domingo, 17 de fevereiro de 2013



NOTÍCIA DE VARRE-SAI (RJ)


SÍTIO VELHO MOINHO É OPÇÃO DE ESTADIA E LAZER 


Há quatro anos atrás, Fátima Pimentel e César resolveram transformar o belo sítio em local para pousada e lazer.

A iniciativa deu certo. A receptividade foi tão boa que, já em 2013, inauguraram mais um chalé, totalizando três, além de duas suítes.

Contando com piscina, bar, restaurante e lareira, o Sítio Velho Moinho tornou-se point para quem deseja descansar ou passar momentos agradáveis em meio à natureza.

 


Entrada do Sítio Velho Moinho, localizado a 3 km do centro de Varre-Sai




Chalé inaugurado em 2013





O Sítio Velho Moinho está situado em meio à Mata Atlântica, entre lagos





Suítes  


Bar e Restaurante também são atrativos


Maria Bernadete Rodolphi aprovou o empreendimento de Fátima Pimentel e César








ÁRVORE CENTENÁRIA É DERRUBADA EM CALHEIROS


De nada adiantou a irresignação do escritor e poeta José Luiz Carreiro, do distrito de Calheiros, e sua luta pela preservação da centenária árvore conhecida como Árvore Criminosa. Alegando impossibilidade de recuperação da árvore, que estaria comprometida, com risco de queda, a prefeitura derrubou-a. Veja como era a Árvore Criminosa na matéria de O Norte Fluminense publicada em http://onortefluminense.blogspot.com.br/2012/03/arvore-criminosa.html














LAMENTO DE UMA ÁRVORE

José Luiz Carreiro, Calheiros, 15/06/2012 



Há um século e meio ou mais
Nasci às margens do Rio Preto
Rio Itabapoana nos tempos atuais

Vi morrerem muitas amigas minhas
Pela ganância, orgulho e egoísmo humanos
Que na ignorância de buscarem o progresso
Cometeram retrocesso e um grande engano

Mas parece que o desenvolvimento
Não desenvolve a mente do homem
Vê-se a era das grandes tecnologias
A televisão gritando a cada dia
Sobre a preservação da natureza
Mas a ignorância de nossas
Cabeças não somem

Eu vi seu bisavô crescer, o seu avô nascer
E suspirar pela vinda de seus pais
Vi e ouvi o suspiro de amor de um casal
Presenciei a felicidade de um casamento
O que é normal, vi você nascer

Com muita singeleza e carinho
Veio ficar perto de mim
Produzo o seu oxigênio
A sombra nos dias de sol causticante
Mostro a beleza dos horizontes
E você está querendo o meu fim

Me trocam por construção
Que um pedreiro pode fazer em um ano ou seis meses
Mas não sabe em quantas vezes
Um homem leva para me construir
Não sei mais do meu futuro
É um passo que estou dando no escuro
Mas imploro a vocês
Pensem mil e mais mil outras vezes
Antes de me destruirem

Você que veio todo feliz
Morar perto de mim
Mas, enfim, tem medo
Isso é notável, mas queria
Meu amigo ou minha amiga
Lembrar-lhe que não sou um produto descartável

Quem me construiu é o maior engenheiro do mundo
Levou séculos para me modelar
Faço parte desta linda natureza
Que o homem polido, mas com certa rudeza,
Quer destruir em um segundo
Posso até estar lhe perturbando
Seus interesses atrapalhando
Mas não faz como vocês dizem
Que sou velha ranzinza e desnecessária
Lembre-se que sou muito antiga
Nunca você vai ver o que já vi
Sentir o que senti
Pois sou uma centenária

Sou inspiração para namorados
Que ficam na minha sombra a sonhar
Casa para passarinhos
Que aqui fazem seus ninhos
Nas manhãzinhas gostam de gorjear
Continuo sendo inspiração para fantasias
Canto e poesia
No verso e na prosa
Sou sua amiga querida
Quem ajuda na luta pela sua vida
Para seus antepassados e até hoje
Sou a sua árvore, conhecida como Árvore Criminosa
Deixem-me viver!



