quinta-feira, 27 de novembro de 2014

BOA VENTURA, A CAPITAL BRASILEIRA DA BERMUDA




Luís Agripino (D), proprietário da VestSurf, confecção com cerca de 500 funcionários, e o colaborador Marcelo Santiago

Boa Ventura distrito de Itaperuna (RJ), localizado próximo ao distrito de Serrinha, em Bom Jesus do Itabapoana (RJ) é a Capital Brasileira da Bermuda. 

Conta, atualmente, com cerca de 11 confecções que produzem exclusivamente bermudas, que são vendidas em todo o país, para as grandes marcas.

Luís Agripino é o proprietário de uma dessas confecções, a VestSurf, com cerca de 500 funcionários. " Este desenvolvimento econômico de Boa Ventura teve início há cerca de 6 anos atrás. Pretendo aumentar a produção em cerca de 20% para o próximo ano", assinala.




A confecção gera, em Boa Ventura, segundo Agripino, cerca de 1.500 empregos diretos e boa condição de vida para toda a comunidade.







O desenvolvimento econômico e humano de Boa Ventura é algo constatado por qualquer um. Em uma comunidade onde há pleno emprego, com muito verde ao redor, as crianças costumam deixar suas bicicletas, sem cadeado, do lado de fora do campo de futebol Lauro Motta, sem qualquer preocupação.
 












segunda-feira, 24 de novembro de 2014


CORONEL QUINCA BENTO

Ezio Oliveira Campos








Joaquim Rodrigues Souza Campos (Cel. Quinca Bento) nasceu em em 12 de junho de 1882, em Santa Clara, município de Porciúncula RJ. Faleceu em 18 de agosto de 1970.


Veio morar na localidade de Arraial Novo, em Calheiros, 2ºdistrito de Bom Jesus do Itabapoana, aos 18 anos, onde constituiu sua família e teve 7 filhos, sendo um adotivo. Ali conquistou sua fazenda, onde produzia café e criava gado, fazenda esta onde vivem seus filhos, netos bisnetos e tataranetos até os dias de hoje.
Calheiros, 2ºdistrito de Bom Jesus do Itabapoana, aos 18 anos, onde constituiu sua família e teve 7 filhos, sendo um adotivo. Ali conquistou sua fazenda, onde produzia café e criava gado, fazenda esta onde vivem seus filhos, netos bisnetos e tataranetos até os dias de hoje.

Sendo este homem um dos primeiros desbravadores da região, construiu a primeira escola, a padaria, a igreja Católica, o cemitério, o campo de futebol e promoveu a abertura da primeira estrada de Calheiros a Arraial Novo.

Cel. Quinca Bento sempre prestou apoio de emergência à saúde dos moradores, realizando enfaixamento de fraturas em pernas e braços, com recursos artesanais, num tempo em que inexistia o imediato acesso à saúde.

Por ser muito respeitado, era sempre solicitado para ser o mediador na resolução de problemas na região. Intercedia, assim, em conflitos envolvendo divisão de terrenos, desavenças em divisão de bens, entre outros, numa época em que ninguém tinha acesso à justiça.

Sendo um líder político, durante toda a sua existência foi respeitado e ouvido pelas autoridades.

Por ocasião da emancipação do município de Bom Jesus do Itabapoana, em que foi elaborado o mapa da divisão territorial dos distritos, sua fazenda estava prevista para passar a pertencer ao distrito de Pirapetinga de Bom Jesus. Ocorre que, pelo seu amor ao distrito de Calheiros, foi até às autoridades responsáveis pela divisão e intercedeu pedindo para que sua propriedade continuasse a pertencer ao distrito de Calheiros. Seu pedido foi atendido e, assim, a divisão ainda permanece do mesmo jeito de outrora, com a propriedade pertencendo a Calheiros.

Enfim, este homem, que respeito e guardo em minha memória como exemplo de líder, que buscava sempre o bem de todos, foi muito respeitado, e lutou, em especial, por melhorias para o distrito de Calheiros e, em particular, para a comunidade de Arraial Novo, onde o Posto de Saúde que atende toda a comunidade leva o seu nome: "Coronel Quinca Bento", em homenagem àquele que sempre buscou melhores condições de vida para todos.

