950 e fui trabalhar nos armazéns de café de Karin João, conhecido como Quirino, pai de Salim Tannus. Ele possuía um armazém de em Bom Jesus do Norte (ES), próximo à rodoviária, e outro na avenida Padre Mello. Depois, passei a ser ajudante de caminhão e, finalmente, passei a ser motorista.

Casei-me com Maria Brandão e tive 5 filhos: Marcelena, Daysi, Orlando Filho, Laerte, Simone e uma adotiva, a Leila. Enviuvei em 2000.

Maria Brandão e Orlando na festa dos 80 anos
  
Maria Brandão e Orlando, na década de 1940

Segundo Orlando, "fui, por várias vezes, motorista do Monsenhor Francisco Apoliano, por determinação de Salim Tannus. Recordo-me que certa vez, Monsenhor Francisco recebera uma importante doação para o Abrigo dos Velhos, por parte de um empresário de Campos dos Goytacazes. Levei Monsenhor até lá, para concretizar a doação".

O neto Breno e Orlando



HISTÓRIAS DE KARIN JOÃO



Karin casou-se com Júlia e teve uma única filha: Dona Amélia. Esta casou-se, por sua vez, com Salim Tannus, e teve 7 filhos: Maura Júlia, Ângela, Regina,  dr. Gonzaga, falecido, Angélica, Elizabeth e Maria Amélia.

Recordo-me de duas passagens envolvendo o libanês Karin.

Uma dessas histórias contada a mim foi a seguinte:  quando Karin mascateava com Antônio Miguel, de Chave de Santa Maria (RJ), enfrentaram um tempo de chuva, quando anoitecia. Ambos estavam famintos e chegaram a um armazém que, contudo, não tinha comida, apenas carne-seca e outros itens. Observaram, contudo, que havia um saco cheio de pepinos. Resolveram, então, comprar alguns e, ali no armazém, rasparam a casca dos pepinos e passaram a comê-los com doses de cachaça. As pessoas ficaram admiradas e diziam que eles iriam morrer, porque pepino e cachaça seriam um veneno. Seja como for, continuaram a comer e acabaram dormindo com a roupa molhada no canto do armazém, com autorização do proprietário. No dia seguinte, quando acordaram, observaram que o armazém estava cheio de pessoas. Ele perguntou, então, ao dono do armazém: - Esse pessoal não trabalha não? - Eles trabalham sim, mas vieram aqui para ver se os turcos tinham morrido, finalizou o proprietário do armazém.

Outra passagem de Karin ocorreu no armazém de café em Bom Jesus do Norte. As sacas de café eram empilhadas, com cada pilha contendo cerca de 18 sacas. Certa vez, os meninos Gonzaga e Darwich (hoje, médico oftalmologista) foram ao armazém e começaram a brincar de super-homem pulando sobre as sacas de café. Karin, com aquele sotaque libanês, virou para mim e disse: - Orlando, tira esses meninos daqui e leve-os para casa, porque estão desarrumando as pilhas!

Em outra oportunidade, quando eu fazia um trabalho na casa de Karin, eu encerava o assoalho, que era de madeira e limpava toda a casa. Ao limpar por baixo da cama, observei que havia várias notas de dinheiro. Avisei dona Júlia, esposa de Karin, que disse: - Isso deve ser coisa das crianças ou do vento! 





COMO SURGIU O HINO DE BOM JESUS




Orlando conta como Salim Tannus compôs o Hino de Bom Jesus. "Certa vez, levei Salim para sua casa em Guarapari. Ele gostava de cantar durante as viagens. Após um período na praia capixaba, ao retornar de viagem, quando passava por Iconha, sua filha Maria Angélica, que tinha cerca de seis meses, passou a chorar. Salim disse, então, que a filha estava com saudade de Bom Jesus. A partir daí, teve uma inspiração e começou a cantar a letra inicial do que viria a ser o Hino de Bom Jesus"Oh, Bom Jesus, terra de hospitalidade, longe de ti, quase morro de saudade!..." Salim virou, então, para a esposa e disse- Anota aí, Amélia!Foi assim que Salim iniciou a composição da música".

