O NORTE FLUMINENSE foi fundado no dia 25 de dezembro de 1946 por Ésio Bastos. Durante 57 anos ininterruptos, ele foi seu Diretor e Redator, até seu passamento no dia 24 de agosto de 2003. Seu irmão Luciano Bastos, que sempre o acompanhou desde o início em sua luta, substituiu-o por mais de 7 anos, até o seu falecimento no 8 de fevereiro de 2011.
Esio Bastos e Luciano Bastos nos deram exemplo de idealismo, determinação, coragem e integridade.
Sendo este o primeiro aniversário de O NORTE FLUMINENSE sem a presença do saudoso Luciano Bastos, seu filho, dr. Gino Martins Borges Bastos, juntamente com o Diretor Comercial, João Batista Assad Tavares, que integra os quadros do jornal desde outrora, dão prosseguimento aos ideais que nortearam os eternizados Ésio e Luciano Bastos.
O NORTE FLUMINENSE agradece ao fundamental apoio dos assinantes, dos leitores, dos articulistas e da comunidade, desejando a todos um Natal de paz e um Ano Novo de conquistas e realizações.
Jornal fundado por Ésio Martins Bastos em 25 de dezembro de 1946 e dirigido por Luciano Augusto Bastos no período 2003-2011. E-mail: onortefluminense@hotmail.com
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
domingo, 1 de janeiro de 2012
LIVROS RAROS E ATUAIS NA BIBLIOTECA DO ECLB
Além da obra "COMPENDIO DAS MINAS", editada em Portugal em 1791, a Biblioteca do Espaço Cultural Luciano Bastos (ECLB), contará com obras raras cedidas a Luciano Bastos por Pedro Gonçalves Dutra, filho do historiador Antonio de Sousa Dutra: a) "COMPENDIO DAS EPOCAS E SUCESSOS MAIS ILUSTRES DA HISTÓRIA GERAL", de Antonio Pereira de Figueiredo, editado em Portugal, no ano de 1800; b) "ALMANAK Administrativo, Mercantil e Industrial da Corte e Província do Rio de Janeiro", redigido no ano de 1878, por José Antonio dos Santos Cardoso e c) Quatro volumes da revista "KOSMOS, Revista Artistica, Scientifica e Litteraria", editados no ano de 1906;
O acervo da Biblioteca contará ainda com dois volumes da obra "DICTIONNAIRE DE L'ECONOMIE POLITIQUE", dirigido por Coquelin et Guillaumin, ambos editados em Paris no ano de 1854 e com "JOSÉ DE LA LUZ Y CABALLERO", de Manoel C., editado em Havana no ano de 1890.
Além das obras raras, a Biblioteca do ECLB oferecerá ao público coleções de clássicos, como por exemplo, de Monteiro Lobato, José de Alencar, Machado de Assis, Érico Veríssimo, Viana Moog, Malba Tahan e Freud.
Livros editados neste ano também constam da Biblitoeca: "NOEL ROSA, POETA DA VILA, CRONISTA DO BRASIL", de Luiz Ricardo Leitão, "META AMOR FASES, COLETÂNEA DE POEMAS" de Mauro Lúcio Iarai, e " FUEGO CRUZADO", de José Ramón Herrera Medina, entre outros.
Para os amantes do Xadrez há várias obras importantes, entre as quais as escritas por dois ex-campeões mundias: "XEQUE-MATE", de Garry Kasparov e "CRITERIO Y TACTICA EN EL AJEDREZ" de Max Euwe.
(PUBLICADA NA EDIÇÃO DE 15 DE JULHO DE 2011)
MISSÃO
Gino Martins Borges Bastos
Certo dia, meu pai comentou: " Se eu vendesse o
imóvel do Colégio Rio Branco, receberia milhares de reais, mas certamente o imóvel seria demolido,
perdendo-se grande parte da história de Bom Jesus do Itabapoana. Meu
desejo não é ganhar dinheiro, mas preservar este patrimônio que
pertence a toda a sociedade bonjesuense".
Em outra oportunidade, sabendo do intuito de minhas irmãs Paula e
Claudia na manutenção da memória do Colégio Rio Branco através de um
Espaço Cultural, confidenciou: " algo muito importante é que sei
que vocês têm o apoio de duas pessoas idealistas: Pedrinho (Pedro
Salim) e Martinha (Martha Salim)".
Luciano Bastos era, sem dúvida, um sonhador e se sentia portador de uma missão.
