quarta-feira, 27 de maio de 2015

terça-feira, 26 de maio de 2015

Entrevista exclusiva com o intelectual baiano JOÃO AUGUSTO DE LIMA ROCHA



João Augusto de Lima Rocha apresentou seu livro ANÍSIO TEIXEIRA E A CULTURA na sede da Associação Cultural Yorubá de Cuba,  em Havana, no dia 12 de janeiro de 2015 ( na foto, entre a Secretária de Cultura de Cachoeiro de Itapemirim (ES), Joana Darck Caetano e seu filho Gilberto, e a artista plástica cubana Adela Hilda Figueroa Gutierrez)



O Norte Fluminense realizou entrevista exclusiva com o intelectual baiano João Augusto de Lima Rocha. A entrevista foi realizada em Cuba e no Brasil.



1. O Norte Fluminense: Qual a importância de Anísio Teixeira para o Brasil?

Anísio Teixeira (1900-1971) liderou, entre nós, desde a década de 1920, o movimento de renovação da educação brasileira conhecido como Escola Nova, influenciado principalmente pelas ideias do filósofo e educador norte-americano John Dewey.
A atuação educacional de Anísio começa em 1924, a partir de sua indicação para a Inspetoria Geral do Ensino da Bahia, pelo governador Francisco Marques Góis Calmon. Após o término de seu mandato na Bahia, em 1929, na qualidade de Secretário de Educação do Distrito Federal (1931-1935), torna-se liderança nacional, junto com Fernando de Azevedo, de um movimento que produziu o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de 1932, que veio a se tornar o programa de renovação de toda a educação brasileira, de lá para cá. Anísio organizou e instalou a Universidade do Distrito Federal (UDF), em 1935, considerada a primeira universidade a incluir a pesquisa como atividade, em todas as unidades. Criada em abril de 1935, com a Reitoria a cargo de Afrânio Peixoto, essa universidade reuniu os principais intelectuais brasileiros em seu corpo docente, além de ter trazido vários professores estrangeiros. Foi extinta, no entanto, em 1939 tendo o que restou incorporado à Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil.

Perseguido, a partir de 1935, quando foi levado a se afastar do Distrito Federal (Rio de Janeiro), Anísio internou-se no interior da Bahia, ficando por mais de 10 anos afastado da educação.
Em 1946, foi chamado por Julian Husley para organizar, em Londre e Paris, o setor de educação superior da UNESCO. Volta para a Bahia em 1947, a convite do então eleito governador Otávio Mangabeira, par ser Secretário de Educação e Saúde do Estado da Bahia. Faz uma gestão memorável, na Saúde, na Educação e na Cultura. É o tempo em que constrói a famosa Escola Parque do Centro Popular de Educação Carneiro Ribeiro, que se tornou internacionalmente conhecida como escola integral, que juntava a educação de conteúdos com a educação para a cidadania. Depois do mandato de secretário, sai da Bahia e segue para o Rio de Janeiro, trabalhar no MEC, a chamado do Ministro Simões Filho. Gradativamente, vai se tornando o educador mais influente na educação nacional. Criador da CAPES, torna-se seu primeiro Secretário Geral. Logo depois, acumula aquele cargo com o de Diretor Geral do INEP. Foi o formulador da tese política segundo a qual não pode haver democracia sem educação pública de qualidade. Escreve os livros Educação é um Direito, e Educação não é Privilégio, que contêm a fundamentação política da luta pela escola publica de qualidade em nosso país. Presidente da SBPC, de 1955 a 1959, atrais os grandes intelectuais brasileiros para a organização da Universidade de Brasília, projeto máximo da Universidade Brasileira, instalado em 1961, e logo destruído pelos militares, a partir de 1964. Ele era o reitor da UnB, em 1964, quando foi destituído por eles e obrigado a se aposentar compulsoriamente. Depois do golpe, passou um bom tempo nos EUA, visitando universidades, tendo recebido o título máximo da Universidade da Columbia, em Nova Iorque, onde tinha feito sua pós-graduação com John Dewey, em 1928. É também o reorganizador da Universidade Nacional do Chile, para onde foi após voltar dos EUA. Por sua atuação marcante, em todos os campos da educação brasileira, no processo de sua renovação, considero que tenha sido o nosso maior educador. 



2. O Norte Fluminense: Você considera que há, hoje, um reconhecimento ao legado de Anísio Teixeira?

Nos meios acadêmicos, cada vez mais, esse reconhecimento vai se dando, mas entre o povo brasileiro ainda está aquém do que seria justo, para um educador que, além de ter sido o que foi, com grande denodo e sacrifício pessoal, sofreu severas injustiças, muito parecidas com as que estão se intensificando hoje, principalmente porque a Presidente Dilma resolveu dar prioridade à educação do povo em seu segundo Governo.



