terça-feira, 26 de abril de 2016

DR. JOSÉ SILVEIRA (um depoimento pessoal)


Francisco Verdan Corrêa Neto



Por volta de 1939, chegou a São José de Ubá o médico Dr. José Silveira, era o primeiro médico da localidade. Recém formado, trazia consigo um termômetro, um estetoscópio e um aparelho para medir a pressão arterial, e muita vontade de trabalhar.

Uma senhora viúva - Dª Bajuta, filha de libaneses - lhe alugou parte da sua casa para moradia e instalação do seu consultório: a sala dela passou a ser a sala de espera do consultório, um quarto ao lado foi convertido no consultório propriamente dito. Outro cômodo passou a ser o quarto de dormir do Dr. José Silveira, e Dª Bajuta lhe proporcionou também as refeições. Acomodações  bem espartanas.

O Dr. José Silveira arranjou um pedaço de tábua e ele mesmo ali pintou "Consultório Médico" e a afixou à janela do seu improvisado consultório.

A notícia se espalhou. São José de Ubá nunca tivera um médico, apenas um farmacêutico, e os clientes começaram a chegar; uns pagavam  com galinhas, outros com ovos, outros com produtos de roça... A falta de dinheiro para consultas não era obstáculo para atendimento. Quem ficou mais feliz foi o farmacêutico, pois sua drogaria cresceu potencialmente.

Poucas semanas depois a esposa de um fazendeiro estava muito mal, e ele mandou alguém a cavalo levando outro cavalo arreado, chamar o Dr. José Silveira. Assim este chegou à fazenda, examinou a doente, escreveu uma receita (que deve ter assustado o farmacêutico) e determinou fosse ela imediatamente aviada em São José de Ubá), que acordasse o farmacêutico e que não retornasse o portador sem os remédios. Telefone não havia. Pagamento, depois.

Isso demoraria algumas horas, e enquanto aguardava, o Dr. José Silveira fez-se de enfermeiro e foi tomando outras providências urgentes.

Quando os remédios chegaram, o Dr. José Silveira passou o resto da noite controlando o tratamento, e só depois a sair no dia seguinte quando a paciente demonstrou reais melhoras, com a recomendação de aparecer dias depois no consultório.

Então a surpresa: O fazendeiro em pagamento lhe ofereceu o cavalo (aquele que o conduzira na véspera) arreado, para que o Dr. José Silveira pudesse atender a sua clientela a domicilio. E o Dr. Silveira passou a ser um "santo milagreiro".

Dias depois uma pessoa estava castrando porcos numa casa ao lado, e lá estava o Dr. Silveira observando a operação. Depois de vir castrar um macho e uma fêmea, ele disse: " Agora é comigo!" e ele começou a castrar outros e outras, sob a admiração dos presentes e de quantos ou vários a história (onde já se via um médico castrando porco!?). E ele era veterinário também.

Naqueles tempos eu tinha uns 8 anos e morava na zona rural do alto Cubatão (Município de Itaperuna), a uns 500 m da divisa com São José de Ubá. Da minha casa a São José de Ubá são 9 km e para Itaperuna 15 Km. Isto posto, em toda aquela região fronteiriça tudo se fazia em São José de Ubá: registro de nascimento, batizados, casamentos, sepultamentos e pequenas vendas e compras (galinhas, ovos, sal, querosene, aviamentos de costura, minha mãe era costureira, roupas etc.).

Em Itaperuna só a venda de colheita, banco e compras de vulto.

Naqueles dias, a minha irmã Dalva estava com 2 anos e adoeceu gravemente. Os remédios caseiros e os de 3 farmacêuticos (Osvaldo Natividade, do Limoeiro, Rui Leite, do Toiama e o farmacêutico de São José de Ubá) nada resolviam, parecia que o óbito era certo.

Foi quando apareceu em São José de Ubá o Dr. José Silveira. Durante meses ele visitou a nossa casa para cuidar de minha irmã. Foi a primeira vez que ouvimos falar em sulfa, que curou a minha irmã.

Por volta de 1950 o Dr. José Silveira mudou-se para o Paraná. O resto é história.

Creio que pouca gente ficou sabendo o seu nome completo.

São José de Ubá ainda não resgatou a dívida que tem com o seu primeiro médico: a perpetuação do seu nome numa rua da atual cidade de São José de Ubá, rua Dr. José Teixeira da Silveira. 




Zequinha Silveira 

Nota de O Norte Fluminense: José Teixeira da Silveira, por ocasião da internação de seu irmão, o ex-governador Roberto Silveira, foi incansável na prestação de cuidados ao mesmo. 

