sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Produtos orgânicos conquistam público em Bom Jesus





Há sete meses teve início em Bom Jesus do Itabapoana as Feiras Orgânicas, que ocorrem todas as sextas-feiras, das 6h às 11h. Pode-se dizer que esta realidade teve início há alguns anos atrás, através de iniciativa da Fundação do Banco do Brasil, do BNDES e do SEBRAE, que estabeleceram o projeto PAIS (Produção Agroecológica Integrada e Sustentável).

São sete os produtores (três de Varre-Sai e quatro de Bom Jesus) que possuem certificado oficial, que os habilitam a participarem desta feira. 

Antônio Carlos Celebrini, do Sítio Taquara Branca, de Varre-Sai, explica que " esta feira orgânica inclui quatro municípios do Noroeste Fluminense: Bom Jesus, Varre-Sai, Natividade e Porciúncula, sendo organizada por uma associação. Em Natividade, ela ocorre às quartas-feiras e em Varre-Sai, nas tardes das sextas-feiras. Porciúncula ainda está se articulando. Outras associações estão sendo formadas para atuarem nos outros municípios", salienta.

Antônio Carlos Celebrini (boné) e Terezinha de Oliveira Moraes Celebrini: do sítio Taquara Branca, de VarreSai


Segundo Celebrini, ele e os outros dois produtores de Varre-Sai marcam presença nos três municípios onde as feiras ocorrem: " o resultado tem sido bom, devendo ser ressaltado, contudo, que em Bom Jesus o movimento é melhor."

Alessandro Alves dos Santos e Vanessa Silveira, do Sítio Gouveia, de Varre-Sai


Alesssandro  Alves dos Santos, do Sítio Gouveia, de Varre-Sai, assinala, contudo, que observou que "houve uma diminuição do movimento, uma vez que nossa feira não está sendo divulgada pelos apoiadores, como ocorreu no início. Antes a rádio anunciava e, segundo eu soube, parou de divulgar. Mesmo assim, o resultado é positivo para nós", registra.

Simone Borges de Oliveira Santos e José Antônio Santos, da zona rural de Santa Rita do Prata, de Varre-Sai


José Antônio Santos, residente próximo à zona rural de Santa Rita do Prata, em Varre-Sai, é outro que reforça a necessidade de divulgação da feira: "nossas vendas estão boas, mas caso a propaganda retorne a ocorrer, como acontecia antes, mais pessoas poderão visitar as barracas e adquirir produtos de qualidade", pontua.

Fábio José Boniolo, de Valão do Laje, distrito de Carabuçu

O bonjesuense Fábio José Boniolo, da zona rural de Valão do Laje, distrito de Carabuçu, assinala por sua vez que " mal a gente monta a nossa barraca, por volta das 5h, já tem gente nos aguardando e comprando nossa mercadoria. Por volta das 9h, a maioria de nossas mercadorias já foram vendidas. Observo, entretanto,  que há pessoas que não têm consciência sobre a importância do produto orgânico. Há gente que prefere, por exemplo, comprar cebolinha e salsinha na feira tradicional, com preço menor, do que com a gente. Seria importante um trabalho de conscientização." Segundo Fábio, "eu só participo das feiras de Bom Jesus. Há dois produtores de Arraial Novo que não estão aqui porque fornecem produtos para escolas. Outro, de Carabuçu, está com problema familiar"

Darci de Almeida faz questão de consumir "produtos saudáveis"

Cileia Abreu dos Santos é outra frequesa habitual da feira orgânica

Darci de Almeida é um dos fregueses permanentes da feira orgânica: " faço questão de adquirir produtos saudáveis". Ciléia Abreu dos Santos é outra freguesa habitual: "toda a sexta-feira venho aqui comprar produtos de qualidade".


Broa de milho orgânico, de Varre-Sai, é uma das atrações da feira




quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Neto do intendente Cel. Luiz Vieira de Rezende quer história de Bom Jesus no currículo escolar



Guido Nunes Rezende

Guido Rezende, neto do Cel. Luiz Vieira de Rezende, o segundo prefeito de Bom Jesus do Itabapoana, por ocasião de sua 1ª emancipação, ocorrida em 25/12/1890, foi o centro das atenções no salão da Câmara Municipal, no dia 25 de setembro passado, em mais uma noite histórica promovida pelo ILA (Instituto de Letras e Artes dr. José Ronaldo do Canto Cyrillo), dirigido por dra. Nìsia Campos, e que propõe resgatar a história das duas emancipações de nosso município.