Ezio Oliveira Campos é neto do Coronel Quinca Bento

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

EMOÇÃO NA VISITA DE MEMBROS DA FAMÍLIA SILVEIRA EM BOM JESUS



José Roberto Ferraiolo Silveira e Badger Silveira Filho, filhos do ex-governador Badger Silveira Filho,  Herval José Silveira, filho de José Teixeira Silveira,  ex-deputado federal pelo Paraná, e Geraldo Silveira, filho de Maria da Penha Silveira, em uma das salas do antigo Colégio Rio Branco, em Bom Jesus do Itabapoana 


Sítio Rio Preto, onde nasceram os irmãos Roberto, Badger, José Teixeira, Maria da Penha e Dinah Silveira, recepcionou os membros da família Silveira



Boanerges Borges da Silveira e Maria do Carmo Silveira tiveram 5 (cinco) filhos, quando residiam no Sítio Rio Preto, distrito de Calheiros: Badger, José Teixeira, Roberto, Maria da Penha e Dinah Silveira.


Estiveram em Bom Jesus do Itabapoana no dia 1o. de novembro passado, em meio a muitas emoções, Badger Silveira Filho e José Roberto Ferraiolo Silveira, filhos do ex-governador Badger Silveira, Herval José Silveira, filho de José Teixeira Silveira, que foi vereador pelo município de Cambuci (RJ), além de ter sido, posteriormente, o primeiro prefeito do município Nova Esperança, no Paraná, e, ainda, deputado estadual e deputado federal por esse estado, e Geraldo Silveira, filho de Maria da Penha Silveira, que era considerada a irmã da palavra carinhosa e estimuladora.


Os membros da família Silveira vieram capitaneados por Badger Silveira Filho, residente em Brasília, que esteve em Bom Jesus no dia 10 de agosto passado, por ocasião do lançamento da pedra fundamental do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira. 

Badger veio acompanhado de sua esposa Carmem Lúcia Alves Mattos, nascida em Natividade (RJ). O médico dr. Herval José Silveira veio com sua esposa, a também médica dra. Diane Silveira, ambos residentes em Niterói (RJ). Nesse município reside também Geraldo Silveira. José Roberto Silveira é residente em Resende (RJ).

Acompanharam a comitiva a bonjesuense Zeni Gomes Terra, tia de Carmem Lúcia Alves Mattos, e seu marido Grinalson França da Fonseca, que foi vereador por vários mandatos em Natividade e vice-prefeito por esse município. Ambos residem, atualmente, em Porciúncula (RJ). Marcou presença, ainda, no evento, o bonjesuense Gessy Pereira Gomes, irmão de Zeni. Ambos são filhos de José Gomes Teixeira, primo da mãe de Maria do Carmo Silveira, a Biluca. Estiveram presentes, ainda, Marleide Silveira e Marlenildo Silveira, filhos de Romualdo Silveira, primos dos ilustres visitantes.


Jailton da Penha foi o cerimonialista do evento no ECLB, antigo Colégio Rio Branco


Pela manhã, a comitiva esteve no ECLB (Espaço Cultural Luciano Bastos), onde funcionou o antigo Colégio Rio Branco entre 1920 e 2010, e onde estudaram Roberto Silveira, Badger Silveira e José Teixeira Silveira. Foram recepcionados pelos irmãos dr. Gino Martins Borges Bastos e dra. Claudia Martins Borges Bastos do Carmo, filhos de Luciano Augusto Bastos, e pelo cerimonialista Jailton da Penha.


José Roberto Ferraiolo Silveira, Badger Silveira Filho, Herval José Silveira e Geraldo Silveira em uma das salas do antigo Colégio Rio Branco, 


A delegação percorreu as salas do ECLB e o Museu da Imprensa, onde constam relíquias como  O ITABAPOANA, o primeiros jornal de Bom Jesus do Itabapoana, editado em 1906 pelo campista Sylvio Fontoura, e a máquina francesa Alauzet, do século XIX, que imprimiu o jornal O Norte Fluminense por décadas, a partir de 25 de dezembro de 1946.  




Comitiva no interior do ECLB




 José Teixeira Silveira , o Zequinha, Badger Silveira e Roberto Silveira estudaram no Colégio Rio Branco


Ao final, os visitantes assistiram imponente apresentação cultural de Vera Viana, um dos grandes nomes da cultura bonjesuense. Sua apresentação foi considerada "inesquecível" pelos participantes (ver coluna de Vera Viana na 1a. página desta edição).


Vera Viana: momento histórico, cultural e memorável



Vera Viana encantou com repertório do cancioneiro popular


Em seguida, os visitantes se dirigiram ao prédio construído na década de 1920 e que pertenceu a Amália Teixeira Chalhoub, professora de Roberto Teixeira, Badger Silveira e José Teixeira Silveira.



Prédio onde residiu Amália Teixeira Chalhoub, professora de Roberto, Badger e Zequinha Silveira
 

Fotos históricas estão fixadas no Bar do Rui que funciona no prédio recentemente restaurado

Prosseguindo, a delegação visitou a Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, construída a partir de 1881 e concluída em 1931, e que é considerada uma das mais belas do interior do país.


