terça-feira, 19 de junho de 2012

1a. MOSTRA DE ARTE CONTEMPORÂNEA NO ECLB



Ocorreu dia 1º de junho, às 19h30min, na Sala da América Latina do Espaço Cultural Luciano Bastos, a concorrida abertura da 1a. MOSTRA DE ARTE CONTEMPORÂNEA, das arte-educadoras Márcia de Oliveira Rangel Paulista e Valéria Norde.
Valéria Norde e Márcia Paulista
Sob o título DICOTÔMICOS, as artistas, em sua estreia, conceberam seu trabalho em três aspectos. "Os paralelepípedos reunidos são uma metáfora do ser humano insensível, endurecido pela vida. Por este motivo, o lado onde se encontram as pedras está abandonado pelo público, que se sente atraído, por sua vez, pelos elementos naturais e artificias que mexem com o sensorial, dispostos no outro canto da Sala", explica Valéria.

Por outro lado, "a lâmina de água ao seu redor aponta para um espelho que permite que cada um possa olhar para si próprio e, dessa forma,  encontrar o caminho onde possa ser capaz de sentir o cheiro dos elementos, apalpar formas suaves, sentar-se em objetos macios e divertir-se com os mesmos, ou seja, tornar-se naquilo que deveria ser. As pessoas que adentram na exposição, vão se concentrar espontaneamente no lado sensível da obra", complementa Márcia.
Instalação Artística “DICOTÔMICOS”  
 
 
Por Márcia Paulista
A Arte Contemporânea é de difícil interpretação porque nem todos a concebem como Arte. Estamos ainda atrelados à arte clássica, onde estilos deveriam ser seguidos e os suportes eram limitados. No No Brasil, já em 1922, na Semana da Arte Moderna, os artistas começam a manifestar sua insatisfação com modelos pré-concebidos de arte e apresentam seus trabalhos com estilos inusitados, escandalizando alguns artistas tradicionais. Em meados de 1960, Marcel Duchamp revoluciona completamente o conceito do que é arte, transformando objetos do uso cotidiano em obra de arte. 
Em “Dicotômicos”, nome dado a nossa instalação artística, apresentamos a Arte Contemporânea através de elementos escultóricos que se prestam a estimular reflexões no público. E esperamos que esse público espectador da obra torne-se um partícipe para que assim, verdadeiramente, a obra se complete, se realize de fato. 
Vimos que no dia da abertura desta Mostra de Arte Contemporânea, as pessoas que lá estiveram, entraram, olharam, não entenderam nada ou quase nada, mas de pouco a pouco, a partir da manipulação dos elementos (“pingos”, por nós conceituados) eles puderam sentir a suavidade desses elementos, a impregnação das cores e os aromas que deles emanavam. Acreditamos, que a logo a seguir começaram a entender a razão ou o conceito que a obra quis traduzir. E do outro lado da sala, vimos outro elemento escultórico formado por pedras (paralelepípedos) empilhadas em forma de um edifício, contornada por água, onde tornava-se dessa forma, uma ilha. É uma metáfora simbolizando o homem contemporâneo, apressado, insensível, endurecido, frio diante da vida, impassível diante da dor, do sofrimento... não reage mais aos estímulos sensoriais, e o que é pior, isola-se, torna-se “ilha”, impedindo ou dificultando o acesso ao seu próximo. Aí está a explicação das expressões contidas no banner que esteve afixado na parede: cor e não-cor, tangível e não-tangível, ruído e silêncio, presença e ausência... é a dicotomia da obra, razão pela qual intitulamos este trabalho “DICOTÔMICOS” que teve como curador o Prof. Ms da UFES Marcos Martins.
Esta instalação estará ainda aberta ao público na terça e quarta-feira próximas, dias 5 e 6 de junho, nos horários de 9h às 11h e 13h às 16h. 
É uma ótima oportunidade para toda a comunidade conhecer, e principalmente para professores levarem seus alunos a dialogar sobre a Arte que aliás, é uma disciplina que está sendo muito cobrada em avaliações de larga escala, principalmente nos exames do ENEM. 

sexta-feira, 15 de junho de 2012

INQUÉRITO INSTAURADO SERÁ CONCLUÍDO CONVÊNIOS DE R$1.750.000,00 ESTÃO À DISPOSIÇÃO DO HOSPITAL DESDE 2011



 A crise no Hospital São Vicente de Paulo





          Segundo informação do Inspetor de Polícia da Delegacia de Polícia de Bom Jesus do Itabapoana, ALEXANDRE DE ALCÂNTARA, o Inquérito Policial que apura crime ocorrido no Hospital São Vicente de Paulo e que foi instaurado em 2010, vai ser concluído com "urgência", não obstante tenha ficado paralisado anteriormente.

