Jornal fundado por Ésio Martins Bastos em 25 de dezembro de 1946 e dirigido por Luciano Augusto Bastos no período 2003-2011. E-mail: onortefluminense@hotmail.com
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Camões em Bom Jesus(II)
Pe. Mello veio para Bom Jesus do Itabapoana no dia 18 de junho de 1899. Havia chegado ao Brasil em 1895, quando assumiu a administração da Igreja em Sapucaia (RJ). Em Bom Jesus, estabeleceu as bases de nossa cultura, trazendo, inclusive, livros de Camões, o maior poeta da língua portuguesa, que muito admirava, e cujas poesias estão sendo publicadas em O Norte Fluminense.
Amor é fogo que arde sem se ver
Luís de Camões
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
ALMANAK (VIII)
(Décadas de 1950/1960)
Dados compilados por Balthazar Franco da Silva em 2001
Jardineiros - Wade, que esculpia animais nas árvores do jardim, Papagaio
Jornais e Revistas - Tico Tico, Gibi, Guri, Globo Juvenil, A Manhã, Correio da Manhã, Jornal do Brasil, Última Hora, Diário de Notícias, O Cruzeiro, A Cigarra, X-9, Revista do Rádio, A Vida Doméstica, Seleções, Fon-Fon, Careta, Eu Sei Tudo, A Voz do Povo, O Norte Fluminense, Diário Carioca
Jornaleiro - Dofinho
Jornalistas - Osório Carneiro, Octacílio de Aquino, José Maria Garcia, Athos Fernandes Monteiro, Esio Martins Bastos
Juiz de Direito - Dr. Amaro Martins de Almeida, Dr. Rubens Silva, Dr. Álvaro Pogi de Figueiredo
Juiz de Paz - Ulisses Vieira de Rezende
Lança perfumes - Rodo Metálica
Lanterneiros - Malvino, Chico da Lata, José da Lata, Rocha
Locutores - Zoelzer Poubel, Freire Júnior (Garoto), Jair Moitinho, Edílio Miranda (Rádio Cultura de Bom Jesus - ZYP 31)
Loteria - Mina de Ouro (Sr. Viana)
Magarefes - Antônio do Matadouro, José Camilo
Máquina de beneficiar arroz - Messias Batista da Silva, Otis Cavichini
Máquina de beneficiar café - Ernesto Saraiva, Jácomo Cavichini
Marador de quadrilha - Didil Medina
Mecânica de autos - Sebastião Margoso, Jorge Jabôr, Chico Mecânico, Nico (Empresa Brasil), Luiz Falcão, Antônio Canico
Mecânico de geladeiras - Áureo Anthero
Mecânico de máquinas - Celso Carneiro Vitório Cassamali
(continua)
domingo, 18 de outubro de 2015
Encontro de Ciclistas contagia Minas Gerais
O 2º Encontro de MTB de São Francisco do Glória (MG), em benefício da Igreja São Francisco de Assis, organizado pelo grupo "Loucos do Pedal", tem atraído, a cada evento, número significativo de ciclistas.
Hoje, o itinerário foi dividido em três modalidades: 15km para os iniciantes, 30km para os intermediários e 50km para o grupo de elite.
Uma ambulância esteve presente em todo o percurso, além de um carro distribuindo água gelada. Caminhonetes também deram apoio disponibilizando lanches e até oxigênio. Ao final, churrasco de porco no rolete, com música ao vivo e sorteio de brindes.
Contatos para os próximos encontros com Kaio Pedrosa, através do seguinte contato: 032/8402-1497 (WhatsApp).
Casamento de Aline e Guilherme
Casaram-se, no último dia 06 de setembro, na Capela do Colégio Abel, em Icaraí, Niterói (RJ), Aline e Guilherme. A noiva é filha de José Ronaldo Teixeira de Araújo e de Véra Lucia Gomes de Araújo; o noivo é filho de Lailda Alcântara Buarque de Holanda, todos residentes em Niterói.
Aline, médica veterinária, é filha de Véra, que estudou e trabalhou no querido Colégio Rio Branco, como secretária, professora e auxiliar de Direção e de José Ronaldo, também ex-aluno do Colégio Rio Branco, aposentado do Banco do Brasil e filho da tradicional família Baptista de Bom Jesus do Norte.
