quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Mestre Daniel de Lima e André, do Kafé Kintal: um encontro entre arte e sabor

 

Existe um modo de segurar uma xícara que já anuncia o acolhimento. Um gesto pequeno, delicado, capaz de nos convidar a ficar, conversar e descobrir a beleza de um encontro.

Na quarta-feira passada, a Casa da Cultura de Rio das Ostras viveu um desses momentos que merecem permanecer na memória. Era o encerramento do primeiro mês de aulas de cerâmica com o Mestre Artesão Daniel de Lima, que conduz duas turmas, uma pela manhã e outra à tarde.

Durante aquele mês, mãos se aproximaram do barro para aprender uma linguagem antiga. No meio de tentativas, descobertas e formas que surgiam aos poucos, os alunos puderam experimentar a alegria de criar. Cada peça começava com um movimento, uma escolha, um cuidado. E aquilo que antes era apenas uma porção de argila passava a guardar a marca de alguém.

O barro ensina a respeitar o tempo.

É preciso tocá-lo, perceber sua resistência, compreender seus limites. Há momentos de insistir e momentos de suavizar as mãos. Nesse aprendizado, também vamos descobrindo algo sobre nós: a paciência que ainda podemos cultivar, a coragem de recomeçar, a satisfação de ver uma ideia adquirir forma.

Para celebrar esse primeiro mês, esteve presente André Gonzaga de Oliveira, proprietário do Kafé Kintal, que levou seus produtos para os alunos, numa parceria com o Mestre Daniel de Lima. Kafé Kintal é um projeto que une a excelência do café artesanal com a arte do barro, a cultura local e vivências terapêuticas. O encontro ganhou, assim, o encanto de uma mesa preparada com atenção.

Na fotografia que ilustra a abertura da matéria, André segura uma pequena xícara branca e dirige a ela um olhar cuidadoso. Ao redor, outras xícaras aguardam sobre seus pires. Os pacotes de café, os pequenos copos e a toalha com desenhos de folhas e frutos compõem um convite silencioso à convivência.

Diante daquela cena, é bonito pensar na proximidade entre a cerâmica e o café.

A terra participa de ambos. De um lado, oferece o barro que as mãos transformam; de outro, sustenta a planta que dará seus frutos. Há trabalho, espera e conhecimento em cada caminho. Até que, sobre uma mesa, esses caminhos se encontram: uma xícara recebe o café, e alguém a oferece a outra pessoa.

Quantas histórias podem começar assim!

O aroma do café tem o dom de abrir portas dentro da memória. Faz voltar uma cozinha antiga, a água aquecendo no fogão, uma voz querida perguntando se queremos mais um pouco. Lembra o pão repartido, a cadeira puxada para perto, a conversa que se prolongava porque ninguém desejava ir embora.

Na Casa da Cultura, esse sentimento de acolhimento acompanhou a celebração do aprendizado. Podemos imaginar a alegria de conversar sobre as primeiras experiências com a argila, recordar uma dificuldade vencida, compartilhar a expectativa pela próxima peça. O café oferecia uma pausa para saborear também o que havia sido construído juntos.

Há uma beleza particular nesses encontros: o trabalho de um artesão se aproxima do trabalho de outro, e a comunidade recebe os frutos dessa parceria. Daniel de Lima partilha seu saber. André leva seus produtos. Os alunos trazem curiosidade, dedicação e a disposição de aprender. Cada presença acrescenta alguma coisa à mesa.

E essa história já prepara seus próximos capítulos. As inscrições para as novas turmas estão abertas, com grande procura. Outras mãos chegarão ao barro, outras ideias começarão a nascer, outras pessoas descobrirão a alegria de criar na Casa da Cultura de Rio das Ostras.

Talvez algumas cheguem acreditando que vão aprender apenas a modelar uma peça. E encontrem, ao longo das aulas, uma amizade, uma confiança renovada, um tempo precioso para si mesmas.

Enquanto isso, fica a lembrança daquela quarta-feira: o primeiro mês celebrado, o cuidado do mestre, a presença generosa de André e as xícaras reunidas sobre a mesa.

No meio do barro e do café, o carinho ganhou forma. E havia lugar para todos.















 

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