A filha Simone e Orlando



OUTRAS HISTÓRIAS DE SALIM TANNUS


Certa vez, saímos por volta das 23 horas em direção a São José do Rio Preto (RJ). Salim foi dormindo no banco de trás. Após Sapucaia, nas imediações de Anta, o sono se abateu repentinamente sobre mim e vi uma estrada pequena como se fosse grande, e quase caí no precipício. Recuperei-me, contudo, a tempo. Enquanto isso, Salim continuava a dormir. Parei, então em um posto de gasolina próximo e dormi no carro. Pedi, então, ao funcionário do posto para me acordar em 30 minutos. Assim ocorreu. Foi o tempo necessário para eu me recompor. Quando recomecei a viagem, Salim acordou e me perguntou: - Você está com sono?  Eu disse que não. Ele replicou: - Vou cantar, então, para você não dormir no volante.

Salim costumava estar sempre se encontrar com o ex-prefeito Oliveiro Teixeira. Ambos apreciavam a música e estavam sempre entoando canções e compondo. Ambas as famílias são como se fossem uma só, até hoje.

Até hoje, quando vou comprar alguma coisa, fiado, peço para colocar em nome de Orlando do Salim, porque ninguém me conhece como Orlando Alves.

É com satisfação que tenho o reconhecimento dos filhos de Salim, que mantêm contato contínuo comigo, tratando-me com todo o carinho possível. 

Três gerações: Orlando, entre a filha Marcelena e a neta Clarisse



"MINHA MÃE ERA A CABEÇA DA FAMÍLIA"

Maria Angélica Quirino Tannus, em foto de 2002

Maria Angélica Quirino Tannus, filha de Salim Tannus, diz que " minha mãe Amélia era a cabeça da família. Ela possuía tino comercial e mandava na família, mas não se destacava  socialmente, porque mulher não podia aparecer. Mamãe estava no seio materno quando veio do Líbano para o Brasil. Ela nasceu no Rio de Janeiro no dia 12/03/1922. Meus avós maternos se chamavam Karin João e Júlia Habib. Meu avô, que era mascate, resolveu vir para Bom Jesus, porque na época aqui havia muito dinheiro por causa do café. Importante destacar a força de vontade de meu pai, pois resolveu cursar a Faculdade de Direito quando tinha 60 anos de idade. Concluiu o curso na FDCI, de Cachoeiro de Itapemirim (ES), e exerceu a profissão".


Em relação a Orlando, ela diz que "ele é nosso Pai PretoOrlando é tudo para nós. Foi ele quem nos ensinou  a andar de velocípede, de bicicleta, de carro, e até a nadar. Amo-o. Hoje, apenas eu e ele moramos aqui em Bom Jesus. Orlando era muito ligado a Gonzaga, meu falecido irmão."

Em relação ao Hino de Bom Jesus, ela se recorda que "meus pais diziam que a inspiração surgiu após eu chorar, quando era criança, numa viagem de volta de Guarapari (ES)".








MARCHA A BOM JESUS
(Hino de Bom Jesus)
Autor: Salim Darwich Tannus

Oh! Bom Jesus!
Terra de hospitalidade,
Longe de ti,
Quase morro de saudade!

Oh! Bom Jesus!
Terra de hospitalidade!...
Longe de ti, oh! Bom Jesus,
Morro de saudade!

Tens os montes verdejantes,
Lá no alto do Calvário,
Todos nós juntos, em prece,
Veneramos o Santuário.
Tua garota é formosa e gentil
Oh! Bom Jesus!
Pedaço do meu Brasil!

