domingo, 23 de janeiro de 2022

O Governador Badger Silveira na posse do Marechal Castelo Branco



Ana Maria Silveira




Durante muitos anos Badger foi cobrado pelos seus correligionários do antigo PTB e, principalmente, pelos socialistas, comunistas, brizolistas e centro–direitistas, pelo fato de ter comparecido à posse do Marechal Castelo Branco.   Pareceu inusitado, inaceitável, uma vez que Badger e o Presidente João Goulart compartilhavam os mesmos ideais trabalhistas.
No famoso comício do dia 13 de maio de 1964, na Central do Brasil, Badger  chegou depois do discurso do Deputado Federal  Leonel Brizola.
Sem informações do quanto Brizola havia radicalizado na sua fala, Badger fez um discurso considerado moderado, conforme suas convicções legalistas.
Retornando a Niterói e, por insistência dos amigos, ouviu uma gravação do discurso brizolista. O que ouviu o deixou apreensivo: um discurso incendiário, fora da realidade, irresponsável, comprometendo todo o trabalho do partido em relação às chamadas “reformas de base” e outros de igual importância, e o pior: entregando todos os argumentos para a oposição conservadora fortalecer o golpe militar que viria e, agora, com apoio incontestável da Igreja Católica  e de alguns setores da  Sociedade Civil.
Desse dia em diante, governar o Estado do Rio, ficou mais difícil.
Seguiram-se dias muito confusos e perigosos. Badger, com a deposição do Presidente João Goulart na madrugada de primeiro de abril, não se sentiu mais confortável ao exercer seu mandato. Nessa mesma madrugada, teve o convite do governador mineiro Magalhães Pinto para que aderisse ao golpe. Não aceitou, dizendo inclusive que acabara de lançar um manifesto pelo rádio em apoio a João Goulart.
Sem rumo, com as piores perspectivas, foi conduzindo seu governo com a mesma dignidade com que o recebeu.
 Jamais renunciaria!
De repente, no Palácio do Ingá, começaram a aparecer grotescos policiais-militares, majores, comandantes disso e daquilo e múltiplos generais exigindo que Badger os nomeasse para isso ou aquilo. Badger negou-se veementemente, mesmo sob ameaças e tentativas frustradas de sequestros e golpes brancos. 
Nesse momento teve a percepção dos tipos humanos desqualificados que queriam apropriar-se do governo pela força e não por procedimentos democráticos institucionais.
  Uma enorme preocupação com o destino e a segurança do povo fluminense tornou-se, para ele, uma obsessão.
Nos primeiros dias após o golpe, uma junta militar tomou o lugar do presidente deposto.
 Badger, entrou em contato com militares ditos revolucionários e mostrou sua enorme preocupação com o futuro do Estado do Rio.
Com a ajuda do Governador Amaral Peixoto, do Almirante Heleno de Barros Nunes -na época secretário de Minas e Energia de Badger- e outros militares amigos, pensaram em uma solução para uma possível vacância no governo do Estado, diante da nova realidade política.
Comunicado, o próprio Marechal Castelo Branco disse a Badger que esse mandato (da junta militar) seria breve, e que logo fariam novas eleições para que o país voltasse à normalidade (democrática), o que não aconteceu. 
Depois do AI-1, Badger continuou a ser importunado mais intensamente e agora, toda a sua família sofria também as mais covardes ameaças.
 O Marechal Castelo Branco o convidou pessoalmente para sua posse, dizendo :“Governador, preciso do senhor aqui, em 15 de Abril. Conto com a sua colaboração futura para a transição ao poder civil!”.
  Badger compareceu,  juntamente com seu secretário de Energia, o Almirante Heleno de Barros Nunes e a anuência do ex- Governador Amaral Peixoto para negociar a entrada de um interventor não violento, o oposto do que estava acontecendo nos outros Estados brasileiros.
  Ali, naquele dia, o Governador Badger Teixeira da Silveira conseguiu uma garantia pessoal do Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco de que nenhum militar truculento assumiria o comando do Estado do Rio de Janeiro.
Por questão de suprema segurança essa informação foi mantida em segredo até para os politicamente mais próximos, correligionários que ficaram incrédulos com essa atitude inexplicável de Badger, a quem bem conheciam e que sabiam não se deslumbraria em permanecer no governo.
 As mudanças aconteciam rapidamente e o quadro se esboçava cada vez mais distante das prometidas “eleições democráticas”.
  Desconhecendo esse acordo, os policiais-militares, majores, generais e comandantes disso ou daquilo, intensificaram as agressões e ameaças, ainda exigindo sua renúncia ou  cobrando nomeações para diversos cargos.
Badger se negou. Enquanto estivesse no governo, não cederia a ameaças e por princípio, não renunciaria.
Sua permanência no cargo ficou extremamente bizarra e perigosa.
Por precaução, distribuiu a família confidencialmente pelas casas de amigos sinceros, cientes dos riscos que corriam, mas que não se importaram ao lhe estenderem as mãos.
Corria tanto risco de morte que lhe foram oferecidas umas seis Embaixadas, para possível exílio.
Não aceitou. Era inocente. Não temia qualquer tipo de acusação.
Enfim, os deputados, inclusive os aliados, votaram, perplexos, o seu impeachment.
Lembro-me do deputado Bocayuva Cunha narrando este fato: - Os deputados votaram comovidos, alguns chorando. No final todos se levantaram e em protesto, cantaram o Hino Nacional.
 Juntos com a morte de Roberto e a deposição de Badger, foram-se os sonhos de toda uma geração de jovens políticos que dedicavam suas vidas para tornar o Brasil um país mais justo, com oportunidades iguais para todos...
  Décadas mais tarde, quando desapareceram quaisquer possibilidades de vingança pessoal pelos truculentos, Badger procurou os amigos que lhe cobravam sua ida à posse do Marechal e trouxe à luz a verdade sobre o acontecido.
Ele nos dizia que não se importava por ter sido tão criticado pelo fato de ter ido nessa posse, do Presidente Castelo Branco. E que o gratificava o sentimento do dever cumprido pelo fato do Estado do Rio de Janeiro ter sido o Estado, em comparação com todos os outros, o que apresentou o menor número de perseguições políticas, torturas, desaparecimentos e mortes no período mais cruento da Ditadura.