Geraldo, Badger, José Roberto e Herval Silveira no interior da Igreja Matriz



Momento de fé

  Seguiu-se, então, oferenda floral ao busto do governador Roberto Silveira, ocasião em que foram recordados todos os membros da família Silveira, glória de Bom Jesus do Itabapoana.

 
Gino, Grinalson, Marlenildo, Zeni, Ozéas de Godoy, Marleide, Geraldo, Badger, Carmem, dr. Herval, dra. Diane, José Roberto, Miguel, Gessy e André Luiz

O circuito cultural continuou com a visita à Casa Amarela e ao prédio remanescente do casarão onde residiram  Antônio Ignácio da Silveira e Maria Borges da Silveira, avós paternos de Roberto, Badger, Zequinha, Maria da Penha e Dinah Silveira. A estrutura da Casa Amarela está danificada e, caso não receba urgente reparo, poderá ficar comprometida.

Antôno Ignácio Silveira e Maria Borges Silveira, bisavós dos visitantes exploraram comercialmente a Casa Amarela no final do século XIX 


Casa Amarela necessita de reparos urgentes


 Casa Amarela, que pode ficar com estrutura comprometida, funcionou como um armazém



Antônio Ignácio da Silveira teve, também, participação importante na luta pela primeira emancipação de Bom Jesus ocorrida em 25 de dezembro de 1890.


Bisavós dos visitantes residiram no casarão situado ao lado da Casa Amarela. Do mesmo resta apenas a área da antiga cozinha

Ao após, a comitiva dirigiu-se ao Bar do Edésio onde foi preparado um almoço especial para os visitantes.


Zeni Gomes Terra realizou oração antes do almoço no Bar do Edésio


Carlos Ferreira Vargas serviu, após o almoço, doces da fábrica PRODUTOS ROSALENSE

A delegação prosseguiu, então, passando pela escola da Barra do Pirapetinga, onde estudaram Roberto, Badger e Zequinha Silveira. Todos foram alunos da professora Olga Ebendinger.


Comitiva passou pela escola na Barra do Pirapetinga onde estudaram Roberto, Badger e Zequinha Silveira

Em seguida, a comitiva dirigiu-se à Fazenda São Tomé, de propriedade do empresário Flávio Ferreira, que preserva o prédio onde residiram Boanerges Borges da Silveira e sua esposa Biluca, com os filhos Roberto, Badger, Zequinha, Maria da Penha e Dinah Silveira.


José Roberto Ferraiolo Silveira, Geraldo SIlveira, Herval José SIlveira e Badger Silveira na casa onde residiram os avós paternos e pais, na Fazenda São Tomé


A caravana cultural terminou com muitas emoções, no Sítio Rio Preto, onde nasceram Roberto Silveir, Badger Silveira, José Teixeira Silveira, Maria da Penha Silveira e Dinah Silveira.


Sítio Rio Preto onde nasceram Roberto, Badger, Zequinha, Maria da Penha e Dinah Silveira


José Roberto Ferraiolo Silveira falou em nome da família Silveira

Na oportunidade, restou realizada homenagem ao jovem João Pedro Lisboa Jacomini, de 15 anos de idade, admirador de Roberto Silveira, e que morreu tragicamente em acidente no final do ano passado.


Cintia de Oliveira Santos Nunes falou em nome da Associação dos Amigos do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira e comandou a homenagem ao jovem. Badger Silveira Filho realizou a entrega de uma placa aos familiares de João Pedro.



Badger Silveira Filho e parentes de João Pedro Lisboa Jacomini: Renata Lisboa Jacomini (irmã), Eliane Rosa Jacomini (mãe), Irmã Helida Lisboa Jacomini (irmã) e Cintia de Oliveira Santos Nunes.


Discurso de Cintia de Oliveira Santos Nunes

No dia 15/12/2013. o jovem João Pedro Lisboa Jacomini, filho de Edson Zanon Jacomini e Eliane Rosa Jacomini, de nossa comunidade, faleceu em decorrência do desmoronamento de uma pista causada por uma enchente causada pelas fortes chuvas,  que levou o carro onde estava.

Seu falecimento tão precoce atingiu fortemente a todos os que o conheciam, o admiravam e o amavam.

Há 53 anos atrás, outro bonjesuense de nossa região, no alto cargo de governador do Estado do Rio de Janeiro, perdia a vida após a queda do helicóptero onde estava, quando se deslocava para verificar os danos causados pelas enchentes em Santo Antônio de Pádua. Seu falecimento precoce atingiu fortemente todo o país.

Duas mortes precoces, dois sonhos cortados inesperadamente, infinitas dores de saudade que se perpetuam no infinito.