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

13 de novembro: os 126 anos de nascimento de José de Oliveira Borges, o 1o. prefeito de Bom Jesus após a 2a. emancipação

  Pedro Gonçalves Dutra



José de Oliveira Borges


                                               

Nota de O Norte Fluminense: Neste dia 13 de novembro ocorre a celebra6 dos 126 anos do nascimento de José de Oliveira Borges, conhecido como Zezé Borges, que nasceu na Barra do Pirapetinga, o 1º prefeito de Bom Jesus do Itabapoana após nossa 2ª emancipação, ocorrida no dia 1o. de janeiro de 1939. Publicamos, nesta edição, texto do saudoso professor Pedro Gonçalves Dutra, publicado em livreto, em setembro de 1986. O texto fora escrito originalmente em 13 de novembro de 1975, por ocasião da inauguração do busto de José de Oliveira Borges, comerciário, construtor, comerciante - dos de maior expressão - no ramo madeireiro, de cereais e de café. Foi, entretanto, o traço marcante de sua trajetória terrena, a sua ininterrupta atuação política, onde encontrou campo propício para expandir a sua personalidade ímpar de administrador probo e de homem público voltado para os superiores interesses de sua terra e de sua gente. Segundo o autor, na apresentação do livreto, se fez presente o então senador Amaral Peixoto, que, como interventor no Estado, nomeou-o prefeito, cargo que assumiu no dia 1º. de janeiro de 1939, e que assim se referiu a respeito do homenageado: "Se Nova York possuía a Estátua da Liberdade, Bom Jesus possuía a Estátua da Lealdade".
                                                  
                       
DADOS BIOGRÁFICOS


          Nasceu JOSÉ DE OLIVEIRA BORGES a 13 de novembro de 1895, em Barra do Pirapetinga, 10º. distrito de Itaperuna, hoje 1º. distrito de Bom Jesus do Itabapoana, sendo o 4º. filho de Francisco Borges Sobrinho e Maria Severina Borges.

          Transferindo-se com seus pais para Arrozal de Santana, hoje Rosal, 3º. distrito de Bom Jesus do Itabapoana, ali fez seus estudos primários na escola da dona Consuelo Minucci.

          Em 1911, seus pai transferem-se para Bom Jesus, onde apenas ainda adolescente, seria eleitor 1º. Secretário do CENTRO OPERÁRIO, entidade fundada por Pedro Gonçalves da Silva (Cel. Pedroca), nos primeiros anos de nosso século.

          A 25 de janeiro de 1917, contraiu núpcias com a srta. Maria Moraes Ferreira, tendo comemorado 65 anos de união conjugal em janeiro de 1982, ano no qual viria a falecer a 16 de julho. Desta união nasceram os seguintes filhos: Adelaide e Geraldo (já falecidos); Maria Borges Pereira das neves, esposa do dr. Emanuel Pereira das Neves, ex-deputado estadual e advogado aposentado do Banco do Brasil; José Ferreira Borges, escrivão do Cartório do 1o. Ofício desta cidade; Antonio Ferreira Borges, fiscal de rendas aposentado do RJ; Terezinha Borges, funcionária aposentada da F.F.F.; Luiz Ferreira Borges, comerciante; João Baptista Ferreira Borges, comerciante; Francisco de Oliveira Borges, Comerciante e Paulo Ferreira Borges, medico em Brasília-DF. Possuía ainda 36 netos. 

VIDA PÚBLICA DE JOSÉ DE OLIVEIRA BORGES

1922 - Eleito Vereador e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Itaperuna. Representou com brilhantismo o então 10º distrito, sabendo elevar o nome de Bom Jesus, ao ocupar tão elevado cargo.
           Embora continuando na militância política, a Revolução de 1930 veio encontrá-lo ao lado do governo deposto, tendo permanecido até 1939 sem exercer nenhum cargo público.

1939 - É empossado como primeiro Prefeito nomeado para o Município de Bom Jesus do Itabapoana, criado pelo Decreto nº 633 de 14 de dezembro de 1938, cargo no qual permaneceu até 1946.

1947 - Eleito Deputado Estadual pelo Partido Social Democrático, foi um dos Constituintes de 1947, tendo exercido também a Vice-Presidência da Assembleia Legislativa, por escolha de seus pares.

1951 - Ao concluir o mandato de Deputado Estadual, elege-se Vereador, liderando a Oposição ao Prefeito de então.