          De acordo com o policial, o novo Delegado de Polícia, dr. AUGUSTO MEDEIROS DE PAIVA  já se inteirou dos fatos constantes no procedimento e irá cumprir as diligências requisitadas pelo MINISTÉRIO PÚBLICO e que ainda não foram cumpridas.

          O Inspetor ALEXANDRE informou ainda que "há réu confesso" no Inquérito mas, como há indicativo de participação de outras pessoas no crime, serão necessárias novas diligências para que o fato criminoso seja totalmente esclarecido.

          Por fim, ALEXANDRE reiterou que o Delegado está empenhado em concluir o Inquérito Policial com a devida "urgência".
 

CONVÊNIOS

      Por outro lado, o blogueiro Frederico Sueth Rangel, em seu blog “Seu Voto Vale Mais”, postou no dia 16 de maio passado, matéria intitulada  "H.S.V.P. - R$1.750.000 em convênios".

      Segundo ele, "me chamou a atenção um debate na internet onde um dos participantes disse que há mais de 1,5 milhões (sic) em emendas e repasses do Ministério da Saúde para nosso hospital. Então fui pesquisar no portal da transparência  se de fato havia alguma informação para confirmar tal comentário.

      E de fato encontrei diversas publicações de convênios destinados ao Centro Popular Pró Melhoramentos com o montante total de R$ 1.750.000,00 em “execução”, que estão liberados desde 12/01/2011, com prazo de vigência final em 30/12/2012, todos exatamente com as mesmas datas de publicação, inicio e fim da vigência do convênio, algumas delas dependentes de contrapartidas financeiras. Vai depender da boa vontade do Centro Popular Pró-Melhoramentos ou da prefeita desembolsar uns R$ 17.000,00 para liberar a verba de R$ 1.750.000,00, e todos esses convênios não tiveram (até agora) nenhum valor liberado".

      Prosseguindo, o blogueiro  questiona: "Esses R$ 1.750.000,00 parados desde janeiro de 2011 demonstra a total ausência de vontade política de nossos governantes tanto no executivo como no legislativo, será que ninguém sabia disso?" Absolutamente ninguém até o momento protestou ou se manifestou sobre esses recursos liberados e parados, qual é a responsabilidade do governo nesse episódio?", ressaltando o seguinte:  "Quanto problema poderia ser evitado com esses recursos desde o ano passado".

     Frederico finalizou, dizendo que  "todos esses convênios destinarão para nosso hospital diversos equipamentos que proporcionarão consideravelmente (sic) a capacidade de atendimento, aumentando a receita e fazendo que o hospital volte a funcionar dentro da normalidade. Fica a dúvida se esses recursos já chegaram e como foram aplicados. Pelo que me consta não tive conhecimento desses recursos terem chegado entre janeiro do ano passado até o momento.

     O intrigante dessa história, é que esse internauta que fez o comentário, disse que esses recursos ainda não foram liberados por conta da desorganização da prefeitura, pois para o Ministério da Saúde concluir os repasses a prefeitura teria que cumprir com alguns trâmites burocráticos, e até o momento não cumpriu. Cabe agora aos responsáveis pela Secretaria de Saúde e à direção do hospital explicarem à sociedade sobre esses convênios". 

      Segue a relação dos convênios realizados entre o Ministério da Saúde e o Centro Popular Pró-Melhoramentos, entidade responsável pelo Hospital São Vicente de Paulo e mencionados no referido blog.

      Deve-se registrar que, de acordo com os dados extraídos do Portal da Transparência abaixo, a totalidade de Convênios atinge, na verdade, o valor  de R$2.150.000,00 (dois milhões cento e cinquenta mil reais).

 

                                       Detalhes do Convênio 
Número do Convênio SIAFI: 768426 Saiba como obter informações adicionais, denunciar irregularidades ou comunicar inconsistência de dados
Situação: Em Execução
Nº Original: 49950/2011
Objeto do Convênio: Aquisicao de material de uso unico
Orgão Superior: MINISTERIO DA SAUDE
Concedente: DIRETORIA EXECUTIVA DO FUNDO NAC. DE SAUDE
Convenente: CENTRO POPULAR PRO MELHORAMENTOS DE BOM JESUS
Valor Convênio: 400.000,00
Valor Liberado: 0,00
Publicação: 13/01/2012
Início da Vigência: 30/12/2011
Fim da Vigência: 30/12/2012
Valor Contrapartida: 0,00
Data Última Liberação:
Valor Última Liberação: 0,0




 


