segunda-feira, 10 de agosto de 2026

A vida fica mais leve quando escolhemos Florir ao invés de Ferir, por Rogério Loureiro Xavier.

 



Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


*Bom Dia Amigas e Amigos 🕊💖🙏*


A vida fica mais leve quando escolhemos Florir ao invés de Ferir. 


A vida é um caminho longo, onde você é mestre e aluno; algumas vezes você ensina, e todos os dias você aprende. 


*"Que seja infinito o que nos faz bem."*


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

Quem Está Contando a História do Brasil?

 

 O Brasil Fora de Cartaz

 


Há números que deveriam nos fazer parar diante da tela e pensar. Segundo o cineasta Luiz Carlos Prestes Filho, até 90% dos filmes exibidos nos cinemas brasileiros são americanos. O dado, mais do que uma estatística sobre o mercado cinematográfico, revela uma questão muito maior: quem está contando as histórias que o Brasil assiste?

Não se trata de erguer muros contra o cinema estrangeiro, muito menos de negar a extraordinária contribuição que Hollywood e outras cinematografias deram à cultura mundial. O problema começa quando a presença estrangeira se torna tão dominante que o cinema nacional passa a ocupar uma espécie de sala lateral, quando deveria estar no centro da própria casa.

O cinema não é apenas entretenimento. É memória, identidade, imaginário e, sobretudo, uma maneira de um povo olhar para si mesmo. Quando uma criança brasileira conhece mais personagens, cidades, conflitos e costumes de outros países do que aqueles que fazem parte da sua própria história, alguma coisa precisa ser discutida. Não porque seja errado conhecer o mundo, mas porque é igualmente necessário que o mundo conheça o Brasil através dos olhos dos brasileiros.

Independentemente das circunstâncias políticas que cercam uma transformação, há uma lição econômica e cultural que não deveria ser ignorada: nenhum país constrói uma indústria cinematográfica forte se não criar condições para que seus próprios filmes cheguem ao seu próprio público.

O Brasil possui histórias para encher milhares de telas. Temos Machado de Assis e Lima Barreto, Guimarães Rosa e Jorge Amado, Ariano Suassuna e tantos outros escritores esperando novas interpretações. Temos Canudos, a Inconfidência, a Revolução de 1930, a construção de Brasília, a saga dos imigrantes, as culturas indígenas, africanas, açorianas, italianas, alemãs e tantas outras que ajudaram a formar nossa identidade. Temos sertões, florestas, cidades, rios, festas populares, música, futebol, religiosidade, personagens anônimos e grandes personagens históricos.

Temos, sobretudo, um país inteiro ainda por ser filmado.

Mas não basta produzir. É preciso distribuir, exibir e formar público. De nada adianta um cineasta brasileiro realizar uma obra de qualidade se ela desaparece rapidamente das salas, esmagada pela força comercial das grandes produções estrangeiras. Soberania cinematográfica não significa impedir que o filme americano entre no Brasil. Significa garantir que o filme brasileiro tenha também o direito de permanecer em cartaz, encontrar seu público e disputar o imaginário nacional.

É uma questão de soberania cultural.

Um país que não produz suas próprias imagens corre o risco de terceirizar a própria memória. E quando terceiriza suas imagens, pode acabar terceirizando também a maneira como se enxerga.

O Brasil não precisa escolher entre o mundo e si mesmo. Pode assistir ao cinema americano, europeu, russo, asiático ou latino-americano e, ao mesmo tempo, abrir espaço generoso para seus próprios cineastas. A verdadeira autonomia não está em fechar as portas, mas em ter força suficiente para manter as próprias portas abertas sem abandonar a própria casa.

Essa é a grande reflexão que se impõe hoje:

Não precisamos de menos mundo nas nossas telas. Precisamos de mais Brasil.

Mais Brasil contado por brasileiros.

Mais Brasil filmado por brasileiros.

Mais Brasil visto pelos brasileiros.

Um país também existe nas imagens que produz de si mesmo. E, quando as luzes se apagam na sala de cinema, é preciso que, no meio de tantas histórias vindas de longe, ainda haja uma tela capaz de nos devolver o nosso próprio rosto.