Casou-se com Auta Silveira, tendo os seguintes filhos:

1) Heleno José da Silveira, advogado, médico e fazendeiro. Faleceu ainda jovem deixando dois filhos: Ana Caroline Milhomem Silveira, com 20 anos de idade, e Caio Milhomem da Silveira, com 12 anos. Sua mulher: Renata Milhomem;

2) Herval José da Silveira, médico casado com Diane de Lima Silveira, médica, com dois filhos: Herval José da Silveira Filho, médico, e Bruna de Lima Silveira;


3) Roberto da Silveira Sobrinho, médico.

Biografia resumida de Zequinha Silveira



José Teixeira da Silveira foi vereador, deputado estadual, deputado federal pelo Paraná e primeiro prefeito do município de Nova Esperança (PR)

 José Teixeira da Silveira, filho de Boanerges Borges da Silveira e Maria do Carmo Teixeira da Silveira, a Biluca, e irmão dos ex-governadores  Roberto e Badger Silveira,  nasceu, no Sítio Rio Preto, Calheiros, Bom Jesus do Itabapoana, no dia 15 de agosto de 1918.
 
Estudou na Escola Municipal da Barra do Pirapetinga, com a professora Olga Ebendinger. Posteriormente, estudou com a professora Amália Teixeira e no Colégio Rio Branco, em nossa cidade.

Cursou medicina na Faculdade Fluminense de Medicina a partir de 1943. Foi vereador entre 1935 e 1937, no município de Cambuci (RJ). Exerceu, ainda, o mandato de vereador, entre 1947 e1951, no município paranaense de Mandaguari.
Foi eleito o primeiro prefeito de Nova Esperança (PR), cargo que exerceu entre 1951 e 1954. Foi eleito, ainda pelo Paraná, deputado estadual, cargo que ocupou entre 1955 e 1959 e deputado federal, cargo que exerceu até 1963, ocasião em que abandonou a vida política, em decorrência da morte de seu irmão Roberto Silveira, em atentado ocorrido no dia 28 de fevereiro de 1962. 

Zequinha Silveira, assim como seus irmãos, foi fruto de educação esmerada de seus pais Boanerges e Biluca. Foi um homem, tal qual seus irmãos, que soube conciliar a dedicação à família, com a vida devotada à construção da família da humanidade. Faleceu no dia 16 de agosto de 2009, mas permanece presente na memória e no coração de todos os que acreditam na construção de um mundo diferente.

UMA CORRESPONDÊNCIA DE ZEQUINHA SILVEIRA PARA LUCIANO BASTOS, ADVOGADO, DIRETOR DO COLÉGIO RIO BRANCO, MEMORIALISTA



Edição de O Norte Fluminense, de agosto de 2002

Em 2001, Zequinha Silveira, ex-deputado federal pelo Paraná, e um dos mais brilhantes irmãos da Silveirada, como costumava ser chamada a reunião dos irmãos Roberto, Badger, Zequinha, Dinah e Maria da Penha Silveira, enviou correspondência para Luciano Bastos, diretor do jornal O Norte Fluminense e do antigo Colégio Rio Branco, informando sua biografia.



Ali, ele confirma que nasceu em Calheiros, na época conhecida como Santo Antônio do Rio Preto, narrando fatos relevantes de sua vida.

O bonjesuense Zequinha Silveira é, como toda a Silveirada, um exemplo de que uma política diferente é possível.






José Teixeira da Silveira foi vereador, deputado estadual, deputado federal pelo Paraná e primeiro prefeito do município de Nova Esperança (PR)

ZEQUINHA SILVEIRA VIVE!




 

 





















domingo, 24 de abril de 2016

EMPOLGAÇÃO COM O MEMORIAL GOVERNADORES ROBERTO E BADGER SILVEIRA




A cada semana, o sonho da inauguração do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira se fortalece, com o prosseguimento da obra e dos preparativos para a data histórica.


Os 50m2 iniciais de construção estão adiantados, tudo indicando que a laje possa ser batida na primeira semana do mês de maio.



O clima é de empolgação, com a certeza de que o Memorial constituirá importante local de desenvolvimento cultural para a região, uma vez que se trata de resgatar uma das histórias mais lindas de nosso país, protagonizada pela família Silveira.