João Pedro tinha apreciação por Roberto Silveira e se espelhava na figura ilustre  do governador, a ponto de costumar se vestir como ele nos desfiles escolares de nossa região.

Neste momento em que os familiares de Roberto Silveira, Badger Silveira e José Teixeira Silveira  visitam o Sítio Rio Preto, onde nasceram seus pais, além da homenagem à memória das ilustres personalidades, queremos homenagear, também, João Pedro, entregando à sua mãe e irmãs uma singela placa.

Roberto Silveira, Badger Silveira, José Teixeira Silveira, Maria da Penha Silveira, Dinah Silveira,  e João Pedro vivem não apenas no Céu, mas também em nossas mentes e em nossos corações. Obrigada."


                                       

Oferenda floral

O evento prosseguiu com oferenda floral em memória dos membros da família Silveira e de Manoel dos Santos Araújo, o Neneco, e sua esposa Luisa Abreu dos Santos, falecida precocemente. Neneco se tornou proprietário do Sítio Rio Preto e foi amigo de infância de Roberto, Badger, Zequinha, Maria da Penha e Dinah. 

Sônia, Cintia, Leonídia e Ciléa, filhas de Manoel dos Santos Araújo, o Neneco, a viúva Georgina e Herval José Silveira, filho de Zequinha: amizade de pais para filhos

Gessy Pereira Gomes e Erica Degli, psicóloga do FIRJAN (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), na confraternização após o evento

Acervo provisório do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira



O evento encerrou-se, então, com o entoar da música "Rio de Minha Terra", autoria de Oliveiro Teixeira, Tertuliana Simão Teixeira e Ana Maria Teixeira Baptista, e da "Marcha a Bom Jesus", conhecido como o Hino de Bom Jesus, de Salim Darwich Tannus, seguindo-se a visitação ao acervo provisório do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira e bela confraternização.

BOANERGES BORGES DA SILVEIRA, MARIA DO CARMO SILVEIRA, ROBERTO SILVEIRA, BADGER SILVEIRA, JOSÉ TEIXEIRA SILVEIRA, MARIA DA PENHA SILVEIRA e DINAH SILVEIRA VIVEM!

Seguem as letras das canções que emocionaram o público. 





RIO DE MINHA TERRA

"Itabapoana majestoso
Que banha a minha cidade,
Vai caminhando sinuoso,
levando a minha saudade.

Nasce no Caparaó, a grande serra,
Banha Rosal e suas rosas perfumadas,
Forma a Cachoeira da Fumaça e a do Inferno,
Sempre brilhando sob as noites enluaradas.

Vai caminhando para o seu destino
Que ao Oceano o conduz;
Leva consigo mágoas e tristezas
Do povo de Bom Jesus
"

 


MARCHA A BOM JESUS

"Oh! Bom Jesus!
Terra de hospitalidade,
Longe de ti,
Quase morro de saudade!

Oh! Bom Jesus!
Terra de hospitalidade!...
Longe de ti, oh! Bom Jesus,
Morro de saudade!

Tens os montes verdejantes,
Lá no alto do Calvário,
Todos nós juntos, em prece,
Veneramos o Santuário.
Tua garota é formosa e gentil
Oh! Bom Jesus!
Pedaço do meu Brasil!
"



BOANERGES, BILUCA, ROBERTO, BADGER, JOSÉ TEIXEIRA, MARIA DA PENHA E DINAH SILVEIRA VIVEM!



























segunda-feira, 17 de novembro de 2014

VÃNDALOS VIOLAM SEPULTURAS NO CEMITÉRIO DE MATTINHOS






Vândalos adentraram no cemitério da região de Mattinhos, atualmente conhecida como Fazenda da Velha Matinha, e violaram sepulturas.







A prefeitura de Bom Jesus do Itabapoana tem  responsabilidade com este vandalismo, uma vez que abandonou o cemitério, permitindo que o muro ficasse parcialmente destruído.





No cemitério de Mattinhos, encontram-se sepultados os restos mortais de Dora Motta, esposa de Lauro Motta, que foi proprietário da antiga Fazenda Mattinhos e trouxe grande desenvolvimento econômico para a região.

