| Costumamos sofrer antes do problema existir |
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O sofrimento imaginário
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"Sofremos mais na imaginação do que na realidade", dizia Sêneca.
O homem é o único animal que tropeça em pedras que ainda não existem.
Construímos catedrais de ansiedade com tijolos feitos de vento, e o pior de tudo é que moramos nelas, pagando um aluguel caríssimo em moeda de paz e saúde.
O Teatro do Absurdo Interno
Abrir os olhos pela manhã, às vezes, não é um despertar, mas o início de uma peça de teatro onde somos o diretor, o roteirista e a única vítima. A mente é um palco de conflitos fictícios.
Gastamos uma energia preciosa, aquela que deveria nutrir nossos sonhos e nossa produtividade, alimentando monstros que morrem de fome assim que a luz do presente os toca.
É um ciclo de estresse que nubla o vidro da janela; o mundo lá fora está ensolarado, mas nós só conseguimos ver a tempestade que desenhamos no lado de dentro do vidro.
A Liberdade no Olhar Real
A verdadeira sabedoria não reside em ignorar o perigo, mas em recusar-se a criá-lo onde ele não existe. Ter disciplina mental é o ato de rebeldia mais poético da vida adulta: é olhar para o caos ilusório do cotidiano e dizer: "Hoje não".
Coragem: Não é a ausência de medo, mas a decisão de que a realidade, por mais dura que seja, é sempre mais manejável que o labirinto da suposição.
Harmonia: Quando dissolvemos o sofrimento antecipado, o corpo agradece. O coração bate no ritmo do agora, e a biologia se alinha à vida, transformando o peso do mundo em algo suportável, talvez até leve.
Viver é o exercício constante de desarmar as armadilhas que nós mesmos espalhamos pelo caminho.
Ao encararmos os fatos com clareza, percebemos que a maioria das nossas "tragédias" nunca saiu do papel.
E, no fim das contas, a vida real é muito mais gentil do que o carrasco que levamos entre as orelhas.

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