Nós, seus filhos, cumpriremos o desejo do nosso pai. Mas não só isso: também nos sentimos prosseguidores de sua missão e eternizaremos seu nome através do ESPAÇO
CULTURAL LUCIANO BASTOS, que será constituído, por exemplo, do Museu da
Imprensa, que contará com a máquina francesa do século XIX que imprimiu O NORTE
FLUMINENSE por décadas, assim como os primeiros exemplares dos jornais
do município, a partir de 1906, como O ITABAPOANA e A CIDADE, entre
outros, entregues a ele pelo professor Pedro Dutra que, por sua vez,
preservou o acervo de seu pai, o historiador Antonio de Souza Dutra.
Neste ESPAÇO, haverá a Sala de Bom Jesus do Itabapoana, a Sala
para Exposições de Obras de Arte, Biblioteca, a Sala da América Latina,
Auditório para Conferências e apresentação de Teatro e Dança, entre outras.
O ESPAÇO CULTURAL LUCIANO BASTOS pretende, portanto, ser um lugar destinado ao desenvolvimento cultural de Bom Jesus do Itabapoana, mas com uma visão integradora do país e do mundo, gerando as condições para a criação, para os debates de ideias e de sonhos. Um prolongamento, portanto, do que foi o Colégio Rio Branco durante os seus noventa anos de existência, e do que foi a vida de LUCIANO BASTOS.
Certo dia, meu pai comentou: " Se eu vendesse o
imóvel do Colégio Rio Branco, receberia milhares de reais, mas certamente o imóvel seria demolido,
perdendo-se grande parte da história de Bom Jesus do Itabapoana. Meu
desejo não é ganhar dinheiro, mas preservar este patrimônio que
pertence a toda a sociedade bonjesuense".
Em outra oportunidade, sabendo do intuito de minhas irmãs Paula e
Claudia na manutenção da memória do Colégio Rio Branco através de um
Espaço Cultural, confidenciou: " algo muito importante é que sei
que vocês têm o apoio de duas pessoas idealistas: Pedrinho (Pedro
Salim) e Martinha (Martha Salim)".
Luciano Bastos era, sem dúvida, um sonhador e se sentia portador de uma missão.
Nós, seus filhos, cumpriremos o desejo do nosso pai. Mas não só isso: também nos sentimos prosseguidores de sua missão e eternizaremos seu nome através do ESPAÇO
CULTURAL LUCIANO BASTOS, que será constituído, por exemplo, do Museu da
Imprensa, que contará com a máquina francesa do século XIX que imprimiu O NORTE
FLUMINENSE por décadas, assim como os primeiros exemplares dos jornais
do município, a partir de 1906, como O ITABAPOANA e A CIDADE, entre
outros, entregues a ele pelo professor Pedro Dutra que, por sua vez,
preservou o acervo de seu pai, o historiador Antonio de Souza Dutra.
Neste ESPAÇO, haverá a Sala de Bom Jesus do Itabapoana, a Sala
para Exposições de Obras de Arte, Biblioteca, a Sala da América Latina,
Auditório para Conferências e apresentação de Teatro e Dança, entre outras.
O ESPAÇO CULTURAL LUCIANO BASTOS pretende, portanto, ser um lugar destinado ao desenvolvimento cultural de Bom Jesus do Itabapoana, mas com uma visão integradora do país e do mundo, gerando as condições para a criação, para os debates de ideias e de sonhos. Um prolongamento, portanto, do que foi o Colégio Rio Branco durante os seus noventa anos de existência, e do que foi a vida de LUCIANO BASTOS.
LUCHO GATICA
Gino Martins Borges Bastos
Recordo-me, quando criança, que, quando estava em companhia de minhas
irmãs, e meu pai chegava em casa com ânimo festivo, costumava dizer:
“Chegou Lucho Gatica, el campeón de las Americas”.
Lucho Gatica, como era conhecido um consagrado cantor chileno, foi considerado o “Rei do Bolero” e ganhou fama internacional a partir da década de 50. Por outro lado, a palavra “lucho” significa esforço, garra e amor à camisa, numa alusão ao
esporte.
Certamente, meu pai mesclava o apelido do artista, que lembrava seu
prenome, com seu amor ao futebol.
Esse seu divertido proceder de intitular-se “Lucho Gatica” quando estava contente diante dos filhos, continuou em todas as fases de
nossa vida.
Recentemente, quando ficara fragilizado fisicamente, e, após minhas irmãs Paula e Cláudia darem a ele a assistência devida, perguntei-lhe: “Pai, tudo bem?” E ele respondeu: “Tudo bem. Aqui está o ‘Lucho Gatica', el campeón de las Americas”.
Luciano Augusto Bastos foi e será sempre para nós, seus filhos, o grande
amigo, o nosso eterno campeão!
