terça-feira, 20 de outubro de 2015

Camões em Bom Jesus(II)





Pe. Mello veio para Bom Jesus do Itabapoana no dia 18 de junho de 1899. Havia chegado ao Brasil em 1895, quando assumiu a administração da Igreja em Sapucaia (RJ). Em Bom Jesus, estabeleceu as bases de nossa cultura, trazendo, inclusive, livros de Camões, o maior poeta da língua portuguesa, que muito admirava, e cujas poesias estão sendo publicadas em O Norte Fluminense.




Amor é fogo que arde sem se ver

                                                  Luís de Camões


Amor é fogo que arde sem se ver; 
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente; 
É dor que desatina sem doer; 

É um não querer mais que bem querer; 
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente; 
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor; 
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade, 
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

ALMANAK (VIII)


            (Décadas de 1950/1960)


Dados compilados por Balthazar Franco da Silva em 2001
Jardineiros - Wade, que esculpia animais nas árvores do jardim, Papagaio
Jornais e Revistas -  Tico Tico, Gibi, Guri, Globo Juvenil, A Manhã, Correio da Manhã, Jornal do Brasil, Última Hora, Diário de Notícias, O Cruzeiro, A Cigarra, X-9, Revista do Rádio, A Vida Doméstica, Seleções, Fon-Fon, Careta, Eu Sei Tudo, A Voz do Povo, O Norte Fluminense, Diário Carioca
Jornaleiro - Dofinho
Jornalistas - Osório Carneiro, Octacílio de Aquino, José Maria Garcia, Athos Fernandes Monteiro, Esio Martins Bastos
Juiz de Direito - Dr. Amaro Martins de Almeida, Dr. Rubens Silva, Dr. Álvaro Pogi de Figueiredo
Juiz de Paz - Ulisses Vieira de Rezende
Lança perfumes - Rodo Metálica
Lanterneiros - Malvino, Chico da Lata, José da Lata, Rocha
Locutores - Zoelzer Poubel, Freire Júnior (Garoto), Jair Moitinho, Edílio Miranda (Rádio Cultura de Bom Jesus - ZYP 31)
Loteria - Mina de Ouro (Sr. Viana)
Magarefes - Antônio do Matadouro, José Camilo
Máquina de beneficiar arroz - Messias Batista da Silva, Otis Cavichini
Máquina de beneficiar café - Ernesto Saraiva, Jácomo Cavichini
Marador de quadrilha - Didil Medina
Mecânica de autos - Sebastião Margoso, Jorge Jabôr, Chico Mecânico, Nico (Empresa Brasil), Luiz Falcão, Antônio Canico
Mecânico de geladeiras - Áureo Anthero
Mecânico de máquinas - Celso Carneiro Vitório Cassamali
(continua)

domingo, 18 de outubro de 2015

Encontro de Ciclistas contagia Minas Gerais





O 2º Encontro de MTB de São Francisco do Glória (MG), em benefício da Igreja São Francisco de Assis, organizado pelo grupo "Loucos do Pedal", tem atraído, a cada evento, número significativo de ciclistas.
Hoje, o itinerário foi dividido em três modalidades: 15km para os iniciantes, 30km para os intermediários e 50km para o grupo de elite.
Uma ambulância esteve presente em todo o percurso, além de um carro distribuindo água gelada. Caminhonetes também deram apoio disponibilizando lanches e até oxigênio. Ao final, churrasco de porco no rolete, com música ao vivo e sorteio de brindes.
Contatos para os próximos encontros com Kaio Pedrosa, através do seguinte contato: 032/8402-1497 (WhatsApp).