Dora Motta teve relevante ação social na região, atuando como enfermeira dos primeiros socorros e exercendo até a função de parteira, numa época em que não haviam esses profissionais à disposição imediata dos moradores. Seu amor pela Fazenda Mattinhos fez com que ela desejasse passar, na mesma, seus últimos dias.




quinta-feira, 13 de novembro de 2014

A MALDIÇÃO E OS MILAGRES DO PADRE NEGRO



Obs: A reportagem abaixo foi publicada em O Norte Fluminense no dia 6 de julho de 2007


PE. JOÃO MENDES RIBEIRO - O PADRE NEGRO



Maldições e Milagres


Multidão acompanhou cerimônia de traslado dos restos mortais do Padre João Mendes Ribeiro

A história do Padre João Mendes Ribeiro, que viveu no distrito de Calheiros, no século passado, foi, repentinamente trazida ao conhecimento de toda a sociedade bonjesuense, como uma comoção, através da informação do traslado dos seus restos mortais para a Capela de Santo Antônio, naquele distrito, no dia 15 de junho passado. Trata-se de uma história impressionante que, mesclada com notícias de milagres e de maldição, causou profunda emoção a todos que afluíram  ao túmulo do Padre para acompanharem o referido traslado. 

 
Antigo túmulo do Padre João Mendes



 
Placa do antigo túmulo afixada em 2003


PERÍODO ESCRAVOCRATA


Padre João Mendes era negro e veio para Calheiros em 1867, segundo o historiador Francisco Camargo Teixeira, em seu livro "BOM JESUS DO ITABAPOANA", portanto, quando ainda vigia a escravatura, que só restou extinta no Brasil, oficialmente, em 1888, com o advento da Lei Áurea. Deflui daí que, antes de ser Padre, João Mendes era um negro forro, isto é, tinha obtido sua liberdade através da alforria. O instituto da alforria tomou forma no Brasil principalmente a partir da exploração do ouro. Constam os registros históricos que, no ano de 1735, de um total de 96.541 escravos, 1.420 eram forros. Cerca de 35 anos depois, os forros alcançaram o percentual de 35% da população negra. A explicação para esse fenômeno se dá pelo fato de os negros terem sido levados para as lavras diamantíferas em Minas Gerais e, assim, acumulavam importância necessária para a compra de sua liberdade. No caso específico de Barbacena, cidade mineira de onde veio Pe. João Mendes, o desenvolvimento da cidade se deu a partir da vinda da família real ao Brasil, em 1808. A então Vila de Barbacena se situava em uma das três vias de abastecimento para a Corte, o que a tornou altamente próspera, com intenso comércio e até atividade de exportação.

Segundo o inglês Johann Emanwel, em seu livro "VIAGEM AO INTERIOR DO BRASIL" em (1817 - 1821), nesta época já havia na cidade mineira 265 negros livres para um total de 2.724 escravos homens. Portanto, o panorama sócio-político de Barbacena (incluindo a localidade de Remédios, onde teria nascido o padre), era de prosperidade, com negros  obtendo a alforria e alcançando ascensão social.



O PRECONCEITO RACIAL



Tela do artista plástico Javerson Spadarotti Bullus retratou a ação do preconceito racial contra o Pe. João Mendes


Dentro, ainda, dos limites dos fatos históricos, é certo que Pe. João Mendes, ao chegar a Calheiros, não foi aceito pelos moradores que cultivavam a mentalidade escravocrata. Relata o Padre José Paulo, da Paróquia de Nosso Senhor Crucificado e Imaculado Coração de Maria, e que presidiu a cerimônia diante do túmulo, que seu avô João Paulo Fonseca, que morava em Itaperuna (RJ), mandou registrar os primeiros filhos em Calheiros, que era um dos lugares mais desenvolvidos da região. 

Assim, seu avô ouviu a história de que um grupo de ricos não aceitava o Padre João Mendes, acusando-o de celebrar uma "missa preta". Recusavam participar da mesma, exclamando: "vamos para a missa branca!". 

Segundo relato da funcionária da Câmara de Vereadores de Bom Jesus do Itabapoana, Elma Soares Cardoso Abreu de Oliveira, o Pe. João Ribeiro fora impedido de morar em Calheiros, e por isso, residiria em Pedral, pertencente à localidade capixaba de  Airituba, em São José do Calçado, do outro lado do rio, onde diariamente tinha de atravessá-lo para realizar suas atividades religiosas.

Sebastião Alves Campos, 79 anos, atestou que a discriminação contra o padre ocorreu inclusive após sua morte, uma vez que ele foi enterrado "no meio do pasto e não no local do cemitério". José Carlos Abreu, conhecido com Sargento Abreu, hoje na reserva, também presente à solenidade, manifestou sua satisfação com o desfecho que presenciava. Lembrou, contudo, que há cerca de 5 anos atrás, publicou um artigo no jornal A Voz do Vale com o título "O PADRE PRETO DE CALHEIROS". Neste artigo, após relatar o preconceito racial sofrido pelo pároco, assentou: "Ao concluir esta narrativa, permito-me perguntar a Calheiros, a Bom Jesus do ltabapoana, à Igreja, às entidades de defesa do negro e de combate à discriminação racial: - O que devemos fazer com referência ao pioneiro Padre Negro? Deverá continuar eternamente sepultado naquele local ermo fora do cemitério de Calheiros? Deve ser enterrado dignamente no cemitério como o são seus semelhantes? Ou devem seus restos mortais ser trasladados para sua terra natal (Barbacena)?"