1955 - Eleito Prefeito em 1954, sempre pelo PSD, ao enfrentar poderosa coligação de partidos, assume o governo a 31 de janeiro de 1955, governando até 31 de janeiro de 1959.

1963 - Eleito Vereador, exerce na Legislatura 63-67 a Vice-Presidência da Câmara Municipal.

          Candidata-se a Prefeito em 1970 e a Vice-Prefeito em 1972, pela legenda do Movimento Democrático Brasileiro, agremiação na qual ingressou com a extinção do Partido Social Democrático pelo AI-2. Foi fundador e Presidente do Diretório Municipal do PMDB e do Partido Social Democrático.
          Fundador e Presidente do Ordem e Progresso F.C., do Rotary Club, do Centro Popular e do Aero Clube de Bom Jesus do Itabapoana.
          Foi delegado do Governo do Estado do Rio de Janeiro junto ao Instituto Brasileiro do Café, nomeado pelo Governador Amaral Peixoto.


REALIZAÇÕES

    Implantação da máquina administrativa municipal e sua organização. Abertura de estradas em todo o município. Início do calçamento de ruas da cidade. Aquisição para o município dos terrenos onde hoje se localiza o Bairro Novo. Início da construção do prédio onde hoje funciona a Prefeitura Municipal. Construção do muro do Cemitério Público da cidade. Aquisição para o município da Usina de Energia Elétrica de Rosal.

         Faleceu no dia 16 de julho de 1982.

        Eis o resumo de 80 anos de vida pública inteiramente dedicada a seus semelhantes.

       Que o exemplo de JOSÉ DE OLIVEIRA BORGES frutifique e que a herma inaugurada a 13/10/75 lembre que com homens das fibra e honradez de caráter de ZEZÉ BORES é que se constroem a grandeza de um município e de seu povo.



 Pedro Gonçalves Dutra foi licenciado em Estudos Sociais, professor de Organização Social de Política do Brasil, e ex-vereador pelo Movimento Democrático Brasileiro, entre 1967 e 1973.


 José de Oliveira Borges discursou em sua posse como o 1º. prefeito de Bom Jesus do Itabapoana após sua 2ª. emancipação, no dia 1º/01/1939, no Paço Municipal, onde hoje está situado o Big Hotel 

12 de novembro: 6 anos de saudade de Amílcar Abreu, o Mago das Cordas

 



Amílcar Abreu Gonçalves nasceu em São José do Calçado (ES) no dia 17/09/1924. Filho de Adauto Pereira Gonçalves e Lélia Teixeira de Abreu Gonçalves, seu pai nasceu em Carangola (MG) e era motorista de caminhão, fazendo intermediação de negócios com fé. Sua mãe, calçadense, era "do lar".

Com 4 anos de idade mudou-se para Bom Jesus do Norte (ES), se fixando na conhecida Rua do Calçado, hoje Rua Carlos Firmo, passando a ser vizinho de Olívio Bastos, pai de Luciano e Ésio Bastos. O motivo da mudança se deveu a que "seu" Adauto fora trabalhar no Serviço de Água e Esgoto da cidade capixaba. 

Estudou no Colégio Rio Branco "até completar o 5o. e último ano". Foi escolhido, ao final, como "orador da turma, por meu estilo brincalhão".





Amilcar teve iniciação na música aos 9 anos de idade, quando passou a estudar com dona Mariquita, mãe de Gizete Barroso, sua professora no ensino regular. Dona Mariquita, violonista e pianista, se encantou com as qualidades artísticas de Amilcar e resolveu dar aulas de violão para ele gratuitamente.

Mais adiante, quando morava na rua Ataulpho Lobo, seu desejo de tocar violão se fortaleceu e tornou-se "autodidata, vendo os outros tocarem". Amílcar trabalhou com seu pai na empresa de Serviço de Água e Esgoto dos 12 aos 16 anos de idade.