(Publicado na edição de 19/03/2011)
ESPAÇO CULTURAL LUCIANO BASTOS (ECLB)
Gino Martins Borges Bastos
Em dezembro de 1947, meu pai, então com 19 anos de idade, escreveu um texto em que reconhecia os méritos da "velha ponte de madeira", lamentando que a mesma estivesse prestes a ser desfeita e esquecida, com a chegada da "nova ponte de ferro e cimento", por ele também festejada.
Este espírito de reconhecimento e valorização dos fatos e objetos históricos, sem desprezar o novo que emergia acompanhou-o sempre em sua vida.
O Espaço Cultural Luciano Bastos (ECLB), idealizado por minhas irmãs Paula e Cláudia, dirigentes da entidade, e aprovado por meu pai, não procurará perpetuar apenas o nome de quem preservou com toda a paixão o patrimônio histórico consistente no prédio do Colégio Rio Branco e respectivo acervo. O ECLB pretende levar consigo também o seu espírito, criando as condições para que possa ser garantido o Direito à Memória, ao mesmo tempo que estimule as atividades culturais objetivando a gestação de uma sociedade humanizada.
Com o Museu da Imprensa, as Salas da História do Colégio Rio Branco, a Biblioteca e a Sala de Bom Jesus do Itabapoana (que será inaugurada posteriormente), objetiva-se o resgate da Memória e o reconhecimento aos que deram sua contribuição em favor do município.
Com a Sala da América Latina, o Auditório e o Pátio, onde ocorrerão espetáculos de Teatro, Balé, Dança, Música, Conferências, Exposição de Obras de Arte, Oficinas e Lançamentos de Livros, apontar-se-á para que, parafraseando Isaac Newton, sob os ombros de gigantes de nossa História, possamos enxergar novos horizontes.
A programação das atividades culturais que ocorrerão no dia 12 de agosto, data da inauguração do ECLB, está praticamente concluída e será divulgada, juntamente com as atividades que se desenvolverão até o fim do ano, na próxima edição de O Norte Fluminense.
Como costumava dizer nosso pai: "Alea jacta est".
(PUBLICADA NA EDIÇÃO DE 15 DE JULHO DE 2011)
Em dezembro de 1947, meu pai, então com 19 anos de idade, escreveu um texto em que reconhecia os méritos da "velha ponte de madeira", lamentando que a mesma estivesse prestes a ser desfeita e esquecida, com a chegada da "nova ponte de ferro e cimento", por ele também festejada.
Este espírito de reconhecimento e valorização dos fatos e objetos históricos, sem desprezar o novo que emergia acompanhou-o sempre em sua vida.
O Espaço Cultural Luciano Bastos (ECLB), idealizado por minhas irmãs Paula e Cláudia, dirigentes da entidade, e aprovado por meu pai, não procurará perpetuar apenas o nome de quem preservou com toda a paixão o patrimônio histórico consistente no prédio do Colégio Rio Branco e respectivo acervo. O ECLB pretende levar consigo também o seu espírito, criando as condições para que possa ser garantido o Direito à Memória, ao mesmo tempo que estimule as atividades culturais objetivando a gestação de uma sociedade humanizada.
Com o Museu da Imprensa, as Salas da História do Colégio Rio Branco, a Biblioteca e a Sala de Bom Jesus do Itabapoana (que será inaugurada posteriormente), objetiva-se o resgate da Memória e o reconhecimento aos que deram sua contribuição em favor do município.
Com a Sala da América Latina, o Auditório e o Pátio, onde ocorrerão espetáculos de Teatro, Balé, Dança, Música, Conferências, Exposição de Obras de Arte, Oficinas e Lançamentos de Livros, apontar-se-á para que, parafraseando Isaac Newton, sob os ombros de gigantes de nossa História, possamos enxergar novos horizontes.
A programação das atividades culturais que ocorrerão no dia 12 de agosto, data da inauguração do ECLB, está praticamente concluída e será divulgada, juntamente com as atividades que se desenvolverão até o fim do ano, na próxima edição de O Norte Fluminense.
Como costumava dizer nosso pai: "Alea jacta est".
(PUBLICADA NA EDIÇÃO DE 15 DE JULHO DE 2011)
2012. CIRCUITO CULTURAL ARTE ENTRE POVOS e o ECLB
Gino Martins Borges Bastos
A 6a. Exposição Internacional e a 2a. Feira Internacional do Livro, integrantes da Tenda Cultural, durante a Festa de Agosto, deram início ao Circuito Cultural Arte Entre Povos, envolvendo um total de 13 municípios. Do RJ participaram quatro: Bom Jesus do Itabapoana, Itaperuna, Varre-Sai e Maricá. De MG foram outros quatro: Espera Feliz, Manhuaçu, Carangola e Conceição de Ipanema. Do ES integraram cinco municípios: Guaçuí, Alegre, Divino de São Lourenço, Conceição do Castelo e São José do Calçado.