MILAGRE

Local do rio onde teria ocorrido o milagre


Um relato milagroso é contado por toda a comunidade. Certo dia, os escravocratas, desejosos de se livrarem do Padre João Mendes, conduziram-no à força até o bote, lançando o mesmo rio adentro, sem remos, na expectativa de que a correnteza levasse o Padre até a Cachoeira da Fumaça, onde teria morte certa. Conta Magno Campos de Oliveira, morador de Calheiros que, para surpresa de todos "um vento forte levou o bote para a margem do rio, salvando o padre, o que foi considerado como um milagre". No livro "BOM JESUS DO ITABAPOANA", de Francisco Camargo Teixeira, o milagre é contado da seguinte maneira: "...(O padre) foi abordado  por um grupo de moradores, após celebração da Santa Missa. Forçaram-no a entrar numa canoa, sem remos. Abandonando-a no meio do rio sem poder remar até a outra margem ou evitar a cachoeira que estava próxima. Padre João não se perturbou: sentou-se e abriu seu livro de orações, pondo-se a rezar. A canoa tranquilamente teria seguido para o outro lado e novamente voltado à margem de origem. O povo que tudo assistira o recebeu de volta, aceitando a vontade de Deus". A orientadora pedagógica da Escola Municipalizada Coronel Luiz Vieira, Sheila Brasil Spadarotti Bullus, expôs que, há cerca de dois anos, foi implantado, na comunidade, o seu projeto de resgate da história de Calheiros e da própria Escola. Na ocasião, os alunos da escola realizaram uma peça teatral sobre a vida do Padre João Mendes. Além disso, seu esposo, o artista plástico Javerson Spadarotti Bullus, realizou a pintura de um quadro retratando o conhecido milagre, o qual decorou a Capela de Santo Antonio no dia da celebração do traslado. 



MALDIÇÃO



De acordo, contudo, com forte tradição oral, durante os 120 anos decorridos da morte do Padre João Mendes, uma maldição teria incidido sobre Calheiros, por causa da discriminação racial feita ao Pároco. Clóvis Rosa, 79 anos, atualmente morador do distrito de Rosal, atesta que sempre ouviu falar que, por retaliação ao racismo sofrido, "o Padre teria jogado uma praga na comunidade".

Padre José Paulo menciona que, antigamente, ouvia as pessoas comentarem que Padre João Mendes, revoltado com a discriminação, teria dito: "agora vocês vão ver a coisa ficar preta!". Tempos depois, teria ocorrido uma peste bulbônica na região e "só escapou quem fugia daqui". Desde então, a peste teria sido associada à suposta maldição. Elma Soares Cardoso Abreu de Oliveira relata que ouviu as pessoas comentarem que Padre João Mendes teria jogado uma praga, dizendo que Calheiros "não iria pra frente". Conta ela que, depois disso, ocorreu uma ''chuva de granizo que derrubou os prédios, seguida da varíola 'bexiga preta' que teria matado a maioria dos habitantes". Maria José Tiradentes, 67 anos, moradora atualmente em Bom Jesus do Itabapoana, conta que, na época, "Calheiros era uma região mais desenvolvida que Bom Jesus, mas após a doença que matou quase todo mundo, a região regrediu". 


SANTO


Maria José de Souza, também residente em Bom Jesus do Itabapoana, narra, por outro lado. que, quando jovem, testemunhou um fato extraordinário: "vi várias vezes, o vulto do Padre João sobre o seu túmulo". Sebastião Alves Campos, morador do distrito, mencionou que a comunidade, no ano de 2003, tentou apaziguar a suposta maldição: "Fizeram um novo túmulo para o Pe. João Mendes, e cercaram a área, para ver se Calheiros desenvolvia". Com efeito, na placa constante do túmulo do pároco, aposta no ano de 2003, consta o seguinte escrito: "Pe. João Mendes Ribeiro, nomeado 1°. Vigário do Arraial em 1867 interceda a Jesus pelo povo de Calheiros. Janeiro 2003". Na esteira desta concepção, José Ronaldo Ribeiro da Silva, 38, afirma que "pessoas que visitam o túmulo dizem que receberam graças, por intermédio do Pe. João Mendes. Há pessoas devotas do padre".



