A reportagem de O Norte Fluminense percorreu parte da zona rural do distrito de Calheiros, em Bom Jesus do Itabapoana (RJ), oportunidade em que registrou a forte presença de descendentes das famílias italianas Fitaroni, Degli Esposti, Ridolphi, Bompani, Bondrini, Capaccia, Bartolazzi e Montresor.
Família FITARONI
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| Sede da Fazenda Boa Vista, em Calheiros |
“Leopoldo Fitaroni veio da Itália com sua esposa, no final do século XIX, e tiveram vários filhos, entre os quais Caetano Fitaroni e Danil”. É o que nos conta o seu bisneto Luís Fitaroni, que nasceu em Calheiros, em 14/07/1952.
Segundo Luís, seus avós, Caetano Fitaroni e Carabina Fitaroni, ambos também italianos, tiveram 8 filhos: Leônidas, Eli, José, Maria, Antônio, Felipe, Élia e Cecília.
Seu pai, Leônidas, conhecido como Levi, casou-se com com Eurides Alves Fitaroni e teve 5 filhos: Dilma, Maria, Luís, Vanila e José.
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| Antigo guarda-chapéus |
Luís reside na Fazenda Boa Vista, que teve grande desenvolvimento há cerca de 100 anos atrás, graças principalmente ao cultivo de café.
"Meu bisavô Leopoldo construiu um casarão com cerca de 80 janelas e um engenho. Havia duas sedes na fazenda e plantava-se milho, arroz e cana-de-açúcar. Até hoje, pode-se ver um muro de pedras que separava o engenho, na parte de cima, dos tachos que ficavam na parte debaixo, recebendo a garapa através da gravidade", esclarece Luís.
Luís Fitaroni e o muro de pedras que separava o engenho dos tachos
Segundo Luís, o casarão foi depois demolido, e substituído por duas casas, sendo uma delas, onde vive atualmente com sua família. "Com as madeiras do antigo casarão foi construída esta casa.
Em sua casa, encontramos na parede da sala um receptáculo de madeira próprio para se colocar o "primeiro rádio a pilha de Calheiros".
Luís Fitaroni guarda em sua propriedade "um banco para carapina (marcenaria), com cerca de 100 anos, sendo que a madeira deve ter uns 200 anos".
Um porão construído de "pedras de cerca de 100 anos, foi feito com tijolo de barro batido. Não havia cerâmica na época. A madeira colocada no porão foi retirada do antigo casarão. Observe os sinais de que anteriormente a madeira ocupava a parte alta de uma casa". No porão, há ainda um "antigo pilão para pilar arroz, e onde se socava também café e milho, para fazer canjiquinha".
Porão construído com tijolo de barro batido
"Já houve gente que sugeriu que eu derrubasse esta casa e construísse uma moderna, mas pretendo preservar o patrimônio e a memória de meus antepassados", finaliza Luís Fitaroni.
Famílias DEGLI ESPOSTI, RIDOLPHI, BOMPANI e CAPACCI
Continuando a subir a serra, chegamos à Fazenda Santa Rita, onde encontramos um núcleo de descendentes das família Degli Esposti, Ridolphi, Bompani e Capacci.
Segundo nos relata Paulo Ridolphi Degli Esposti, que é professor, seus bisavós italianos, que vieram para o Brasil, se chamavam Carlos Degli Esposti e Maria Bompani, cujo pai se chamava Raphael Bompani.
Seu avô, Cesário Degli Esposti, também italiano, e que casou-se com Ernestina Bondrini, veio para o Brasil com 2 anos de idade, em 1897. Junto com Cesário, vieram seus irmãos Terezinha e Augusto. Instalaram-se na Fazenda Pavão, perto da Braúna. Posteriormente, fixaram-se também em Independência e São Benedito, localidades pertencentes a Água Limpa, distrito de Calheiros
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| Cesário Degli Esposti e netas, no distrito de Calheiros, em 1975 |
Na casa da fazenda Santa Rita, onde se cultiva café e milho e se produz leite e ovos, residem Paulo, sua mãe, Maria Ridolphi Degli Esposti, e os irmãos Penha Ridolphi Degli Esposti, Filomena Catarina Degli Esposti Lúcia Ridolphi Degli Esposti e José Francisco Ridolphi.