Guido Rezende brindou ao público com a rica história de seu avô, assim como da família Rezende, que veio para o Brasil nos idos de 1718.

Ao final, sugeriu que a história de nossas emancipações passem a figurar no currículo escolar de nosso município. 

Segue o discurso.




Dra.Nisia Campos, Presidente do ILA.
Cumprimentando-a estendo meu abraço aos demais componentes desta seleta mesa que a senhora convocou.
Jovens estudantes,
Minhas senhoras e meus senhores.

Fui convidado pela Drª Nísia para falar algumas palavras sobre a nossa primeira emancipação politico-administrativa.
Mas, também, quero dizer sobre a participação que Bom Jesus teve no movimento em prol da Proclamação da República. Para isto, vamos voltar no tempo, no remoto ano de 1718, quando várias famílias vieram de Portugal para o Brasil e dentre elas a família Rezende, da qual faço parte, então representada pelo casal João de Rezende Costa e Helena Maria de Jesus.
Ao desembarcarem no Rio de Janeiro seguiram, nos lombos de animais, para Minas Gerais, mais precisamente para a cidade hoje chamada Prados, situada nas proximidades de Barbacena e São João Del Rey. O casal “João - Helena” organizou ali a sua fazenda e criou seus vários filhos, dentre eles merece o nosso destaque, José de Rezende Costa. Este,  homem feito, após contrair núpcias mudou-se para a cidade que hoje leva seu nome - Rezende Costa - também em Minas Gerais onde estruturou sua fazenda chamada “Campos Gerais”, na qual criou seus filhos. Mas o espirito politico e sempre dinâmico fez com que ele e seu filho mais velho que levou seu nome - José de Rezende Costa - aderissem ao movimento que vocês, alunos, conhecem – o denominadoInconfidência Mineira.
Liderados por Tiradentes, pai e filho participaram de várias reuniões e ações secretas. Era um movimento condenado e perseguido pela Coroa Portuguesa. Tendo em vista o crescimento do número dos inconfidentes, cujos ideais ultrapassaram as fronteiras de Minas Gerais, visando a independência do Brasil, mereceu maior cuidado por parte da Corte.           Começaram as articulações para se descobrir o paradeiro dos inconfidentes. Mas, como sempre acontece, houve um traidor - Joaquim Silvério dos Reis - que estava falido, negociou a entrega dos companheiros em troca do perdão de sua dívida para com  o Governo. E, assim foi feito. Hoje em dia, estamos vivenciando novamente este fato. Porém, a traição sofreu uma nova denominação - Delação Premiada - que nada mais é que uma trairagem desavergonhada, mesquinha, por parte de pessoas que, pelo que a mídia informa, pactuaram de fraudes, desvios de verbas, dentre outros, e vem agora entregar, descaradamente, seus companheiros, em troca de diminuição de suas penas. É pouca vergonha, é falta de ética. Mas, dentre estas delações, cito um homem que, é bom que se diga: não faço parte de seu partido político e nem simpatizo com seus ideais.  Porém, demonstra ser homem, tem ética e, como acompanhei pela internet ele afirmou que prefere morrer na prisão que denunciar seus companheiros. Este homem é José Dirceu. Não se vendeu.     Mas, voltando à Inconfidência Mineira: identificados os homens inconfidentes, todos foram presos e levados para o Rio de Janeiro.
Os “José de Rezende Costa”, pai e filho, estavam na Fazenda dos Campos Gerais, quando foram presos. Saíram com as mãos amarradas com corda e a outra ponta, presa na sela dos animais. Eles foram puxados a pé. Cabeças erguidas, não olharam para trás. Seguiram seus destinos. Do alto da Fazenda estava a esposa de José de Rezende Costa, acompanhando com os olhos seu esposo e seu filho, até sumirem na estrada. Logo após, ela reuniu os demais filhos e ordenou que, enquanto viva fosse, que as janelas da fazenda permanecessem fechadas, em sinal de protesto. E, mesmo após sua morte sua vontade foi cumprida e até hoje permanecem lacradas todas as janelas do casario.
No Rio de Janeiro todos foram julgados. Somente Tiradentes foi enforcado e esquartejado. Os demais foram degredados para a África. Imaginem vocês que, até hoje, quando se fala no continente africano,  logo pensamos em distância. Na época nem se fala.
José Rezende Costa, pai e filho, foram para Cabo Verde. Chegando lá, mercê de suas inteligências e dinamismo, ocuparam cargos de destaque naquele País. Sendo que o filho chegou a galgar o cargo de Governador de uma das províncias. O José Rezende Costa, pai, não suportando a separação de seu País e de sua família veio a falecer. O filho, muitos anos depois teve autorização para voltar ao Brasil, onde, em Minas Gerais, foi nomeado para altos cargos do Tesouro.
Seguindo a história, alguns descendentes mudaram para a cidade de Queluz de Minas, hoje, Conselheiro Lafaiete, onde meus bisavós -Major Luiz Vieira da Silva e Carlota Carolina de Rezende - criaram seus filhos e todos se engajaram nas ações de outro movimento político–a Proclamação da República. Iniciou-se então, por parte dos monarquistas, os atos de repúdio aos  republicanos. Os “Rezende” fugiram de  Queluz  para não serem presos por ordem do Imperador Dom Pedro II. Alguns ficaram em Miraí e os demais em Cataguazes, esta cidade fundada por nossa família - Major Vieira e Capitão José Vieira de Rezende e Silva. Ali participaram de várias reuniões.