GOIABADA CASEIRA DE CARABUÇU


Chiquinho e a fabricação da goiabada



Francisco de Assis Silva, conhecido como Chiquinho, é natural de Bom Jesus do Norte (ES), mas foi criado em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Com 18 anos de idade, seu sonho era tornar-se jogador de futebol profissional. Como possuía habilidade com a bola, foi chamado para jogar na Bahia, em Vitória (ES) e em Sergipe.

Como na família havia um primo que jogava futebol em Portugal, ele sonhava com a Europa. Ocorre que uma lesão no joelho impediu-o de prosseguir nos seus sonhos. Retornou, então, a Bom Jesus em 1987, ocasião em que seu amigo Ruy Castro solicitou apoio para que ele dirigisse, no distrito de Carabuçu, um time semiprofissional de futebol.

Chiquinho aceitou o desafio. Pouco depois, o amigo Lécio Sarlo convidou-o para cuidar de 50 pés de goiaba que havia plantado em sua propriedade, autorizando a utilização das frutas colhidas. Aceitou, também, a proposta. 

Sucede que houve uma grande produção de goiaba. Explica Chiquinho que "goiaba de enxerto produz cerca de 300kg por pé. Assim, 50 pés produziriam cerca de 35 mil kg de goiaba". Devido a esta grande produção sua mãe, Sebastiana Silva teve uma ideia e disse ao filho: "vou fazer  goiabada".

Goiaba "paluma" é a ideal para fazer o doce


O fato é que o "jeitinho" de fazer goiabada de dona Sebastiana acabou se tornando um sucesso. Pouco a pouco seu produto foi alcançando mercado e, hoje, 15 anos depois, possui entre seus maiores fregueses a rede de Supermercados Varejão e a Cooperativa Agrária do Vale do Itabapoana Ltda, a CAVIL.

De acordo com Chiquinho,  posteriormente, "Márcio Matias propôs sociedade em outra plantação de goiaba, que aceitei também. Embora Márcio tenha passado a propriedade para Paulo Chierici,  a sociedade permaneceu".

Atualmente, Chiquinho mantém sociedade com  Dalva Sarlo, em uma propriedade com cerca de 300 pés, e com Paulo Chierici, onde mantém 200 pés".

Segundo Chiquinho, o "kg de goiabada  rende cerca de R$7,00". Atualmente, produz aproximadamente 1.000kg de goiabada por mês. Sua meta, contudo, é alcançar a produção mensal de 2.000kg de goiabada.

"Tive problemas na instalação da fábrica e com a falta de matéria-prima, mas, agora, mais experiente, vou acertar os detalhes e melhorar a eficiência. Além disso, consegui, através da FAPERJ, R$35.000,00 (trinta e cinco mil reais) para as obras de alvenaria na fábrica,  aquisição de tachos, despoupadora e formas. Para alimentar os dois fornos, utilizo madeira recolhida de limpeza de terrenos", esclarece.


A fábrica de goiabada está sendo reformada

 
Há dois anos, o filho mais novo, Murilo, faleceu em acidente de veículo, quando contava com 17 anos de idade.  Chiquinho aponta para a foto do filho e diz: "Isso me abateu demais. A gente fica sem vontade de fazer as coisas. Agora, contudo, estou tentando voltar à normalidade da vida"

A produção da goiabada de Carabuçu constitui mais uma iniciativa local que vem trazendo melhoria de condição de vida para a região.


Qualidade da Goiabada Caseira de Carabuçu conquistou mercado





   




 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

CENÁRIO CINEMATOGRÁFICO EM MUTUM DE CIMA




Barba de Velho é o nome dado a uma bromélia encontrada na região de Mata Atlântica. A Barba de Velho é utilizada em artesanato e também como antibiótico, anti-reumático e anti-hemorróidal, estando ameaçada de extinção no estado do Rio Grande do Sul.




