quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Café Cesarino une Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana em símbolo de identidade regional




Varre-Sai e Bom Jesus: separadas no mapa, unidas pela história








Dois municípios unidos pelos caminhos do café

Uma embalagem de café pode contar muito mais do que a história do produto que traz em seu interior. É o que sugere a apresentação do Café Cesarino, que destaca os nomes de Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana, transformando um dos principais símbolos da economia regional em expressão da proximidade histórica, cultural e afetiva entre os dois municípios do Noroeste Fluminense.

A referência conjunta chama a atenção porque traduz uma realidade construída ao longo de gerações. Embora administrativamente separadas, Varre-Sai e Bom Jesus mantêm relações permanentes por meio do comércio, dos laços familiares, do trabalho, da produção rural, das manifestações religiosas e culturais e da circulação cotidiana de seus moradores. As fronteiras municipais existem nos mapas; na vida diária, entretanto, são constantemente atravessadas por vínculos muito mais antigos e profundos.

Varre-Sai consolidou-se como um importante  território produtor de café, a Capital Estadual do Café, atividade profundamente associada à presença da imigração italiana e à formação econômica e cultural do município. Bom Jesus do Itabapoana, por sua vez, desempenha historicamente o papel de referência comercial e de prestação de serviços para comunidades de toda a região. São vocações distintas que, em vez de afastarem as duas cidades, ajudam a explicar sua complementaridade.

Café, história e afeto unem Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana

Nesse contexto, o Café Cesarino adquire também um significado simbólico. As cores da bandeira italiana presentes na embalagem remetem às raízes de uma comunidade que fez do trabalho na terra parte de sua identidade, enquanto a associação dos nomes de Varre-Sai e Bom Jesus evidencia uma integração regional que ultrapassa os discursos institucionais e se manifesta concretamente nas relações entre seus habitantes.

A iniciativa permite, ainda, uma reflexão sobre o próprio desenvolvimento do Noroeste Fluminense. Municípios pequenos e próximos têm muito mais a ganhar com a cooperação do que com a competição. Turismo, agricultura, cultura, patrimônio histórico, comércio e eventos regionais constituem áreas em que ações conjuntas podem fortalecer não apenas duas cidades, mas toda uma região.

Aí está a mensagem mais interessante dessa imagem. O café nasce da terra, mas também pode promover encontros. Neste caso, uma simples embalagem parece registrar aquilo que a população já sabe há muito tempo: Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana possuem histórias próprias, identidades fortes e autonomia, mas compartilham caminhos, famílias, trabalho e esperanças.

No mapa, uma divisa determina onde termina um município e começa o outro. Na história regional, porém, Varre-Sai e Bom Jesus continuam escrevendo muitas páginas juntos.

A história de Cesário Degli Esposti

A história de Cesário Degli Esposti, o “Sô Cesarino”, parece ter sido escrita na mesma terra escura em que floresceram os cafezais da região. Nascido na Itália, em 20 de abril de 1895, atravessou o oceano ainda jovem, acompanhado dos pais, trazendo na pequena bagagem de imigrante aquilo que não ocupava espaço nos navios: esperança, coragem e disposição para o trabalho.

Na parte alta de Bom Jesus do Itabapoana, sua família encontrou o chão onde lançaria raízes. Ali, Cesário uniu sua vida à de Ernestina Boldrim, constituiu numerosa família e criou dez filhos entre as lavouras de café. Viveu 91 anos, tornando-se testemunha de uma época em que os braços dos imigrantes ajudaram a desenhar a paisagem econômica, social e humana do interior fluminense.

As décadas passaram e novas gerações chegaram, mas certas raízes recusam-se a desaparecer. O café que um dia sustentou as mãos calejadas de Sô Cesarino reaparece agora como memória transformada em produto e registrada em uma embalagem pelas mãos de seu bisneto, Luis Miguel Menezes Degli Esposti, filho da consagrada escritora e historiadora varre-saiense Isabel Menezes.

O Café Cesarino como símbolo de integração regional

Há algo profundamente poético nesse reencontro: um italiano atravessou o Atlântico em busca de um futuro e, mais de um século depois, seu descendente retorna simbolicamente àquelas lavouras para colher o passado. Cada grão torna-se, assim, uma pequena cápsula de memória familiar: lembrança dos imigrantes que fizeram da terra estrangeira sua pátria, do suor transformado em pertencimento e dos filhos, netos e bisnetos que aprenderam que cultivar café também pode significar cultivar a própria história.



Um comentário:

  1. Emocionante texto! Interessante a notificação de que os dois municípios vizinhos, não devem competir, mas interagir como já fazem . Vamos de mãos dadas. Muito a fazer com união e trabalho.

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