Detalhes do Convênio
Número do Convênio SIAFI: 749570 Saiba como obter informações adicionais, denunciar irregularidades ou comunicar inconsistência de dados
Situação: Em Execução
Nº Original: 00909/2010
Objeto do Convênio: Estruturacao de Unidade de Atencao Especializada em Saude
Orgão Superior: MINISTERIO DA SAUDE
Concedente: DIRETORIA EXECUTIVA DO FUNDO NAC. DE SAUDE
Convenente: CENTRO POPULAR PRO MELHORAMENTOS DE BOM JESUS
Valor Convênio: 100.000,00
Valor Liberado: 0,00
Publicação: 12/01/2011
Início da Vigência: 31/12/2010
Fim da Vigência: 30/12/2012
Valor Contrapartida: 2.040,82
Data Última Liberação:
Valor Última Liberação: 0,00

 


Detalhes do Convênio
Número do Convênio SIAFI: 749608 Saiba como obter informações adicionais, denunciar irregularidades ou comunicar inconsistência de dados
Situação: Em Execução
Nº Original: 01004/2010
Objeto do Convênio: Estruturacao de Unidades de Atencao Especializada em Saude.
Orgão Superior: MINISTERIO DA SAUDE
Concedente: DIRETORIA EXECUTIVA DO FUNDO NAC. DE SAUDE
Convenente: CENTRO POPULAR PRO MELHORAMENTOS DE BOM JESUS
Valor Convênio: 500.000,00
Valor Liberado: 0,00
Publicação: 12/01/2011
Início da Vigência: 31/12/2010
Fim da Vigência: 30/12/2012
Valor Contrapartida: 10.204,08
Data Última Liberação:
Valor Última Liberação: 0,00

 


Detalhes do Convênio
Número do Convênio SIAFI: 748784 Saiba como obter informações adicionais, denunciar irregularidades ou comunicar inconsistência de dados
Situação: Em Execução
Nº Original: 00591/2010
Objeto do Convênio: Aquisicao de Equipamento e Material Permanente para Unidade de Atencao Eespecializada em Saude.
Orgão Superior: MINISTERIO DA SAUDE
Concedente: DIRETORIA EXECUTIVA DO FUNDO NAC. DE SAUDE
Convenente: CENTRO POPULAR PRO MELHORAMENTOS DE BOM JESUS
Valor Convênio: 250.000,00
Valor Liberado: 0,00
Publicação: 12/01/2011
Início da Vigência: 31/12/2010
Fim da Vigência: 30/12/2012
Valor Contrapartida: 5.102,04
Data Última Liberação:
Valor Última Liberação: 0,00
Detalhes do Convênio
Número do Convênio SIAFI: 767360 Saiba como obter informações adicionais, denunciar irregularidades ou comunicar inconsistência de dados
Situação: Em Execução
Nº Original: 26865/2011
Objeto do Convênio: Estruturacao de unidade de atencao especializada em saude
Orgão Superior: MINISTERIO DA SAUDE
Concedente: DIRETORIA EXECUTIVA DO FUNDO NAC. DE SAUDE
Convenente: CENTRO POPULAR PRO MELHORAMENTOS DE BOM JESUS
Valor Convênio: 700.000,00
Valor Liberado: 0,00
Publicação: 13/01/2012
Início da Vigência: 30/12/2011
Fim da Vigência: 30/12/2012
Valor Contrapartida: 0,00
Data Última Liberação:
Valor Última Liberação:        0,00

 

Detalhes do Convênio
Número do Convênio SIAFI: 717083 Saiba como obter informações adicionais, denunciar irregularidades ou comunicar inconsistência de dados
Situação: Em Execução
Nº Original: 00446/2009
Objeto do Convênio: Aquisicao de um bisturi, dois ventiladores mecanicos e um carro de anestesia.
Orgão Superior: MINISTERIO DA SAUDE
Concedente: DIRETORIA EXECUTIVA DO FUNDO NAC. DE SAUDE
Convenente: CENTRO POPULAR PRO MELHORAMENTOS DE BOM JESUS
Valor Convênio: 200.000,00
Valor Liberado: 0,00
Publicação: 27/01/2010
Início da Vigência: 31/12/2009
Fim da Vigência: 30/12/2012
Valor Contrapartida: 0,00
Data Última Liberação:
Valor Última Liberação: 0,00


SALÁRIOS COM ATRASO DE DOIS MESES  

       Não obstante a verba repassada pela Secretaria do Estado da Saúde tenha sido finalmente chegado nas contas dos funcionários, permitindo o pagamento de cerca de 6 meses de salários atrasados, o fato é que os empregados do Hospital já estão sem receber os meses de abril e maio. Segundo o presidente do Sindicato dos funcionários do Hospital, WALDIR BATISTA MOTTA, "o Presidente do Hospital, dr. CELSO RIBEIRO, teria anunciado a vinda de 14 novos médicos para atuarem no nosocômio, mas até agora não aconteceu nada. Sem essa medida, não vejo solução para o Hospital".
  