Ana Maria Silveira é filha do ex-governador Badger Silveira

sábado, 22 de janeiro de 2022

Ex-prefeito Marcus Werneck doa violão para o Centro Cultural Maria Beatriz

Marcus Werneck e Maria Beatriz


O Centro Cultural Maria Beatriz, de Laje do Muriaé (RJ), recebeu hoje a ilustre visita de Marcus Werneck, ex-prefeito do município fluminense e membro da Academia Bonjesuense de Letras.

Na oportunidade, Marcus doou violão para um dos alunos do Curso que está sendo promovido pela prestigiada entidade lajense.

O encontro esses dois baluartes da cultura configurou um evento histórico para a região.

 




Curta-metragem foi filmado no Cine Teatro Monte Líbano

 

Filmagens ocorreram no Cine Teatro Monte Líbano, atualmente desativado


As filmagens realizadas para o curta-metragem em homenagem à saudosa Ismélia Silveira, a Eterna e Única Primeira Dama, expressão cunhada por Raul Travassos, ocorreram também no Cine Teatro Monte Líbano, construído pelo gênio do libanês Merhige Hanna Saad, pai de Ismélia.

Lea Chaves, que veio especialmente de Vitória (ES) para as gravações, foi a atriz que representou Ismélia Saad, viúva do também saudoso governador Roberto Silveira. Ketlyn Oliveira, a maquiadora, veio de Rio das Ostras (RJ). A produção está a cargo do jornal O Norte Fluminense. O dia 13 de março é o previsto para lançamento do curta, ocasião em que Ismélia completaria 92 anos.

A atriz Lea Chaves interpretou Ismélia Saad




A atriz Lea Chaves e a maquiadora Ketlyn Oliveira


No ano de 1994, ocorreu o 1º (e último) Festeatro, no Cine Monte Líbano, que lotou a capacidade do estabelecimento. A então Diretora de Cultura, Maria José Martins, participou no corpo de jurados e registrou o grande evento. 

O Cine Monte Líbano foi inaugurado pelo libanês Merhige Hanna Saad no dia 14 de agosto  de 1950, com capacidade para mil pessoas, nada devendo aos melhores teatros da capital. O local recebeu os maiores nomes do teatro e da música brasileira. Na época de sua construção, ocorreu um investimento aproximado de CR$3.000.000,00 (três milhões de cruzeiros).

O Cine Monte Líbano fechou suas portas em 1989. No dia 19 de novembro de 2002, o Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro publicou o tombamento provisório pelo INEPAC (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural).