3. O Norte Fluminense: Como surgiu seu interesse por Anísio Teixeira?

Foi tudo muito casual. Morei em Guanambi-Ba, cidade bem próxima da cidade de natal de Anísio (Caetité) e, naturalmente, tive acesso a uns dois livros de John Dewey traduzidos por ele. Depois que entrei para a Universidade Federal da Bahia, tomei conhecimento do magistral depoimento que ele prestou, em 1968, a uma CPI do Congresso, sobre a Universidade Brasileira. Mais recentemente, em 1986, com a eleição de Waldir Pires para o governo da Bahia, fui chamado  a levantar sua contribuição para a educação brasileira, no Instituto Anísio Teixeira, órgão da Secretaria de Educação do Estado da Bahia. Depois disso, veio a luta pela criação da Fundação Anísio Teixeira, que foi coordenada por mim, com grande apoio do Deputado Haroldo Lima, do PCdoB da Bahia. A Fundação foi inaugurada em 1989, e é a grande responsável pela divulgação de sua vida e obra, na atualidade. 

João Augusto de Lima Rocha em Varadero, Cuba


4. O Norte Fluminense: Você diz que há fatos que corroboram a possibilidade de Anísio Teixeira ter sido assassinado. Que fatos são esses?

Sim, é muitíssimo provável que Anísio tenha sido assassinado em instalação da Aeronáutica, no Rio de Janeiro, entre 11 e 13 de março de 1971. À frente da organização do esquema de repressão política, na nova fase da ditadura iniciada em 1968, encontrava-se o Brigadeiro João Pualo Moreira Burnier, entrosado com os norte-americanos que tinham um centro de treinamento de tortura no Panamá, para toda a América Ltina, onde o brigadeiro havia feito, então recentemente, um treinamento avançado. Dirigia o I Exército, no Rio, o General Syzeno Sarmento, que havia sido incumbido de chefiar a missão do regime de reorganização dos métodos de atuação repressiva da ditadura, para enfrentar a reação popular, que crescia bastante, naquele momento. O Brigadeiro Burnier, além de amigo, era o principal assessor do General Syzeno, naquela missão. Rubens Paiva desaparece em janeiro, Anísio morre em março, e Stuart Angel em maio de 1971. A Aeronáutica, de Burnier, está, comprovadamente, presente no primeiro e no terceiro caso. O educador Abgar Renault, de Minas Gerais, e o Governador Luiz Viana Filho, da Bahia, eram amigos próximos de Anísio e, do mesmo modo, muito próximos dos militares que deram o golpe de 1964.  Luiz Viana me disse, em sua casa, em Salvador, no dia 17 de dezembro de 1988, que soubera, no dia do desaparecimento de Anísio, a 11 de março de 1971, que ele estava detido em instalação militar da Aeronáutica. Disse-me ter avisado à família, que uma autoridade de grande influência no regime teria lhe dado a notícia - daí pediu que a família do educador ficasse tranquila - de que Anísio seria submetido somente a um interrogatório de praxe. Independentemente dessa confissão de Luiz Viana Filho, soube-se, há pouco, após eu ter liberado a informação anterior, dois anos atrás, que o Prof. Abgar Renault também teria telefonado independentemente de Luiz Viana, para a família de Anísio, afirmando que o General Syzeno Sarmento teria lhe falado ao telefone que Anísio encontrava-se detido na Aeronáutica no dia 11 de março de 1971, e que não demoraria a ser liberado! Essa coincidência nos leva à quase certeza de que Anísio foi sequestrado, quando ia a pá, no trajeto da Fundação Getúlio Vargas para o prédio em que morava Aurélio Buarque de Hollanda Ferreira, na Praia do Botafogo, Rio de Janeiro, entre 11:30 e 12:00 h do dia 11 de março de 1971.
Ora, Anísio havia marcado, por telefone (certamente grampeado) um almoço na casa de Aurélio, ao meio-dia de 11 março de 1971. Tem-se testemunha, hoje ainda viva, o maranhense Joaquim Campello, da Editora do Senado, em Brasília, que também foi ao almoço, e que me disse ter ele e Aurélio Buarque esperado pelo educador até às 13:30 h daquele dia. Anísio não tendo aparecido, então ele, Joaquim, após às 13:30h, desceu pelo mesmo elevador que, segundo a versão oficial, estaria fora do lugar, quando Anísio, que não havia subido, teria se precipitado no fosso!

Segundo Joaquim, não se registra qualquer baque ou grito ouvido, e que o elevador nunca teve seu funcionamento interrompido naquele dia. Se Anísio tivesse caído no fosso, o único momento só poderia ser próximo ao meio-dia de 11 de março de 1971. Dois dias depois, isto é, a 13 de março de 1971, no entanto, é que seu corpo aparece no fundo do fosso do elevador do Ed. Duque de Caxias, Praia de Botafogo, 48, onde ficava o apartamento de Aurélio.