Carl Doy


 

O Dia Municipal do Imigrante: A Poesia de Ser Açoriano e as Ilhas da Bruma no Tempo

 


O vento que desce a serra e sopra suavemente na Praça Governador Portela traz consigo o eco distante do Atlântico, o cheiro de maresia e a saudade antiga de quem um dia cruzou o oceano. No peito de cada descendente, o arquipélago verdejante dos Açores não é apenas um mapa no tempo, mas uma pátria de afetos guardada na memória.

​Nesta 13/08/2026, às 07:30h, a manhã desponta vestida de reverência e poesia. Não é apenas a celebração do Dia Municipal do Imigrante Açoriano; é o encontro solene entre o passado heroico e o presente agradecido.

​O rito começa com a vibração uníssona do Hino Nacional, unindo a terra de acolhida àqueles que nela plantaram suas raízes. Logo depois, as vozes do Grupo Musical Amantes da Arte entoam o Hino dos Açores, fazendo ecoar por entre as árvores da praça o palpitar de ilhas distantes que teimam morar perto do coração. A Mensagem do Governo dos Açores renova os laços invisíveis que atravessam o mar, lembrando que a distância física é irrelevante diante da identidade compartilhada.

​E quando as notas de "Ilhas de Bruma" começarem a deslizar pelas cordas do violão tocado pelo açoriano Francisco Borba Gonçalves, o tempo há de suspender-se. Será a alma das ilhas a dançar no ar, um tributo vivo aos passos corajosos dos antepassados. Por fim, a Mostra das Bandeiras dos 19 Concelhos do Arquipélago dos Açores estenderá sobre a praça um mosaico de cores e brasões, retalhos de uma história feita de bravura, trabalho e esperança.

​Sob a liderança do Presidente Dr. Nino Moreira Seródio e da 1ª Secretária Profª. Maria Cristina Borges, o convite se faz abraço: "Contamos com a vossa presença". Mais do que uma solenidade, é a poesia do pertencimento a florir no coração da cidade.


O Dia do Imigrante Açoriano em Bom Jesus: a Herança que nos Une



Sob a bênção secular da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, a terra do Noroeste Fluminense desperta embalada pelo mar que não se vê, mas que se sente na alma. Há no ar de Bom Jesus do Itabapoana uma maresia antiga, feita de saudade, nevoeiro e bravura. É a viola de arame leve que atravessou séculos, trazido nos passos firmes daqueles que deixaram as brumas dos Açores para fincar raízes neste vale banhado pelo Itabapoana.

​A história não vive apenas nos poeirentos arquivos ou nas árvores genealógicas que desvendam os antigos troncos familiares da região; ela palpita no presente, na voz e na coragem de sua gente. E é para celebrar essa simbiose entre o atlântico profundo e a terra generosa do interior que o município se veste de memória.

​Na próxima quinta-feira, 13 de agosto, às 7h30, a Praça Governador Portela será o altar cívico e afetivo onde o passado e o presente se encontram. A Prefeitura Municipal, através do prefeito Serginho Cyrillo e do vice-prefeito Savio Almeida, convoca a comunidade para a Solenidade em Comemoração ao Dia Municipal do Imigrante Açoriano.

​Mais do que uma solenidade oficial, é o abraço da terra atual naqueles que construíram o alicerce cultural do nosso povo, um eco daqueles que cruzaram o oceano levando no peito a esperança e nos braços o ofício de fazer brotar vida nova. Que cada habitante deste vale se reconheça nessa travessia, honrando a herança açoriana que nos corre nas veias e nos dá identidade.


O Veneno das Irmãs e o Palácio das Sombras

 


Havia no mundo um silêncio que precedia o toque, um véu de névoa dourada onde os passos de Psiquê ecoavam como gotas d’água em uma fonte secreta. Ela habitava a morada do invisível, um palácio erguido não de pedra e cal, mas de promessas e luz crepuscular. Ali, o amor não tinha rosto, apenas o calor de um abraço na calada da noite, a respiração mansa do deus que se entregava na penumbra sem pedir nome, apenas fé.