Quem adentrar na zona rural de Mutum de Cima irá deparar-se com várias dessas plantas, que se desenvolvem em galhos de árvore, propiciando um efeito visual cinematográfico.




domingo, 3 de fevereiro de 2013


NOTÍCIA DE VARRE-SAI (RJ)

UM ANINHO DE MARINA RODOLPHI ALONSO


Completou um aninho de vida, no dia 12 de janeiro, MARINA RODOLPHI ALONSO, de Varre-Sai (RJ), o município mais italiano do Estado do Rio de Janeiro. MARINA, que é filha de Sheyla Rodolphi, constitui a nova geração de ítalo-varre-saienses, e recebeu uma bonita festa no Espaço Vai e Volta, onde contou com a presença de muitos familiares, inclusive dos avós maternos e paternos. Que possamos todos construir um mundo melhor para MARINA e todas as crianças do mundo. Desta maneira, poderemos garantir a ela o que desejamos agora e sempre: MUITAS FELICIDADES, COM MUITOS ANOS DE VIDA, MARINA!











O NORTE FLUMINENSE ESGOTA NA BANCA DE REVISTA


Banca de Revista da Praça Governador Portela



A edição do mês de janeiro de O NORTE FLUMINENSE esgotou na Banca de Revista da Praça Governador Portela, em um período de cerca de três semanas.

Segundo o proprietário da banca, Marcelo Pimentel Silveira, "de todos os exemplares colocados à venda no dia 13 de janeiro,  já não havia qualquer um disponível no dia 02 de fevereiro".

A banca de revista foi estabelecida na praça em 1988, através  do pai de Marcelo, o saudoso dr. Udvaldo Pimentel Siveira, que faleceu em desastre de veículo em 1997.

Com a remodelação da praça, Marcelo estabeleceu uma banca moderna que trouxe uma beleza especial ao local, principalmente, à noite, com sua destacada iluminação.


No dia 02 de fevereiro não havia qualquer exemplar de O Norte Fluminense disponível para a venda

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013


Da série Entrevistas de O Norte Fluminense

O FILHO VENCEDOR DA BRAÚNA



Mauro Borges Alvarenga e Maria Aparecida Borges de Rezende



Mauro Borges Alvarenga é filho de Álvaro Leite Alvarenga e Elisa Teixeira Borges. Nasceu em Braúna, zona rural de Bom Jesus do Itabapoana, no dia 06 de janeiro de 1935.

Seus avós paternos são Felicíssimo Leite Alvarenga, oriundo de Caraguases (MG) e Albertina Pereira, nascida em Miraí (MG). Os avós maternos são Ancleto José Borges e Maria Leopoldina.

Mauro casou-se com Maria Aparecida Borges de Rezende em 1961, em São José do Calçado, e possui dois filhos: Maurelisa, casada com Jorge Elias Moreira Moulin, e Carlos Alberto Rezende Alvarenga, falecido.

Possui uma neta: a médica dra. Stephanie Rezende Alvarenga Moulin.


Stephanie e seu tio Carlos Alberto, na festa de 15 anos


Teve 4 irmãos. Três do primeiro matrimônio de seu genitor: Eloisio, já falecido, Maria Aparecida e Nilda. Ivone é irmã do segundo casamento. A família de Mauro considera, ainda,  Sebastião Benedito de Souza, como irmão de coração.

A Infância

Quando contava com 5 anos de idade, sua mãe, com 38 anos, faleceu.. Este fato marcou Mauro pelo resto da vida. Como seu pai casou-se novamente, Mauro foi morar com sua irmã mais velha, Maria Aparecida. Posteriormente, voltou ao convívio do pai em Braúna para, em seguida, ir residir com os tios Orestes Leite ALvarenga e Lola, em Itaperuna (RJ).


Eliza Borges Alvarenga e Álvaro Leite Alvarenga, pais de Mauro, na Braúna, em 1919


Bodas de Ouro de Anacleto José Borges e Leopoldina (centro),  avós do casal Mauro e Maria Aparecida, em 1939, na Fazenda da Barra. Mauro identificou Jorcelino Teixeira Borges, Alfredo Borges, Osório Teixeira Borges, Francisco Anacleto Borges, Alair Teixeira Borges, Bolivar  Teixeira Borges, Ernani Rezende Mendonça e Euclides Vieira de Rezende.