João Augusto no quarto do Hotel Ambos Mundos, em Havana, onde o escritor norte-americano Ernest Hemingway se hospedava


4. O Norte Fluminense: Como surgiu seu interesse pelo cordel?

No Nordeste, a linguagem popular é no ritmo dos versos heptassílabos do cordel!
Fui acostumado a ouvir os repentistas e cordelistas nas feiras do interior da Bahia, onde passei a infância e parte da juventude!
Depois de pós-graduado em engenharia, fui ensinar em Campina grande, na Universidade Federal da Paraíba, em 1978. Campina é uma das mecas do repentismo brasileiro. Já pensaram, vocês ouvirem Ivanildo Vilanova, todo dia de manhã, num programa de uma hora, todo ele improvisado em versos, como eu ouvia, pela Rádio Borborema de Campina Gerande?

5. O Norte Fluminense: Que cordelistas você destacaria?

O maior de todos é, indiscutivelmente, o paraibano Leandro Gomes de Barros (1865-1918). Outros importantes são João Martins de Ataíde, Silvano Pirauá de Lima, Francisco Chagas Batista, Otacílio Batista, José Costa Leite, Cuíca de Santo Antônio Amaro, Rodolfo Coelho Cavalcante, Ivanildo Vila Nova e Minelvino Francisco Silva.

6. O Norte Fluminense: Que mensagem gostaria de deixar para as novas gerações?

Que procurem se aprofundar nas coisas que fazem. É a determinação de fazer alguma coisa bem feita, que nos pode dar a oportunidade de fazer coisas bem feitas. Ninguém precisa de mais nada a não ser da verdadeira paz, a paz dinâmica e permanente, na luta pelos mesmos direitos de todos, num mundo em constante movimento. Andorinha sozinha não faz verão, é um ditado que gosto muito. 

João Augusto de Lima Rocha: mais um intelectual baiano que se destaca no país



segunda-feira, 25 de maio de 2015

MUSEU DE PIRAPETINGA ESCLARECE SOBRE SEU FECHAMENTO



Prefeitura entrou com ação na Justiça contra o Instituto Iracema Seródio Boechat, mantenedor do Museu da Imagem



O Instituto Iracema Seródio Boechat pagou R$ 391,75, valor relativo aos alvarás e taxas de expediente de 2010, 2011 e 2012, e das despesas com o processo movido pela Prefeitura de Bom Jesus do Itabapoana


O NORTE FLUMINENSE procurou Maria Lúcia Seródio Boechat, a Lucinha, administradora do Museu da Imagem de Pirapetinga de Bom Jesus, para esclarecimento sobre o fechamento da entidade.

Por telefone, ela esclareceu:

" Durante estes 21 anos de existência do Museu da Imagem, mantido pelo Instituto Iracema Seródio Boechat, eu sempre coloquei-o a serviço da comunidade bonjesuense e de todos os visitantes que aqui comparecem para conhecer nosso acervo que conta com várias relíquias, entre as quais objetos da época dos escravos. 

Alunos de escolas e pessoas de vários municípios sempre nos visitaram, durante esses anos. Há poucos dias, emprestei, com satisfação, peças para uma escola municipal. 

Embora façamos com amor este serviço de manter o museu para o bem da comunidade, nunca recebemos qualquer apoio da prefeitura.

Sempre pleiteei a isenção do IPTU para o museu. Na época que Carlos Garcia era prefeito, conseguimos essa isenção. Mas, ultimamente, não conseguimos. 

Não bastasse isso, para minha surpresa e revolta, após 21 anos de funcionamento, recebi uma cobrança judicial da prefeitura de Bom Jesus do Itabapoana relativa a alvarás e taxas de expediente dos anos de 2010, 2011 e 2012 que, acrescido das despesas do processo, resultou na cobrança de R$391,75 (trezentos e noventa e um reais e setenta e cinco centavos). 

Nestes casos, em geral, pelo que tenho conhecimento, eu deveria ter sido notificada para fazer o pagamento, antes de receber um processo. Mas isso não ocorreu.

E, pelo que sei, há muitos botecos que funcionam sem nenhum alvará da prefeitura, e não receberam nenhum processo judicial.

Ao receber esta ação judicial, fiquei indignada, e fui à Prefeitura conversar com Branca Motta. Ela não estava e deixei minha reclamação, e pedi uma resposta, mas não tive qualquer retorno. Por causa de minha revolta com o tratamento dado pela prefeitura, anunciei que iria fechar o Museu. Eu tive vontade de ir, inclusive, à Câmara Municipal expor esta situação, mas infelizmente não tenho tempo para isso.

Agora, contudo, diante da repercussão do caso e pensando que a sociedade bonjesuense não pode ficar prejudicada, resolvi voltar atrás em minha decisão. Fiz o pagamento, mas fico com esta impressão de perseguição. Fico a pensar se o motivo seria o fato de termos ligação com pessoa ligada à cultura e, pelo que sei, é considerada persona non grata pelo poder público municipal".



Uma das coisas que chama atenção no caso do Museu da Imagem de Pirapetinga de Bom Jesus é que esta entidade não é considerada existente pela prefeitura, como se verifica do seu site, no item relacionado à "Cultura" (vejam relação abaixo), mas é considerada existente para fins de ação judicial.

