segunda-feira, 19 de agosto de 2013


BOM JESUS COMEMORA INAUGURAÇÃO DA UTI NO HOSPITAL






Ocorreu, no dia 7 de agosto,  a inauguração da tão esperada UTI do Hospital São Vicente de Paulo.


A ideia da administração da UTI pelo próprio Hospital, aceita pela direção do nosocômio, foi gestada pelo médico dr. Alcemar Antonio Lopes de Matos que, juntamente com sua equipe, ficarão 60 dias sem receber remuneração. 








O gesto dos profissionais da saúde, sacrificando os interesses pessoais em favor de um ideal, permitirá que o São Vicente receba recursos importantes, o que colaborará significativamente para a recuperação do Hospital.





Um ato ecumênico ocorreu em comemoração ao acontecimento. Na oportunidade, a presidenta Ivana dos Santos Gomes ressaltou as dificuldades enfrentadas pela diretoria, sem esconder, contudo, juntamente com todos os presentes, a alegria com o momento histórico para a sociedade bonjesuense.



 

domingo, 18 de agosto de 2013


 REFORMA DA FACHADA DE PRÉDIO HISTÓRICO  DINAMIZA CONJUNTO ARQUITETÔNICO 

A reforma da fachada de prédio localizado na Praça Governador Portela, levada a efeito no início do mês de agosto, dinamizou o conjunto arquitetônico localizado ao redor da mesma.




segunda-feira, 5 de agosto de 2013


PREFEITA BRANCA MOTTA ATENTA CONTRA A HISTÓRIA DE BOM JESUS DO ITABAPOANA



Em comunicado oficial, por ocasião da proximidade da tradicional Festa de Agosto, a prefeita Branca Motta está divulgando, com todas as letras, que a festa está relacionada com a emancipação de Bom Jesus do Itabapoana, o que constitui uma inverdade histórica.

Com efeito, a 1a. emancipação política de Bom Jesus do Itabapoana ocorreu no dia 25 de dezembro de 1890, graças ao Decreto no. 150 assinado no dia 24 de novembro do mesmo ano, pelo Governador Francisco Portela.

A 2a. e definitiva emancipação de nosso município ocorreu no dia 1o. de janeiro de 1939, decorrente do Decreto-lei no. 633 de 14 de dezembro de 1938, emanado pelo Governador Amaral Peixoto.

Assim, no dia 25 de dezembro do ano passado, Bom Jesus comemorou 122 anos de sua 1a. Emancipação, e no dia 1o. de janeiro de 2014, comemorará 75 anos de sua 2a. Emancipação. 

Bastaria a prefeita ter o cuidado de ler o site oficial da própria Prefeitura Municipal  para que não assinasse o atestado de ignorância histórica.


http://portal.cnm.org.br/portal1/municipio/historia.asp?iIdMun=100133012










sexta-feira, 2 de agosto de 2013




EMOÇÃO DOMINA O DESFILE DAS FAMÍLIAS ITALIANAS EM VARRE-SAI (RJ)



Famílias italianas se reuniram para confraternização e homenagem aos antepassados 



Mais uma vez, o Desfile das Famílias Italianas, em Varre-Sai (RJ),  o mais italiano dos municípios do Estado do Rio de Janeiro, ocorrido no dia 28 de julho passado, foi permeado de emoção.



Dançarinas abriram o desfile



Rainha e princesas do Festival do Vinho marcaram presença

O desfile ocorreu, como sempre, sob o som de músicas tradicionais, como Funiculì Funicolà, composta em 1879, e que se tornou representativa da cultura italiana.



Desfile das famiglias Zanganelli e Grillo


As famílias Ridolphi, Pellegrini, Grillo, Zanganelli, Celebrini, Ochion, Amitti, Meloni,  Paulanti, Purificati, Fabbrini, Maddêo, Capita, Bovi, Fabbri, Fratejani, Paolanti, Pirozi, Tupini e Lucheri, entre outras, se confraternizaram e homenagearam seus antepassados, que vieram para Varre-Sai no final do século XIX.



Garrafinhas com o vinho da Adega Ridolphi foram distribuídos ao público


A família Ridolphi distribuiu, durante o desfile, garrafinhas do tradicional vinho de jaboticaba produzido pela Adega Ridolphi. As Adegas Ridolphi e Bendia são as que mantêm viva a tradição na produção do vinho de jaboticaba.