Durante um mês, entre os dias 11 de agosto e 11 de setembro, foram levados livros, obras de arte, oficinas e shows, que se integraram com manifestações culturais locais.
De Cuba, participaram o cantor e compositor Reinier Valdés e a artista plástica Adela Hilda Figueroa Gutiérrez. Do Rio Grande do Sul vieram o professor e historiador Bolívar Almeida e o poeta, compositor e cantor João Cony. De Minas Gerais, participou o fotógrafo Cimar Pinheiro. Os jovens da Cia. de Teatro América Latina também estiveram presentes em boa parte dos municípios. O artista plástico peruano Richard Bolívar enviou obras especialmente para o evento, o mesmo ocorrendo com a Editora Inverta do Rio de Janeiro e o Instituto Cubano do Livro, que enviou centenas de livros. Obras da artista plástica argentina Cecília Helga, da boliviana Iris Dalavos, do cubano Francisco Rivero e da capixaba Iza Cardeal também percorreram parte do Circuito. Norteou a todos o sentimento de que a cultura é fonte de integração entre as pessoas.
O carinho e o apoio recebido pelo público, em cada município visitado, demonstrou que o povo brasileiro sabe dar a devida resposta à autêntica cultura dos povos, em contraste com a cultura de massa, originada das imposições estabelecidas pelos meios de comunicação. Basta que se oportunize as condições de se ter acesso a ela. Prefeituras e Escolas Estaduais sintonizadas com o espírito do movimento se revezaram na organização da infra-estrutura.
Especificamente em nosso município, a inauguração do Espaço Cultural Luciano Bastos (ECLB) constituiu também um marco. Logo após sua inauguração, o ECLB, entidade sem fins lucrativos e que surge no município com investimento exclusivo dos filhos de Luciano Bastos, promoveu o lançamento de uma importante Exposição sobre a obra da poetisa goiana Cora Coralina, que faria aniversário no dia 20 de agosto. A Exposição ficou à disposição do público entre os dias 22 de agosto e 09 de setembro, numa importante articulação com o Instituto Federal Fluminense (IFF), campus de Campos dos Goytacazes. O IFF enviou ainda um excelente material sobre a "doce" poetisa, além de vários artistas que declamaram poesias da mestra goiana, por ocasião da bela noite de lançamento da Exposição. A Escola Estadual Antonio Carneiro Ribeiro, de Guaçuí, foi a primeira Escola a levar seus alunos para visitar a Exposição, no dia 06 de setembro. A emoção foi o ponto alto da visita. Além de declamarem poesias da mestra, no Palco do Auditório, compuseram poesia em honra à poetisa e deixaram como recordação, para o ECLB, um desenho de Cora, feito por um dos alunos. O Instituto de Educação Éber Teixeira Figueiredo visitou o estabelecimento no dia 08, enquanto o Colégio Batista esteve no ECLB no dia 09.
Um CONCERTO DE PIANO, com jovens valores bonjesuenses, está programado para o dia 30 de setembro, às 20 horas. Em outubro ocorrerá o evento "DIÁLOGOS" com o produtor cultural Pedro Salim, além do "Café Literário com Vinícius de Morais" e apresentação de VIOLÃO CLÁSSICO. Confirmada, ainda, a presença do artista plástico cubano Francisco Rivero. Uma inédita oficina sobre história em quadrinhos está sendo também articulada pela diretora do ECLB, Paula Bastos. Por outro lado, a Cia. de Teatro América Latina estará apresentando a peça "Alice no País das Maravilhas" e uma oficina sobre "Lampião e Maria Bonita". A Cia. pretende ainda dar produzir um curta-metragem.
Muitos são os sonhos que estão sendo sonhados a partir do ECLB. Como registrou um cartaz na Escola Estadual São Sebastião de Sacramento, no longínquo distrito de Sacramento, em Manhuaçu(MG), ao receber a comitiva do Circuito Cultural Arte Entre Povos, "Arte é Vida".
(PUBLICADA NA EDIÇÃO DE 17 DE SETEMBRO DE 2011)
A 6a. Exposição Internacional e a 2a. Feira Internacional do Livro, integrantes da Tenda Cultural, durante a Festa de Agosto, deram início ao Circuito Cultural Arte Entre Povos, envolvendo um total de 13 municípios. Do RJ participaram quatro: Bom Jesus do Itabapoana, Itaperuna, Varre-Sai e Maricá. De MG foram outros quatro: Espera Feliz, Manhuaçu, Carangola e Conceição de Ipanema. Do ES integraram cinco municípios: Guaçuí, Alegre, Divino de São Lourenço, Conceição do Castelo e São José do Calçado.