CARLOS BRAMBILA


Amilcar recorda-se de uma passagem envolvendo o então diretor do Colégio Rio Branco, Carlos Brambila."Na época, havia o Internato no educandário e, aos sábados, os internados eram liberados para visitarem seus pais. Numa 6a feira, durante o intervalo, resolvi dar um murro em minha carteira, na sala de aula. Logo em seguida, Carlos Brambila adentrou na sala e, indignado, perguntou a todos: ' Quem é que bateu na carteira?'. Um silêncio total se seguiu a pergunta. Por este motivo, o diretor esbravejou: ' Enquanto não aparecer o responsável pelo murro, ninguém sairá do Colégio, nem mesmo os internados serão liberados amanhã'. O meu amigo dr. Edu, que estava com muita saudade da família, não resistiu e me denunciou: ' Foi o Amílcar!'. Recordo-me até hoje de Carlos Brambila avançando em minha direção com o dedo em riste próximo ao meu rosto, enquanto eu procurava recuar: 'O senhor devia ter confessado que foi o autor do murro logo depois da minha pergunta!'. O fato é que fiquei de castigo no Colégio até próximo ao anoitecer".


DONA CARMITA


Amílcar recorda-se ainda da diretora Dona Carmita, do Colégio Rio Branco: " Era muito rigorosa, mas administrava muito bem o Colégio". Conta ele que "certa vez, os Irmãos Tropicais, que faziam sucesso na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, foram se apresentar no Colégio Rio Branco. O presidente da mesa da apresentação, o professor Dr. Deusdeth Tinoco de Rezende, anunciou então o grupo musical. Ocorre que eu, que iria acompanhar o conjunto, não subi ao palco. Dona Carmita imediatamente se dirigiu a mim e perguntou: 'Amílcar, por que não vai para o palco?'. Eu respondi: ' Apenas o grupo Irmãos Tropicais foi chamado ao palco, eu não'. Em seguida, Dr. Deusdeth fez o reparo: ' Cometi um lapso. O grupo vai ser acompanhado por nosso aluno Amílcar", ocasião em que Amílcar subiu ao palco acompanhado por fortes aplausos.


PADRE MELLO


Em relação ao Padre Mello, Amilcar se recorda de duas passagens.  "Em um determinado evento, ocorrido no Grupo Escolar Pereira Passos, que funcionava onde está localizado atualmente o Big Hotel, eu fiz o acompanhamento da cantora lírica clássica  Aurélia Ferolla, irmã da Dilah Ferolla. Ela fez uma interpretação maravilhosa da música Estrellita. Ao final, foi aplaudida intensamente. Em seguida, Padre Mello se levantou e disse: 'agora peço uma salva de palmas para o rapaz que fez o acompanhamento'. Ao que se seguiu uma ovação".

O segundo caso ocorreu por ocasião de sua primeira comunhão. "Lembro-me que passei mal e fiquei tonto. O Padre Mello pegou, então, um vinho medicinal da Igreja e me deu. Em seguida, o sacerdote me perguntou: 'Melhorou?',  ao que respondi: ' Sim, melhorou. Mas não dava pra trazer mais um pouquinho pra mim, não?'. E Padre Mello, entendendo onde eu queria chegar, respondeu: "Meu filho, aquilo já foi o bastante".




EMANCIPAÇÃO


Quando completou 17 anos, Amílcar recebeu a Carta de Emancipação para que fosse trabalhar na empresa Armazéns Gerais do Vale do Itabapoana, sociedade constituída por Ésio Bastos, Melhin Nascif e Clínio Marcelino de Freitas, cujo objeto era a armazenagem de café. Amílcar  "fazia de tudo, inclusive preparava documentos para serem assinados por Clínio, o  diretor da firma".

Por indicação de Olívio Bastos ao gerente Renato Vanderlei, passou posteriormente a trabalhar no Banco de Crédito Agrícola do Espírito Santo. "Atuei também no serviço de alto-falante que havia na Praça Governador Portela, juntamente com Zuelzer Poubel. Na época, eu usava um pseudônimo: 'Raclima Abreu', sendo que Raclima é o nome Amílcar escrito ao contrário.