Ao casal e a seus pais, nossos cumprimentos!
sábado, 17 de outubro de 2015
ENTRELINHAS
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| Norberto Seródio Boechat |
Inclemente, o
sol do meio dia fustigava e fazia pender
as folhas dos eucaliptos. Pássaros se protegiam nas ramagens das mangueiras.
Lagartos, nas fendas das pedras, agitavam, inquietos, as cabeças. Eu estava
numa das janelas da fazenda do Bonito. No terreirão, a professora fechou a
porta da escola após manhã de trabalho. Crianças espalharam-se em algazarra.
Separados do grupo, dois meninos com embornais de cadernos e cartilhas não
participavam dos folguedos e procuraram logo o caminho para suas casas. À
frente, subida íngreme de terra batida, desenhada pela erosão e encrespada de
pedras. Cumpriam todos seus destinos.
Esta
visão do passado, ao marcar o momento, deixou a imagem dos dois. Retornavam aos lares
lá no alto, entre morros, para a vida rotineira da roça. No restante da tarde ainda
ajudariam os pais na faina diária. No
dia seguinte, novamente desceriam e fariam fila para novas lições.
Os ensinamentos abririam novas
oportunidades? Teriam eles a percepção de trilhas a desancar? Entenderiam o trajeto
pelas serras como uma possibilidade de investimento em futuro melhor? Ou permaneceriam,tal
qual os pais, há gerações plantando e roçando? Não sei. Não acompanhei suas
vidas. No entanto, a cena naquele definidor de tempo disparou o mundo das interrogações, da inquietante
análise dos destinos.
Se por
lá ficaram, na serra e nas roças, com foices e enxadas, não seriam tão
importantes quanto aos que, tendo buscado novos horizontes,passaram a advogar e
a edificar? Não representariam díspares,
mas inseridos destinos no todo? Não se
lhes facultariam iguais reverências pela vida? Alguém tem que plantar. Alguém
tem que advogar ou erguer construções. E
sabemos que não há diferença entre os mecanismos de disparos celulares e
contrações de músculos que comandam as ações, sejam elas nos que estão no alto
da Pedra Branca ou nos que comandam tribunais.
No
mesmo raciocínio, imaginem a magnitude das mulheres que passaram boa parte do
século passado, no pós guerra, a cozinhar para manter seus maridos nas
lavouras, produzindo o reerguimento do Brasil. Avaliem na mesma época as
normalistas–
muitas vezes a cavalo ao caminho das escolas − alicerçando as mentes que
dirigiriam a grande nação.
Creio
que a importância é a mesma. É impossível, em essência, no transcendental
avanço da humanidade, discutir importâncias. O que me intriga é o acaso das
estradas de cada qual. Por que escolhidos alguns para este e outros para aquele
caminhar?Que forças ou poderes determinaram as mãos que movimentariam enxadas e
foices ou as que ditariam sentenças ou as que comprimiriam o giz branco sobre o
quadro negro? Não há dúvida de que são extremos. Se algo pode ser inserido, entre pontos de paralelas, são os destinos humanos.
Concomitantes voos como os das galáxias pareadas.Somente Deus em Suas
entrelinhas para explicar a complexidade dos teatros humanos.
Os que
permaneceram na roça, é provável,não ouviriam o Requien de Mozart. Mas, também, os doutores não veriam o sol
inundar a neblina da madrugada e nem escutariam os estalos dos gravetos a
aquecer a água para o primeiro café. São realidades diferentes, são grandezas
distintas, mas continuo ponderando, intrigando-me com a distribuição de Deus,
com Sua decisão individual sobre os destinos. Resta-me aceitar, pois é evidente
a lógica, a organização da Divindade. Vejam como somos pequenos: um móvel com a
velocidade da luz demoraria cerca de 220 mil anos- luz para atravessar
Andrômeda, a galáxia mais próxima da Via Lactea, em seu maior diâmetro. Fácil,
portanto, gerir destinos entre montanhas ou entre campus de universidades aqui
em nossa terrinha.
Saint Exupery esqueceu-se de levar seu pequeno príncipe aos planetas das escolinhas do interior e aos caboclos descansando sob as sombras dos mexeriqueiros.