Durante um mês, entre os dias 11 de agosto e 11 de setembro, foram levados livros, obras de arte, oficinas e shows, que se integraram com manifestações culturais locais.
De Cuba, participaram o cantor e compositor Reinier Valdés e a artista plástica Adela Hilda Figueroa Gutiérrez. Do Rio Grande do Sul vieram o professor e historiador Bolívar Almeida e o poeta, compositor e cantor João Cony. De Minas Gerais, participou o fotógrafo Cimar Pinheiro. Os jovens da Cia. de Teatro América Latina também estiveram presentes em boa parte dos municípios. O artista plástico peruano Richard Bolívar enviou obras especialmente para o evento, o mesmo ocorrendo com a Editora Inverta do Rio de Janeiro e o Instituto Cubano do Livro, que enviou centenas de livros. Obras da artista plástica argentina Cecília Helga, da boliviana Iris Dalavos, do cubano Francisco Rivero e da capixaba Iza Cardeal também percorreram parte do Circuito. Norteou a todos o sentimento de que a cultura é fonte de integração entre as pessoas.
O carinho e o apoio recebido pelo público, em cada município visitado, demonstrou que o povo brasileiro sabe dar a devida resposta à autêntica cultura dos povos, em contraste com a cultura de massa, originada das imposições estabelecidas pelos meios de comunicação. Basta que se oportunize as condições de se ter acesso a ela. Prefeituras e Escolas Estaduais sintonizadas com o espírito do movimento se revezaram na organização da infra-estrutura.
Especificamente em nosso município, a inauguração do Espaço Cultural Luciano Bastos (ECLB) constituiu também um marco. Logo após sua inauguração, o ECLB, entidade sem fins lucrativos e que surge no município com investimento exclusivo dos filhos de Luciano Bastos, promoveu o lançamento de uma importante Exposição sobre a obra da poetisa goiana Cora Coralina, que faria aniversário no dia 20 de agosto. A Exposição ficou à disposição do público entre os dias 22 de agosto e 09 de setembro, numa importante articulação com o Instituto Federal Fluminense (IFF), campus de Campos dos Goytacazes. O IFF enviou ainda um excelente material sobre a "doce" poetisa, além de vários artistas que declamaram poesias da mestra goiana, por ocasião da bela noite de lançamento da Exposição. A Escola Estadual Antonio Carneiro Ribeiro, de Guaçuí, foi a primeira Escola a levar seus alunos para visitar a Exposição, no dia 06 de setembro. A emoção foi o ponto alto da visita. Além de declamarem poesias da mestra, no Palco do Auditório, compuseram poesia em honra à poetisa e deixaram como recordação, para o ECLB, um desenho de Cora, feito por um dos alunos. O Instituto de Educação Éber Teixeira Figueiredo visitou o estabelecimento no dia 08, enquanto o Colégio Batista esteve no ECLB no dia 09.
Um CONCERTO DE PIANO, com jovens valores bonjesuenses, está programado para o dia 30 de setembro, às 20 horas. Em outubro ocorrerá o evento "DIÁLOGOS" com o produtor cultural Pedro Salim, além do "Café Literário com Vinícius de Morais" e apresentação de VIOLÃO CLÁSSICO. Confirmada, ainda, a presença do artista plástico cubano Francisco Rivero. Uma inédita oficina sobre história em quadrinhos está sendo também articulada pela diretora do ECLB, Paula Bastos. Por outro lado, a Cia. de Teatro América Latina estará apresentando a peça "Alice no País das Maravilhas" e uma oficina sobre "Lampião e Maria Bonita". A Cia. pretende ainda dar produzir um curta-metragem.
Muitos são os sonhos que estão sendo sonhados a partir do ECLB. Como registrou um cartaz na Escola Estadual São Sebastião de Sacramento, no longínquo distrito de Sacramento, em Manhuaçu(MG), ao receber a comitiva do Circuito Cultural Arte Entre Povos, "Arte é Vida".
(PUBLICADA NA EDIÇÃO DE 17 DE SETEMBRO DE 2011)
O TROMBONE DE ROSAL
Da Série Entrevistas de O Norte Fluminense
Áureo Nunes Fiori nasceu no distrito de Rosal, em Bom Jesus do Itabapoana (RJ), no dia 07 de dezembro de 1933, filho de Walter Fiori e Zenith Nunes Fiori.
De família de avós e tios músicos, desde cedo desenvolveu sua habilidade para esta arte, principalmente a partir da Lira 14 de Julho, onde iniciou o aprendizado de tambor e tarol.