A edição de O Norte Fluminense de 1948 já se referia a Amílcar como o MAGO DAS CORDAS. Depois, passou a ser conhecido também como o "MÃO DE OURO".


AIMORÉS (MG)

 

Amilcar mudou-se para Aimorés (MG) em 1949, quando tinha 27 anos de idade, passando a trabalhar no comércio por 15 anos:  "Fui trabalhar na firma Cia.  Industrial Empresa de Bebidas Aimorés Ltda. Em seguida, me tornei comerciante no setor de secos e molhados. Posteriormente, passei a vender presentes. Fui o último da família a ir para lá. Meu tio Valdemar Pereira Gonçalves foi morar em Aimorés e, como a situação econômica não estava boa por aqui, toda a família resolveu se mudar para a cidade mineira, onde morei por 33 anos".

Casou-se em Aimorés, em 1960, com Terezinha de Jesus Lima Gonçalves, nascida na localidade de Tebas de Leopoldina (MG), que conheceu quando tinha 14 anos  de idade.  Amílcar se recorda com humor do discurso do "amigo Luciano Bastos" quando do lançamento de seu cd "Pingos de Saudade": "Amílcar teve 19 anos de namoro antes de se casar, um verdadeiro recorde". 

Na cidade mineira, trabalhou na Rádio local por cerca de 10 anos e também foi "consignatário" das mercadorias que chegavam à cidade pela estrada de ferro da Cia Vale do Rio Doce. "Eu recebia as mercadorias que eram depositadas em um armazém e, depois, as entregava ao destinatário", explica Amílcar.

Em 1965, fez parte da Seleção de Futebol de Aimorés. 



CONSAGRAÇÃO: acompanhando ORLANDO SILVA, GILBERTO ALVES e ALTEMAR DUTRA



Amílcar acompanhou ao violão alguns dos maiores cantores brasileiros de todos os tempos.Foi assim com Orlando Silva, quando este se apresentou em Aimorés.

Gilberto Alves foi outro que preferiu ter Amílcar como seu acompanhante ao invés de uma orquestra, já que os membros da mesma não possuíam as partituras das músicas.

Além disso, ensinou ao famoso cantor Altemar Dutra os primeiros acordes de violão. "Altemar Dutra nascera em Aimorés e fora morar em Colatina (ES). A mãe dele possuía uma pensão na cidade capixaba. Eu saía de Aimorés para acompanhá-lo e também para tocar violão elétrico na Orquestra de Colatina. Cheguei a tocar com o maior pistonista do Espírito Santo, conhecido como Mundico, diretor da Orquestra. Altemar Dutra chegou a  levar duas músicas feitas por mim e por meu amigo Espíndola, para gravar nos Estados Unidos. Infelizmente, ele acabou falecendo por lá, antes de fazer as gravações".


RETORNO A BOM JESUS



A respeito do retorno a Bom Jesus,  Amílcar diz que  "depois que me aposentei, resolvi retornar e morar aqui em Bom Jesus do Itabapoana (RJ), onde estou há 29 anos".

Seu temperamento dócil e cativante permitiu que fosse "católico e maçom ao mesmo tempo, sendo respeitado por esta opção".

Foi vencedor do Campeonato de Sinuca em Bom Jesus do Itabapoana no ano de 1994. Participou do Primeiro Encontro de Violonistas de Bom Jesus do Itabapoana, em 1992, organizado pela APAE, e integrou várias Serenatas ocorridas nas ruas da famosa cidade de Conservatória (RJ).

Aperfeiçoou seu dom de pintura com aulas de Gaída em sua "escola de pintura" e o resultado foi a produção de obras que adornam a sala de estar de sua residência.