Quando mudaram para nossa região, passaram a residir em Calheiros. Meu avô, Coronel Luiz Vieira de Rezende, organizou sua fazenda denominando-a Boa Fortuna. Hoje, já dividida, pertence a Alamir Oliveira, Casemiro Rezende (Zé Vermelinho) e Chico Sgro.
Agora eu quero chegar onde eu disse de nossa participação no movimento pela Proclamação da República. Coronel Luiz Vieira de Rezende se uniu ao grupo liderado por Nilo Peçanha(este mais tarde foi eleito Presidente do Brasil) que promoveu vários encontros nas regiões norte e noroeste de nosso Estado. Em uma dessas reuniões, em Laje do Muriaé, as tropas do Império invadiram o local e houve uma confusão generalizada. Nilo Peçanha conseguiu fugir e se escondeu na Fazenda da Boa Fortuna, ficando por lá cerca de 10 dias.Naquela madrugada as forças do Imperador foram até à fazenda, pois tiveram informações de que Nilo Peçanha ali se encontrava refugiado. Porém meu avô não permitiu que a tropa entrasse em sua fazenda.  Os soldados ficaram na estrada. Apenas o comandante foi autorizado a entrar nos domínios da Boa Fortuna.  Ao sair deslocou a tropa para outras localidades em busca do paradeiro do fugitivo.
Aquela noite, em Laje do Muriaé, ficou conhecida como a Noite das Garrafadas.
Coronel Luiz Vieira de Rezende participou, não só de nossa emancipação, com também da de Itaperuna, que pertencia a Campos. Foi eleito em 10 de maio de 1889 e empossado em 04 de julho de 1889, como vereador da primeira câmara de vereadores do Brasil com maioria republicana, que foi a de Itaperuna. Foi o representante de Bom Jesus do Itabapoana naquele legislativo. Vejam bem, seis meses antes da Proclamação da República, Itaperuna e Bom Jesus do Itabapoana não mais obedeciam ao Império. Defendiam a tese de que o regime imperial não mais atendia às nossas necessidades. Daí lutarem pelo regime republicano.
Mas, a intenção maior de meu avô era a Emancipação do nosso Município. Encontrou apoio em homens idealistas. Dentre eles, merece destaque o Coronel Pedro Gonçalves da Silva Junior (Coronel Pedroca) que se tornou forte aliado da causa graças à sua amizade com o Deputado Leônidas Peixoto de Abreu Lima e com o Governador do Estado do Rio, Francisco Portela. O Presidente do Brasil era  Marechal Deodoro da Fonseca. Assim, em 24 de novembro de 1890, através do Decreto nº 150, deu-se a nossa Primeira Emancipação. Por decisão do Governador Portela a instalação do  Município de Itabapoana aconteceu em 25 de dezembro do mesmo ano, às quatorze horas. O Primeiro Conselho de Intendentes durou de 25 de dezembro de 1890 até 01 de dezembro de 1891. Ficou assim constituído: Coronel Pedro Gonçalves da Silva Junior, Coronel Luiz Vieira de Rezende, Elias Nunes da Silva, Francisco Teixeira de Siqueira, Manoel Antonio de Azevedo Mattos e Joaquim Teixeira de Siqueira Reis. Foi escolhido Secretário do Conselho José Cândido Fragozo. Coronel Pedro Gonçalves da Silva Junior foi eleito, pelos seus pares, para presidir o Conselho, cargo que hoje corresponde ao de Prefeito.
Extinto o Primeiro Conselho de Intendentes, face às renúncias do Presidente Marechal Deodoro da Fonseca e do Governador Francisco Portela, foi empossado o Segundo Conselho de Intendentes, em 07 de janeiro de 1892 , permanecendo até 08 de maio de 1892. Seus membros foram: Coronel Luiz Vieira de Rezende (Presidente), Francisco Boechat, João de Souza Rodrigues, Joaquim Sergio Bastos, João Pedro Lemgruber, Ricardo da Costa Soares e João Candido Fragoso (Secretário). Era Presidente do Brasil o Marechal Floriano Peixoto e Governador do Estado do Rio de Janeiro o Contra Almirante Carlos Baltazar da Silveira.
Com a mudança do governo do estado, assumiu o cargo o Sr. José Thomaz Porciúncula que determinou o fim do “Município de Itabapoana”, através do Decreto nº 01, voltando Bom Jesus a pertencer a Itaperuna como seu 10º Distrito.
Mas o povo se rebelou. Reunido na sede da então Intendência, onde hoje é o Big Hotel, no dia 20 de junho de 1892, resolveram não acatar o decreto e declararam a instalação do Novo Município de Itabapoana”. Para o Conselho foram aclamados os nomes dos senhores: João de Souza Rodrigues (Presidente), Coronel Luiz Vieira de Rezende, José Boechat, João Pedro Lengruber, Carlos de Aquino Xavier, Severino Teixeira de Oliveira e Antonio Simplício de Salles. Para Secretário foi nomeado o cidadão Antonio Antunes de Siqueira. Esta Intendência não era reconhecida oficialmente, porém mostrava ao Governo do Estado do Rio a insatisfação do bonjesuense com a extinção do município. Os atos dos Intendentes encerraram no dia 15 de julho de 1893.
Através do Decreto Lei nº 633, de 14 de dezembro de 1938, deu-se a nossa Segunda Emancipação. O município passou a ter a denominação de Bom Jesus do Itabapoana e foi instalado em 1º de janeiro de 1939. É a nossa definitiva Emancipação.
Quero, encerrando, Drª Nísia, parabenizar pela feliz decisão de, ao completar 20 anos do ILA, trazer para o conhecimento de todos a grandeza de nossos antepassados. Sugeriria até que o tema se tornasse parte do currículo escolar, a fim de que os jovens soubessem de nossa história e se orgulhassem dela.
Muito obrigado e boa noite.