Áureo Fiori se recorda de que quando tinha 7 anos de idade, trocou "pela primeira vez o suspensório por cinto. E quando participava da alvorada no dia 14/07/1940, ao romper na rua Francisco Diniz, o tambor que tocava apoiado no cinto acabou arriando o calção", deixando a parte as partes baixas de Áureo à mostra de todos. "Foi um riso geral e a banda teve de suspender a apresentação" até o jovem instrumentista se recompor com suas vestes.
Áureo teve três professores de música, destacando o professor Sebastião Gomes Filho,conhecido como "Fio Bernardo". O segundo professor de música foi o "negro Sebastião Ferreira" e o terceiro, Ezequiel Tito de Almeida, seu tio "Tuca".
Recorda-se que tinha de estudar a cartilha musical "Alex Garudet", de Carlos Gomes, e se por ocasião da prova acontecesse de tocar alguma nota errada, seu professor o "convidava" a retornar a fazer a prova na semana seguinte.
Na escola regular,estudou na Escola Isolada de Rosal até a 4a.série,tendo como professoras Altiva Alti, Rosinha e Guiomar,esposa de Gauthier. Devido à sua estatura (conta com mais de 1,80 m), Áureo foi também requisitado a atuar como goleiro nos tempos de juventude.
Foi prestar o exame de admissão em Campos dos Goytacazes,no Colégio Batista,quando contava com 13 anos, mas não obteve êxito. Posteriormente, seu pai o matriculou na Escola Mercês Garcia Vieira, em São José do Calçado (ES). Em seguida, mudou-se para Cachoeiro de Itapemirim (ES),onde estudou no "Ateneu Cachoeirense", ligado à Igreja Presbiteriana. Tratava-se de um colégio industrial onde estudava em troca do trabalho realizado para a construção do prédio do educandário. Foi ali que aprendeu a respeito de 7 profissões.
Quando completou 18 anos de idade, tentou servir o Exército no Espírito Santo e no Rio de Janeiro,mas só conseguindo se alistar no Tiro de Guerra de Rosal, que estava sob o comando do "Sargento Raul".
Áureo possui quatro filhos:Sueli,professora aposentada,Walter e Walder, funcionários da Embratel no Rio de Janeiro e Suelena, professora em Bom Jesus do Norte(ES). Possui quatro netos.
Casou cedo, com cerca de 22 anos de idade, com Virgínia Capacia, que morva na na região de Água Limpa, em Rosal.
Seu pai era farmacêutico e proprietário da Farmácia Confiança,em Rosal.
Nunca gostou de ser maestro,porque "não tocava instrumentos". Seus instrumentos prediletos são o trombone e a clarineta.
Foi maestro da Lira Operária,em Bom Jesus do Itabapoana (RJ),por cerca de 22 anos, mas "cansei da falta de apoio da Prefeitura". Lembra que frequentemente tinha de desembolsar dinheiro do próprio bolso para pagar a conta de luz e até do conserto do telhado. Para Áureo,o único prefeito que apoiou a Lira Operária,no tempo que esteve à frente da entidade, "foi o prefeito Oliveiro Teixeira".
Depois da Lira Operária, Áureo Fiori foi maestro da Lira 26 de Julho, de Apiacá (ES),onde atuou por cerca de 8 anos, durante o último ano da gestão da prefeita Hilda Bastos e durante os mandatos do prefeito Aladir Chierici.Na ocasião, recebeu o título de cidadão apiacaense. Foi maestro também da Banda do Colégio Ari Parreira, de Laje do Muriaé (RJ).
Atuou ainda na Lira 19 de março,de São José do Calçado (ES), até 2010,quando,devido a uma queda,fraturou o fêmur, o que o impossibilitou de continuar seu trabalho.
Colaborou na fundação da Banda de Música do Colégio Padre Mello, de Bom Jesus do Itabapoana, da Banda Marcial Terezinha Juliana,em são José do Calçado, da Banda do Colégio Zélia Gisner e da Banda do Colégio Antonio Honório.
Sua decepção se dá com "os prefeitos que prometem apoio às bandas,mas não cumprem as promessas".
Áureo Fiori no comando da Banda do Colégio Rio Branco
Na década de 1960 foi maestro da Banda de Música do Colégio Rio Branco. "O Dr.Luciano Bastos me convidou para organizar uma Banda nos moldes da Lira Operária. A Banda do Colégio Rio Branco se apresentou no Clube Caio Martins em Niterói e no tradicional educandário daquele município, o São Vicente de Paulo".
