Sob o céu que ainda guarda o frescor das montanhas do interior bonjesuense, o distrito de Rosal se prepara para um encontro raro: quando o campo deixa de ser apenas paisagem e se transforma em palco.
Entre os dias 17 e 19 de abril, o silêncio habitual das lavouras será atravessado por acordes, vozes e histórias no 1º Festival Raízes em Cena, guiado pelo lema poético, “Quando a Cultura Rural vira Sinfonia”.
A sexta-feira abre como um prelúdio orquestrado. Às 19h, a energia vibrante da OSVI Big Band Jazz inaugura a noite, seguida pelo Coral Amantes da Arte, que costura vozes como quem borda memórias coletivas.
O ponto alto vem com a Orquestra Sinfônica Vale do Itabapoana, que transforma o espaço rural em sala de concerto a céu aberto. Nomes como Vinícius Fragoso, Toti Nascimento, Flávio Batusamba e Carol Panesi somam timbres e trajetórias a essa abertura que mistura erudição e raiz.
No sábado, o festival muda de cadência e se aproxima ainda mais da terra. A partir das 14h, a Feira Agro apresenta saberes e sabores que sustentam a região, enquanto a FIPERJ promove uma reflexão sobre desenvolvimento sustentável com o projeto “Peixe no Campo”.
Quando o sol começa a cair, o ritmo esquenta com o Forró Rasga Saia, preparando o terreno para o retorno de Vinícius Fragoso, agora em outro registro, mais próximo, mais popular, como uma conversa cantada entre vizinhos.
O domingo encerra o festival como quem fecha um ciclo de celebração. A Feira Agro retorna, reafirmando o elo entre cultura e produção rural. À tarde, a tradição ganha forma com a Banda Lira 14 de Julho, cuja presença ecoa décadas de história. À noite, a energia festiva da Banda Forró di Doido transforma o espaço em terreiro de dança, onde o público não apenas assiste, mas participa, corpo e alma integrados à música.
Realizado pelo MIDA, com apoio da Prefeitura de Bom Jesus do Itabapoana, do Governo do Estado do Rio de Janeiro, da EMATER-RIO, da própria FIPERJ e do Ministério da Cultura, o festival nasce como um gesto coletivo. Um gesto que une instituições, artistas e comunidade em torno de uma ideia simples e poderosa: em Rosal, a cultura não é acessório, é raiz.
E, neste fim de semana, em Rosal, essa raiz floresce em som.

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