Curioso, ainda, que, embora o site considere o referido Museu inexistente, faça referência ao "Caxambu", que não existe mais em nosso município. 
(http://www.bomjesus.rj.gov.br/site/#banner_pos1)


Cultura


FILHOS DO EX-GOVERNADOR BADGER SILVEIRA VISITARAM O MUSEU DA IMAGEM


No dia 25 de agosto do ano passado, este blog registrou a visita ilustre de Badger Silveira Filho e Ana Maria Silveira,  filhos do ex-governador Badger Silveira ao Museu da Imagem, ocasião em que ambos foram recepcionados pelos irmãos idealistas Norberto Boechat e Lucinha. O evento ocorreu por ocasião do 2º Passeio Cultural de Bom Jesus do Itabapoana, que estava inserido no 5º Circuito Cultural Arte Entre Povos e está reproduzido na matéria que abaixo. 

MUSEU DA IMAGEM

A comitiva do Passeio Cultural visitou o Museu da Imagem, no distrito de Pirapetinga de Bom Jesus, onde foram recebidos pelo médico Norberto Boechat e sua irmã Lucinha Boechat, que mantêm o Museu. 

Delegação à frente do Museu da Imagem


Peças raras compõem o acervo do Museu da Imagem

Em seguida, o anfitrião convidou todos para uma significativa reunião cultural em sua residência, com um lanche recheado com declamação de poesias e apresentação de piano.



Lucinha Boechat, Badger Silveira Filho, Ana Maria Silveira e Norberto Boechat






Lucinha Boechat, Badger Silveira Filho, Ana Maria Silveira e o casarão do século XIX

Ainda em Pirapetinga de Bom Jesus, o vereador Hamilton Borges convidou a delegação para um café na Padaria e Restaurante dirigidos por seus pais Márcia Borges Alvarenga e Claudio Alvarenga.



A comitiva foi recepcionada na Padaria e Restaurante de Márcia Borges Alvarenga e Claudio Alvarenga, pais do vereador Hamilton Borges Alvarenga


Vejam a matéria completa em http://onortefluminense.blogspot.com.br/2014/08/o-2o-passeio-cultural-de-bom-jesus-do.html:

domingo, 24 de maio de 2015

Cultura une Laje do Muriaé e Bom Jesus do Itabapoana





Leninha, Maria Beatriz Silva, Raimunda e professor Daniel Pereira de Lima

Casa da Cultura


Está ocorrendo na Casa da Cultura de Laje do Muriaé (RJ) dentro da 13º Semana de Museus, exposição de artesanato de cerâmica organizada pelo CCMB (Centro Cultural Maria Beatriz). 


 O artesanato é oriundo do projeto ROÇARTE, patrocinado pela Petrobras, que, em Bom Jesus do Itabapoana, é desenvolvido na Usina Santa Maria, com aulas do professor pernambucano Daniel Pereira de Lima.

Vieram para Laje do Muriaé artesanato dos alunos Regina, Luísa, dona Júlia, Jonathan, Paula, Leninha e Raimunda.
 

Além da exposição, estão ocorrendo oficinas ministradas pelo próprio professor Daniel e por suas alunas Leninha e Raimunda. 
 
Maria Beatriz Silva, presidente do CCMB e diretora da Casa de Cultura, é a idealizadora desta e das demais atividades culturais que estão sendo realizadas durante a semana de Museus. Apoiam o evento o presidente do SEPE, Robson Terra, que é diretor do CIEP 343, e a Secretária Municipal de Educação, Rosângela Souza. 
 










 
 

Segundo Maria Beatriz, "os índios puris que habitavam Laje do Muriaé, em 1840, utilizavam a cerâmica em seu dia a dia. Ocorre que acabamos perdendo este conhecimento histórico. Ao trazermos a cerâmica para Laje, objetivamos, além de estimular seu desenvolvimento entre nós, resgatarmos esta cultura. Constato que os jovens estão deslumbrados com esta atividade que era desconhecida deles. O CCMB está promovendo, também, nesta semana dos Museus, saraus, teatro e exposição de fotografias. Temos parceria com o SEPE (Sindicato Estadual dos Profissionais de Ensino), que proporciona hospedagem, alimentação, além de outros apoios, e com a Secretaria Municipal de Educação, o que tem sido importante para que possamos levar a cultura para o maior número de jovens estudantes. ", salientou. 


Maria Beatriz Silva: a guerreira da cultura em Laje do Muriaé


































































quinta-feira, 21 de maio de 2015

BRANCA MOTTA E O MILAGRE DA MULTIPLICAÇÃO DOS CIRCUITOS










Ano passado, ocorreu o 5º Circuito Cultural Arte Entre Povos, evento em que artistas de diversas nacionalidades  percorrem  municípios, com a proposta de estimular o desenvolvimento cultural e a integração com as comunidades locais.





 Como um evento dentro do referido Circuito Cultural, ocorreu em Bom Jesus do Itabapoana, também, o 2º Passeio Cultural em que uma caravana percorre diversos locais de interesse histórico e cultural de nosso município.



