Paulo Arnaldo não virou as costas para um futuro promissor; virou-se de frente para si mesmo.
Aos dezoito anos, quando o mundo costuma gritar caminhos prontos, Paulo Arnaldo escutou outra coisa. Não foi o coro seguro da medicina, nem o aplauso previsível da aprovação em primeiro lugar. Foi um som mais íntimo, quase tímido, o mesmo que o acompanhava desde antes de saber nomear o futuro. Um piano, talvez. Ou o silêncio que existe entre duas notas bem escolhidas.
Recusar a vaga em medicina na Universidade Federal de São Carlos parecia, para muitos, um gesto de ousadia; para outros, um erro elegante. Mas para Paulo, era apenas fidelidade. Não à lógica do vestibular brasileiro, que mede talentos com réguas estreitas, mas ao centro invisível de seus planos acadêmicos. A música não era um desvio: era o caminho original, aquele que sempre soube para onde levava, mesmo sem prometer estabilidade ou jalecos brancos.
Ao escolher o bacharelado em música, com habilitação em piano, na Universidade de São Paulo, Paulo contrariou a aritmética social que transforma vocação em estatística. Preferiu o risco afinado ao conforto desafinado. Enquanto muitos colecionam escolhas que rendem status, ele escolheu o que rende sentido, esse bem raro, que não cabe em rankings.
Há decisões que parecem renúncias, mas são, na verdade, atos de coragem silenciosa. Paulo Arnaldo não virou as costas para um futuro promissor; virou-se de frente para si mesmo. E, num país acostumado a aplaudir apenas certos destinos, há algo profundamente revolucionário em escolher viver à altura do próprio som.

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