PETIÇÃO E  SENTENÇA PARA TRASLADO DOS RESTOS MORTAIS



Magistrado dr. Luiz Alberto Nunes autorizou o traslado dos restos mortais do Padre João Mendes




O fato é que durante todos esses 120 anos que sucederam a morte do Padre José Mendes Ribeiro até os dias atuais, tudo o que de ruim ocorresse na comunidade, era atribuído à "praga do padre preto", conforme um texto assinado em nome da comunidade de Calheiros, solicitando a transferência dos restos mortais do Padre para a Capela de Santo Antonio, como meio de reparar a injustiça e acabar com a "maldição". O Pároco da Paróquia do Senhor Bom Jesus, Vicente Osmar Batista Coelho encampou o desejo da comunidade e aforou um pedido de Alvará Judicial, através do advogado dr. Ademir Monteiro da Silva, ao Juiz da 1ª. Vara da Comarca, dr. Luiz Alberto Nunes da Silva, pleiteando o referido traslado. Na petição, restou assinalado que "as pessoas daquele Distrito - em sua maioria cristã - encarregadas de promover a paz e a harmonia ali têm dificuldades de lidar com esses fatos e, por conseguinte, pretendem contribuir para seu desfecho, porém, de maneira solidária e cristã, desejam dar ao padre e aos seus restos mortais uma sepultura digna". Em sua sentença, que deferiu o pedido, o Magistrado assinalou: "Não se enganem tampouco fiquem surpresos, porque este juiz também já ouviu falar sobre esses fatos... Ao encerrar, este juiz se associa, cumprimentando os moradores de Calheiros neste pleito que é, sem sombra de dúvida, o resgate, a mensagem, a testemunha dos tempos, a luz da verdade, a mestra da vida, a mensageira de sua fé inabalável, desembocando provavelmente num legítimo, autêntico e puro resgate da vontade de seus ancestrais que circunstancialmente não tiveram tempo de promovê-lo. Ante o exposto, acolho, por sentença, o pedido inaugural e, por conseguinte, autorizo a transferência dos restos mortais do várias vezes mencionado Padre José Mendes Ribeiro, do local onde se encontram, para dentro da Capela de Santo Antonio, de propriedade da Igreja Católica, na Vila de Calheiros, 2°. Distrito do Município de Bom Jesus do ltabapoana".





A CERIMÔNIA

Padres Vicente Osmar e José Paulo


Com a autorização judicial, a comunidade de Calheiros distribuiu um convite à população, lembrando que o Pe. João Mendes fora vítima de 'preconceito racial" e que o traslado objetivava prestar uma 'justa homenagem ao Pe. João Mendes Ribeiro, mineiro de Barbacena, negro, zeloso cumpridor de seus deveres, bondoso pastor do rebanho do Senhor, dedicado a esta comunidade, nomeado em 1879 o  1º. Pároco do então Arraial de Santo Antonio". Para o presidente da Associação de Moradores de Calheiros, João Luís Carreiro, que lançou o livro "A Praga do Padre Preto", e que idealizou o traslado dos restos mortais, atuando para a realização do evento, trata-se de um "movimento justo, para pedir perdão em nome dos antepassados, pois o padre só fez o bem e, no entanto, foi maltratado". Jussara Miranda, do Movimento Negro de Pesquisa e Cultura Negra de Bom Jesus do Itabapoana, acentuou "a importância deste fato histórico e a mobilização da comunidade para romper estigmas e preconceitos". Assinalou, ainda que, "a cor da pele não quer dizer nada" e que este acontecimento contribuiu para a superação da exclusão do passado". Jailton da Penha, escritor e repórter da TV Câmara, assentou que "hoje se faz justiça, após tantos anos... o racismo hoje é mais velado, antes, era violento, explícito, como se comprovou com a história do Pe. João Mendes. Hoje, vários movimentos negros se organizam, avançando na valorização da raça negra, que tem em Zumbi dos Palmares, o herói general da causa negra". Dejair Decimoni, 71 anos, administrador do 2°. Distrito, por sua vez, estava contente com a cerimônia: "É um papel bonito para a Igreja!", exclamou. Eraldo Saloto de Rezende, líder da comunidade, reconhece o fato como uma "reparação histórica, em que a Igreja reconhece o valor do Padre João Mendes, ao mesmo tempo em que Deus estende a mão à comunidade que reconhece o erro, reparando o mal do passado".

Pastor João Lopes: "Pe. João Mendes é ministro e tem de ser respeitado"


 O pastor João Lopes, ministro da Igreja Assembleia de Deus, Convenção Geral, atuando há cerca de 16 anos em Calheiros, fez questão de estar presente ao evento, e aprovou o traslado: "Pe. João Mendes é ministro e tem de ser respeitado", assinalou. Padre José Paulo considerou o acontecimento uma "grande oportunidade para a reflexão sobre a caridade e o respeito à pessoa consagrada, assim como para a correção do erro". Padre Vicente Osmar salientou a relevância do fato de "o povo de Deus reconhecer o trabalho do Pe. João Mendes, um homem chamado por Deus, ao mesmo tempo em que se faz a reparação à injustiça cometida". 