Ano passado, a Prefeitura Municipal de Bom Jesus do Itabapoana, percebendo a força desses eventos, passou a divulgar em uma placa, no período eleitoral, em Calheiros, um inexistente "Circuito Religioso". Tal fato foi denunciado pelo O Norte Fluminense no artigo "O Circuito da Desfaçatez". (http://onortefluminense.blogspot.com.br/2015/03/o-circuito-da-desfacatez.html)


Prefeitura anunciou, ano passado, em período eleitoral, um inexistente "Circuito Religioso"


Após as eleições, a placa foi arrancada
Em abril passado, contudo, a prefeita Branca Motta, como se estivesse acometida, repentinamente, por uma espécie de "circuitite aguda", resolveu realizar circuitos com uma surpreendente avidez. Assim é que anunciou e realizou, em tempo recorde, o Circuito Agroturismo Religioso no dia 25 de abril passado. 

Cartaz do Circuito do Agroturismo Religioso, da Prefeitura Municipal



Mal encerrou este Circuito, a prefeitura já anuncia para o próximo dia 24 de maio, o 2º Circuito do Agroturismo Religioso. Segundo comentários, cogitar-se-ia ainda na realização de um "Circuito de Bicicleta". Diante deste frenesi, é possível que ainda ouçamos informação sobre vários circuitos neste e no próximo ano.

Para um governo que, durante mais de seis anos, tem sido um fracasso na área cultural, pode-se dizer que este proceder de Branca Motta constitui um  milagre.


Nada como um período pré-eleitoral para tornar possível esse tipo de milagre.
 

SESSÃO DO ILA REVELA FATO HISTÓRICO DESCONHECIDO DA HISTORIOGRAFIA







                    Foto: Darci Boniolo

Foto histórica: Guido Nunes Rezende e Maria Apparecida Dutra Viestel, netos respectivamente do 2º e 1º prefeitos de Bom Jesus do Itabapoana. Atrás,  Angélica Dutra, filha de Maria Apparecida
                                                                                                             

A segunda reunião histórica realizada no dia 25 de abril passado, organizada pelo ILA (Instituto de Letras e Artes Dr. José Ronaldo do Canto Cyrillo), que é presidido pela dra. Nísia Campos, trouxe ao público, além dos fatos e personagens de nossa primeira emancipação, implementada em 25 de dezembro de 1890, informação sobre fato que não consta na historiografia. 
 
                                                                                 Foto: André Luiz de Oliveira
Descendentes do Secretário e dos Intendentes do 2º Conselho de Intendência: Ana Maria da Graça Fragoso do Carmo Ribeiro, Elenízia Lengruber, Maria Tereza Medeiros, Guido Nunes Rezende, Ana Clara Fragoso de Castro Moreira, Lena Rodrigues do Carmo e Maria Cristina Borges

Segundo Guido Nunes Rezende, neto do Cel. Luiz Vieira de Rezende, seu avô protegeu o futuro presidente do Brasil, Nilo Peçanha, da perseguição das forças do Império, em meados de abril de 1889, em sua fazenda em Calheiros.


 Fazenda Boa Fortuna, do Cel. Luiz Vieira de Rezende, em Calheiros, onde Nilo Peçanha teria se refugiado da perseguição das forças do Império em 1889 (foto de 1928. Acervo de Moacyr Teixeira de Rezende)

SESSÃO DO ILA REVELA  FATO HISTÓRICO DESCONHECIDO  DA HISTORIOGRAFIA

                                                                  Fotos: André Luiz de Oliveira
Guido Nunes Rezende



A segunda reunião histórica realizada no dia 25 de abril passado, organizada pelo ILA (Instituto de Letras e Artes Dr. José Ronaldo do Canto Cyrillo), que é presidido pela dra. Nísia Campos, trouxe ao público, além dos fatos e personagens de nossa primeira emancipação, implementada em 25 de dezembro de 1890, informação sobre fato que não consta na historiografia. 

Segundo Guido Rezende, neto do Cel. Luiz Vieira de Rezende, seu avô protegeu o futuro presidente do Brasil, Nilo Peçanha, da perseguição das forças do Império, em meados de abril de 1889, em sua fazenda em Calheiros.

Em matéria anexa, intitulada AS GARRAFADAS DE LAJE, O NORTE FLUMINENSE aprofunda a discussão sobre a revelação de Guido Rezende.


A série de sessões históricas promovidas pelo ILA objetiva resgatar fatos e personagens relativos às duas emancipações de Bom Jesus do Itabapoana. A  1ª emancipação ocorreu entre os dias 25 de dezembro de 1890 e 8 de maio de 1892. 

Na reunião do dia 27 de março passado, a mesma focalizou o 1º Conselho de Intendência, que funcionou entre os dias 25 de dezembro de 1890 e 12 de dezembro de 1891. O colegiado teve como presidente, Pedro Gonçalves da Silva Jr., conhecido como Cel. Pedroca. O presidente exercia, também, a função equivalente à de prefeito. Foram mencionados, ainda, os demais intendentes que exerceram as funções equivalentes aos cargos dos  vereadores: Cel. Luiz Vieira de Rezende, Manoel Antônio de Azevedo Mattos, Joaquim Teixeira da Siqueira Reis e Capitão Francisco de Teixeira de Siqueira, além do secretário da Intendência, José Cândido Fragoso.