A Associação dos Amigos do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira espera continuar recebendo o apoio de todos. Na oportunidade, a entidade agradece o apoio de Badger Silveira, filho do ex-governador, de Wilma Martins Teixeira Coutinho, que trabalhou nos governos de Roberto e Badger Silveira, e mais outras personalidades que colaboraram financeiramente com  a obra, permitindo o pagamento do pedreiro e ajudantes. Agradece, ainda, a ajuda financeira de Francisco de Assis Borges e Gino Martins Borges Bastos. Por fim, agradece o apoio na doação de material de construção por parte de  Alessandro Nunes, Eraldo Saloto, José Francisco Mascarenhas e Gino Martins Borges Bastos.


 O Memorial, cuja planta foi elaborada pelo engenheiro Paulo Sérgio do Canto Cyrillo, foi inspirado, por sua vez, num palacete onde restou instalado, na década de 1940, o Fórum de nosso município. Foi neste Fórum que Boanerges Borges da Silveira, pai dos governadores, teve importante atividade, sendo o primeiro advogado a atuar em um júri em Bom Jesus.



A Associação dos Amigos do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira espera continuar contando com o contínuo apoio, para que possa permanecer adquirindo o material de construção necessário para a finalização da obra, que constituirá em importante local de desenvolvimento cultural. 




A planta do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira
 
Apoios e contato para a construção da parte baixa do Memorial com Cintia de Oliveira Santos. As contribuições financeiras devem ser informadas por e-mail, para identificação do colaborador e para fins de registro do nome em placa que será fixada por ocasião da inauguração do Memorial.

(cinttianunes@gmail.com e 022-999989395)

Conta Corrente:
Ag:0178
CC:24328-8
Caixa Econômica Federal











FAÇA PARTE DESTA HISTÓRIA!

COLABORE COM UM DOS ITENS ABAIXO PARA A EDIFICAÇÃO DA PARTE BAIXA DO MEMORIAL


a)     84 vergalhão 4.2

b)    420 vergalhão ¼

c)     100 vergalhão 3/8

d)    24 vergalhão  ½

e)     10 vergalhão 5/8

f)      20 kg arame 18

g)     10 kg prego 18/30

h)    150 taipá

i)       350 sacos de cimento

j)       5.000 lajotas

k)    40 m3 areia lavada

l)       40m3  brita







Roberto e Badger Silveira vivem!



















sexta-feira, 22 de abril de 2016

HONRA E GLÓRIA AOS IRMÃOS PEREIRA PINTO (III)




Time do Santa Maria Futebol Clube, tricampeão em 1959, 1960 e 1961. Ao centro, Jorge Pereira Pinto (acervo de Eduardo Rosa)

"Operário meu não passa fome e nem anda de chinelo", costumava dizer Jorge Pereira Pinto ( "Quem quebrou a casa de meu pai?", p.20).


Santa Maria F.C.,campeão municipal em 1953, recebeu homenagens e prêmios do Senador José Carlos Pereira Pinto
("De Campos aos Fluminenses")


O dinamismo de Jorge Pereira Pinto foi ressaltado em "Quem quebrou a casa de meu pai?): "Quando comprou Santa Isabel, a fazenda era pequena, com muita pouca produção. Para fabricar 15 mil sacos levava um ano. Agora fabrica 120 mil em seis meses" (p.32).


Mil e quinhentos trabalhadores, das Usinas de Santa Maria e de Santa Isabel se confraternizam, no Dia dos Trabalhadores, com a presença de uma embaixada do Lóide Brasileiro
("De Campos aos Fluminenses")


Dia de festa no interior da fábrica da Usina Santa Maria
 ("Quem quebrou a casa de meu pai?")



A respeito de Jorge Pereira Pinto, Domar Campos, economista do Banco Central, professor de Economia Política do Instituto Superior de Estudos Brasileiros - ISEB; jornalista (redator do Jornal do Brasil, do Última Hora e de O Globo), assinalou, no livro "Quem quebrou a casa de meu pai?":

"Bom Jesus do Itabapoana foi uma região rica do estado do Rio de Janeiro, particularmente por ter sido centro de economia açucareira e, também, por estar situada na fronteira com o Estado do Espírito Santo.

A estrutura, ao mesmo tempo familiar e de importância econômica, teria que vir a ser caracterizada pela permanência do estilo patriarcal tradicional da família brasileira. Os patriarcas foram surgindo até nossos dias. Tive a aventura de vir a conhecer e estabelecer amizade com um desses patriarcas: Jorge Pereira Pinto. Uma personalidade que conciliava o patriarcalismo com a modernidade, com  muito equilíbrio.  

O patriarca Pereira Pinto unia tradição e modernidade com perfeito equilíbrio, um dos pontos altos da evolução política e social que consolidaram a estrutura atual da política sócio-econômica do Brasil.