Quando possuía 14 anos, foi morar na casa do seu padrinho de batismo, Osório Carneiro, passando a trabalhar no jornal A Voz do Povo, de propriedade deste. Segundo Mauro, seu pai foi subdelegado em Pirapetinga, na ocasião em que Osório era delegado de polícia, nos idos de 1942. Durante um ano e e meio, trabalhou como entregador de jornal. "Eu entregava o jornal descalço. Recordo-me  que Osório tinha também um serviço em Itaperuna. Trabalhavam em A Voz do Povo Athos Fernandes, como redator, e José Maria Garcia, na parte contábil. Athos, que era um gênio, era o braço direito de Osório e costumava fazer editoriais, tudo de acordo com ele", assinala.


 Álvaro Leite Alvarenga, pai de Mauro, em frente à rodoviária, em 1966


Tiragem de 4 mil exemplares, semanalmente 

De acordo com Mauro, "havia cerca de 7 funcionários que trabalhavam na oficina de A Voz do Povo. A sede era localizada na Praça Governador Portela, ao lado do antigo cinema. A Voz do Povo tinha  tiragem de cerca de 4 mil exemplares, com mais de mil assinantes só em Bom Jesus do Itabapoana".

Em relação à convivência com O Norte Fluminense, Mauro diz que "não havia rivalidade. Esio Bastos e Osório eram amigos. Osório era uma das pessoas mais honestas que conheci, e procurei me espelhar nele. Era bom para a família e um amigo, mas era pesoa de pouca conversa. Ele não tinha medo de nada".


Mauro integrou equipe de futebol no Campo do Americano, em São José do Calçado (ES), em 1955:
Em pé: Cortiça, Paulinho Garcia, Luis Menezes, Roberto Cambaxirra, dr. Francisco, João Balaia,  Tatu, Braz Cirilo
Agachados: Luis Borges, Mauro, Zezinho Broa, José Tuim, José Antonio Rangel e Coronel 


Pseudônimos de Osório Carneiro

Prossegue Mauro: "Osório costumava escrever artigos e colocar pseudônimos. Recordo-me de alguns utilizados por ele: Lírio do Campo, Salvador Santiago, Idalécio Marques e Professor Paulino Lorena, sendo este o que mais se destacou", salientou.

Segundo Mauro, Osório publicava, vez ou outra, uma entrevista com o Professor Paulino, que "segundo ele escrevia, costumava ficar ausente de Bom Jesus, por um bom tempo". Sobre a cidade, o Professor entrevistado reclamava, criticando o prefeito: " O Professor Paulino dizia, no texto: isso virou uma bagunça! Tanto tempo sem vir aqui em Bom Jesus e quando retorno, vejo as ruas cheias de buraco". Mauro, como era entregador do jornal, se recorda da reação negativa de alguns leitores do jornal, com a crítica ao prefeito: "Como pode ser que um sujeito do Rio de Janeiro venha para Bom Jesus e fique a criticar a cidade?".

Quando Osório Carneiro ficou adoentado, foi internado em Cachoeiro de Itapemirim (ES). Mauro se recorda da visita que fez ao padrinho: " Ele já não podia escrever e enchia os olhos de lágrima quando falava sobre A Voz do Povo, pois teve de vendê-lo. Morreu lá, mas foi enterrado em Bom Jesus."

História de tipógrafo (I) - Athos Fernandes


Mauro se recorda de vários episódios ocorridos quando trabalhou nos jornais A Voz do Povo, O Norte Fluminense e Gráfia Três Rios. Lembra que "Athos Fernandes era muito brincalhão. Certa vez, no jornal A Voz do Povo, ele chamou alguns tipógrafos para corrigirem um texto. Athos solicitou atenção para a matéria, enquanto a lia rapidamente.Ocorre que ele costumava ler uma palavra diferente da que estava escrita no texto, para ver se os tipógrafos apontavam o equívoco, e mostrassem que estavam prestando atenção no texto. Ao ler um texto, falou sobre a 'banda de música de São José do Calçado', enquanto o texto dizia: 'banda de música de Bom Jesus'. Como ninguém apontou a troca, ele exclamou: "Vocês não estão prestando atenção no texto escrito, enquanto eu leio.Pelo que observo, vocês só podem estar pensando em namorar!".