Na verdade, somos, por óbvio, seres em extremos na vida e profundamente interligados no universo. Construímos e nos propomos a julgamentos. Num momento,supremos, noutro, ínfimos, diminutos. Num momento marcamos a cristalinidade absoluta, noutro, o absurdo do horror. Assim, fazemos a história, e nela não conheceremos os limites determinantes de que uns são melhores do que outros.
Saint Exupery esqueceu-se de levar seu pequeno príncipe aos planetas das escolinhas do interior e aos caboclos descansando sob as sombras dos mexeriqueiros.
Na verdade, somos, por óbvio, seres em extremos na vida e profundamente interligados no universo. Construímos e nos propomos a julgamentos. Num momento,supremos, noutro, ínfimos, diminutos. Num momento marcamos a cristalinidade absoluta, noutro, o absurdo do horror. Assim, fazemos a história, e nela não conheceremos os limites determinantes de que uns são melhores do que outros.
Um "Halloween" Rosalense
| Ana Maria Silveira |
Tio João
Brasil contava que quando muito jovens, em Rosal, hoje 3º distrito de Bom Jesus
do Itabapoana, primos e amigos se reuniam no final do dia em volta do lampião
de querosene. Ali surgiam todos os tipos de assunto. Por aquela ocasião, alguns
moradores narravam ter visto uma assombração vagando pelo povoado. Era o
assunto do dia.
-Eu que não acredito nisso, diziam uns.
-Sei lá! Tenho muito respeito por
essas coisas...dizia outro.
-Se eu soubesse onde tem uma eu iria lá para
ver...
De repente, esbaforido, chega outro amigo com
o rosto pálido, assustado, dizendo que acabara de ver a
assombração fazendo um barulho danado na porta do cemitério.
A mulherada
se arrepiou de medo.
Os mais
afoitos já foram logo dizendo: vamos para lá!
Um dos
primos estava com um talo enrolado em uma perna quebrada, impossibilitado de
caminhar.
-Pudesse eu andar iria com vocês...
-Por isso, não. Sobe aqui na minha carcunda
que eu te levo.
E assim, lá
se foram eles, para conferir se era mesmo verdadeira a história da assombração.
O amigo que
disse “se eu soubesse onde tem uma iria lá para ver“, foi o único que ficou. Morrendo
de medo.
Os outros
foram. Tio João com o primo nas costas.
Mesmo a lua
nova ajudando estava tudo muito escuro.
Um pouco longe
do cemitério já começaram a ouvir um crooc-croc-croooc-croc assustador. Diminuíram
a velocidade dos passos e caminharam cada vez mais devagar...
Quando se
aproximaram viram que, sentada nos degraus do portão havia uma figura larga de
mulher, com uma cabeleira branca enorme, desgrenhada, fazendo movimentos para
cima e para baixo e emitindo o já ouvido crooc-croc.
Percebendo
as presenças, olhar meio vago, perguntou, numa voz rouca e horripilante:
-Está gordo esse?
Assustado, tio João jogou o primo com a perna
avariada no chão e acompanhou os demais na debandada. Por incrível que pareça,
este primo, capengando, foi o primeiro que chegou em casa.
E a
assombração?
Descobriram que era um casal de velhos que habitualmente ia caçar cabritos soltos pela redondeza.
Descobriram que era um casal de velhos que habitualmente ia caçar cabritos soltos pela redondeza.
A velha
comia amendoim torrado, que pegava de uma vasilha no chão. No escuro e sem
enxergar bem confundiu o vulto dos curiosos com o do marido carregando uma bela
presa.
30/09/2015
Ana Maria
Silveira é filha do ex-governador Badger Silveira
FILOSOFANDO - II
II VI A nossa voz, o falar, A vida é tão suada, O sexo, duas funções: Eu, muito suo da cuca, O prazer das relações, Minha sogra encalacrada Um bebê para ninar. Deve os dentes, e a peruca.
III VII
Há um ditado que diz: Há penas leves demais “Dinheiro em quantidade” Esvoaçam muito, no ar, Nem sempre a felicidade, As penas do meu penar, E jamais terá raiz!” Não voam nunca, jamais!
IV VIII
Quem tem fé vai à igreja, Muito esmola a pobrezinha, Mãos ao céus, a oração, Numa porta, ou portão Sem fé, seja quem seja, A sua roupa branquinha, Não tem de Deus o perdão. Tão rica de coração!
Abril/2015
J. Pais de Moura
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