Casamento de Aline e Guilherme




  Casaram-se, no último dia 06 de setembro, na Capela do Colégio Abel, em Icaraí, Niterói (RJ), Aline e Guilherme. A noiva é filha de  José Ronaldo Teixeira de Araújo e de Véra Lucia Gomes de Araújo; o noivo é filho de Lailda Alcântara Buarque de Holanda, todos residentes em Niterói.
    Aline, médica veterinária, é filha de Véra, que estudou  e trabalhou no querido Colégio Rio Branco, como secretária, professora e auxiliar de Direção e de José Ronaldo, também ex-aluno do Colégio Rio Branco, aposentado do Banco do Brasil e filho da tradicional família Baptista de Bom Jesus do Norte.
       Ao casal e a seus pais, nossos cumprimentos!



sábado, 17 de outubro de 2015

ENTRELINHAS





 Norberto Seródio Boechat

                 Inclemente, o  sol do meio dia fustigava e fazia pender as folhas dos eucaliptos. Pássaros se protegiam nas ramagens das mangueiras. Lagartos, nas fendas das pedras, agitavam, inquietos, as cabeças. Eu estava numa das janelas da fazenda do Bonito. No terreirão, a professora fechou a porta da escola após manhã de trabalho. Crianças espalharam-se em algazarra. Separados do grupo, dois meninos com embornais de cadernos e cartilhas não participavam dos folguedos e procuraram logo o caminho para suas casas. À frente, subida íngreme de terra batida, desenhada pela erosão e encrespada de pedras. Cumpriam todos seus destinos.
                Esta visão do passado, ao marcar o momento, deixou a imagem dos dois. Retornavam aos lares lá no alto, entre morros, para a vida rotineira da roça. No restante da tarde ainda ajudariam os pais na faina diária.  No dia seguinte, novamente desceriam e fariam fila para novas lições.
        Os ensinamentos abririam novas oportunidades? Teriam eles a percepção de trilhas a desancar? Entenderiam o trajeto pelas serras como uma possibilidade de investimento em futuro melhor? Ou permaneceriam,tal qual os pais, há gerações plantando e roçando? Não sei. Não acompanhei suas vidas. No entanto, a cena naquele definidor de tempo disparou  o mundo das interrogações, da inquietante análise dos destinos.
                Se por lá ficaram, na serra e nas roças, com foices e enxadas, não seriam tão importantes quanto aos que, tendo buscado novos horizontes,passaram a advogar e a edificar?  Não representariam díspares, mas inseridos destinos no todo?  Não se lhes facultariam iguais reverências pela vida? Alguém tem que plantar. Alguém tem que advogar ou erguer construções.  E sabemos que não há diferença entre os mecanismos de disparos celulares e contrações de músculos que comandam as ações, sejam elas nos que estão no alto da Pedra Branca ou nos que comandam tribunais.
                No mesmo raciocínio, imaginem a magnitude das mulheres que passaram boa parte do século passado, no pós guerra, a cozinhar para manter seus maridos nas lavouras, produzindo o reerguimento do Brasil. Avaliem na mesma época as normalistas– muitas vezes a cavalo ao caminho das escolas − alicerçando as mentes que dirigiriam a grande nação.
                Creio que a importância é a mesma. É impossível, em essência, no transcendental avanço da humanidade, discutir importâncias. O que me intriga é o acaso das estradas de cada qual. Por que escolhidos alguns para este e outros para aquele caminhar?Que forças ou poderes determinaram as mãos que movimentariam enxadas e foices ou as que ditariam sentenças ou as que comprimiriam o giz branco sobre o quadro negro? Não há dúvida de que são extremos. Se algo pode ser inserido, entre pontos de paralelas, são os destinos humanos. Concomitantes voos como os das galáxias pareadas.Somente Deus em Suas entrelinhas para explicar a complexidade dos teatros humanos.
                Os que permaneceram na roça, é provável,não ouviriam o Requien de Mozart. Mas, também, os doutores não veriam o sol inundar a neblina da madrugada e nem escutariam os estalos dos gravetos a aquecer a água para o primeiro café. São realidades diferentes, são grandezas distintas, mas continuo ponderando, intrigando-me com a distribuição de Deus, com Sua decisão individual sobre os destinos. Resta-me aceitar, pois é evidente a lógica, a organização da Divindade. Vejam como somos pequenos: um móvel com a velocidade da luz demoraria cerca de 220 mil anos- luz para atravessar Andrômeda, a galáxia mais próxima da Via Lactea, em seu maior diâmetro. Fácil, portanto, gerir destinos entre montanhas ou entre campus de universidades aqui em nossa terrinha.
                 Saint Exupery esqueceu-se de levar seu pequeno príncipe aos planetas das escolinhas do interior e aos caboclos descansando sob as sombras dos mexeriqueiros. 
                  Na verdade, somos, por óbvio, seres em extremos na vida e profundamente interligados no universo. Construímos e nos propomos a julgamentos. Num momento,supremos, noutro, ínfimos, diminutos. Num momento marcamos a cristalinidade absoluta, noutro, o absurdo do horror. Assim, fazemos a história, e nela não conheceremos os limites determinantes de que uns são melhores do que outros.
               