Dra Nìsia Campos





terça-feira, 24 de novembro de 2015

Conferência em Laje do Muriaé indica candidaturas para o Conselho de Cultura




A Secretaria Estadual de Cultura está realizando Prévias de Conferência, para explicar o processo eleitoral do Conselho Estadual de Política Cultural.

A Prévia da Conferência Regional/Noroeste ocorreu no dia 16 de novembro, na Casa da Cultura Dr. Manoel Ligiéro, em Laje do Muriaé (RJ). O encontro do Fórum de Gestores de Cultura do Noroeste contou com a participação da representante da Secretaria de Estado de Cultura, Clarissa Semensato, da Coordenação de Políticas Culturais e Gestores, que destacou a importância da eleição do Conselho. Ela dissertou sobre as Conferências Regionais e o Sistema Estadual de Cultura entre outros pontos relevantes, estabelecendo um diálogo construtivo onde foram esclarecidas dúvidas dos participantes. Os gestores foram recebidos pelo Secretário Municipal de Cultura e pela Diretora da Casa da Cultura, Maria Beatriz Silva.



Marcaram presença o Presidente do Fórum de Cultura do Noroeste (RJ), e Secretário Municipal de Cultura e Turismo de Miracema, Carlos Eduardo Fíngolo Tostes, além dos gestores das Secretarias de Cultura de Itaperuna, Miracema, Varre-Sai, Santo Antônio de Pádua, Aperibé, Bom Jesus do Itabapoana, Porciúncula e São José de Ubá. 

