Há despedidas que não encerram histórias. Apenas mudam o lugar onde elas continuam sendo escritas. Depois de 31 anos dedicados ao Colégio Estadual Buarque de Nazareth, Lúcia Spadarotto contempla o caminho percorrido e percebe que cada sala de aula se tornou uma página de sua própria vida.
Durante mais de três décadas, Lúcia Spadarotto não ensinou somente conteúdos no Colégio Estadual Buarque de Nazareth. Ensinou a beleza da palavra, o encanto da poesia e a força transformadora da literatura. Professora, escritora e trovadora premiada, levou para a escola muito mais que livros e conhecimentos: levou sensibilidade, entusiasmo e a certeza de que educar é tocar delicadamente o futuro.
Quantos estudantes descobriram, por suas mãos, que dentro de um poema pode caber um mundo inteiro? Quantos compreenderam que as palavras não servem apenas para comunicar, mas também para consolar, despertar, unir e libertar? Cada aluno que passou por sua sala levou consigo um pouco da professora; e ela, por sua vez, guardou um pouco de cada estudante.
Por isso, a homenagem recebida possui a grandeza das coisas verdadeiras. É o reconhecimento oferecido por uma escola que sabe que professores como Lúcia não ocupam apenas salas de aula: eles habitam para sempre a memória afetiva da comunidade escolar. Nos corredores do Buarque de Nazareth permanecerão seus passos, sua voz, seus ensinamentos e a luz das palavras que semeou.
Com a humildade própria dos grandes educadores, Lúcia resumiu sua emoção:
“Nada mais verdadeiro do que dizer neste momento de emoção:
Obrigada, C. E. Buarque de Nazareth!
Mais que 31 anos de ensino, foram 31 anos de aprendizado!”
Eis a mais bela lição deixada por quem dedicou a vida a ensinar: reconhecer que a educação é uma estrada de mão dupla. Enquanto oferecia conhecimento, Lúcia também aprendia; enquanto transformava vidas, era transformada por elas; enquanto apresentava aos jovens a beleza da literatura, escrevia, sem perceber, uma das páginas mais bonitas da história daquela escola.
Agora, os 31 anos vividos no C. E. Buarque de Nazareth não pertencem apenas ao passado. Continuam frutificando em cada estudante que aprendeu a amar os livros, em cada pessoa tocada por seus versos e em cada coração que recebeu sua inspiração.
A professora poderá se despedir da rotina escolar, mas jamais deixará de ensinar. Quem transforma vidas pela educação não se aposenta da memória nem do afeto. Permanece, como permanecem os bons livros, os versos inesquecíveis e aquelas palavras que, depois de pronunciadas pelo coração, tornam-se eternas.

Obrigada, Jornal O Norte Fluminense!
ResponderExcluirNão tiremos da criança
o direito à Educação
que é uma ponte de esperança
num rio de escuridão!
(Lúcia Spadarotto)