Encanto e alegria marcaram o desfile


O casal Antonio Bras Grillo e Irene Meira Grillo não perde um desfile. Seus antepassados Biaggio e Catterine vieram para o Brasil, no fnal do século XIX, oriundos da região conhecida como Piemonte.

Antonio Bras Grillo e Irene Meira Grillo, ao centro, comandaram o desfile da família Grillo


Orlando Tupini, residente em Bom Jesus do Itabapoana (RJ), é outro que, anualmente, faz questão de fazer-se presente à festividade.

Famiglia Tupini
Orlando Tupini e membros da família


A emoção tomou conta das famílias italianas que se fizeram presentes no desfile e do público presente.


 Famiglia Maddeo




Carro das famiglias Ochioni e Amiotti
Famiglia Bovi

Membros da Famiglia Jannotti



 Famiglia Capita presente


Da família Ridolphi, cerca de 20 (vinte) membros, de São Paulo e do Rio de Janeiro, marcaram presença em Varre-Sai (RJ), sob o comando da matriarca Geraldina Ridolphi Rodolphi.













A nova geração de italo-varre-saienses: sementes de um mundo melhor

sexta-feira, 26 de julho de 2013

CAFÉ DE VARRE-SAI É CULTURA





Embalagens do café de Varre-Sai transmitem cultura



Varre-Sai é o maior produtor de café do Estado do Rio de Janeiro, desde 1993. Esta é a informação que traz a embalagem do Café Patusco, produzido no mais italiano município fluminense.

Desde a chegada da colônia italiana na região, foi implantado o sistema de colonato, que visava a substituição da mão de obra escrava. Dotados de uma imensa "Forza" de trabalho, espalharam pelas montanhas da região cada vez mais lavouras de café. É o que nos explica o invólucro do Café Forza.

O hábito de café como bebida teve sua origem em Kaffa, no reino da Abissínia (atual Etiópia) por volta de 850 AC. Porém seu cultivo iniciou-se na Arábia, o que originou o nome de nosso café "Café Arábica". A palavra café é originada de CAHUE, que em árabe signfica FORÇA. É o que nos explica a embalagem do Café Ke-Sai.

A marca do Café Monte Azul, por sua vez, iniciou sua história na região Noroeste Fluminense, em Bom Jesus do Itabapoana, RJ, na antiga Fazenda Monte Azul, propriedade cafeeira do século XIX. Esta tradição inspirou e deu origem ao nome Café Monte Azul, que iniciou seu processo industrial em 1960, visando atender as necessidades do pequeno mercado regional. Em 2010, o Grupo Carvalho adquiriu esta marca, firmando respeito e admiração a todos seus fiéis consumidores que nos ajudaram a construir a antiga história e as que estão por vir. Este é o relato que consta no recipiente do Café Monte Azul.

Varre-Sai, cidade situada no noroeste do Estado do Rio de Janeiro, teve a origem de seu nome ligada ao transporte do café feito por tropeiros vindos dos cafezais da Zona da Mata Mineira que atravessavam a muralha exuberante e perigosa da Mata Atlântica até o litoral. Na primeira metade do séc. XIX, Varre-Sai era apenas "uma parada", em uma dessas trilhas. Um "rancho", cuja proprietária era Dona Inácia, usada para pernoite. Dona Inácia nada cobrava pela permanência dos tropeiros, apenas pedia queseguissem o costume daquele "rancho", appós o uso: VARRER E SAIR! Mais tarde, o lugar passou a ser conhecido como VARRE E SAI. Hoje, apenas... VARRE-SAI. Este é o texto da embalagem do Café Vargas.

A qualidade do café produzido em Varre-Sai, aliada à preocupação em transmitir cultura, faz do mesmo um atrativo a mais para o consumidor.
DESCOBERTA VALIOSA É DOADA AO ECLB


Tijolo encontrado por Ricardo Dutra Pinheiro pertence a olaria instalada por espanhóis no início do século XX



O bonjesuense Ricardo Dutra Pinheiro, filho de Sebastião Pinehiro e Iraci Dutra Pinheiro, gosta de pesquisar a natureza, além de dedicar-se à pesca.

No dia 02 de novembro de 2012 resolveu obter minhocas para a pescaria no Bairro Pimentel Marques, nas imediações do rio Itabapoana e de onde está localizada atualmente a Secretaria do Meio Ambiente.

Para sua surpresa, encontrou, enterrado a cerca de 20 cm do chão, um antigo tijolo em perfeito estado.