Festeatro foi realizado no Cine Monte Líbano, em 1994

Alzira Sauma e Merhige Hanna Saad: a migração libanesa que dignificou Bom Jesus


quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Faleceu o Desembargador Antônio Izaías da Costa Abreu

  



Desembargador Antonio Izaías da Costa Abreu


É com profundo pesar que noticiamos o falecimento, na noite de ontem, do desembargador Antonio Izaías da Costa Abreu, aos 89 anos de idade, filho de Edgar Teixeira Abreu e Maria Aparecida da Costa Abreu.

Nascido em Bom Jesus do Itabapoana, fez aqui os primeiros estudos. Os cursos ginasial e técnico de contabilidade foram realizados no colégio Bittencourt, em Itaperuna (RJ).  Estudou o curso científico no Colégio de Pádua em Santo Antonio de Pádua (RJ).

Foi professor da Escola Técnica de Comércio do Colégio Rio Branco, em nosso município. 

Formado em direito pela Universidade Católica de Petrópolis em 1964, foi professor na mesma Universidade no período de 1974 a 1991, ministrando as matérias de direito civil e penal. 

Magistrado, por concurso público de provas e títulos do Estado do Rio de Janeiro, ingressou na carreira em 28 de junho de 1972. 

Foi juiz de direito nas comarcas de Laje do Muriaé, Itaperuna, Campos dos Goytacazes, Niterói, Petrópolis e na comarca da capital do Rio de Janeiro, onde ocupou a titularidade da 23ª Vara Criminal. Foi juiz auxiliar da Corregedoria de Justiça no biênio 1985/1986. 

Ingressou no Tribunal de Alçada Criminal (TACRIM), em 1988, sendo promovido para o Egrégio Tribunal de Justiça no dia 15 de abril de 1997, onde teve assento e ocupou a presidência da 8ª Câmara Criminal, aposentando-se por força do dispositivo constitucional do limite de idade, em 02 de março de 2002. 

Desempenhou, ainda, o cargo de Diretor da Revista ATA do Tribunal de Alçada Criminal do Estado do Rio de Janeiro, de 1995 a 1997.

Era membro das seguintes entidades culturais: Sócio Honorário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais “Casa de João Pinheiro”; Instituto Histórico de Petrópolis; Academia Petropolitana de Letras; Academia Petropolitana de Educação; Academia Petropolitana de Letras Jurídicas; Academia Bonjesuense de Letras; Instituto de Letras e Artes Dr. José Ronaldo do Canto Cyrillo; Academia Paduana de Letras; Artes e Ciências; Academia Itaocarense de Letras; Associação dos Juristas Católicos do Rio de Janeiro; Société Internationale de Prophylaxie Criminelle, Paris, França. Membro e Consultor Jurídico da Associação Cultural do Arquivo Nacional (ACAN) e membro da Comissão Permanente de Preservação da Memória Judiciária – Museu da Justiça.

Realizou os documentários cinematográficos: Ruínas de Macacu e do Convento São Boaventura – VHF (1988), O Quilombo de Paty do Alferes – VHF (1988), O Retorno da Princesa – DVD (2010), Convento de São Boaventura – Macacu - DVD (2011).

Publicou os seguintes trabalhos literários: O linguajar do marginalizado (1983); Quilombos em Petrópolis (1988); A morte de Koeler, a tragédia que abalou Petrópolis (1992); Municípios e Topônimos Fluminenses (1994); Julio Frederico Koeler – O Arquiteto (1996); Ternas Recordações, poesias (2001); Posse acadêmica e homenagem (2005); Palácios e Fóruns do Estado do Rio de Janeiro (2006); O Judiciário fluminense – período republicano (2007); O Judiciário Fluminense e suas Comarcas – capital e interior (2008) e Relação do Rio de Janeiro, 1752-2002 – coordenador (2002); A Colonização do Sudeste - A Prevalência Italiana (2015); "OBRAS COMPLETAS DE RUI BARBOSA, Prefácios, notas e revisões por JOSÉ GOMES BEZERRA CÂMARA", Prêmio Funager (2015); "O que vi e ouvi" (2017); " O humor e o riso em versos livres" (2019).

Agraciado com inúmeros títulos e comendas, o desembargador, historiador, produtor de documentários e poeta Antonio Izaías da Costa Abreu era um homo universalis e é um orgulho dos bonjesuenses.

Trata-se de uma perda inestimável para todos nós! Que Deus console a todos os familiares e amigos!


terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Os Causos do dr. Marco Seródio




O Norte Fluminense publica, a partir desta edição, os "Causos do dr. Marco Seródio", contados na antiga Panificadora Família Borges.

Segundo o entrevistado fez questão de ressaltar, "nenhum dos meus causos são inventados. Todos são verídicos".