Um "Halloween" Rosalense


Ana Maria Silveira

 Tio João Brasil contava que quando muito jovens, em Rosal, hoje 3º distrito de Bom Jesus do Itabapoana, primos e amigos se reuniam no final do dia em volta do lampião de querosene. Ali surgiam todos os tipos de assunto. Por aquela ocasião, alguns moradores narravam ter visto uma assombração vagando pelo povoado. Era o assunto do dia.
-Eu que não acredito nisso, diziam uns.
-Sei lá! Tenho muito respeito por essas coisas...dizia outro.
-Se eu soubesse onde tem uma eu iria lá para ver...
 De repente, esbaforido, chega outro amigo com o rosto pálido, assustado, dizendo que acabara de ver a assombração fazendo um barulho danado na porta do cemitério.
A mulherada se arrepiou de medo.
Os mais afoitos já foram logo dizendo: vamos para lá!
Um dos primos estava com um talo enrolado em uma perna quebrada, impossibilitado de caminhar.
-Pudesse eu andar iria com vocês...
-Por isso, não. Sobe aqui na minha carcunda que eu te levo.
E assim, lá se foram eles, para conferir se era mesmo verdadeira a história da assombração.
O amigo que disse “se eu soubesse onde tem uma iria lá para ver“, foi o único que ficou. Morrendo de medo.
Os outros foram. Tio João com o primo nas costas.
Mesmo a lua nova ajudando estava tudo muito escuro.
Um pouco longe do cemitério já começaram a ouvir um crooc-croc-croooc-croc assustador. Diminuíram a velocidade dos passos e caminharam cada vez mais devagar...
Quando se aproximaram viram que, sentada nos degraus do portão havia uma figura larga de mulher, com uma cabeleira branca enorme, desgrenhada, fazendo movimentos para cima e para baixo e emitindo o já ouvido crooc-croc.
Percebendo as presenças, olhar meio vago, perguntou, numa voz rouca e horripilante:
-Está gordo esse?
 Assustado, tio João jogou o primo com a perna avariada no chão e acompanhou os demais na debandada. Por incrível que pareça, este primo, capengando, foi o primeiro que chegou em casa.
E a assombração?
Descobriram que era um casal de velhos que habitualmente ia caçar cabritos soltos pela redondeza.
A velha comia amendoim torrado, que pegava de uma vasilha no chão. No escuro e sem enxergar bem confundiu o vulto dos curiosos com o do marido carregando uma bela presa.

30/09/2015




Ana Maria Silveira é filha do ex-governador Badger Silveira                                    


FILOSOFANDO - II






                                       
           I                                            V                                                                                                              O cérebro comanda a vida,      A cantar, os males espanta,            Das pernas, o andamento,        Nunca consigo cantar,       Coração em movimento,           Nunca afino a garganta,             Do amor é a guarida.                Ficam os males por curar!
       II                                             VI                                                                                                              A nossa voz, o falar,                  A vida é tão suada,                       O sexo, duas funções:               Eu, muito suo da cuca,                 O prazer das relações,              Minha sogra encalacrada            Um bebê para ninar.                 Deve os dentes, e a peruca.
     III                                             VII
Há um ditado que diz:           Há penas leves demais                     “Dinheiro em quantidade”   Esvoaçam muito, no ar,                      Nem sempre a felicidade,     As penas do meu penar,                     E jamais terá raiz!”                Não voam nunca, jamais!
     IV                                              VIII
Quem tem fé vai à igreja,          Muito esmola a pobrezinha,  Mãos ao céus, a oração,            Numa porta, ou portão                Sem fé, seja quem seja,             A sua roupa branquinha,        Não tem de Deus o perdão.       Tão rica de coração!
                                                                                                                       Abril/2015                                 
J. Pais de Moura