Maria Ridolphi, que nasceu no dia 29/08/1929, é descendente dos Capacci, tendo como irmã Prudência Capacci e, como tio, o italiano Privato Capaccia, que morou em Água Limpa, distrito de Rosal . Ela se recorda dos avós italianos, mas diz que "ninguém entendia o que eles falavam".
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| Maria Ridoplhi reside na Fazenda Santa Rita |
Paulo Ridolphi realizou estudos sobre a origem de sua família, e escreveu um texto sobre a mesma. O NORTE FLUMINENSE transcreve, com sua autorização, alguns excertos deste documento.
"Carlos Degli Esposti nasceu na Itália. Foi criado em orfanato e não conheceu pai nem mãe, e quem era criado no orfanato recebia um sobrenome.
Carlos Degli Esposti era casado com Maria Bompani. Eram de Crespelano, província de Bolonha. Migraram para o Brasil, desembarcando no Rio de Janeiro, no dia 02 de julho de 1897, no navio "AGORDAT", com três filhos mais velhos: Augusto, com sete anos, Teresa, com quatro anos, e Cesário, com dois anos. Augusto, Teresa e Cesário nasceram e foram batizados na Paróquia de Crespelano.
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| Em 07/07/1897, o navio Agordat partiu de Genova, Itália, com destino ao Rio de Janeiro |
Em 1897, quando chegaram ao Brasil, foram morar na Fazenda do Leite, de propriedade do sr. Francisco Boechat, hoje Pavão, próximo a Braúna e Pirapetinga (Vargem Alegre), em Bom Jesus do Itabapoana (RJ). Nesta fazenda nasceram mais dois filhos: Clotildes e Humberto. De Pavão, a família Degli Esposti mudou, em 1901, para a Fazenda do sr. João Teixeira, na Bandeira, nas proximidades de Palmital (Airituba), no Espírito Santo. De Bandeira, foi morar em 1906, em Independência, ainda em Palmital e, em 1918, mudaram-se para um sítio em Alto Calçado, onde possivelmente tenha falecido, sendo sepultado em São Benedito.
Posteriormente, compraram um pequeno sítio e, quando tiveram condições, compraram propriedade em Água Limpa, distrito de Rosal, em Bom Jesus do Itabapoana, para onde mudaram-se em 1925.
Maria Bompani era filha de Rafael Bompani. Ambos vieram para o Brasil. Rafael faleceu em Palmital (Airituba), distrito de São José do Calçado (ES), e Maria Bompani faleceu em Água Limpa, distrito de Rosal".
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Paulo Ridolphi Degli Esposti e uma antiga máquina usada para fazer mudas de café, na Fazenda Santa Rita
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Além do texto, Paulo Ridolphi chegou a anotar informações que seu avô costumava contar, entre as quais, destacamos a seguinte: "Os imigrantes que chegaram ao Brasil sofreram muito. Além da saudade que os torturava, havia a dificuldade de se comunicarem por não conhecerem o idioma português. Muitas vezes havia dificuldade de comunicação entre os próprios italianos, uma vez que cada um possuía seu próprio dialeto".
Família BOLDRINI / BOLDRIN
Sob este título, Paulo Ridolphi discorre também sobre os dados que obteve a respeito dos antepassados de sua bisavó, que vieram para Bom Jesus do Itabapoana.
Escreve ele que "Josué Boldrini e Felicita de Paula vieram da Itália. Saíram de Gênova, no navio ATTIVITA, que chegou ao Brasil no dia 14 de novembro de 1897, no Porto do Rio de Janeiro. Josué faleceu em Palmital, hoje Airituba (distrito de São José do Calçado-ES), onde está sepultado. Felicita de Paula (foi sepultada) em Água Limpa".Paulo Ridolphi informa que esteve no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, e de lá colheu os seguintes dados das chegadas dos Boldrini ao Brasil: "Giosué-42 anos, Felicita-39 anos, Amália-11 anos, Ettore-9 anos, Sílvio-5 anos e Ernesto-1 ano. Aqui no Brasil nasceu Ernestina em 10 de agosto de 1900". Segundo Paulo, "Ernestina Boldrini casou-se com Cesário Degli Esposti e faleceu no dia 29 de março de 1972".