ASSOCIADO AINDA SEM RESPOSTA 

       Por outro lado, até o fechamento da presente edição, o associado ANDRÉ LUIZ DE OLIVEIRA não recebeu, por parte do Presidente do Hospital,  resposta a respeito de três solicitações protocoladas no dia 30 de abril passado, em que requereu: a) "cópia da Prestação de Contas do período de março e abril de 2012"; b) "esclarecimentos a respeito da liberação por parte do Conselho Deliberativo no sentido de tomar empréstimo de 1 milhão de reais junto ao Banco Itaú. O que foi feito com tal dinheiro?"; c) "informações acerca da contribuição ao INSS dos servidores. Está sendo feita?".




































































































Açorianidade Bonjesuense



Com a chegada da família real ao Brasil, em 1808, D. João VI passou a estimular a vinda de açorianos ao país, para que povoassem áreas  não ocupadas.

Entre os açorianos que vieram ao Brasil e acabaram se estabelecendo em Bom Jesus do Itabapoana, constam os antepassados da família Teixeira de Siqueira e o Padre Antônio Francisco de Mello, conhecido como Padre Mello.


                                                                            
        Padre Antônio Francisco de Mello no interior na Igreja
                                                                         


Não obstante Georgina Mello Teixeira, a dona Nina, filha do memorialista Francisco Camargo Teixeira, o Zico Camargo, tenha referência de que seus antepassados sejam oriundos da cidade de Porto, em Portugal, ela considera pertinente a hipótese de que seus antepassados possam ser originários do arquipélago de Açores.

Esta tese é baseada no fato de a Festa do Divino Espírito Santo ser uma cultura típica dos açorianos.

Seja como for, o fato é que, segundo os escritos de Padre Mello, que chegou a Bom Jesus do Itabapoana no dia 18 de junho de 1899, a Festa do Divino alcançou nosso município  através de Francisco José Borges, proprietário e residente da fazenda Braúna e Antônio Teixeira de Siqueira, dono da fazenda da Barra, de 1860 a 1862. 

Segundo o livro "O ITABAPOANA", de Zico Camargo, com a morte de Francisco Teixeira de Siqueira, que residia em Rio Pomba (MG), no dia 03/12/1855, dez dos doze filhos vieram para esta região, movidos pela fama das terras. Segundo, ainda, o memorialista, foi Felicíssima Rosa d'Oliveira Teixeira quem trouxe as relíquias da coroa e do cetro do Divino Espírito Santo, no ano de 1860, com autorização do Bispo de Mariana, tendo a Festa do Divino Espírito Santo iniciada na Fazenda da Saudade, no distrito da Barra do Pirapetinga.

Por outro lado, consta da entrevista de dona Nina  ao O Norte Fluminense, na edição de 15 de julho de 2011, em matéria intitulada "A CANÇÃO DE DONA NINA", que a Festa do Divino teria passado a ser regularmente comemorada a partir de 1863 e, quando Padre Mello, vindo da Ilha de São Miguel, a maior das ilhas do Arquipélago de Açores, chegou a Bom Jesus do Itabapoana, em 1899, teria ficado impressionado ao ver, nesta região, uma cultura específica de sua terra natal.


            Dona Nina, filha do historiador Zico Camargo: fidelidade à família e às tradições


Padre Mello, quando chegou a Bom Jesus do Itabapoana, observou que a data da Festa do Divino Espírito Santo, por aqui, ocorria em agosto, época do fim da colheita do café, sendo este o provável motivo pelo qual a Festa do Divino, que constitui também a 'festa das colheitas" é celebrada em Bom Jesus no mês de agosto e não no mês de maio.

Segundo a Wikipedia, "a devoção ao Divino encontrou um solo fértil para florescer nos territórios portugueses, especialmente no arquipélago dos Açores. De lá, espalhou-se para outras áreas colonizadas por açorianos, como a Nova Inglaterra, nos Estados Unidos da América, e diversas partes do Brasil". (cf.http://pt.wikipedia.org/wiki/Festa_do_Divino_Esp%C3%ADrito_Santo)

Entre os dias 31 de maio e 4 de junho passados, ocorreu o V Congresso Internacional sobre as Festas do  Divino, na Ilha Terceira, uma das ilhas que compõem o arquipélago dos Açores. No Brasil, existem as  Casas dos Açores do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Por outro lado, o município capixaba de Viana está comemorando durante todo o ano, os 200 anos de imigração açoriana no Estado do Espírito Santo. Viana foi o único município capixaba que recebeu imigrantes vindos dos Açores. No dia 26 de maio foi lançado um cd com músicas tradicionais do Arquipélago de Açores.
 