Fizemos uma boa camaradagem desde os primeiros momentos e chegamos a alguma intimidade. Tive a oportunidade de apreciar a graça analística do Senhor Jorge.

Nessas ocasiões, ele lembrava um conto de Machado de Assis, em que a personagem por ele criado, lendo o diário do seu tio Joaquim, referia-se sem reservas aos defeitos e às virtudes dos seus parentes mais próximos: " Ora, o tio Joaquim!" Eu ficava também surpreendido "Ora, o velho Jorge!" Que espírito crítico, sem mágoa, nada conservador, discreto e delicadamente malicioso...
É sempre o que vem a mente quando converso com parentes ou amigos da família Pereira Pinto, como o Antonio Carlos, meu amigo de longa data. esqueço os episódios, os altos e baixos da economia açucareira, não obstante reconhecendo a sua importância para o estado do Rio e para o Brasil. Lembro sempre a história do tio Joaquim e concluo: "Ora, o velho Jorge!"  


Getúlio Vargas, por sua vez, se referiu a José Carlos Pereira Pinto, nos seguintes termos:

"O usineiro que constrói uma obra como esta valoriza a sua terra e se faz credor da sua admiração eternamente"


Sylvio Fontoura, o criador do 1º jornal de Bom Jesus do Itabapoana, em 1906, intitulado "Itabapoana", escreveu a respeito de José Carlos Pereira Pinto, em 8 de novembro de 1918, no jornal campista A NOTÍCIA:

" Não podemos deixar de levar hoje os nossos aplausos aos organizadores das Cozinha Popular, dentre eles destacando-se o sr. José Carlos Pereira Pinto, que não só na cozinha, mas em todos os misteres da Cruz Branca vai prestando os mais relevantes serviços. Sempre na vanguarda de todos os empreendimentos, este cavalheiro não tem poupado esforços  trabalhando até alta noite, a todos atendendo com a maior solicitude, merecendo sem nenhuma dúvida os nossos mais francos aplausos e a bênção da pobreza. Deixando os afazeres, tudo abandonando, trata hoje exclusivamente dos interesses da Cruz Branca, ou seja dito - dos interesses da pobreza. Nos tempos que correm, dificilmente encontramos cavalheiro desta têmpera que, sem nenhum interesse oculto, se põe intensamente ao serviço de uma população, sem nenhuma recompensa, apenas com o fito de fazer o bem à pobreza. A este cidadão, pois, os nossos mais francos aplausos".  

Padre Mello compôs, por sua vez, uma poesia dedicada ao Senador:
 

ACRÓSTICO

         Soneto e oitava

Justíssimo é que Bom Jesus, em cheio,
O leve às urnas e que o veja eleito
Senador Federal, e deste jeito,
Ele verá que vive neste meio.

Católico sincero, sem receio
Afirma sua crença, e com respeito,
Reconhece no mais igual direito,
Lá dos próprios domínios bem no seio.

O povo fluminense e qualquer povo
Sabe quanto lhe deve a sociedade
Pelo de Campos edifício novo

Em que não só os filhos da cidade
Refúgio encontram mas dos arredores
Encontrarão também remédio às dores.    

   ______________________

Irmãos seus consideram os pobrezinhos
Repartindo com eles do seu cofre
Abundantes esmolas e carinhos.
Pensa na sorte de quem dores sofre,
Institui hospital, escolas cria.
No templo a reza, jogos no recinto;
Tudo para que vivam na alegria
Onde achar outro José Carlos Pinto?!...

(1945)    Padre Mello

Bom Jesus do Itabapoana




Por fim, a obra " De Campos aos Fluminenses" menciona, entre outras menções ao Senador, a seguinte, proferida em 11 de março de 1944, no Serviço de Difusão da A.I.C: "O nome de José Carlos Pereira Pinto transpôs os umbrais da posteridade".

terça-feira, 19 de abril de 2016

PEDRO GONÇALVES DA SILVA JR E A ALMA BONJESUENSE





Pedro Gonçalves da Silva Jr. nasceu em Campos dos Goytacazes no dia 27/03/1860 e faleceu em Bom Jesus do Itabapoana no dia 08/09/1932.

Conhecido como Coronel Pedroca, foi o primeiro prefeito de nosso município por ocasião de nossa primeira emancipação, ocorrida no dia 25/12/1890.

Segundo o livro ROBERTO SILVEIRA, A PEDRA E O FOGO, de José Sérgio Rocha, Boanerges Borges da Silveira, o pai dos governadores Roberto e Badger Silveira, aprendeu com ele as artimanhas da política interior. 