Segundo ele, "a família Boldrini morou na Fazenda do Castelo, onde nasceu Ernestina", registrando que Sílvio Bondrini era conhecido por "Sírio (ou Círio)" e "casou-se com Dolores. Teve vários filhos, entre eles Henrique, Nery e Joaquim" e teria falecido em 1982.
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| Círio Boldrini, em foto de álbum de Paulo Ridolphi |
Paulo Ridolphi acentua, ainda, que certa vez, Josué mudara-se para a Fazenda Bela Vista, entre Natividade (RJ) e Varre-Sai (RJ), indo morar em casa que era ocupada por Ângelo Ridolphi. Antes de fixar residência na Fazenda, Josué "foi morar na tulha, bem próxima da casa, até poder ocupar a moradia de Ângelo. O filho de Ângelo Ridolphi, Brasilino, me disse que era uma tulha com janelas e que toda tarde Josué rezava com os filhos em italiano".
Famílias BARTOLAZZI e MONTRESOR
Os italianos Ângelo Bortolazzi e Rosa Luísa Montresor vieram para o Brasil em 1889, revela José Monteiro de Sousa, o Juquita, bisneto do casal, com 100 anos de idade completados no ano passado. Nascido no dia 1o./09/1911, em Calheiros, na Fazenda São Tomé, então 11o. distrito de Itaperuna, Juquita ostenta extraordinária vitalidade e invejável memória.
Selma, filha de José Monteiro, acompanhou a entrevista e explica que "o sobrenome Monteiro dado a meu pai foi uma criação equivocada do escrivão que o registrou. O sobrenome correto era Montresor. Do jeito que ficou, acabou sendo perdida a referência italiana no nome. Mas, hoje, por exemplo, meu filho Rui fez questão de resgatar isso e deu à sua filha, que hoje possui 3 anos de idade, o nome de Francesca Montresor Bartolazzi da Costa".
De acordo, ainda, com Selma, "Juquita era uma das formas com que os italianos chamavam as pessoas que tinham o pré-nome de José".
Juquita, que mora atualmente na sede de Bom Jesus do Itabapoana, assinala, por sua vez, que "quando chegaram ao Brasil, meus bisavós, Ângelo e Rosa, estabeleceram-se inicialmente em Carmo (RJ), na Fazenda da Soledade, de propriedade do 'dr. Carlos Soares'. Ocorre que minha bisavó faleceu durante o parto de seu filho Carlos, que viria a ser conhecido como Carlito. Por este motivo, meu bisavô acabou vindo para Calheiros, para trabalhar na fazenda de uma irmã do dr. Carlos Soares.
Posteriormente, se estabeleceu nas seguintes localidades: a) Fazenda de Itaguassu, b) Quebrado, c) Fazenda da Segunda, em 1926, onde permaneceu por dois anos e d) Seronha, de onde mudou-se para Calheiros".
Segundo Juquita, seus bisavós tiveram 5 filhos: Amélia, Luísa, Luís, Marieta e Carlito.
Os 5 filhos de ÂNGELO e ROSA
1. Amélia Luiz Montresor Bartolazzi, sua mãe, nasceu em Verona, Itália, e casou-se com Manoel de Sousa Rocha, que era oriundo de Minas Gerais. Tiveram 7 filhos: Alberto, Juquita, Arlindo, Pedro, Geraldo, Marieta - mãe do acadêmico Paulo Xavier - e Sebastião.
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Manoel de Sousa e Amélia Luiz Montresor Bartolazzi com os filhos Alberto, Juquita, Arlindo, Pedro, Geraldo, Marieta e Sebastião, em Calheiros. Foto de 1950
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2. Luís Bartolazzi casou-se com Claudineia Sousa Rocha, com a qual teve 10 filhos: Otacílio, Eugênio, Claudino, Ângelo Bartolazi, Umberto, Luizinho, Conceição, Aída, Venina e Alice.