Historia de tipógrafo (II) - Octacílio de Aquino 

Mauro, após trabalhar em A Voz do Povo, foi atuar como tipógrafo em O Norte Fluminense.
Nesta época, se recorda de uma personalidade de destaque: Octacílio de Aquino. "Octacílio de Aquino gostava de acompanhar a composição e fazer a correção das matérias. Certa vez, nas dependências do jornal, dirigiu-se ao tipógrafo Dalci e solicitou que ele lesse o texto onde estava escrito "passa-se 6" e perguntou a ele: 'Por que escreveu isso?". Dalci respondeu que fez a composição conforme estava escrito no texto. E Octacílio replicou: 'quando eu escrevi 'passa-se 6' era para alertá-lo para deixar um espaço de 6 linhas". Mauro se recorda, ainda, de que Octacílio de Aquino era considerado um homem além de seu tempo.

História de tipógrafo (III) - Luciano Bastos

"O Norte Fluminense era comandado por Ésio Bastos, com o apoio de Luciano Bastos. Na parte debaixo do prédio, ficavam as máquinas, enquanto na parte de cima ficavam os tipógrafos, compondo as matérias.Certo dia, por volta das 15 h, como não havia matéria para compor, os tipógrafos resolveram dar um cochilo e colocaram Golinha, compadre de Luciano Bastos, para ficar de vigia. Ocorre que Golinha preparou uma brincadeira para puxar o pé do funcionário José Russo, quando este subisse a escadaria. O fato é que Luciano Bastos chegou de repente e subiu a escada embalado. Quando o primeiro passo foi dado na parte de cima, Golinha lançou a mão no pé de Luciano Bastos, que, surpreendido, exclamou: 'Até você compadre?' "



História de tipógrafo (IV) - O tipógrafo que corrigiu o patrão

Outro episódio que suecedeu na tipografia, ocorreu quando Mauro trabalhava na Gráfica Três Rios, na cidade do mesmo nome:."O colega Mário, que corrigia as matérias, viu um texto intitulado 'ASSOCIAÇÃO EMPATOU AO APAGAR DAS LUZES'; e exclamou: 'Quem foi o analfabeto que escreveu este título?". Eis que o colega Álvaro apressou-se para alertá-lo: ' fala baixo que foi o nosso chefe!'. Mas Mário não se conteve: 'Mas isso é coisa de analfabeto, sim, porque o jogo ocorreu no período do dia!".

História de tipógrafo (IV) - O tipógrafo que ensinou ao professor

Mauro conta, ainda, outro episódio envolvendo ele próprio, ainda em Três Rios. "Eu estava iniciando meu trabalho por lá, quando o professor Coutinho, que escrevia sobre futebol, se dirigiu a mim e disse: " Eu escrevi a palavra 'douto' e você substituiu-a por 'doutor'. Você está querendo me corrigir? O sr. vem de Bom Jesus para dar aula para um professor?'.  Sofri gozação o tempo inteiro por causa desse episódio.

Miquelina e seu Pancrácio

Mauro se recorda, ainda, de duas personagens criadas por Segisnando Martins e publicadas em O Norte Fluminense: dona Miquelina e seu Pancrácio, que criticavam os problemas do município: "Eram personagens engraçados e que divertiam os leitores".

O fim da estação de trens

Outro fato digno de nota foi a época do fechamento da estrada de ferro em Bom Jesus do Norte. "Recordo-me que, na década de 1950, João Soares era proprietário da empresa Força e Luz. Com o fim da estação de trem de Bom Jesus do Norte, houve uma coincidência com os problemas surgidos pelo fornecimento de energia elétrica. Houve uma revolta geral e várias pessoas passaram a quebrar as lâmpadas dos postes. Graças ao governador Roberto Silveira, com a construção da Usina Franco Amaral, os problemas de energia foram solucionados".