Badger Silveira, pai dos governadores Roberto e Badger, aprendeu as manhas da política interiorana com Pedro Gonçalves da Silva Jr.


Essa aprendizagem foi transmitida por Boanerges  aos filhos, incluindo Zequinha, um político destacado no Paraná, exercendo os cargos de deputado federal, estadual e primeiro prefeito de Nova Esperança. 

Segundo o livro, Boanerges, quando vivia em Calheiros, possuía uma casa a dois passos da Farmácia Normal, de propriedade do Coronel Pedroca, com quem sempre mantinha contato.

Boanerges Borges da Silveira tinha residência em Bom Jesus, ao lado da Farmácia Normal, de propriedade de Pedro Gonçalves da Silva Jr., o Cel. Pedroca


De acordo com Maria Apparecida Viestel, neta de Pedro Gonçalves da Silva Jr., "foi o médico Leônidas Peixoto de Abreu Lima, que morava em Bom Jesus, quem convidou meu avô, que residia em Campos dos Goytacazes (RJ), para fixar-se em nosso município, uma vez que havia amizade entre ambas as famílias. Meu avô era muito jovem, na época, contando com apenas 20 anos de idade, mas se formara na Faculdade de Farmácia em Campos. Por aqui, Manoel Camargo possuía uma farmácia chamada Normal, que desejava vender. Meu bisavô, Pedro Gonçalves da Silva, que era vereador naquela cidade fluminense, emprestou dinheiro para que seu filho adquirisse o empreendimento. Pouco depois, ocorreu seu falecimento. Dessa forma, meu avô mudou-se para Bom Jesus, em 1880, juntamente com a mãe, Maria da Costa e Silva e a irmã, viúva, Maria Cecília Lopes da Costa, que foi genitora do General Fernando Lopes da Costa, que dá nome ao Estádio do Olympico FC".



Maria Apparecida Dutra Viestel: ícone da história de Bom Jesus

Prossegue Maria Apparecida: "Na mudança, meu avô trouxe muitos livros para nosso município.
Ocorre que, posteriormente, o dr. Abreu Lima se elegeu deputado estadual e teve de mudar-se de Bom Jesus. Graças à amizade do dr. Abreu Lima com Francisco Portela, que tornou-se governador do estado do Rio de Janeiro após a implantação da República, Bom Jesus emancipou-se em 25/12/1890, sendo meu avô nomeado prefeito (presidente da Intendência) também por influência do dr. Abreu Lima.

Após o fim de nossa emancipação, em 08/05/1892, Cel. Pedroca, que não tinha contato com o novo governador, Tomás Porciúncula, preferiu limitar-se a manter sua liderança local. Trouxe para Bom Jesus, em 1906, Sylvio Fontoura, de Campos, para fundar o 1º jornal de nosso município intitulado ITABAPOANA, que era o nome de nossa circunscrição na época da 1ª autonomia.  O nome do jornal apontava também para a luta de meu avô pela nova emancipação, que não pôde assistir, uma vez que faleceu cerca de seis anos antes. 


Cel. Pedroca apoiou ainda a instalação do Centro Operário, dirigido por Sylvio Fontoura, onde foram estabelecidos uma biblioteca e um grupo de teatro. Ele sempre pensava em suprir a necessidade da população em ter cultura e divertimento. 


Recordo-me, aliás, de Sylvio Fontoura em uma palestra memorável no Colégio Rio Branco, por ocasião de uma reunião do Grêmio Literário, a convite de Dona Carmita, a famosa diretora do estabelecimento. As reuniões promovidas pelo Grêmio costumavam ser bastante culturais, incluindo declamação de poesias. Lembro-me que Sylvio Fontoura elogiou os alunos pela apresentação.

Meu avô trouxe para nosso município, também, o primeiro cinema de Bom Jesus, o CINE BOM JESUS, localizado, na época, entre as ruas 15 de Novembro de Expedicionário Paulo Moreira. Juntamente com o cinema, trouxe uma pianola, que tocava músicas automaticamente quando se passavam os filmes mudos. Meu avô trouxe, ainda, uma professora de piano, que deu lições para suas filhas e para outras pessoas interessadas.

Foi graças à atuação de meu avô que o Grupo Escolar Pereira Passos se instalou onde atualmente está localizado o Big Hotel. Por outro lado, sua filha, Maria Gonçalves da Silva, estabeleceu uma escola localizada na atual rua Gonçalves da Silva.