O tijolo, com inscrição das letras B e E deram a Ricardo a certeza do mesmo ser um objeto de valor histórico e, por este motivo, resolveu doá-lo ao ECLB (Espaço Cultural Luciano Bastos).

Com efeito, uma família de espanhóis estabeleceu-se nos idos de 1914 uma olaria exatamente onde hoje está situada a Secretaria do Meio Ambiente.

Com esta doação, abre-se espaço para outras investigações a respeito do estabelecimento dos antigos espanhóis em nossa região.

Com efeito, na matéria intitulada A FRANÇA BONJESUENSE, Catharina Carrereth, informara "que se recorda dos avós espanhóis, que vieram para Bom Jesus nos idos de 1914: ' Vieram vovô Jesus, vovó Ramona e os tios Maria, Rosa e Ramona. Genaro veio por último. Tio Genaro estabeleceu uma olaria em uma região do Bairro Pimentel Marques e passou a fabricar tijolos. Tia Rosa acabou casando com tio José Antonio, enquanto a tia Maria, irmã de tia Rosa, casou com tio João, irmão do tio José Antonio. Duas irmãs espanholas casaram-se em Bom Jesus do Itabapona, portanto, com dois irmãos descendentes de franceses'.

A olaria mencionada por Catharina funcionou onde atualmente está localizado o galpão da Secretaria Municipal de Obras, não havendo mais vestigio da mesma
".



Da Série Entrevistas de O Norte Fluminense

O CIDADÃO DE 4 MUNICÍPIOS



Peryllo de Oliveira Vargas, em sua residência em Natividade (RJ)


Peryllo de Oliveira Vargas nasceu no dia 13/08/1927, na Fazenda Mundo Novo, de propriedade de seu pai João de Oliveira Vargas. A Fazenda pertencia, na época, a Itaperuna (RJ), na divisa com Bom Jesus do Itabapoana, segundo explica Peryllo.

Seu pai nasceu em Leopoldina (MG) e sua mãe, Balbina de Assis Vargas, nasceu na região.



Peryllo na sede da Fazenda do Dendê




Peryllo se recorda de seus avós maternos Francisco de Assis e Adelaide de Assis Vargas. Custódio Vargas Corrêa foi seu avô paterno. Casou-se duas vezes: com Edith Habib Vargas, falecida, com quem teve três filhas: Maria Edith, já falecida, Regina de Fátima e Maria das Graças. 

Seus olhos lacrimejam quando se recorda de Edith. "Construí quatro casas, perdi minha companheira, mas casei-me novamente, porque um homem sem mulher não vale nada", diz emocionado. O segundo matrimônio se deu com Marquelúcia Luzia Machado.

 Peryllo teve "14 a 15 irmãos", todos falecidso, e se recorda dos seguintes: "Geraldino, Edésio, Joãozinho, Adelaide, que foram residir em Calheiros, distrito de Bom Jesus do Itabapoana, Filomena e Quirina, que foram morar em Monte Azul, região do distrito de Rosal, em Bom Jesus do Itabapoana, Rui, que foi residir em Bom Jesus, Arlinda, Antônio José, Bituta e Arlindo. Sou o único vivo e fiquei com as chaves", comenta, entre risos.

Seu sobrinho, José Fontes, de Bom Jesus do Itabapoana, é filho de Adelaide de Oliveira Vargas com Sesbastião Coimbra.


Filomena, Gabriela, Luel, Isadora e José Fontes, sobrinho de Peryllo, no Recanto Ecológico, em Varre-Sai (RJ)
  
Em sua infância, Peryllo tratou "de porco, levava milho para o moinho e trocava milho por fubá com os colonos. eu tinha 12 anos de idade, quando passei a tirar leite e me tornei candeeiro de boi". 

Ele se recorda do carreiro, que tocava os bois e utilizava na ponta da vara um "garruchão, objeto com 4 argolas para, por exemplo, acordar o boi que estivesse dormindo. Além disso, para subir a ladeira, tinha que ter experiência para tocar no animal. Havia os bois de guia e os bois de coice, que ficavam no cabeçalho do carro de boi, sustentando o mesmo. O carreiro é que fazia o serviço pesado", explica.


Peryllo e o carro-de-boi: recordação do tempo em que foi candeeiro




"As tropas possuíam, em geral, cerca de 10 burros. As juntas de boi consistiam em 5 grupos de 2 bois, que puxavam o carro de boi".