Recorda-se que, certa vez,quando ensaiava com os alunos a música "Tema de Lara", o dr. Chiquinho Batista, "homem culto,sério,correto" saiu de sua residência,ao lado do Colégio Rio Branco, e dirigindo-se a ele "solicitou que eu não ensinasse tal música aos alunos", uma vez que se tratava de uma "música ruim. É um escândalo. O autor da música foi condenado e sua ópera refere-se a Lara, que traía seu esposo". Diz Áureo que atendeu à solicitação do mestre,substituindo a música pela canção "Era um garoto, que como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones", o que também foi de agrado do prestigiado professor.
Com a paralisação da Banda do Colégio Rio Branco, "o dr.Luciano Bastos resolveu doar os instrumentos para a Lira 14 de Julho, de Rosal,permitindo que esta tradicional Lira se reerguesse novamente".
Áureo Fiori lamenta que Rosal,que já teve o Cinema Rosal,dois times de futebol: Rosal e União Santanense, assim como um Tiro de Guerra, "chegando a ser mais desenvolvido que a sede do município", tenha "regredido".
Em 1970, houve um encontro histórico com o consagrado cantor Orlando Silva, nas dependências do Big Hotel. No ano de 1979, encontrou-se em Niterói(RJ) com o famoso maestro bonjesuense Walter Rosa, que trabalhava para a TV Globo, ocasião em que recebeu de presente por parte do mesmo um saxofone e uma clarineta.
Ano passado, tocou trombone no Carnaval de Higienópolis (SP).
Atualmente está preparando repertório de letras e músicas para o próximo Carnaval de Porciúncula, que será realizado apenas com canções antigas. Entusiasmou-se com a ideia de escrever um livro de memórias para ser lançado em 2012.
Ao terminar a entrevista,Áureo Fiori deixou uma mensagem para os pais: " Coloquem seus filhos para estudarem música, porque ser músico é como ser poeta. Quem estuda música não tem tempo para pensar em coisas ruins. A música mexe com os sentimentos. Com os sentimentos nobres".
O som do trombone de Áureo Fiori é para sempre.
(PUBLICADA NA EDIÇÃO DE 17 DE SETEMBRO DE 2011)
Áureo Nunes Fiori nasceu no distrito de Rosal, em Bom Jesus do Itabapoana (RJ), no dia 07 de dezembro de 1933, filho de Walter Fiori e Zenith Nunes Fiori.
De família de avós e tios músicos, desde cedo desenvolveu sua habilidade para esta arte, principalmente a partir da Lira 14 de Julho, onde iniciou o aprendizado de tambor e tarol.
Áureo Fiori se recorda de que quando tinha 7 anos de idade, trocou "pela primeira vez o suspensório por cinto. E quando participava da alvorada no dia 14/07/1940, ao romper na rua Francisco Diniz, o tambor que tocava apoiado no cinto acabou arriando o calção", deixando a parte as partes baixas de Áureo à mostra de todos. "Foi um riso geral e a banda teve de suspender a apresentação" até o jovem instrumentista se recompor com suas vestes.
Áureo teve três professores de música, destacando o professor Sebastião Gomes Filho,conhecido como "Fio Bernardo". O segundo professor de música foi o "negro Sebastião Ferreira" e o terceiro, Ezequiel Tito de Almeida, seu tio "Tuca".
Recorda-se que tinha de estudar a cartilha musical "Alex Garudet", de Carlos Gomes, e se por ocasião da prova acontecesse de tocar alguma nota errada, seu professor o "convidava" a retornar a fazer a prova na semana seguinte.
Na escola regular,estudou na Escola Isolada de Rosal até a 4a.série,tendo como professoras Altiva Alti, Rosinha e Guiomar,esposa de Gauthier. Devido à sua estatura (conta com mais de 1,80 m), Áureo foi também requisitado a atuar como goleiro nos tempos de juventude.
Áureo Fiori e Orlando Silva, no Big Hotel
Foi prestar o exame de admissão em Campos dos Goytacazes,no Colégio Batista,quando contava com 13 anos, mas não obteve êxito. Posteriormente, seu pai o matriculou na Escola Mercês Garcia Vieira, em São José do Calçado (ES). Em seguida, mudou-se para Cachoeiro de Itapemirim (ES),onde estudou no "Ateneu Cachoeirense", ligado à Igreja Presbiteriana. Tratava-se de um colégio industrial onde estudava em troca do trabalho realizado para a construção do prédio do educandário. Foi ali que aprendeu a respeito de 7 profissões.
Quando completou 18 anos de idade, tentou servir o Exército no Espírito Santo e no Rio de Janeiro,mas só conseguindo se alistar no Tiro de Guerra de Rosal, que estava sob o comando do "Sargento Raul".