Meu avô atuava, também, como um médico, na ausência de um. Por este motivo, fez muitas amizades e havia a gratidão por muitas famílias. Ele assinava revistas de medicina e estava sempre atualizado nos assuntos da área.

A Farmácia Normal era um local de encontro de intelectuais, frequentado por, entre outros, Padre Mello e Octacílio de Aquino. Ele era amigo de Padre Mello, embora divergissem sobre alguns temas.

A residência de meu avô foi estabelecida no local onde tinha sido edificada uma das três primeiras residências de Bom Jesus, nos idos da década de 1840, e que fora construída pelo alferes Silva Pinto. Na década de 1920, meu avô reformou-a, transformando-a em um sobrado onde consta o ano de sua conclusão: 1921
".

A atuação de Pedro Gonçalves da Silva Jr. em Bom Jesus do Itabapoana permite constatar, portanto, sua relevância - e também do médico dr. Leônidas Peixoto de Abreu Lima - para nosso município, não apenas por ter sido o primeiro prefeito por ocasião de sua primeira emancipação, mas por ter sido um homo universalis, formador da alma bonjesuense.


DOIS ANOS DA ENTREVISTA HISTÓRICA COM A VIÚVA DE ROBERTO SILVEIRA



A entrevista histórica ocorreu na sala da residência de Merhige Hanna Saad e Alzira Sauma Saad







Preciosidade arquitetônica da Praça Governador Portela foi preservada por Merhige Hanna Saad: aqui foi, também, sede do governo do Estado em 1959 e 1960


ENTREVISTA HISTÓRICA COM A VIÚVA DO EX-GOVERNADOR ROBERTO SILVEIRA




Ismélia Saad Silveira e a foto com Roberto Silveira na residência em Bom Jesus do Itabapoana




O NORTE FLUMINENSE realizou, no dia 19 de abril de 2014, em pleno sábado de Páscoa, entrevista filmada com Ismélia Saad Silveira, a viúva do ex-governador Roberto Silveira. O vídeo histórico, com mais de uma hora de duração, integrará o acervo do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira. 



  O local da entrevista foi a bela residência onde residiu o médico niteroiense Emmanuel Pereira das Neves e que, posteriormente, foi reformada pelo libanês Merhige Hanna Saad, pai de Ismélia, na década de 1950.


Este prédio foi sede do governo do Estado nos anos de 1959 e 1960, pelo período de uma semana, por ocasião da Festa de Agosto, quando o governador Roberto Silveira vinha a Bom Jesus do Itabapoana trazendo toda a sua comitiva.

Acompanharam a entrevista as irmãs Marian Saad Sauma e  Maria Cristina Saad Gomes, além de Olga Borges Saad, viúva de José Antônio Saad.

A entrevista para o nosso jornal foi realizada, posteriormente, via e-mail e telefone.

Ismélia Saad Silveira teve 3 filhos com o Governador Roberto Silveira: Jorge Roberto, quatro vezes Prefeito de Niterói; Dôra, museóloga e historiadora; e Márcia, socióloga. Jorge é casado com Cristina Ramalho Silveira com quem tem um filho, já formado em Administração de Empresas, "chamado Roberto, é claro". Márcia é casada com o médico Alberto Domingues Viana, radiologista e professor da UFF. Eles têm um casal de filhos, João Alberto, médico como o pai, e Maria Roberta, que é administradora de empresa.


O NORTE FLUMINENSE:  Onde nasceu Roberto Silveira?

ISMÉLIA SAAD SILVEIRA:  No Sítio Rio Preto, em Calheiros, como todos os irmãos: Badger, Dinah, Maria da Penha e Zequinha.

O NORTE FLUMINENSE: No livro ROBERTO SILVEIRA, A PEDRA E O FOGO, de José Sérgio Rocha, há uma passagem em que Roberto Silveira, quando  criança, e já morando na Fazenda São Tomé, próxima ao Sítio Rio Preto, perguntou a Boanerges Borges da Silveira, seu pai, como teria nascido. A resposta foi que ele teria sido encontrado em uma pedra. Qual o motivo desta resposta?


 ISMÉLIA SAAD SILVEIRA: Em qualquer época, as crianças sempre fizeram perguntas de onde vieram. Hoje, a maior parte dos pais tenta explicar com outras metáforas ou falando a realidade de um modo simples. Mas, naquela época, numa fazenda, as explicações eram “você foi achado na porteira da fazenda, seu irmão num bananal”, etc. Como o Roberto era o caçula, o único lugar que sobrou para ele foi uma grande pedra próxima à casa. Daí, “Roberto, você foi achado ali, naquela pedra”. Essa pedra ainda existe intacta na Fazenda São Tomé.