"Quando eu possuía 21 anos, pedi a Tião Nunes, proprietário em Cruz da Ana, que solicitasse autorização a meu pai para casar-me'. Meu pai tinha um capricho. Todo filho que ia casar recebia uma propriedade. Certa vez, meu avô Custódio Vargas Corrêa tinha financiado a propriedade Patusco, de cerca de 12 a 16 alqueires, próximo a Mundo Novo, por 12 mil réis, e não conseguiu pagar. A terra foi a leilão e meu pai arrematou-a. Meu pai se dedicou à cultura do café e prosperou, Posteriormente, adquiriu a Fazenda Mundo Novo".

Peryllo e dendês
 

"Fui um filho disputado por meu pai e por meu irmão, Bituta. Este trabalhava com café em Natividade e queria que eu fosse trabalhar com ele, enquanto meu pai preferia que eu permanecessem em Mundo Novo. Ao final, meu pai me disse: 'preciso muito de você aqui, mas como Bituta também necessita de você, pode fazer o que entender melhor. Em 1949, vim para Natividade, onde estou até hoje". 


Peryllo prosperou, chegando a cultivar em sua propriedade cerca de "80 mil sacas de café". Foi vice-prefeito de Natividade, entre os anos de 1970 e 1973, quando Dermeval Vieira foi prefeito. "Foram três candidatos e fizemos mais votos que os outros dois".  Exerceu, também, a presidência da Copercanol (Cooperativa de Café do Norte Fluminense), da qual foi um dos fundadores.

Peryllo exerceu a presidência da Copercanol


 Neste período, requereu ao Banco do Brasil a instalação de uma agência em Varre-Sai, uma vez que percebia as dificuldades dos trabalhadores varre-saienses em terem de se deslocar até a Natividade. Hoje, tem satisfação em saber que, há poucos anos, a agência do Banco do Brasil finalmente foi estabelecida em Varre-Sai.

"Quando algum trabalhador ia ao Banco do Brasil de Natividade para conseguir empréstimo e faltava um avalista, o funcionário perguntava: ' Você conhece o Peryllo? Leva para ele, que ele avaliza'. Eu fui avalista de muitas pessoas. Na época, as pessoas tinham palavra".

O rosalense Antonio Solano Pimentel, com 84 anos de idade, residente na comunidade de Cruz da Ana, em Varre-Sai, que conheceu Peryllo, seu irmão Sebastião, o Bituta, e seu pai João, atesta que a família de Peryllo era uma família do 'sim'. "Peryllo era proprietário, seu pai era fazendeiro e Bituta era comerciante em Varre-Sai. Se uma pessoa pedisse algo para pagar depois, normalmente a resposta era 'sim'. E se essa pessoa, quando chegasse o dia do pagamento, pedisse para pagar em outra época, a resposta também era 'sim'", assinala.


Antonio Solano Pimental, em Cruz da Ana: "Peryllo e sua família eram pessoas do 'sim' "


Peryllo se recorda de vários moradores da zona rural de Bom Jesus do Itabapoana: "Recordo-me dos italianos Cesario Degli Esposti e Caetano Fitaroni, de Calheiros, e Fioravante Guarizi e Flauzino Galdino, da Água Limpa. Lembro-me, ainda, de Manoel Bento 'criolo sério', Tomé do Lambari, e Canuto, da Água Limpa.   

A razão desse contato é explicada pelo próprio Peryllo: "Meu pai era o administrador da fazenda. Lá, havia uma máquina de moer café. Ele vivia nesta máquina, recebendo o café que era colhido na região. Muitos moradores e produtores procuravam apoio com o meu pai. Astrogildo de Paula era um carreteiro de café, que levava um lote de burros com cerca de 10 animais. Outros carreteiros eram Luis Francisco de Castro,  Pedro de Aguiar e João Ferreira Pinto, conhecido como João Serafim, de Rosal".


 

O italiano Cesario Degli Esposti, de Calheiros, mantinha contato com o pai de Peryllo



Peryllo repartiu seus bens com as filhas. Gosta de colecionar relógios e moedas antigas.  Com um afinado senso crítico, olha para a vida e diz que "vejo o mundo num caminho muito ruim. Olho para trás e não sinto saudades, mas tristeza por ver o que ocorreu com a grandeza do passado", finaliza.





Peryllo: tristeza com o que ocorreu com a grandeza do passado