sexta-feira, 28 de março de 2014



O NORTE FLUMINENSE E A HISTÓRIA DE LAJE DO MURIAÉ (RJ)



O Norte Fluminense registrou a primeira reunião do movimento emancipacionista de Laje do Muriaé (RJ)

O jornal O Norte Fluminense, ao longo de sua história, sempre esteve atento aos fatos relacionados aos acontecimentos da região.

Laje do Muriaé (RJ), por exemplo, foi um dos municípios que, mesmo na condição de distrito de Itaperuna (RJ), foi objeto de notícias de O Norte Fluminense, principalmente através da coluna de Antonio A. da Cunha escrita nas décadas de 1950/1960.

Antonio A. da Cunha escreveu coluna em O Norte Fluminense, nas décadas de 1950/1960









GOLPE MILITAR DE 1964 CAUSOU DANO IRREPARÁVEL A BOM JESUS DO ITABAPOANA

Governador Badger Silveira e Presidente João Goulart viriam a Bom Jesus do Itabapoana no dia 18 de março para assinarem um convênio objetivando a construção da Usina de Rosal



O  golpe militar de 64 causou um dano irreparável ao município de Bom Jesus do Itabapoana. Nessa ocasião, era governador do Estado do Rio de Janeiro o bonjesuense Badger Silveira, irmão do ex-governador Roberto Silveira, morto em acidente aéreo em 1961.

 Mais precisamente, no dia 18 de março de 1964, cerca de 13 dias antes do golpe, o presidente João Goulart, o Jango, tinha agendado uma visita a Bom Jesus do Itabapoana, em companhia do governador de Badger Silveira, para assinarem o termo de compromisso da construção da Usina de Rosal.


Referida obra era considerada a redenção econômica da região, uma vez que traria grande desenvolvimento para o município. A energia ali gerada seria utilizada para a implantação de um pólo industrial na região do Vale do Itabapoana.

Na edição de 15 de março de 1964, O Norte Fluminense anunciava o depoimento eufórico de Badger a respeito da Usina de Rosal:

"Dentro de poucos anos as forças estutantes de nossas cachoeiras estará transformando  (sic) em energia elétrica que irá dinamizar o nosso progresso através da eletrificação rural e do acionamento do parque industrial que surgirá neste ubérrimo Vale do Itabapoana".




 O COMÍCIO DAS REFORMAS


  A mesma edição de O Norte Fluminense salientava, também, em sua primeira página, o "Comício das Reformas", ocorrido no dia 13 de março, ressaltando o apoio de Badger a Jango.

João Goulart discursou para cerca de 220 mil pessoas. O Norte Fluminense transcreve uma parte de seu discurso:

 " Trabalhadores, acabei de assinar o decreto da SUPRA. Assinei-o, meus patriotas, com o pensamento voltado para a trajetória de irmãos brasileiros que sofrem no interior de nossa pátria. Ainda não é aquela reforma agrária pela qual lutamos. Ainda não é a reformulação de nosso panorama rural empobrecido. Ainda não é a carta de alforria do camponês abandonado. Mas o primeiro passo: uma porta que se abre à solução definitiva da melhoria agrária brasileira.

Chegou-se a proclamar, trabalhadores brasileiros, que esta concentração seria um ato atentatório ao regime democrático, como se no Brasil a reação ainda fosse dona da democracia ou proprietária das praças e das ruas.

Desgraçada a democracia a que tivera de ser desenhada por esses democratas.  Democracia para eles não é regime de liberdade de reunião para o povo. O que eles querem é uma democracia de um povo emudecido, de um povo abalado nos seus anseios, de um povo abafado nas suas reivindicações. A democracia que eles desejam impingir-nos é a democracia do antipovo, a democracia da anti-reforma, a democracia do anti-sindicato, ou seja, aquela que melhor atenda aos seus interesses ou aos dos grupos que eles representam. A democracia que eles pretendem é a democracia do privilégio, a democracia da intolerância e do ódio...".

Badger também fez uso da palavra:

" Aqui está a própria consciência do povo brasileiro para dizer ao Presidente João Goulart que todo o povo respondeu que desejava que viessem as reformas de base imediatamente, reformas pelas quais o povo reclama e anseia.

Não podemos assistir de braços cruzados a fome, a falta de assistência médica, a falta de escolas. A bandeira da reforma está diante de Vossa Excelência, Presidente. Aqui está o clamor do povo, para que aqueles que não entenderam a realidade venham aqui, em contato com essa multidão, sentir que pacificamente a grande maioria do povo fluminense veio trazer sua confiança a Vossa Excelência".
 

O bonjesuense Badger Silveira, governador do Estado do Rio de Janeiro, por ocasião do golpe militar de 1964

O ambiente de caos gerado pelas forças golpistas, contudo, culminou no dia de 31 de março de 1964 com a deposição do presidente João Goulart.

No dia 1o. de maio seguinte, golpistas inseridos na Secretaria de Segurança encaminharam à Assembleia Legislativa documentos acusando o governador Badger Silveira e seu vice, João Baptista da Costa, de terem "ligações com o Partido Comunista".