Após as renúncias do presidente Marechal Deodoro da Fonseca, do governador Francisco Portela e dos integrantes do 1º Conselho de Intendência, o novo governador do estado do Rio de Janeiro, comandante Baltazar da Silveira, nomeou os membros do 2º Conselho no dia 7 de janeiro de 1892, tendo os mesmos tomado posse no dia 15 de janeiro. O novo colegiado teve como presidente o Cel. Luiz Vieira de Rezende, que foi, portanto, o 2º prefeito de Bom Jesus do Itabapoana. Os demais intendentes nomeados foram João de Souza Rodrigues, Ricardo da Costa Soares, Francisco Boechat e João Pedro Lengruber, somando-se ao colegiado Joaquim Sérgio Bastos. João Cândido Fragoso foi indicado como o novo secretário.

No dia 8 de maio de 1892, o governador José Thomaz Porciúncula editou o Decreto nº 01, que retirou a autonomia de nosso município, anexando-o ao de Itaperuna. 


O DIA DA REVOLTA BONJESUENSE


Este ato de Porciúncula foi imediatamente rechaçado pelos bonjesuenses que se revoltaram contra a medida, não aceitando a perda da autonomia e a subordinação a Itaperuna.

No dia 20 de junho de 1892, os bonjesuenses reuniram-se em uma das salas onde funcionou a Intendência,  e onde está situado atualmente o Big Hotel, e deliberaram que Itabapoana, nome anterior de nossa circunscrição administrativa, continuaria a ser município, mesmo contra o ato oficial do governador. 

Em seguida, nomearam os novos integrantes do 3º Conselho de Intendência. O mesmo ficou constituído assim:  João de Souza Rodrigues, José Boechat, João Pedro Lengruber, Carlos de Aquino Xavier, Severino Teixeira de Oliveira, Cel. Luiz Vieira de Rezende e Antônio Simplício de Salles. Foi nomeado Antônio Antunes de Siqueira como secretário

A rebelião bonjesuense durou cerca de um ano. O 3º Conselho de Intendência funcionou até o dia 15 de julho de 1893.



 A SESSÃO HISTÓRICA 
                                                                                                  



Abrindo o evento, nas dependências do plenário da Câmara Municipal, dra. Nísia Campos anunciou a homenagem aos intendentes que compuseram o 2º Conselho de Intendência.

Dra. Nísia Campos ladeada por Rubem Oliveira, presidente do ILAC (Instituto de Letras e Artes de Carabuçu) e o Sargento Jailson Alves, do Tiro de Guerra


Estiveram presentes ao evento descendentes dos  intendentes  Cel. Luiz Vieira de Rezende, Francisco Boechat, João de Souza Rodrigues, Joaquim Sérgio Bastos, João Pedro Lengruber, Ricardo da Costa Soares e do secretário João Cândido Fragoso.



O palestrante da noite foi Guido Nunes Rezende,  neto do Cel. Luiz Vieira de Rezende. Ele é filho de Ulisses Vieira de Rezende e Maria Augusta Nunes Vieira.

Segundo Guido, "o português João Rezende Costa, originário da Ilha de Faial, no Arquipélago de Açores, foi quem trouxe a família Vieira de Rezende para o Brasil no século XVIII.

José Rezende Costa, filho de João Rezende Costa, foi inconfidente e braço direito de Tiradentes. O filho de José Rezende Costa, com o mesmo nome do pai, acompanhou-o no movimento libertário.

Pai e filho foram presos e deportados perpetuamente para a África, por ato de Maria, a Louca. Foram embarcados na Fragata denominada Golfinho. Por causa disso, a esposa de José Rezende Costa (pai), Helena Maria de Jesus, resolveu manter as cerca de 20 janelas de sua fazenda Engenho Velho dos Cataguás, em Lagoa Dourada (MG), fechadas indefinidamente. Ele foi deportado para Bissau, falecendo no continente africano.

 José Rezende Costa, o filho, casado com Anna Alves Preto, foi deportado para Cabo Verde, onde chegou a ocupar cargos relevantes neste país africano. Com a proclamação da independência, D. Pedro I lavrou um indulto, razão pela qual José Rezende Costa retornou ao país, fixando-se em Minas Gerais.


Meu avô Cel. Luiz Vieira de Rezende era tetra neto de José Rezende Costa (pai). Casou-se  com Augusta Amélia, em 1860, em São João Nepomuceno (MG). Ele era jovem quando, juntamente com o tio Major Vieira e o Cel. José Vieira, tiveram participação de destaque na criação do município mineiro de Cataguases, cujo nome foi dado por influência do Cel. José Vieira.