Deve-se salientar que o açoriano Pe. Mello contribuiu decisivamente para o desenvolvimento cultural de nosso município, nos primórdios do século XX, sendo o responsável, também, pelo erguimento das duas torres da Igreja Matriz, cuja reforma foi concluída no ano de 1931. Podemos, portanto, afirmar sobre a existência em nosso município de uma "açorianidade bonjesuense".



      Ilha de São Miguel, do Arquipélago de Açores




VOCÊ SABIA?


1) Antônia da Graça, Júlia Maria da Caridade, Helena Maria de Jesus são três irmãs açorianas que embarcaram no Brasil por volta de 1723 e fundaram importantes e nobres famílias.(http://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%A7ores)

2) O poeta ANTERO DE QUINTAL nasceu na Ilha de São Miguel, no arquipélago de Açores.

3) O arquipélago dos Açores, localizado a cerca de 2.000 km da península ibérica,  é constituído por nove ilhas principais divididas em três grupos distintos: Ocidental, Central e Oriental.

As ilhas foram povoadas a partir de 1493 e foram fortemente fortificadas. Tal como no arquipélago da Madeira, a administração das ilhas açorianas foi feita através do sistema de capitanias, à frente das quais estava um capitão do donatário
.

No século XVIII, o arquipélago de Açores revelava um grande aumento populacional, o que ensejou no estímulo às famílias açorianas a emigrarem para terras brasileiras.

Desde 1976, os Açores constituem uma região autônoma da República de Portugal.

São Miguel, de onde veio Padre Mello, é a maior das Ilhas dos Açores. Ribeira Grande é uma das cidades de destaque desta ilha, que possui cerca de 746,8 km2 - Bom Jesus do Itabapoana possui 598,84 km² - e conta atualmente com aproxiadamente 137.699 habitantes - Bom Jesus conta com cerca de 35.411 habitantes, segundo o IBGE de 2010.

                                                 Ilha de São Miguel, no Arquipélago de Açores


Uma saga italiana em Bom Jesus do Itabapoana




A reportagem de O Norte Fluminense percorreu parte da zona rural do distrito de Calheiros, em Bom Jesus do Itabapoana (RJ), oportunidade em que registrou a forte presença de descendentes das famílias italianas Fitaroni, Degli Esposti, Ridolphi, Bompani, Bondrini, Capaccia, Bartolazzi e Montresor.

Família FITARONI

Sede da Fazenda Boa Vista, em Calheiros
                                           

“Leopoldo Fitaroni veio da Itália com sua esposa, no final do século XIX, e tiveram vários filhos, entre os quais  Caetano Fitaroni e Danil”. É o que nos conta o seu bisneto Luís Fitaroni, que nasceu em Calheiros, em 14/07/1952.

Segundo Luís, seus avós, Caetano Fitaroni e Carabina Fitaroni, ambos também italianos, tiveram 8 filhos: Leônidas, Eli, José, Maria, Antônio, Felipe, Élia e Cecília.

Seu pai, Leônidas, conhecido como Levi, casou-se com com Eurides Alves Fitaroni e  teve 5 filhos: Dilma, Maria, Luís, Vanila e José.


Antigo guarda-chapéus
                                   

Luís reside na Fazenda Boa Vista, que teve grande desenvolvimento há cerca de 100 anos atrás, graças principalmente ao cultivo de café.

"Meu bisavô Leopoldo construiu um casarão com cerca de 80 janelas e um engenho.  Havia duas sedes na fazenda e  plantava-se milho, arroz e cana-de-açúcar. Até hoje, pode-se ver um muro de pedras que separava o engenho, na parte de cima, dos tachos que ficavam na parte debaixo, recebendo a garapa através da gravidade", esclarece Luís.

Luís Fitaroni e o muro de pedras que separava o engenho dos tachos
                

Segundo Luís, o casarão foi depois demolido, e substituído por duas casas, sendo uma delas, onde vive atualmente com sua família. "Com as madeiras do antigo casarão foi construída esta casa.
Em sua casa, encontramos na parede da sala um receptáculo de madeira próprio para se colocar o "primeiro rádio a pilha de Calheiros".
 
Luís Fitaroni guarda em sua propriedade  "um banco para carapina (marcenaria), com cerca de 100 anos, sendo que a madeira deve ter uns 200 anos".

Um porão construído de "pedras de cerca de 100 anos, foi feito com tijolo de barro batido. Não havia cerâmica na época. A madeira colocada no porão foi retirada do antigo casarão. Observe os sinais de que anteriormente a madeira ocupava a parte alta de uma casa". No porão, há ainda um "antigo pilão para pilar arroz, e onde se socava também café e milho, para fazer canjiquinha".