A ESCAVAÇÃO










Antes do início da escavação do túmulo, o Padre José Paulo realizou uma cerimônia religiosa, diante de uma multidão que se aglomerava ao redor. Neste momento, o Padre Vicente Osmar também anunciou que pretende propor às autoridades municipais a construção, no local onde se encontrava o túmulo, de uma capela mortuária.

Luciano Bastos, Diretor de O Norte Fluminense, esteve presente ao evento



Igor, Marcelo Almeida e Jailton da Penha da TV Câmara registraram a solenidade


A escavação teve início por volta das 10h:30min, com a participação do Delegado de Polícia Dr. Renato Peres, que agilizou os procedimentos técnicos necessários, com sua equipe. 






Cada golpe de enxadão que atingia a terra era acompanhado com extrema atenção por todos. Após alcançarem o subsolo, os 4 trabalhadores indicados para a escavação se defrontaram com cerca de 11 pedras de médio porte, o que aguçou ainda mais a curiosidade dos presentes. Após a retirada das mesmas, os golpes de enxadões foram feitos com cuidado para não danificarem os restos mortais eventualmente encontrados. Momentos depois, encontrou-se o primeiro objeto, que indicava ser um pequeno pedaço da alça de caixão, fato este que se deu por volta das 11 horas. Prosseguindo a escavação, encontraram-se dois pequenos objetos que sugeriam ser adornos do caixão. Em seguida, alguém gritou que encontrara uma baleba no túmulo. Todos atentaram-se para a descoberta. Realmente havia uma baleba, mas descobriu-se que a mesma fora jogada para dentro da cova por uma das crianças que assistia ao desaterro.

Dente encontrado às 11h 20min
Por volta das 11h:20 min encontrou-se finalmente o primeiro resto mortal de Pe. João Mendes: um dente em perfeito estado de conservação. Posteriormente outro dente e, em seguida, algo semelhante a uma arcada dentária. E foi só. Os 120 anos que se passaram, consumiram o resto. Era como se o tempo informasse que apenas a palavra do Padre José Mendes permanecia presente. Os restos mortais do Pároco foram acondicionados em um recipiente de madeira e levados à Capela de Santo Antônio, onde restou celebrada a Santa Missa, antes da consumação do traslado. Após o encerramento da celebração, a Professora Maria Terezinha Fontes de Oliveira usou da palavra para agradecer, em nome da comunidade de Calheiros ao Juiz de Direito da Comarca, dr. Luiz Alberto Nunes da Silva, presente à solenidade, pela sentença proferida, que proporcionou as condições de um novo tempo para a comunidade. Em continuação, foi distribuída a "ORAÇÃO PELA ALMA DO PADRE JOÃO MENDES RIBEIRO", que reproduzimos a seguir. "Ó Deus Onipotente e Eterno, concedei pela santa intercessão da alma santa do Padre João Mendes Ribeiro o perdão dos nossos antepassados que praticaram injustiça contra esse ser humano que, minutos antes celebrava a Santa Missa renovando o sacrifício da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo e distribuiu a Sagrada Comunhão aos fiéis. Faça Divino Mestre, que a oração feita por ele na sua aflição vendo que estava perdido nas águas do rio Itabapoana numa canoa sem remo, o salvou da morte naquela hora de tribulação, venha salvar o povo de Calheiros que implora o perdão e a misericórdia, por Cristo Nosso Senhor Amém. Pai Nosso, Ave Maria e Glória". 


O NOVO MILAGRE


Os restos mortais de Pe. João Mendes encontram-se, doravante, em local reconhecidamente sagrado. O exemplo observado neste dia, de união entre as raças e as religiões pode ser considerado mais um milagre do Padre João Mendes Ribeiro.



Cerimônia


Os restos mortais do Padre João Mendes estão perenemente na Capela de Santo Antônio



NOTAS: 

O Norte Fluminense posta, nesta data, fotos encaminhadas pelo líder comunitário de Calheiros, Eraldo Saloto de Rezende, tiradas há mais de 10 anos atrás, por ocasião do traslado dos restos mortais do  1º pároco da comunidade.

No próximo dia 5 de agosto de 2018 (domingo), às 16h, a Associação dos Amigos do Memorial Governadores Roberto Silveira inaugurará no local onde esteve sepultado os restos mortais do pároco, um monumento em memória de Padre João Mendes Ribeiro. A obra foi idealizada, e está sendo finalizada pelo consagrado escultor carioca Valtieri Martin, radicado em Cachoeiro de Itapemirim (ES).