 Em decorrência disso, os deputados pusilânimes acabaram decretando o impedimento de ambos para exercerem o cargo e impondo a perda dos direitos políticos a Badger Silveira por 10 anos, impedindo que este desse continuidade às obras previstas em favor do Estado do Rio de Janeiro e de Bom Jesus do Itabapoana.

Em relação ao  "impeachment" de Badger, O Norte Fluminense pontuou nas páginas da edição de 3 de maio de 1964: "a cassação de seus direitos políticos teve dolorosa repercussão neste município, sua terra natal, onde desfruta de geral estima".

Com o golpe militar, o iminente desenvolvimento econômico e social de Bom Jesus do Itabapoana foi ceifado de modo truculento e vil.

A construção da Usina de Rosal, por exemplo, só foi concretizada mais de três décadas depois, mas com uma dimensão pífia: a Usina de Rosal e as Pequenas Usinas Hidrelétricas PCH de Pirapetinga, PCH de Calheiros e PCH Franco Amaral funcionam sem nenhum compromisso com o desenvolvimento da região. São administradas por empresas com índole privada mais interessadas no lucro do que servirem à região e à população. 

Usina de Rosal é administrada pela CEMIG

PCH Franco Amaral





PCH Calheiros



PCH Pirapetinga


Como resultado disso, Bom Jesus do Itabapoana vive a ironia de estar sempre envolta com apagões, enquanto a riqueza oriunda das quedas das suas águas é apropriada pelo setor privado, em detrimento do nosso povo.











quarta-feira, 19 de março de 2014


MARIA RIDOLPHI DEGLI ESPOSTI


Maria RIdolphi Degli Esposti e os filhos Lúcia, Filomena, Paulo e Penha, na zona rural de Santa Rita

Maria Ridolphi Degli Esposti reside em Santa Rita, zona rural de Calheiros, distrito de Bom Jesus do Itabapoana (RJ).

Foi para esta região que imigrantes italianos se estabeleceram em Bom Jesus, no final do século XIX.

Residência de Maria Ridolphi em Santa Rita
  Maria, nascida no dia 29/08/1929, na localidade de Boa Sorte, em Varre-Sai (RJ), é neta dos italianos Ângelo Ridolphi e Antonia Delceti, e filha do italiano Fernando Ridolphi e Prudência Cappaci Ridolphi.

Segundo Maria "meu avô veio da Itália com dois filhos: Fernando e Dionísio. Os outros 8 (oito) nasceram no Brasil: Brasilino, Geraldina, Geraldino, Ana, Filomena Augusta, Assunta, Rosental e Pietro".

Ela é a única viva dos 11 irmãos: Irene, Antonio, Geraldo, Ângelo, Iria, Maria, José, Rosa, Vicente, Filomena Clara e Terezinha Aparecida.

Maria Ridolphi Degli Esposti e a região de Boa Sorte, onde residiu quando criança: casa demolida deixou lembranças


  Com cerca de 7 anos, mudou-se para a região de Córrego do Ouro.
Casou-se com Sebastião Degli Esposti, no distrito de Rosal, no dia 24/12/1951, e teve 7 (sete) filhos: Paulo, Penha, Lúcia, Geraldo, Filomena Catarina, Ana Margarida e Francisco.

Maria Ridolphi e o sobrinho José Fancisco
  Hoje, viúva, vive em companhia dos filhos, com exceção de Ana, que reside em Campos dos Goytacazes. Em sua casa acolhe também o sobrinho José Francisco Ridolphi e todos os familiares que necessitem.

Maria Ridolphi e Maria Bernadete (sobrinha), Anna Júlia, Filomena (sobrinha), Maria Aparecida (sobrinha) e o filho Paulo, em Varre-Sai (RJ)

Devota de Santo Antonio, seguindo a tradição dos avós e dos pais, Maria Ridolphi tem devoção, ainda, por Nossa Senhora de Lourdes, padroeira da capela estabelecida próxima à sua casa, e por São Geraldo Magela.

Maria Ridolphi: vida e fé em Santa Rita


A região de Santa Rita vive economicamente da produção de leite e do café. A alta do preço do café animou a família Ridolphi e os demais cultivadores de café da região.


Café e rosca italiana são sempre oferecidos aos visitantes


Com 16 netos, Maria diz que "estou à disposição para quando Deus quiser me levar. Sinto-me realizada e sinto-me feliz vivendo junto com meus filhos".



Nova geração de ítalo-bonjesuense: Gabriela de Lourdes Souza Degli Esposti, 5 anos, filha de Francisco Ridolphi Degli Esposti e Terezinha de Fátima Souza Degli Esposti, uma das netas de Maria Ridolphi









segunda-feira, 17 de março de 2014


 A VISITA HISTÓRICA DE
JOÃO GOULART A BOM JESUS DO ITABAPOANA (RJ)


 O ECLB (Espaço Cultural Luciano Bastos) recebeu doação de Ademir Pimentel, de  foto histórica da visita de João Goulart, o Jango, a Bom Jesus do Itabapoana, em 1960.