             Porão construído com tijolo de barro batido    

 

"Já houve gente que sugeriu que eu derrubasse esta casa e construísse uma moderna, mas pretendo preservar o patrimônio e a memória de meus antepassados", finaliza Luís Fitaroni.


Famílias DEGLI ESPOSTI, RIDOLPHI, BOMPANI e CAPACCI



Continuando a subir a serra, chegamos à Fazenda Santa Rita, onde encontramos um núcleo de descendentes das família Degli Esposti, Ridolphi, Bompani e Capacci.

Segundo nos relata Paulo Ridolphi Degli Esposti, que é professor, seus bisavós italianos, que vieram para o Brasil, se chamavam Carlos Degli Esposti e Maria Bompani, cujo pai se chamava Raphael Bompani.

Seu avô, Cesário Degli Esposti, também italiano, e que casou-se com Ernestina Bondrini, veio para o Brasil com 2 anos de idade, em 1897.  Junto com Cesário, vieram seus irmãos Terezinha e Augusto. Instalaram-se na Fazenda Pavão, perto da Braúna. Posteriormente, fixaram-se também em Independência e São Benedito, localidades  pertencentes a Água Limpa, distrito de Calheiros


Cesário Degli Esposti e netas, no distrito de Calheiros, em 1975
   
 Na casa da fazenda Santa Rita, onde se cultiva café e milho e se produz leite e ovos, residem Paulo, sua mãe, Maria Ridolphi Degli Esposti, e os irmãos Penha Ridolphi Degli Esposti, Filomena Catarina Degli Esposti Lúcia Ridolphi Degli Esposti e José Francisco Ridolphi.

 Maria Ridolphi, que nasceu no dia 29/08/1929, é descendente dos Capacci, tendo como irmã Prudência Capacci e, como tio, o italiano Privato Capaccia, que morou em Água Limpa, distrito de Rosal . Ela se recorda dos avós italianos, mas  diz que "ninguém entendia o que eles falavam".

Maria Ridoplhi reside na Fazenda Santa Rita
                                        

Paulo Ridolphi realizou estudos sobre a origem de sua família, e escreveu um texto sobre a mesma. O NORTE FLUMINENSE transcreve, com sua autorização, alguns excertos deste documento.

 "Carlos Degli Esposti nasceu na Itália. Foi criado em orfanato e não conheceu pai nem mãe, e quem era criado no orfanato recebia um sobrenome.

Carlos Degli Esposti era casado com Maria Bompani. Eram de Crespelano, província de Bolonha. Migraram para o Brasil, desembarcando no Rio de Janeiro, no dia 02 de julho de 1897, no navio "AGORDAT", com três filhos mais velhos: Augusto, com sete anos, Teresa, com quatro anos, e Cesário, com dois anos. Augusto, Teresa e Cesário nasceram e foram batizados na Paróquia de Crespelano.

Em 07/07/1897, o navio Agordat partiu de Genova, Itália, com destino ao Rio de Janeiro
     

Em 1897, quando chegaram ao Brasil, foram morar na Fazenda do Leite, de propriedade do sr. Francisco Boechat, hoje Pavão, próximo a Braúna e Pirapetinga (Vargem Alegre), em Bom Jesus do Itabapoana (RJ). Nesta fazenda nasceram mais dois filhos: Clotildes e Humberto. De Pavão, a família Degli Esposti mudou, em 1901, para a Fazenda do sr. João Teixeira, na Bandeira, nas proximidades de Palmital (Airituba), no Espírito Santo. De Bandeira, foi morar em 1906, em Independência, ainda em Palmital e, em 1918, mudaram-se para um sítio em Alto Calçado, onde possivelmente tenha falecido, sendo sepultado em São Benedito.

Posteriormente, compraram um pequeno sítio e, quando tiveram condições, compraram propriedade em Água Limpa, distrito de Rosal, em Bom Jesus do Itabapoana, para onde mudaram-se em 1925.

Maria Bompani era filha de Rafael Bompani. Ambos vieram para o Brasil. Rafael faleceu em Palmital (Airituba), distrito de São José do Calçado (ES), e Maria Bompani faleceu em Água Limpa, distrito de Rosal".



Paulo Ridolphi Degli Esposti e uma antiga máquina usada para fazer mudas de café, na Fazenda Santa Rita

Além do texto, Paulo Ridolphi chegou a anotar informações que seu avô costumava contar, entre as quais, destacamos a seguinte: "Os imigrantes que chegaram ao Brasil sofreram muito. Além da saudade que os torturava, havia a dificuldade de se comunicarem por não conhecerem o idioma português. Muitas vezes havia dificuldade de comunicação entre os próprios italianos, uma vez que cada um possuía seu próprio dialeto".


