Não escolhemos nossos vizinhos. Eles chegam até nós pelas circunstâncias da vida, pela geografia dos caminhos e pela arquitetura do destino. Também não escolhemos nossos parentes, que nos são dados pelo mistério do nascimento. Talvez por isso a sabedoria da existência esteja menos em escolher e mais em aprender a construir laços.
A palavra vizinho vem do latim vicinus, derivada de vicus, que significava aldeia, vila ou bairro. Em sua origem, o vizinho era simplesmente aquele que morava perto. Mas a proximidade das casas nem sempre produz a proximidade dos corações. O verdadeiro vizinho não é apenas quem compartilha a mesma rua, o mesmo muro ou a mesma paisagem. É aquele que conquista um lugar em nossa vida pela bondade, pela solidariedade e pela presença silenciosa nos momentos necessários. A geografia pode aproximar corpos; somente o afeto aproxima almas.
Algo semelhante acontece com os parentes. A palavra parente nasce do latim parens, derivado do verbo parere, que significa gerar, dar à luz. Contudo, a vida ensina que os laços de sangue, embora preciosos, não bastam por si mesmos. Os parentes verdadeiros são aqueles que renascem continuamente dos princípios da unidade, do serviço recíproco, da compreensão e do crescimento mútuo. São aqueles que escolhem permanecer juntos não apenas por herança, mas por compromisso.
No fim das contas, a existência parece realizar um delicado milagre: transforma vizinhos em irmãos e parentes em companheiros de jornada. E então compreendemos que as relações mais profundas não são apenas as que recebemos da vida, mas também aquelas que cultivamos com o coração.

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