Na foto, João Goulart, descendente de açorianos, nascido na localidade gaúcha de Estância de Iguariaçá, e que viria a ser presidente da República entre 1961 e 1964, é acompanhado do Governador Roberto Silveira, bonjesuense nascido no distrito de Barra do Pirapetinga, do deputado estadual bonjesusense Tito Nunes da Silva, de Ésio Martins Bastos, fundador do jornal O Norte Fluminense e, ainda, do deputado Brígido Tinoco. A fotografia foi tirada por René Bom Jesus nas imediações da praça Governador Portela e pertencia ao arquivo de Filomeno Gomes Pimentel, conhecido como Loló Pimentel.






sexta-feira, 14 de março de 2014


FECHAMENTO DE ESCOLA MUNICIPAL EM BOM JESUS DO ITABAPOANA REVOLTA COMUNIDADE DE SANTA RITA



Moradores de Santa Rita estão revoltados com o aviso da prefeitura municipal






A comunidade de Santa Rita, zona rural do distrito de Calheiros, está revoltada com a prefeitura municipal de Bom Jesus do Itabapoana (RJ) pelo aviso do fechamento da Escola Municipal Fazenda Santa Rita.

Segundo moradores, a escola possui 5 (cinco) alunos e a prefeitura teria avisado que, caso a escola não alcance o número de 8 (oito) matrículas, a escola será desativada, o que levará prejuízo aos alunos, às famílias e à comunidade.




Igreja de Calheiros

Por outro lado, moradores do distrito de Calheiros reclamam do serviço de limpeza efetuado na Rua Manoel Chaves Tiradentes. Segundo os reclamantes, lixo tem ficado acumulado na referida rua, causando transtornos à comunidade.

quinta-feira, 13 de março de 2014



POETA DR. AYRTHON BORGES SERÓDIO SERÁ HOMENAGEADO

O poeta bonjesuense Dr. Ayrthon Borges Seródio será homenageado, na categoria Poesia Clássica, no dia 12 de abril pela CSCL (Congresso Sociedade Cultura Latina) - Seção Brasil na solenidade “Melhores do Ano de 2013”. O evento, que está em sua oitava edição,  ocorrerá em Laje do Muriaé (RJ), no dia 12 de abril às 14h.

 A premiação do poeta bonjesuense ocorreu a partir da divulgação do 1o. volume da Coleção Literatura Bonjesuense, publicado pela Editora O Norte Fluminense. Esta obra contém as poesias escritas por dr. Arython publicadas em "A seara de vento", em 1977, e "O sacrifício inútil", em 1994.

Segue uma das poesias de destaque do poeta.



NO TÚMULO DE MEU PAI




Roubado cedo ainda, em hora imprópria à vida
Qual ave na procela arrebatada ao ninho,
Partiu meu pai deixando em seu caminho
A mágoa sem remédio, e a queixa mais dorida.

Qual árvore frondosa, a muitos deu guarida,
E um amigo jamais deixou sofrer sozinho.
Honesto, humilde e bom, e farto de carinho,
Um exemplo a seguir em meio a nossa lida.

Cumprindo um ritual, desejo mortuário,
Como da vez passada eu volto ao sepulcrário,
Uma ilha de paz onde impera a igualdade.

Contrito na mudez e presa da amargura,
Vejo através da campa, em sua sepultura,
Um punhado de cinza... E uma eterna saudade!...


100 ANOS DE JOSÉ DAVID FORAM COMEMORADOS NO ABRIGO JOSÉ LIMA






José David e os responsáveis por ele, Elizirlany e Alarcom (E), e os padrinhos José Manoel e Elizabeth, com a neta Ana Luíza (D)

Comemorou 100 anos de idade, no dia 09 de março passado, no Abrigo de Idosos José Lima, o sr. José David, conhecido como Leandro. 

Os padrinhos José Manoel e Elizabeth, com sua neta Ana Luíza, marcaram presença na linda festa organizada pelas Irmãs de Caridade da Associação do Imaculado Coração de Maria e São Miguel com o apoio do grupo Amigos Pra Valer, composto por apoiadores do Abrigo.

A comunidade apóia as atividades do Lar dos Idosos

 Nascido no dia 05/03/1914, José David ingressou na entidade no dia 31/02/2002, tendo como responsáveis Elizirlany e Alarcom, de Apiacá (ES). José David trabalhou para os pais do casal, no Sítio Santana, em Vargem Grande, município de Mimoso do Sul (ES).



A irmã Maria do Carmo Soares de Lima deu início à comemoração


A Associação do Imaculado Coração de Maria e São Miguel foi criada em 22 de agosto de 1976  pelo Monsenhor Francisco Apoliano, que, por sua vez, inaugurou o Abrigo de Idosos José Lima seis anos antes, ou seja, no dia 22 de agosto de 1970. A irmã Regina Sátolo Beiral é a atual gerente da entidade, enquanto a irmã Maria do Carmo Soares de Lima é a responsável pelo Pavilhão São José. 

  


 Irmãs de Caridade da Associação do Imaculado Coração de Maria e São Miguel realizaram uma festa inesquecível para José David