Família BOLDRINI / BOLDRIN

Sob este título, Paulo Ridolphi discorre  também sobre os dados que obteve a respeito dos antepassados de sua bisavó, que vieram para Bom Jesus do Itabapoana.

Escreve ele que "
Josué Boldrini e Felicita de Paula vieram da Itália. Saíram de Gênova, no navio ATTIVITA, que chegou ao Brasil no dia 14 de novembro de 1897, no Porto do Rio de Janeiro. Josué faleceu em Palmital, hoje Airituba (distrito de São José do Calçado-ES), onde está sepultado. Felicita de Paula (foi sepultada) em Água Limpa".Paulo Ridolphi informa que  esteve no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, e de lá colheu os seguintes dados das chegadas dos Boldrini ao Brasil: "Giosué-42 anos, Felicita-39 anos, Amália-11 anos, Ettore-9 anos, Sílvio-5 anos e Ernesto-1 ano. Aqui no Brasil nasceu Ernestina em 10 de agosto de 1900". Segundo Paulo, "Ernestina Boldrini casou-se com Cesário Degli Esposti e faleceu no dia 29 de março de 1972".

Segundo ele, "a família Boldrini morou na Fazenda do Castelo, onde nasceu Ernestina", registrando que Sílvio Bondrini era conhecido por "Sírio (ou Círio)" e "casou-se com Dolores. Teve vários filhos, entre eles Henrique, Nery e Joaquim" e teria falecido em 1982.

 
Círio Boldrini, em foto de álbum de Paulo Ridolphi
                                   

Paulo Ridolphi acentua, ainda, que certa vez, Josué mudara-se para a Fazenda Bela Vista, entre Natividade (RJ) e Varre-Sai (RJ), indo morar em casa que era ocupada por Ângelo Ridolphi. Antes de fixar residência na Fazenda, Josué "foi morar na tulha, bem próxima da casa, até poder ocupar a moradia de Ângelo. O filho de Ângelo Ridolphi, Brasilino, me disse que era uma tulha com janelas e que toda tarde Josué rezava com os filhos em italiano".
 

Famílias BARTOLAZZI e MONTRESOR  



Os italianos Ângelo Bortolazzi e Rosa Luísa Montresor vieram para o Brasil em 1889, revela José Monteiro de Sousa, o Juquita, bisneto do casal, com 100 anos de idade completados no ano passado. Nascido no dia 1o./09/1911, em Calheiros, na Fazenda São Tomé, então 11o. distrito de Itaperuna, Juquita ostenta extraordinária vitalidade e invejável memória.

Selma, filha de José Monteiro, acompanhou a entrevista e explica que "o sobrenome Monteiro dado a meu pai foi uma criação equivocada do escrivão que o registrou. O sobrenome correto era Montresor. Do jeito que ficou, acabou sendo perdida a referência italiana no nome. Mas, hoje, por exemplo, meu filho Rui fez questão de resgatar isso e deu à sua filha, que hoje possui 3 anos de idade, o nome de Francesca Montresor Bartolazzi da Costa".

De acordo, ainda, com Selma, "Juquita era uma das formas com que os italianos chamavam as pessoas que tinham o pré-nome de José".

Juquita, que mora atualmente na sede de Bom Jesus do Itabapoana, assinala, por sua vez,  que "quando chegaram ao Brasil, meus bisavós, Ângelo e Rosa, estabeleceram-se inicialmente em Carmo (RJ), na Fazenda da Soledade, de propriedade do 'dr. Carlos Soares'. Ocorre que  minha bisavó faleceu durante o parto de seu filho Carlos, que viria a ser conhecido como Carlito. Por este motivo, meu bisavô acabou vindo para Calheiros, para trabalhar na fazenda de uma irmã do dr. Carlos Soares. 


Posteriormente, se estabeleceu nas seguintes localidades: a) Fazenda de Itaguassu, b) Quebrado, c) Fazenda da Segunda, em 1926, onde permaneceu por dois anos e d) Seronha, de onde mudou-se para Calheiros".

Segundo Juquita, seus bisavós tiveram 5 filhos: Amélia, Luísa, Luís, Marieta e Carlito.

Os 5 filhos de ÂNGELO e ROSA
 
1. Amélia Luiz Montresor Bartolazzi, sua mãe, nasceu em Verona, Itália, e casou-se com Manoel de Sousa Rocha, que era oriundo de Minas Gerais. Tiveram 7 filhos:  Alberto, Juquita, Arlindo, Pedro, Geraldo, Marieta - mãe do acadêmico Paulo Xavier - e Sebastião.


