quinta-feira, 4 de junho de 2026

Os Caixões para os Covardes e os Túmulos para os Heróis

Por Gino Martins Borges Bastos 



O problema da morte não é a morte. Ela sempre esteve à nossa espera, paciente como o horizonte que acompanha o viajante sem jamais alcançá-lo. O verdadeiro problema é a maneira como se morre.

Morreremos como covardes ou como heróis de nós mesmos?

Não falo dos heróis celebrados pelas multidões, nem daqueles que recebem estátuas e discursos. Falo do heroísmo silencioso de quem consegue permanecer fiel à própria consciência quando tudo ao redor convida à rendição.

Porque, no instante derradeiro, talvez a pergunta não venha do mundo, mas de dentro. E diante dela não haverá aplausos, testemunhas ou justificativas. Haverá apenas nós mesmos, frente a frente com aquilo que fomos.

A covardia e o heroísmo não são acidentes de um momento. Não surgem de improviso. Ambos habitam as profundezas da alma, como sementes lançadas na mesma terra. Crescem, disputam espaço, entrelaçam raízes. Às vezes, durante toda uma vida.

As circunstâncias apenas revelam qual delas foi mais cultivada.

Quando o heroísmo é continuamente ferido, humilhado e sufocado, torna-se difícil que floresça na hora final. Mas há mistérios que escapam ao julgamento humano. Talvez a graça divina encontre caminhos onde nossos olhos veem apenas ruínas.

Olhando ao redor, percebe-se que a covardia parece avançar. Forças poderosas moldam opiniões, distribuem gostos, definem o aceitável e o condenável. Fazem-no sem gritos, sem uniformes, sem correntes aparentes. A imposição tornou-se delicada; o controle aprendeu a sorrir.

Mas é justamente nesses tempos que o heroísmo encontra seu campo de prova.

Não o heroísmo das espadas, mas o da fidelidade. O de quem aceita pagar o preço por aquilo em que acredita. O de quem se recusa a abandonar seus sonhos para comprar tranquilidade.

Enquanto vozes influentes fabricam caixões para os submissos, uma multidão silenciosa continua preparando túmulos para seus heróis.

E talvez seja assim desde sempre: a história oficial enterra os que obedecem, mas a memória profunda dos povos guarda aqueles que tiveram a coragem de permanecer de pé.

Os governadores Roberto e Badger Silveira foram exemplos de heroísmo e fidelidade às próprias convicções


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