Durante a Prévia, Carlos Eduardo Fíngolo Tostes foi indicado pelos gestores presentes para a candidatura de representante da Região Noroeste para integrar o Conselho Estadual de Política Cultural (CEPC). Maria Beatriz Silva foi indicada, por sua vez, como representante suplente.

O município de MIracema será anfitrião para a Conferência que elegerá  os representantes da sociedade civil no Conselho Estadual de Política Cultural do Noroeste. A eleição ocorrerá no dia 27 de novembro, das 16h às 21h, no Auditório do Centro Cultural Melchiades Cardoso, Praça Ary Parreiras, nº 156, centro. É importante a participação de um número significativo de agentes culturais para que se possa promover a celebração deste momento importante da cultura fluminense.





As eleições fazem parte do processo de estruturação do CEPC, peça integrante do Sistema Estadual de Cultura, instituído recentemente em julho, com a aprovação da Lei Estadual de Cultura.

Ao todo, serão feitas 10 conferências para a escolha dos representantes do CEPC.  Esse conselho será composto por 16 membros titulares e seus respectivos suplentes, indicados pela Secretaria de Estado de Cultura (SEC), mais 16 membros titulares e seus respectivos suplentes, representantes da Sociedade Civil. Destes, um membro titular e um suplente de cada uma das 10 regiões do estado serão eleitos nestas conferências regionais.

(fotos e texto enviados pelo Centro Cultural Maria Beatriz, de Laje do Muriaé/RJ)




ATUAÇÃO DE MARIA BEATRIZ  É RECONHECIDA

A atuação em favor da cultura, de Maria Beatriz Silva, presidenta do Centro Cultural Maria Beatriz e diretora da Casa de Cultura de Laje do Muriaé (RJ) foi reconhecida pelos participantes da Prévia da Conferência Regional/Noroeste, que indicaram seu nome para concorrer a representante suplente de Carlos Eduardo Fíngolo Toste, de Miracema, no Conselho Estadual de Política Cultural. A suplência constitui cargo relevante, que exige perfeita sintonia com o titular, que nem sempre poderá se fazer presente nas reuniões deliberativas. A eleição ocorrerá no próximo dia 27 em Miracema. 


Prévia da Conferência Regional/Noroeste indicou Maria Beatriz para concorrer ao importante cargo de representante suplente no Conselho Estadual de Política Cultural 

OS DESAFIOS URGENTES PARA A CULTURA EM BOM JESUS DO ITABAPOANA


Espera-se que o Sistema Estadual de Cultura possa apoiar Bom Jesus, de modo imediato, nos seguintes itens:

1) CASA DA FARINHA (Prédio do século XIX)


Uma parede da Casa da Farinha, do século XIX, que pertenceu a Antônio Ignácio, o avô dos governadores Roberto e Badger Silveira, foi ao chão após forte tempestade


Uma das paredes da Casa da Farinha, prédio do século XIX, veio a baixo após a última tempestadade ocorrida há dias atrás, tornando-se necessária a intervenção imediata para sua preservação.

A Casa da Farinha pertenceu a Antônio Ignácio, avô dos governadores Roberto e Badger Silveira, que teve atuação importante na luta pela primeira emancipação de nosso município, ocorrida no dia 25 de dezembro de 1890.






                                                           Como era o prédio antes da tempestade



2) PRÉDIO DO TEATRO CINEMA CONCHITA DE MORAES




 Teatro Cinema Conchita de Moraes


O Teatro Cinema Conchita de Moraes, localizado na Usina Santa Maria, foi edificado na década de 1950 pelos irmãos Pereira Pinto. Por ele atuaram nomes consagrados nacionalmente como Orlando Silva e Ellen de Lima.

A comunidade almeja o restabelecimento do mesmo para que possa ser mola propulsora de desenvolvimento cultural e econômico.

É necessária intervenção imediata do Poder Público para preservar o prédio e fomentar o desenvolvimento cultural e econômico da região.




Teatro Cinema Conchita de Moraes


3) PRÉDIO DA SEDE SOCIAL DO USINA SANTA ISABEL F.C.



A sede social do Usina Santa Isabel F.C. possui em suas paredes pinturas do artista plástico Délio Porto, realizadas na década de 1960, retratando a vida da comunidade.

Somente a restauração imediata do prédio poderá preservar esta obra de arte, propiciando também o ponto de partida para o ressurgimento de atividades culturais e econômicas na comunidade.