Manoel de Sousa e Amélia Luiz Montresor Bartolazzi com os filhos Alberto, Juquita, Arlindo, Pedro, Geraldo, Marieta e Sebastião, em Calheiros. Foto de 1950

2. Luís Bartolazzi casou-se com Claudineia Sousa Rocha, com a qual teve 10 filhos: Otacílio, Eugênio, Claudino, Ângelo Bartolazi, Umberto, Luizinho, Conceição, Aída, Venina e Alice.

3. Luísa, que casou-se e "mudou-se provavelmente para São Paulo, e não tivemos mais notícias dela".

4. Marieta, que teve os filhos: Abílio, Aderbal, Amarildo, Zizinha, Benedina, Zelinam Ciroca e Fia.

5. Carlito, que, segundo se recorda, teve os filhos Sebastião e Zilda.

Juquita casou-se com Geny Nolasco Resende, em 1945, tendo dois filhos: Selma, professora aposentada, e José Resende, aposentado na Aeronáutica. "José Resende trabalhou para o dr. Luciano Bastos com carteira assinada. Foi o seu primeiro e último patrão, já que, logo depois, ingressou na Aeronáutica", revela Juquita, assentando ainda que, "em janeiro de 1942, com 30 anos de idade, fui o primeiro da família a sair de casa. Estabeleci um comércio de varejo em Calheiros, em sociedade com Orlando de Sá Vieira. Em 29/12/1945, casei-me e continuei no comércio por mais dois anos”.

Casa de venda de Juquita (toda de azul) em sociedade com o irmão Alberto, em Calheiros. A casa ao lado foi construída, depois, para ser um armazém, na década de 1950

 
 Continua ele dizendo que “com o fim da sociedade, convidei meu irmão mais velho, Alberto, para entrar na mesma. Passei 14 anos neste trabalho e, como a lavoura e o comércio tiveram um declínio, e considerando que eu queria dar estudo para meus filhos, mudei-me para Bom Jesus em 1960. Selma estudou no Ginásio Rio Branco e depois concluiu o curso Normal no mesmo educandário. José estudou no antigo Pereira Passos, atual Colégio Estadual Governador Roberto Silveira e, depois, no Ginásio Rio Branco".

Juquita foi subdelegado nomeado em 13/5/1952, pelo governador Ernâni do Amaral Peixoto. Segundo Juquita, "fui subdelegado de graça e a seco. Nunca ganhei nada pelo serviço. Foram 8 anos que considero de escravidão para mim, mas cumpri meu dever. "

   Juquita foi nomeado subdelegado de polícia de Calheiros por Ernâni do Amaral Peixoto, em 1952


Famílias italianas da região conhecidas por Juquita

Juquita diz que conheceu membros de diversas famílias italianas, mencionando as seguintes:

a) JACOMINI. Juquita conheceu "Belarmino Jacomini,  residente na Seronha, e João Jacomini";

 b) ZANON. Juquita se recorda do italiano "David Zanon, residente no Alto da Serônia";

c) SALOTTO. Juquita conheceu "Otílio Salotto, cujo pai, Carlos Salotto morava na Serra da Boa Vista";

d) DEGLI ESPOSTI. Juquita se recorda de "Cesário, Guilherme e Augusto. Lembro-me quando Cesário e Guilherme moravam em Lambari, enquanto Augusto residia em Água Limpa";

e) CAPACCIA. Juquita diz que conheceu o "italiano Privato Capaccia, que residia em Água Limpa".


Os 100 anos de Juquita



      Juquita, Paulo Xavier e Selma: 3 gerações de ítalo-bonjesuenses

Quando Juquita completou 100 anos, no dia 1º. de setembro de 2011, seus familiares fizeram uma grande festa e editaram um texto em sua homenagem em que registraram que, além dos filhos Selma e José, ele possui três netos: Ruy, Raquel e Vinícius, além de uma bisneta, Francesca, assinalando que " Você faz aniversário e nós é quem ganhamos o presente: SUA COMPANHIA".

Cada dia, na verdade, é dia de festa para a família de Juquita, para a comunidade ítalo-brasileira e para Bom Jesus do Itabapoana. 


A NOVA GERAÇÃO DE ÍTALO-BONJESUENSES


                  João Pedro de Jesus Lúcio, 7 anos, descendente das famílias Capaccio e Ridolphi

Jeferson Degli Esposti Sobrinho, 11 meses, descendente das famílias Degli Esposti e Fitaroni, com a avó Maria (C), mãe Maria e bisavó Terezinha, residentes em Arraial Novo


   Francesca Montresor Bartolazzi da Costa, com 3 anos, bisneta de Juquita, residente em Niterói (RJ)