 O NORTE FLUMINENSE: O referido livro diz, ainda, que Roberto costumava sair da Fazenda São Tomé, passar pelo Sítio Rio Preto para pegar o amigo Neneco, e irem estudar na escola na Barra do Pirapetinga, com a professora Olga Ebendinger. Sabe informar se eles iam a pé?

ISMÉLIA SAAD SILVEIRA:  Não. O que eu sei é que eles iam a cavalo para a escola e, quando batia a fome, eles raspavam um pão no suor do cavalo e comiam. Uma coisa horrorosa.


 O NORTE FLUMINENSE: O filho de Roberto, Jorge Roberto Silveira esteve, há mais de 10 anos, na Fazenda São Tomé. Sabe como foi esta visita?

ISMÉLIA SAAD SILVEIRA:  O Jorge esteve duas vezes na Fazenda São Tomé, em Calheiros, e sempre lembra como foi bem recebido pelos proprietários, com aquele carinho típico e tradicional dos bonjesuenses. 
 
A primeira vez, ele foi com o Badger, que lhe mostrou a tal “Pedra” onde o Roberto teria sido “achado”. Essa história acabou inspirando o título da biografia de Roberto escrita por um jornalista muito talentoso chamado José Sérgio. A primeira fase da vida de Roberto se chamou “A Pedra” e, a segunda, quando ele entrou na vida política difícil, dura e cheia de obstáculos até a sua morte, “o Fogo”. “A Pedra e o Fogo” é um título que resume bem a história dele.




O NORTE FLUMINENSE: Como foi seu encontro com Roberto Silveira?
 
 ISMÉLIA SAAD SILVEIRA:  Na minha adolescência, a casa de meus pais era onde hoje fica a residência da Alda, esposa do Joaquim Relojoeiro. A da família do Roberto ficava exatamente ao lado, onde agora está o escritório da AMPLA. Naquela época, era muito comum as famílias colocarem cadeiras na calçada para se relacionarem com os vizinhos. Frequentemente, meu pai e minha mãe conversavam com seu Boanerges e dona Biluca, pais do Roberto. Isso fazia parte da rotina deles.


Merhige Hanna Saad e Alzira Sauma Saad: pais de Ismélia
 
Nesse tempo, Roberto tinha 23 anos, já era Deputado e morava em Niterói. Sempre que podia, vinha a Bom Jesus. Mas nunca coincidia de nos conhecermos porque eu estudava num internato de freiras em Campos e as minhas férias, que eram curtas, nunca coincidiam com as vindas dele. Mais tarde, porém, fui saber que dona Biluca ficava no ouvido dele dizendo para me namorar: “Nossa vizinha é gente boa”. Há até um ditado que eu não sei se é libanês ou brasileiro mas que talvez ilustre bem o pensamento tanto de meus pais quanto dos pais de Roberto: “Case sua filha com o filho do vizinho”. Acabou acontecendo isso.
 
Fui conhecer Roberto num baile da Rainha da Festa de Agosto, no antigo Colégio Pereira Passos, que hoje leva o nome dele. Lá pelo meio do baile, Roberto me tirou para dançar. Eu aceitei, claro. Enquanto dançávamos ele me perguntou: “Quantos anos você tem?”. Eu disse: “Dezoito”. “Você tem namorado?”. “Não”. “Então eu vou pedir a seu pai para te namorar”. “Pelo amor de Deus, não. Papai jamais vai deixar”. 


A entrevista histórica ocorreu na sala da residência de Merhige Hanna Saad e Alzira Sauma Saad






Pouco tempo depois, Roberto encontrou-se comigo na Praça e, sem eu perceber, fomos conversando até minha casa. Meu pai estava na porta. Morri de medo. Mas ele falou: ”Dr. Roberto, vamos conversar”. Claro que papai notou que havia algo entre nós.
 
Começamos a namorar e Roberto queria casar logo porque, naquela época, levava-se um dia inteiro de viagem de Niterói a Bom Jesus. Namorar muito tempo era uma dificuldade. Mas a minha família estava construindo a casa na Praça Governador Portela e eu achava que deveríamos esperar o término da obra para nos casarmos. 