​Mas a alma humana, essa frágil engrenagem de sede e abismo, raramente suporta a inteireza da paz sem que uma fresta de dúvida venha corrompê-la.

​Fora daquele refúgio intocado, o mundo continuava seu curso áspero, e nele viviam as irmãs de Psiquê. Eram mulheres de passos pesados e corações ressecados pelo tempo, espectadoras amargas da própria mediocridade. Quando souberam da opulência em que vivia a caçula, da felicidade que transbordava daquele castigo que julgavam ser a solidão, a inveja desceu sobre elas como um vento encardido. Não suportavam a luz alheia porque nelas mesmas habitava a mais densa escuridão.

​Sob o pretexto do afeto, cruzaram os umbrais sagrados. Trouxeram consigo os olhares estreitos, os sorrisos de dentes apertados e, ocultas sob os mantos de linho, as adagas da maledicência. Cochichavam nos corredores de mármore que o marido invisível era, na verdade, um monstro hediondo, uma serpente monstruosa que um dia a devoraria no escuro. Semeavam o veneno da desconfiança gota a gota, destilando o fel da própria pequenez no espírito puro de Psiquê.

​Nessa noite, o palácio não teve o calor de costume. Quando Cupido deitou-se ao lado da esposa, sentiu o ar denso, pesado de lágrimas contidas e de uma dúvida recém-plantada.

​O deus, envolto nas sombras que o protegiam, tocou o rosto banhado de pranto de Psiquê e, com a voz que gemia como o vento nas frestas do mundo, sussurrou o aviso cortante:

"Psiquê, minha doce e imprudente esposa... Tuas irmãs preparam a tua ruína. Elas não vêm em paz; são víboras rastejantes, movidas pelo veneno da inveja, prontas para apunhalar o nosso amor com a lâmpada da curiosidade cega. Afasta-te delas, ou perderás tudo o que construímos no altar do silêncio."

​Palavras ditas em vão, pois a semente da inquietação já havia germinado.

​As víboras haviam falado, e o coração de Psiquê, dividido entre o temor do monstro imaginado e a ânsia de ver a face do seu amado, começou a vacilar. Naquele instante, o destino deu seu primeiro passo em direção ao inevitável: a luz da lâmpada que se acenderia mais tarde não revelaria apenas a beleza divina de Cupido, mas queimaria com o óleo fervente da traição o próprio tecido da inocência, expulsando a alma para os caminhos tortuosos da saudade e da dor.


Onde o Itabapoana Guarda o Tempo: A Festa de Agosto e a 63ª Expocavil

 


Há no ar de agosto uma seiva mansa que desce pelas encostas do Noroeste Fluminense e desperta a alma de Bom Jesus do Itabapoana. É o vento que traz o cheiro da terra revolvida, o eco distante de passos apressados na praça e a certeza irrevogável de que a cidade se veste, outra vez, com os fios dourados da própria história. Ao fundo, altaneira e guardiã, desenha-se a silhueta da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, testemunha silenciosa das eras que se sucedem e dos corações que aqui aportam.

​Na cadência mansa dos dias, o mês de agosto avança trazendo consigo o palpitar da 63ª Expocavil, aninhada na tradicional Festa de Agosto de 2026. É o tempo em que o Parque de Exposições da Cavil se transforma no ponto de encontro de memórias e esperanças. Ali, entre o rufar de tambores invisíveis e o sorriso cúmplice de quem reconhece o vizinho de infância, a cidade celebra a sua lavoura, o seu gado, o suor de sua gente e a persistência de suas raízes.

​O convite que corre de mão em mão, assinado pelas autoridades municipais mas subscrito pela própria tradição, anuncia para a quarta-feira, 12 de agosto, às 18h, o ritual de abertura oficial. Mas quem habita o território da poesia sabe que a festa começa muito antes: ela habita a expectativa dos corações, o preparo dos pratos que resgatam o sabor da terra e o calor das conversas que desafiam o esquecimento.

​É um lirismo rústico e terno. Nele, o passado e o presente dão as mãos sob o céu clarinho de agosto, enquanto o Itabapoana segue correndo, levando consigo as histórias de um povo que sabe, como ninguém, transformar a lida diária em celebração e afeto.