Como compositor, foi autor de inúmeras músicas, algumas das quais integraram o consagrado cd "Pingos de Saudade". Na ocasião do lançamento deste, a poetisa Vera Viana lhe dedicou uma homenagem: " Há tempo para nascer, crescer, viver...Hoje é tempo de agradecer. Se a semeadura é boa certamente a colheita será de sazonados frutos. Momento especial em que o vitorioso e notável instrumentista recebe o laurel pelo desempenho no caminho percorrido quer ao compor as doces e encantáveis melodias ou pelas magnânimas apresentações nos eventos culturais do Vale do Itabapoana e muitas outras plagas. Parabéns, Amílcar, você é merecedor desta conquista".


ENTIDADES


Amílcar Ingressou no ILA ( Instituto de Letras e Artes dr. José Ronaldo do Canto Cyrillo) no ano de 2004 e integra o grupo AMANTES DA ARTE, "fundado por Ana Maria Teixeira, desde sua criação. Sou o violonista do grupo, enquanto o Cristóvão é o percucionista".

Foi um dos fundadores do grupo musical "Chorões do Vale", capitaneado por Jaime Figueiral e composto "pelo Maestro Moraes, por Geraldinho  e por Toninho do Tupy". Participou ainda das famosas Noites de Cultura e Arte, organizadas em Bom Jesus do Itabapoana pela Diretora de Cultura Maria José Martins e atualmente integra o Coral Santa Rita de Cássia da Igreja Matriz, sendo bastante requisitado para fazer apresentações e acompanhamentos em diversos eventos e solenidades.



HOMENAGENS



Amílcar tem sido intensamente homenageado ao longo dos anos por diversas entidades, entre as quais a Loja Maçônica, o Lions e o Rotary, por sua dedicação à causa da cultura, merecendo destaque a homenagem da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, por ocasião do seu ingresso no ILA, em 25/05/1994.

Foi homenageado com a composição de uma música: "Grande Amílcar", um choro de autoria do Maestro Samuel Xavier. Além disso, um soneto de Edson Chaves foi dedicado a ele, como reconhecimento ao seu valor humano e artístico.

Ao final da reportagem, Amílcar quis expressar "a honra de estar sendo entrevistado. Trata-se de uma surpresa das mais significativas. Julgo-me pequeno para merecer tal entrevista. Mas gostaria de ressaltar que fui e voltei para Bom Jesus e continuarei participando dos eventos culturais sempre que eu for convidado".

Do som de um murro na carteira, quando criança, ao som de um violão que acompanhou Orlando Silva, Gilberto Alves e Altemar Dutra, o Mão de Ouro continua a encantar as gerações, levando alegria e encantamento aos corações e fortalecendo os sonhos num mundo melhor. Trata-se, portanto, de um Mago das Cordas do violão e da vida.



UM FINO INSTRUMENTISTA

 Edson Chaves


Pessoa de alma nobre e educada
cujas mãos dão de grande habilidade
merce ter bastante realçada
a sua forte dose de humildade.

Na sinuca é brilhante na tacada
onde fez nome desde a mocidade
mas sua vocação é decantada
na música que ele ama de verdade

É o Amílcar, um fino instrumentista
que veio a se tornar especialista
no teclado e também no violão

Eu me orgulho de ser um seu confrade
e espero conservar sua amizade
enquanto resistir o coração.


Amilcar Abreu no lançamento do CD "Bom Jesus de Corpo e Alma", do Grupo Musical Amantes da Arte, no dia 6 de agosto de 2015, no Auditório Dona Carmita,  ECLB (Espaço Cultural Luciano Bastos)

Centenário da Igreja Presbiteriana de Rosal

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terça-feira, 9 de novembro de 2021

A Fazenda do Leite em Bom Jesus do Itabapoana

Maria Cristina Borges




Sitio Córrego do Leite, Mirindiba, Braúna, Bom Jesus do Itabapoana.    A pedra que se vê ao fundo, é chamada de Pedra do Leite; como também o Córrego do Leite, que aqui passa, e podemos dizer que têm esses nomes, devido a essas terras pertencerem a Antônio Joaquim Leite e sua mulher Vicência Joaquina da Silva, que vieram da região de Rio Pomba, MG, junto com seu sogro e pai, Francisco José Borges, por volta de 1860.