Mudou-se, depois, para a Fazenda Boa Fortuna, em Calheiros. Foi a partir daí que lutou pela causa republicana. Em meados de abril de 1889, por ocasião de uma conferência sobre a república em Laje do Muriaé (RJ), com a presença de Nilo Peçanha, forças do Império atacaram o prédio onde ocorreria o evento. Nilo Peçanha foi ferido. Meu avô escondeu-o na Fazenda Boa Fortuna. 
As tropas imperiais chegaram à Fazenda procurando por ele. Meu avô, contudo, só permitiu a entrada do comandante e informou a este que Nilo Peçanha não estaria na fazenda. Após aguardar dez dias, e ter certeza que a tropa monarquista não se encontrava na região, Nilo pôde sair da Fazenda. 

Meu avô foi eleito, posteriormente, no dia 10 de maio de 1889, para a primeira Câmara de Vereadores de Itaperuna (RJ) com maioria republicana, em pleno império.

Juntamente com Pedro Gonçalves da Silva Jr., o Cel. Pedroca, arquitetaram a primeira emancipação de Bom Jesus do Itabapoana.

O Cel. Luiz Vieira exerceu a presidência do 2º Conselho de Intendência, cargo equivalente ao de prefeito, entre 7 de janeiro de1892 e 8 de maio de 1892, quando ocorreu o fim da emancipação. Mesmo abalado, meu avô continuou, contudo, na luta por Bom Jesus. 

Juntamente com seus irmãos, construíram a Ponte dos Vieira, que liga Calheiros a São José do Calçado (ES), que permitiu a escoação do café para as terras capixabas.

Após 65 anos de casamento, minha avó faleceu na Fazenda Boa Fortuna. Depois, meu avô declarou ao ao jornalista Osório Carneiro, de A Voz do Povo: 'Não compreendo a vida sem estar ao lado de minha esposa'. Ele faleceu em 1943. Foi um homem que viveu e lutou com idealismo pela construção de um mundo com liberdade e desenvolvimento", finalizou.


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Alunos do Centro Educacional Santa Rita de Cássia e do Colégio Estadual Padre Mello se fizeram presentes. A noite histórica contou, ainda, com apresentação magistral de Issacar Newton, ao violino, e Thadeu Almeida, no órgão.  

Alexis Delaine, presidente do Conselho Municipal de Educação, registrou a importância da atuação do ILA, através da dra. Nísia Campos, no aprimoramento cultural de nosso município.

A presidente do ILA distribuiu, então, livreto concernente ao 2º Conselho de Intendência, que foi autografado pelos descendentes dos intendentes.

Dra. Nìsia Campos manifestou sua alegria em poder estar contribuindo para o resgate da história de Bom Jesus do Itabapoana. Informou, ainda, que "o ILA completará 20 anos no dia 11 de agosto, enquanto o ILAC completará a mesma quantidade de anos em dezembro". Convidou todos, ao final, a entoarem a tradicional canção "Rio de minha terra", juntamente com o violonista Amílcar Gonçalves, o Mão de Ouro, e Ana Maria Teixeira Baptista. A música é de autoria da própria Ana Maria e seus pais Oliveiro Teixeira e Tertuliana Simão Teixeira (Zita). Após a apresentação que emocionou a todos,  o evento teve o encerramento com o tradicional coquetel e confraternização.


Thadeu Almeida e Issacar Newton: momentos sublimes

Alunos do Centro Educacional Santa Rita de Cássia e do Colégio Estadual Padre Mello marcaram presença no evento
                                                                                             Foto: Darci Boniolo
Gino Bastos entregou exemplares da edição nº 2288 de O Norte Fluminense, que contém a reportagem sobre a sessão de 27 de março, aos descedentes dos intendentes, a pedido de dra. Nísia Campos


Livreto sobre o 2º Conselho de Intendência foi distribuído pelo ILA



Descendentes dos Intendentes e do Secretário do 2º Conselho autografaram o livreto editado pelo ILA

Amílcar Gonçalves, o Mão de Ouro, e Ana Maria Teixeira interpretaram, acompanhados pelo público presente, Rio de Minha Terra, composição tradicional, de autoria de Ana Maria e seus pais. Atrás, profª Lisângela Nunes da Fonseca Rabelo, vereador Clerinho da Soledade e vice-prefeito Jarbas Borges


RIO DE MINHA TERRA

Letra: Oliveiro Teixeira
Música: Tertuliana Simão Teixeira (Zita) e Ana Maria Teixeira Baptista


Itabapoana majestoso
Que banha a minha cidade
Vai caminhando sinuoso
Levando a minha saudade

Nasce no Caparaó, a grande serra,
Banha Rosal e suas rosas perfumadas
Forma a cachoeira da Fumaça e a do Inferno
Sempre brilhando sob as noites enluaradas.

Vai caminhando para o seu destino
Que ao Oceano conduz
Leva consigo mágoas e tristezas
Do povo de Bom Jesus.