3. Luísa, que casou-se e "mudou-se provavelmente para São Paulo, e não tivemos mais notícias dela".
4. Marieta, que teve os filhos: Abílio, Aderbal, Amarildo, Zizinha, Benedina, Zelinam Ciroca e Fia.
5. Carlito, que, segundo se recorda, teve os filhos Sebastião e Zilda.
Juquita casou-se com Geny Nolasco Resende, em 1945, tendo dois filhos: Selma, professora aposentada, e José Resende, aposentado na Aeronáutica. "José Resende trabalhou para o dr. Luciano Bastos com carteira assinada. Foi o seu primeiro e último patrão, já que, logo depois, ingressou na Aeronáutica", revela Juquita, assentando ainda que, "em janeiro de 1942, com 30 anos de idade, fui o primeiro da família a sair de casa. Estabeleci um comércio de varejo em Calheiros, em sociedade com Orlando de Sá Vieira. Em 29/12/1945, casei-me e continuei no comércio por mais dois anos”.
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| Casa
de venda de Juquita (toda de azul) em sociedade com o irmão Alberto, em
Calheiros. A casa ao lado foi construída, depois, para ser um armazém,
na década de 1950 |
Continua ele dizendo que “com o fim da sociedade, convidei meu irmão mais velho, Alberto, para entrar na mesma. Passei 14 anos neste trabalho e, como a lavoura e o comércio tiveram um declínio, e considerando que eu queria dar estudo para meus filhos, mudei-me para Bom Jesus em 1960. Selma estudou no Ginásio Rio Branco e depois concluiu o curso Normal no mesmo educandário. José estudou no antigo Pereira Passos, atual Colégio Estadual Governador Roberto Silveira e, depois, no Ginásio Rio Branco".
Juquita foi subdelegado nomeado em 13/5/1952, pelo governador Ernâni do Amaral Peixoto. Segundo Juquita, "fui subdelegado de graça e a seco. Nunca ganhei nada pelo serviço. Foram 8 anos que considero de escravidão para mim, mas cumpri meu dever. "
Juquita foi nomeado subdelegado de polícia de Calheiros por Ernâni do Amaral Peixoto, em 1952
Famílias italianas da região conhecidas por Juquita
Juquita diz que conheceu membros de diversas famílias italianas, mencionando as seguintes:
a) JACOMINI. Juquita conheceu "Belarmino Jacomini, residente na Seronha, e João Jacomini";
b) ZANON. Juquita se recorda do italiano "David Zanon, residente no Alto da Serônia";
c) SALOTTO. Juquita conheceu "Otílio Salotto, cujo pai, Carlos Salotto morava na Serra da Boa Vista";
d) DEGLI ESPOSTI. Juquita se recorda de "Cesário, Guilherme e Augusto. Lembro-me quando Cesário e Guilherme moravam em Lambari, enquanto Augusto residia em Água Limpa";
e) CAPACCIA. Juquita diz que conheceu o "italiano Privato Capaccia, que residia em Água Limpa".
Os 100 anos de Juquita
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| Juquita, Paulo Xavier e Selma: 3 gerações de ítalo-bonjesuenses |
Quando Juquita completou 100 anos, no dia 1º. de setembro de 2011, seus familiares fizeram uma grande festa e editaram um texto em sua homenagem em que registraram que, além dos filhos Selma e José, ele possui três netos: Ruy, Raquel e Vinícius, além de uma bisneta, Francesca, assinalando que " Você faz aniversário e nós é quem ganhamos o presente: SUA COMPANHIA".
Cada dia, na verdade, é dia de festa para a família de Juquita, para a comunidade ítalo-brasileira e para Bom Jesus do Itabapoana.
A NOVA GERAÇÃO DE ÍTALO-BONJESUENSES
João Pedro de Jesus Lúcio, 7 anos, descendente das famílias Capaccio e Ridolphi
Jeferson Degli Esposti Sobrinho, 11 meses, descendente das famílias Degli Esposti e Fitaroni, com a avó Maria (C), mãe Maria e bisavó Terezinha, residentes em Arraial Novo
Francesca Montresor Bartolazzi da Costa, com 3 anos, bisneta de Juquita, residente em Niterói (RJ)