Ismélia Silveira e Roberto Silveira
 
Roberto costumava mandar cartas para mim, através da Déia Tavares, que era agente dos Correios. Ela recebia as cartas e as repassava para mim. Quando chegou a primeira, pedi à tia Alvina, irmã de mamãe, que a respondesse. Alguns dias depois de enviar a carta, recebi a resposta de Roberto que escreveu: “Gostei muito da sua carta, mas gostaria que, da próxima vez, você mesma escrevesse”. Também para falarmos ao telefone, tínhamos de utilizar os serviços do posto telefônico da Inah Borges, com hora marcada. Por exemplo: “a ligação será dentro de dois dias às 7h”.
Antes de Roberto pedir minha mão, seu Boanerges foi lá em casa conversar com papai. No dia em que ficamos noivos, mamãe serviu para todos uma taça de guaraná e um bombom “Sonho de Valsa”, que era o favorito de "seu" Boanerges.
 
Quando nos casamos, em 1951, a recepção foi no edifício Monte Líbano, recém construído. Chovia tanto que não foi possível o fotógrafo do Rio de Janeiro chegar a tempo. Este é o motivo porque não temos fotos da cerimônia e da festa. Restou apenas um pequeno filme feito pelo Badger. De qualquer maneira, o dia foi muito especial, apesar da chuva. E eu até hoje não sei como dona Alzira e o comandante Amaral Peixoto, que eram nossos padrinhos, conseguiram chegar a tempo.




Recepção do casamento de Roberto e Ismélia ocorreu no prédio do Monte Líbano,  inaugurado por Merhige Hanna Saad em 14 de agosto de 1950, que incluia cinema com capacidade para cerca de mil pessoas




O NORTE FLUMINENSE: O irmão de Roberto, Zequinha, teve atuação política relevante no Paraná. Poderia falar-nos sobre isso?
 
ISMÉLIA SAAD SILVEIRA:  O Zequinha se formou em Medicina na época em que era uma façanha alguém do interior entrar numa faculdade. Depois de formado, ele veio de trem para Bom Jesus e foi recebido pelo Prefeito, pelos Vereadores e por metade da cidade, tamanha a importância de um médico diplomado. Ao sair da faculdade, ele trabalhou em Ubá (MG), depois foi para o Paraná onde se estabeleceu. Acabou sendo Prefeito de Nova Viçosa, Deputado Federal e era candidato a Governador do Paraná quando Roberto morreu. Aí, ele desistiu porque, para ele, só valia a pena ser Governador daquele Estado se fosse para ajudar Roberto caso ele se candidatasse à Presidência da República.




O NORTE FLUMINENSE: A filha de Badger Silveira, Ana Maria Silveira, afirmou a nosso jornal,  que "não tem dúvida de que Roberto Silveira sofreu um atentado". O que você acha desta afirmação?


Os sobrinhos de Roberto Silveira, Ana Maria Silveira e Badger Silveira Filho sustentam que "Roberto Silveira foi alvo de atentado"
 
ISMÉLIA SAAD SILVEIRA:  É a opinião dela... Minha vida com Roberto Silveira foi maravilhosa. Ele era um ótimo pai, um excelente marido.  Nós éramos tão jovens, com as crianças pequenas... Sinto uma imensa saudade dele... Foi uma grande perda.. Se não fossem meu pai e minha mãe me dando apoio, não sei como eu teria forças para enfrentar tudo isso... Relembrar os fatos é muito doloroso para mim... 






Um mar de guarda-chuvas e sombrinhas no último adeus a Roberto Silveira


Ismélia Silveira: luz e lágrimas que não findam



O NORTE FLUMINENSE: Como foi sua vida e da família, após a morte de Roberto?
 
ISMÉLIA SAAD SILVEIRA:  Quando Roberto faleceu, meu filho Jorge tinha 8 anos, a Dôra tinha 5 e a Márcia, 3. Foi um momento de muita dor, que nunca tem fim. Badger era o irmão mais velho do meu marido e foi um segundo pai para meus filhos quando Roberto morreu. Ele morava com a Renée e seus oito filhos no mesmo prédio em que eu criei meus 3 filhos. Hoje, minha satisfação é saber que todos os meus filhos e netos são bem sucedidos, com suas vidas organizadas. 

O NORTE FLUMINENSE: Que conselho você daria para as novas gerações?

ISMÉLIA SAAD SILVEIRA:  Cada um deve lutar para ter sua profissão, fazer valer a sua cidadania e ajudar a construir um mundo melhor.
 
Ismélia Saad e Marian Saad
(acervo de Eliane Chalhoub)



Roberto Silveira, Ismélia Saad, Jorge Roberto, Dôra e Márcia


A FOTO COM A REPORTAGEM



Marian Saad Sauma, Maria Cristina Saad Gomes, Olga Borges Saad, André Luiz Ribeiro, Gino Martins Borges Bastos e Ismélia Saad Silveira