CINE MONTE LÍBANO

O primeiro causo é sobre ele mesmo.

 " O tradicional Cine Monte Líbano já tinha sido fechado há alguns anos, e eu fui beber no Bar Chopinho, com minha esposa. Ocorre que bebi além da conta. Por volta das 17h, acabei adentrando na sala de exibição de filmes, após passar pela antiga área da 'saída" do cinema. Sentei-me em uma das poltronas empoeiradas e lá fiquei. Logo depois, apareceu minha mulher e me perguntou: "- o que você está fazendo aí?" E eu respondi:"- estou esperando a sessão matinal do faroeste!"

AS MULHERES MAIS RICAS E COBIÇADAS DE BOM JESUS

Em minha época, duas eram as mulheres mais ricas e cobiçadas de Bom Jesus do Itabapoana: Vera, filha de Chichico das Areas, e Marian Sauma Saad, filha de Merhige Hanna Saad.

Ocorre que Vera passou a namorar meu primo Antônio Seródio, que fazia seu pai acreditar que estava estudando Direito no Rio de Janeiro, até que foi desmascarado, depois de ganhar um prêmio de tango na Argentina.

Marian, por sua vez, passou a namorar Fernando Nogueira, que era, na época, considerado um chofer de praça.

O resultado é que ambos os pais acabaram proibindo os namoros.

PAPEL HIGIÊNICO  NO BAILE

Num dia 15 de agosto, houve um concorrido baile no Aero Clube, que estava lotado.

No intervalo, uma de nossas "madames" resolveu ir ao toilete. Para chegar ao mesmo, contudo, precisava atravessar o salão. E assim foi. Ocorre que, ao retornar, ela não percebeu que, no salto de seu sapato estava agarrado um papel higiênico. Todos observaram, segurando o riso, aquela insólita cena, da madame com um andar e olhar garbosos....


VÔMITO E DENTADURA


Em um baile no Aero Clube, um colega idoso passou a ter vontade de vomitar, depois de beber bastante.

Ocorre que, como havia muita gente no salão, ele percebeu que não conseguiria chegar a tempo no banheiro. Teve a ideia, assim, de vomitar no copo grande que estava na mesa. Ao vomitar, contudo, sua dentadura foi junto. O que vimos foi ele, discretamente, retirar a dentadura, mexer com a mesma, para retirar o resto de vômito possível para, em seguida, fixá-la na boca novamente.










Paulo Sérgio do Canto Cyrillo no Teatro Cinema Conchita de Moraes, dia 18/02/2016














TEATRO CINEMA CONCHITA DE MORAES PODE SER REINAUGURADO EM 2022


Parede desabou no dia 2 de janeiro

Quando a parede lateral do prédio do Teatro Cinema Conchita de Moraes, na Usina Santa Maria, desabou no dia 2 de janeiro, o engenheiro Márcio Luiz Piedade Fonseca, levado pela empresária Rosane Brandão, dos Supermercados MR, teve atuação relevante pois atestou, contrariamente a outras vozes, que as demais paredes estavam intactas.

Engenheiro Paulo Sérgio do Canto Cyrillo orientou a reconstrução da parede no dia 18 de fevereiro
 


Sem a atuação de outro profissional, o engenheiro Paulo Sérgio do Canto Cyrillo, contudo, esta parede jamais teria sido restabelecida.

Paulo Sérgio, Eduardo Rosa, o Guardião do Conchita, Edilene Peris e Jorge Roberto Milano


No dia 18 de fevereiro, ele esteve no local com as lideranças Jorge Roberto Milano, o Betinho, e Edilene Peris, a Leninha, oportunidade em que promoveu as necessárias orientações para a edificação da parede.



No dia 18 de abril, para a surpresa de muitos, a parede restou restabelecida, graças ao prestígio das lideranças e ao apoio da comunidade.

Parede do Conchita foi restabelecida, contrariando inúmeras vozes em contrário


Findada a reconstrução da parede, o próximo desafio passou a ser a colocação do teto que, devido ao elevado custo, levava a supor que a próxima etapa levaria alguns anos.



Paralelo a isso, estabeleceu-se um Livro de Ouro, para permitir a instalação de portas, janelas, eletricidade, água e piso.

A reinauguração do Conchita de Moraes faria do espaço um local de resgate da grande história da grande história das Usinas Santa Maria e Santa Isabel, além de se constituir em importante sítio de desenvolvimento cultural e econômico da região.




 O sonho do restabelecimento do Teatro Cinema Conchita de Moraes não morreu