Ida para Três Rios

 Quando trabalhava em O Norte Fluminense, Mauro recebeu proposta para fazer um teste, na Gráfica Três Rios. Mauro aceitou o desafio e, junto com Golinha, levaram dois dias para chegar a Três Rios. "Fui aprovado no teste e passei a receber mais de três vezes do valor que eu recebia em Bom Jesus. Nesta gráfica eu compunha para três jornais: Protetor de Petrópolis, Esportivo e Entre Rios".

Mauro: tipógrafo em Três Rios, com seu colega Sebastião Tavares


Mauro brilhou no futebol em Três Rios



Mauro obteve reconhecimento em Três Rios



Ocorre que, posteriormente, o irmão de Mauro, Didi, estabeleceu um comércio de secos e molhados na rua Aristides Figueiredo, em Bom Jesus, em sociedade com Ronaldo Borges Sobrinho, e convidaram-no para trabalhar com eles. Foi assim que Mauro despediu-se de Três Rios, ocasião em que recebeu expressiva homenagem dos colegas e amigos.

Enói Borges de Rezende e Euclides Vieira de Rezende, pais de Maria Aparecida, em São José do Calçado, em 1925


Após o retorno a Bom Jesus do Itabapoana, Mauro casou-se e, passados dois anos, mudou-se para Divino de São Lourenço (ES) para acompanhar sua esposa, que fora trabalhar como professora.


Mauro e Maria Aparecida, no dia 16/07/1961, em Sâo José do Calçado


Tempos depois, Mauro foi convidado para trabalhar em uma loja de secos e molhados, de propriedade de Sílvio Figueiral Ribeiro, pai de Jaime Figueiral., em Apiacá. "Ele me disse: 'você vai trabalhar para mim, vendendo tecido na Casa Santa Terezinha' ".


Mauro se emociona ao relatar esse episódio."Após um período trabalhando como comerciário, fui  convidado para trabalhar na loja A Triunfante, em Bom Jesus, para ganhar três vezes mais. Aí, o Sílvio  chegou e me disse: 'não vá, vou te vender minha loja'. Eu respondi :'Mas eu nâo entendo de administração de comércio'. E Sílvio replicou: 'mas você sabe como  lidar com o público. Além disso, os funcionários te ensinarão tudo. Vou passar a loja para você. Fica comigo, estou cansado. É um bom negócio' ". Mauro acabou aceitando o desafio e chegou a fazer com que o comércio chegasse a ter "290 fregueses".


Osório Carneiro e Sílvio Figueiral são as pessoas que Mauro se lembra com gratidão.

Mauro, Pedro Salim e Amilcar: os vencedores do campeonato de damas do Bar Rio, em frente ao Aero Clube, em 1985:"Nunca vi um jogador como Pedro Salim", diz Mauro



Com 51 anos de casado, Mauro olha para trás e reconhece que "tudo foi difícil". A emoção lhe domina mais uma vez, por alguns instantes, e os olhos marejam.

Mauro volta os olhos, contudo, para os dias de hoje e diz sentir um "orgulho" pela família que possui."Não sou um grande homem, mas considero acertado o ditado que diz 'por trás de um grande homem há uma grande mulher'. Minha esposa mudou minha vida. Tudo o que tenho agradeço a Deus e a minha esposa. Além disso, tenho uma filha, um genro e uma neta extraordinários".



Mauro, entre Maria Aparecida e dra. Stephanie, com o casal Jorge Elias e Maurelisa:  o maior tesouro


O menino da Braúna, que perdeu a mãe aos 5 anos de idade, e enfrentou, desde cedo, grandes dificuldades em sua vida, sobressai, hoje, como exemplo de homem vencedor que, ao invés de dedicar-se a lamentar a sorte, procurou lutar e a construir o seu próprio destino. Além disso, possui, hoje, o maior tesouro, que é sua família, composta especialmente por sua esposa, Maria Aparecida, sua filha, Maurelisa, seu genro Jorge e sua querida neta, a médica dra. Stephanie.