Áureo possui quatro filhos:Sueli,professora aposentada,Walter e Walder, funcionários da Embratel no Rio de Janeiro e Suelena, professora em Bom Jesus do Norte(ES). Possui quatro netos.
Casou cedo, com cerca de 22 anos de idade, com Virgínia Capacia, que morva na na região de Água Limpa, em Rosal.
Seu pai era farmacêutico e proprietário da Farmácia Confiança,em Rosal.
Nunca gostou de ser maestro,porque "não tocava instrumentos". Seus instrumentos prediletos são o trombone e a clarineta.
Áureo Fiori e a Lira Operária
Foi maestro da Lira Operária,em Bom Jesus do Itabapoana (RJ),por cerca de 22 anos, mas "cansei da falta de apoio da Prefeitura". Lembra que frequentemente tinha de desembolsar dinheiro do próprio bolso para pagar a conta de luz e até do conserto do telhado. Para Áureo,o único prefeito que apoiou a Lira Operária,no tempo que esteve à frente da entidade, "foi o prefeito Oliveiro Teixeira".
Depois da Lira Operária, Áureo Fiori foi maestro da Lira 26 de Julho, de Apiacá (ES),onde atuou por cerca de 8 anos, durante o último ano da gestão da prefeita Hilda Bastos e durante os mandatos do prefeito Aladir Chierici.Na ocasião, recebeu o título de cidadão apiacaense. Foi maestro também da Banda do Colégio Ari Parreira, de Laje do Muriaé (RJ).
Atuou ainda na Lira 19 de março,de São José do Calçado (ES), até 2010,quando,devido a uma queda,fraturou o fêmur, o que o impossibilitou de continuar seu trabalho.
Colaborou na fundação da Banda de Música do Colégio Padre Mello, de Bom Jesus do Itabapoana, da Banda Marcial Terezinha Juliana,em são José do Calçado, da Banda do Colégio Zélia Gisner e da Banda do Colégio Antonio Honório.
Sua decepção se dá com "os prefeitos que prometem apoio às bandas,mas não cumprem as promessas".
Na década de 1960 foi maestro da Banda de Música do Colégio Rio Branco. "O Dr.Luciano Bastos me convidou para organizar uma Banda nos moldes da Lira Operária. A Banda do Colégio Rio Branco se apresentou no Clube Caio Martins em Niterói e no tradicional educandário daquele município, o São Vicente de Paulo".
Recorda-se que, certa vez,quando ensaiava com os alunos a música "Tema de Lara", o dr. Chiquinho Batista, "homem culto,sério,correto" saiu de sua residência,ao lado do Colégio Rio Branco, e dirigindo-se a ele "solicitou que eu não ensinasse tal música aos alunos", uma vez que se tratava de uma "música ruim. É um escândalo. O autor da música foi condenado e sua ópera refere-se a Lara, que traía seu esposo". Diz Áureo que atendeu à solicitação do mestre,substituindo a música pela canção "Era um garoto, que como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones", o que também foi de agrado do prestigiado professor.
Áureo Fiori e banda na réplica da Usina Hidrelétrica, na Praça Governador Portela
Com a paralisação da Banda do Colégio Rio Branco, "o dr.Luciano Bastos resolveu doar os instrumentos para a Lira 14 de Julho, de Rosal,permitindo que esta tradicional Lira se reerguesse novamente".
Áureo Fiori lamenta que Rosal,que já teve o Cinema Rosal,dois times de futebol: Rosal e União Santanense, assim como um Tiro de Guerra, "chegando a ser mais desenvolvido que a sede do município", tenha "regredido".
Em 1970, houve um encontro histórico com o consagrado cantor Orlando Silva, nas dependências do Big Hotel. No ano de 1979, encontrou-se em Niterói(RJ) com o famoso maestro bonjesuense Walter Rosa, que trabalhava para a TV Globo, ocasião em que recebeu de presente por parte do mesmo um saxofone e uma clarineta.
Ano passado, tocou trombone no Carnaval de Higienópolis (SP).
Atualmente está preparando repertório de letras e músicas para o próximo Carnaval de Porciúncula, que será realizado apenas com canções antigas. Entusiasmou-se com a ideia de escrever um livro de memórias para ser lançado em 2012.
Ao terminar a entrevista,Áureo Fiori deixou uma mensagem para os pais: " Coloquem seus filhos para estudarem música, porque ser músico é como ser poeta. Quem estuda música não tem tempo para pensar em coisas ruins. A música mexe com os sentimentos. Com os sentimentos nobres".
O som do trombone de Áureo Fiori é para sempre.
(PUBLICADA NA EDIÇÃO DE 17 DE SETEMBRO DE 2011)
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