4) FORNO INDÍGENA NO DISTRITO DE CALHEIROS




                                                                              Foto de 1998
Foto de 1998
                                                                               Foto de 1998

                       


O professor Ondemar Dias participou do PRONAPA (Programa Nacional de Pesquisas Arqueológicas), em 1968, que objetivava fazer um levantamento do patrimônio arqueológico no Brasil. Ele fez apontamentos sobre este forno existente no distrito de Calheiros, em nosso município.

Texto científico intitulado "Notícias preliminares sobre o programa arqueológico do Norte Fluminense", de Alfredo A.C. Mendonça de Souza, do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural e do ISCB, e de César Augusto Lotufo, Joel Coelho de Souza e Murilo Osmar Coelho de Souza, do Centro de Estudos e Pesquisas em Arqueologia Analítica/ISCB-RJ emitiu em 1982 um comunicado à "comunidade científica" sobre os "primeiros resultados colhidos".

Texto preservado no Arquivo do Museu da História Natural, vol. VIII/IX, refere-se ao Forno Indígena de Bom Jesus do Itabapoana  (Acervo da dra. Simonne Teixeira)


Ali é destacado o "Forno Indígena (Bom Jesus do Itabapoana)" que "é uma construção do período colonial, provavelmente destinada à queima de cerâmica, ainda com muitos cacos nas suas proximidades, e que foi descoberto acidentalmente, quando da realização de obras na estrada".


Posteriormente, uma máquina passou sobre o forno, danificando a parte externa e cobrindo o mesmo. É necessário um trabalho para que se possa verificar se a parte interna do forno foi preservada e, assim, preservar este patrimônio histórico e cultural.


                                                                         Foto de 2014
Dra. Simonne Teixeira e seu retorno a Calheiros, 16 anos depois: destruição parcial do forno colonial

Simonne Teixeira, Doutora em História e Doutora em Filosofia e Letras pela Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha, é especialista em arqueologia pela UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense).


Segundo Simonne, "em 1998, eu tive acesso a este registro e fiz questão de vir a Calheiros, e constatei que se tratava de um forno colonial, do século XIX, de importante valor histórico. Na época, as pessoas diziam que jogavam entulhos e vidros dentro do forno, pois temiam que as crianças se machucassem brincando dentro do buraco", assinalou.

Segundo dra. Simonne, "ao retornar a Calheiros, verifico, contudo, que uma parte superior foi destruída e assoreada. É possível, contudo, que a parte do subsolo deste forno esteja intacta, especialmente a câmara de combustão, onde ficavam as peças. Teria de ser feito um trabalho para identificar isso", assinalou.

Segundo dra. Simonne, "nenhuma olaria no estado é parecida como esta. Em Itaocara encontrei 3 fornos coloniais e, lamentavelmente, um proprietário passou com o trator em cima de um deles, destruindo-o totalmente".

Os fornos realizam queima redutora quando o ambiente é fechado. A queima é oxidante, quando é feita em ambiente aberto, que é o caso do forno de Calheiros.

O tipo de forno daqui indica que se trata de uma construção colonial, uma vez que os indígenas não tinham conhecimento para edificá-lo. A cerâmica nasce da necessidade de se construir louças, tijolos e potes de barro para transportar água. A proximidade do rio faz com que o barro seja farto.

Em Itaocara, os frades capuchinhos foram os primeiros a estabeleceram estes fornos e utilizavam os índios puris para cortarem as madeiras e fazerem balsas, uma vez que estes possuíam habilidades nestes ofícios. Isso ocorreu na região do Itabapoana, do Muriaé, do Paraíba e da Zona da Mata", explica. 


Dra. Simonne lamenta que não haja no Estado e no município política para valorizar este patrimônio. Disse ela que "temos que valorizar os casarões e as Igrejas, mas valorizar também o trabalho que existiu na sociedade escravocrata. Patrimônio cultural é tudo isso. É importante frisar que tudo o que há debaixo da terra é propriedade da União e destruir objeto arqueológico constitui crime inafiançável".

Dra Simonne finaliza: "É relevante, ainda, ir nas escolas e ensinar as crianças a preservarem o patrimônio material e imaterial. Tudo tem que começar desde criança. Se isso não ocorrer, os adultos não valorizarão este patrimônio. É o que eu chamo de alfabetização cultural".



Dra Simonne estudou fornos indígenas e coloniais do Brasil



















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