Dra Nìsia Campos: resgate da História Política de Bom Jesus do Itabapoana


 OS DESCENDENTES DOS INTENDENTES



Descendentes do intendente Cel. Luiz Teixeira de Rezende: Moacyr Teixeira de Rezende, Guido Nunes Rezende, José Luiz Rezende do Carmo,  Iago,  Maria Alice Rezende, Cristina de Fátima Moraes Borges e Maria Cristina Borges Carrereth


Descendentes do intendente João de Souza Rodrigues: Cristina de Fátima Moraes Borges (descedente também do Cel. Luiz Vieira de Rezende), Lena Rodrigues do Carmo, Nicolas da Silva Rodrigues, Ana Claudia Pacheco de Oliveira do Carmo, Brian Pacheco Rodrigues do Carmo e Analina Pacheco Rodrigues do Carmo


Maria Cristina Borges representou os descendentes do intendente Joaquim Sérgio Bastos

Maria da Glória Silva Souza representou os descendentes do intendente Francisco Boechat



Descendentes de intendente João Pedro Lengruber: Elenízia Lengruber, Elenice Lenbruber e Luci Lengruber


Descendentes do intendente Ricardo da Costa Soares: Ana Clara Fragoso de Castro Moreira e Ana Maria da Graça Fragoso do Carmo



Descendentes do secretário João Cândido Fragoso: Maria Cristina Borges Carrerete, Ana Maria da Graça Fragoso do Carmo e Osvaldo Ribeiro


AS GARRAFADAS DE LAJE




Guido Nunes Rezende

deA informação de Guido Rezende de que seu avô teria acolhido Nilo Peçanha em sua Fazenda Boa Fortuna, em Calheiros, após o mesmo ser perseguido por forças do Império, alude ao episódio conhecido como Garrafadas de Laje, ocorrido em Laje do Muriaé (RJ) em 16 de abril de 1889, mas não consta da historiografia. 



Segundo o livro A Vida de Nilo Peçanha, escrito por Brígido Tinoco, "Em Laje do Muriaé, no Norte da Província (Nilo Peçanha) é apedrejado e agredido em praça pública. Sangrando, foge a cavalo e vai pensar os ferimentos em Arrozal de Santana, hoje distrito de Arrozal, em Bom Jesus do Itabapoana" (pág. 23, Livraria José Olympio Editora, 1962).

Hotel (direita) de Laje do Muriaé onde ocorreria a Conferência sobre a República em 1889 e a praça onde Nilo Peçanha teria sido agredido (acervo de Maria Clara Diniz Ligiéro)

O relato de Guido Rezende está em harmonia com o que consta na biografia de Nilo Peçanha. A uma, porque é pertinente ponderar sobre a aptidão de um coronel, como Luiz Rezende, a realizar uma proteção desta natureza. A duas, porque a Fazenda Boa Fortuna, em Calheiros, está localizada no trajeto para Rosal, onde havia os meios de promover a cura das feridas do futuro presidente.

 Fazenda Boa Fortuna, em Calheiros, onde Nilo Peçanha teria se refugiado da perseguição das forças do Império. Foto das bodas de ouro do Cel. Luiz Vieira de Rezende em 1928 (acervo de Moacyr Teixeira de Rezende)


Rua e prédio da prefeitura de Laje do Muriaé foram construídos no local onde funcionou o hotel da Conferência sobre a República.

Hoje, ruína da parede do casarão (esquerda), com cerca de 50 m, é o que resta da sede da Fazenda Boa Fortuna, com suas palmeiras imperiais


Rui Barbosa comparou o episódio das Garrafadas de Laje com a Noite das Garrafadas que marcou o fim do primeiro reinado: "As garrafas da Laje de Muriaé em abril de 1889 renovam as garrafadas da Corte em março de 1831, que pressagiaram o fim desastroso do primeiro reinado. É como o eco das vésperas de uma revolução, anunciando, talvez, as vésperas de outra, se a coroa for surda aos sinais do tempo" (apud A República consentida: cultura democrática e científica do final do Império, de Maria Tereza Chaves de Mello)

Nilo Peçanha( do  livro "Política, Economia e Finanças", organizado por Andréa Telo da Corte, Museu do Ingá. 2010)

Segundo Guido Rezende, a informação relatada por ele era frequentemente contada por seu pai e seu tio Álvaro Rezende. 



Para Maria Beatriz Silva, presidente do CCMB (Centro Cultural Maria Beatriz) e diretora da Casa de Cultura de Laje do Muriaé, " a revelação de Guido Nunes Rezende é fato novo que está, realmente, em uma linha de razoabilidade com o que consta na biografia de Nilo Peçanha e com o que escreveu Rui Barbosa. Ocorre que há duas outras obras, uma escrita por Major Porphirio Henriques, intitulada "Terra da Promissão", e outra nomeada "Há Mais de Meio Século" de H. M. Caspary, ambos lajenses, que relatam o episódio das Garrafadas da Laje de outro modo. Por este motivo, pretendemos aproveitar esta revelação de Guido Rezende e realizarmos uma conferência para, discutindo este tema, possamos também dar início ao resgate da história de Laje do Muriaé", assinalou.


Maria Beatriz Silva e a foto de época do hotel onde ocorreu a Conferência sobre a República, em Laje do Muriaé: "é necessário resgatar esta história"



As sessões históricas do ILA abrem as portas, portanto, não apenas para o passado de nosso município, mas de toda a região e do país.