quinta-feira, 1 de outubro de 2026

VÍDEO: Um piano em Roma, um coração em Bom Jesus

 

Anderson Nunes: um bonjesuense, um piano e o mundo


(Com informações de Alba Travassos) 




O aeroporto estava vazio. Anderson Nunes aguardava o voo para o Rio de Janeiro quando encontrou, diante de um piano, uma maneira de encurtar a distância de casa.

Sentou-se e tocou Carinhoso, de Pixinguinha.

As primeiras notas se espalharam pelo espaço silencioso, dando àquela espera uma delicadeza inesperada. No meio de partidas e chegadas, onde tantas pessoas costumam passar apressadas, um bonjesuense oferecia à noite romana um pouco da alma brasileira.

Anderson Nunes, irmão de Anselmo Nunes, rosalense da Lira 14 de Julho, neto dos saudosos Francisco Nunes e Amélia Rezende Nunes, dava seu recado com a eloquência das mãos. O talento encontrava nas teclas seu caminho, e a música parecia saber, melhor que qualquer mapa, como nos levar de volta aos lugares que amamos.

Era como se Bom Jesus do Itabapoana e Rosal estivessem ali.

Podíamos imaginar nossas ruas chegando devagar àquele aeroporto, as montanhas de Rosal se desenhando além das vidraças, as lembranças das bandas e de suas melodias ocupando o silêncio. A cada frase musical, a terra natal parecia ganhar presença. Roma ficava mais perto de Bom Jesus; o Brasil inteiro cabia ao redor daquele piano.

Existem melodias que nos acompanham como pessoas queridas. Basta ouvi-las para reconhecer alguma coisa de nós: uma saudade antiga, um rosto amado, a ternura que nem sempre conseguimos dizer. Carinhoso tem esse dom. Sua beleza atravessa os anos e continua encontrando, em cada coração, um lugar onde pousar.

Nas mãos de Anderson, a canção ganhava a emoção daquele instante: um brasileiro longe de casa, um voo ainda por chegar, um piano disponível e tanto sentimento para repartir.

Mesmo num aeroporto vazio, havia companhia. Estavam ali, na memória de quem tocava e na emoção de quem o ouvisse, os afetos que nenhuma viagem deixa para trás.

Tinha que ser bonjesuense, com todo esse talento!

A exclamação nasce desse orgulho bom de reconhecer alguém da nossa terra levando beleza ao mundo. Anderson tocava, e nós, daqui, podíamos sentir que também participávamos daquele momento. Um pouco de nossa história vibrava nas cordas do piano; um pouco de nossa saudade encontrava voz.

Depois, chegaria a hora do embarque. Anderson seguiria para o Rio de Janeiro. Mas é bonito imaginar que alguma coisa ficou naquele aeroporto: a última nota demorando no silêncio, o eco de uma melodia brasileira, a delicadeza de um encontro que ninguém havia marcado.

Por alguns minutos, enquanto as mãos de Anderson percorriam as teclas, Bom Jesus e Rosal estiveram em Roma.

E o caminho de volta para casa começou antes mesmo de o avião levantar voo.


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